segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Brasil precisa se preparar para avanço da IA

O Globo

No país, 41% dos empregos estarão — para o bem ou para o mal — expostos à nova tecnologia, diz FMI

A preocupação com o avanço da inteligência artificial (IA) sobre o mercado de trabalho ganhou contornos mais precisos com um novo estudo sobre o tema publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). No mundo rico, diz o relatório, cerca de 60% dos empregos estarão expostos às novas tecnologias capazes de treinar máquinas para perceber, aprender e agir imitando habilidades cognitivas humanas. Nos mercados emergentes, serão 40%. Nos países de renda baixa, como a Índia, 26%. No Brasil, a parcela é estimada em 41%.

Vale lembrar que estar exposto nem sempre significa risco de perda ou extinção do trabalho. Pode ocorrer o contrário: a IA funcionar como trampolim salarial ao ampliar a produtividade nas atividades repetitivas. Não estar exposto, como acontece com os trabalhadores de baixa qualificação, é quase sempre mau negócio, por impedir os ganhos que a IA poderá proporcionar. A diferença da IA para outras ondas de automação do passado é que seus efeitos recairão principalmente sobre quem tem diploma universitário.

Fernando Gabeira - Força da grana move Brasília

O Globo

Os políticos brasileiros estão passando dos limites, uma forma de perder a sabedoria

No fim do século passado, um famoso artigo de Francis Fukuyama previu o fim da História. Errou o alvo, ainda bem, porque, sem as peripécias da História, nossa vida seria tomada pelo tédio e pela melancolia. Apesar disso, há momentos arrastados na História do Brasil, como essa briga do Congresso por verbas do Orçamento, algo tão chato como uma reunião de condomínio.

No entanto, se vencermos as barreiras do tédio, veremos que estamos diante de algo essencial para nossa vida cotidiana e mesmo para o futuro da democracia. Trava-se uma luta pela grana que todos pagam em impostos. Teoricamente, esse dinheiro deveria ser usado de uma forma racional para a prestação de todos os serviços que o Estado nos deve.

Isso é tão importante que, nas revoltas de 2013, segundo muitos observadores, houve protesto porque o Estado não devolvia em serviços eficazes o grande volume de impostos pagos a ele.

O avanço do Congresso sobre o dinheiro a ser gasto tem sido intenso nos últimos anos. Alguns ainda se lembram do orçamento secreto do período Bolsonaro. Era ilegal e acabou caindo por ordem do STF. Mas a força do Congresso é tão grande que ele continua impondo ao governo altos gastos em suas emendas parlamentares. Só no Orçamento deste ano, a coisa vai para mais de R$ 47 bilhões. Isso sem contar os quase R$ 5 bilhões que destinaram ao financiamento das eleições municipais.

Miguel de Almeida - Diretas Já, 40 anos depois

O Globo

Éramos jovens, ingênuos e sonhadores, acreditávamos na força do povo como instrumento de pressão

Passados 40 anos — no próximo 16 de abril —, o comício pelas Diretas Já, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, registra a maior frente ampla política ocorrida no Brasil. Para aquele milhão de brasileiros, ali reunidos, entre eles o Miguelzinho, uma nesga de esperança emanava dos discursos de diferentes personalidades, quase uma certeza para a minha geração: o país do futuro deixaria de ser uma promessa. Tínhamos apenas de derrubar a ditadura militar. Mas nos esquecemos de combinar com os russos.

Éramos jovens, ingênuos e sonhadores, acreditávamos na força do povo como instrumento de pressão e mudanças. Tá. A manifestação, antes e ainda hoje não superada em número e desejos, mirava a votação no Congresso da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceria as eleições diretas, portanto enviaria os militares de volta aos quartéis. As passeatas, depois o palanque, traziam um elenco de oposicionistas sinceros, de quintas-colunas mal disfarçados e de oportunistas de quatro costados. Os russos em nossas camas.

Bruno Carazza* - Distorções do fundão no mercado eleitoral

Valor Econômico

Concentração de recursos em poucos candidatos desequilibra a disputa

Num tempo em que a comunicação e a disseminação de informações eram precárias, acontecia de dois acadêmicos desenvolverem teorias semelhantes na mesma época, porém de forma totalmente independente.

O economista alemão Albert Hirschman havia passado um período na Universidade da Califórnia e em 1945 publicou num livro um cálculo medindo a competição nos setores de importação e exportação. De forma paralela, na Costa Leste, o doutorando Orris Herfindahl teve uma ideia semelhante para mensurar, em sua tese apresentada à Universidade de Columbia, o poder de mercado de siderúrgicas.

