segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

José Roberto de Toledo: Corra, Dilma, corra

- O Estado de S. Paulo

O campo de batalha do impeachment é o PMDB. De um lado, o vice Michel Temer tenta unir o partido em torno de seu nome. De outro, Dilma Rousseff e o PT fazem o que podem para rachar os peemedebistas. Hoje, Dilma e PT levam vantagem sobre Temer. Daí a correria para votarem logo o impeachment. Recentemente, dos 66 deputados do PMDB, 42 votaram mais de 90% das vezes com Dilma em projetos cruciais do ajuste fiscal. Amanhã, ninguém sabe.

E por que o PMDB, com apenas 13% dos votos na Câmara, é tão importante para o destino do impeachment? Estatisticamente, o PMDB é a melhor proxy do comportamento dos 513 deputados, quase uma amostra do universo da Câmara. Para onde a maioria do partido vai, a maior parte dos outros 447 deputados costuma ir. Não que os peemedebistas puxem o resto, não se trata de uma relação de causa e efeito. Observar o PMDB é olhar uma biruta de aeroporto para descobrir em qual direção sopra o vento.

Hoje, há uma brisa a favor de Dilma. Segundo levantamento do Estadão Dados, feito por Daniel Bramatti e Guilherme Duarte, a presidente teve os votos firmes de 212 deputados nas últimas votações mais importantes - além de outros 94 que estão mais para o lado do governo do que para a oposição. Para segurar-se na cadeira, Dilma precisa de 171 votos. Se sua margem hoje não permite a ela deitar e rolar, é larga o suficiente para mantê-la com dois pés no poder. Mas, é claro, o vento sempre pode mudar.

Quando o pedido de impeachment de Fernando Collor foi aceito na Câmara, em 1992, já havia uma maioria declarada a favor do afastamento do presidente. Por mais que procurassem, os jornais não conseguiam achar nem cem votos colloridos entre os então 503 deputados. Já o contingente pró-impeachment crescia a cada edição, pois os levantamentos eram atualizados diariamente.

No dia decisivo da votação, o governo propagandeava ter 156 dos 168 votos necessários para arquivar o impeachment de Collor. Teve 38. O Estado foi o que chegou mais perto, prevendo 45 votos a favor do presidente. Todos erraram porque muitos deputados ficaram sentindo o vento até o último minuto. Quando viram que não tinha mais jeito, bandearam-se em massa para a oposição como alcateia de hienas que abandona a carcaça ao fim da refeição.

Ainda não se percebe a mesma sensação de saciedade no PMDB hoje. Dilma conseguiu declarações de apoio do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e do prefeito carioca, Eduardo Paes. Também peemedebistas, os governadores de Sergipe, Jackson Barreto, e de Alagoas, Renan Filho, assinaram nota junto com outros seis colegas nordestinos contra o impeachment. Além dos atos, também entram na conta as omissões e as inações.

Temer arriscou-se ao sacar seu único ministro, Eliseu Padilha. Talvez achasse que precipitaria uma debandada de peemedebistas do governo. Só conseguiu entrar em impedimento e dar bandeira que pretende mudar de palácio. Outros ministros do PMDB não só não pediram demissão como fizeram questão de tuitar logo depois do anúncio da saída de Padilha para mostrar que seguiam trabalhando. Antes seis ministérios na mão do que 31 voando.

Esse era o sentimento peemedebista na sexta-feira. Mas se política é nuvem - quando se olha de novo, já mudou -, os nimbos-cúmulos do PMDB mudam ainda mais rápido. O que poderia fazer a carregada nuvem peemedebista precipitar uma tempestade sobre Dilma? Muitos fatores, alguns sobre os quais o governo tem controle, outros não. De cortes orçamentários nas pastas que administram a novas prisões e delações no âmbito da Lava Jato.

São tantas variáveis e com tantas combinações diferentes entre si, que prever o resultado é mais difícil do que era para o Vasco escapar do rebaixamento no Brasileirão. Quanto mais o tempo passa, mais o time de Dilma se arrisca à segunda divisão.

Valdo Cruz: Dilma: gol de mão ou tapetão

- Folha de S. Paulo

O grande jogo da final vai começar. Um time, em frangalhos, quer ganhar nem que seja de meio a zero. Se sentir que vai perder, recorrerá ao tapetão. Pode levar a taça, mas vale a pena?

O outro entra em campo com jeito de quem tem a galera do seu lado, exibe um plantel bem mais forte, diz que joga mais bonito, tem chances de ganhar, mas pode vencer com um gol de mão. Vale a pena?

Este é o impasse do Brasil na largada do processo de impeachment contra a presidente Dilma. Como diz um sábio supremo, estamos no ritmo do "não dá para sair, mas também não dá para ficar". Entre um lado e outro, tem o campo da legalidade, que não podemos atropelar.

A equipe de Dilma conta seus votos e busca pelo menos 171 para barrar o processo de afastamento da chefe. Se o placar da Câmara mostrar, no dia derradeiro, oposição 245, governo 173, ela ganha de meio a zero, fica onde está, mas segue fraca.

Do lado do time da oposição, as conspirações seguem frenéticas nos vestiários, mas hoje uma vitória pode vir de um gol de mão em impedimento. Afinal, o argumento das pedaladas fiscais é frágil ou inexistente para afastar um presidente. É o que se ouve até nos corredores do STF. Vale a pena ganhar assim?

A turma de Dilma, por sinal, vai recorrer ao tapetão do STF. Com chances de ganhar. Vencer no Supremo manterá Dilma no Planalto, mas ainda assim fraca. Para virar o jogo, teria de golear no plenário da Câmara. Já não basta comemorar vitória por minoria de votos ou melar legalmente o jogo nos tribunais.

Enfim, Dilma entra em campo sem confiar até nos seus pretensos aliados, pode ser traída a qualquer hora. Quer encerrar o jogo rápido porque o tempo conspira contra ela.

A oposição quer esticar a partida à espera de fatos novos que possam dar legalidade, hoje de certa forma frágil, a uma vitória final. Conta com delações à vista. Nunca um ano vai demorar tanto para terminar.

Marcos Nobre: Mal-estar, alívio, expectativa

• O impeachment não é o fim da instabilidade

- Valor Econômico

O desconforto com a situação é generalizado. Quem quer o impeachment de Dilma Rousseff não queria que viesse pelas mãos de Eduardo Cunha. É como se o presidente da Câmara tivesse sequestrado para fins próprios toda uma mobilização nas ruas reais e virtuais. Quem é contra o impeachment não assume essa posição por achar que o governo está indo bem, mas por temer que algo ainda pior possa vir com a saída da presidente. É como se a defesa do mandato de Dilma tivesse sequestrado a mobilização em defesa de um projeto político e de certa maneira de entender a institucionalidade democrática.

Com o acirramento dos ânimos, o desconforto tende a desaparecer. Mas é de fundamental importância guardar esse mal-estar de ambos os lados. Pode servir de lembrança para o fato elementar de que são duas visões diferentes do momento atual que vão se contrapor. Não são dois exércitos em uma guerra, mas duas posições políticas em confronto democrático. Reconhecer que ninguém se sente inteiramente à vontade em nenhum dos dois campos pode servir como um antídoto poderoso contra a intolerância e mesmo episódios de violência que poderão ocorrer nas próximas semanas e meses.

O desconforto mostra uma preocupação não apenas com os fins, mas também com os meios de alcançá-los. No fundo, não é justificável a utilização de qualquer meio para tirar ou para manter Dilma Rousseff. É um ótimo sinal. Para que esse sinal permaneça vivo durante todo o processo, importa não entrar em uma lógica de vida ou morte, quando se suspende toda reflexão. Ao contrário, é preciso pensar as razões do incômodo generalizado. Afinal, se ninguém está se sentindo inteiramente à vontade com a maneira como as coisas se encaminharam, por que elas saíram assim?

Um começo de resposta talvez esteja no fato de que, junto com o desconforto, veio também uma estranha sensação de alívio generalizado. É como se fosse o fim de uma agonia. A vida cotidiana se torna insuportável quando o horizonte de ação não passa de uma semana a cada vez. Ninguém consegue planejar minimamente a própria vida quando o rumo do país é incerto. Tudo que não seja o estritamente essencial trava. Que tenha sido necessário chegar ao impeachment para produzir um horizonte de saída da crise, seja qual for, diz muito sobre a miséria atual. A sensação de alívio mostra que é grande a expectativa de que o impeachment consiga, enfim, organizar o sistema político e dar alguma estabilidade ao país.

O problema é que é expectativa demais para condições políticas de menos. Seja qual for o resultado do processo, o país continuará em recessão, o desemprego continuará aumentando, a inflação continuará rodando em patamar alto e indesejável. Mas, mais que isso, o sistema político continuará como um arquipélago de grupos desunidos e sem perspectiva de união, em permanente ameaça de exclusão do jogo pela Lava-Jato. A conjunção de fatores que levou ao impeachment permanecerá, seja qual for o resultado. E ela já estava presente na eleição presidencial de 2014.

