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Valor Econômico
Enquanto
a esquerda se divide, Bolsonaro aprende a compor
Numa
disputa em 5.569 municípios, sempre será possível comprovar uma tese e seu
contrário, principalmente na eleição mais apartada da história. Uma parte dos
eleitores está trancada na autossuficiência de seu ensino e trabalho remoto,
plano de saúde e entregas em casa. Outra, mais numerosa, se depara com o
despreparo das escolas públicas para o ensino à distância, de um transporte
público desaparelhado para um serviço sem riscos, de postos de saúde
desorientados pela ausência de uma política nacional de prevenção à pandemia e
de um Estado que pretendeu anestesiar tudo isso com um auxílio financeiro.
É
difícil imaginar que tamanhas fissuras num colégio eleitoral de 147.918.498
pessoas mantenham quaisquer teses em pé, mas aí estão muitas a pontificar. A
primeira delas é a de que o mote da anti-política, que moveu as eleições de
2018, perdeu força. Três indícios respaldam esta tese: o presidente Jair
Bolsonaro abraçou a velha política e respira sem ajuda de aparelhos; estrelas
da renovação, como os governadores Wilson Witzel (RJ), Carlos Moisés (SC) e
Wilson Lima (AM), caíram em desgraça; e, finalmente, a gravidade da pandemia
levou o eleitor a revalorizar a experiência de políticos testados.
A
liderança dos prefeitos Alexandre Kalil (PSD), em Belo Horizonte, Rafael Greca
(DEM), em Curitiba, Marquinhos Trad (PSD), em Campo Grande, dos ex-prefeitos
Eduardo Paes (MDB), no Rio, e Edmilson Rodrigues (Psol), em Belém, e do
ex-governador Amazonino Mendes (Podemos), em Manaus, serve aos arautos da tese.
Por outro lado, se houvesse tanto conformismo assim com a política tradicional,
o candidato do Psol em São Paulo, Guilherme Boulos, não estaria tão à frente de
seus adversários de esquerda, todos eles com mais estrada na política. Também
fica difícil explicar, com a tese da revalorização de políticos testados, a
liderança da candidata do PCdoB em Porto Alegre, Manuela D’Ávila, que hoje tem
a soma das intenções de voto de um ex-prefeito, José Fortunati (PTB) e de seu
ex-vice, Sebastião Melo (MDB).