Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Opinião do dia - Luiz Werneck Vianna*
“(...)Remover raízes tão fundas leva tempo e
exige coragem, sabedoria e prudência, virtudes presentes nos articuladores,
Lula à frente, que souberam nos levar à vitória sobre as hostes fascistas na
sucessão presidencial. O mesmo caminho deve guiar o nascente governo
democrático, pautando cada passo no sentido de devolver ao país os rumos de que
fomos desviados em busca do reencontro com os ideais civilizatórios de que um
governo criminal tentou nos afastar.”
*Luiz Werneck Vianna (1938-2024) Sociólogo, “Remover
as raízes do fascismo”. Blog Democracia Política e novo Reformismo, 5.11.22
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Sensatez deve prevalecer no PL da Dosimetria
Por O Globo
Qualquer anistia seria inaceitável. Senadores
devem fechar brechas abertas pelos deputados no texto
A Câmara dos Deputados aprovou na semana
passada o Projeto de Lei (PL) da Dosimetria, que altera o cálculo de penas para
crimes contra o Estado Democrático de Direito e, na prática, abre caminho à
redução do tempo de permanência na prisão do ex-presidente Jair
Bolsonaro e dos demais condenados por tentativa de golpe de Estado e
pelos ataques do 8 de Janeiro. A aprovação do PL, numa sessão que se estendeu
pela madrugada, se deu por larga margem de votos (291 a 148).
Eram legítimas as críticas às penas aplicadas a alguns dos condenados pelo 8 de Janeiro, demasiadamente severas. Isso ficou patente no caso da cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, sentenciada a 14 anos de prisão por ter pichado a estátua na frente do Supremo Tribunal Federal (STF) — hoje ela está em prisão domiciliar. Mas é essencial que mentores, financiadores e organizadores, mesmo com penas menos severas, respondam pelos crimes graves que cometeram com punição proporcional à gravidade de seus atos. Seria inaceitável qualquer forma de anistia. Funcionaria como incentivo ao golpismo e seria uma afronta à Constituição. Por isso é necessário desde já repudiar os devaneios que rondam o Senado — para onde o projeto foi encaminhado — com o objetivo espúrio de anistiar os condenados, livrando-os de qualquer tipo de punição.
Esquerdas, política e guerra. Por Paulo Fábio Dantas Neto*
As Provações da Democracia. Por Ricardo Marinho*
Olhei no espelho e me espantei com o que vi. Por Bruno Carazza
Valor Econômico
Livro Brasil no Espelho, de Felipe Nunes, mostra um país de uma forma que pode levar a conclusões enganosas ao primeiro olhar
Para a maioria das pessoas não é agradável se
olhar no espelho. E foi essa sensação de desconforto que ficou após a leitura
de Brasil no Espelho, livro candidato a best seller de autoria de Felipe Nunes
e que acaba de ser lançado pela Globo Livros.
Baseado numa pesquisa com quase 10 mil
pessoas (amostragem muito superior ao comum em pesquisas de opinião e
eleitorais) e cobrindo um amplo espectro de questões sobre como o brasileiro se
vê e percebe o país ao seu redor, a obra traz insumo valiosíssimo para
discutirmos o Brasil.
Sem os filtros das redes sociais, a imagem que se revela ao espelho quase nunca nos deixa contentes, ainda mais sem maquiagem. No caso, o país revelado por Felipe Nunes - que é sócio da Quaest, instituto que conduziu a pesquisa - o Brasil não é apenas conservador, com a família acima de tudo e Deus acima de todos.
Juros caem antes de ancorar as expectativas? Por Alex Ribeiro
Valor Econômico
Política monetária mais austera dificilmente será bem-sucedida em coordenar expectativas de inflação sem ajuda da política fiscal
Os analistas econômicos, de forma geral,
preveem que o Banco Central vá começar a cortar os juros em janeiro ou, no mais
tardar, em março. Mas o trabalho não está completo: as expectativas de inflação
estão acima da meta.
