Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 13 de junho de 2024
quarta-feira, 12 de junho de 2024
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Anulação de leilão de arroz não encerra o caso
O Globo
É necessário investigar as suspeitas de
irregularidade que levaram governo a cancelar o certame
Diante das suspeitas que rondavam os
vencedores do leilão realizado na semana passada para importação de arroz em
consequência das chuvas no Rio
Grande do Sul, não restava
ao governo federal outra alternativa a não ser anular o certame, como fez
ontem. Não bastasse o impacto negativo que terá para os
produtores de arroz gaúchos, o leilão estava cercado de estranhezas, que, mesmo
com a anulação, exigem explicações e investigação.
Uma loja de queijos no centro de Macapá, identificada como Wisley A. de Souza, venceu o maior lote do leilão, comprando 147,3 mil toneladas por R$ 736,3 milhões. Até maio, ela tinha capital social de apenas R$ 80 mil, subitamente aumentado para R$ 5 milhões antes do leilão. Além da empresa do Amapá, participaram do pregão a Zafira Trading, a locadora de máquinas ASR e a fabricante de sorvetes Icefruit, que arremataram 90 mil toneladas pelas quais o governo pagaria R$ 468 milhões. As três estão vinculadas a Robson Almeida França, ex-assessor parlamentar do ex-deputado Neri Geller, secretário de Política Agrícola, demitido após a confusão. Ele foi responsável por dar sinal verde ao leilão. Ambos negam irregularidades.
Vera Magalhães - O semestre perdido de Lula
O Globo
Não há nada a apontar de positivo na ação do
governo no Congresso e em sua comunicação com a sociedade
Depois de um primeiro ano de vitórias, que
começou ainda antes da posse com a PEC da Transição, o governo Lula carimbou o
semestre perdido no Congresso com a lambança da edição da Medida Provisória
natimorta que pretendia limitar o uso de créditos tributários de PIS e Cofins
para pagar outros impostos. E da pior forma possível: dobrando a aposta no rol
de erros que cometeu noutra MP, a 1.202, aquela editada na virada do ano que
simboliza o início das agruras de Lula no Congresso.
Nos dois casos, está um expediente equivocado de Fernando Haddad: apostar em medidas unilaterais, não explicadas nem negociadas, para tentar sanar problemas de arrecadação.
Bernardo Mello Franco – Uma professora no Congresso
O Globo
Deputada por um mandato, Conceição Tavares
combateu FH e o liberalismo tucano e errou ao prever fracasso do Plano Real
Em 1994, Maria da Conceição Tavares decidiu
trocar a sala de aula pela tribuna. Candidatou-se a deputada federal pelo PT.
Apesar da campanha modesta, recebeu 40 mil votos. Foi sua primeira e única
experiência na política institucional.
Ao debutar na Câmara, a professora já deu uma
amostra de seu estilo. “Sei que ninguém me está ouvindo, mas Vossa Excelência
pelo menos está”, disse ao presidente Luís Eduardo Magalhães. “É minha estreia
neste Congresso, e não tinha a menor intenção de que fosse desta maneira.”
Além de estranhar a balbúrdia, Conceição estava irritada com mudanças na Previdência que aumentariam a mordida nos salários dos trabalhadores. “Sou uma pessoa séria, honesta, amiga de muitos que compõem o governo. Mas o que está sendo proposto é um absurdo”, protestou.
Elio Gaspari - O desequilíbrio de Eduardo Leite
O Globo
A conta do governador fechou, mas havia outra
Em maio, durante uma entrevista, os
repórteres Paula Soprana e Matheus Teixeira perguntaram ao governador do Rio Grande do
Sul, Eduardo Leite:
— Estudos já apontavam a possibilidade de
aumento significativo nas chuvas no RS. O governo do estado se preparou mal
para lidar com as enchentes?
Ele respondeu:
— Bom, você tem esses estudos, eles de alguma forma alertam, mas o governo também vive outras pautas e agendas. (...) A agenda que se impunha ao estado era aquela especialmente vinculada ao restabelecimento da capacidade fiscal do estado para poder trabalhar nas pautas básicas de prestação de serviços à sociedade gaúcha.