O atual governo ganhou a eleição com o discurso de que a vida não iria piorar. As principais candidaturas derrotadas disseram a mesma coisa. Segundo um raciocínio comum às candidaturas mais votadas, quem quer que dissesse que as coisas iriam piorar jogaria fora qualquer chance de vitória na eleição. Dentre as principais candidaturas, não apareceu nenhuma que pensasse além da imediatez da marquetagem.

Ao longo de quase dez anos de melhora dos padrões gerais de vida, instalou-se a ideologia oficial do "melhorismo", aceito de maneira acrítica pelas principais forças políticas do país. Segundo esse discurso altamente despolitizado, não havia outra perspectiva senão melhorar sempre, indefinidamente. A despolitização melhorista mostrou sua fatura a partir do momento em que a desgraça de 2015 se instalou. Porque o outro lado da moeda do melhorismo é a ideia igualmente despolitizada de que todas as mazelas do país derivam da corrupção. Um lado ficou sem discurso, o outro apenas com o discurso anticorrupção.

Mais que isso, nenhuma grande força política está em condições de posar de vestal. A ojeriza é ao sistema como um todo. Não há quem tenha credibilidade para se apropriar do sentimento generalizado de que a corrupção quebrou o país. A Lava-Jato está ali à espreita, em seu caminho de inexorável destruição de carreiras políticas. Na base do desconforto generalizado está uma sensação de traição. O impeachment se tornou uma espécie de referendo pelo Congresso da eleição presidencial de 2014. Um sistema político visto como estruturalmente corrupto tomou para si uma decisão que vai apenas refletir seu interesse de autodefesa e não anseios profundos da sociedade.

Essa é a cara institucional da despolitização dos últimos anos. Sua faceta mais visível está no protagonismo do Judiciário, do STF em particular. O Judiciário ainda não é visto em sua verdadeira natureza, como parte integrante do sistema político. Pelo contrário, faz questão de se distanciar da "política", insiste no caráter "técnico" de suas decisões. À medida que a democracia se aprofundar, também essa imagem acabará por se desfazer. Mas, por enquanto, a ficção ainda tem credibilidade suficiente para sustentar a difusa legitimidade de suas intervenções. Em um sistema político altamente fragmentado e desacreditado, o Judiciário se tornou o fiel depositário da estabilidade. Acontece que só pode continuar desempenhando esse papel se jogar lenha na fogueira da instabilidade geral.

E a instabilidade será a regra enquanto os polos continuarem a se organizar seja em torno da volta do melhorismo seja do combate à corrupção como fim em si mesmo. As intervenções anunciadas e as já praticadas pelo STF apenas reforçam o impasse. A expectativa que vem embutida na combinação de desconforto e alívio do impeachment só poderá ser satisfeita com uma efetiva politização dos embates. Essa será a tarefa da eleição presidencial de 2018. O problema é saber como chegar até lá antes que o caos tome o lugar do colapso atual.
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Marcos Nobre é professor de filosofia política da Unicamp e pesquisador do Cebrap.

Marcus Pestana: A crise atual e o olhar da sociedade

- O Tempo (MG)

Perplexa, a sociedade brasileira acompanha, entre a indignação e o desânimo, os desdobramentos da operação Lava Jato. Numa única semana, foram para trás das grades o senador Delcídio do Amaral, líder do governo Dilma no Senado Federal, o grande pecuarista e amigo do peito do ex-presidente Lula, José Carlos Bumlai, e um dos maiores banqueiros do país, dono do BTG Pactual, André Esteves. A cada semana uma nova faceta do maior escândalo da nossa história é revelada.

Inacreditável a dimensão tomada pela corrupção na era lulopetista. Não que a corrupção seja um fenômeno novo ou uma singularidade brasileira, mas ninguém poderia imaginar que a corrupção adquiriria, no Brasil do PT, a dimensão sistêmica e a institucionalizada que assistimos. Não sem motivos, a última pesquisa nacional do Datafolha registrou a inédita situação em que, pela primeira vez, a corrupção é eleita o maior problema brasileiro, destronando a saúde, que reinava desde 2007. Para 34% dos brasileiros, a corrupção é o pior problema, contra 16% direcionados para a saúde e 10% ao desemprego. O lado positivo é que a população enxerga e aplaude a ação ativa e firme de nosso sistema judiciário.

A presidente Dilma e seu governo revelam total desconexão com a sociedade apenas um ano após a sua posse. Somente 10% julgam bom ou ótimo o governo Dilma, e 67% o avaliam como ruim ou péssimo, segundo o Datafolha. A abertura do processo de impeachment é apoiada por 65%. A renúncia da presidente é vista com bons olhos por 62% dos brasileiros. A pesquisa GPP de outubro mostra que 64,6% das pessoas acham que o Brasil piorou nos 13 anos dos governos de Lula e Dilma. Em outra análise, do Paraná Pesquisas, 86,4% afirmam que Dilma faltou com a verdade na campanha eleitoral.

A rejeição a Lula e ao PT acompanha a tendência de avaliação do governo Dilma. O crescente desgaste do ex-presidente Lula fica claro na Datafolha, quando 47% dizem que não votariam nele de jeito nenhum. O PT não fica atrás; quando perguntados sobre qual é o partido que rejeitam, 40,6% citam o PT. Na do Paraná Pesquisas, quando questionados a que partido não se filiariam de jeito algum, o PT é escolhido por 58,6%, contra 8,6% do PSDB.

A avaliação do Congresso Nacional também não difere: é ruim ou péssima para 53%. E sobre Eduardo Cunha, 81% são a favor da cassação de seu mandato.

Ainda que seja precoce, a opinião pública aponta o caminho da mudança nas simulações de uma possível futura eleição presidencial. Aécio Neves aparece com 31% das intenções de voto, à frente de Lula com 22% e Marina com 21%.

O fundamental, no entanto, é, diante de tamanha crise ética, econômica e política, fazer do limão a limonada, da revolta e da perplexidade o combustível da esperança. Democracia é tentativa e erro, é aprendizado coletivo permanente. Crise são dificuldades, mas também oportunidades. Que as instituições republicanas e democráticas ressurjam revigoradas após o tsunami da Lava Jato e da profunda recessão que vivemos.
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Marcus Pestana, deputado federal (PSDB-MG)

O ano de 2016 já nasce sob o signo da incerteza – Editorial / Valor Econômico

A Câmara dos Deputados deverá instalar nesta semana a Comissão Especial destinada a analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, apresentado pelos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. A instalação parece inevitável, pois os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) dão sinais de que não vão interromper o processo, podendo se manifestar apenas em questões de procedimento. Assim, serão "juízes do jogo".

Este processo torna ainda mais imprevisível o cenário político do país, pois certamente vai inflamar a sociedade brasileira, despertando manifestações populares contrárias e favoráveis ao longo das próximas semanas. Enfrentamentos e choques mais sérios não podem ser descartados. O calor dessa disputa dificultará a obtenção de um consenso mínimo que permita encaminhar, pelo menos no curto prazo, as soluções para os graves problemas que o Brasil enfrenta atualmente. Há também o risco, que precisa ser considerado, de que o processo de impeachment termine aprofundando a divisão da sociedade brasileira.

O trágico da situação é que ela reforça o desânimo que, infelizmente, parece ter tomado conta do empresariado brasileiro. Os dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a atividade econômica está em forte retração. A crise atinge todos os setores. A renda das famílias está em queda, os investimentos estão despencando e o desemprego entrou em uma espiral altista.

Os dados dão razão ao ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, quando disse à colunista Claudia Safatle, deste jornal, que "a economia está um bagaço". O próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em teleconferência com investidores na semana passada, admitiu que 2016 não será fácil. Ele alertou que provavelmente serão identificados problemas no mercado de trabalho. As previsões do mercado são de que o desemprego atingirá de 10% a 12% da força de trabalho.

O principal desafio que está colocado ao governo é procurar interromper esse ciclo recessivo, evitando que ele se prolongue por mais tempo. Há previsões de analistas do mercado de que ele poderá durar mais dois anos, com o crescimento sendo retomado apenas em 2018. Para que o governo tenha êxito nessa empreitada, não há alternativa: é preciso obter um ajuste nas contas da União que garanta a sustentabilidade da dívida pública.

O problema é que não há, até agora, sinal de que o governo conseguirá aprovar no Congresso algo que possa ser considerado um ajuste factível. Assim, o que o ministro da Fazenda mais temia parece que irá se concretizar. Em recente entrevista aoValor, Levy alertou para o fato de que o Brasil não pode ingressar em 2016 sem uma estratégia fiscal clara e definida. Se isso acontecer, o ministro acha que não será possível evitar a continuidade da recessão econômica no próximo ano.

A aprovação de um Orçamento com superávit primário de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) é peça central dessa estratégia.

Na semana passada, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso aprovou o parecer preliminar do relator da proposta orçamentária, deputado Ricardo Barros. No parecer, Barros indicou que ainda faltam R$ 10,4 bilhões para que a meta fiscal de 2016 seja alcançada. O "buraco" apareceu mesmo com o relator colocando nas contas uma previsão de R$ 10,15 bilhões com a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Há, é bom lembrar, pequenas vitórias do governo. A principal delas é a inclusão da CPMF entre as receitas do próximo ano pela Comissão Mista de Orçamento. Mas isso não garante a aprovação da proposta de emenda constitucional que recria este tributo. Ela sequer foi analisada pela Câmara dos Deputados e é muito provável que a proposta não avance até o fim deste ano, em virtude do clima político que resultou do acolhimento do pedido de abertura do processo de impeachment.