Seria o caso de cortar os juros mesmo com as expectativas desancoradas? Em 2023, o BC iniciou um ciclo de distensão nessas condições e, depois, teve que reverter. O Brasil se beneficiou de dois períodos de juros e inflação baixos quando o BC domou as expectativas, nas gestões Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn. Mas só foram bem-sucedidos porque tiveram a ajuda da política fiscal.
Atos contra PL da dosimetria têm críticas ao Congresso e a Motta
Por Joelmir Tavares, Kariny Leal e Caetano Tonet / Valor Econômico
Protestos em São Paulo e no Rio somam cerca de 30 mil, menos da metade do público de manifestações contra a PEC da blindagem
Manifestantes participaram no domingo (14) de
atos contra o projeto de lei (PL) da dosimetria, que prevê redução de penas
para condenados por golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os
protestos foram convocados por movimentos sociais e partidos de esquerda e
ocorreram nas principais capitais do país, como São Paulo, Rio e Brasília. Além
do mote “sem anistia”, os eventos foram marcados por críticas ao Congresso e,
especificamente, ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB).
Em São Paulo e no Rio, as manifestações reuniram menos pessoas do que as organizadas contra a PEC da blindagem, realizadas em setembro, segundo levantamentos do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), uma parceria da Universidade de São Paulo (USP) com a ONG More in Common, que calcula os públicos nas duas cidades a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial.
Os agentes secretos. Por Miguel de Almeida
O Globo
A arte deixou de ser julgada por critérios
estéticos e virou campo de batalha identitário
Assim como existe o voto urso — você abraça
um candidato e vota noutro —, os tempos woke nos
forçam a dizer que gostamos de um filme quando, na verdade, o achamos bem
médio. É o caso de “O agente secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, cuja
narrativa é desencapada, mas aplaudida pela crítica por estar cheia de
citações. A situação lembra o comentário de Paulo Francis sobre “Terra em
transe”, de Gláuber Rocha, quando a crítica era pesadamente a favor da obra:
— O filme é uma bosta, mas o diretor é um gênio.
Que tal um salário mínimo de R$ 7 mil? Por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
Políticas sociais bem-intencionadas podem,
sim, causar desastres. É o caso da redução da jornada de trabalho
O salário mínimo sobe para R$ 1.621 a partir
de janeiro próximo. Pode-se dizer que esse valor é inconstitucional. Cabe
alguma ação junto ao STF para
obrigar os empregadores brasileiros, inclusive o governo, a pagar um mínimo de
R$ 7.067,18.
Está na Constituição, artigo 7º, inciso IV,
que todo trabalhador tem direito a um salário mínimo “capaz de atender a suas
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação,
educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social”.
Família-padrão é o casal com dois filhos. E está na cara que os R$ 1.621 não atendem àquelas necessidades. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) é a fonte do cálculo que fixa o mínimo naqueles R$ 7.067. O leitor pode perguntar: como é que ninguém teve a ideia de apelar ao STF?
Flor da exceção. Por Irapuã Santana
O Globo
Valorizar uma menina, desde tão pequena,
ajuda a construir uma adulta com boa autoestima e confiante para ir atrás do
que deseja
Tenho uma filha. Ela se chama Beatriz e tem 5
anos. Uma das coisas que desenvolvi ao longo da jornada da paternidade foi a
habilidade de tentar ver o mundo a partir dos olhos dela. Isso me fez crescer
como pessoa e como homem. Também trouxe algumas reflexões, que hoje gostaria de
compartilhar.
No Dia da Criança, dei a ela uma bicicleta linda. Pesquisei, juntei dinheiro para comprar, montei e fomos para o parque andar. Aí surge um pensamento intrusivo: dados do Strava, de 2023, revelam que, no mundo, mulheres passam 55% menos tempo pedalando que os homens. No Brasil, esse número chega a 37%, em linha com a disparidade de gênero observada globalmente. Um dos motivos relevantes para essa diferença é o assédio e a importunação sexual. Segundo o Perfil do Ciclista Brasileiro de 2024, pesquisa realizada pela Transporte Ativo, em São Paulo 65,7% das mulheres, e em Belém 67,7% já sofreram algum tipo de agressão ou importunação enquanto pedalavam. Então, será que realmente vale a pena ensinar algo que ela dificilmente usará quando estiver mais velha?