Roberto Medronho* - Ataque à ciência e aos professores
O Globo
Objetivo de audiência pública na Câmara dos
Deputados é inibir os estudos sobre desinformação do NetLab UFRJ
Na última semana, fomos surpreendidos com o requerimento de uma audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados que visa a questionar os resultados de pesquisas conduzidas pelo NetLab, nosso renomado laboratório da Escola de Comunicação (ECO) da UFRJ. O requerimento leva professores à comissão com o objetivo de censurar a ciência no Brasil, criminalizando professores. Portanto esse não é um ataque apenas à UFRJ, mas a toda a comunidade acadêmica brasileira.
Wilson Gomes - O declínio do debate parlamentar
Folha de S. Paulo
Episódios da semana passada mostram a
deterioração do debate parlamentar
Tenho falado muito sobre a degradação do
debate público nacional e como isso reflete tanto uma espécie de
"balcanização" da esfera pública quanto a perda da crença coletiva em
valores como tolerância e pluralismo.
De um lado, vemos um claro processo de
fragmentação política que desagrega grandes blocos ideológicos em unidades
menores e altamente hostis entre si; do outro, assistimos à substituição dos
valores fundantes da democracia pela ilusão de que o outro lado, o lado
"errado" da força, ainda pode ser vencido, neutralizado ou
incapacitado.
Episódios ocorridos na semana passada, entretanto, mostram outra face, complementar, dessa história: a deterioração do debate parlamentar.
Bruno Boghossian - O governo girou em falso
Folha de S. Paulo
Leilão anulado e medida provisória devolvida
são sintomas de uma ação política atabalhoada
No último mês, o governo abriu a caixa de
ferramentas para encarar dois problemas. Primeiro, Lula anunciou
um leilão para segurar o preço do arroz após as enchentes gaúchas. Depois, a
equipe econômica bolou uma medida que deveria cobrir um buraco bilionário em
seu cofre.
Algumas horas foram capazes de fazer o presidente e seus auxiliares voltarem todas essas casas. Com a anulação da compra de arroz e a devolução da medida provisória que deveria compensar a prorrogação da desoneração da folha, o governo girou em falso.
Hélio Schwartsman - Imigração é solução
Folha de S. Paulo
Rejeição ao estrangeiro é o ponto que une a
maioria dos partidos de direita nos países ricos
Não acho que Deus exista, mas, se há um criador, ele tem senso de humor. O traço comum que ele imprimiu à maior parte dos grupos de direita, em especial os dos países ricos, é a recusa à imigração. É o que une a ampla variedade de partidos da direita radical europeia, do Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni, ao mais extremista Alternativa para a Alemanha, que se desentendem em vários outros assuntos.
Paulo Delgado - Ordem e desordem tributária
O Estado de S. Paulo
Se a carne não é coisa de pobre, e por isso não entra na cesta básica, é um ardil inverso dizer que cerveja não é coisa de álcool, para fazê-la barata
Viver é que vai virar pecado se proteína não entrar na cesta básica, cerveja for considerada menos álcool e o mantra “chegou na sua mão, andou de caminhão” perder o sentido pela associação do diesel com transgressão sanitária e ambiental. Enquanto o ministro vai a Roma convencer o papa de que tributos cobrados por César devem ser maiores do que os devidos a Deus, lembro o zelo da mãe de Manoel de Barros para com o filho sensível: “Menino, você vai carregar água na peneira a vida toda”. Imposto frágil com desculpa dá desordem à exceção.
Martin Wolf - Um mundo mais protecionista
Valor Econômico
Existem excelentes razões pelas quais podemos querer intervir na economia, mas estes impostos dificilmente serão a melhor maneira
Estamos caminhando para um mundo
protecionista, liderado pelos Estados Unidos, assim como no início da década de
30. Donald Trump é, obviamente, um protecionista empenhado - um verdadeiro
sucessor do senador Smoot e do deputado Hawley, que instigaram a infame tarifa
Smoot-Hawley em 1930.