O pedido que deve ser feito às lideranças partidárias é para que conduzam a análise do pedido de afastamento da presidente da República sem prejudicar a aprovação das medidas que garantam o equilíbrio das contas públicas. Este comportamento será uma demonstração de compromisso com o futuro do país.

E depois do impeachment? – Editorial / O Estado de S. Paulo

O governo Dilma está paralisado há quase um ano por sua própria incompetência e pelo transbordamento do lamaçal da corrupção. Como consequência, os brasileiros – principalmente a população de baixa renda – amargam uma recessão econômica impiedosa.

A proposta de afastamento da principal responsável por essa crise – a presidente Dilma Rousseff – cria um momento propício para a busca de consenso a respeito do que verdadeiramente importa: o que fazer para tirar o País do buraco. Não basta, por um lado, garantir que a presidente deve ficar onde está. Nem é suficiente, por outro, argumentar que ela precisa sair. O processo de impeachment decidirá, inelutavelmente, essa questão.

O problema é o que vem depois e parece que não há muita gente preocupada com isso. A mediocridade do embate entre os protagonistas da crise revelou à sociedade o baixo nível da política brasileira. Chegou-se ao impasse que começa agora a se romper exatamente porque ninguém estava genuinamente preocupado com o Brasil, e sim com seus interesses nem sempre defensáveis.

Dilma tentava não naufragar na própria incompetência. Lula e o PT se desequilibraram com o esfacelamento de seu projeto de poder. Vários partidos se prevaleceram da crescente debilidade de Dilma para conquistar mais espaço na máquina governamental, de preferência onde os orçamentos são mais robustos. Na “base aliada” revelaram-se desavergonhadamente os “partidos da boquinha” e impolutos personagens que só pensavam em dar aqui para tomar ali. A oposição gastou o tempo operando no varejo, por ser incapaz de articular qualquer coisa maior. Chegou à mesquinharia de assumir posições contrárias às que sempre defendeu, achando que, com isso, encurralava o governo.

A crise brasileira é séria e, qualquer que seja o resultado do processo de impeachment, será preciso encará-la responsavelmente. Não se trata “apenas” de resolver a lamentável e perigosa situação fiscal do País. É preciso colocar o Brasil novamente nos rumos do desenvolvimento econômico e social. É preciso desarmar as bombas sistematicamente instaladas pelo lulopetismo nos últimos 13 anos. É preciso voltar a discutir e a implementar as chamadas reformas estruturantes, que há mais de uma década estão paralisadas. Elas são mais necessárias do que nunca. O completo abandono dessa pauta pelos governos petistas não resolveu o problema, apenas tornou sua resolução mais difícil. E como não falar dos temas de sempre, sempre necessários e sempre mal resolvidos: saúde, educação, segurança, saneamento básico?

Para fazer o que precisa ser feito, é necessário muito mais do que um governo competente. Bons quadros são uma condição necessária, mas estão longe de ser uma condição suficiente. A delicada situação brasileira exige um governo fruto de uma união nacional, que o sustente diante das dificílimas batalhas que terá de enfrentar.

Não pode ser um governo refém de partidos, de movimentos sociais ou de determinado segmento da sociedade civil. Diante dos imensos desafios que o Brasil tem pela frente, será preciso um governo com capacidade para aplicar medidas amargas. Pois não se sai de uma crise como a atual agradando a todos, ou mantendo intactos os benefícios e privilégios de uma era onde o populismo dava a última palavra. Será preciso um governo forte, capaz de congregar as melhores forças da sociedade brasileira.

Falar em governo forte nada tem a ver com autoritarismo. Refere-se à capacidade de não se deixar dominar pela baixa política, pelo toma lá dá cá, pelas barganhas. Para isso é imprescindível um governo ético, que não pactue com a ilegalidade. Só assim terá autoridade e liberdade para fazer o que precisa ser feito.

O processo de impeachment apenas destrava o problema. A crise não será resolvida por um passe de mágica nem por um salvador da pátria. Não resta dúvida de que o País sairá da crise, mas para isso será preciso um governo de união nacional, que desperte as melhores energias da sociedade brasileira.

Diogo Nogueira: Com que roupa vou (Noel Rosa)

Manuel Bandeira: Auto-retrato

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Opinião do dia: Fernando Gabeira

“O que se suporta no Brasil não seria tolerado facilmente em nenhum outro país do mundo: crise econômica, desemprego, crise ética, mar de lama sufocando rios, mosquitos devorando o cérebro de futuras gerações e uma quadrilha cínica no poder.

As circunstâncias pedem um governo. Não é possível atravessar o deserto sem nenhum rumo. O que fazer com as barragens perigosas, como conter a crise sanitária, como recuperar a economia, abrir novas chances no mercado de trabalho?”
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Fernando Gabeira, jornalista, ‘Mañana’, O Globo, 6.12.2015

Grupo de Temer já articula impeachment de Dilma

• Após deixar ministério, Padilha vai usar gabinete do PMDB para mapear votos

Presidente diz que espera contar com ‘integral confiança’ do seu vice

O grupo próximo ao vice-presidente Michel Temer no PMDB se articula pelo impeachment da presidente Dilma, contam Simone Iglesias e Júnia Gama. O ex-ministro Eliseu Padilha, que deixou o governo na última sexta e é conhecido por manter planilhas com históricos de votações do Congresso, começa a trabalhar amanhã no gabinete do partido na Câmara para agilizar o processo. A estratégia é manter o vice na retaguarda. “Temer não precisa se mover agora”, disse o ex-deputado Geddel Vieira Lima, ressaltando que é preciso esperar a reação das ruas e do Congresso. Moreira Franco e Romero Jucá também integram a ala pró-impeachment. Ontem, Dilma disse que espera “integral confiança” de Temer para enfrentar o processo.

Em ação, o Plano Temer

• Aliados preparam ofensiva para levar PMDB ao comando do país; Dilma diz ter confiança no vice

Simone Iglesias, Júnia Gama e Eduardo Bresciani – O Globo

-BRASÍLIA E RECIFE- A saída do ministro Eliseu Padilha do governo na última sexta-feira foi vista pela ala pró-impeachment do PMDB como a senha para que se iniciem abertamente os trabalhos para garantir o vice-presidente Michel Temer no comando do país. Nas horas que se sucederam à notícia do pedido de demissão, a frase mais proferida pelos peemedebistas resume o espírito da saída: “Padilha é o Temer”. Mas o abismo criado entre os palácios da Alvorada — residência oficial da presidente Dilma Rousseff — e do Jaburu — a de Temer — vem sendo cavado há meses. Padilha é apenas o último dos aliados mais íntimos do vice-presidente a se distanciar do governo. Os outros há muito já se movimentavam pela abertura do processo de impeachment. Em Recife, onde esteve ontem, Dilma disse contar com a “confiança” de Temer para enfrentar o processo de impeachment no Congresso:

— Eu espero integral confiança do Michel Temer e tenho certeza que ele a dará. Ao longo desse tempo, eu desenvolvi a minha relação com ele e conheço o Temer como pessoa, como político e como grande constitucionalista.

Enquanto a presidente discursava no Recife, Temer se encontrava com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em almoço organizado pelo empresário Jorge Chammas, do Moinho São Jorge. Amanhã, os dois estarão juntos novamente, em evento público no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Segundo aliados, Temer e o tucano conversaram brevemente. Na última quarta-feira, horas antes do anúncio da decisão de Eduardo Cunha de acatar o pedido de impeachment, Temer recebeu senadores do PSDB e do DEM. Os tucanos já discutem com setores do PMDB um eventual governo de transição.
Em Belo Horizonte, durante um congresso do PDT, o ex-ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula, Ciro Gomes, acusou Temer de estar à frente do movimento pelo impeachment de Dilma.

— Eu acuso o senhor Michel Temer de ser o capitão do golpe — disse Ciro, acrescentando que o impeachment é um “remédio grave”.

A estratégia do grupo peemedebista pró-impeachment é manter Temer na retaguarda, enquanto eles ocupam a linha de frente.

— Temer não precisa se mover agora. Tem que deixar as ondas baterem nas pedras para ver a espuma que fará, como as ruas vão se manifestar, como as forças no Congresso vão se aglutinar. Ele foi menosprezado pelo PT o tempo inteiro, e agora vem o senhor Jaques Wagner querendo ganhar no grito para cima dele. Ele não vai aceitar constrangimento de ninguém — disse o ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), um dos integrantes do núcleo político de Temer.

Perguntado se Temer vai segurar o grupo para não trabalhar pelo impeachment, Geddel respondeu:

— Ele não tem condições de segurar o grupo. Tem só que ficar na dele.

