E, ainda por cima, foi o redator do projeto que daria origem à Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), uma das mais prestigiosas da França e da própria Europa, onde eu estudei por alguns anos, participando de sua primeira turma, em 1975. A EHESS era então dirigida por Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel, outros dois extraordinários intelectuais.
Em 1977, coube a ele inaugurar, por seu
turno, a cadeira de semiologia literária em outra prestigiosa escola, o Collège
de France. A instituição foi criada em 1530 por Francisco I, o rei de França
que se insurgiu contra o Tratado de Tordesilhas com uma tirada no mínimo
espirituosa. Disse ele: “O sol brilha para mim como para os outros. Eu gostaria
de conhecer a cláusula do testamento de Adão que me exclui da divisão do
mundo.”
Apresentado ao marxismo por volta de 1944-45,
ele ainda se declarava marxista em um depoimento à revista Tel Quel, em 1971.
Nascido em 1915, em plena Guerra Mundial, morreu aos 64 anos de idade, vítima
de um atropelamento. Foi ator e escreveu em jornais ligados à Resistência
francesa. Um deles, com o sugestivo título de Combat, era dirigido pelo
franco-argelino Albert Camus.
De qualquer maneira, seus livros correram o
mundo, e poderíamos mencionar aqui os clássicos O prazer do texto, O grau zero
da escrita, Mitologias e O sistema da moda. Dando grande atenção aos códigos
internos, aos problemas da linguagem, na abordagem de uma obra literária, ele
fez a cabeça, como se diz, de meio mundo universitário. Com um detalhe
importante, contudo: o semiólogo francês Roland Barthes – pois é sobre ele que
estamos escrevendo – nunca concluiu sua tese de doutoramento. Ou seja, o
conhecimento saiu na frente e superou o diploma.
*Ivan Alves Filho, historiador

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