segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O voto secreto no Congresso - Renato Janine Ribeiro

Foi ampla a indignação com o voto da Câmara, que não cassou o deputado Donadon, preso há dois meses na cadeia da Papuda. Voltou às manchetes a preocupação de acabar com o voto secreto nos Legislativos - ou pelo menos de reduzi-lo a um mínimo justificável. Respondendo a uma pergunta minha no Facebook, Pedro Abramovay defendeu o fim do segredo em casos não previstos na Constituição, como a eleição de presidentes das Casas do Congresso e de suas comissões. Uma emenda constitucional deveria acabar com o sigilo na cassação de parlamentares. Poderia ficar o segredo na apreciação de vetos do Poder Executivo - que pode pressionar parlamentares rebeldes - e na escolha de nomes para o Supremo Tribunal Federal (STF), por ser o órgão que julga os membros do Congresso.

Proponho aqui uma referência histórica. O parlamento mais duradouro do mundo é o inglês, datando de 1265. Desde cedo se dividiu em duas casas, uma reunindo os lordes, isto é, a alta nobreza, enquanto a outra, representando a grande maioria de plebeus, recebeu o nome de Câmara dos Comuns. A maior crise do parlamento se dá no começo do século XVII, quando os reis Stuart tentam fechá-lo ou pelo menos reduzi-lo a um órgão apenas consultivo, que raramente se reuniria - repetindo um fenômeno que então ocorria por toda a Europa, com reis absolutos fechando parlamentos mais ou menos eleitos. O rei Carlos I passa assim 11 anos sem convocar um legislativo. Mas em 1640, diante da necessidade premente de arrecadar impostos, é obrigado a reunir o parlamento. Este decide corrigir os desmandos do rei. Então surge a polêmica que nos interessa.

Os Comuns eram menos importantes que os Lordes. Qualquer lorde podia dirigir a palavra ao rei mas, dos plebeus, só o presidente da Câmara dos Comuns podia fazê-lo, em nome dos deputados. Daí, o nome que tem em inglês o presidente da Câmara Baixa: "speaker". Ele é quem fala. Em latim, era "prolocutor", quem fala em nome de. Ora, um privilégio fundamental dos Comuns era que ninguém soubesse quem tinha dito o quê - para evitar retaliações do rei.

O "speaker" lhe levava informações gerais, mas não devia detalhar os debates e os votos da Casa. Contudo, em 1641, quando os Comuns aprovam - por pequena margem - uma relação circunstanciada de suas queixas do rei, a oposição publica os debates ocorridos e a lista dos deputados que votaram contra o protesto. É a primeira vez que se quebra o sigilo das discussões e votantes, o que, no caso, choca os partidários do rei.

Porque o privilégio dos Comuns valia perante o rei e perante a sociedade. O sigilo das deliberações era em todas as direções. Mas, quando a Inglaterra conhece seu maior processo revolucionário, que resultará na deposição e execução do rei, acaba o sigilo do voto - significando que o povo tem o direito de saber o que fazem seus representantes.

Esse caso, na origem do voto aberto de quem nos representa, coloca a grande questão: aberto ou secreto perante quem? No Império e na República Velha, com o voto aberto, nossas eleições eram fraudadas. Por isso, a conquista do voto secreto do eleitor é um passo democrático decisivo. Ele não tem de prestar contas a ninguém. Já o deputado ou senador deve contas a quem vota nele. O voto secreto do cidadão é democrático, o do parlamentar, não. Porque o parlamentar não vota em seu próprio nome, porém no dos cidadãos que o elegeram.

Mas o voto aberto no parlamento só tem sentido se for mesmo aberto. Explico: sob o estado de sítio, pode ser suspensa a liberdade de expressão. Neste caso, quem saberá como votou um parlamentar - inclusive em questões candentes, como por exemplo a eventual cassação de um colega por pressão do Poder Executivo? Somente o próprio Poder Executivo. Ou seja, sem liberdade de expressão, o voto aberto perde sentido.

Comparo o caso à desobediência civil, que Gandhi tão bem utilizou contra o colonialismo inglês. Não fosse a liberdade de imprensa, quem saberia dos protestos no Hindustão? Por isso mesmo, quando lhe perguntaram o que faria ante Hitler, Gandhi fez sugestões ineficazes. Numa ditadura em que nada se possa divulgar, as ações democráticas de protesto serão esvaziadas.

Mas, se hoje o voto aberto nos parece seguramente o melhor, salvo exceções bem raras, é porque acreditamos na solidez de nossa democracia. Quem no Brasil teme um golpe de Estado, o fechamento do Congresso ou o de algum órgão de imprensa? Por isso, com poucas ressalvas (o sigilo na apreciação de indicações para o Supremo, bem como no estado de sítio e talvez para os vetos presidenciais), precisa ser suprimido o voto secreto nos órgãos legislativos. Devemos pressionar o Congresso para isso.

Dilma Rousseff deveria mudar de imagem ou, talvez, de forma de agir. Na segunda-feira a imprensa dizia que ela reagiu "com irritação" à fuga do senador Pinto da Bolívia; na quinta, que ficou "irritada" com o apagão no Nordeste. Mas sua irritação com as falhas da administração a tornava simpática no primeiro ano de mandato; no terceiro, já não surte esse efeito. Pois não é ela quem responde por seu governo? Irrita-se com quem? O risco do estilo centralizador está em inibir iniciativas; um chefe disposto a melhorar as coisas, como é seu caso, não tem sucesso se centralizar demais as ações, se for duro demais com os subordinados. Pode dar certo em algumas coisas, não nas mais importantes. Nem quando surge um imprevisto - um incêndio numa fazenda do Piauí ou um asilado em La Paz. Provavelmente ela será reeleita, mas seria bom mudar este ponto, que pode inclusive ser falha de comunicação.

Professor da USP

Fonte: Valor Econômico

O povo na equação - Vinicius Mota

O desempenho do PIB no final deste mandato de Dilma Rousseff dificilmente escapará de figurar entre os piores da redemocratização. Ainda terá de melhorar para ficar tão ruim quanto no segundo FHC (1999-2002), quando a economia cresceu 2,1% ao ano. Deverá bater apenas o triênio Collor (1990-92), período em que a produção caiu 3,7% ao ano.

A marcha anual entre 2% e 3% vem conduzindo a economia brasileira ao longo dos últimos 33 anos. Levamos um pouco menos que esse tempão todo para dobrar o vo- lume da produção.

No mesmo período, a economia chinesa duplicou de tamanho quatro vezes. Hoje produz US$ 1.600 para cada US$ 100 gerados em 1980. A Índia sextuplicou.

A renda per capita chinesa, contudo, ainda equivale à metade da brasileira e não atinge 15% da norte-americana. É preciso mais de 7 indianos para chegar à renda de um brasileiro, em dólares de hoje.

A China terá de contar com duas décadas de crescimento exuberante para igualar o PIB per capita brasileiro. Serão necessárias quatro décadas de corrida acima de 5% ao ano para que dois chineses tenham tanta renda quanto um americano.

Com o fim do bônus populacional, a delicada arquitetura política e os crescentes limites ambientais, vai ser mais difícil para a China crescer a 5% nos próximos 40 anos do que foi ter arrancado a 10% ao ano nas últimas três décadas.

Na modorra dos 2% anuais no PIB, é plausível que o Brasil termine o século com mais de 50% da renda per capita dos Estados Unidos, contra os 25% de hoje.

Na década de 1990, se o PIB do Brasil crescia 2%, a renda per capita ficava estagnada. Nesta segunda década do século 21, o PIB por brasileiro aumenta mais de 1% na mesma situação.

Como dizem os expertos, é prudente colocar o povo na equação.

Fonte: Folha de S. Paulo

O PIB e a burrice do populismo - Valdo Cruz

Em recente conversa, em pleno Palácio do Planalto, um grande empresário desabafou, reservadamente, que a "burrice do populismo" impede o governo de tomar qualquer medida que possa atingir o pleno emprego.

Tivesse feito a análise publicamente, seu dono seria alvo de críticas ferozes do Planalto e do PT, que celebram a baixa taxa de desemprego e a renda salarial em alta.

De fato, são conquistas dignas de comemoração. Só que não foram seguidas de outras que garantissem equilíbrio econômico, permitindo ao país crescer sem gerar inflação.

Esse era o ponto de reflexão do empresário. Ele não defendia aumentar o desemprego, como petistas de forma reducionista reagem a esse tipo de análise, mas queixava-se de que o governo não havia conseguido elevar o investimento.

Na opinião do empresário, para corrigir seus erros, a presidente teria de adotar medidas amargas ou se contentar com crescimento fraco.

Ficou com a segunda opção. O resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado na semana passada, foi uma surpresa positiva, mas não vamos crescer acima de 2,5%.

Assessores mais realistas admitem que, hoje, o Brasil não tem como crescer mais do que 2,7% por ano sem causar desequilíbrios, como pressões inflacionárias.

Pode-se dizer que não é uma tragédia e será suficiente para reeleger Dilma presidente. Mas é pouco para um país que tem de crescer ao menos 4% a fim de pagar sua enorme dívida social e superar gargalos.

