sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Entrevista | 'Eleição é comparação. Nós defendemos a democracia', diz Alckmin

Por Carlos Alexandre de Souza, Denise Rothenburg e Maria Beatriz Giusti \ Correio Braziliense

Vice-presidente afirma que, para atrair os indecisos, é preciso mostrar a diferença entre os concorrentes: um que defende o Estado de Direito, e o outro que tem "saudade da ditadura"

Candidato à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse que a estratégia da campanha para virar votos é a humildade e o diálogo com os eleitores. "Vamos conversar com os eleitores que não foram votaram. Vamos conversar também com quem votou em outro candidato. Eleição é comparação. Nós defendemos a democracia, em que é o povo que decide. E os nossos adversários têm saudade da ditadura. É preciso respeitar a Constituição, fortalecer a democracia e mostrar as diferenças", ressaltou, em entrevista no programa CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

Alckmin comentou sobre a sua confiança para o segundo turno. "Há um enorme crescimento da candidatura nas ruas e nas redes", destacou. O vice-presidente também defendeu uma apuração sobre a eventual interferência da Meta nas eleições. "Ela reconheceu que houve prejuízo para a campanha do presidente Lula. O que justificou foi que não teria sido proposital. Ora, não é possível ter uma atitude discriminatória que acabe beneficiando um candidato e prejudicando outro. Então, é preciso, sim, verificar isso", frisou.

Nos últimos dias, a campanha do senhor e do presidente Lula fez críticas a uma possível interferência da Meta nas eleições brasileiras. Como avalia essa situação e a atuação de agentes externos na disputa eleitoral?

Há uma preocupação, porque, no caso da Meta, ela reconheceu que houve prejuízo para a campanha do presidente Lula. Isso ela reconheceu. O que justificou foi que não teria sido proposital, mas admitiu que houve prejuízo à campanha. Ora, não é possível ter uma atitude discriminatória que acabe beneficiando um candidato e prejudicando outro. Então, é preciso, sim, verificar isso.

Como o senhor avalia ser possível reverter o cenário nos últimos dias de campanha?

Nós percebemos nitidamente um crescimento nas ruas e nas redes. A última pesquisa Quaest mostra que a diferença é de 1%, praticamente um empate técnico. A nossa campanha, a do presidente Lula, está crescendo. O que vale é a curva, que mostra uma rejeição cinco pontos menor para nós: 52% de rejeição para o nosso adversário, e 47% para o presidente Lula. No segundo turno, esse é o fator decisivo. No primeiro turno, tenho 12 candidatos, mas preciso escolher um. No segundo turno, tenho dois: rejeito um e voto no outro. Então, esse é um fator importantíssimo. E percebemos, estou chegando agora do interior de São Carlos, que há um enorme crescimento da candidatura nas ruas e nas redes.

Qual será a estratégia da chapa do senhor e do presidente Lula para conquistar os eleitores que ainda estão indecisos?

A estratégia é a humildade. Nós vamos conversar com os eleitores que não foram votar. Tivemos 33 milhões de eleitores que não foram às urnas, uma grande abstenção. Vamos explicar que é possível votar no segundo turno e que não há nenhum problema em não ter votado no primeiro: a pessoa pode votar normalmente. Vamos conversar também com quem votou em outro candidato. Eleição é comparação. Nós defendemos a democracia, em que é o povo que decide. O povo é o protagonista, é ele quem tem o poder decisório. E os nossos adversários têm saudade da ditadura. Houve até uma tentativa de golpe de Estado logo após a posse, em janeiro de 2023. Quem não acredita na democracia não deveria nem disputar a eleição. A primeira diferença é essa: o apreço pela democracia. Eu fui constituinte. O doutor Ulysses Guimarães dizia: "Traidor da Constituição é traidor da pátria". É preciso respeitar a Constituição, fortalecer a democracia e mostrar as diferenças. Na saúde, em vez de termos 120 mil mortos na covid e uma campanha de negacionismo contra a vacina, nós somos os promotores da saúde, da vacinação, do Mais Médicos, da Farmácia Popular, do Agora Tem Especialistas e do atendimento a pacientes com câncer. Nossa proposta é que toda cidade com mais de 150 mil habitantes tenha tratamento completo para o câncer. A população idosa está aumentando, e isso é ótimo. Estamos vivendo mais e melhor. Isso é uma grande conquista.

Por que o PT teve esse desempenho em São Paulo no primeiro turno, com a derrota de Fernando Haddad e das candidaturas ao Senado? O que o senhor pretende fazer para tentar reverter esse cenário?