Padilha cuidará do mapeamento de votos
A ala pró-Temer diz que Padilha, expert em planilha e controle de votos desde a Constituinte, começa a trabalhar a partir de amanhã no gabinete da presidência do PMDB, que fica na Câmara dos Deputados.

Outro membro atuante do grupo do vice-presidente é o ex-governador e ex-ministro Moreira Franco, autor do “Plano Temer”, apelido que ele mesmo deu ao programa de governo elaborado pelo PMDB no mês passado, contendo medidas opostas às adotadas por Dilma. O documento, escrito após consultas a vários economistas próximos ao partido, foi interpretado como um programa de transição a ser adotado após a saída da presidente e, ao mesmo tempo, como um sinal para o mercado financeiro e o setor produtivo.

Ao ser apresentado aos peemedebistas, em um congresso da Fundação Ulysses Guimarães, presidido por Moreira, o vice-presidente da República foi recebido com um coro de “Temer, veste a faixa já”. Na base do partido, o sentimento há muito tempo é pela ruptura.

— O impeachment está posto e certamente será uma grande contribuição para que possamos recuperar 2015, um ano que se perdeu na queda de braço entre a presidente Dilma e Eduardo Cunha, e de retomarmos o esforço de criar condições para que possamos sair da maior crise econômica da História — afirmou Moreira.

Geddel sempre resistiu à manutenção da aliança com o PT no governo Dilma. Aliado de Aécio Neves em 2014, ele circula em Brasília entre o Palácio do Jaburu e o gabinete do irmão, o deputado Lúcio Vieira Lima. Não por coincidência, Lúcio é um dos 22 deputados peemedebistas que trabalham abertamente pelo afastamento da presidente. Nesse grupo está também o deputado Osmar Terra (RS) — que, tão logo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDBRJ), deu andamento à ação contra Dilma, foi ao Jaburu conversar com a cúpula partidária.

— Geddel é o nosso Estado Islâmico, o homem-bomba do partido — resumiu um peemedebista da cúpula ao GLOBO sobre a atuação do baiano quando o assunto é impeachment.

Fora do núcleo mais próximo de Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) defende abertamente o impeachment desde o início do ano. Com presença menos frequente nas reuniões quase diárias que ocorreram nas últimas semanas à noite no Palácio do Jaburu, o peemedebista se reaproximou. Nos bastidores, Jucá atua entre políticos, empresários e representantes do mercado financeiro na defesa de que só com uma mudança de ares seria possível recuperar a economia do país.

Em meio à crise política, interlocutores da presidente sondaram uma possível volta de Jucá à liderança, ao que o peemedebista ironizou a aliados:

— O Titanic está afundando, e querem me dar um camarote? Tô fora.

Apesar de afastado do núcleo do vice, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, teve o papel decisivo de abrir o processo do impeachment. No partido, é considerado um “outsider” por peemedebistas históricos. Provocou atritos com diversas raposas do PMDB, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), com quem mantém relação protocolar.

Dizem ainda que ele “forçou” proximidade com Temer, mas que o vice sempre manteve uma “distância de segurança”. Na quarta-feira, minutos antes de dar entrevista coletiva anunciando que acolheria o pedido de impeachment, Cunha telefonou a Temer. Segundo relatos, o vice-presidente nada fez para impedi-lo.

Na oposição ao grupo pró-impeachment, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), trabalha para manter o apoio do partido a Dilma. Picciani articula a ocupação pela bancada do PMDB na Câmara das pastas que venham a ser deixadas pelo grupo de Temer, o que reforçaria a base de sustentação de Dilma na Casa.

— Se as ruas se engajarem, o senhor Picciani não vai segurar o impeachment. Já vimos esse filme antes — atacou Geddel. Já Moreira evitou a referência direta: — O voto para decidir o impeachment será aberto e evidentemente fruto de uma avaliação pessoal de cada parlamentar. E a população vai avaliar o voto de cada um.

A presidente Dilma disse que como não conversou com Padilha, não considera a saída do peemedebista definitiva:

— Eu me esforcei bastante para manter na reforma ministerial o ministro Padilha no governo. Por quê? Porque achava, e acho ainda, que o ministro Padilha está fazendo um trabalho muito importante. Eu não recebi nenhuma comunicação do ministro Padilha e eu ainda conto com a permanência do ministro no governo.

PMDB do Rio vira pilar da presidente

• Em meio à crise, Dilma conta com Paes, Pezão e família Picciani

Marco Grillo - O Globo

O PMDB do Rio é o principal pilar da presidente Dilma Rousseff em um partido que oferece sinais dúbios sobre o processo de impeachment — como mostrou o pedido de demissão apresentado pelo ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha.

Na manhã seguinte à decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o prefeito Eduardo Paes e o governador Luiz Fernando Pezão se manifestaram contra a medida. Paes disse que o ato era um “escárnio”, e Pezão, que se diz amigo de Dilma, chamou a ação de “lamentável”. O governador conversou com a presidente por telefone e, mais tarde, recebeu o ex-presidente Lula.

Cunha, também do PMDB do Rio, integra o comando regional do partido, mas é voz isolada. O presidente estadual da sigla, Jorge Picciani, apoiou Aécio Neves na eleição presidencial, mas migrou para o lado do governo este ano. O líder do partido na Câmara é um de seus filhos, Leonardo Picciani, um dos principais interlocutores de Dilma na reforma ministerial. As mudanças reservaram uma vaga para a bancada do estado: Celso Pansera assumiu a pasta de Ciência e Tecnologia.

A maior bancada do PMDB na Câmara é a do Rio, com nove deputados, incluindo Cunha. Em duas votações recentes e importantes para o governo, os deputados mostraram fidelidade: a meta fiscal teve o apoio de sete parlamentares — um se absteve, e Cunha não vota por presidir a Casa. Também não houve votos contrários ao governo no projeto que facilita a repatriação de recursos. O governo conta com a influência de Pezão, de Paes e da família Picciani para que não haja surpresas no curso do impeachment.

PT e CUT se reúnem para criar frente contra impedimento

• Encontro está previsto para amanhã, em São Paulo, com participação de Lula

Renato Onofre - O Globo

SÃO PAULO - O diretório paulista do PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) convocaram para amanhã reunião com sindicatos, movimentos sociais e partidos da base aliada para definir quais serão os passos em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff. O principal nome do encontro será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, para dirigentes petistas, é quem tem a capacidade de mobilizar e, novamente, unificar o país.

— O papel do presidente Lula será fundamental. A capacidade de mobilizar e unificar dele é inegável. Vamos para a luta — afirmou o presidente estadual do PT, Emídio de Souza.
Os petistas vão propor a formação de um núcleo duro e de uma ampla frente “contra o golpe”. A ideia é reunir representantes de todos as legendas e entidades aliadas e até de grupos opositores contrários ao impeachment para a criação de uma agenda conjunta de atos pelo país.

— É a hora de se formar uma frente ampla, multipartidária, contra esse ataque direto à democracia — afirmou Emídio de Souza.

Nem dos partidos de oposição, os dirigentes petistas vão abrir mão. Souza afirmou que o PT deve procurar representantes da Rede Sustentabilidade, comandada pela ex-senadora Marina Silva, e do PSOL para, juntos, formarem no Congresso um bloco contrário à derrubada da presidente Dilma.

De acordo com o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, a hora é de mobilização:
— Vamos reunir todos os atores em defesa da democracia. Vamos sentar e definir um estratégia comum em defesa da democracia.

Ontem, dirigentes petistas passaram a manhã em reuniões discutindo a crise política. O presidente nacional do partido, Rui Falcão, se encontrou com lideranças locais para azeitar o discurso do partido. À tarde, ele compareceria a um ato de filiação do PT no bairro da Liberdade, região central da capital paulista, ao lado do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Os dois cancelaram a agenda marcada por dirigentes municipais.

O ato de filiação ficou abaixo das expectativas dos dirigentes municipais petistas. Estavam previstas 500 novas filiações, mas menos de 50 pessoas compareceram. O secretário de Saúde de São Paulo, Alexandre Padilha, passou pelo local e fez um discurso em defesa do legado de Dilma. Padilha foi ministro da Saúde durante o primeiro mandato da presidente.

Manifestação no Rio
Apesar de ter convocado a reunião com aliados para discutir estratégias conjuntas em defesa do mandato da presidente, a CUT já marcou atos pelo país contra o impeachment. Em reunião na última quinta-feira, a CUT convocou um ato para terça-feira, no Rio, às 16h, na Candelária. Em seguida, os manifestantes seguirão a pé até a sede da Petrobras, no Centro. Também estão previstas manifestações em Salvador (7/12), Belém (9/ 12) e Porto Alegre (11/12).

Tucanos fecham apoio a Temer e Dilma pede a auxiliares que monitorem PMDB

• Senadores José Serra e Aécio Neves se unem ao governador Geraldo Alckmin em movimento que trabalha pela substituição da petista; Palácio do Planalto enxerga vice-presidente ‘conspirando’ para tirar Dilma do cargo e cada vez mais próximo da oposição

Vera Rosa e Alberto Bombig - O Estado de S. Paulo

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) conseguiu nos últimos dias algo raro na política brasileira: a união dos senadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em torno de uma estratégia comum que tem como objetivo a disputa pela Presidência.