Agora, diante da piora do cenário econômico, o Planalto corre contra o tempo. O dólar está pressionado, a inflação tende a subir e a Petrobras quer aumento na gasolina. Tudo a exigir reações da presidente.

Há quem defenda postergar decisões à espera de dias mais calmos, erro recorrente deste governo. Melhor fazer toda maldade já, como subir a dose de juros, deixando o ano da reeleição mais leve. A conferir.

Fonte: Folha de S. Paulo

Surf no tsunami brasileiro - José Roberto Toledo

Políticos gostam de aparecer como agentes da mudança. Se alguma coisa boa acontece, assumem a responsabilidade quase tão rapidamente quanto somem quando algo dá errado. Agem assim porque cola. Muito brasileiro crê em salvadores da pátria, em deputado-presidiário e no ET de Varginha. Mas e se os líderes forem uma consequência da mudança social, e não sua causa?

Poucas coisas têm maior peso no sucesso de um país do que a estratura etária de sua população, Nações jovens têm menos probabilidade de serem ricas do que nações maduras, pois há relativamente pouca gente produzindo riqueza. Não há dinheiro suficiente para ser distribuído com equanimidade entre as muitas crianças e adolescentes que dependem de poucos adultos.

Nações envelhecidas também têm problemas. O peso crescente dos idosos na população aumenta a carga a ser suportada pelos habitantes em idade de trabalhar. A vantagem desses países é que, para chegar a esse estágio, passaram antes por uma fase dourada, na qual a proporção de pessoas potencialmente ativas suplanta em muito os dependentes idosos e infantojuvenis.

É a fase de acumulação de riqueza, a chamada janela demográfica. Ela começa com uma onda populacional sem precedentes, uma espécie de tsunami de gente.

A crista da onda é formada pela maior geração que uma nação já mais importante - que verá em muito tempo.

Porque, depois que a crista passa, sobram alguns anos de gerações volumosas,mas segue seu vale íngreme,com cortes populacionais cada vez menores, que fecham a janela de oportunidade que abrisse vagas para acomodar

O tsunami demográfico atingiu o Brasil em 1983. Foi o pico de nascimento de brasileiros. Nos primeiros anos, produziu uma demanda inédita por educação. A princípio, os governante foram engolfados pela onda. Demoraram mais de uma década para reagir. Finalmente, buscou-se a universalização do ensino fundamental. Acaso ou não, o presidente era um professor.

A demora custou parte da oportunidade de bem formar a geração-tsunami para que, quando ela chegasse à idade de trabalhar, estivesse preparada para produzir a riqueza necessária ao desenvolvimento do País. Mesmo assim, foi uma geração com mais anos de estudo do que a anterior e a primeira que não precisou aplicar correção monetária à mesada.


Quando essa onda entrou na adolescência e na idade de tomar suas próprias decisões de consumo - do final dos anos 90 ao começo do século 21 o Brasil enfrentou uma epidemia de assassinatos também inédita. Os "baby boomers" brasileiros foram, agentes e vítimas dessa violência. Perdeu-se aí outra parte dessa geração.

Em 2003, a crista da onda chegou aos 20 anos - idade de entrar no mercado de trabalho e começar a produzir. Coincidência ou não, o País elegeu um líder trabalhista que defendia uma política econômica expansionista, que abrisse vagas para acomodar essa força de trabalho excepcionalmente grande.

Nos dez anos seguintes, a pressão da onda demográfica - reforçada por um contexto internacional raras vezes tão favorável - favoreceu políticas de estímulo e universalização do consumo, retroalimentando o emprego e a renda dos novos trabalhadores. Foi surfe no tsunami: muita gente em idade ativa empregada, menos crianças e ainda poucos idosos para cuidar.

A crista tem agora 30 anos de idade. O arrasto da onda demográfica se estende, segundo o IBGE, até a geração que tem 12 anos. Depois disso, a diminuição populacional é abrupta. Em tese, 0 Brasil tem mais duas décadas com a janela de oportunidade aberta - o tempo de acumular riqueza e conhecimento suficientes para enfrentar a fase de envelhecimento da Nação.

Em 2014 os brasileiros saberão quais líderes esses novos e cruciais tempos vão forjar. Espera-se que saibam surfar.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Pátria em suspense - Denise Rothenburg

Se levarmos em conta o que se lê nas redes sociais nos últimos dias, o Sete de Setembro promete. A expectativa de manifestações por todo o país parece chegar ao ponto do que aconteceu em junho, quando 30 mil tomaram o gramado em frente ao Congresso Nacional. O que acendeu os internautas foi a manutenção do mandato de Natan Donadon. Há muitos parlamentares atônitos diante da “absolvição”, buscando alternativas que possam reduzir a revolta da população, que não consegue entender como o plenário permitiu que Donadon mantivesse o status de deputado. E é aí que mora o perigo de alguém querer se aproveitar disso para agir em causa própria.

Nessa primeira semana pós-votação do caso Donadon, será possível avaliar o que virá. Pelas conversas das excelências, o episódio ajudará a retomar a reforma política. Resta saber que tipo de reforma. Uma das sugestões é reduzir o tempo de campanha. Vale lembrar que as campanhas no Brasil já foram mais longas do que as que temos hoje na tevê. A redução ocorreu quando os grandes partidos ficaram com medo de perder espaço para Lula. Houve época em que se chegou ao ponto de proibir imagens externas para que Lula não pudesse exibir suas caravanas na telinha.

Agora, com o PT tão diferente dos tempos em que seus maiores líderes percorriam o país trajando jeans e paletós surrados, vem do maior parceiro, o PMDB, a ideia de reduzir o período oficial das campanhas. E quem reclama dessa iniciativa são aqueles que estão interessados em apear os petistas do poder, o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos, pré-candidatos a presidente da República menos conhecidos do público em geral.

Aliás, o PMDB, nesse aspecto especifico, está muito parecido com o antigo PFL. Nos tempos das vacas gordas dos tucanos, eram os pefelistas — os principais parceiros de governo — que apresentavam as propostas de reforma política. Embora travestidas de moralidade, muitas iniciativas queriam mesmo era evitar a possibilidade de renovação. Nesse sentido, o melhor que os manifestantes podem fazer, em vez de quebrar tudo, é estudar o tema e não permitir nada que tenha por objetivo apenas preservar o status quo.

Afinal, depois de Donadon, está mais do que provado que, ali, no plenário, o instinto de sobrevivência e do “eu sou você amanhã” fala mais alto.

Por falar em sobrevivência...
Dois personagens merecem atenção redobrada nos próximos dias: a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e o ex-governador de São Paulo José Serra. Marina não fala em buscar nova legenda, mas seus aliados se movimentam por ela em conversas com o PEN e também com o PV, onde as chances de sucesso são remotas.

José Serra também não está parado. E as maiores apostas hoje são as de que ele deixará o PSDB. Serra, como todos os políticos ditos “de ponta”, não consegue ficar fora do cenário. E, dentro do PSDB, no momento, ele está fora da foto principal e ninguém parece se mexer para incluí-lo nesse retrato. O máximo que se ouve de sugestão é que ele deveria ser candidato a deputado federal, puxar uma grande bancada e jogar para dentro do partido. Ou, quem sabe, buscar concorrer ao Senado. Serra acha que merece mais. Por isso, começou a preparar as malas.

Enquanto isso, no Planalto...
Em termos eleitorais, a presidente Dilma Rousseff não tira os olhos de Minas Gerais. Lançou o PAC das cidades históricas, passeou na praça em Belo Horizonte, conforme divulgado com exclusividade pelo Correio Braziliense e Estado de Minas. De quebra, ainda irá se reunir com prefeitos de municípios mineiros. Tudo para tentar tirar combustível da largada de Aécio Neves. Estão todos lutando pela sobrevivência.

Fonte: Correio Braziliense

Painel - Vera Magalhães

Assim está escrito
O ministro Ricardo Lewandowski deve ler em plenário trechos do voto em que Celso de Mello defendeu a possibilidade de embargos infringentes no mensalão. Na abertura do julgamento, o decano do STF sustentou que esse tipo de recurso garantiria novo grau de jurisdição a condenados que tiveram ao menos quatro votos a seu favor. Seria uma forma de expor a contradição em que Mello -o último a votar e provável fiel da balança- incorrerá caso decida não receber os recursos.

Acordo 1 O Tribunal Superior Eleitoral não possui o software para realizar os batimentos das digitais do cadastramento biométrico. A corte não investiu no equipamento, considerado caro, e a conferência das impressões digitais é feita pelo Instituto Nacional de Identificação, ligado ao Ministério da Justiça.

Acordo 2 O objetivo do cadastramento é dificultar fraudes nas eleições. Os dados biométricos, segundo o TSE, são enviados pelo INI por meio de um dispositivo eletrônico. Já foram cadastradas 1.350.000 digitais.

Escudeiro Antes mesmo de Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) selarem pacto contra o item da minirreforma eleitoral que encurta as campanhas, o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), já tinha avisado que votaria contra a medida.

Ato falho Na reunião em que anunciou sua posição, Rollemberg disse que a campanha menor visava impedir que Campos se tornasse conhecido. Os demais senadores entenderam a fala como a confirmação de que o governador de Pernambuco será candidato a presidente.

