sábado, 19 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Nova condenação do Google reúne apoio bipartidário

O Globo

Plataformas digitais bajularam Trump acreditando em reviravolta na Justiça. Por ora, estratégia deu errado

Pela segunda vez em menos de um ano, o Google foi julgado culpado de abuso de monopólio nos Estados Unidos. A primeira sentença dizia respeito ao mercado de buscas na internet. Nesta semana, a juíza Leonie Brinkema, da Virgínia, considerou que a empresa também agiu ilegalmente no mercado de anúncios digitais. Ainda cabem recursos nos processos, que provavelmente chegarão à Suprema Corte. De todo modo, tem sido notável o avanço da Justiça sobre as plataformas digitais, com apoio tanto de democratas quanto de republicanos.

Na mesma semana, a Meta — dona de Facebook, Instagram e WhatsApp — começou a se defender num processo diante da Comissão Federal de Comércio (FTC), autoridade reguladora da concorrência nos Estados Unidos. A mesma FTC processou a Amazon, sob a acusação de sufocar pequenos negócios. E o Departamento de Justiça — autor das ações contra o Google ao lado de estados governados por ambos os partidos — também entrou com ação contra a Apple, argumentando que ela dificulta o acesso de consumidores a produtos e serviços de concorrentes.

Urgência para o PL da anistia causa divergência no PSDB e Cidadania

O Globo

Líder tucano lembra luta histórica contra ditadura; Comte avalia expulsão

Lideranças do PSDB e do Cidadania, partidos que formam uma federação marcada por desavenças, se uniram no discurso de repúdio a deputados das respectivas siglas que apoiaram pedido de urgência para a votação do projeto de lei que busca anistiar os envolvidos em atos golpistas. O ex-senador José Aníbal, dirigente tucano em São Paulo, pressionou cinco deputados do PSDB a retirarem suas assinaturas do requerimento de urgência. Já o presidente do Cidadania, Comte Bittencourt, disse que o apoio à Anistia pode acarretar em punições, “inclusive a expulsão do partido”.

Mauro Vieira diz que asilo diplomático a ex-primeira-dama do Peru foi concedido por questões humanitárias

Ivan Martínez-Vargas / O Globo

Nadine Heredia, condenada a 15 anos de prisão no Peru, foi recentemente operada e está em recuperação

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta sexta-feira que o governo Lula decidiu conceder o asilo humanitário à ex-primeira-dama peruana Nadine Heredia por razões humanitárias, e explicou que ela foi recentemente operada e está em recuperação. Vieira também disse que a decisão foi tomada e só depois informada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nadine e o marido, o ex-presidente peruano Ollanta Humala foram condenados a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro nesta semana em um caso relacionado ao recebimento de caixa 2 do regime venezuelano e da empreiteira Odebrecht (hoje Novonor) nas eleições presidenciais do país vizinho de 2006 e 2011.

Vieira ressaltou que tratou do pedido de asilo de Nadine "de acordo com o que estabelece a Convenção de Caracas, de 1954", que dita normas para a concessão de asilo diplomático.

Corrupção vai, impunidade vem – Pablo Ortellado

O Globo

Muitas vozes reagiram indignadas quando Donald Trump concedeu perdão aos vândalos e golpistas que invadiram o Capitólio, nos Estados Unidos. Outras vozes se escandalizaram quando o ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu indulto ao ex-deputado Daniel Silveira, acusado, entre outras coisas, de incentivar a agressão a ministros do STF. A maioria dessas vozes, porém, se calou quando o presidente Lula concedeu asilo, intercedeu por um salvo-conduto e enviou um avião da FAB para resgatar Nadine Heredia no Peru.

Nadine foi condenada pela Justiça peruana por gerir o caixa dois da campanha do marido, o ex-presidente Ollanta Humala, e por ter recebido pelo menos US$ 3 milhões de doação ilegal da empreiteira brasileira Odebrecht. Segundo delações premiadas dos executivos da Odebrecht no Brasil, o pedido para a doação ilegal veio do PT. De acordo com a delação do ex-ministro Antonio Palocci, diretamente do então presidente Lula.

Apertem os cintos: o humor sumiu - Eduardo Affonso

O Globo

O humorista é o bobo da corte, aquele a quem cabe enunciar o que não queremos ouvir

Procure um bom programa humorístico na TV aberta. Encontrou? Pois é, pode dar descanso ao controle remoto: o humor sumiu. Imbuídos das melhores intenções do politicamente correto, ao jogarem fora a água do banho (o racismo recreativo, a ridicularização de minorias sexuais, a desumanização de pessoas com deficiência, a objetificação da mulher etc.), descartaram também a bacia, o bebê, o berço e a babá.

