sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Contas reais ou para eleitor ver? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com 50% a 50%, o último debate e quebra de sigilos podem ser fatais? Para quem?

No início, o presidente Lula ganhou pontos e obrigou o adversário Flávio Bolsonaro a entrar no jogo, ao fazer o desafio para que ambos quebrassem seus sigilos bancários e fiscais. Nunca se sabe, porém, quem ganha ou perde num campeonato desses, ainda mais numa eleição com Lula e Flávio empatados em 50% no Datafolha.

Desde o fim do primeiro turno, a diferença a favor de Flávio caiu de quatro pontos para dois, depois para um e agora evaporou, traçando duas linhas que tendem a se cruzar a favor de Lula até domingo. Mas isso depende do duelo de sigilos bancários e do debate da Rede Globo hoje.

O risco de Lula é ter dado um tiro no pé, já que, segundo a PF, Flávio construiu uma teia muito sofisticada, difícil de ser rastreada, de contas, sociedades e negócios com manda-chuvas tanto do grupo Master quanto da quadrilha do INSS. Tudo muito longe de suas contas oficiais.

Além disso, a decisão sobre a quebra de sigilo para os eleitores coube ao ministro do STF André Mendonça, que rapidamente anunciou: não precisa de mediação do TSE, logo, de decisão judicial. Já que os dois candidatos se comprometeram a divulgar, que divulguem.

Assim, são Lula e Flávio que decidem se, o que, como e quando vão liberar. Antes do debate? Assim, Flávio e Lula podem se sair bem no jogo, não abrindo nada de fato, só o que está nas contas para inglês e fisco ver. O resultado seria, ou será, igual a zero.

Flávio aceitou o desafio por falta de opção, depois da repercussão durante e depois do debate Band/Estadão. Era topar ou topar. Do contrário, a pergunta óbvia seria: o que ele tem a esconder?

Ele, porém, fez 19 exigências para abrir suas contas e, quem sabe, desanimar o desafiante. Mas, assim como ele aceitou o desafio, Lula dobrou a aposta. Imaginem a ansiedade das duas campanhas.

A lista de Flávio foi além das contas bancárias de Lula, com dados da lobista Roberta Luchsinger e de todos os filhos, além de informações sobre os encontros dele com Daniel Vorcaro, os voos da FAB e as visitas ao Planalto e ao Alvorada. Mais: retroagindo a quebra de sigilo em 20 anos, até o mensalão e a Lava Jato.

A lista de Lula inclui empresas do adversário: Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, All In One Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e Bolsonaro Digital, além da Alcazar Holdings, na Ilha da Madeira, em Portugal.

Segundo a PF, Flávio era “usuário master” da conta bancária dessa empresa, associada ao advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro do roubo do INSS. O que Flávio tem a dizer?

Emoção até o último momento, até o último voto. •

 

Um comentário:

Anônimo disse...

Nao sobra um, minha gente, como diz o Color. Pobre Brasil.