Apesar de pequenas diferenças nas suas formulações, os dois economistas tiveram seus nomes eternizados numa das mais ferramentas mais importantes para análise de concentração de mercados. O HHI (Hirschman-Herfindahl Index) é um parâmetro até hoje utilizado pelos órgãos antitruste na verificação do potencial de danos que uma operação de fusão ou aquisição pode causar.

Alex Ribeiro - A expansão do BNDES vai pressionar a taxa Selic?

Valor Econômico

Exercícios matemáticos e estatísticos do BC mostram que o crédito direcionado repercute bem menos as variações da Selic do que o crédito livre

Os analistas econômicos do mercado financeiro estão reavaliando os possíveis impactos do aumento do crédito direcionado nos juros básicos da economia, depois do anúncio oficial da nova política industrial pelo governo Lula.

O tema nunca saiu do radar do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que, nas atas das suas reuniões, repete que o aumento de crédito direcionado é um dos fatores que podem causar “impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação”.

Marcus André Melo* - Calcificação política

Folha de S. Paulo

A competitividade das eleições impede que perdedores revisem suas posições para ajustá-las às preferências do eleitorado

Em uma das mais influentes análises da eleição presidencial de 2020, Lynn Vavreck, Cris Tausanovitch e John Sides argumentam que o sistema político dos EUA está "calcificado", e não apenas polarizado. A calcificação alicerça-se em quatro pilares. O primeiro é que a distância ideológica entre democratas e republicanos se ampliou muito, aumentando para o leitor o custo de mudar o voto, como já discuti aqui na coluna.

O segundo é que internamente os partidos estão crescentemente mais homogêneos em termos demográficos (religião, idade, raça, rural x urbano, etc.) e programáticos. A partir dos anos 1970, por exemplo, a população branca dos estados sulistas, que era maciçamente democrata, migrou para o partido republicano, em uma sobreposição crescente de características sociais e partidarismo.

Deborah Bizarria* - As críticas à política industrial

Folha de S. Paulo

Não é de protecionismo estatal que a indústria precisa para ganhar produtividade

‘A discussão da política econômica do momento é a respeito do Nova Indústria Brasil, programa que destina R$ 300 bilhões para impulsionar a indústria a partir de linhas de crédito, subsídios e exigências de conteúdo local.

José Luís Gordon, diretor do BNDES, rebateu as primeiras críticas dizendo que as entidades dos setores beneficiados aprovaram a nova política (jura?) e que quem criticou se valia da "velha retórica dos economistas neoliberais anacrônicos". Ao mesmo tempo, não contrapõe os argumentos colocados por diversos economistas.

O economista Bernardo Guimarães escreveu uma coluna explicando alguns pontos sobre a proposta. O primeiro deles é que simplesmente colocar mais recursos em um setor econômico não necessariamente vai gerar maior produtividade e crescimento.

Por isso, ter critérios claros para a escolha dos beneficiários, metas e avaliação constante seria fundamental. Assim, poderíamos evitar o contínuo desperdício de bilhões de reais em políticas que não fortalecem a indústria nem geram crescimento para o resto da economia.

Ana Cristina Rosa - Um passo à frente, dois atrás

Folha de S. Paulo

Ter um negro à frente da pasta da igualdade racial faz diferença 'para abordar as representatividades históricas'

Será que alguém que não sabe o que é ser preterido pela aparência, que jamais perdeu uma oportunidade de trabalho em razão da cor da pele, que nunca foi olhado ou tratado com suspeição pela ascendência étnica é a pessoa mais indicada para comandar uma secretaria criada para promover a igualdade racial?

Esse é o tipo de dúvida que deveria passar pela cabeça de quem se preocupa em enfrentar o racismo no país. Mas não é bem assim. E a Prefeitura de Palmas (TO) deu um excelente exemplo disso com a criação da Secretaria Municipal de Políticas Sociais e Igualdade Racial. O que poderia ser motivo de aplausos, virou alvo de críticas fundamentadas quando a prefeita, uma mulher branca, nomeou outra mulher branca para o comando da pasta.

Lygia Maria - A raposa no galinheiro

Folha de S. Paulo

Irã na presidência de grupos sobre direitos humanos e armas da ONU parece piada, mas as vítimas da teocracia não estão rindo

Sabe-se que o poder de alcance da Organização das Nações Unidas é limitado, vide a invasão do Iraque pelos EUA sem a aprovação do Conselho de Segurança. Assim como a política doméstica, a geopolítica envolve acordos e concessões que parecem contraditórios e frustrantes.

De todo modo, trata-se da entidade cuja missão é garantir a segurança global e promover os direitos humanos. Nesse sentido, a relação da ONU com o Irã causa no mínimo espanto e, no limite, indignação por aqueles que foram alvo das atrocidades cometidas pelo regime teocrático e por quem luta contra ele.