Mas, exceto pelos padrões de Trump, Joe Biden
também não é desleixado quando se trata de proteção, mais recentemente, com
suas tarifas sobre US$ 18 bilhões em importações chinesas. A tarifa dos EUA
sobre os veículos elétricos, em particular, será quadruplicada para 100%. “Onde
você esteve por três anos e meio? Eles deveriam ter feito isso há muito tempo”,
respondeu Trump.
O ex-presidente propõe tarifas de 10% sobre todas as importações, com exceção das provenientes da China, sobre as quais ele espera impor tarifas de 60%. Essas novas tarifas, espera ele, também compensariam parcialmente a perda de receitas resultante da sua altamente dispendiosa Lei do Emprego e Redução dos Impostos de 2017.
Fernando Exman - Devolução de MP é ato raro que deve ser compreendido
Valor Econômico
Experiente, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva poderia ter poupado a si e ao seu governo do vexame de ter parte de uma
medida provisória devolvida pelo presidente do Congresso Nacional, senador
Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
É a segunda vez que ele se depara com uma
encruzilhada nas relações com o Legislativo por causa de uma MP rejeitada. A
primeira foi em 2008, em seu segundo mandato. E os episódios guardam alguma
semelhança: assim como fez nessa terça-feira (11), o Parlamento decidiu dar
sinais de insatisfação ao Poder Executivo.
A confusão estava instalada no plenário do
Senado naquele fim de tarde de 19 de novembro de 2008, quando o então
presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (MDB-RN), anunciou a decisão de
devolver uma medida provisória que alterava as regras para concessão e
renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas).
Com voz inconfundível e um característico ritmo pausado ao falar, Garibaldi argumentou que a MP continha dispositivos inaceitáveis e, portanto, não poderia ser votada em sua forma original. O centro das críticas era o fato de ela tornar automática a aprovação de pedidos de renovação de certificados de filantropia já feitos ao Conselho Nacional de Assistência Social. Para a oposição, a possibilidade abria brechas para fraudes.
Lu Aiko Otta - 55 dias para mudar as despesas obrigatórias
Valor Econômico
Fim das eleições municipais é janela para proposta de revisão das regras de aumento das despesas com saúde, educação e benefícios atrelados ao salário mínimo
Os técnicos mais otimistas da área econômica
enxergam uma estreita janela de oportunidade para o avanço, no Congresso
Nacional, de uma proposta de revisão das regras de aumento das despesas com
saúde, educação e benefícios atrelados ao salário mínimo. São os 55 dias que
separam o fim das eleições municipais e o início do recesso parlamentar.
A aposta se concentra no fim de 2024 porque os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) estarão no fim de seus períodos à frente das casas legislativas. É uma situação menos ruim para debater temas impopulares - como é o caso - do que o início dos mandatos das novas mesas diretoras.
Nilson Teixeira - IPCA caiu mesmo com menor desemprego
Valor Econômico
Embora a melhoria no mercado de trabalho não seja uma boa justificativa, a interrupção do ciclo de baixa de juros na próxima reunião do Copom é a resposta correta
As condições do mercado de trabalho têm melhorado desde 2021. A força de trabalho era de 109 milhões de pessoas em abril de 2024 - aumento de 1,8% frente ao mesmo mês de 2023, com a população ocupada de 100,8 milhões de pessoas - crescimento de 2,8 milhões de pessoas em um ano. A taxa de desocupação diminuiu de 14,8% (15,2 milhões de pessoas) em abril de 2021 para 7,5% (8,2 milhões de pessoas) em abril de 2024, um recuo de 9,7% frente ao mesmo mês de 2023. Ao mesmo tempo, o rendimento médio mensal real alcançou R$ 3.151 em abril de 2024, alta de 4,7% frente ao mesmo período de 2023, com a massa salarial real expandindo 7,9%.
