sábado, 3 de outubro de 2026

Atrás nas pesquisas, Flávio Bolsonaro volta a desacreditar as eleições, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 fugiu ao debate para não ter de enfrentar a fúria de Renan Santos

Campanha presidencial de 2026 mistura cansaço e descrédito

Um espetáculo caricato, desmoralizado pelos próprios participantes e não raro violento. Com a concorrência dos discursos sedutores e mentirosos veiculados nas redes e aplicativos e o domínio do marketing sobre as propostas de governo, os debates eleitorais na televisão estão em xeque.

Desde 2002 nenhum pleito presidencial havia registrado menos de três encontros na primeira rodada. Neste ano houve apenas um, o da Band, em agosto, transcorrido num clima melancólico: três homens tristes falando ao vento. O da Globo nem isso. Cancelado à última hora, após a desistência de Flávio Bolsonaro, entra na categoria de mico histórico.

Com a ausência já anunciada de Lula —deu entrevista no mesmo horário com 10 milhões de visualizações no podcast Flow, fenômeno da internet cuja audiência é predominantemente de jovens das classes B e C—, o filho 01 estava diante de um cenário de sonho.

Ao lado de três satélites —Caiado, Zema e Cury—, preparou-se para massacrar o petista. Divulgada duas horas antes, a pesquisa Datafolha favorável a Lula fez com que Flávio repensasse a estratégia. Sem impacto eleitoral expressivo, ele teria mais a perder ao enfrentar Renan Santos, autorizado a participar do debate e a perguntar sobre os milhões de Vorcaro, as orgias, a ligação com milícias, o entreguismo aos EUA.

Para justificar a fuga, o 01 culpou a decisão da ministra do TSE Estela Aranha, que determinou à Globo a retirada do púlpito vazio com o nome de Lula. Ao estilo bolsonarista, aproveitou para fomentar o golpismo, pedindo "eleições limpas". Um caso raro de "censura" em que o "censurado" poderia dizer tudo o que quisesse, mas preferiu calar-se.

O debate não ajuda mais o eleitor a tomar uma decisão. O maior problema, contudo, não é o meio, mas a mensagem. A campanha de 2026 mistura cansaço e descrédito. Os dois líderes nas pesquisas têm altíssimo rechaço e temem uma abstenção recorde.

No mano a mano do segundo turno, a televisão até pode ter uma sobrevida. Quem sabe alguém desmaia diante das câmeras?

 

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