Denis Lerrer Rosenfield* - O antissemita

O Estado de S. Paulo

Deveria causar repulsa a retomada do antissemitismo pelo PT, seja de uma forma escancarada, como a de Genoino, seja a disfarçada, de Lula

Ser antissemita tornou-se fashion no campo da esquerda. Os grupos identitários esmeram-se em um racismo invertido, denominado de racialismo, vindo a identificar os judeus ao branco opressor. Como em todo campo de pobreza intelectual, os opositores dos judeus, no caso, os palestinos, seriam então os oprimidos. O Hamas, nessa simples polarização, seria então nada mais do que o representante dos oprimidos, quando, na verdade, é o seu próprio senhor. Não há pior inimigo dos palestinos do que esses terroristas.

São, na verdade, genocidas, voltados para a extinção do Estado de Israel, em sua própria carta de fundação apregoando o antissemitismo mais explícito, utilizando-se de um panfleto antissemita, produzido pela polícia tzarista, para produzir mais essa aberração intelectual. É um longo caminho do universalismo de Marx, Lenin e Trotsky aos preconceitos dos antissemitas e aos legitimadores do terrorismo islâmico.

Poesia | Amar, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Zeca Pagodinho, Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Vida da minha vida

 

domingo, 28 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Setor privado desmente arautos do intervencionismo

O Globo

Com investimentos estimados em R$ 170 bilhões, empresas privadas se tornam solução para infraestrutura

Os investimentos estimados para este ano e os próximos em infraestrutura deverão somar pelo menos R$ 170 bilhões. O destaque, ao contrário do que imaginam os arautos do novo intervencionismo estatal, é a iniciativa privada. Sem ela, estradas continuariam em decrepitude, linhas de transmissão de energia não existiriam, portos deixariam de ser ampliados, e o saneamento básico se manteria no estado de indigência em que esteve nas últimas décadas.

Ao mesmo tempo que anunciou investimentos de R$ 300 bilhões numa nova versão de política industrial — cujos detalhes têm despertado inquietação —, o BNDES elabora no momento a modelagem de 138 concessões e projetos de Parceria Público-Privada (PPP), segundo levantamento do GLOBO. Ao todo, eles podem significar obras no valor de R$ 268 bilhões.

Luiz Sérgio Henriques* - O pessimismo da razão

O Estado de S. Paulo

Há, pois, uma aparência de retomada dos anos 1930, mas também dos que se seguiram a 1945

Acostumamo-nos, não de todo arbitrariamente, a olhar para personagens, fatos e processos de um século atrás em busca de alguma luz que nos guie em meio à enorme obscuridade ao redor. Discutimos se o fascismo pode voltar, ainda que com roupagem nova, ou se a República Popular da China reatualiza o velho comunismo, agora singularmente dotado de dinamismo econômico e capaz de magnetizar, por causa da mobilidade social exitosa, o que antes se considerava o “Terceiro Mundo”. E as sociedades que, cada qual a seu modo, experimentaram a difícil combinação de capitalismo e democracia política voltam a caminhar na corda bamba, ameaçadas pelos seus próprios demagogos e o séquito de massas que arrastam em rodadas eleitorais sucessivas.

Há, pois, uma aparência de retomada dos anos 1930, mas também dos que se seguiram a 1945. Um observador marxista daquela década, pouco propenso ao sono dogmático, viu no surgimento e na imposição do americanismo e do fordismo não uma ardilosa maquinação imperialista, mas sim uma inédita tentativa de racionalização progressista da economia e da sociedade. Não é certo – referimo-nos a Antonio Gramsci – que deixasse de apostar inteiramente no socialismo soviético, mas é fato que admirava na civilização americana, em contraste com a europeia, uma capacidade hegemônica que “nascia diretamente da fábrica”. Por isso, ela dispensava mediações ideológicas excessivas bem como limitava vigorosamente setores parasitários, rentistas e outros dissipadores da riqueza socialmente produzida.

Entrevista | Yascha Mounk: Bolsonaro mostra para onde estão indo os populistas

Yascha Mounk, que lança novo livro, minimiza desinformação nas redes sociais, aponta risco da ascensão de herdeiros da extrema-direita e compara ex-presidente, inelegível, a Trump, candidato: ‘Escolha dos brasileiros não estava disponível a americanos’

 Paulo Celso Pereira / O Globo

Autor de ‘O povo contra a democracia’, o cientista político Yascha Mounk, professor da Universidade Johns Hopkins, lança no Brasil em fevereiro ‘O grande experimento’ (Companhia das Letras), no qual discute como as democracias com ampla diversidade étnica podem triunfar. Nascido na Alemanha e naturalizado americano, Mounk tem uma visão mais otimista que muitos autores contemporâneos e aponta progressos significativos nos direitos de grupos menos favorecidos: “Precisamos analisar a situação de maneira equilibrada”, alerta.