O STF e a esquerda. Por Diogo Schelp
O Estado de S. Paulo
Com notórias exceções, a esquerda prefere ignorar ou justificar os conflitos de interesse na Corte
Milhares de pessoas foram às ruas de diversas capitais neste domingo, 14, convocadas por organizações de esquerda. A maior fonte de indignação dos manifestantes, conforme expresso nas faixas e nos cartazes, era o Congresso Nacional — principalmente por causa do PL da Dosimetria, cujo intuito é reduzir o tempo de cadeia de Jair Bolsonaro e outros condenados por tentativa de golpe de Estado. Foram atos mais minguados do que os de 21 de setembro passado, contra a infame PEC da Blindagem, que pretendia proteger deputados e senadores de processos.
Dose, remédio e veneno. Por Denis Lerrer Rosenfield
O Estado de S. Paulo
A justiça propriamente dita é feita pelo PL da Dosimetria, que restabelece o equilíbrio entre o ato e sua condenação
Qualquer medicamento, para produzir o
resultado almejado, deve ser dado na dose certa, sob pena de virar veneno, algo
nocivo e, inclusive, mortal para o organismo. Doses excessivas produzem um
desarranjo no corpo, um desequilíbrio, com seus efeitos se afastando daquilo
que era pretendido. De cura de uma doença, pode tornar-se um prejuízo à saúde.
A votação do PL da Dosimetria é uma amostra das consequências políticas que podem acarretar, em dose proporcional, para o bem do Brasil, corrigindo injustiças e indicando para uma pacificação das relações políticas e partidárias. Não tem o menor cabimento equiparar as ações dos vândalos de 8 de janeiro com a tentativa propriamente dita de golpe de Estado, nem dosimetria com anistia, como muito bem assinalado por editorial desse jornal, A Câmara fez a coisa certa (11/12, A3). Os que procuram apagar essa distinção essencial procuram apenas impor a sua própria narrativa, segundo seus interesses políticos.
O mau conselho do Conselhão. Por Ernesto Tzirulnik e Luiz Gonzaga Belluzzo
O Estado de S. Paulo
O nome desse jogo que o Conselhão não jogou é segurança econômica nacional, e não neoliberalismo radical
O Conselho de Desenvolvimento
Econômico Social Sustentável, o Conselhão, em reunião ocorrida em 4 de
dezembro, encaminhou inúmeras propostas à Presidência da República. Elas seriam
destinadas a concretizar diversos eixos do desenvolvimento social e econômico
do País.
Uma delas seria a “nova Lei de Direito Internacional Privado”.
Esse projeto é um desastre para a economia brasileira. Ele prevê uma
hiperliberalização da ordem jurídico-econômica, num grau que nem mesmo os
governos FHC, Temer e Bolsonaro ousaram sugerir.
A proposta aponta para esse assombroso caminho no ano de 2025, quando o movimento da economia mundial vai, todo ele e com razão, no sentido inverso, com inúmeras políticas de retomada de incentivo ao desenvolvimento das indústrias nacionais; de defesa da soberania econômica; de criação de instituições que deem aos países e seus mercados internos mecanismos de coordenação que os protejam contra as agruras da disputa entre EUA e China, contra as inconstâncias do volátil estrangeiro e perante riscos ainda desconhecidos mas de ocorrência certa, como pandemias ou catástrofes ecológicas.