Divididos desde o início da crise que ameaça o mandato da presidente Dilma Rousseff, em março deste ano, os três decidiram apoiar – e, em alguns casos, encorajar – Temer a trabalhar pelo impeachment da petista.

Até meses atrás, apenas Serra era um entusiasta da ideia de ver o peemedebista no Planalto. Aécio jogava para tirar Temer e Dilma de uma só tacada e disputar uma nova eleição. Alckmin queria manter a presidente no cargo até 2018, quando também termina o mandato dele no Palácio dos Bandeirantes.

Por conta das movimentações de seu vice, Dilma não esconde a preocupação com o afastamento cada vez maior dele e pediu aos articuladores políticos do governo que monitorem o PMDB com lupa. Nos bastidores, ministros avaliam que Temer flerta com o PSDB para assegurar sua ascensão ao poder e vai lavar as mãos em relação ao processo de impeachment.

O vice tem conversado há tempos com os tucanos, movimento visto no Planalto como “conspiração”. Com o mote da “pacificação nacional”, porém, Temer circula na oposição e é assíduo interlocutor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fato que intriga até mesmo petistas.

A possibilidade de debandada do PMDB começou a inquietar o governo na sexta-feira, quando o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), aliado de Temer, pediu demissão. Desde então, o Planalto redobrou o cuidado na checagem do índice de fidelidade do principal partido da coligação, que ganhou sete ministérios há dois meses.

Adversário de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pressiona os ministros como Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) a entregar os cargos, mas eles resistem.

No Palácio dos Bandeirantes, auxiliares do governador de São Paulo dizem que, dependendo do pêndulo do PMDB e das vozes das ruas, o impeachment pode evoluir rapidamente. Temer vai se encontrar publicamente com Alckmin amanhã, na cerimônia de premiação do grupo de líderes empresariais Lide, presidido por João Doria Jr.

Havia também a expectativa de um encontro reservado entre Alckmin e Temer neste final de semana. A aproximação com adversários do governo está se estreitando. Na quarta-feira, por exemplo, horas antes de Cunha aceitar o pedido de impeachment, Temer, que é presidente do PMDB, foi anfitrião de um almoço com sete senadores de oposição, no Palácio do Jaburu.

À mesa foi discutido o afastamento de Dilma. Um senador observou ali que a presidente não poderia contar nem com Lula e muito menos com o presidente do PT, Rui Falcão, que orientou os três deputados do partido no Conselho de Ética a votar contra a anistia a Cunha. A decisão, com o aval de Lula, foi uma aposta para salvar o PT, desgastado com os escândalos.

Na prática, parte do PSDB aceita apoiar um eventual governo de transição comandado por Temer, caso Dilma caia, desde que o vice garanta não disputar a eleição de 2018. Tucanos dizem, porém, que mesmo assim não ocupariam cargos porque isso seria um “salto no escuro”. / Colaborou Isadora Peron

Divisão no PSDB persiste quanto à tática e ao ‘pós Dilma’

• Tucanos fecham questão sobre apoio ao vice-presidente, mas líderes ainda não se entendem com relação a estratégia para condução de processo de impeachment; tampouco há consenso quanto à composição de um eventual governo Temer

Vera Rosa e Alberto Bombig - O Estado de S. Paulo

Apesar de terem fechado questão em torno do apoio ao vice-presidente Michel Temer, os líderes tucanos ainda não se entenderam quanto à estratégia a ser utilizada na condução do processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

O senador Aécio Neves (MG) atuou na semana passada para ganhar tempo, enquanto o senador José Serra (SP) defendia o fim do recesso parlamentar, que começa neste mês, para acelerar o trâmite do processo.

Tampouco há consenso quanto à composição de um governo Temer caso a presidente Dilma Rousseff seja impedida de terminar o mandato. Aécio, que hoje controla a máquina partidária tucana, tem se posicionado contra a participação do PSDB, mas Serra avalia que o momento do País talvez exija uma união nacional em torno do peemedebista.

Os cinco governadores do PSDB devem se reunir nos próximos dias, em São Paulo, para avaliar o cenário político depois que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu deflagrar o processo de impeachment. Enquanto isso, o Planalto prepara um encontro de Dilma em Brasília, também na semana que vem, com governadores aliados.

A estratégia do governo é mostrar a presidente como vítima de chantagem de Cunha, acusado de manter contas na Suíça com dinheiro desviado da Petrobrás. “É melhor um fim trágico do que uma tragédia sem fim”, disse a Dilma ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. Assessores da presidente organizam agora manifestações de solidariedade a ela com a participação de juristas, movimentos sociais e sindicalistas, na linha do “não vai ter golpe”. Depois de muitas divergências, ministros do PT concluíram que a polarização com Cunha dá ao Planalto o discurso necessário para se “reconectar” com a sociedade.

Deputados do PMDB evitam se posicionar sobre impeachment

• Intenção é transmitir neutralidade para garantir uma das oito vagas a que têm direito na Comissão especial que decidirá pela abertura ou não do processo

Daniel Carvalho e Isabela Bonfim - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Para garantir uma das oito vagas a que têm direito na Comissão especial que decidirá pela abertura ou não do impeachment da presidente Dilma Rousseff, deputados do PMDB têm evitado se posicionar sobre o apoio ou não ao impedimento da petista. A intenção é transmitir uma imagem de neutralidade e evitar qualquer tipo de censura ou resistência das alas divergentes do partido. Diante da pressão de parlamentares contra e a favor da continuidade do mandato de Dilma, o líder da legenda, Leonardo Picciani (RJ), só fechará a lista de indicados no limite para protocolar os nomes, às 14h de amanhã.

O PMDB e o PT têm o maior número de vagas, oito cada. Uma das vagas peemedebistas ficará com o próprio Picciani, que, assim como outros líderes, tem se autoindicado para integrar a comissão. Como o deputado se aproximou do governo a ponto de poder indicar dois ministros na reforma ministerial de outubro, peemedebistas temem que ele faça uma lista de indicações estritamente governista.
“Ainda não fechei os nomes. Quero fazer uma escolha equilibrada e acertada. Não decidirei sob pressão”, disse Picciani, confirmando que tem sido abordado por correligionários dos dois lados.

Divisão. O partido tem 65 deputados, além do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ).
Dos 27 deputados do PMDB com os quais o Estado conseguiu contato anteontem, 11 se disseram indecisos ou deliberadamente se recusaram a declarar voto para não reduzir as chances de ocupar uma das vagas remanescentes. Os outros 16 dividem-se igualmente entre contra e a favor do impeachment da presidente da República.

Oposição só vencerá na Câmara se dividir bloco dos ‘muito fiéis’

• Bloco que apoia Dilma em mais de 90% das votações tem 212 membros, o suficiente para barrar impeachment

Daniel Bramatti e Guilherme Duarte - O Estado de S. Paulo

Nas 35 votações mais polarizadas ocorridas na Câmara desde o início de outubro, nada menos que 212 deputados apoiaram o governo em 90% das vezes ou mais. Para barrar o impeachment no plenário, os governistas precisam apenas evitar que 171 deputados votem com a oposição.

Esses 171 parlamentares representam um terço dos 513 deputados. Para que a abertura do processo de impeachment seja aprovada no plenário, são necessários os votos de dois terços dos parlamentares (342). Como o presidente da Câmara não vota, a oposição teria no máximo 341 votos caso o governo assegurasse 171 apoios, ausências ou abstenções.

Como há 212 “muito fiéis”, Dilma tem, em tese, uma folga de cerca de 40 deputados além dos 171 necessários para barrar o processo que pede seu afastamento. Uma votação de impeachment, porém, é atípica. Nada impede que parlamentares com alto grau de governismo mudem de lado na última hora. 

Mesmo parlamentares alinhados ao presidente Fernando Collor apoiaram seu afastamento quando detectaram sua iminente derrota. As definições costumam ocorrer no último momento – no caso de Collor, as negociações para tentar salvar seu mandato se estenderam até a madrugada do dia da votação, em 29 de setembro de 1992.

Gradação. Para medir o grau de fidelidade das bancadas partidárias, o Estadão Dados reuniu, a partir do Basômetro – ferramenta online que mede o governismo dos parlamentares –, dados de 35 votações ocorridas desde o início de outubro que polarizaram o plenário, deixando oposição e situação em campos opostos. A grande maioria dessas votações é de projetos do pacote de ajuste fiscal.

A partir disso, foram definidos, além do bloco dos muito fiéis (alinhamento pró-governo em pelo menos 90% das votações), os fiéis (65% a 89%), os volúveis (40% a 64%) e os de oposição (menos de 40%).

Com base nesse critério, a oposição tem tamanho relativamente pequeno – 157 deputados (31% dos 513), distribuídos entre 16 partidos, inclusive alguns da base governista. Para chegar aos 342 votos necessários para abrir o impeachment, faltariam 185.

