Valor Econômico
A obra musical e poética desse grande e
criativo compositor contém desafios poderosos porque é uma obra de insurgência
contra o convencional
Na noite do mesmo dia em que recebi a
biografia de Tom Zé, comecei a lê-la. Com voracidade. (“Tom Zé: Fiz meu berço
na viração”, texto de Ivo Mineiro Teixeira, conversas com Tom Zé por Giuliana
Simões e Flávio Desgranges, ed. Hucitec.) Sem poder parar. O livro desvenda a
sonoridade do avesso que é o de nossa realidade e de nossa mentalidade
conformista, da lógica de ocultação dos segredos sonoros e poéticos que nesse
avesso há.
A biografia de Tom Zé é a da descoberta da
oposição reveladora que há entre Salvador, a cidade, e o interior da Bahia, o
sertão. Porque mundos de lógicas diferentes e antagônicas, cujo desencontro
deixou em nossa história um monturo de resíduos sonoros estigmatizados e
desprezados. O lixo da lógica.
A obra musical e poética desse grande e criativo compositor contém desafios poderosos porque obra de insurgência contra o convencional, contra o que mede o que só tem sentido se não for medido. O que não parece ser o que é.



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