Jeitinho Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) está sendo aconselhado por aliados a revogar a suspensão do mandato de Natan Donadon (RO). Assim, o deputado-preso estouraria o limite de 30% de faltas no ano e perderia o mandato por ato de ofício do presidente da Câmara.

Sempre ele Eduardo Cunha (PMDB-RJ) incentiva as conversas para uma possível aliança entre o PMDB e o PSDB de Geraldo Alckmin em São Paulo. O ''namoro'', já desautorizado por Michel Temer, é uma tentativa de pressionar o PT a desistir de lançar Lindbergh Farias no Rio.

Há vagas 1 Edison Lobão e Dilma Rousseff discutiram recentemente nomes para o comando da PPSA, estatal que cuidará dos contratos do pré-sal. O ministro de Minas e Energia sugeriu José Lima Neto, da BR Distribuidora, mas a presidente achou melhor mantê-lo onde está.

Há vagas 2 Dilma, então, sugeriu Marco Antônio, hoje secretário de petróleo da pasta de Lobão. O ministro ponderou que não pode abrir mão do assessor. Assim, a dupla ainda busca uma alternativa para o cargo, cujo salário é de R$ 52 mil.

Plantão No primeiro fim de semana depois de sua nomeação, o novo chanceler brasileiro, Luiz Alberto Machado, já ficou de sobreaviso, bem como outros assessores palacianos, diante da reportagem do "Fantástico'', da Rede Globo, sobre provas de que a agência norte-americana NSA espionou Dilma.

Tabelinha A Prefeitura de São Paulo toma posse na quinta-feira do hospital Santa Marina, no Jabaquara, que será gerido pelo hospital Albert Einstein. O ministro Alexandre Padilha (Saúde) articulou com o prefeito Fernando Haddad para convencer a Amil a desistir da compra.

Nova direção Depois de surpreender e vencer a eleição no sindicato dos motoristas de ônibus da capital, a UGT, central sindical que já representa os motoboys, deve disputar o comando do sindicato dos metroviários.

Tiroteio

Após 5 de outubro, o Congresso terá de regular a criação de partidos. O projeto foi tachado de anti-Marina, mas é moralizador.
DO SENADOR EUNÍCIO OLIVEIRA (PMDB-CE), defendendo que o Legislativo retome a discussão da proposta que coíbe novas siglas para depois de 2014.

Contraponto

Proibido para tucanos
Logo depois do jantar com o senador mineiro Aécio Neves (PSDB), na última quinta-feira, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), concedeu breve entrevista a jornalistas que faziam plantão em sua casa.
-Governador, vocês assistiram juntos ao "Programa do Ratinho''? -indagou uma repórter, sobre a entrevista de Campos que tinha ido ao ar na mesma noite.
-Passamos pela sala e meu filho estava assistindo. Eu disse ao Aécio que era melhor ele não ver, porque ia acabar se convencendo - respondeu o pessebista, de novo deixando no ar sua possível candidatura presidencial.

Com Andréia Sadi e Bruno Boghossian

Fonte: Folha de S. Paulo

Direto de Brasília - João Bosco Rabello

Em meio ao caos que precede e permeia todo fim de ciclo histórico, de que é cenário hoje a política nacional, uma placa teutônica se desloca longe dos olhos da maioria, mantendo distante o que parece o fim do mais longevo feudo patrimonialísta brasileiro - o clã Samey no Maranhão, não por acaso, onde se registram os piores índices de vida do País há décadas.

Os ventos de mudança que impõem a transformação dos costumes políticos decadentes, herdados do colonialismo português , parecem ter alcançado a ilha de resistência mais notória desse processo, segundo as pesquisas à sucessão da governadora Roseana Sarney.

Pela primeira vez, a oposição larga na frente na disputa eleitoral no Estado - e com uma vantagem até recentemente impensável de 45% sobre o segundo colocado. O presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B), lidera a corrida em todos os cenários, sendo o mais expressivo o que o coloca com 60% da preferência contra 15% de Luis Fernando (PMDB), apoiado pelo clã Sarney.

Cenário que se mantém quando Fernando é substituído pelo aliado histórico de Sarney, o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, dono do maior índice de rejeição (39%).

A pesquisa indica também a vitória da oposição na disputa pelo Senado contra qualquer um dos pré-candidato da família Sarney. Na disputa com Roseana, o vice-prefeito de São Luís, Roberto Rocha (PSB), tem 43,69% contra 35,38% da governadora.

Com mandatos ininterruptos desde 1955 (salvo breves sete meses entre a saída da Presidência e março de 1990), o senador José Sarney está diretamente ligado aos índices negativos do Estado. O mais baixo índice de Desenvolvimento Humano (IDH), refletido na maior taxa de mortalidade infantil do País (28 por mil habitantes), na maior pobreza extrema e no menor número de médicos por habitante.

Significa dizer que no Estado comam dado hoje por Roseana e os irmãos Murad - Jorge e Ricardo (este, secretário de Saúde, pasta com 50% do orçamento), 22% da população sobrevivem com R$ 2,20 por dia e só metade mora em casas com água e banheiro. Em contraste com a riqueza natural materializada no gás, petróleo, soja e indústrias e com o poder político nacional que fez do chefe do clã presidente da República e quatro vezes do Senado Federal.

Por vezes, essa supremacia estadual de Sarney foi ameaçada, mas jamais abalada. Porém, foi seguramente a aliança com o PT que lhe garantiu fôlego na última década, em que se impôs regionalmente, como demonstra a censura do presidente Rui Falcão à propaganda regional do partido, com críticas ao IDH do Estado, a pedido de Sarney.

Extinção
O projeto do novo Código de Processo Civil, já no plenário da Câmara, extingue os embargos infringentes, que divide o STF por permitir a reforma das sentenças dos mensaleiros.

Efeito Donadon
O relator do fim do voto secreto, deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), começa a semana audiências públicas, com representantes do STF, OAB, TSE e CNJ.

Causa própria
O PMDB quer reduzir a propaganda em rádio e TV de 45 para 30 dias. Reduz custos de campanha e a margem de êxito dos candidatos menos conhecidos, que precisam de mais tempo de exposição,

Fonte: O Estado de S. Paulo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns dos principais jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Chile - 40 anos do golpe: O Brasil de Allende

Roberto Simon

SANTIAGO - Menos de dois meses após o golpe no Chile, o primeiro embaixador de Augusto Pinochet no Brasil, Hernan Cubillos Leiva, foi recebido no Itamaraty pelo chanceler Mário Gibson Barbosa para o que o diplomata chileno chamou de "uma entrevista transcendental". O Brasil havia ajudado os golpistas de Santiago e fora o primeiro país a reconhecer a junta militar. Agora, o governo de Emílio Garrastazu Médici prometia apoio total para conter a "campanha de intriga internacional contra o Chile".

O chanceler brasileiro confidenciou a Cubillos que estava sob pressão para se manifestar sobre os relatos de tortura no Chile, que começavam a tomar manchetes de jornais mundo afora. "Eu não acredito nessas denúncias", adiantou, comparando-as à "campanha do comunismo internacional (...) após a revolução de 1964 no Brasil". "Vejo toda essa experiência (no Chile) e a que viveu o Brasil e, por isso, posso lhe dizer que simpatizamos totalmente com vocês. Chile e Brasil estão na mesma trincheira", garantiu.

Enquanto o chanceler do Brasil louvava o golpe chileno e desprezava as denúncias de repressão em massa, agentes da ditadura brasileira desembarcavam em Santiago para prestar "consultoria" aos primeiros torturadores de Pinochet. Milhares de opositores, incluindo cidadãos brasileiros, sofreram no Chile torturas "importadas" do Brasil, as quais mantiveram nomes como "pau de arara" e "submarino".

O relato completo da conversa entre Gibson Barbosa e Cubillos, classificado como "estritamente secreto", faz parte de um arquivo da chancelaria chilena ao qual o Estado teve acesso. No domingo, o jornal mostrou o "Chile de Pinochet": o apoio do governo Médici à conspiração que este mês completa 40 anos. Mas também havia no Chile um "Brasil de Salvador Allende", formado por cerca de 5 mil exilados brasileiros que se envolveram na tentativa de construir o socialismo democrático no país sul-americano.

Várias figuras centrais da política brasileira da atualidade encontraram abrigo no Chile após o golpe de 1964. O Estado conversou com dois ex-exilados que, embora hoje estejam em campos opostos, viram-se no mesmo barco quando os golpistas triunfaram em Santiago: o ex-governador José Serra, do PSDB, que chegou a trabalhar no governo da Unidade Popular (UP), e o assessor do Planalto Marco Aurélio Garcia, do PT, que se tornou secretário de assuntos internacionais do Movimiento Izquierda Revolucionaria (MIR), uma das alas mais radicais da base de apoio da UP.

Fugas

Logo após o golpe de 11 de setembro, enquanto exilados brasileiros eram caçados nas ruas, Serra e Paulo Renato Souza - que décadas depois se tornaria ministro da Educação de Fernando Henrique Cardoso - auxiliaram Marco Aurélio a encontrar abrigo na embaixada do Panamá. "Foi uma atitude muito decente do Serra", reconhece hoje o assessor do Planalto.