Na eleição de 2018, Jair Bolsonaro teve 68% dos votos válidos no segundo turno no estado de São Paulo, enquanto o candidato Fernando Haddad teve 30%. A diferença foi de 36 pontos percentuais. Na última eleição, em 2022, o nosso resultado foi de 55% para Bolsonaro e 45% para Lula. A diferença foi de 10 pontos percentuais. Reduzimos de 36 para 10. E tenho convicção de que, nesta eleição, a diferença será menor. Ela será ainda menor. Então, estamos trabalhando, procurando reduzir a rejeição e explicar. Em política, você não obriga, você conquista. Então, é preciso explicar e esclarecer: o Brasil melhorou na educação, melhorou na saúde, o desemprego caiu, melhorou no meio ambiente, o desmatamento diminuiu, sediamos a COP30, e o PIB cresceu bem mais do que no governo anterior. Então, acho que nós vamos avançar mais, e precisamos avançar mais para alcançar esse objetivo.

Por que o aumento do teto do MEI e o perdão de dívidas estão sendo implementados apenas agora, às vésperas das eleições?

Quem criou o MEI e o Simples Nacional foi o presidente Lula no seu outro mandato. Essa proposta de aumento do teto do MEI já tramita há vários meses no Congresso Nacional. A boa notícia é que o microempreendedor individual (MEI) já teve sua dívida tributária zerada. São 3,6 milhões de microempreendedores. A dívida bancária será comprada pelo governo, o desconto mínimo de que vai a 90%. O teto, que é de R$ 81.000, sobe para R$110.000, e depois para R$ 140.000. Nós queremos que o microempreendedor cresça, possa prosperar ter mais oportunidade. Em vez de ter um empregado, ele vai poder ter dois empregados. Eu diria que são medidas importantes. Hoje têm muitas pessoas que querem ser empreendedoras. Eu estive em Heliópolis, aqui em São Paulo, são 100.000 pessoas, é uma cidade. Cada portinha é uma atividade empreendedora: é a manicure, é o barbeiro, é a cabeleireira, é a lanchonete, é a venda de fruta, é a oficina, é a venda de roupa. Isso não é pequeno nem micro, são gigantes que ajudam a economia brasileira, ajudam a economia local, distribuem renda.

O senhor criticou nas redes sociais a promessa dos adversários de cortar até R$ 250 bilhões em gastos públicos. Acredita que esse corte é viável?

Primeiro, disseram lá atrás que iriam desvincular o ganho real do salário mínimo das aposentadorias. Setenta por cento dos aposentados e pensionistas do INSS recebem um salário mínimo. Então, imagine: você ganha R$ 1.621 e, às vezes, é uma pessoa idosa, com problemas de saúde. Tirar R$ 40 dessa pessoa, que é o ganho real, não é correto. É preciso fazer ajuste fiscal, mas sem levar o país à recessão, como estamos vendo na Argentina, com empresas fechando, trabalhadores desempregados, perda de renda e a população passando privações. Não é esse o caminho.

E quais são os planos do governo Lula para as contas públicas em 2027?

Nós defendemos o ajuste fiscal. Nós vamos fazê-lo, mas em cima do desperdício e dos privilégios, fazendo a economia crescer. O PIB cresce, e você segura a despesa. Assim, melhora a relação dívida/PIB, sem levar o país à recessão e ao desemprego.

O que dá para cortar nesse ajuste fiscal?

Muito, muito. Vamos pegar os supersalários. É impressionante: há setores em que se ganham R$ 300 mil, R$ 350 mil, R$ 400 mil. As emendas parlamentares também têm valores extremamente elevados. Eu fui deputado federal e sei disso. É preciso avaliar os incentivos fiscais, sua eficiência e seus resultados. Nós não vamos fazer ajuste fiscal levando as pessoas à miséria. O presidente Lula tirou 30 milhões de pessoas do Mapa da Fome. Derrubamos o desemprego para 5,4%. O governo anterior retirou impostos de jet skis e de armas de fogo. Lembrando que 90% dos feminicídios, ou assassinatos de mulheres, são cometidos com armas de fogo. Nós retiramos o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil e reduzimos o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 7.350. A reforma tributária vai deixar a cesta básica isenta de impostos. Vamos zerar os impostos sobre os alimentos. Isso vai ajudar a reduzir os preços. A economia cresceu, fizemos acordos comerciais — Mercosul-Singapura, Mercosul-EFTA e Mercosul-União Europeia. Em apenas cinco meses, o acordo Mercosul-União Europeia aumentou em mais de 30% nossas exportações para a Europa. Mesmo com o tarifaço americano, estamos batendo recordes de exportação.

No último debate, o presidente Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos. Qual é a posição do senhor sobre a transparência dos dados de figuras públicas?