Zeina Latif - Quando a baixa tolerância é boa notícia
O Globo
Recomendar a contenção de gastos é o grande teste de Haddad. Caberá a Lula avançar ou não. O cálculo, como sempre, é político
Afirmei algumas vezes que a agenda de
contenção de gastos pelo governo se imporia cedo ou tarde, independentemente da
regra fiscal utilizada. O problema é que o horizonte está se encurtando.
O desenho inconsistente do arcabouço fiscal, identificado já na largada, ficou claro. Confirmou-se equivocada a ideia de que não seria necessário o controle de despesas, bastando o aumento das receitas. E como o arcabouço tem papel central na credibilidade do governo, acelera-se a necessidade de mudanças na estratégia fiscal.
Vinicius Torres Freire – Batata, arroz e juros
Folha de S. Paulo
Tubérculo, leite, luz e plano de saúde
pesaram mais no IPCA; mau humor geral afeta preços e juros
O preço do arroz aumentou em maio. Mas a
comida que pesou mesmo na inflação do
mês foi a batata, que deu a maior contribuição para a alta
do IPCA entre todos os 387 tipos de produtos acompanhados pelo
IBGE ("subitens").
Batata (alta de 20,61%) e arroz (de 1,47%)
ficaram mais caros especialmente por causa da catástrofe no Rio Grande do Sul,
como era esperado.
Além dos efeitos do desastre, a inflação média
veio um tico pior por outros motivos. Nada nem de longe perto de dramático. Mas
o ambiente de mau humor na economia pesa; a inflação de serviços resiste.
Desde abril, o dólar esteve quase sempre acima de R$ 5,10; anda agora na casa dos R$ 5,30. É risco de alta para produtos com cotação internacional, como petróleo, mas também alimentos.
Paul Krugman - Liberdade é apenas mais uma palavra para não pagar impostos*
The New York Times / Folha de S. Paulo
Por que os oligarcas da América estão se
unindo em torno de Trump
Após Donald
Trump ser condenado por 34 crimes graves, a Heritage Foundation —um think
tank de direita que produziu a agenda Project 2025, um plano de políticas caso
Trump vença— voou uma bandeira americana de cabeça para baixo, que se tornou um
emblema de apoio ao MAGA (Make America Great Again, principal slogan de Trump)
em geral e à negação das eleições em particular.
Essa ação pode ter chocado alguns
conservadores antigos que ainda viam a Heritage como uma instituição séria, mas
a Heritage é, afinal, apenas um think tank. Não é como se bandeiras de cabeça
para baixo estivessem sendo voadas por pessoas que esperamos que defendam nossa
ordem constitucional, como os juízes da Suprema Corte.
Ah, espera.
Luiz Carlos Azedo - Pacheco devolve parcialmente MP do PIS-Pasep
Correio Braziliense
"O governo esperava arrecadar R$ 29,2
bilhões com a MP, para compensar, com sobras, as desonerações da folha de
pagamento, estimada em R$ 26,3 bilhões", lembra o jornalista
O presidente do Senado, Rodrigo
Pacheco (PSD-MG), anunciou, ontem, ao lado do líder do governo na Casa,
Jaques Wagner (PT-BA), que devolverá parcialmente a medida provisória que mudou
as regras de utilização dos créditos do PIS-Cofins das empresas, impedindo que
fossem utilizados para pagar outros impostos. A decisão foi uma resposta à
forte reação dos meios empresariais contra a MP, que tem impacto na
competitividade e no lucro das empresas.
Lideranças empresariais de todos os setores atingidos se mobilizaram contra a medida e receberam apoio de 27 frentes parlamentares, que representam os setores produtivos atingidos. Enviada ao Congresso na semana passada, politicamente a matéria foi mais um tiro no pé da equipe econômica do governo, que tenta compensar o aumento de gastos da administração federal com aumento de arrecadação. Os técnicos da Fazenda resolvem o problema nas planilhas, mas não na vida real.