Com o pequeno apartamento onde funcionava o escritório panamenho abarrotado de refugiados, muitos deles do Brasil, o embaixador decidiu incorporar à missão a casa do intelectual brasileiro Theotonio dos Santos, estendendo a ela a imunidade diplomática. "Assim, era possível salvar mais gente", relembra Serra, que encontrou abrigo na embaixada italiana.

O ex-governador dava aulas de história do pensamento econômico e trabalhava na Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), das Nações Unidas. Em 1972, substituiu a economista Maria da Conceição Tavares em um posto de consultoria técnica do governo Allende. "Naquele momento, já dava para ver que a coisa tinha naufragado. Havia um cenário de completo caos econômico."

No Chile, Marco Aurélio lecionou e, na universidade, entrou no MIR, chegando ao comitê político do grupo. "Passei por um processo de 'desbrasilização' e mergulhei na realidade chilena." Um dos primeiros do grupo a chegar na Europa após o golpe, ele ficou encarregado de organizar o MIR no exterior. Entre 1975 e 1976, levou US$120 mil em uma mala com fundo falso de Paris a Santiago, usando um passaporte falso e de barba raspada. "Antes de partir, me falaram: 'Ninguém que entrou lá (no Chile) saiu vivo'. Eu fui."

Serra chegou a passar uma noite no Estádio Nacional, mas - "talvez por milagre", diz - foi liberado. Dezenas de brasileiros não tiveram a mesma sorte. O arquiteto Nilton Bahlis dos Santos passou 45 dias na arena onde Garrincha conquistara a Copa de 1962, convertida em campo da barbárie. "Sabíamos que havia brasileiros ajudando torturadores. Nós fomos fichados e, depois, eles vieram. Passavam informações aos interrogadores. Tinha um que até assobiava músicas brasileiras." Segundo Manuel Contreras, ex-chefe da espionagem de Pinochet, 80 brasileiros passaram pelo Estádio Nacional. Após dias de confinamento, um grupo de brasileiros conseguiu acionar o consulado, mas os exilados foram ignorados pelo Itamaraty. Coube à Cruz Vermelha ajudá-los.

Fonte: O Estado de S. Paulo

'Ditadura brasileira nos fez o favor de enviar companheiros'

Golpe de 1964 no Brasil já indicava que plano de Allende era impraticável, afirma ex-líder de grupo revolucionário chileno

Roberto Simon

SANTIAGO - Sobrinho de Salvador Allende, Andrés Pascal Allende diz que a ditadura brasileira deu duas grandes contribuições ao Movimiento Izquierda Revolucionaria (MIR), do qual foi secretário-geral. Primeiro, o Brasil despejou exilados no Chile, alguns dos quais passaram a integrar o MIR. Segundo, o golpe de 1964 mostrou à cúpula da organização que o sonho de Allende de construir o socialismo por meio das instituições democráticas - "com empanadas e vinhos", como se dizia à época - era impraticável. "Lamentavelmente, estávamos certos", afirma Pascal, passados 40 anos do golpe.

Como o golpe de 1964 no Brasil afetou a esquerda chilena?

ANDRÉS PASCAL ALLENDE - A ditadura brasileira nos fez um grande favor: mandou ao Chile ótimos companheiros, muitos dos quais se incorporaram ao MIR. Foi o caso de Marco Aurélio Garcia (hoje assessor especial do Palácio do Planalto), os irmãos Éder e Emir Sader (sociólogos), além de Theotonio dos Santos (economista), que embora não tenha sido exatamente do MIR, era muito próximo a nós, e nosso grande mestre Ruy Mauro Marini (sociólogo). Eles nos deram uma contribuição inestimável.

E como funcionou, na prática, essa colaboração?

ANDRÉS PASCAL ALLENDE - Exilados brasileiros de diversos grupos chegaram ao Chile a partir de 1964 e aqui se vincularam com o processo político que nós vivíamos. Grande parte desses brasileiros era de intelectuais, que passaram a trabalhar em universidades. Nesse contexto, vincularam-se a estudantes e colegas muito radicalizados, como era nossa geração, no Chile. Um número importante veio para o MIR.

E havia algum grupo brasileiro especialmente vinculada a vocês?

ANDRÉS PASCAL ALLENDE - No Uruguai, tínhamos os Tupamaros e, na Argentina, o PRT (Partido Revolucionário dos Trabajadores). Mas no Brasil, nessa época, não tínhamos um 'sócio' porque os grupos revolucionários já estavam muito enfraquecidos.

O MIR nunca acreditou realmente na possibilidade de construir o socialismo por meio da democracia, não é verdade?

ANDRÉS PASCAL ALLENDE - A democracia não é apenas a liberal - ou "burguesa", como se dizia na época. Acreditávamos em outras formas de democracia. O MIR teve, sem dúvida, uma forte influência da Revolução Cubana. Mas não tínhamos uma visão "guerrilherista" ou "foquista" da luta. Víamos o caso chileno como algo diferente.

Mas havia diferenças importantes com Allende, não?

ANDRÉS PASCAL ALLENDE - Nós, do MIR, tínhamos um programa parecido com o da Unidade Popular e laços muito fortes principalmente com o Partido Socialista. Assim, o MIR iniciou uma espécie de "dupla militância": minha mãe, por exemplo, era deputada socialista (Laura Allende Gossens) e trabalhava também conosco. Vários outros parlamentares faziam o mesmo. O MIR, porém, nunca acreditou muito na democracia liberal, na ideia de que era possível produzir uma mudança profunda no Chile apenas pela via institucional. Tínhamos uma concepção, digamos, político-militar, embora nunca tenhamos feito uma guerrilha. O modus operandi eram as mobilizações de massa, milícias e ações armadas de propaganda, além de roubos a banco para financiar o movimento social. Mas éramos muito ligados a Allende - seus seguranças, por exemplo, eram todos do MIR. Mas discordávamos do presidente, que dizia ser possível produzir a mudança que esperávamos dentro da institucionalidade vigente. Lamentavelmente, não nos equivocamos ao pensar que haveria um golpe militar contra ele, até mesmo porque víamos o que estava ocorrendo em outros países do Cone Sul, a começar pelo Brasil.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Paulinho da Viola - Timoneiro

O Rio – Manuel Bandeira

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refleti-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas

domingo, 1 de setembro de 2013

OPINIÃO DO DIA – Marco Aurélio Mello: homenagem

“Os reeducandos da Papuda estão homenageados”

Marcos Aurélio Mello, Ministro do STF ironizando a decisão da Câmara

Casa de suspeitos - O saco de gatos da Casa Civil

Ex-assessor suspeito de pedofilia e estupro é preso no Paraná, mas órgão ligado à Presidência ainda emprega servidor acusado de tentar furar uma blitz de trânsito

Paulo de Tarso Lyra e Karla Correia

A Casa Civil está novamente no centro das atenções por denúncia de irregularidades praticadas pelos servidores. A ministra Gleisi Hoffmann foi convidada pela Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para dar explicações sobre o ex-assessor da pasta, Eduardo André Gaievski, preso ontem depois de passar nove dias foragido, acusado de pedofilia e aliciamento de menores durante o período em que foi prefeito de Realeza (PR). Além disso, o subchefe de Articulamento e Monitoramento da pasta, Luis Antonio Tauffer Padilha, teve a carteira de habilitação cassada após furar um bloqueio policial em Brasília. E o subchefe de assuntos jurídicos, Ivo Corrêa, é pressionado pela oposição a dar explicações na Comissão de Ética da Presidência por já ter sido diretor de relações governamentais do Google.

Ontem, por volta das 6h, Eduardo André Gaievski foi detido por policiais civis em Foz do Iguaçu (PR) e transferido para Curitiba. Ex-prefeito de Realeza, no sudoeste do Paraná, ele deixou o cargo de assessor especial da Casa Civil em 24 de agosto, logo depois de ter um mandado de prisão preventiva expedido contra ele. Petista, Gaievski é investigado por estupro de vulnerável. Segundo o advogado Natalício Farias, que representa a família de três supostas vítimas, Gaiesvski teve ajuda de outras mulheres para levar meninas de 13 e 14 anos a motéis. Os favores sexuais eram retribuídos com dinheiro e cargos na prefeitura. Na última segunda-feira, a Executiva do PT no Paraná suspendeu Gaievski do partido. As investigações estão a cargo do Ministério Público do Paraná em Foz de Iguaçu e da Polícia Civil.

Tauffer Padilha, cuja retenção da habilitação foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal de 23 de fevereiro de 2012 por ter tentado romper uma barreira policial durante uma blitz de trânsito, não é um servidor qualquer. Apontado como um dos cabos eleitorais da chefe da Casa Civil, ministra Gleisi Hoffmann, durante as eleições para o senado em 2010, Padilha ocupa atualmente o mesmo cargo exercido por Miriam Belchior — atual ministra do Planejamento — durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Na época, ela era responsável por assessorar a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A condução do PAC migrou para o Planejamento com Miriam Belchior, o que, em tese, esvaziou um pouco a subchefia de Articulação e Monitoramento. Mas Padilha ainda exerce o papel de negociações com prefeituras, atua nas nomeações para o Ministério das Cidades e tem trabalhado para emplacar aliados na Autoridade Pública Olímpica (APO). Por meio da assessoria da Casa Civil, Tauffer Padilha disse que não furou o bloqueio de trânsito e que recorreu da multa.