O senhor afirma no livro que há, tanto na direita quanto na esquerda, um “pessimismo que distorce a realidade” sobre a democracia. A situação é melhor do que os dois lados sugerem?

Sim. Nos Estados Unidos, democratas e republicanos não conseguem concordar em quase nada. Mas uma coisa com a qual concordam é que há uma séria ameaça às instituições democráticas. Há uma crise política em muitos países decorrente da ascensão de populistas. Mas a tendência nas últimas décadas é positiva. Tivemos uma grande ascensão das mulheres, expansão da tolerância para gays e lésbicas, e há muito mais representação de minorias étnicas nos níveis mais altos da sociedade, dos negócios e da política.

Eliane Cantanhêde - O ‘SNI particular’ de Jair

O Estado de S. Paulo

Ramagem não agira por conta própria, mas dentro da engrenagem do golpe e a mando de Bolsonaro

Ao anunciar que tinha um “sistema particular de inteligência”, na reunião ministerial tenebrosa de maio de 2020, o então presidente Jair Bolsonaro confessou um crime, a manipulação das instituições e uma velha prática: a confusão entre o público e o privado. O sistema de inteligência do Estado não é propriedade de presidentes e nunca poderia ser considerado “particular”, assim como Exército Brasileiro nunca deveria ser chamado de “meu Exército”.

Os sistemas que Bolsonaro tentou transformar em “particulares” foram os de inteligência, como Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin); os armados, Exército, Marinha e Aeronáutica, além de PRF e até polícias estaduais; e os de investigação e controle, como Receita Federal (impostos) e Coaf (operações financeiras “atípicas”).

Rolf Kuntz - Promessas e perigos do plano industrial

O Estado de S. Paulo

Não basta fazer da indústria, novamente, um dos focos da política de crescimento. É essencial evitar a repetição de erros

O Brasil pode voltar a crescer como potência industrial, se nenhuma grande bobagem for cometida em Brasília. Emperrada e abandonada pelo governo por mais de dez anos, a indústria é reabilitada, agora, como um dos focos da política econômica. Com financiamento previsto de R$ 300 bilhões até 2026, o programa foi recebido com ceticismo e críticas por analistas do mercado. Se o dinheiro aparecer e as mudanças começarem, ainda será necessário um enorme esforço de recuperação. O setor produziu em novembro 17,6% menos que em seu pico histórico, atingido em maio de 2011. Mesmo com alguma retomada na fase pós-pandemia, a produção da indústria foi 0,9% menor que em fevereiro de 2020, quando ainda eram poucos, no País, os casos conhecidos de covid-19.

Merval Pereira - A pressão contínua

O Globo

Usar o poder estatal para pressionar uma empresa privada, é a aplicação de um capitalismo de Estado de baixa qualidade que certamente abalará a imagem do país no exterior.

Continua nos bastidores a pressão do governo sobre o Conselho da Vale, embora extraoficialmente se saiba que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega desistiu da indicação para a presidência da companhia, caso raro de alguém que desiste de um cargo para o qual não foi convidado. Seria um prêmio de consolação do presidente Lula para Mantega, que considera seu amigo um injustiçado.

A questão não é se Mantega tem ou não condições para presidir uma empresa do porte da Vale, mas lembrar que a mineradora é uma empresa privada, tem critérios próprios para a escolha de seus dirigentes, pelos quais o indicado pelo governo não passaria. A começar pelo fato de que, segundo essas regras, há um comitê de nomeação que recomenda ao Conselho os nomes dos candidatos, escolhidos por uma empresa de “head hunter” de nível internacional reconhecido.

Dorrit Harazim - Barbárie

O Globo

Pena de morte é incompatível com qualquer sociedade evoluída. Simples assim, apesar de toda a complexidade

É tudo muito louco. Em novembro de 2022, no dia marcado para ser executado por injeção letal, o condenado à morte Kenneth E. Smith, do Alabama, ficara amarrado à maca por quatro horas, enquanto agentes lhe perfuravam braços e pernas à procura de um acesso intravenoso para aplicar o coquetel de fármacos. Demoraram tanto que o prazo para a execução expirou, e Smith foi devolvido ao corredor da morte. Estava traumatizado. Já havia recebido as últimas orações, degustara uma refeição de sua escolha como parte do ritual, se despedira de lembranças. Em resumo, estava despreparado para voltar a ser vivente encarcerado há 34 anos.