O humor — como a Vila de Noel e a crase — não foi feito para humilhar ninguém. É só uma quebra de expectativa, uma subversão da lógica, um olhar para o absurdo. Mas requer — de quem faz e de quem consome — inteligência e coragem, insumos escassos no mercado.

Três problemas em busca de soluções - Bolívar Lamounier

O Estado de S. Paulo

Mais grave, no entanto, é que sequer compreendemos as raízes de nossa ingovernabilidade, ou seja, essa difusa maçaroca que mal conseguimos identificar

Francamente, nunca me ocorrera que cedo ou tarde iria s i mpatizar com um país governado de forma totalitária – a China –, e me posicionar contra outro que sempre vira como uma “democracia exemplar”, os Estados Unidos.

Três fatores contribuíram para alterar minha perspectiva. Primeiro, eu me haver convencido de que o atual governo dos Estados Unidos representa um risco muito maior para o mundo do que o destrambelhado sr. Donald Trump. Custa-me acreditar que a maioria dos cidadãos americanos tenha prostituído suas instituições a ponto de eleger e empossar na Presidência um indivíduo duas vezes condenado por tentativa de golpe de Estado e se abalançado a praticar políticas comerciais capazes de desmantelar toda a ordem mundial edificada desde a Segunda Guerra Mundial. Isso sem contar as incontáveis ameaças e violências contra indivíduos, instituições culturais e de governo em seu próprio país. A esperança de superar esse estado de coisas, se houver, será o Congresso americano acionar contra ele, o quanto antes, o instituto constitucional do impeachment.

Ouro, prata e pânico: a era Trump - Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

O tarifaço foi um catalisador para uma corrida no mundo por ‘ativos de refúgio’

Na era Trump, o mundo financeiro está vivendo um fenômeno que já não se via com tanta intensidade desde 2008: a busca frenética por proteção. Com a escalada do tarifaço, os investidores têm abandonado o mercado de capitais dos EUA e migrado para o que o mercado chama de “ativos de refúgio”.

Investidores institucionais e bancos centrais estão abandonando títulos dos EUA e migrando para metais preciosos e dívidas soberanas de países mais estáveis. A demanda por ouro disparou e, em abril, o metal atingiu a máxima histórica de US$ 3.290 por onça. A prata seguiu o mesmo caminho. Enquanto isso, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subiram para mais de 4,5%. Em paralelo, os títulos da Alemanha e do Japão foram os mais procurados, com seus rendimentos caindo – um clássico sinal de busca por segurança.

Trump repete erro da década de 1930 - Fareed Zakaria

O Estado de S. Paulo

EUA vivem nostalgia, que olha com receio para o passado, em vez de mirar o futuro com confiança

Estamos tributando todo o país para subsidiar os 8% que trabalham com manufatura

Quando Donald Trump tomou posse, pela maioria dos indicadores, os EUA eram a economia mais forte do mundo. O crescimento era robusto, o desemprego estava um pouco acima do mínimo histórico, a inflação havia caído para um nível controlável e a produtividade – elixir da economia – havia aumentado. Trump pegou a economia em expansão e a derrubou com aumentos de tarifas. Já houve algo parecido antes?

Bem, nada tão autodestrutivo, mas as tarifas Smoot-Hawley também foram impostas depois de uma década de crescimento inebriante. Vale a pena relembrar essa história, porque há paralelos surpreendentes com a situação atual.

Lembramos a década de 1920 como os “loucos anos 20”. Em termos econômicos, isso é apropriado. A taxa de crescimento anual foi superior a 4%. O desemprego permaneceu baixo durante a maior parte dela. Inovações revolucionárias definiram o período, permitindo a produção em massa de carros, aviões, telefones, rádios e filmes. A televisão nasceu nessa época, assim como os band aids, que muitos consideraram a melhor coisa desde o pão fatiado, também inventado nessa época.

21 de abril - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O nome de JK entrou na história do Brasil pela coragem de mudar o país. Desde então, os políticos se acovardaram

Na noite do dia 21 de abril de 1960, estava com um amigo na Praça dos Três Poderes. Assisti, maravilhado, às festas da inauguração da nova capital do Brasil. Meu pai foi convidado para o baile de gala, que foi realizado no Palácio do Planalto. Eu e um amigo carioca ficamos passeando pela imensa praça ouvindo o magnífico coral de não sei quantas centenas de vozes, os gritos entusiasmados dos candangos. Vi os fogos. Senti a alegria. A festa atingiu seu ápice quando o presidente Juscelino Kubitschek desceu a rampa, atravessou a rua e se jogou no meio da multidão. Foi um suceder de abraços, parabéns, cumprimento, apertos de mão. Uma senhora beijou-lhe os pés.