Já Ivo Corrêa teve sua atuação como diretor do Google publicada pelo Correio na edição de 15 de julho. A reportagem mostra que ele abdicou do cargo de servidor do Ministério do Planejamento para trabalhar como diretor de Relações Governamentais do Google. Quando foi nomeado para a subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, passou a analisar, entre outras questões, o marco civil da internet o que, em tese, configura conflito de interesse.

A assessoria da Casa Civil respondeu que, para a contratação de qualquer servidor em cargos de confiança na administração pública federal, o governo realiza uma pesquisa com instrumentos de uso estrito dos órgãos de inteligência. A investigação se dá antes do ato da nomeação e não existem monitoramentos posteriores, tampouco previsão de revisão destes procedimentos. Segundo a nota, no caso específico de Gaievski, ainda é preciso ser levado em conta que o processo corria em segredo de justiça.

Memória

Alvo de denúncias

Desde que o PT assumiu o poder, em 2011, a Casa Civil da Presidência da República tem sido um foco de problemas para o Palácio do Planalto. O primeiro titular da pasta, José Dirceu, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos e 10 meses de prisão por comandar o esquema do mensalão. Nomeado para o cargo no início da gestão de Dilma Rousseff, Antonio Palocci caiu após as denúncias de que teria tido uma evolução patrimonial de 20 vezes, saltando de R$ 375 mil para R$ 7,5 milhões entre 2006 e 2010, quando foi deputado federal.

No fim do segundo mandato de Lula, a então ministra Erenice Guerra também foi obrigada a deixar a pasta. Em setembro de 2010, denúncias divulgadas na imprensa acusaram Israel Guerra, filho de Erenice, de participar de um esquema de tráfico de influência, em que cobraria propina de 6% para facilitar negócios com o governo.

Antes mesmo do mensalão, no entanto, a Casa Civil já produzia escândalos. Foi de lá que saiu a primeira crise do governo Lula. Em 2004, veio a público a gravação de um vídeo em que o então subchefe de Assuntos Parlamentares do Planalto aparecia cobrando propina do bicheiro Carlinhos Cachoeira para o PT e para si. A gravação era de 2002, quando Waldomiro presidia a empresa de loterias estaduais do Rio de Janeiro, a Loterj, no governo de Anthony Garotinho. Quando o vídeo foi divulgado, Waldomiro elaborava uma medida provisória para legalizar os bingos do país, que acabou abortada. Em 1º de março de 2012, a Justiça do Rio condenou o servidor a 12 anos de reclusão, três anos de detenção e multa de 170 mil reais. Ele ainda pode apelar em liberdade da sentença.

Fonte: Correio Braziliense

Mensalão o julgamento - STF discutirá prisão imediata de condenados

Caso conclua análise de recursos dos últimos seis réus, Supremo pode determinar detenções já nesta semana

Ministros vão definir se cumprimento das penas do mensalão terá início antes da análise de novas contestações

Com apenas seis recursos para serem julgados e a possibilidade de conclusão da atual fase de julgamento do mensalão nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá de decidir se vai decretar a prisão imediata dos condenados ou se aguardará a apresentação de novos recursos.

Em pelos menos dois casos já julgados pela corte, mandados de prisão foram expedidos logo após a rejeição do primeiro tipo de recurso.

Em outro caso mais recente, o do deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO), o tribunal preferiu aguardar a análise de todos os recursos possíveis antes de mandar o deputado para a prisão.

No mensalão, há duas situações a serem discutidas. Concluída a atual fase do julgamento, que analisa os chamados embargos de declaração --que servem para corrigir eventuais obscuridades, omissões ou contradições no acórdão que resume o que foi decidido no julgamento--, os ministros terão de avaliar se os embargos infringentes poderão ser apresentados.

Se aceito, esse recurso levaria à realização de um novo julgamento nos crimes em que os condenados receberam pelo menos quatro votos favoráveis pela absolvição.

Maior julgamento da história do STF, o mensalão condenou 25 réus. Desses, 12 tiveram votos suficientes para a apresentação de embargos infringentes, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino.

O problema é que, apesar de previsto no regimento interno do tribunal, esse tipo de recurso não consta numa lei de 1990 que regula a tramitação de processos no STF e no Superior Tribunal de Justiça. Por isso, haverá debate para saber se eles são válidos.

Caso a existência dos infringentes seja rejeitada, o STF terá de discutir em que momento vai determinar a execução das penas.

Histórico

Em 2007 e 2008, a corte enviou para a prisão dois réus justamente nessa fase do julgamento. Os irmãos Luis Gonzaga Batista Júnior e Luiz Gonzaga Batista Rodrigues, acusados de homicídio, tiveram de começar a cumprir suas penas logo após a rejeição dos embargos de declaração.

Joaquim Barbosa foi o relator das ações e, em seu voto, determinou a prisão. Ele foi acompanhado pelos colegas.

No caso de Donadon, a prisão só foi determinada após o julgamento do recurso conhecido no meio jurídico como "embargos dos embargos de declaração".

Caso a corte entenda que os chamados embargos infringentes são cabíveis no mensalão, uma outra discussão será inevitável.

O tribunal terá de decidir se determina o início do cumprimento da pena de 13 dos 25 réus que não têm direito a esse tipo de recurso --entre eles, estão o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) e o delator do mensalão, Roberto Jefferson-- ou se aguardará o julgamento dos infringentes dos outros réus para definir o futuro de todos.

Ministros ouvidos pela Folha disseram que, caso os infringentes sejam aceitos, o novo julgamento que resultará desse tipo de recurso dificilmente será concluído antes do fim do ano que vem.

Fonte: Folha de S. Paulo

Um apagão a cada ano

Forte reduto político de Dilma, o Nordeste sofreu três grandes blecautes em sua gestão, o que força a presidente a agir no setor

Um grande apagão por ano

Ex-ministra de Minas e Energia, presidente Dilma tem o desafio de recuperar o sistema energético brasileiro

Felipe Lima e Giovanni Sandes

Não bastassem as turbulências política e econômica, a presidente Dilma Rousseff vive um inferno astral na sua área de origem, a energética. Ela começou no Rio Grande do Sul como secretária estadual de Minas e Energia e foi nesse setor que, com sua fama de gerente eficiente, aos poucos alçou voo para a principal cadeira do Planalto. Após assumir a Presidência da República, porém, Dilma amarga a média de ter em seu governo ao menos um grande apagão por ano no Nordeste, importante reduto político nas três últimas eleições - e uma região que, certamente, pesará no embate de 2014.

Nenhum governante quer apagões em seu governo pelo dano político. A própria expressão "apagão" nasceu do racionamento nacional de energia em 2000 e 2001, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, quando a falta de planejamento deixou o País inteiro no risco de ficar sem luz. Além do custo político, há também o financeiro.

Segundo técnicos do governo federal, só no blecaute da última quarta-feira o prejuízo no Nordeste chegou a R$ 385 milhões.

A causa do novo apagão seria uma queimada abaixo de uma linha de transmissão, os longos cabos que levam a energia das usinas até as distribuidoras estaduais, como a Celpe, que fornecem para cidadãos e empresas.

"Interrupções de energia geram grandes prejuízos. Um sistema que nunca desligue é muito caro, a gente entende. Mas é preciso no mínimo questionar se não há algo a se fazer. Uma queimada não deveria desligar toda uma região", diz Camila Schoti, coordenadora de Energia Elétrica da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace).

Em 3 de fevereiro de 2011, foi uma falha em uma placa eletrônica do tamanho de uma caixa de pizza que iniciou um apagão de até 4 horas em algumas localidades do Nordeste. Ano passado se descobriu que a demora na volta da luz ocorreu por trapalhadas como a dificuldade em se abrir um mero portão.

Em 2012, os blecautes se espalharam no País. O Nordeste apagou em outubro. "O que temos visto é a frequência com que os problemas estão ocorrendo, que já deixou de ser razoável. É um indicador forte de que as escolhas do setor elétrico não estão sendo bem sucedidas", afirma Cláudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil.

Uma das fraquezas do Nordeste é consumir 8 mil megawatts (MW) e gerar 6 mil MW, ou seja, mesmo com usinas, "importar" energia do Sul e Sudeste.

"Isso já nos torna, infelizmente, dependentes do sistema. E o ponto mais frágil do conjunto são justamente as linhas de transmissão que cortam Tocantins e Piauí. Quando há um problema como ocorreu semana passada, há algo como uma queda de um castelo de cartas", conta João Paulo Aguiar, diretor do Instituto Ilumina.

"Essas linhas de transmissão são como autopistas de energia. Automaticamente, softwares do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinaram o desligamento de linhas seguintes e a região ficou sem abastecimento. É, grosso modo, como o disjuntor de uma casa desligar quando há grande oscilação de energia. Se isso não ocorresse a variação seria de tal maneira que os reflexos seriam graves", conta Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em tese, poderia haver redundâncias, mais linhas entre a mesma origem e destino. Mas a conta é muito cara para uma rede apenas reserva - o Brasil possui hoje 100 mil quilômetros de linhas, duas voltas e meia na Terra pela Linha do Equador.