Rodrigo Craveiro - Ventos sombrios da Europa
Correio Braziliense
As eleições do Parlamento Europeu atestaram a
tendência de crescimento da extrema direita e expuseram o completo descrédito
no establishment
Forças ultraconservadoras brasileiras estão em polvorosa com o avanço de seus homólogos na Europa. As eleições do Parlamento Europeu atestaram a tendência de crescimento da extrema direita e expuseram o completo descrédito no establishment, na política mainstream, mas também a falsa noção de que ideologias radicais e divisivas são o remédio para crises econômicas. Na França, a Reunião Nacional — a antiga Frente Nacional —, partido de Marine Le Pen, obteve quase um terço dos assentos do Parlamento Europeu e forçou o presidente Emmanuel Macron a dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições antecipadas, mesmo ante o risco de uma surra nas urnas e de solidificar a ascensão da extrema direita.
terça-feira, 11 de junho de 2024
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Avanço da ultradireita traz riscos para a EU
Folha de S. Paulo
Moderação ainda predomina nas eleições para o
Parlamento Europeu, mas radicais mostram força; França é país mais afetado
A eleição para o Parlamento
Europeu é evento marcado pela natureza burocrática da
instituição, uma das três que compõem o arcabouço da governança do bloco de 27
nações. Apenas metade do eleitorado potencial foi às urnas no processo
encerrado no domingo (9).
Os debates do órgão centrado em Estrasburgo (França)
costumam ser vistos como alheios às realidades locais, e os 720 deputados não
têm palavra decisiva sobre temas como
defesa, hoje vital em meio à Guerra da Ucrânia.
Isso dito, o pleito serve como um barômetro político, e o que foi aferido neste fim de semana sugere uma renovação da onda conservadora dos anos 2010, cujos efeitos deletérios se fazem presentes até hoje, como o brexit.
Merval Pereira - Há a direita no caminho
O Globo
A ascensão da direita no mundo, com a possibilidade de vitória de Trump nos Estados Unidos, é fator que certamente influenciará na política interna brasileira, numa região em que também a direita vem crescendo
A comemoração da direita brasileira pelo
resultado das eleições para o Parlamento Europeu, com a ascensão da direita em
suas várias versões, especialmente a extremista, tem razão de ser. Mas não
significa que a União Europeia esteja à beira de ser dominada pelos
direitistas, nem que o mundo vá inexoravelmente nessa direção. Esse ambiente
político, porém, de embate na Europa, pode ter consequências no Brasil, que
desde 2018 é palco de uma disputa entre esquerda e direita, representando um
retrocesso político de graves consequências.
Durante cerca de 25 anos, superada a disputa entre Collor e Lula, o PSDB, de centro-esquerda, enfrentou a esquerda representada pelo PT de Lula, oferecendo ao eleitor uma visão social da disputa presidencial. Nesse período, não havia político que quisesse ser identificado com a direita, que se abrigou sob as asas dos tucanos.
Luiz Carlos Azedo - França, Bélgica e Alemanha: direita, volver!
Correio Braziliense
A revolução digital desencadeou um processo
de modernização cuja velocidade as instituições democráticas não estão
preparadas para acompanhar
O presidente francês, Emmanuel Macron; o
primeiro-ministro belga, Alexander De Croo; e o primeiro-ministro alemão, Olaf
Scholz, foram os grandes perdedores das eleições para o Parlamento Europeu, nas
quais os partidos de extrema direita tiveram o seu melhor desempenho, com a
conquista de quase um quarto dos assentos.
Macron foi o primeiro a reagir: dissolveu a
Assembleia Nacional e convocou eleições nacionais, nas quais o favorito a
primeiro-ministro é o novo líder da extrema direita francesa, Jordan Bardella,
de 28 anos. Ele encabeça a lista do Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen,
que teve o dobro dos votos do Renascimento, partido do presidente francês.
Na Bélgica, o primeiro-ministro Alexander De Croo pediu demissão, porque perdeu também as eleições locais: federal e regionais. Na Alemanha, os sociais-democratas do chanceler Olaf Scholz, de centro-esquerda, perderam muita influência, mas o primeiro-ministro não pretende antecipar eleições nem renunciar.
