Folha de S. Paulo
Maior risco é fazermos escolha que ameace a
democracia e a nossa soberania
Se a questão institucional é a mais
relevante, qual a melhor opção eleitoral para enfrentá-la?
Neste domingo (4), mais de 150 milhões de
brasileiros deverão comparecer às urnas para escolher quem governará o país
pelos próximos quatro anos.
A decisão fundamental colocada à frente de
cada eleitor é com quem pretendemos enfrentar as múltiplas crises em que
imergimos na última década: de mãos dadas à extrema direita, especializada em
promover o caos para usurpar o poder, ou com a centro esquerda, com suas
mazelas e inconsistências, mas reiterado compromisso democrático?
Essa não é uma pergunta retórica, mas uma pergunta política e moral, pois se refere à responsabilidade pelas decisões que cada um terá que tomar no próximo domingo.
Embora sejam compreensíveis a desilusão de
muitos eleitores com políticos de centro, de direita ou de esquerda que
governaram nas últimas décadas e o cansaço com uma política polarizada, que nos
divide e torna nossas vidas mais brutas, não podemos nos deixar tomar pela
irracionalidade, abdicando da responsabilidade de continuarmos determinando
nosso próprio destino.
Ainda que haja muitas questões importantes em
jogo nesta eleição, o maior risco é fazermos uma escolha que ameace a
democracia liberal e a nossa soberania como nação.
Nos últimos tempos, tem crescido o discurso
de que o principal problema do Brasil é o desequilíbrio fiscal. Não tenho
dúvida de que esse é um problema fundamental para o bom funcionamento da
economia e que merece ser enfrentado com urgência. Mas há muitos outros fatores
indispensáveis ao desenvolvimento econômico, como educação, saúde,
infraestrutura, clima
e integridade institucional, que não podem ser negligenciados por discursos
reducionistas.
Como afirmou Arminio
Fraga em recente entrevista a esta Folha,
"estou mais preocupado (…) com o quadro institucional que com o
econômico". André Lara Resende, por sua vez, tem insistido em que os
problemas fiscais são determinados pelas disfuncionalidades institucionais,
como as emendas parlamentares ou os privilégios obtidos por setores corporativos.
Para entender o problema, basta olhar para os gastos tributários, que abocanham
4,5% do PIB para os mais ricos ante 3% das transferências de renda para os mais
pobres.
Se é verdade que a questão institucional é a
mais relevante, inclusive para corrigir os problemas econômicos, qual a melhor
opção eleitoral para enfrentá-la?
Difícil acreditar que o bolsonarismo, como
salientou João Moreira Salles, seja uma solução crível. O
bolsonarismo foi forjado no caldo miliciano, nutrido pelo fundamentalismo
religioso, umbilicalmente associado à devastação e à degradação ambientais,
assim como ligado aos setores mais "extrativistas" da política e da
economia brasileira —basta olhar para a relação fraternal de Flávio com o
"irmão" Daniel
Vorcaro.
Isso sem falar na subordinação servil aos
interesses de Trump e de seu partido "maga-empresarial".
Nenhuma dessas características credencia o
bolsonarismo para fortalecer a integridade de nossas instituições ou para
conduzir uma política internacional que atenda aos interesses da sociedade ou
da economia brasileira.
O mais grave, porém, é a ameaça que um
governo conduzido pela extrema direita impõe à democracia. Aliás, que impõe à
própria direita, que será fagocitada pelos radicais. Doria que o diga.
No momento em que as instituições
constitucionais, desenhadas para estabelecer balizas e limites para o exercício
do poder, se encontram fragilizadas, é redobrada a responsabilidade do eleitor,
especialmente daquele eleitor liberal que não se decidiu, em defender a
democracia.
E não há instrumento mais potente para defender a democracia que o voto.
*Professor da FGV Direito SP, mestre em direito pela Universidade Columbia (EUA) e doutor em ciência política pela USP. Autor de "Constituição e sua Reserva de Justiça" (Martins Fontes, 2023)

Um comentário:
o jornalista podia parar com a cerimônia e pedir logo o voto pro Lula
Essa conversa de Lula defensor da democracia e contra ameaça da soberania isso é uma das mentiras a mais vendida pelo PT e que os jornalistas adoram reverberar aliás a imprensa tradicional foi e é a principal aliada do Lula e do STF para a censura perseguição da oposição e manutenção do estado de coisa que vivemos
Postar um comentário