Lições de um jovem magistrado - Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Poder e autoridade judicial são fenômenos semelhantes

Certa vez fui despachar com um jovem magistrado, que me interrompeu no meio de uma frase: "Já entendi, o senhor está dizendo que eu errei". Percebendo a minha perplexidade, voltou-me sua folha de anotações, onde estava escrito, em letras garrafais: "Errei!!! Corrigir", numa clara demonstração de que sua autoridade não estava em jogo.

Poder e autoridade judicial são fenômenos semelhantes. Ambos se referem a capacidade de um juiz ou tribunal de impor conduta a outro agente. O respeito à autoridade judicial, no entanto, está intrinsecamente associado à imparcialidade, objetividade e rigor com que um juiz ou tribunal aplicam a lei. Já a submissão ao poder judicial decorre, sobretudo, do medo de sofrer alguma forma de coerção.

Os atritos entre a Justiça do Trabalho e o Supremo Tribunal Federal têm origem na forma equivocada como o Supremo vem aplicando a legislação trabalhista, assim como as normas constitucionais relativas ao direito do trabalho, nos últimos anos.

Sob o pretexto de que a Justiça do Trabalho estaria confrontando a jurisprudência do Supremo, diversos de seus ministros têm cassado decisões proferidas por juízes e tribunais do trabalho que, no exercício de suas competências constitucionais, detectaram a existência de fraude na contratação de trabalhadores, por meio de pessoas jurídicas.

A China de amanhã - Demétrio Magnoli

Folha de S. Paulo

País se tornará economia industrial normal após mutação acelerada por Trump, mas custo do reequilíbrio recairá sobre EUA

A China representa 19% do PIB global, mas responde por 32% da produção industrial mundial. O desequilíbrio, cujas implicações contribuíram para a ascensão de Trump, não é sustentável. No fim do percurso, o triunfo chinês na guerra tarifária depende da "normalização" de sua economia.

O modelo exportador da China ancora-se no excesso de poupança doméstica –ou, dito de outro modo, num consumo interno reprimido. O segredo repousa no sistema político totalitário, que mantém baixos salários, veta políticas de bem-estar social e recusa-se a erguer um sistema decente de seguridade social.

Desde o ingresso chinês na OMC, em 2001, à base de uma intrincada rede de subsídios estatais, o modelo propiciou a expansão da indústria em saltos tecnológicos sucessivos, até a produção de veículos elétricos, painéis solares, baterias e softwares de IA. Os bens chineses inundaram o mercado mundial, eliminando competidores, devastando antigas regiões industriais e, nesse passo, deslocando os sistemas políticos nacionais.

LDO de 2026 mostra realidade inconveniente - Marcos Mendes

Folha de S. Paulo

Podemos ter soluções reais, ou mais complacência

Na última terça-feira (15) foi apresentado o PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026. Ele estima receitas e despesas até 2029, explicitando uma realidade inconveniente: a partir de 2027, depois de pagas as emendas parlamentares e cumprido o gasto mínimo em saúde e educação, não restará um tostão para financiar outras despesas discricionárias.

Vamos aos números. O total de despesas discricionárias previstas para 2027 é de R$ 122 bilhões. Porém, as emendas parlamentares obrigatórias serão de, no mínimo, R$ 55 bilhões.

Além disso, aproximadamente R$ 70 bilhões serão gastos para complementar a despesa mínima em saúde e educação, pois o gasto obrigatório nessas rubricas não é suficiente para cumprir o mínimo exigido pela Constituição.

O arcabouço fiscal já era - Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Em 2027, segundo as previsões oficiais, o dinheiro acaba. Feitos os gastos obrigatórios, não sobra nem para o cafezinho

Quando o governo Lula criou o arcabouço fiscal, muitos analistas e jornalistas, inclusive o autor desta coluna, sustentaram que só funcionaria com expressivos aumentos de receita. Como a carga tributária já era elevada, parecia tarefa impossível. Vá lá que se conseguisse algum ganho inicial, mas imaginar que se poderia tirar mais dinheiro do contribuinte por anos a fio era ilusão.

Do outro lado da conta, o arcabouço garantia crescimento da despesa de 2,5% ao ano, acima da inflação. E esse era o verdadeiro objetivo do governo Lula: voltar à velha política petista do aumento permanente do gasto público. Como a dívida pública já estava em níveis muito elevados, foi preciso criar o tal arcabouço, apresentado como sistema mais sofisticado que o teto de gastos.

Havia aí um argumento: o teto de gastos havia sido furado no governo Bolsonaro. Mas o teto serviu muito bem durante o governo de Michel Temer, com Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda. A regra, introduzida naquele mesmo governo, era de uma simplicidade brilhante, facilmente compreensível. Dizia: o gasto do governo de um ano será igual ao do ano anterior, mais a inflação do período. Não haveria aumento real da despesa.