Míriam Leitão - O que se pede a Fernando Haddad
O Globo
O país precisa decidir o que quer do
ministro: que ele equilibre as contas ou que ele nunca mexa nos benefícios
fiscais
O país tem que decidir o que vai pedir ao
ministro Fernando
Haddad: ou que ele equilibre as contas ou que ele nunca mexa nos
benefícios fiscais, nem feche jamais as brechas pelas quais alguns pagam menos
impostos. A MP do equilíbrio fiscal tem o defeito de deixar algumas empresas
com o acúmulo de créditos tributários que não podem ser usados. A proposta
surgiu da necessidade de cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que
estabelece a obrigação de apontar outra fonte de arrecadação, se há uma perda
de receita ou um gasto extraordinário.
A restrição levantou uma enorme ira contra o ministro e vai acabar sendo alterada. Exportadores ou setores isentos do PIS/Cofins recebem os créditos, só que não terão como usá-los. Ficam com um direito sem saber quando conseguirão compensar esses créditos. Hoje eles são utilizados para pagar outros impostos. Pela MP, servirão apenas para pagar o próprio PIS/Cofins. A confusão mostra como o sistema tributário brasileiro é todo cheio de distorções e de vantagens para alguns.
Sérgio Magalhães - Nova visão do espaço urbano
O Globo
Se quisermos cidades parceiras da natureza, o país precisa oferecer financiamento para compra ou produção das moradias
Ante a tragédia gaúcha, o sentimento é de
brutal tristeza. Vidas que se foram, sonhos que se desfazem, cidades
derrotadas, quanta dor! Tudo nos diz que o reerguimento, que virá, será um
período longo e difícil. Mas virá.
É compreensível que, no calor dos
acontecimentos, sejam sugeridas soluções precipitadas, ou feitas críticas
contundentes. É compreensível, mas, de precipitação, basta-nos a pluviométrica.
Choveu nas bacias que conformam o Guaíba mais de metade do que choveria em um
ano. Trata-se de algo absolutamente exponencial, que não admite um pensamento
raso.
Não reduzamos a dor do Rio Grande à inépcia administrativa — que houve. Vamos elevá-la para se constituir num marco para o país no enfrentamento das mudanças climáticas.
Roberto Troster - Uma oportunidade singular
Valor Econômico
Reforma tributária é chance de corrigir distorções na intermediação financeira
A tributação da intermediação financeira no
Brasil é um Frankenstein que destrói valor. É resultado de uma série de medidas
circunstanciais adotadas a cada aperto fiscal que apareceu. O motivo é que são
poucas empresas, totalmente formais, sem capacidade de sonegação e com
facilidades de arrecadação e fiscalização.
De remendo em remendo o resultado ficou pior a cada aperto. A complexidade é bizantina. São cinco fatos geradores: principal, prazo, juros, serviços e lucros com alíquotas que variam dependendo do prazo, do dia do calendário, da destinação e do instrumento. A regulamentação da reforma tributária é uma oportunidade singular de corrigir essas distorções.
Pedro Cafardo - Coisas que deixam paulistas vermelhos de vergonha
Valor Econômico
“Olho gordo” do governo Tarcísio de Freitas sobre recursos de USP, Unesp e Unicamp e da Fapesp indica algo preocupante
São Paulo não é São Paulo por acaso. O Estado
tem um bom nível de desenvolvimento por várias razões que não vêm ao caso
agora, mas há uma certamente muito importante: o apoio financeiro à formação
universitária e à pesquisa.
Por falta de tato, desconhecimento ou sabe-se
lá por que, o governo do Estado ensaiou uma investida sobre os recursos
oferecidos a duas “joias” estaduais dessa área amparadas financeiramente há
décadas por imposição constitucional.