Bernardo Mello Franco - O resgate de um diário: Mércia Albuquerque e a resistência à ditadura

O Globo

Nos 60 anos do golpe militar, anotações de advogada viram livro e inspiram monólogo de Andrea Beltrão

Em 2 de abril de 1964, militares amarraram Gregório Bezerra à traseira de um jipe e o arrastaram seminu pelas ruas do Recife. Preso nas primeiras horas do golpe, o ex-deputado foi espancado e exibido como um troféu do novo regime. A brutalidade chocou a jovem advogada Mércia Albuquerque, que presenciou a covardia contra o velho comunista.

“Gregório, apenas com um calção preto e uma corda de três pontas amarrada no pescoço, era arrastado por soldados, seguidos de perto por um carro de combate, com pés que haviam sido banhados em soda cáustica, sangrando”, registrou Mércia. Naquele dia, ela tomou uma decisão: abandonaria o emprego para defender presos políticos.

A advogada virou referência para vítimas do arbítrio em todo o Nordeste. Denunciou torturas, peitou coronéis, ajudou a localizar desaparecidos vivos e mortos. Para aguentar o tranco, despejou suas angústias e num diário secreto, recém-publicado pela Editora Potiguariana. O livro inspira “Lady Tempestade”, monólogo de Andrea Beltrão que tem lotado todas as sessões no Teatro Poeira.

Elio Gaspari - Mercadante quer o quarto polo naval

O Globo

Não deu outra, 24 horas depois do anúncio do programa Nova Indústria, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou que a Viúva poderá botar pelo menos R$ 2 bilhões num projeto de recriação da indústria naval. Assim, a geração de Lula será a única que financiou quatro polos navais. Os três anteriores foram a pique.

Mercadante diz que “nós precisamos fazer navios, já fizemos.” Tem toda razão. No século XVII, na Ilha do Governador, construiu-se o galeão Padre Eterno, que pode ter sido o maior barco do mundo. Na mesma fala o doutor informou: “Tivemos uma indústria pujante de construção naval nos anos 70.” Pujante ela era, mas quebrou. Os polos navais quebram porque quando se lança um novo programa não se revisita a causa da ruína dos anteriores.

Luiz Carlos Azedo - Vale reabre debate sobre privatizações

Correio Braziliense

"O mandato de Eduardo Bartolomeu, atual CEO da empresa, termina em maio e o conselho de administração precisa decidir até quarta-feira se o mantém ou não"

Durante a última semana o nome do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega voltou à ribalta, como suposto indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para presidir a Vale, a grande empresa brasileira que atua nos setores de mineração, logística, energia e siderurgia. Foi criada como estatal em 1942, por Getúlio Vargas, para exploração de ferro em Itabira (MG), com o nome de Companhia Vale do Rio Doce, um alicerce da industrialização pesada no Brasil, principalmente da siderurgia. O caso reabre o debate sobre as privatizações. Hoje, a Vale S.A. é a 31ª maior companhia do mundo.

Celso Rocha de Barros - Jair criou um SNI clandestino contra Lira e ministros do STF

Folha de S. Paulo

Faz sentido Congresso continuar tratando bolsonaristas como participantes legítimos do jogo político?

Sempre que você ouvir de um bolsonarista que Alexandre de Moraes ameaça o equilíbrio entre os três Poderes, lembre-se disso: enquanto presidente, Jair Bolsonaro mantinha um esquema clandestino de espionagem contra o presidente da Câmara dos Deputados e os ministros do Supremo Tribunal Federal.

Em país sério, isso dá uma cana tão longa que no final da pena o elemento ganha o terreno do presídio por usucapião.

As revelações são da Polícia Federal. Segundo a PF, o esquema era comandado por Alexandre Ramagem, chefe da Abin durante o governo Bolsonaro.

Além de espionar o chefe dos outros Poderes, o esquema clandestino monitorava jornalistas e adversários políticos de Jair, promovia fake news e buscava informações que ajudassem os filhos de Bolsonaro a escapar da cadeia por escândalos de corrupção variados.

Bruno Boghossian - Talvez Lula precise dar mais broncas em seus ministros

Folha de S. Paulo

Presidente começou o ano com três reprimendas após falhas coletivas do primeiro escalão

Lula começou o ano ao ritmo de uma grande bronca por semana em sua equipe. Em reuniões recentes, ele reclamou da demora na retirada de garimpeiros do território yanomami, passou um sabão em ministros por erros nas negociações da energia de Itaipu e repreendeu auxiliares que prepararam o novo plano do governo para a indústria.

O petista já admitiu que é um presidente mais ansioso neste mandato. Passou 2023 dizendo que tinha pressa para entregar resultados e que o tempo de governo era curto. Mas as reprimendas de Lula têm menos a ver com seus humores e mais com falhas coletivas do primeiro escalão.