Só há redundância em Itaipu Binacional, a usina entre o Brasil e o Paraguai que atende 20% do País, uma área crítica. "Em um linha como a que resultou no apagão de quarta-feira, não há justificativa para mais de uma rede de transmissão", esclarece Nivalde.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

De Pernambuco para a Sapucaí

2014. Em ano eleitoral, escola de samba homenageia Estado no Carnaval do Rio e pode ajudar Eduardo Campos a ser mais conhecido

Bruna Serra

Ano eleitoral, 2014 fará o governador Eduardo Campos (PSB), literalmente sambar na ponta dos pés. Isso porque a cultura do Estado deve ser vista evoluindo na passarela do samba na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, cidade que tem o Carnaval mais famoso do mundo. A agenda positiva em ano de campanha chega porque Pernambuco será o tema do enredo do próximo ano da escola da samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

O enredo "Pernambucópolis" vai levar Pernambuco para a Sapucaí relembrando um dos mais renomados carnavalescos do País, Fernando Pinto. De quebra, ajudará o governador a ficar mais conhecido Brasil afora. O tema está sendo desenvolvido pelo carnavalesco carioca Paulo Menezes, que no início do ano esteve no Estado, junto com o diretor da escola, Paulo Viana, em busca de patrocínio para o desfile.

De acordo com Menezes, a ideia de homenagear o Estado surgiu devido a forte identidade cultural que apresenta, abrindo possibilidades de se explorar diversas vertentes da cultura pernambucana em todas as alas do desfile.

"Um verdadeiro passeio cultural por Pernambuco. Vamos falar do povo, da terra. De tudo que é cultura dentro de Pernambuco. É um enredo totalmente autoral e não tem conexão nenhuma com política", resumiu Menezes, ao ser questionado se a escola não poderia terminar beneficiando um presidenciável.

Apesar da visita ao Estado, a diretoria da Mocidade - que foi recebida pelo secretário estadual de Cultura, Fernando Duarte (PT) - ainda não conseguiu captar verbas para o Carnaval, que, no ano passado, chegou a movimentar quase R$ 2 bilhões, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro.

O samba-enredo, composto pelo sambista Dudu Nobre, ganhou o reforço do cantor pernambucano Lenine, e apesar de tratar o Estado com clichês linguísticos como "arretado" e "vixe Maria", exalta o folclore popular, o frevo e o forró.

"Ah meu Pernambuco, sou mameluco, do Norte sou leão. Um peregrino personagem de Cordel, levo comigo meu ‘padinho Padre Miguel’. Eu danço frevo até o dia clarear no colorido do folclore popular. Abre a sombrinha que o ‘galo’ madrugou. Também tem festa em Olinda, meu amor", diz o refrão do samba.

Paulo Menezes ressalta que o enredo foi eleito quatro vezes como o melhor do Carnaval carioca, com cerca de 80% de aprovação do público em enquetes realizadas com todas as escolas do Rio em sites da internet. "Vencemos todas as enquetes e na mídia estamos muito bem alinhados. Com certeza, faremos um grande e maravilhoso desfile, no Carnaval de 2014", finalizou o carnavalesco.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Marina evita, mas aliados já discutem futuro sem Rede

Segunda colocada nas pesquisas eleitorais, Marina Silva se recusa a discutir, até mesmo a portas fechadas, um plano B para a sucessão presidencial de 2014 se não conseguir registrar seu partido, a Rede de Sustentabilidade, dentro do prazo exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Apesar da cautela da ex-senadora, dirigentes da Rede que são detentores de mandato parlamentar já começam a pensar no futuro caso o projeto naufrague.

Para poder ter candidatos em 2014, a Rede precisa ser criada até 5 de outubro, mas tem enfrentado dificuldades para certificar as 492 mil assinaturas necessárias para obter o registro.

Sem uma legenda própria, Marina teria de procurar um partido para abrigar seu projeto de poder que oferecesse "um mínimo de conforto programático", como diz um operador político da Rede. O espectro é pequeno, mas traz opções. Amais viável seria o retomo ao PV, sua antiga legenda. Outras alternativas aceitáveis seriam o PDT, PPS e até 0 novato PEN, que poderia ser moldado à imagem e semelhança de Marina.

Todas essas siglas se dizem abertas ao diálogo e já abrigam militantes ligados a Rede. O problema é que uma eventual migração poderia deixar os parlamentares do grupo sem mandato, já que a lei só permite mudança para partidos recém-criados.

Para a maioria dos políticos que estão na linha de frente do movimento pela criação da Rede, a permanência em suas amais legendas se tomou insustentável. Deputado federal eleito pelo Rio, Alfredo Sirkis explodiu pontes com o PV, partido que ajudou a criar. Ele já sabe que não seria fácil conseguir a legenda para tentar renovar o mandato. "O grupo do (José Luiz) Penna (presidente nacional do PV) quer ver a minha caveira", afirma. Se eu quiser, sou candidato pelo PV pelas vias legais. Mas eu não sei se quero isso, Estou extremamente calmo, enfrentando essa situação com muita tranqüilidade, até porque eu não sou político, estou político"

O mesmo dilema vive o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA). Ele anunciou publicamente que não fica na sigla se os petistas mantiverem a aliança com a família Sarney no Estado, hipótese mais provável. Dutra não esconde que, caso a Rede não saía do papel, vai buscar outras alternativas. "Estou acompanhando (o processo no TSE)y mas só vou pensar numa alternativa a partir do dia 20 de setembro. Aí eu vou ver se fico no PT ou se vou para outra sigla". PSOL, PDT e PSB já se ofereceram para abrigar o dissidente.

Na semana passada, o diretório paulistano do PSDB aprovou a expulsão do deputado federal Walter Feldman (SP). A decisão não deve ser endossada pelas demais instâncias da sigla, mas criou um constrangimento caso o parlamentar decida ficar entre os tucanos. "Apesar da iniciativa do diretório municipal, eu tenho uma relação muito carinhosa com o PSDB. Se a Rede não sair, não veria problema em ficar no partido", desconversa Feldman,

Embora tenha mandato garantido até 2016 na Câmara Municipal do Rio* o vereador Jefferson Moura já foi comunicado que não terá mais espaço nenhum em seu partido, o PSOL. "Ele está em um mato sem cachorro. Nem o grupo dele o aceitaria de volta", afirma o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ). Já a ex-senadora e hoje vereadora.em Maceió Heloísa Helena, ex-presidente do partido e aliada de Marina, teria espaço para negociar. "Ela tem se distanciado muito da direção do PSOL até em Alagoas, mas foi uma fundadora do partido. Levaríamos isso em consideração", pondera o deputado Ivan Valente (SP), presidente nacional da legenda.

0bsfáenl@5B Com medo de ficar de fora da disputa eleitoral do ano que vem, a Rede ingressou na segunda-feira com 0 pedido de registro no TSE mesmo sem cumprir os requisitos prévios para apresentar a solicitação. Até agora, o grupo conseguiu certificar cerca de 60% das assinaturas necessárias e criou apenas um dos nove diretórios estaduais exigidos pela lei.

Para agilizar o processo, os marineiros chegaram a pedir para que as assinaturas de apoio à criação da legenda fossem validadas pelos cartórios eleitorais sem a checagem da veracidade dos dados apresentados. O pedido foi negado pela ministra Laurita Vaz, relatora do caso.

Outras 200 mil assinaturas ainda aguardam o crivo dos cartórios, mas o número pode não ser o suficiente, devido ao elevado índice de rejeição das fichas em alguns Estados. Amanhã, a Executiva provisória da sigla se reúne em Brasília para fazer um balanço da situação.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Cartório vê falta de estrutura no partido

Campeão de rejeição de assinaturas em SP rebate críticas de Marina à Justiça Eleitoral

O cartório da 257ª Zona Eleitoral, na Vila Prudente, região leste de São Paulo, invalidou mais da metade das assinaturas enviadas pela Rede Sustentabilidade, partido que a ex-senadora Marina Silva tenta criar. É um dos maiores volumes de rejeições na cidade, segundo os apoiadores da futura sigla. Os fiscais alegam que as assinaturas não conferem com as do cadastro.

O trabalho de conferência, ficha por ficha, geralmente é feito por 6 dos 11 funcionários que trabalham no local. Mas, quando a coisa aperta, para não descumprir o prazo legal de 15 dias para emitir as certificações, até o chefe do cartório, Fernando Ruiz Zambrano, faz o serviço.

A demora dos cartórios para certificar as assinaturas e a quantidade de fichas invalidadas sem justificativa/têm sido apontado pela Rede como os principais obstáculos para conseguir o registro do partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O advogado da sigla, Torquato Jardim, diz que os maiores problemas estão em São Paulo e no Distrito Federal. Enquanto a média nacional de rejeição é de 18%, nesses lugares passa dos 30%.

Zambrano explica que o processo demanda certo tempo porque é 100% manual. A ficha de cada eleitor é checada nos cadernos de votação da eleição anterior. Se a assinatura não conferir, outros documentos disponíveis são consultados.