O projeto original da Lei de Diretrizes Orçamentárias, enviado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Assembleia semanas atrás, deixava explícito que o governo estadual poderia fazer uma desvinculação de até 30% no orçamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e avançava também sobre os recursos de três universidades estaduais.
Lula sobre greve na educação: "Não há razão para estar durando"
Por Caetano Tonet e Renan Truffi / Valor Econômico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
criticou, nesta segunda-feira (10), a duração da greve dos servidores federais
da educação, iniciada no dia 15 de abril. Lula destacou os investimentos de seu
governo nas instituições e destacou o prejuízo aos estudantes. A fala ocorreu
durante um evento no Palácio do Planalto que contou com a participação de
reitores e do ministro da Educação, Camilo Santana.
“Se vocês analisarem o conjunto da obra,
vocês vão ver que não há razão para essa greve estar durando o que está
durando. Porque os prejudicados são os estudantes”, disse Lula.
“Eu fui dirigente sindical e queria que fosse levado em conta o montante de recursos que foi colocado à disposição pela ministra Esther (Dweck). Porque a gente vai continuar falando de novas universidades e institutos federais enquanto os alunos estão esperando a volta das aulas”, complementou.
Eliane Cantanhêde - Quem planta colhe
O Estado de S. Paulo
Governo e entidades discordam da necessidade
da medida, uso de marca do governo gera debate político e três empresas que
ganharam o leilão não são do ramo
Nem tudo o que começa errado vai errado até o
fim, mas essa história de importar arroz para compensar as perdas no Rio Grande
do Sul, que é o maior produtor, responsável por 70% do abastecimento do País,
começou mal, continua mal e vira mais uma fonte de ataques ao governo e de dor
de cabeça para o presidente Lula. Como vai acabar?
O primeiro erro pode ser econômico. O governo gaúcho e entidades do setor anunciaram e mantêm que, mesmo com as inundações no Estado, o abastecimento nacional está garantido e não seria necessário importar. O governo federal, porém, decidiu comprar um milhão de toneladas no mercado internacional, para “evitar especulação financeira e estabilizar o preço em todo País”. Afinal, é ou não importante importar, a um custo alto e subsídio interno? Se confirmado que a medida conteve aumentos e garantiu arroz na mesa dos brasileiros pobres, aplausos para Lula. Se não foi e se confirmou um excesso caro e desnecessário... Bem, vaias para Lula.
Carlos Andreazza – Lula articulando amanhã
O Estado de S. Paulo
Se a ideia for se dedicar só às atividades
institucionais da Presidência, menos desgastante será entregar logo o norte a
Lira e Alcolumbre com seus arranjos informais
Ano e meio de governo – governo exausto e sem
identidade – e ainda a conversa de articulação política insuficiente. O ministro
articulador não fala com o presidente
da Câmara. Mas a culpa é dos ministros cujos partidos nunca mentiram sobre
não integrar a base de Lula.
Ano e meio de governo e, finalmente, o presidente da República vai a campo. Não houve derrotas.
Nem erros. Mesmo assim, descerá ao chão. Será a terceira vez que promete. Nas
outras, disse que iria e faltou. Ou foi e não resultou. Agora vai. Como se
favor. Como se, até aqui, o governo – governo fraco – fosse de outro. De Rui
Costa, sei lá. Agora vai. Vai?
Se a ideia for passar o tempo dedicado apenas às atividades institucionais da Presidência, menos desgastante será entregar logo o norte a Lira/Alcolumbre e deixar andar o arranjo informal. Bolsonaro o fez. A engenharia do parlamentarismo orçamentário está em operação; o motor do orçamento secreto jamais parou de girar. Chame Ciro Nogueira. Coloque-o no Planalto. E Lula poderá viajar costurando a paz mundial.
Dora Kramer - Anistia requer consenso
Folha de S. Paulo
Não há concordância nem motivação ou
mobilização popular por perdão ao 8 de janeiro
A proposta de anistia aos condenados
pelos ataques de 8
de janeiro de 2023 aos três Poderes da República embute
intenções outras e começa a tramitar na Câmara, mas não tem chance de
prosperar, mesmo se aprovada.
