O Estado de S. Paulo
Com 50% a 50%, o último debate e quebra de sigilos podem ser fatais? Para quem?
No início, o presidente Lula ganhou pontos e
obrigou o adversário Flávio Bolsonaro a entrar no jogo, ao fazer o desafio para
que ambos quebrassem seus sigilos bancários e fiscais. Nunca se sabe, porém,
quem ganha ou perde num campeonato desses, ainda mais numa eleição com Lula e
Flávio empatados em 50% no Datafolha.
Desde o fim do primeiro turno, a diferença a favor de Flávio caiu de quatro pontos para dois, depois para um e agora evaporou, traçando duas linhas que tendem a se cruzar a favor de Lula até domingo. Mas isso depende do duelo de sigilos bancários e do debate da Rede Globo hoje.
O risco de Lula é ter dado um tiro no pé, já
que, segundo a PF, Flávio construiu uma teia muito sofisticada, difícil de ser
rastreada, de contas, sociedades e negócios com manda-chuvas tanto do grupo
Master quanto da quadrilha do INSS. Tudo muito longe de suas contas oficiais.
Além disso, a decisão sobre a quebra de
sigilo para os eleitores coube ao ministro do STF André Mendonça, que
rapidamente anunciou: não precisa de mediação do TSE, logo, de decisão
judicial. Já que os dois candidatos se comprometeram a divulgar, que divulguem.
Assim, são Lula e Flávio que decidem se, o
que, como e quando vão liberar. Antes do debate? Assim, Flávio e Lula podem se
sair bem no jogo, não abrindo nada de fato, só o que está nas contas para
inglês e fisco ver. O resultado seria, ou será, igual a zero.
Flávio aceitou o desafio por falta de opção,
depois da repercussão durante e depois do debate Band/Estadão. Era topar ou
topar. Do contrário, a pergunta óbvia seria: o que ele tem a esconder?
Ele, porém, fez 19 exigências para abrir suas
contas e, quem sabe, desanimar o desafiante. Mas, assim como ele aceitou o
desafio, Lula dobrou a aposta. Imaginem a ansiedade das duas campanhas.
A lista de Flávio foi além das contas
bancárias de Lula, com dados da lobista Roberta Luchsinger e de todos os
filhos, além de informações sobre os encontros dele com Daniel Vorcaro, os voos
da FAB e as visitas ao Planalto e ao Alvorada. Mais: retroagindo a quebra de
sigilo em 20 anos, até o mensalão e a Lava Jato.
A lista de Lula inclui empresas do
adversário: Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One
Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e Bolsonaro Digital,
além da Alcazar Holdings, na Ilha da Madeira, em Portugal.
Segundo a PF, Flávio era “usuário master” da
conta bancária dessa empresa, associada ao advogado Willer Tomaz, investigado
por lavagem de dinheiro do roubo do INSS. O que Flávio tem a dizer?
Emoção até o último momento, até o último
voto. •

Um comentário:
Nao sobra um, minha gente, como diz o Color. Pobre Brasil.
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