Muniz Sodré* - A polarização política e a polarização social

Folha de S. Paulo

Episódios de vida são mais reveladores do que conceitos geopolíticos

A polarização política que inquieta especialistas por sua persistência não é o mesmo fenômeno da polarização social. Faz diferença a dimensão afetiva, em que episódios de vida são mais reveladores do que conceitos. Assim, um indivíduo convicto do momento de "pacificação" decide aproximar-se do vizinho percebido como pacato, respeitoso, mas de quem se diz votar no lado violento. Na afabilidade da piscina condominial, aborda-o com tato, a resposta é tranquila: "Sim, sou bolsonarista, mas do bem". Acrescenta: "Isso existe".

Hélio Schwartsman - Gerindo a incerteza

Folha de S. Paulo

Livro mostra como Big Techs se apropriam de informação para assegurar monopólio e lucrar

"Incerteza, um Ensaio", de Eugênio Bucci, é um livro ao mesmo tempo despretensioso e profundo. O autor começa recapitulando ideias da física sobre incerteza e entropia, passa pela teoria da informação de Claude Shannon, e mostra como o mundo moderno, em especial a esfera digital, se tornou um campo de batalha pelo controle da incerteza. As big techs se garantem como monopólios porque são capazes de se apropriar da incerteza e geri-la.

Antes de seguir, devo assinalar que Bucci é meu amigo, o que me torna automaticamente meio suspeito para comentar seu livro. O leitor que aplique os descontos que julgar necessários.

Poesia | Um homem e o seu carnaval, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Alceu Valença - Luar de Prata

 

sábado, 27 de janeiro de 2024

O que a mídia pensa: Editorias / Opiniões

Regra do mínimo corrói reforma da Previdência

O Globo

Como apontou colunista do GLOBO, impacto das economias previstas para dez anos cairá pela metade

Pela nova regra proposta pelo governo e aprovada pelo Congresso no ano passado, o salário mínimo passou a ser corrigido pela inflação do ano anterior somada ao crescimento do PIB de dois anos antes. Em palanques ou no púlpito do Parlamento, defensores da nova lei exaltaram a necessidade de resgatar a dívida social histórica do Brasil. Um olhar mais atento, porém, faz lembrar a máxima atribuída ao Conselheiro Acácio: o problema das consequências é que elas vêm depois. O governo decidiu dar com uma mão, mas acabará tirando com a outra.

Como aposentadorias e benefícios sociais estão atrelados ao salário mínimo, todo aumento repercutirá nas contas do governo. As despesas com o INSS saíram de 2,5% do PIB em 1988 para 8% hoje. Com a nova lei e o envelhecimento da população, não pararão de aumentar. Quanto mais dinheiro for destinado à Previdência e à Assistência Social, menos sobrará para saúde, educação, segurança pública, infraestrutura ou ciência e tecnologia — investimentos capazes de alavancar a economia e beneficiar a renda e o bem-estar dos brasileiros.

Marco Aurélio Nogueira* - Os demônios dos democratas brasileiros

O Estado de S. Paulo

Não há, no Brasil atual, um desaguadouro da movimentação social, que fica assim com baixa potência e pouca incidência reformadora

Agora que o ano político começou, com direito a campanhas eleitorais em gestação e eleições em outubro, é importante pensar nas questões que atormentam o movimento democrático brasileiro desde ao menos 2013, data em que as ruas falaram alto, embaladas pelas redes sociais, que então se disseminavam.

Tal reflexão é, na verdade, uma exigência. Antes de tudo porque o sistema democrático existente realmente funciona voltado para dentro de si mesmo. Privilegia as negociações entre o governo e os demais Poderes de Estado, que estão manchadas pela desconfiança recíproca, pela reduzida transparência e pelo desinteresse em produzir uma ideia de sociedade, políticas claras e eficientes, uma comunicação inteligente com os cidadãos. Isso tem significado que a distância entre governantes e governados permanece grande demais, impossibilitando a formação de um “bloco histórico” de forças que reformem e direcionem o País. Prolonga-se, assim, uma situação de paralisia relativa, diante da qual as atuais ideias de “frente” são meras ilusões ou manobras retóricas.

Bolívar Lamounier* - Perdemos nosso bode expiatório

O Estado de S. Paulo

Em 1936, Sérgio Buarque de Holanda percebeu que algo havia de errado em nossa mania de usar Portugal como uma Geni

Até poucas décadas atrás, nossa pobreza era mais ou menos igual à de hoje, mas vivíamos bem, tínhamos até certo senso de humor, porque tínhamos um excelente bode expiatório: Portugal.