Pesquisa indica que o centro político revê expectativas para 2026. Por Lara Mesquita
Folha de S. Paulo
Mudança de expectativas entre deputados de
centro afeta alianças e estratégias eleitorais
Deputados de esquerda (lulistas ou não) e de
direita (bolsonaristas ou não) divergem em praticamente tudo
Foi divulgada na semana passada pesquisa
Genial/Quaest com deputados federais. A pesquisa questiona os legisladores
sobre temas diversos, e uma constante é como deputados de esquerda (lulistas ou
não) e deputados de direita (bolsonaristas ou não) divergem em praticamente
todos os temas: da avaliação do STF à
escala 6x1, da taxação de fintechs à indicação de favoritismo na eleição de
2026 e à resposta ao tarifaço de Trump.
Alguns pontos se destacam na pesquisa, seja pelas raras convergências entre esquerda e direita, seja pela mudança de ventos entre os deputados de centro.
Tensões no Supremo Tribunal Federal. Por Marcus André Melo
Folha de S. Paulo
Corte passou do combate à corrupção à defesa
da democracia e agora o tema começa a afetá-lo diretamente
Os alinhamentos tácitos entre o STF, o
Legislativo e o Executivo também mudaram e estão sendo tensionados
Nas duas últimas décadas o Supremo sofreu transformações cruciais: passou do combate à corrupção à defesa da democracia; logrou fazer aliança tácita com o poder legislativo contra o poder executivo, para depois alinhar-se a este último; tem assumido paulatinamente perfil político e não judicial para o que contribuiu o padrão personalístico de nomeações sob os governos do PT e Bolsonaro.
domingo, 14 de dezembro de 2025
Opinião do dia – Karl Marx* (Democracia)
*Karl Marx (1818-1883), Critica da
filosofia do direito de Hegel, p.50. Boitempo Editorial, 2005
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Brasil reforça desigualdade com gasto e juros altos
Por Folha de S. Paulo
Governo Lula busca justiça tributária, mas
impede avanço ao favorecer rentismo com despesas descontroladas
Serão R$ 1 tri em juros pagos neste ano a
quem tem dinheiro aplicado, o que estimula perpetuação de desigualdades via
'financeirização'
A desigualdade é traço característico da
história da humanidade, e soa utópica uma configuração igualitária entre todos
do ponto de vista econômico. A maior tentativa de experiência moderna nesse
sentido foi a falida União Soviética, que acabou aderindo ao sistema
capitalista no início dos anos 1990.
Afinal, alguns indivíduos ousam mais do que outros, correm riscos e acabam recompensados por criar oportunidades e invenções que os enriquecem, ao mesmo tempo em que espraiam bem-estar social com produtividade.
É bom o Brasil sair às ruas. Por Dorrit Harazim
O Globo
Sobram motivos para a crescente ira cívica
diante do apodrecimento moral, ético e político da Casa do Povo
Uma parte do Brasil promete ir às ruas hoje.
A esbórnia encenada na Câmara acéfala do minúsculo Hugo Motta, e pela liderança
ressentida de Davi Alcolumbre no Senado, conseguiu atropelar o torpor nacional.
Truculência institucional à parte, o estopim para a convocação dos movimentos
sociais de esquerda foi a aprovação do PL da Dosimetria, que reduz as penas
para condenados nos atos antidemocráticos do 8 de Janeiro, enxugando para pouco
mais de 36 meses os 27 anos de prisão do chefe da quadrilha e ex-presidente,
Jair Bolsonaro.
Sobram, portanto, motivos para a crescente ira cívica diante do apodrecimento moral, ético e político da Casa do Povo. Mas indignação sem ação serve apenas para aplacar a consciência do indignado — libera-o da obrigação de analisar como chegamos a este nível de apodrecimento. Ir às ruas empunhando um cartaz “Congresso Inimigo do Povo” é fácil, porém quase suicida — equivale ao direitista “STF Inimigo do Povo”. Bem mais eficaz é tomar as ruas nomeando quem julgamos indignos do voto recebido e trabalhar para que não sejam reeleitos.
País em transe. Por Merval Pereira
O Globo
Ministro do STF viajar de jatinho particular
de empresário com advogado de banqueiro corrupto é uma versão moderna dos
favores dos senhores de engenho.
