O Globo
Estão soltando os condenados. Não por terem
sido considerados inocentes, mas por cuidadosa manipulação de regras formais
Lula comete
muitos equívocos. Na maior parte, são opiniões rasteiras sobre assuntos
complexos que ele não conhece. Entram nessa categoria os comentários sobre os
games — vistos como formadores de crianças violentas — e transtornos mentais —
ou “desequilíbrio de parafuso” que afeta 30 milhões de brasileiros, potenciais
causadores de “desgraça”. Tratava dos assaltos a escolas, tema sensível, mas
essas falas não geram políticas públicas. Ao contrário. Nos ministérios da
Saúde e da Educação, ficaram perplexos com os comentários do presidente.
Calaram. Ainda bem.
É diferente quando se trata das incursões de Lula em política internacional. As declarações de apoio à China e à Rússia revelam um antiamericanismo que, antes de mais nada, é visceral. Lula acha — e diz — que sua prisão foi resultado de uma conspiração armada pelo Departamento de Justiça dos EUA. Tem muita gente importante no PT que racionaliza essa ideia, tornando-a base da diplomacia “Sul-Sul”. Se os americanos são capazes de destruir uma economia emergente, então o negócio é buscar outros parceiros.


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