Quem domina a pauta? - Aldo Fornazieri

CartaCapital

O governo não consegue enfrentar o bolsonarismo na disputa da opinião pública

A pesquisa Datafolha divulgada no início de abril trouxe certo alívio ao governo. Depois de ter caído para o patamar de 24% de avaliação positiva, agora o instituto mostra uma reação, de 24% para 29%, enquanto a avaliação negativa caiu de 41% para 38%. Somados os dois ganhos, são 8 pontos. Mas isso não significa que a avaliação seja confortável, pois ela está ainda a uns 11 a 12 pontos do patamar mínimo que poderia tranquilizar o governo para transitar rumo a 2026 e às eleições presidenciais.

Existem muitas e variadas análises que buscam explicar as vicissitudes do governo na opinião pública. Uma das mais apontadas é a da inflação, com destaque para o preço dos alimentos. Além de corroer os salários, principalmente dos setores de renda baixa, a inflação bate forte na mesa das famílias. Outra pesquisa do Datafolha mostra que 58% dos brasileiros reduziram a compra dos alimentos e o consumo de água, luz e gás por causa dos reajustes. Para 54%, o governo Lula é muito responsável pela inflação, para 29% ele é um pouco responsável e para 14% ele não tem nenhuma responsabilidade.

Darwinismo monetário - Manfred Back e Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

O movimento do dinheiro e suas formas mudam, mas sempre acabam no mesmo lugar, na preferência pela liquidez

As relações entre dívida pública, gestão monetária e setor financeiro privado não são “externas”. São orgânicas e constitutivas. A dívida do governo é a garantia de última instância das operações financeiras privadas. Nos tempos de “normalidade”, as formas financeiras do poder privado permitem diversificar a riqueza de cada grupo, distribuí-la por vários mercados e assegurar o máximo de ganhos patrimoniais, se possível no curto prazo. Os agentes dessas operações são as instituições da finança privada. São elas que procuram antecipar movimentos de preços e definir os instrumentos de hedge e os riscos de contraparte nos mercados financeiros contemporâneos.

O choque necessário - Cristovam Buarque

Veja

É preciso criar um ministério para a educação de base

É atávico. Todos os anos, os brasileiros se surpreendem com os baixos índices na qualidade e na equidade como a educação é oferecida. Apesar de avanços, três brechas estão aumentando. Uma brecha social: mesmo com a evolução no número de matrículas na escola para os pobres, a qualidade cresce mais para a parcela rica. A brecha internacional: outros países avançam mais rapidamente, nos deixando para trás. E aumenta a brecha pedagógica: entre o que é ensinado e o que deveria ser ensinado para preparar um jovem para as necessidades de conhecimento que o mundo contemporâneo exige.

Crônica de uma morte anunciada - Marcus Pestana

Fique tranquilo o leitor que não se trata de uma homenagem ao grande escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, nem de uma resenha sobre um de seus mais belos romances. Seria até mais interessante, mas o mar não está para peixe e a situação brasileira recomenda extremos cuidados.  Vamos falar aqui dos alertas lançados nos últimos anos pela Instituição Fiscal Independente (IFI), da qual sou diretor-executivo, sobre o continuo e crescente estrangulamento do orçamento público federal e seus efeitos deletérios para o desenvolvimento do país, sem a repercussão proporcional à sua importância junto aos tomadores de decisões.

Poesia | Embriague-se, de Charles Baudelaire

 

Música | Roberta Sá - Fogo de Palha

 

sexta-feira, 18 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Asilo para peruana é injustificável

O Globo

Itamaraty não justificou por que Nadine Heredia sofreu perseguição política ao ser condenada por crime

Não há, até o momento, justificativa plausível para a decisão do governo brasileiro de conceder asilo diplomático a Nadine Heredia, mulher do ex-presidente peruano Ollanta Humala. Os dois foram condenados a 15 anos de prisão no Peru por lavagem de dinheiro, ao receber US$ 3 milhões da empreiteira Odebrecht para financiar a campanha eleitoral que levou Humala à Presidência em 2011. Nadine, influente durante o governo, foi cofundadora do Partido Nacionalista. Os detalhes foram revelados em 2016, durante as investigações da Operação Lava-Jato no Brasil.

Por aqui, processos por corrupção envolvendo a Odebrecht e outras empresas que confessaram crimes têm sido questionados com sucesso na Justiça, mas não sem controvérsia ou estranhamento da opinião pública. Independentes, os peruanos não têm nada a ver com isso — os fatos que levaram à condenação do casal foram examinados por juízes autônomos, de acordo com a lei do Peru. Em nome da relação estável entre os dois países, o governo brasileiro não deveria questionar as decisões do Judiciário peruano.