Para evitar fraudes, a equipe diz ser muito criteriosa ao conferir as assinaturas. A funcionária Sandra Mara Benedicto Alves, que trabalha há cinco anos no cartório, conta que, no começo, demorava muito para cumprir o procedimento, mas agora, só de bater o olho na assinatura, reconhece se ela é ou não do eleitor. "A letra da pessoa é única, dá para perceber", afirma.

Zambrano defende o trabalho dos cartórios. Diz que na sua zona eleitoral não houve atrasos significativos e que o problema não é da Justiça Federal, e sim da Rede. uEles dizem que a Justiça Eleitoral não tem estrutura, mas quem não tem são eles. Falta organização. O Solidariedade, por exemplo, mandou muito mais fichas", afirma, citando a sigla que o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) ajuda a criar. Enquanto a Rede enviou cerca de mil fichas ao cartório, o Solidariedade encaminhou o triplo.

Regras. Para formar um partido, a lei eleitoral exige que passem pelo crivo dos cartórios cerca de 492 mil assinaturas. Com medo de estourar o prazo, a Rede ingressou na última segunda-feira com o pedido de registro no TSE, mesmo sem cumprir os requisitos prévios para a solicitação. Segundo o último balanço, o grupo certificou 310 mil assinaturas. Faltam 182 mil.

A Rede diz que tem ainda cerca de 200 mil fichas em análise nos cartórios, mas esse número pode não ser o suficiente se as taxas de rejeição se mantiverem no atual patamar. No requerimento enviado ao TSE, os marineiros argumentaram que a futura sigla não poderia ser prejudicada pela morosidade do Judiciário e pediram que as assinaturas fossem validadas sem a checagem da veracidade dos dados apresentados. O pedido foi negado pela ministra e corregedora Laurita Vaz - mas ela cobrou agilidade dos cartórios e dos tribunais regionais eleitorais.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Demora é fruto de processo antiquado – Jairo Nicolau

As dificuldades para o registro da Rede Sustentabilidade não devem ser colocadas exclusivamente na conta da inépcia de seus dirigentes. Como tem sido noticiado, boa parte da demora é fruto de um sistema arcaico de conferência de assinaturas realizado pelos cartórios eleitorais municipais.

Um modelo vulnerável a tudo que há de pior na nossa tradição burocrática: discricionariedade, deslocamento de centenas de funcionários da Justiça Eleitoral para conferir informações, boicotes. Só faltava exigir a firma reconhecida dos eleitores.

É curioso que o País que foi o primeiro a adotar a urna eletrônica em âmbito nacional e agora massifica o voto biométrico continue a registrar partidos dessa forma. Hoje seria relativamente fácil criar um sistema no qual o eleitor pudesse dar o seu apoio a um novo partido pela internet.

Para isso, basta criar um ambiente no site do TSE. Com uma senha, o número do título e algumas informações, teríamos um sistema muito mais eficiente e menos vulnerável do que o baseado nas assinaturas em papel. Sem contar que o modelo poderia ser empregado para o registro de iniciativas populares para projetos de lei. Antes que se esqueça, o direito de um conjunto de cidadãos de criar um partido é um direito fundamental nas modernas democracias. E deve ser facilitado.

O problema da nossa legislação é que ela é muito rigorosa no momento de criação e muito generosa a partir daí.

Novos partidos têm acesso aos meios de comunicação e ao Fundo Partidario antes mesmo de irem às urnas. Quem sabe não devêssemos inverter esta equação facilitar a criação, mas oferecer os recursos públicos apenas aos partidos com alguma representatividade.

Professor de Ciência Política da UFRJ

Fonte: O Estado de S. Paulo

FH aprova pacto entre Eduardo Campos e Aécio e diz que gostaria de conversar com Marina Silva

Ex-presidente culpou ‘força petista’ pela falta de diálogo entre os partidos

Lino Rodrigues

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) considerou positivo a formação de pacto político entre os pré-candidatos à Presidência da República, o senador tucano Aécio Neves, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), visando as eleições de 2014. FH — que participou ontem, em São Paulo, de seminário temático pelos 10 anos do Tucanafro, secretariado da militância negra do PSDB — aproveitou para chamar a também candidata Marina Silva (Rede) para uma conversa. Ele ainda culpou a “força do petismo” pela falta de diálogo entre os partidos.

— Eu não sei realmente o que significa isso, e se é realmente um pacto. Acho que é positivo para o Brasil que eles (Aécio e Campos) conversem. Acho até que é lamentável que o Brasil tenha ficado, por força do petismo, nessa posição de não aceitar conversar com os outros, como se os outros fossem inimigos. Isso é muito antidemocrático. O certo é conversar. Acho muito bom e gostaria muito que a Marina (Silva) também conversasse — disse Cardoso, salientando que a presidente Dilma Rousseff, em vez de brigar, poderia conversar mais com os brasileiros:

- Eu, no lugar da presidente Dilma Rousseff, com a situação que o Brasil está, estaria fazendo um apelo para os brasileiros, em vez de estar fazendo briga entre os brasileiros — criticou ele.

Questionado sobre a possibilidde de dividir o palanque com o PSD, disse ser favorável se for feito um acordop nesse sentido. Mas lembrou que o governador Eduardo ainda não confirmou sua candidatura.

- Se for feito um acordo nesse sentido (dividir palanque), sou favorável. Mas ainda não sei se o Eduardo Campos vai ser candidato, ele ainda não confirmou. Eu gostaria que ele fosse. Porque nós precisamos ter vários pontos de vista no Brasil. O Eduardo foi um bom governador, um homem que eu gosto, tenho relação com a família dele, sobretudo com a Violeta, a tia dele, que é íntima nossa, gente que conheço e confio. Eu achei muito bom que ele possa discutir e vejo com alegria a candidatura dele.

O ex-presidente também comentou a possibilidade do partido realizar prévias para satisfazer José Serra, embora oa maioria do PSDB se inclina para Aécio e o ex-governador de São Paulo não tenha falado a ele, nem a ninguém, que é candidato

- Serra é uma pessoa que merece o nosso respeito e consideração. Ele está, naturalmente, buscando um espaço para ele. O partido tem que entender isso, não há nenhuma razão para ter qualquer reação negativa quanto a isso. O processo é democrático. Se for o caso, se faz uma prévia. Ele tem uma história, foi um grande governador, um gde ministro, um líder. O partido não pode simplesmente pegar seus líderes e não levá-los em consideração. Isso está errado avalio FH, lembrando que o partido sempre deu apoio a Serra e todas “as possibilidades de sua vida.

- Ele (Serra) foi candidato a muitas coisas e teve apoio integral e sempre foi muito considerado.

Sobre a comemoração do governo com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos as riquezas do país, que registrou alta de 1,5% no segundo trimestre do ano, o ex-presidente disse que também comemorou. Afinal, disse ele, quem não comemoraria uma melhora, depois de um período ruim.

— Eu também comemorei. Qual é o brasileiro que não fica feliz quando melhora? Está tão ruim, que é bom melhorar um pouco.

Fonte: O Globo

Campos defende ‘diálogo aberto’ do PSB com siglas de oposição

Governador disse que o partido não vai limitar as conversas aos aliados tradicionais

Flavio Ilha

ESTEIO – O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, pré-candidato do PSB à Presidência da República, defendeu neste sábado em Esteio (RS) que o partido intensifique o “diálogo aberto com as forças mais diversas” da política brasileira, incluindo as siglas de oposição, antes de definir a estratégia da legenda para 2014. A declaração foi uma forma de defender a aliança estratégica firmada pelo socialista com o tucano Aécio Neves na última quinta-feira, que causou mal-estar entre líderes do PSB, especialmente no governador do Ceará, Cid Gomes.

Campos disse que o partido não vai limitar as conversas aos aliados tradicionais, entre eles o PT, porque nem sempre o PSB foi consultado em momentos decisivos da política nacional, como na campanha de 2010.

— O quadro político sofreu uma mutação muito acelerada nos últimos 90 dias. O PSB vai se colocar de maneira coerente (na discussão sobre 2014), mas sem estar preso ou amarrado a qualquer decisão prévia. Não há voz discordante, dentro do partido, sobre a conveniência de empurrarmos a definição sobre nossa estratégia apenas para 2014 — disse.

O governador visitou no sábado a Expointer, tradicional feira agropecuária do Rio Grande do Sul que recebe milhares de visitantes. Depois, foi respectivamente a Passo Fundo e a Caxias do Sul para encontros municipais do PSB. Na sexta-feira, Campos já havia cumprido agenda política em Santa Catarina.

Perguntado sobre a reação de Cid Gomes a seu encontro com Aécio Neves, Campos preferiu não alimentar a polêmica.

— Meu silêncio fala muito mais forte que qualquer palavra – afirmou.

Durante a visita à Expointer, Campos se encontrou com a senadora Ana Amélia Lemos (PP), que é uma das alternativas de palanque ao PSB no Rio Grande do Sul, que deve deixar o governo estadual, onde tem o vice-governador e a secretaria de Infraestrutura, até o final do ano. Em troca do apoio a Ana Amélia, o PP fecharia com a candidatura do líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, ao Senado. Na conversa, Campos ouviu elogios da parlamentar, que deve ser candidata ao governo do estado em 2014.