Toda vez que um indivíduo mencionava uma mazela, outro replicava: culpa de Portugal. Culpa da colonização. Azar nosso termos sido descoberto por um país pequeno, pobre e atrasado. Com seu inexcedível brilho, o compositor Chico Buarque ressaltou que xingar o Brasil era pouco, era preciso injuriá-lo, e tascou: um dia vamos nos tornar um grande Portugal. Pois é, ilustre poeta, que pena você ter errado por uma margem tão larga. Quem nos dera se tivéssemos realizado o sonho de nos tornarmos um grande Portugal. Hoje, somos um país estagnado, incapaz de retomar o crescimento econômico, vendo a criminalidade subir à estratosfera e moradores de rua se apinhando até nos melhores bairros das melhores cidades.

Luiz Gonzaga Belluzzo - Necessidades e interesses

Os líderes do pós-Guerra negaram-se a entregar o destino das massas ao liberalismo econômico dos anos 20, embrião do nazifascismo

Vou perturbar os leitores de CartaCapital com considerações a respeito das duas dimensões que convivem nas sociedades capitalistas: as necessidades e aspirações coletivas de boa vida dos cidadãos e os interesses particularistas que se realizam através do mercado. Nesse jogo, crucial para a vida moderna e civilizada, deve-se reconhecer que a convivência entre os interesses contrapostos exige um exercício permanente das políticas comprometidas com a soberania popular e com o bem-estar dos cidadãos.

O debate contemporâneo está contaminado por indagações binárias do tipo “é isto ou aquilo”. Estado ou Mercado?

É ousadia deselegante um modesto economista invocar um filósofo da estatura de Hegel para arrostar essa banalidade. Mas vou cometer tal impropriedade. Na Introdução à Ciência da Lógica o mestre de Iena asseverou:

“Quando as formas são tomadas como determinações fixas e consequentemente em sua separação uma da outra, e não como uma unidade orgânica, elas são formas mortas e o espírito que anima sua vida, a unidade concreta não reside nelas. …O conteúdo das formas lógicas nada mais é senão o fundamento sólido e concreto dessas determinações abstratas”.

As lideranças democráticas subiram os impostos sobre os ricos e, assim, ensejaram a prosperidade

A unidade orgânica entre as dimensões do capitalismo foi reconhecida no acolhimento dos direitos sociais e econômicos, na posteridade da Segunda ­Guerra Mundial por europeus e americanos. ­Roosevelt, Atlee, De Gaulle, De ­Gasperi e Adenauer sabiam que não era possível entregar o desamparo das massas aos desvarios do liberalismo econômico dos anos 20, matriz das soluções nazifascistas que demoliram as liberdades. Por isso, sacralizaram os princípios do liberalismo político para expurgar da vida social o arranjo econômico liberal dos anos 20, origem dos totalitarismos.

Pablo Ortellado - Conservadorismo entre homens jovens

O Globo

A explicação mais simples é a reação ao movimento feminista

Na edição de ontem do jornal Financial Times, o repórter-chefe de dados, John Burn-Murdoch, compilou estatísticas interessantes mostrando a crescente divergência ideológica entre homens e mulheres jovens em diferentes países. Enquanto elas têm se tornado mais progressistas, eles se tornaram mais conservadores. A constatação merece reflexão.

Desde que a polarização política se tornou global, diversos pesquisadores perceberam um padrão demográfico. Enquanto os mais jovens aderem ao progressismo, os mais velhos se agarram ao conservadorismo. O principal estudo apresentando essa tese, a partir de dados dos Estados Unidos e Europa, é dos cientistas políticos Pippa Norris e Ronald Inglehart no já clássico livro “Cultural backlash” (Cambridge, 2019).

Eduardo Affonso – 200

O Globo

Vão acabar com a Feira de Acari, talvez com a mesma logística usada para dar fim às cracolândias: mudando seu endereço

Hoje vou me permitir uma heresia: um texto em primeira pessoa. Eu, que fujo dela como um pobre-diabo, se pudesse, fugiria do SUS. Porque é desnecessária: numa coluna de opinião, em cada frase há um “eu” implícito. O Houaiss endossa: opinião é o “julgamento pessoal (justo ou injusto, verdadeiro ou falso) que se tem sobre determinada questão”.

Quando o colunista diz “é”, não quer dizer que seja, mas que ele vê dessa forma. Tomar partido — pecado no jornalismo — no artigo de opinião é virtude. Mais: é sua razão de ser.

Anúncio classificado tem viés (“Magnífico 2 quartos, claro, arejado”). Previsão do tempo tem subjetividade (“Chance de alguns raios e ventos moderados. Demais regiões com pouca chuva”). Por que uma coluna de opinião deveria ser “neutra”? Como haveria de ser “objetiva”?