Em Lima, chamou a atenção a rapidez com que foram tomadas as decisões relativas ao asilo político. Nadine e seu filho chegaram à embaixada brasileira quando a sentença estava prestes a ser proferida. Em questão de horas, ela recebeu sinal verde da diplomacia brasileira. O salvo-conduto das autoridades locais não demorou, e logo os dois estavam num avião da FAB enviado especialmente para fazer o transporte ao Brasil. A deferência, além de incomum, é inexplicável do ponto de vista jurídico ou diplomático.

Hugo Motta ganha tempo - Vera Magalhães

O Globo

Presidente da Câmara quer passar imagem de democrata, mas adiar problemas pode ser visto como fraqueza política

O recesso branco da Câmara neste feriadão foi interrompido pela greve de fome do deputado Glauber Braga e pela precipitação do PL, que não esperou o coelho da Páscoa para protocolar o pedido de urgência ao projeto de anistia dos condenados do 8 de Janeiro. Nos dois casos, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), agiu com o mesmo expediente: à distância, procurou ganhar tempo e empurrar os pepinos para a frente.

Como se sabe que problemas adiados não deixam de existir, apenas se prolongam, a pauta da Casa presidida por Motta segue à mercê de fatos que passam ao largo daquilo que, ele prometeu, seria sua prioridade quando sucedeu a Arthur Lira: os grandes temas econômicos de interesse do Brasil, que não dissessem respeito apenas à polarização a cada ano acentuada entre PT e bolsonarismo.

A verdadeira urgência - Flávia Oliveira

O Globo

Uma menina morreu. Podia ser sua filha, neta, sobrinha, afilhada. Sarah Raíssa Pereira de Castro tinha 8 aninhos e a vida inteira pela frente. Não mais. Celular na mão, foi desafiada numa rede social a inalar desodorante aerossol. Sofreu uma parada cardiorrespiratória, e —apesar do esforço do avô, que a encontrou desacordada, e da equipe médica que tentou reanimá-la — sua morte cerebral foi constatada três dias depois da internação. A polícia do Distrito Federal abriu inquérito para apurar as circunstâncias do óbito e identificar os responsáveis pela viralização macabra. Em março, sem comoção, o Brasil já tinha perdido em situação semelhante Brenda Sophia Melo de Santana, de 11 anos, moradora de Bom Jardim, Agreste Pernambucano. A causa da morte foi “possível inalação, por via oral, de desodorante aerossol”. A família mencionou o desafio do desodorante, a que a pequena teve acesso também via internet.

O bispo que contestava – Bernardo Mello Franco

O Globo

Bispo irritou militares ao denunciar a tortura e apoiar movimentos por creches e moradia

Em novembro de 1978, a ditadura resolveu investigar um gibi. A repressão queria saber quem financiava “As Aventuras de Zé Marmita”. Distribuída na periferia de São Paulo, a revistinha narrava a rotina nas fábricas e incentivava os trabalhadores a lutarem por melhores condições de vida. Só podia ser coisa de dom Angélico, bispo tachado de subversivo e adversário do regime.

Na juventude, Angélico Sândalo Bernardino não sabia se queria ser padre ou jornalista. Resolveu o dilema ao unir as duas vocações, ajudando a Igreja a se comunicar com os fiéis. Antes de ser ordenado, ele já escrevia no Diário de Notícias, da diocese de Ribeirão Preto. Mais tarde comandaria as “rádios-cornetas”, com alto-falantes pendurados nos postes de favelas e ocupações.

Fábula sobre a prudência e riscos que rondam o governo - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Projeto de Diretrizes Orçamentárias para 2026 sinaliza frouxidão com as contas públicas e alimenta análises pessimistas em relação à inflação e ao equilíbrio fiscal após as eleições

Esopo nasceu provavelmente na Frígia (atual Turquia) entre o final do século VII a.C. e o início do século VI a.C. Pouco se sabe sobre sua vida, exceto que era um escravo que recorria às fábulas para traduzir sua sabedoria, muitas vezes com ironia, sem se expor em demasia aos senhores.

Sua obra chegou aos nossos dias porque foi exaltada pelos grandes filósofos gregos, entre os quais Heródoto, Platão e Aristóteles. Geralmente, Esopo recorria às características dos animais para traçar um paralelo com os bons e maus comportamentos humanos.

Os romanos Fedro (século I d.C.) e Bábrio (século II d.C.) traduziram Esopo para o latim, a partir do qual as narrativas foram retraduzidas e chegaram aos nossos dias. Ainda hoje suas fábulas são usadas na educação das crianças. A primeira edição impressa das Fábulas é de 1484, ou seja, quase 30 anos após a impressão da Bíblia de Gutemberg, de 1455.