— O discurso do Eduardo Campos é contemporâneo e tem força política. O país precisa desse sangue novo para fazer diferença na prática da gestão pública – cortejou a senadora.

Campos também cruzou pelos corredores da feira com o deputado estadual tucano Jorge Pozzobom. O PSDB é outro partido que pode compor uma aliança estratégia na eleição ao governo do estado em 2014. Pozzobom elogiou a aproximação entre Campos e Neves.

— A diferença entre 40 e 45 é muito pequena – lembrou Pozzobom em tom de brincadeira, referindo-se ao número de registro dos dois partidos.

Campos, entretanto, evitou especulações:

— O PSB do Rio Grande do Sul tem a nossa confiança para conduzir o debate sucessório no estado. Neste momento, não estamos tirando nenhuma posição em caráter terminativo. O PSB quer crescer com qualidade – sustentou.

Durante a visita, o governador pernambucano voltou a criticar a política econômica da presidente Dilma Rousseff apesar do crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre do ano.

— Claro que torcemos para o PIB crescer mais e mais, mas o desafio agora é manter (o desempenho) no próximo trimestre. Há um certo grau de pessimismo entre os analistas. É preciso restaurar a confiança dos agentes econômicos garantindo que os fundamentos macroeconômicos continuam de pé. Se tem meta, tem que cumprir – disse, referindo à expectativa de inflação em 2013.

Fonte: O Globo

FHC defende acordo de Aécio com Eduardo Campos

Flávio Ferreira

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ser favorável à formação de palanques duplos entre o PSDB e o PSB nas próximas eleições. A declaração foi feita em evento da militância negra do PSDB na manhã deste sábado (31).

Indagado sobre o acordo pré-eleitoral firmado entre o presidente do PSDB, Aécio Neves, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), o ex-presidente disse: "Se for feito um acordo nesse sentido, sou favorável".

FHC disse ainda não estar informado sobre pacto e afirmou que a candidatura de Campos seria positiva para o país.

"Não sei se o Eduardo Campos será candidato, ele ainda não confirmou. Eu gostaria que ele fosse. Gostaria porque precisamos ter vários pontos de vista no Brasil. Ele foi um bom governador e gosto dele. Mas não posso deduzir daí que eles [Aécio e Campos] fizeram um pacto", disse FHC

Prévias

O ex-presidente também falou sobre a possibilidade de realização de prévias com a participação de José Serra.

"Serra está buscando espaço para ele e a gente tem que entender isso. Vamos ver quem tem maioria. Se for o caso, faz-se uma prévia. Mas o Serra ainda não disse que é candidato", afirmou.

FHC disse que a maioria do partido tem se manifestado a favor de Aécio. "Nesse momento a maioria do partido se inclina pelo Aécio Neves", disse.

Questionado se a busca de Serra por uma candidatura racharia o PSDB, o ex-presidente disse que "um partido maduro não racha assim, porque alguém tem uma aspiração e o outro também tem. Há mecanismos democráticos de solução, não tem que rachar nada".

PT

O ex-presidente defendeu conversas inclusive com Marina Silva, da Rede, e criticou o PT. "Acho lamentável que o Brasil tenha ficado, por força do petismo, nessa posição de não conversar com o outro, como se o outro fosse inimigo. Isso é muito antidemocrático".

Sobre o fato de o governo estar comemorando o resultado do PIB divulgado na sexta-feira, FHC afirmou: "Eu também comemoro. Qual é o brasileiro que não fica feliz quando melhora?. Está tão ruim, tem que melhorar um pouco".

Fonte: Folha de S. Paulo

Falando francamente - Fernando Henrique Cardoso

Não é preciso muita imaginação, nem entrar em pormenores, para nos darmos conta de que atravessamos uma fase difícil no Brasil. Mas comecemos pelo plano internacional.

Os acontecimentos abrem cada vez maiores espaços para a afirmação de influências regionais significativas. O próprio "imbróglio" no Oriente Médio, do qual os Estados Unidos saem com cada vez menos influência na região, aumenta a capacidade de atuação das monarquias do Golfo, que têm dinheiro e querem preservar seu autoritarismo, assim como a do Irã, que lhes faz contraponto. A luta entre wahabitas, xii-tas e sunitas está por trás de quase tudo. E a Turquia, por sua vez, encontra brechas para disputar hegemonias.

Enquanto isso, nós só faze mos perder espaços de influência na América do Sul. Nossa diplomacia, paralisada pela inegável simpatia do lulopetismo pelo "bolivarianismo", ziguezagueia e tropeça. Ora cedemos a pressões ilegítimas (como a recente da Bolívia, que não dava salvo-conduto a um asilado em nossa embaixada), ora nós próprios fazemos pressões indevidas, como 110 caso da retirada do Paraguai do Mercosul e da entrada da Venezuela. Ao mesmo tempo fingimos não ver que o "Arco do Pacífico" é um contrapeso a inércia brasileira. Diplomacia e governo sem vontade clara de poder regional, funcionários atordoados e papelões por todo lado - é o balanço.

Na questão energética, que dizer? A expansão das usinas está atrasada e sem apoio real do setor privado, salvo para construir as obras. Os caixas das empresas elétricas quebradas,graças a regulamentações que, mesmo quando necessárias, se fazem atropeladamente e sem olhar para os interesses de longo prazo dos investidores e dos consumidores. A Petrobrás, agora entregue a mãos mais competentes, mergulhada numa incrível escassez de créditos para investir e com o caixa abalado pela contenção do preço da gasolina. O que fora estrepitosamente proclamado pelo presidente Lula, a autossuficiência em petróleo, se esfumou no aumento do déficit das importações de gasolina. Agora, com a revolução americana do gás de xisto, quem sabe onde irá parar o preço de equilíbrio do petróleo para ser extraído do pré-sal?

Na questão da infraestrutura, depois de uma década de atraso nos editais de concessão de estradas e aeroportos, além das tentativas mal feitas, o governo inovou: fazem-se privatizações, disfarçadas sob o nome de concessões, com oferta de crédito barato pelo governo às empresas privadas interessadas. Dinheiro, diga-se, do BNDES (com juros subsidiados pelo contribuinte) e, ainda por cima, o governo se propõe a levar para a empreitada os bancos privados. Sabe-se lá que vantagens terão de lhes ser oferecidas para que entrem no ritmo do PAG, isto é, devagar e mal feito. Nunca se viu coisa igual: concessões que recebem vantagens pecuniárias e nada rendem ao Tesouro, à moda das ferrovias cujos construtores receberiam abonos em dinheiro por quilômetro construído. Só mesmo na Macondo surrealista de Gabriel Garcia Márquez. Espero que, aqui, a solidão de incapacidade executiva e má gestão financeira não dure cem anos...

Se passarmos para a gestão macroeconômica, os vaivéns não são diferentes. A indústria, diziam, não exporta porque o câmbio está desfavorável. Agora tivemos uma megadesvalorização, de mais de 25%. Se nada fizermos para reduzir as deficiências e ineficiências estruturais da economia brasileira, e se o governo não tiver a coragem de evitar que a desvalorização se transforme em mais inflação, o novo patamar da taxa nominal de câmbio de pouco adiantará para a indústria. Antes os governistas se gabavam da baixa de juros ("Ah, esses tucanos, sempre de mãos dadas com os juros altos!", diziam. De repente, é o governo do PT que comanda nova arrancada dos juros. E nem assim aprendem que não é a vontade do governante que dita regras nos juros, mas muitas vontades contraditórias que se digladiam no mercado. Olhar no umbigo, isso não.

Já cansei de escrever sobre esses males e outros mais. Das deficiências no prestar serviços nas áreas de educação, saúde e segurança a mídia dá-nos conta todos os dias. Dos desatinos da vida político-partidária, então, nem se fale. Basta ver o último deles, a manutenção na Câmara de um deputado condenado pelo Supremo e já na cadeia! Não obstante, dada a amplitude dos desarranjos, parece inevitável reconhecer que a questão central é de liderança. Não digo isso para acusar uma pessoa (sempre o mais fácil é culpar o presidente ou o governo) ou algum partido especificamente, embora seja possível identificar responsabilidades. Mas é de justiça reconhecer que o desencontro, o bater de cabeças dentro e entre os partidos, faz mais zoeira do que gera caminhos. Daí que termine com uma pergunta ingênua: será que não dá para um mea culpa coletivo e tentar, mantendo as diferenças políticas, e mesmo ideológicas, perceber que quando o barco afunda vamos todos juntos, governo e oposição, empregados e empregadores, os que estão no leme e os que estão acomodados na popa?

É preciso grandeza para colocar os interesses de longo prazo do povo e do País acima das desavenças e pactuar algumas reformas (poucas, não muitas, parciais, não globais) capazes de criar um horizonte melhor, começando pela partidário-eleitoral (já que o ucasse presidencial nessa matéria não deu certo, como não poderia dar). Se os que estão à frente do governo não têm a visão ou a força necessária para falar com e pelo País, pelo menos a oposição poderia desde já cessar as rixas internas a cada partido e limar as diferenças entre os partidos. Só assim, formando um bloco confiável, com visão estratégica e capaz de seguir caminhos práticos, construiremos uma sociedade mais próspera, decente e equânime.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente da República

Fonte: O Estado de S. Paulo