Folha de S. Paulo
Todos os países liberais adotavam essa
prática, a menos que fossem dominados por um ódio iliberal aos imigrantes
Todos pensávamos que as instituições
jurídicas nos salvariam, mesmo que os políticos fossem antiéticos
Em 33 países, principalmente os das Américas
com grande presença de imigrantes,
como o Brasil e os Estados
Unidos, qualquer pessoa nascida lá é cidadã —independentemente da situação
de seus pais. Até 1983, o Reino Unido, por exemplo, tinha esse direito à
cidadania por nascimento. Minha filha nasceu em Londres em 1974 e, portanto,
teve direito a um passaporte britânico e a um estadunidense.
Todos os países liberais adotavam essa prática, a menos que fossem dominados por um ódio iliberal aos imigrantes. Nos EUA, isso acontece com frequência. A "Lei de Estrangeiros e Sedição", já em 1798, demonizava os estrangeiros. Em inglês, a palavra "alien", que designa "extraterrestre", também significa simplesmente "estrangeiro". Na década de 1840, odiávamos os irlandeses. Em 1882, restringimos a imigração da China. Em 1925, cortamos a imigração de todos os países, exceto os do noroeste da Europa. Nessa época, os irlandeses eram tolerados. Não os judeus, italianos e eslavos.


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