O cineasta Glauber Rocha esteve presente na boca de repórteres, comentaristas e locutores na semana passada, quando a crise institucional estava em seu auge. Tratou-se de um lapsus linguae coletivo, erro acidental que altera o sentido do que se quer falar considerado pela psiquiatria expressão de pensamentos reprimidos. O objeto dos comentários era a cassação do deputado do Psol Glauber Braga, mas o ambiente político era o dos filmes do outro Glauber, que muitos anos antes, na década de 1960, mostrou nas telas em filmes como Deus e o Diabo na Terra do Sol ou Terra em Transe as trapaças dos deputados corruptos, dos empresários venais, dos donos de terras que exploram os trabalhadores, o mesmo panorama que, 65 anos depois, nos confronta hoje.
Entre as dores e as artes do Brasil. Por Míriam Leitão
O Globo
A arte vira abrigo em uma semana de tensão
institucional entre os Três Poderes e afrontas ao Estado de Direito
A literatura e o teatro me protegeram
enquanto eu atravessava a tormentosa semana que passou. Conflitos entre poderes
chegaram ao nível de se temer pela firmeza dos edifícios. Uma ventania, que
lembrou ciclone, varreu São Paulo avisando que os extremos do clima chegaram.
No domingo, li “Coração sem medo” de Itamar Vieira Junior e, logo de início, me
encantei com esta frase: “As águas, as águas daquele instante, correm para
sempre e sem destino”.
Nos dias da semana, o Congresso nos deu seguidas razões para a descrença. Na terça-feira, as cenas de briga física no arranca-deputado da cadeira da presidência da Câmara foram inomináveis. Votações ruins na madrugada informaram que o parlamento brasileiro espera os eleitores dormirem para sorrateiramente cumprir seus desígnios. A quinta-feira amanheceu sobre o nosso espanto porque a Câmara havia ultrapassado todos os limites, atacando uma das bases fundantes do Estado de Direito: a de que ordem judicial se cumpre.
A doutora Viviane Moraes e o Master. Por Elio Gaspari
Dois dias depois, a repórter Malu Gaspar deu
detalhes do negócio:
O contrato entre o escritório da doutora
Viviane e o banco do doutor Daniel Vorcaro previa uma remuneração total de R$
129 milhões ao longo de 36 meses. Isso daria o pagamento de R$ 3,6 milhões
mensais, e uma mensagem capturada pela PF indica que o doutor Vorcaro instruiu
sua tesouraria para dar prioridade aos pagamentos ao escritório.
A banca da doutora Viviane atuou em pelo menos um caso, com uma equipe de dez
advogados, entre os quais estavam seu filho e sua filha.
Viviane Barci de Moraes é a mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A equipe de Malu Gaspar procurou o escritório da doutora, representantes do banco e o próprio ministro Alexandre de Moraes. Silêncio total.
Em maio de 2024 o banco Master custeou uma farofa londrina que incluía um painel enfeitado pelo ex-primeiro ministro Tony Blair, um farofeiro cosmopolita. O ministro Alexandre de Moraes esteve em painéis do evento.
O governo Boric, sucessão chilena e isolamento de Lula. Por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
As eleições no Chile simbolizam o esgotamento
de um ciclo da esquerda latino-americana, que não traduziu vitória eleitoral em
hegemonia social e avanço econômico
Os chilenos vão às urnas hoje para escolher
seu novo presidente. À noite saberemos quem ganhou as eleições, se Jeannette
Jara — militante comunista, representante das esquerdas — ou José Antônio Kast
— líder extremista do Partido Republicano, candidato das direitas. O presidente
do Chile, Gabriel Boric, encerra um ciclo político no qual governos de
centro-esquerda e centro-direita, desde a redemocratização, se alternaram no
poder. Nada será como antes no Chile.