Carlos Alberto Sardenberg - Para os amigos, tudo

O Globo

Culpados, com sentenças em todas as instâncias, não são declarados inocentes. Apenas se arranja uma formalidade, e todo mundo livre

Quando a descoberta dos casos de corrupção estava no auge, derrubando políticos e empresários, tive uma boa conversa com Fernando Henrique Cardoso, já ex-presidente, sobre as relações perversas entre os interesses públicos e privados no Brasil. Um grande empresário, que começava a ser apanhado, havia dito a interlocutores que estava em curso a formação de ampla aliança para acabar com aquela sangria. FH estaria nesse movimento.

De jeito nenhum, disse o ex-presidente quando o procurei para checar a história. Lembro que ficou bem incomodado. Falou com várias pessoas para entender e desmentir a versão do empresário — que, aliás, acabou preso e fez delação.

Para além dos fatos, a questão que colocava para o político e sociólogo FH era a seguinte: como o país havia sido tão tolerante com a corrupção? Pensando bem, o que mais chamava a atenção na Lava-Jato e noutras operações não era propriamente a roubalheira revelada, mas o fato de, finalmente, apanharem os corruptos.

Carlos Góes - O que a economia diz sobre a nova política industrial do governo

O Globo

Esperemos que guardem alguns milhares para avaliar os bilhões em subsídios. Aí no futuro poderemos aprender com nossa realidade

Esta semana, o governo federal lançou um grande pacote de política industrial, com vistas ao que ele mesmo denominou de “neoindustrialização”. Por meio do BNDES, o governo vai oferecer crédito (subsidiado) de até R$ 300 bilhões para a indústria nos próximos dois anos. O lobby da grande indústria, como a CNI e a Fiesp, como esperado, celebrou.

Por um lado, a medida evoca uma série de políticas de sucesso duvidoso da era da escolha de campeões nacionais, na década passada. Por outro, ela também vem na esteira de novas evidências científicas sobre políticas industriais, que mudaram o consenso negativo de outrora em relação a essas políticas.

E quais são essas novas evidências?

Hélio Schwartsman - Democracia amputada

Folha de S. Paulo

Sub-representação de paulistas na Câmara dos Deputados é falha institucional grave que cobra reparo

Se a escola pública fosse um pouco melhor e ensinasse direito os rudimentos da matemática, paulistas já teriam pegado em armas para pôr um fim à escandalosa sub-representação política a que estão submetidos. Se temos interesse em manter a democracia, como acho que temos, é importante apontar os garrotes que a apertam, de modo que possamos aprimorá-la.

Um desses gargalos é o teto constitucional de 70 deputados federais por estado. Apenas São Paulo é atingido por tal mecanismo, que representa uma violação ao mais elementar dos princípios democráticos, que é o de que o voto de todos os cidadãos deve idealmente ter o mesmo peso. Mas na Câmara dos Deputados, onde a lógica do "um homem, um voto" deveria prevalecer, isso não ocorre. A Casa abriga 513 parlamentares. Numa conta de guardanapo, SP, com 22,2% da população do país, faria jus a uma bancada de 114, mas, por causa do teto, tem sua representação tolhida em 44 assentos, o que equivale mais ou menos a um RJ.

Dora Kramer - Fuga dos extremos

Folha de S. Paulo

Nunes vai isolar extremistas para fugir do embate entre Lula e Bolsonaro na campanha

A disposição do presidente Luiz Inácio da Silva (PT) de fazer da eleição de 2024 um ensaio para 2026 e, notadamente em São Paulo reeditar o embate de 2022 entre ele e Jair Bolsonaro (PL), impõe um desafio ao prefeito Ricardo Nunes (MDB): manter o foco nos problemas da cidade em sua campanha pela reeleição.

Nunes está convicto de que, se dançar conforme a música de Lula, corre o risco de cair numa armadilha. Por isso, seu tom será outro. "Vou sair da discussão de terceiro turno da eleição presidencial" avisa, concentrado que estará em estabelecer as diferenças entre Guilherme Boulos, candidato do PSOL, e ele na capacidade de administrar a maior cidade do país.

Adriana Fernandes - STF, Haddad e taxação de importados

Folha de S. Paulo

Supremo pode tirar bomba da taxação de importados do colo de Haddad

A taxação das compras internacionais até US$ 50 colocou o STF (Supremo Tribunal Federal) mais uma vez como ator central na decisão de um tema sensível para a política econômica do governo Lula 3.

Com o movimento das duas maiores confederações empresariais CNI (indústria) e CNC (comércio) de entrar com uma ação no STF para acabar com a política de tarifa zero do Imposto de Importação de bens de pequeno valor que são enviados a pessoas físicas no Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu do foco de pressão do Planalto, contrário a qualquer tipo de taxação.

Bom para Haddad, que tira essa bomba de impopularidade do seu colo. Ruim para muitas lideranças do Congresso que seguem incomodadas e críticas à pauta econômica tomando o caminho na direção do prédio ao lado da praça dos Três Poderes, o do Supremo.