O que eu percebi sobre o debate, primeiro, foi o desrespeito do nosso adversário. Segundo, ele não respondeu a nenhuma das perguntas que foram feitas. Foi aí que o presidente Lula falou sobre a questão do sigilo. Na minha visão, tem de ser pública e transparente. Quem não quiser prestar contas tem que ir para o setor privado. A vida pública pressupõe transparência permanente. Você está permanentemente explicando e prestando contas. Nós precisamos da luz do Sol, precisamos de transparência sobre as questões. Eu acho que é isso que a sociedade quer, é isso que a sociedade deseja. Gostei muito quando o presidente Lula disse: "Olha, eu quebro o meu sigilo, o da minha família, o de quem precisar". E o que vimos, com todas as exigências de Flávio Bolsonaro — 19 exigências —, foi uma desculpa para não quebrar sigilo nenhum e não prestar contas à sociedade, como é dever de todo homem público.

Qual é a sua expectativa para o debate de amanhã, o último encontro entre os candidatos à Presidência? O senhor acredita que haverá novos episódios de tensão, como ocorreu na TV Bandeirantes?

Eu sempre participei de todos os debates: como candidato a prefeito da capital paulista, nas quatro vezes em que fui candidato a governador do estado de São Paulo e nas duas vezes em que fui candidato a presidente da República. O debate é importante porque é mais espontâneo, não é algo produzido por marqueteiros. É mais verdadeiro e permite uma comparação melhor. O debate é um ponto alto da campanha eleitoral. Ele permite elucidar questões e tirar dúvidas sobre como avançar na economia, na educação, na saúde e na área tributária. Foi feita a reforma tributária. Nós defendemos a reforma do Judiciário. O presidente Lula fez a primeira reforma, com a criação do CNJ e do CNMP, o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público, estabelecendo o controle externo. Na época, o ministro da Justiça era Márcio Thomaz Bastos, e o presidente do Supremo era Nelson Jobim. Agora, queremos fazer a segunda reforma do Judiciário, para discutir os critérios de escolha dos ministros. Não deveria ser uma escolha pessoal, mas um processo em que um conselho selecionasse os melhores juristas do país. É preciso discutir os critérios de escolha e o mandato, que não deveria ser vitalício. Se pegarmos a Europa como exemplo, os mandatos são de 10 ou 12 anos. Também precisamos de um código de ética que norteie as instituições.

O senhor acredita que a democracia brasileira também está sob ameaça em 2026?

A democracia brasileira não é secular. Temos praticamente 40 anos de democracia, e ela apresenta fragilidades. Por isso, é importante fortalecê-la. Veja que, lá atrás, tínhamos o período militar, com dois partidos. A Arena era o partido que defendia o regime, e o MDB, o Movimento Democrático Brasileiro, do qual fazíamos parte, defendia eleições diretas e a redemocratização do país. Estávamos todos juntos: Ulysses Guimarães, Fernando Henrique, José Serra, Lula, todo mundo junto para redemocratizar o Brasil. Depois que o país se redemocratizou, acabaram os dois partidos, acabou o bipartidarismo. O presidente Lula foi fundar o PT, e nós fomos fundar o PSDB, que também teve um papel importante na vida pública brasileira. Houve momentos em que disputamos eleições uns contra os outros. Aqui em São Paulo, a gente sempre ganhava do PT. Em nível nacional, vencemos com Fernando Henrique e, depois, perdemos para o PT. Disputamos eleições e estivemos juntos em muitas outras. O que nos uniu em 2022? Foi o risco à democracia. Pensamos: "Vamos unir todos os democratas em uma frente mais ampla para defender a democracia". É preciso fortalecer a democracia, fortalecer a Constituição e avançar nas reformas. Temos que ir para a frente, não para trás. Acho que é isso que se deseja. Queria dar um exemplo de como, às vezes, existe uma dicotomia desnecessária. Nós podemos unir o Brasil. Por exemplo, às vezes dizem que, se protegermos o meio ambiente, a produção não avança. Estamos registrando uma queda recorde do desmatamento, com os menores índices, e, ao mesmo tempo, temos uma produção agrícola recorde. Aí dizem: "Se prestigiarmos o mercado interno, não exportaremos tanto". Não é verdade. O Brasil, neste ano, vai superar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador de alimentos do mundo. Então, é possível unir, convergir e criar uma sinergia para avançar mais.

Sobre a proposta de Flávio de mudar a Constituição, como o senhor enxerga isso?