Instrumentos - Laura Karpuska

O Estado de S. Paulo

No debate sobre o Orçamento, a pergunta que vale é: o que queremos da política pública?

Na economia, aprendemos que ter mais instrumentos melhora a capacidade de ação dos governos. Se há mais de um objetivo – estabilizar a economia, reduzir desigualdades, manter o equilíbrio fiscal –, então, faz sentido ter mais de uma ferramenta à disposição.

No Brasil, porém, há uma resistência curiosa a isso. Um exemplo é a vinculação do salário mínimo aos benefícios previdenciários. A regra, firmada nos governos Lula, tem peso simbólico, mas cria um problema prático: amarra dois instrumentos diferentes, que deveriam ser usados com autonomia.

O salário mínimo pode ser uma boa política de valorização do trabalho – especialmente em mercados onde empresas têm poder demais na fixação de salários. Em contextos assim, como o do Brasil, há evidências de que o aumento do salário mínimo ajudou a reduzir a desigualdade entre trabalhadores formais, sobretudo entre mulheres e trabalhadores menos qualificados. Um estudo do Ipea mostrou que, entre 2001 e 2011, a política teve impacto redistributivo importante, especialmente nas regiões Nordeste e Sul.

Prudência nunca é demais - Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Presidente Lula e Alexandre de Moraes acertam no conteúdo e erram na forma de asilo e extradição

O Brasil debate sobre asilo e extradição, que envolvem política externa, mas tendem a ter grande repercussão na política doméstica, onde, nunca custa lembrar, a popularidade do presidente Lula não está nenhuma maravilha e o Supremo é alvo direto do bolsonarismo. Além de o governo mandar avião da FAB buscar no Peru uma ex-primeira-dama condenada por corrupção, o STF cobra reciprocidade e nega a extradição para a Espanha de um búlgaro acusado por tráfico de drogas no país.

Brasil e Peru são signatários da convenção de asilo diplomático da ONU, de 1954, que é justa, humanitária e bastante útil para acolher perseguidos políticos em regimes autoritários, que ameaçam até a vida de opositores. A questão é que Nadine Heredia e seu marido, o ex-presidente Ollanta Humala, já preso, não são alvo de perseguição política e sim condenados a 15 anos por corrupção.

Ora, o declínio da globalização... - Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O tarifaço do presidente Donald Trump, acompanhado das suas iniciativas isolacionistas, levou alguns analistas a concluir que o processo de globalização está em inexorável retração.

É uma afirmação apressada e temerária, até porque a pretensão do governo dos Estados Unidos não é acabar com a globalização, mas impor mudanças numa economia de abrangência global.

A globalização não começou ontem. Quando Alexandre, o Grande, conquistou o Oriente Médio e a Ásia, por volta do ano 320 a.C., toda essa região foi, de alguma forma, helenizada, e as relações econômicas e culturais passaram a ser compartilhadas entre aqueles povos. Em toda parte se falava grego, como hoje se fala inglês, e construíram-se teatros onde eram encenadas as tragédias de Eurípedes, Ésquilo e Sófocles.

A resposta somos nós - Eliana Lucena

Correio Braziliense

Povos indígenas defenderam, em Brasília, mais espaços nas discussões que envolvam não somente o seu futuro, mas o de toda a humanidade

Com grandes desafios pela frente, o país celebra neste sábado, dia 19, o Dia dos Povos Indígenas, após a realização do 21º Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.  Durante a última semana, quem atravessou o portal que se abria para o acampamento com mais de 7 mil indígenas, representando 200 povos, sentiu o impacto da mobilização que reuniu desde líderes históricos, como Raoni Metuktire, a jovens que discutiram e levaram reivindicações aos representantes dos Três Poderes.

A caminhada dos indígenas até 2025 exigiu resistência para enfrentar grandes obstáculos. Durante a década de 1970, em pleno regime militar, para a realização de encontros, era preciso burlar a vigilância da Funai e dos órgãos de segurança do governo. Os primeiros de maior porte foram organizados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em Diamantino, no Mato Grosso, e o segundo na Missão Cururu, no Pará, terra dos índios Munduruku.

Construção de um país mais justo exige reforma tributária progressiva - Maria Alice Setubal (Neca)

Folha de S. Paulo

Taxação mais elevada aos mais ricos não deve ser vista como punição, mas como passo essencial para um ambiente econômico mais equilibrado

Doutora em psicologia da educação (PUC-SP), é socióloga e presidente do Conselho da Fundação Tide Setubal

Tem sido crescente a minha preocupação com a concentração de riqueza e o combate às desigualdades no Brasil. Já me posicionei publicamente a favor da taxação progressiva dos chamados super-ricos por meio de uma reforma tributária que seja amplamente discutida com a sociedade.

