terça-feira, 29 de setembro de 2026

Eleições ao Senado: desprezadas, fundamentais e imprevisíveis, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

A expectativa é de uma apuração cheia de suspense e com reviravoltas na reta final

Casa legislativa deverá sediar os grandes embates e as grandes crises do próximo governo

A maioria dos eleitores ainda não sabe citar espontaneamente o nome de um candidato ao Senado. E olha que neste ano, com a renovação de 2/3 da casa legislativa, serão dois números a digitar.

É o resultado de um processo eleitoral engessado que privilegia, em primeiro lugar, a corrida pela Presidência e, em seguida, os governos estaduais. A expectativa de uma apuração cheia de suspense e de surpresas no pleito ao Senado é enorme, a depender das escolhas de última hora. Ou de escolha nenhuma, com o voto sendo anulado.

O Senado deverá sediar os grandes embates (e as grandes crises) do próximo governo. Pauta do momento, a deliberação sobre o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal já estava na mira de Jair Bolsonaro antes de ele ser preso. O ex-presidente negociou com o Partido Liberal o poder de indicar candidatos em diversos estados.

A ideia era formar uma maioria capaz de confrontar o Supremo, especialmente depois do julgamento da trama golpista. As denúncias do envolvimento de ministros no esquema picareta de Daniel Vorcaro deram novo impulso à estratégia. Segundo o Datafolha, 34% dos eleitores afirmam que a chance de votar em um candidato aumenta se ele apoiar o impeachment.

Em São Paulo, o Datafolha mostra o empate entre Marina Silva (15%), Simone Tebet (14%), Guilherme Derrite (12%) e André do Prado (12%). Os dois últimos acabam de ser beneficiados com o apoio de Ricardo Salles (4%), que desistiu de concorrer. Marina se posiciona contra "os homens tóxicos". Tebet aposta no cenário nacional: "Temos o risco de colocar a milícia na Presidência da República".

A mesma incerteza se verifica no Rio de Janeiro, com tradição de reviravoltas na reta final. A novidade é a liderança de Benedita da Silva (19%), único quadro do PT com expressão no estado. Cinco candidatos aparecem em empate técnico: os bolsonaristas Carlos Jordy (12%) e Carlos Portinho (12%), Pedro Paulo (9%), Marcelo Crivella (7%), Mônica Benício (6%). Com a força do voto evangélico, Crivella pode crescer.

 

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