Fragmentação. Mesmo esse grupo de oposição, porém, não deve se posicionar de forma coesa a favor do impeachment – os cinco integrantes do PSOL, por exemplo, têm votado frequentemente contra os projetos de interesse do Palácio do Planalto, mas não vão apoiar o afastamento da presidente. Os cinco deputados da Rede Sustentabilidade estão na mesma situação.

A oposição não conseguiria quórum para vencer nem mesmo se votasse de forma coesa e cooptasse todos os “volúveis” e “fiéis” da Câmara – nesse caso, a soma totalizaria 299 deputados, 43 a menos do que o necessário.

Do lado do governo, o principal desafio é a necessidade de compor com partidos que, apesar de aliados, poderão acabar ganhando com um eventual impeachment. O PMDB, por exemplo, assumiria a Presidência com a posse do atual vice-presidente Michel Temer (SP).

Há 42 peemedebistas no bloco dos “muito fiéis” – que encolheria para 170 integrantes se eles passarem para o lado da oposição. É por isso que a sorte de Dilma pode ser definida pela coesão do PMDB – suas chances de sobrevivência diminuirão muito se o partido abandonar em peso o barco do governo.

Por outro lado, o Palácio do Planalto tem a vantagem de ganhar com a eventual desmobilização de parte de seus adversários. É a oposição quem precisará reunir os 342 votos pelo impeachment. Em termos práticos, ausências e abstenções contarão como votos pró-governo.

Em 1992, quando foi votada a abertura do processo de impeachment contra Collor, as abstenções e ausências chegaram a quase 5% do total – na época, havia 503 cadeiras na Câmara. Esse porcentual, nos dias de hoje, equivaleria a 25 votos.

Congresso encara decisão sobre recesso como prévia

• Governo quer convocação extraordinária de parlamentares nas férias, mas decisão depende de aprovação por maioria absoluta na Câmara e no Senado

Adriano Ceolin e Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - A votação da convocação extraordinária do Congresso no recesso de fim de ano servirá como espécie de uma prévia para a aprovação ou não do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A avaliação é de deputados ouvidos pelo Estado. O Palácio do Planalto tem defendido celeridade na análise do pedido de afastamento da presidente, mas, para que isso aconteça, é necessário que os parlamentares trabalhem entre 23 de dezembro e 17 de fevereiro. Dilma pode pedir a convocação, contudo ela precisa ser aprovada por maioria absoluta da Câmara, por 257 votos a favor, e do Senado, por 42, o que seria um termômetro da adesão ao governo.

Diante do risco de derrota na votação, o núcleo duro do governo ainda hesita sobre a convocação extraordinária. Segundo um auxiliar da presidente, a ideia ainda está em fase de “amadurecimento”. O Planalto não quer ser o condutor do processo, por isso espera que os presidentes Eduardo Cunha (PMDB-RJ), da Câmara, e Renan Calheiros (PMDB-AL), do Senado, se entendam e peçam conjuntamente para o Congresso trabalhar no recesso. Aliados de Cunha são contra a convocação. Renan ainda não sinalizou sua posição. Na noite de quinta-feira, ele esteve com Dilma, mas não deu detalhes sobre a conversa nem a assessores próximos.

“Hoje a tendência é ele (Renan) ficar ao lado de Dilma. Contudo, até o fim de dezembro, ainda muita coisa pode acontecer”, contou um auxiliar do presidente do Senado.

Renan passará os próximos dias ouvindo empresários, banqueiros e aliados para sentir o ânimo sobre o impeachment. O mais provável é que ele tome uma decisão a favor ou contra o recesso somente em meados de dezembro. Em relação ao impeachment, a postura do presidente do Senado deverá ser similar. Esperará até o último momento para embarcar ou não na tese de afastamento.

Argumentos. O Planalto prefere acelerar a votação do impeachment, pois avalia ter os votos necessários para barrar o afastamento da presidente. Além disso, o governo também aposta que, durante o período de festas de fim de ano e de férias escolares, não haverá manifestações de rua. Por fim, deputados governistas ainda calculam que, durante a convocação extraordinária, a oposição terá mais dificuldade para reunir apoio suficiente para derrotar o governo na comissão especial em favor do impeachment.

Na quinta-feira, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, havia defendido a convocação extraordinária do Congresso. Quase que imediatamente, a oposição reagiu. O presidente do PSDB, Aécio Neves, declarou ser a favor do recesso. “Talvez o recesso seja um momento para os parlamentares se encontrarem com as suas bases”, defendeu.

Apesar da posição de Aécio, o DEM, por ora, é contra a realização do recesso. “Acho que temos de trabalhar no recesso para fazer o processo de impeachment”, disse o líder do partido no Senado, Ronaldo Caiado (GO). “Mas, é claro, se a Dilma quiser a convocação, ela vai ter de convencer a base governista a votar”, completou.

Demissão de Padilha ajuda a aproximar a oposição de Temer

Daniela Lima, Valdo Cruz, Gustavo Uribe, Bela Megale – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, SÃO PAULO - Os sinais de que integrantes do PMDB próximos a Michel Temer estão se afastando da presidente Dilma Rousseff deram força ao grupo que atua para viabilizar o apoio formal da oposição a um eventual governo liderado pelo hoje vice-presidente.

Segundo a Folha apurou, lideres tucanos em conversas ainda informais, têm admito que o PSDB "não vai se furtar" a apoiar um eventual governo Michel Temer caso a presidente Dilma Rousseff sofra o impeachment.

Ainda não houve uma reunião formal da cúpula do partido sobre o tema, mas alguns tucanos já tiveram conversas com aliados do vice e ouviram a sinalização de que Temer, caso assuma o comando do Planalto, não pretende se candidatar à reeleição. O gesto é visto como ponto importante para unir PMDB e PSDB em torno do vice.

O pedido de demissão do ministro peemedebista Eliseu Padilha (Aviação Civil), na última sexta (4), foi visto pelos que têm trabalhado para firmar um pacto em torno de Temer como uma resposta às exigências de líderes da oposição de que a ala que dá suporte ao vice no PMDB assuma a dianteira da articulação do impeachment.

A estratégia de Temer de se manter longe do Planalto e de Dilma desde a formalização da tramitação do pedido de afastamento na Câmara, na última quarta (2), também.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), tem evitado conversar diretamente com Temer, mas desde setembro envia recados de que os tucanos só iriam se engajar oficialmente no afastamento de Dilma a partir do momento que o PMDB liderasse o processo.

O mesmo aceno foi feito pelo presidente do DEM, senador José Agripino (RN). "Antes de contar com a oposição, Temer precisa engajar o PMDB", afirmou.

Os dois partidos têm membros envolvidos na operação que busca garantir o suporte da oposição ao peemedebista, caso ele assuma o poder. No PSDB, o senador José Serra (SP) é o único a defender abertamente o embarque formal dos tucanos em uma eventual gestão de Temer. Os demais preferem admitir essa possibilidade apenas nos bastidores.

Citado por aliados do vice como nome certo num eventual ministério pós-impeachment, Serra tem defendido que a adesão a Temer seria um sinal de "compromisso com o país".

O tucano trabalha para mitigar resistências ao embarque dentro do próprio PSDB, mantendo conversas constantes, por exemplo, com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Alckmin ainda resiste à tese de que tucanos devam ocupar postos numa eventual gestão peemedebista. Mas, após o recebimento do pedido de impeachment, pessoas próximas ao paulista passaram a admitir que ele poderá fazer uma inflexão no discurso. Neste sábado, ele se encontrou com Temer em São Paulo.

O maior temor do Palácio do Planalto é justamente essa aproximação entre PSDB e PMDB. Apesar de declarações públicas de ministros de Dilma de que o vice continuará apoiando a presidente, assessores da presidente admitem que não estão claras as intenções de Temer. Na visão de um assessor próximo, ele está se preservando com foco em assumir o lugar da petista.

No PMDB, a ala que tenta angariar apoio ao vice na oposição também ganhou reforços. O ex-presidente José Sarney, por exemplo, passou a conversar com tucanos influentes, como o senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE).

Integrante da ala mais moderada de seu partido, Tasso é um dos nomes mais próximos a Aécio no Senado. Ele é visto, ao lado do colega Aloysio Nunes (PSDB-SP), como o interlocutor de Aécio nas conversas com Temer e o PMDB.

STF deverá decidir data de desfecho do impeachment

Ranier Bragon, Marina Dias, Gustavo Uribe – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - A batalha entre o governo federal e os partidos de oposição sobre a data de desfecho da análise do pedido de impeachment de Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados já mobiliza as áreas jurídicas dos dois lados e deve ser decidida pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O Palácio do Planalto, que até agora avalia contar com votos suficientes para arquivar o pedido, quer um desfecho o mais rápido possível, ainda em janeiro, baseado na expectativa de que as festas de fim de ano e as férias de verão esvaziem os movimentos de rua anti-Dilma.

Já a oposição e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), trabalham com o diagnóstico de que em fevereiro ou março a esperada deterioração do quadro econômico impulsionará uma nova onda de protestos de rua e provocará dissidências na base dilmista.