O fracasso do governo Boric expressa o esgotamento de um projeto pautado pela promessa de renovação geracional e moral, que se perdeu entre maximalismos identitários, incapacidade de construir maiorias sociais estáveis e uma leitura equivocada das prioridades chilenas após o chamado "estalido social", que durou de 2019 a 2021. Ao fim de quatro anos, Boric entrega um país mais inseguro, politicamente fragmentado e desconfiado do Estado, sem ter conseguido converter seu capital simbólico renovador em governabilidade efetiva.
‘Boa sorte’, Flávio! Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Flávio livra Tarcísio da armadilha de Lula,
que o trata como ‘candidato de Bolsonaro’
Ao retirar a Lei Magnitsky de Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane, Donald Trump decretou o isolamento de Jair Bolsonaro, encerrou a carreira de traidor da Pátria do 03, Eduardo, e deixou a candidatura (ou “candidatura”) do 01, Flávio, à Presidência ainda mais desamparada. Lula agradeceu a Trump, mas quem faz a festa é o Centrão. Por ora.
Gilberto Kassab, do PSD, sigla do Centrão que tem mais municípios no País, deu a deixa. Na véspera do recuo do presidente americano, Kassab desejou um protocolar “boa sorte” a Flávio e declarou apoio a Tarcísio de Freitas (SP), com o cuidado de citar os também governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS) como planos B e C.
Emprego, inflação e governo em nova disputa. Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo
Apesar do crescimento recente, é muito arriscado apostar em condições favoráveis no futuro próximo
Mais empregos, mais consumo e mais comida são os dados mais positivos no final do terceiro ano do atual mandato do presidente Lula, mas a qualidade dos empregos tem sido contestada e o mercado aponta insegurança nas contas públicas. Os 4,46% de inflação nos 12 meses até novembro indicam algum avanço na contenção dos preços. Mas essa taxa está muito próxima do teto da meta, 4,5%, e dificulta a redução dos juros. A taxa básica de 15% fixada pelo Banco Central deverá permanecer até o começo do ano e depois será reduzida lentamente, se nenhuma faísca reavivar a inflação. Há quem proponha o abandono da meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto porcentual, mas a mudança pode ser perigosa, se resultar em maior tolerância a desarranjos das contas públicas.
Trump busca distensão com Brasil. Por Lourival Sant’Anna
O Estado de S. Paulo
Decisões de Trump, de adotar ou retirar sanções, se restringem a cálculos políticos do presidente
A decisão de retirar Alexandre de Moraes e
sua mulher Viviane Barci da lista de sancionados pela Lei Magnitsky é parte da
mudança radical na estratégia de Donald Trump para o Brasil. A aprovação do
projeto de lei que reduz as penas para os acusados de tentativa de golpe,
incluindo Jair Bolsonaro, explica o timing do anúncio, mas não a decisão em si,
que já estava tomada.
Até porque o projeto ainda pode ser vetado por Lula. Se o governo americano quisesse ir em outra direção, poderia usar o escândalo envolvendo a contratação milionária de Viviane pelo banco Master, como pretexto até para adotar sanções secundárias contra bancos e empresas que prestam serviços ao casal.
Relação entre Motta e Lira azeda com sequência de crises. Por Beatriz Roscoe
Valor Econômico
Ex-presidente da Câmara afirmou a aliados que era preciso "reorganizar" a Casa
A relação entre o presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL),
voltou a azedar na última semana, após declarações de Lira a aliados em que
classificou a Câmara como uma “esculhambação” e disse que era preciso
“reorganizar” a Casa. Motta rebateu dizendo que a Presidência da Casa não deve
servir como “ferramenta de revanchismo”.
Mesmo assim, os dois estiveram juntos na sexta-feira (12), depois de a Polícia Federal (PF) vasculhar o gabinete na Câmara de uma ex-assessora de Lira. A investigação, conduzida pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mira irregularidades em emendas parlamentares.