Por mais que deputados de direita sejam favoráveis, de olho em um futuro perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro, por mais que esse campo tenha conseguido impor derrotas ao governo no Congresso, falta ao projeto o essencial: consenso.
Alvaro Costa e Silva - Dois caminhos, um atalho
Folha de S. Paulo
Projeto que proíbe delação premiada favorece
os próprios políticos e o crime organizado
São dois caminhos, com rastros e obstáculos
diferentes, mas que têm em comum o ponto de chegada –Bolsonaro.
A Polícia Federal avança para concluir os inquéritos envolvendo o ex-presidente e encaminhar os relatórios à Procuradoria-Geral da República ainda neste mês ou em julho. Em agosto deverão terminar os casos de dois colaboradores diretos de Bolsonaro: Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça. Investigada pelo uso irregular do cartão corporativo da Presidência, Michele Bolsonaro por enquanto pode respirar: não está entre as prioridades.
Hélio Schwartsman - Avanços extremistas
Folha de S. Paulo
Centro político é o vitorioso nas eleições
para o Parlamento Europeu, mas direita radical obteve sucessos
O centro foi o grande vitorioso nas eleições para o Parlamento Europeu, mas a extrema direita obteve avanços importantes em vários países, notadamente a França. É difícil avaliar o alcance exato dessa votação. Eleições para o Parlamento Europeu costumavam ser uma ocasião privilegiada para o voto de protesto. Nelas, o eleitor podia mostrar sua insatisfação para com os governantes nacionais sem arriscar bagunçar muito a política local.
Joel Pinheiro da Fonseca – O que está em jogo na França?
Folha de S. Paulo
O nacionalismo está passo a passo colocando
em risco a continuidade da União Europeia
Se você quiser, dá para sustentar que nada
mudou na mais recente eleição do Parlamento Europeu. A centro-direita aumentou
seu já confortável poder e deve manter a coalizão com a centro-esquerda e com
os liberais, embora estes tenham perdido espaço. A presidente da Comissão
Europeia, Ursula Von
der Leyen, provavelmente continuará no cargo.
Na França e na Alemanha, os dois maiores países do grupo, a direita nacionalista teve um desempenho muito forte. Isso levou Macron a dissolver a Assembleia Nacional francesa e anunciar eleições antecipadas. O eleitor francês votou nos nacionalistas para o Parlamento Europeu apenas como protesto ou realmente os quer no poder em casa também? Em breve saberemos. A eleição francesa é em dois turnos, o que favorece partidos centristas como o de Macron. Então é provável que ele mantenha a maioria do Parlamento. E, novamente, poderemos dizer que nada está mudando.
Aylê-Salassié Filgueiras Quintão - "Simpatias" não salvarão as eleições dos algorítimos "deeps"
Para manter a transgressão oculta, surgiu um místico ensinando como fazer: "Escreva o seu nome completo em um papel em branco. Anote os números que deseja jogar na loteria, e o coloque dentro de um copo de vidro. Depois, para acertar nos resultados, encha-o com um monte de feijão. Em seguida, coloque-o atrás da porta da sala".
segunda-feira, 10 de junho de 2024
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Deficiência técnica e critérios frouxos emperram INSS
O Globo
Autarquia falha ao processar demandas,
enquanto população é incentivada a buscar novos benefícios
Perto de chegar a R$ 1 trilhão de despesas anuais com aposentadorias, pensões e outros benefícios, o INSS se mostra impossível de administrar, tantas as falhas no processamento dos milhões de pedidos. Apenas em abril, 1.397.408 demandas de segurados estavam à espera de resposta da autarquia, ao lado de 1.403.479 recursos administrativos para revisão de aposentadorias e pensões. Responsável por 40% dos gastos primários da União, o INSS não conta com as condições técnicas necessárias para atender a população como deveria e, ao mesmo tempo, tem afrouxado os controles na concessão dos benefícios, um incentivo para mais gente buscá-los.






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