Folha de S. Paulo
Direita deve rechaçar negacionismo das urnas,
e esquerda precisa evitar associar oposição a ameaça democrática
A diplomação do próximo presidente americano
transcorreu sem incidentes. As urnas só são contestadas —como no 6 de janeiro
de 2021— quando Trump perde.
Ou quando Bolsonaro perde.
Nesta quarta, no 8 de janeiro, será nossa vez de lembrarmos a versão
brasileira do pastiche americano.
Em 21 de março de 2022 escrevi nesta Folha:
"De uma coisa podemos ter a mais tranquila certeza: caso perca as
eleições, Bolsonaro tentará desacreditar as urnas e causar tumulto, numa
reedição da invasão do Capitólio americano em janeiro de 2021" na coluna
"O Telegram
tem o direito de ignorar a Justiça brasileira?". Dito e feito.
Não era uma previsão arriscada. A estratégia era explícita.
Aqui, como lá, fomos submetidos a meses de mentiras sobre as urnas, vindas sempre do mesmo grupo. Depois da derrota, o fanatismo precisou de uma catarse. Lá, acreditaram que poderiam impedir a diplomação na marra. Aqui, que a quebradeira dos prédios públicos provocaria uma intervenção militar.

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