O Globo
Em ‘Ainda estou aqui’, agentes da ditadura
absurdamente promovem insegurança e desarmonia um lar
Numa aldeia, todo mundo é famoso
(Erving Goffman)
É um desfecho venturoso de um ato ou obra. O
êxito assegura a existência da felicidade e produz momento de gratidão pela
existência.
— A vida presta — ponderou sabiamente uma
exitosa Fernanda
Torres.
As lágrimas do êxito vão para o céu e são o
avesso dos pranto amargo das injustiças e dos infortúnios que obrigam a
engoli-las.
Uma explosão de êxito foi o que vi no
agradecimento de Fernanda Torres ao receber o Globo de Ouro de melhor atriz no
filme “Ainda estou aqui” — um drama revelador de eventos morais e políticos
marcados pela coragem e determinação de Eunice Paiva, uma mulher que teve a
vida contada num livro comovente do filho, Marcelo Rubens Paiva, cujo talento
como autor eu admiro.
A explosão exprime uma vitória patente e — como diria Nélson Rodrigues — insofismável da cinematografia do Brasil como uma arte fundamental de universalização de fábulas e estórias que constituem o coração e a alma da cultura do país. São essas articulações — com início, meio e fim — da ficção que traduzem para o outro, e para cada um de nós, a sociedade com seus dilemas e singularidades.




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