O novo sistema político corrupto. Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Todas as grandes operações recentes de
polícia e Justiça esbarram na cúpula do poder
Além da roubança, caso das emendas deturpa
eleições, votações parlamentares e negócios
O deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e o
senador Ciro Nogueira (PP-PI)
comandaram o semipresidencialismo de avacalhação de Jair Bolsonaro, a partir de
2021. Lira era presidente da Câmara; Nogueira, ministro da Casa Civil. Tentam
manter o mando puxando por exemplo as cordinhas que movimentam o presidente da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que se enrola no barbante.
Poderosos têm muitos amigos, assessores, indicados e aliados. Lira e Nogueira são uns azarados, por assim dizer. Seus companheiros aparecem na mira de investigações como Carbono Oculto, Poço de Lobato, Banco Master e, nesta semana, em mais uma rodada de apuração do rolo das emendas parlamentares.
Trump larga Bolsonaro. Por Celso Rocha de Barros
Folha de S. Paulo
Sem a perspectiva de uma vitória fácil e
barata, Trump deixou o Brasil de lado
A democracia brasileira ganhou sua
queda-de-braço com a superpotência, mas continua ameaçada pelos bolsonaristas
É cedo para dizer que Trump não causará mais
problemas ao Brasil, mas o líder americano já não parece disposto a nos causar
problemas por causa de Jair
Bolsonaro.
Na sexta-feira (12), o governo Trump
retirou Alexandre
de Moraes e sua esposa da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.
Jair continua em cana.
A dupla de palhaços Bananinha e Pauleta havia prometido para Trump uma vitória fácil e barata no Brasil. Segundo a cascata que vendiam, a população brasileira estava prestes a se revoltar contra Lula e o STF porque acreditava que a eleição de 2022 havia sido roubada. Em 2022, diziam, Jair teria tentado se rebelar contra isso, sem, entretanto, conseguir apoio do governo Biden. Se Trump acendesse a fagulha, mentiam Bananinha e Pauleta, o Brasil explodiria em uma revolta que instauraria em Brasília um governo 100% dócil diante dos Estados Unidos.
Com disputa entre Poderes, Brasil vive baderna institucional. Por Christian Lynch
Folha de S. Paulo
Colapso do presidencialismo de coalizão
implodiu modelo de governabilidade e abriu caminho para Executivo fraco
Centrão se apropriou do Orçamento federal e
busca, em afronta ao STF, absoluta impunidade de seus membros
[RESUMO] Em análise da conjuntura
política do país, autor argumenta que reconstruir um modelo de governabilidade
estável se tornou inviável, já que cada Poder busca reafirmar a sua supremacia
sem um pacto mínimo de convivência. Enquanto o Executivo busca recuperar seu
poder de agenda, o STF resiste
a perder espaço, a extrema direita bolsonarista tenta voltar à Presidência e o
centrão se empenha em consolidar sua hegemonia no Congresso.
O artigo 2º da Constituição afirma
que os Poderes da República são "independentes e harmônicos entre
si". Trata-se de uma quimera: se são independentes, não são
automaticamente harmônicos e, se pretendem sê-lo, precisarão moderar essa
independência.
A harmonia institucional não decorre do texto constitucional, mas de modelos de governabilidade criados a partir de sua interpretação —modelos capazes de coordenar expectativas, prerrogativas e ambições de cada Poder, criando previsibilidade em suas relações. Quando esses modelos existem, o regime constitucional respira; quando se desfazem, o país entra em espiral de instabilidade.
Transparência afugenta as excelências. Por Dora Kramer
Folha de Paulo
O Supremo cobra correção a todos, mas não
enquadra os seus às boas práticas da ética do comportamento
Negação ao código de conduta submete STF à lógica
do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço
O Supremo Tribunal Federal cumpre
seu dever quando avaliza atuação do ministro Flávio Dino no
encalço dos parlamentares que violam requisitos de transparência e absoluta
correção no uso das emendas ao Orçamento.
Parte do tribunal, contundo, prefere que os outros façam o que dizem os juízes, mas os deixem livres para fazerem o que bem entendem. É o que se depreende da resistência à criação de um código para regular condutas no exercício da magistratura.