Tenho atuado nessa causa articulando organizações sociais, pesquisadores acadêmicos e poder público. Nessa trajetória, estou convicta de que um dos caminhos eficazes para reduzir as disparidades estruturantes em nosso país é um sistema que atue como instrumento de equilíbrio, protegendo os que têm menos e fortalecendo a responsabilidade dos que mais podem contribuir —o oposto do que temos hoje.

Anistia como farsa – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A ideia não é pacificar, mas fazer valer a versão de que agredir a democracia não é ato grave

A anistia aos golpistas de variadas espécies é o tipo do assunto a respeito do qual é mais fácil falar do que realizar. Ainda assim, seus adeptos já foram além do aceitável: conseguiram pôr o tema em pauta e paralisar o Congresso em torno dele.

Brutalizados em 8 de janeiro de 2023, os três Poderes da República são agora instados a lidar com uma proposta de perdão dos crimes aos que propugnaram pelo fim do Estado de Direito em vigor no país há parcas quatro décadas.

Fala-se na produção de um acordo entre Executivo, Legislativo e Judiciário para se chegar a meios-termos entre condenações e impunidade.

Com ou sem tarifaço penal, anistia a 8/1 é descalabro - Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Pode-se discutir dosimetria do STF, mas gangsterismo para livrar a cara de golpistas e de Bolsonaro é inaceitável

Há um esforço de setores da ultradireita para fazer a sociedade brasileira engolir um projeto de lei que promova a anistia de envolvidos no ataque à democracia de 8 de janeiro e, por extensão, arrume um jeito —o verdadeiro objetivo— de permitir que Jair Bolsonaro concorra à eleição de 2026.

Entre cenas explícitas de desfaçatez e banditismo parlamentar, o PL, sigla do capitão, arregimenta apoios para abrir a porteira e deixar a boiada passar.

Toda a mistificação em torno da cabeleireira Débora Rodrigues, acusada de cinco crimes, presa preventivamente e ora em julgamento pelo STF, tem servido para maquiar a agressão golpista do 8/1. Teria sido um convescote de idosos desocupados e moças a fazer inocentes pichações em estátuas, usando um batom.

Julgando a Justiça - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Na mesma semana, Brasil dá asilo a condenada por corrupção no Peru e vê Espanha negar extradição de bolsonarista

A culpa é da Constituição. A contradição em potência dorme lá, no artigo 4º, que enumera os princípios pelos quais o Brasil se rege em suas relações internacionais. Os incisos III e IV mencionam a autodeterminação dos povos e a não intervenção, mas o X estampa a concessão de asilo político.

Inconsistências emergem porque a decisão de dar asilo envolve sempre um juízo qualitativo sobre as instituições do outro país, o que pode ser entendido como uma violação à sua soberania e uma interferência em seu sistema político-judicial.

Entrevista | Sidônio Palmeira: 'Faltou ao governo Lula comunicar a herança que encontrou'

Por Thiago Prado / O Globo

O homem responsável pela imagem do presidente Lula e do seu governo é o décimo entrevistado da série da newsletter com os mais importantes estrategistas políticos e donos de institutos de pesquisa do Brasil. O baiano Sidônio Palmeira foi o marqueteiro da campanha presidencial do petista, em 2022, contra Jair Bolsonaro, e, desde janeiro, comanda a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República.

Sua chegada ao cargo ocorreu simultaneamente à divulgação de dados de pesquisas que mostraram a queda da aprovação popular do presidente. Sidônio é das figuras mais relevantes do Palácio do Planalto atualmente. Quase todo dia a agenda presidencial exibe um despacho matinal do ministro com Lula.

Na conversa que você, leitor, vai ler a seguir, o marqueteiro fala dos motivos que levaram o governo a ter piora nos índices de aprovação, detalha as iniciativas que podem fazer Lula virar o jogo da popularidade e responde a críticas dos colegas de profissão ouvidos por “Jogo Político” desde janeiro.

Abaixo os principais trechos do bate papo com o ministro.

Poesia | João Cabral de Melo Neto - Alguns toureiros

Música | Vanessa da Mata - Esperança

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quinta-feira, 17 de abril de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Orçamento de 2026 reflete incúria fiscal

O Globo

Em vez de rever indexações ao salário mínimo, governo insiste em projetar receita inflada para equilibrar contas

A proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 enviada pelo Executivo ao Congresso traz, pela primeira vez no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um compromisso de superávit: R$ 38,2 bilhões. O porém — um grande porém — é que, para alcançar a meta, será preciso que o governo arrecade mais R$ 118 bilhões, projeção para lá de otimista. Incapaz de promover ajuste nas despesas, mais uma vez o governo insiste em apresentar um plano prevendo aumento nas receitas — variável dependente do ritmo de crescimento da economia e fora de seu controle. Não há notícia de medidas capazes de equilibrar o Orçamento de forma duradoura, embora elas sejam conhecidas faz tempo.