Olha, vejo isso com preocupação, porque você ainda nem teve a eleição, e já quer mudar a Constituição para dilatar, para aumentar o próprio mandato. Ora, as democracias modernas do mundo todo abreviam até o tempo de consulta ao povo. Se você está continuamente no poder, não há alternância. Então, a tendência das democracias modernas é até realizar consultas mais curtas. Mas, sem sequer ter disputado o segundo turno, já se quer mudar a Constituição para ficar mais tempo no próprio mandato, sem consultar o povo. É preocupante. Esse não é o caminho que eu vejo.

Quais seriam as primeiras reformas que um eventual governo Lula reeleito pretende apresentar ao país? A chapa já tem propostas definidas?

Eu diria que, primeiro, é preciso implantar a reforma tributária, que começa em 1º de janeiro. A ideia é concluir a implantação até o fim do ano. Três tributos federais — Cofins, PIS e IPI — dão lugar à CBS, unificando-os em um único tributo federal já no próximo ano. Os outros, o ICMS e o ISS, serão incorporados até 2032. Claro que é um processo longo, mas é melhor fazer por etapas do que não fazer. Aprendi que, quando você tem algo difícil, é melhor executá-lo em etapas. Se essa reforma tivesse sido feita há 30 anos, já estaria implementada. Eu destacaria também a reforma do Judiciário. Já demos alguns passos importantes. O presidente Lula sancionou a lei da relevância federal. No ano passado, entraram 40 milhões de novos processos no Judiciário brasileiro. É preciso dar mais celeridade à Justiça. A lei limita o que pode chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Destacaria ainda a reforma política. Temos um excesso de partidos e, eu diria, de cartórios também. De Gaulle dizia que a França era muito difícil de governar porque tinha muitos tipos de queijo e muitos partidos políticos. Isso dificulta a governabilidade. Precisamos de menos partidos, mais programáticos, e discutir a questão do voto distrital misto. Por fim, a reforma administrativa. Precisamos de eficiência e produtividade também no setor público, não apenas no setor privado.

Como avalia a posição do Brasil na política externa?

O Brasil tem agido, na minha avaliação, de maneira correta, defendendo o multilateralismo e o livre-comércio. Fizemos o acordo Mercosul-Singapura, estamos vendendo máquinas e equipamentos e exportando. Também avançamos no acordo Mercosul-EFTA, que envolve quatro países de alta renda per capita: Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia. Além disso, temos o acordo Mercosul-União Europeia, o maior acordo entre blocos do mundo, envolvendo 27 países europeus. Estamos exportando mais, e as vendas para a Europa cresceram mais de 30% em cinco meses. Também estamos negociando acordos com Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita, além de ampliar as linhas tarifárias preferenciais com Canadá, Índia e México. Em relação aos Estados Unidos, o tarifaço é injusto, porque os americanos têm deficit na balança comercial com praticamente o mundo inteiro. Entre os países do G20, só têm superavit comercial com três: Brasil, Reino Unido e Austrália. Apenas esses três. Portanto, o Brasil não é o problema. Quando um produto americano entra no Brasil, 70% deles têm tarifa zero, por meio do chamado ex-tarifário, e a tarifa média é de 3%.

Qual é o caminho para resolver o impasse?

Negociação. E acredito que, após a eleição, vamos acelerar essa negociação e chegar a um bom termo. A orientação do presidente Lula é negociar, mostrar que a medida contra o Brasil é injusta e proteger as empresas brasileiras. Criamos o Brasil Soberano, com recursos, crédito a juros mais baixos para as empresas e abertura de mercados para que possam exportar. E está dando certo. Mesmo com o tarifaço americano, no ano passado, batemos recorde de exportações, com US$ 349 bilhões. Neste ano, vamos bater outro recorde. Já abrimos mais de 700 novos mercados, por exemplo, no setor do agronegócio.

O senhor acha que é possível termos um país pacificado a partir de segunda-feira, independentemente de quem for o vencedor?

Essa é a nossa disposição. Ganhando a eleição, vamos trabalhar com rapidez, consolidando reformas e fazendo outras para o Brasil crescer mais e melhorar a produtividade. É claro que a disputa é natural. No mundo inteiro, há eleições e disputas. Acabada a eleição, quem ganhou trata de governar bem; quem perdeu, de fiscalizar bem. Essa é a lógica da democracia. O que não pode acontecer é o que ocorreu há quatro anos, com um plano chamado Punhal Verde e Amarelo para assassinar o presidente eleito, o vice-presidente eleito e um ministro da Suprema Corte. Não, isso não é democracia. Se eu não ganho o jogo, vou pegar a bola e levá-la embora? Não. É preciso ter espírito democrático e respeitar o povo. E, se perder, aceitar o resultado com humildade e pedir o apoio da população.

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