Um clã bizarro no palco eleitoral. Por Muniz Sodré
Folha de S. Paulo
Briga da família Bolsonaro lembra "A
Megera Domada", uma das primeiras comédias shakespearianas
A mulher de 'seu' Jair evoca a Catarina da
obra por ser considerada tanto pelos enteados como pelo PL uma 'personagem
incontrolável'
O apetite sucessório é só mordida e entredevoração. Houve quem associasse o racha no clã Bolsonaro à disputa entre as filhas do "Rei Lear", de Shakespeare, pela tomada do poder. O rei enlouquece, as filhas morrem. A briga do clã, entretanto, tem mais a ver com "A Megera Domada", uma das primeiras comédias shakespearianas, que narra os percalços da indomável Catarina com Petrúcio, o fidalgo de Verona, seu pretendente. Ao olhar woke, uma trama misógina. No fundo, uma bem-humorada discussão sobre desigualdade de gênero.
sábado, 13 de dezembro de 2025
Opinião do dia - Luiz Werneck Vianna*
Tal tarefa ainda se faz mais difícil em razão
dos partidos terem subestimado sua radicação no mundo popular que ficou sob a
influência dos pentecostais e de sua canhestra ideologia da prosperidade,
cenário agravado pela condenação por parte da hierarquia da Igreja católica da
teologia da libertação com que seus intelectuais tentavam se comunicar com os seres
subalternos. Os efeitos nefastos dessas orientações produziram uma limpeza de
terreno favorável a destituição da política e à difusão de valores
antidemocráticos nesses setores.
Tal desertificação da política, contudo, tem
remédio já conhecido, uma ida ao povo por parte de seus políticos e
intelectuais, uma medicação de uso continuado a demandar tempo na sua
aplicação. Em nossa desastrada experiência republicana já fizemos uso dessa
recomendação, e já está passando da hora o momento de aprendermos as boas
lições do nosso passado.”
*Luiz Werneck Vianna (1938-2024), Sociólogo,
“Bons remédios não se esquecem”. Blog Democracia Política e novo Reformismo,
7/12/22.
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Inimigos do povo
Por CartaCapital
O Parlamento se firma como o covil do
golpismo
Irritado com a repercussão nas redes e fora delas da expressão “Congresso, inimigo do povo”, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ordenou à polícia legislativa a investigação do que considera um “ataque” ao Parlamento. Pai, mãe, padastro e padrinho do orçamento secreto, Alcolumbre não consegue largar o vício do poder acumulado pelo Legislativo durante o período em que o Brasil tinha na Presidência da República um cidadão que abandonou os afazeres do cargo para se dedicar exclusivamente ao planejamento de um golpe de Estado. O amapaense recorre a um subterfúgio típico: agressor, posa de agredido e atribui aos outros o seu comportamento autoritário. Na Câmara, Hugo Motta igualmente se faz de ofendido, embora com menos brio e altivez. E vale-se da truculência e da censura contra aqueles que denunciam suas manobras.
Constranger, reagir, enfrentar. Por Flávia Oliveira
O Globo
Inconformismo, em vez de resignação; empenho,
em vez de omissão; ação, em vez de passividade
Nesta semana, a polícia do Rio de Janeiro voltou ao Complexo do Salgueiro, na Região Metropolitana, em mais um capítulo da política de enfrentamento ao Comando Vermelho. Cerca de mil agentes participaram de nova etapa da Operação Contenção, a mesma que, em fins de outubro, deixou 117 civis e cinco agentes mortos nas regiões do Alemão e da Penha, Zona Norte da capital. Cinco anos atrás, uma mal explicada incursão de policiais civis e federais no mesmo conjunto de favelas de São Gonçalo tirou a vida do adolescente João Pedro Mattos Pinto, aos 14 anos. O assassinato dentro da casa de parentes, em plena pandemia da Covid-19, levou o ministro Edson Fachin, hoje presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a proibir operações em comunidades durante a crise sanitária.


























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