Cunha deve apresentar um parecer encomendado à área técnica sustentando que o Congresso Nacional tem que entrar em recesso no próximo dia 23 –até 1º de fevereiro de 2016– mesmo que não haja a aprovação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Com isso, o trâmite do impeachment será suspenso possivelmente na fase limite para que Dilma apresente sua defesa –é impossível precisar a data, já que ela é definida em número de sessões da Câmara, que podem ou não ocorrer em todos os dias úteis.

O governo federal, o PT e técnicos da Câmara, porém, afirmam que a Constituição é clara em dizer que "a sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias".

A polêmica jurídica se dá porque a LDO tem que ser votada no primeiro semestre, sendo que eventuais atrasos sustam normalmente o recesso do meio do ano.

Em 2015, houve um atraso demasiado e a LDO ainda aguarda a convocação de uma sessão do Congresso Nacional para ser votada.

Auxiliares de Dilma e integrantes do PT afirmaram na sexta (4) entender que o Congresso não pode entrar em recesso sem votar a LDO.

Dizem estar cientes da inclinação de Cunha de usar o parecer técnico em sentido contrário para paralisar por 45 dias tanto a tramitação do impeachment quanto a do seu processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara.

Esses auxiliares afirmam que estão estudando os meios jurídicos de contestar essa posição, mas afirmam que o martelo só será batido assim que as cartas forem colocadas na mesa por Cunha.

A intenção do Planalto é que eventual ingresso no Supremo seja feito por parlamentares da base aliada ou pela Executiva nacional do PT.

Ato conjunto
Além da polêmica em torno da LDO, o Congresso pode cancelar o recesso caso seja convocado por um ato conjunto dos presidentes da Câmara e do Senado, a requerimento da maioria dos congressistas ou da própria Dilma.

Porém, em todos esses casos, é preciso aprovação por maioria absoluta pelos plenários da Câmara e do Senado –pelo menos 257 dos 513 deputados e 42 dos 81 senadores.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não indicou até agora se apoia ou não a convocação do Congresso em janeiro.

O trâmite do impeachment tem um prazo corrido de cerca de 30 dias. Umacomissão especial a ser instalada na terça-feira (8) e composta por 65 deputados irá dar um parecer favorável ou não à abertura do processo de impedimento.

Cabe ao plenário da Câmara a decisão, em votação aberta e com chamada nominal para que os deputados declarem o voto nos microfones.

Caso ao menos 342 de 512 deputados (Cunha não vota) apoiem o impeachment, Dilma é afastada do cargo e o Senado instaura o processo.

Pedro Paulo: candidatura já se tornou inviável, avalia PMDB

• Partido espera sinal de Paes para desistir de apoio a secretário em 2016

Marco Grillo – O Globo

Líderes do PMDB do Rio esperam apenas um gesto do prefeito Eduardo Paes para sepultarem de vez a candidatura do secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho, à prefeitura do Rio. Internamente, o partido reconhece que a situação é inviável, e pesquisas já mostram que os episódios de agressão à ex-mulher, Alexandra Marcondes, prejudicaram a avaliação do pré-candidato na pequena parcela da população em que ele é conhecido.

O comando da sigla avalia que a imagem de agressor “colou” em Pedro Paulo, e o seu temperamento, visto como explosivo, é criticado. No último domingo, Paes levou o secretário a uma agenda, o que era comum e se tornou mais raro conforme as acusações contra o aliado foram aparecendo. A estratégia não deu certo e alertou ainda mais os peemedebistas: enquanto discursava, Pedro Paulo foi vaiado por um grupo de mulheres.

Os dirigentes da sigla agem com cautela e evitam, pelo menos por enquanto, bater de frente com o prefeito. Eles avaliam que Paes será o “grande eleitor” em 2016 e que tem o direito de conduzir a própria sucessão, assim como o ex-governador Sérgio Cabral fez ao escolher o seu vice, o atual governador Luiz Fernando Pezão.

Em conversas reservadas, líderes do PMDB manifestam preocupação com a repercussão negativa das agressões e também com o andamento da investigação sobre um caso específico, ocorrido em 2010. Em depoimento à Polícia Civil, Alexandra contou ter sido agredida por Pedro Paulo. Um laudo do Instituto Médico-Legal (IML) mostra que ela teve um dente quebrado na briga.

Após o episódio surgir na imprensa, os autos foram enviados à Procuradoria Geral da República (PGR), já que Pedro Paulo tem foro privilegiado por ser deputado federal. O procurador-geral, Rodrigo Janot, vai apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito, com base na Lei Maria da Penha.

A investigação, no entanto, é uma das apostas do prefeito, segundo pessoas próximas, para reverter a situação de Pedro Paulo. Paes acredita que uma decisão favorável do STF, como o arquivamento do caso, seria um argumento forte para a defesa do secretário durante a campanha. Aliados do prefeito consideram difícil, porém, que o Supremo se manifeste rapidamente sobre o assunto.

Três novas acusações
Nas últimas semanas, surgiram mais três acusações contra o secretário. Uma outra agressão contra a ex-mulher, um caso de ameaça, também contra Alexandra, e um boletim de ocorrência em que um fotógrafo relata ter levado um tapa de Pedro Paulo durante um evento de campanha, no ano passado.

Uma fonte do partido diz que estão todos esperando que “caia a ficha” de Paes.

— O limite é a sobrevivência política. Isso já está respingando na imagem dele. Então uma hora ele vai precisar se afastar — acredita.

Interlocutores do secretário consideram que ele está desanimado e que já teria desistido da corrida eleitoral, não fosse a insistência de Paes. Após a divulgação do segundo episódio de agressão, Pedro Paulo estava determinado a abrir mão da candidatura, segundo uma fonte. Foi convencido a continuar na disputa numa reunião que entrou pela madrugada e contou com a presença, entre outros, do ex-governador Sérgio Cabral e do antropólogo Renato Pereira, marqueteiro responsável pelas campanhas mais relevantes do PMDB no estado. Deste encontro, surgiu a estratégia de defesa do secretário: no dia seguinte, ele deu uma entrevista coletiva, ao lado da ex-mulher, num hotel em Copacabana.

Decisão ainda deve demorar
Apesar de o assunto já ser tema de conversas internas, há o consenso de que nenhuma decisão será tomada a curto prazo. O conturbado cenário político nacional também contribui para que as eleições municipais não sejam o foco principal no momento. Por volta de março, o PMDB deverá centrar as atenções no assunto, ampliando os debates e as pesquisas com eleitores.

Procurado pelo GLOBO para comentar o cenário eleitoral, o presidente estadual do PMDB, Jorge Picciani, negou que o partido já tenha desistido de Pedro Paulo.

— Não existe plano B — assegurou, assim como já havia feito na convenção do partido, há duas semanas.

O secretário estadual de Governo, Paulo Melo, também disse que não há alternativas em estudo.

— O partido está usando todos os instrumentos e as lideranças para viabilizar a candidatura do Pedro Paulo — afirmou.

Em Paris para as reuniões da COP 21, Paes informou que “só tratará de eleição no ano que vem”. Pedro Paulo não quis dar entrevista. Cabral também preferiu não se manifestar. (Colaborou Fernanda Krakovics

Sem candidato natural, partido já pensa em alternativas

• Carlos Roberto Osorio surge como favorito para substituir Pedro Paulo

O Globo

O secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo, era preparado desde o início da gestão para ser o candidato à sucessão do prefeito Eduardo Paes. Dentro do partido, é visto como o quadro mais bem talhado para a função. Caso a candidatura realmente se inviabilize em função do desgaste provocado pelas agressões à ex-mulher, não há um nome natural para substituí-lo. Apesar de o partido não discutir abertamente a troca, alguns nomes já começaram a ser ventilados nos bastidores do PMDB. A certeza é que o escolhido precisará passar, obrigatoriamente, pelo crivo de Paes.

O nome do secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, já foi testado em pesquisas qualitativas, e o resultado positivo agradou à cúpula do partido. Ele nega expectativas quanto à eleição do ano que vem.

— Estou trabalhando normalmente — disse.

Para construir a candidatura, precisará vencer uma possível resistência do prefeito. Paes não ficou satisfeito quando Osorio deixou a secretaria municipal de Transportes para ocupar o atual cargo no governo do estado, no início deste ano. A relação com o presidente estadual do partido e da Alerj, Jorge Picciani, também terá que passar por ajustes. Recentemente, Picciani se irritou com Osorio na discussão de um projeto de lei sobre a instalação de biometria em ônibus.

Uma possibilidade mais distante é a da candidatura do deputado federal Leonardo Picciani, filho de Jorge Picciani. Leonardo é líder do PMDB na Câmara dos Deputados e visto como um possível candidato à presidência da Casa se Eduardo Cunha (PMDB-RJ) for destituído do cargo. A expectativa de uma carreira promissora em Brasília afasta, neste momento, Leonardo da disputa no Rio. Outro filho de Picciani é Rafael, secretário municipal de Transportes e escolhido como vice na chapa com Pedro Paulo. Aos 29 anos, ainda é considerado jovem para assumir a frente da disputa.