Um dos maiores entraves à saúde orçamentária é a regra de atualização do salário mínimo adotada em 2023. Além da correção pela inflação, o valor passou a aumentar levando em conta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos dois anos anteriores. Por lei, reajustes do mínimo têm impacto imediato em todos os benefícios da Previdência, em especial aposentadorias e programas sociais, como seguro-desemprego, abono salarial e Benefício de Prestação Continuada (BPC). Não fosse o aumento desses benefícios nos últimos anos, o país gastaria R$ 35 bilhões a menos com tais despesas, quase a meta de superávit.

Entrevista - Gilmar Mendes: Projeto de anistia do 8/1 ‘tem como objetivo beneficiar os mentores’ da trama golpista

Por Mariana Muniz e  Thiago Bronzatto / O Globo

Ministro do Supremo Tribunal Federal afirma que penas aplicadas aos condenados pelos atos às sedes dos Poderes não deverão ser revisadas

Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes tem sido um dos interlocutores do Congresso nas discussões sobre o futuro dos condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro. Em entrevista ao GLOBO, o magistrado diz que o movimento pró-anistia impulsionado pelo partido de Jair Bolsonaro tem como pano de fundo beneficiar os mentores da trama antidemocrática. Dentre eles, está o próprio ex-presidente, entusiasta da proposta de revisão das penas e réu por arquitetar um plano para reverter a derrota nas eleições em 2022.

— A minha experiência política, nesses anos todos, revela que esse projeto só tem impulso com o objetivo de beneficiar os mentores — afirma o ministro do STF, que está há mais de duas décadas na Corte.

Em resposta às críticas das penas aplicadas pelo STF aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, Gilmar pontua que acredita que a Corte não revisará os julgamentos. Segundo ele, “o que poderá haver é a análise de situações individualizadas que justifiquem a progressão, que já está prevista na legislação, ou a aplicação de prisão domiciliar”. O ministro destaca ainda que tem mantido diálogo constante com o Congresso e que “tem muito espuma” nessa discussão.

Como o senhor vê a pressão para o STF discutir a redução das penas para os condenados e denunciados pelos atos golpistas do 8 de janeiro?

Gleisi vê risco de golpe continuado - Míriam Leitão

O Globo

Ministra afirma que PL da Anistia é salvo-conduto para quem quer dar golpe e espera que deputados da base recuem 

A ministra Gleisi Hoffmann disse que muitos parlamentares que assinaram o requerimento de urgência do PL da Anistia admitem que não conheciam o projeto. “Não estamos pensando em retaliação” disse ela, sobre a possibilidade de o governo retirar cargos de partidos da base que apoiaram a urgência. “Espero que haja um convencimento político, porque enquanto parlamentares temos responsabilidades, o Congresso Nacional tem responsabilidade”. Gleisi define o projeto como o de “golpe continuado” e um “atentado ao Estado Democrático”.

A ministra das Relações Institucionais esteve no meu programa na GloboNews e falou sobre as questões mais urgentes da articulação política do governo Lula, que vive as agruras de uma base parlamentar muito comprometida com pautas do governo anterior. Neste PL da Anistia, ficou ainda mais evidente a contradição da base, que é formada pelas adesões de vários partidos que estiveram também com Bolsonaro.

Brasil retoma a reforma agrária - Paulo Teixeira

O Globo

Quanto mais gente no campo, plantando e colhendo, menos conflitos agrários e desemprego, mais alimentos baratos

No dia 7 de março, acompanhei o presidente Lula até Campo do Meio (MG) para anunciar que 12 mil famílias de agricultores receberam seus lotes de terra só nos primeiros meses de 2025. O ato foi carregado de simbolismos. O Quilombo Campo Grande, onde ocorreu o anúncio, é fruto de décadas de luta dos trabalhadores de uma fazenda que faliu, deixou milhões em dívidas com a União e ficou abandonada até que os ex-empregados decidiram voltar a produzir por conta própria. Hoje é exemplo de produtividade, geração de renda e resistência. Eles enfrentaram nada menos do que 11 ordens de reintegração de posse.

Outro simbolismo importante está no número de assentamentos. A entrega de 12 mil lotes significa que a reforma agrária no Brasil retomou o ritmo dos dois primeiros governos do presidente Lula, depois da política de terra arrasada imposta pelos antecessores. No governo Lula 3 foram mais de 15 mil assentamentos. Até o fim deste ano, esperamos assentar 30 mil famílias, um dos maiores volumes da História do Brasil. No ano que vem, a meta é de 29 mil lotes.