Presidente do PSB descarta aliança com peemedebistas

• Romário e Paes já debateram aliança, caso o senador não se candidat

- O Globo

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, rechaçou a possibilidade de apoio ao PMDB na eleição para a prefeitura do Rio. O senador Romário, que dirige o partido no estado, e o prefeito Eduardo Paes já conversaram sobre uma possível aliança, caso Romário não seja candidato. Siqueira, no entanto, evitou falar em uma intervenção, caso a decisão do comando da sigla não seja respeitada. Uma reunião do diretório estadual do partido vai debater o assunto amanhã.

— Não estaremos em hipótese alguma com o PMDB (no Rio). Nossa ideia é ter candidatura própria — afirmou.

Siqueira disse que enxerga outros nomes viáveis para a disputa eleitoral, caso Romário opte por não concorrer, mas não quis adiantar quais. O partido tem apenas um deputado estadual, Wanderson Nogueira, cujo reduto eleitoral é Nova Friburgo, na Região Serrana. Não há qualquer representante do estado na bancada federal nem vereadores na capital. Siqueira negou que a recusa a fazer a aliança esteja relacionada aos casos de agressão envolvendo o secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo, até o momento o escolhido pelo PMDB.

— Não tem nada a ver com Pedro Paulo, José Maria ou quem quer que seja. É uma decisão partidária que tem como base uma resolução da Executiva Nacional — reforçou.

Frente contra PMDB
Romário não retornou o pedido de entrevista. O senador disse ao GLOBO, semana passada, que ainda não havia uma definição e que o apoio ao PMDB era uma das possibilidades. Um cenário que ficou mais distante é o apoio do PSDB. O presidente do partido, senador Aécio Neves, desmarcou um encontro após a suposta conta de Romário na Suíça voltar ao noticiário. O desejo do tucano é articular uma frente ampla, com tempo de televisão suficiente para brigar em igualdade de condições com o candidato do PMDB. Uma hipótese em análise é o candidato do grupo ser o deputado federal Índio da Costa (PSD-RJ).

— É muito cedo ainda — desconversa Aécio.

O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) e o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) são outros potenciais candidatos. (Marco Grillo)

A crise política – Debate

A crise política – Debate

• Dia: 10 de dezembro (Quinta-feira)

• Horário: 18. 00 hrs.

• Promotor: Fundação Astrojildo Pereira

• Debatedores: Luiz Werneck Vianna (PUC-Rio), Milton Temer (jornalista), César Benjamim (sociólogo)

• Moderador: Deputado Comte Bittencourt

• Local: ASA – Associação Scholem Aleichem
Rua São Clemente, 155 –fundos

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Diretório Nacional do PPS aprova nota que defende o impeachment de Dilma

Por: Assessoria do PPS

O Diretório Nacional do PPS aprovou, na manhã deste sábado (05), nota oficial de apoio ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para o partido, a medida “é a alternativa mais eficaz para enfrentar e superar a crise da economia nacional e desmantelar o esquema de corrupção montado pelo PT nos últimos treze anos”.

Na nota “A mudança começa com o impeachment”, o PPS afirma que Dilma é “incapaz” de conduzir o país, que vive atualmente “o pesadelo” do risco da depressão econômica. A maioria das medidas do ajuste fiscal do governo, já aprovadas pelo Congresso, não surtiu nenhum efeito, diz o documento. O país está paralisado. O PPS analisa também as pedaladas fiscais, que ancoram a peça jurídica do pedido de impeachment.

“O mais grave, porém, é o assalto aos cofres públicos”, adverte o PPS na nota. A presidente, avalia o partido, tenta encobrir e minimizar o papel do maior esquema de corrupção da história do país, o petrolão, no qual a nota ressalta o possível envolvimento do ex-presidente Lula.

O PPS insiste que “urge o afastamento” de Dilma e chama a atenção para a importância da mobilização da sociedade civil, começando pelo ato do próximo dia 13.

Veja a íntegra da nota:

A mudança começa com o impeachment!

O pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, em tramitação na Câmara dos Deputados, é a alternativa mais eficaz para enfrentar e superar a crise da economia nacional e desmantelar o esquema de corrupção montado pelo PT nos últimos treze anos. A presidente não apenas revelou-se incapaz de conduzir o país, como é protagonista da crise política que desagregou a base do governo no Congresso, ao lado de seu padrinho e tutor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cujo mandato tudo isso começou.

O PPS tem sido uma força política firme e consequente na defesa do impeachment como alternativa constitucional para enfrentar a crise ética, política e econômica que lança o país na recessão, com riscos de ingressarmos no pesadelo da depressão (inflação alta e crescente, desemprego em massa, renda em queda, endividamento das famílias e juros escorchantes).

Os argumentos dos petistas de que essa proposta é “golpista” não passam de uma cortina de fumaça para tentar iludir homens e mulheres de boa fé. Os brasileiros não esquecem que o PT participou do movimento, junto conosco e outras forças democráticas, pelo impeachment do presidente Fernando Collor (em 1992), assim como tentou o mesmo, em voo solo, contra os então presidentes Itamar Franco (em 1993) e Fernando Henrique Cardoso (em 1999).

Todos nós sabemos que a responsabilidade pela paralisia em que o país se encontra é da presidente Dilma e seus aliados, o que tem sido demonstrado pelos fatos. O Congresso aprovou a maioria das propostas de ajuste fiscal do governo, que se revelaram ineficazes. A mais recente é a mudança da meta fiscal de 2015, que era de um superávit de R$ 56 bilhões e passou a ser um déficit de até R$ 120 bilhões, ou seja, uma diferença de R$ 176 bilhões entre o que se pretendia e o que de fato se fez no ajuste.

Tal decisão, que busca tão somente encobrir a ilegalidade das chamadas “pedaladas fiscais”, mostra a incompetência, o cinismo e a irresponsabilidade do atual governo. Incompetência por perder o completo controle da economia, não executando os cortes de gastos necessários para equilibrar as contas públicas; cinismo por chantagear a sociedade e os demais entes federados com a paralisia total dos serviços públicos; e irresponsabilidade por sinalizar para os agentes econômicos e os investidores estrangeiros que o País não é capaz de cuidar da sua própria economia e de que suas metas não merecem credibilidade.

O mais grave, porém, é o assalto aos cofres públicos. A presidente tenta encobrir e minimizar o papel do maior esquema de corrupção já montado na história do país, envolvendo seu partido na delicada crise em que o País foi lançado, cujo epicentro é o escândalo da Petrobras. São evidentes os laços de sua gestão com tudo o que está sendo investigado pela Operação Lava Jato. As recentes prisões do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), do banqueiro André Esteves e do empresário José Carlos Bumlai e os seus possíveis desdobramentos podem ampliar mais ainda os dados e informações sobre o descalabro antirrepublicano do governo Dilma e o possível envolvimento do ex-presidente Lula com esse esquema mafioso.

A presidente reelegeu-se, em 2014, mentindo ao país sobre a verdadeira situação da economia, com sua campanha financiada por dinheiro sujo da corrupção, fato ora sendo investigado pela Justiça Eleitoral. Ela jacta-se de probidade apenas porque o Procurador Geral da República impediu fosse ela investigada pelo Supremo Tribunal Federal e dessa forma a Operação Lava-Jato não pode investigar os graves indícios de seu envolvimento com o escândalo da Petrobrás, embora venha sendo citada em algumas delações premiadas. Sua responsabilidade na compra fraudulenta da refinaria de Pasadena, conforme delações, está mais do que comprovada.

Agora, Dilma tenta questionar a legitimidade do processo de impeachment, atribuindo-o ao atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cuja cassação está em discussão no Conselho de Ética da Casa e que contará com o voto favorável do PPS. Na verdade, é outra forma de tergiversação do PT. O pedido que tipifica, de forma consistente, os crimes de responsabilidade cometidos pela presidente Dilma, é um documento muito bem elaborado por eminentes juristas deste País, como Miguel Reale Junior, Janaína Pascoal e Hélio Bicudo, este fundador do PT, pedido este apoiado pelo PPS, PSDB, DEM e Solidariedade.

Sabe destacar que o pedido de impeachment depende única e exclusivamente da ampla maioria do plenário da Câmara Federal e não do presidente daquela Casa. O governo tentou de todas as formas evitar que o processo fosse iniciado e, agora, manobra para evitar a aprovação do impeachment.

A saída da violenta crise em que o Brasil e os brasileiros foram envolvidos não poderá se dar com a presidente Dilma à frente do governo. Por isso, urge o afastamento dela do cargo e sua substituição legal por quem de direito. Para isso, o fundamental é a mobilização dos mais amplos movimentos e redes sociais, conjuntamente com as forças suprapartidárias para a luta cidadã pelo impeachment, nas cidades do Brasil, os quais devem apoiar e dar sustentação a um novo governo, de união nacional, para estancar a crise, encaminhar as reformas e pôr o país no rumo do crescimento e da estabilidade.

Nesse sentido, convocamos a todos para, de forma corajosa e unitária, participarmos da manifestação do próximo domingo, dia 13 de dezembro, ocupando ruas, avenidas e praças, dando o passo inicial pró-impeachment.

Vamos em frente! A mudança começa com o impeachment!

Brasília, 05 de dezembro de 2015
Diretório Nacional do PPS