No parlamentarismo europeu, as ideias valem mais do que o carisma dos candidatos. O presidencialismo cria espaço para a predominância de lideranças com forte apelo popular em detrimento das diretrizes programáticas. Não é à toa que, na América presidencialista, emergem políticos que são muito maiores que seus respectivos partidos como Lula, Bolsonaro, Trump e Milei.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 2 de maio de 2026
Programa de governo e eleições, por Marcus Pestana
Acordo, atrito ou ruptura, por Murillo de Aragão
Veja
As três alternativas para resolver a crise
institucional
Na trajetória recente do Brasil, jamais uma indicação presidencial ao STF havia sido recusada pelo Senado. Tampouco havia precedente de ministros agindo abertamente contra uma indicação do chefe do Executivo para a Corte máxima. Tudo isso em meio a escândalos que abalam a República. O contexto aponta para uma nação mergulhada em uma profunda crise institucional — algo que, acredito, ninguém desconhece. Mas até onde isso vai chegar? Há saída para esse impasse? Ou o que se vê no fim do caminho é um obstáculo ainda maior? As crises costumam se resolver com grandes negociações e com a queda de quem estava no comando. Foi assim em 1930, com a revolução; em 1945, com a redemocratização; em 1964, com o golpe cívico-militar; em 1985, com a reabertura democrática; e nos dois processos de impeachment presidencial. Entre grandes acordos e viradas bruscas, o país navega de crise em crise.
Para não dizer que eu também não falei de flores, por Ivan Alves Filho*
No rio São Francisco, na virada do século XX para o século XXI, eu conheci uma índia xacriabá que morava com os filhos em uma área isolada, bem isolada mesmo, a alguns quilômetros da sede de São João das Missões, na divisa, quase, de Minas Gerais com a Bahia. Tratava-se de uma reserva indígena, em uma região de caatinga. Eu estava ali preparando um livro de andanças sobre a parte mineira do Velho Chico. A casa da índia Libertina - este o seu nome - era das mais pobres que alguém possa imaginar. Pequena, quase caindo aos pedaços ou desabando, sem nenhum utensílio praticamente em exposição, nem mesmo na minúscula cozinha. Mas...como era bonita aquela casa, toda pintada, por dentro e por fora, com motivos que lembravam os desenhos estampados nas cavernas da região.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Desvirtuamento político contaminou rejeição de Messias
Por O Globo
Indicação ao Supremo não pode ser tabuleiro
de jogo de interesses. Avaliação deveria ser jurídica
Desde o fim do século XIX, a aprovação dos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) transcorria sem sobressaltos no Senado. Na quarta-feira, a escrita foi rompida. O plenário rejeitou o advogado-geral da União, Jorge Messias — ele recebeu 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, sete aquém do mínimo para aprovação. Pela Constituição, é prerrogativa dos senadores aprovar ou barrar quem bem entenderem depois da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. Não há, portanto, reparo a fazer ao direito de agirem na direção que acharem melhor. Ainda assim, o ineditismo é revelador. Expõe o grau de contaminação política de uma escolha que deveria se guiar por critérios de outra natureza — as exigências constitucionais de notável saber jurídico e reputação ilibada.
Trabalhar para viver, não viver para trabalhar, por Luiz Marinho*
Correio Braziliense
A escala 6 X 1 é um sistema que drena energia,
patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e
limita o potencial produtivo
Quando debatemos o fim da escala 6 X 1 no
Brasil, estamos, no fundo, discutindo o tempo: o tempo dedicado ao trabalho, ao
descanso e, sobretudo, à vida. Trata-se de uma escolha sobre o tipo de país que
queremos construir — um país que valoriza o trabalho digno ou que mantém um
modelo ultrapassado, herdado do século passado, que já não se sustenta.
A escala 6 X 1 surgiu em um contexto de baixa tecnologia aplicada ao mundo do trabalho, em que a produtividade dependia da presença contínua do trabalhador e da trabalhadora. Hoje, essa lógica não se aplica. O resultado é outro: exaustão e adoecimento. É um sistema que drena energia, patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo.
O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e Bahia, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
A liderança de Tarcísio expressa a São Paulo
pragmática, voltada à gestão, à infraestrutura e à segurança, que dialoga com
setores médios e empresariais. Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra
tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos
Tem certas coisas na política brasileira que
merecem uma leitura meio antropológica, digamos, pela força da cultura local. É
o caso do quadro eleitoral em São Paulo e na Bahia, quando analisado à
luz de duas matrizes profundas do país: o modernismo de Mário de Andrade e
o barroco satírico de Gregório de Matos. Mais do que referências literárias,
ambos expressam formas de perceber o poder, a sociedade e suas contradições.
A obra "Pauliceia Desvairada", publicada em 1922 por Mário de Andrade, é um marco fundador do modernismo brasileiro. Promoveu uma ruptura estética e cultural com o passado, que traduzia em São Paulo a vertiginosa transformação industrial, cosmopolita e socialmente fragmentada daquele estado, onde o Convênio de Taubaté (1906) financiou a acelerada modernização com recursos do café, enquanto em outros estados o patrimonialismo está diretamente associado à decadência econômica, sobretudo após a crise do café de 1929.
Flávio Bolsonaro sobe no salto, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Empolgado com vitórias no Congresso, senador
se antecipa às urnas e decreta fim do governo Lula
O bolsonarismo viveu a melhor semana desde a
derrota do capitão nas urnas. Na noite de quarta, o Senado quebrou tradição de
132 anos e rejeitou uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. Menos de 24
horas depois, o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduz as penas
dos golpistas.
Empolgado com os resultados, o senador Flávio Bolsonaro cantou vitória antecipada nas eleições de outubro. “O governo Lula acabou”, decretou, após a reprovação de Jorge Messias. Ontem ele avisou que já tem “vários nomes” para indicar ao Supremo. Estimulado a decliná-los, disse: “Não vou antecipar isso, não sou presidente ainda”.
Atalho conservador ao Supremo, por Pablo Ortellado
O Globo
Direita ganhou a oportunidade de construir
maioria no STF se vencer a próxima disputa presidencial
Com a rejeição da indicação de Jorge Messias
ao Supremo e a sinalização de Davi
Alcolumbre de que não deverá pautar uma nova indicação antes da
eleição, a direita ganhou a oportunidade de construir maioria no STF se vencer
a próxima disputa presidencial.
Além da vaga atual, três outros ministros
— Luiz
Fux, Cármen
Lúcia e Gilmar
Mendes — se aposentam no decorrer do próximo mandato presidencial.
Essas quatro indicações, somadas às duas feitas por Jair
Bolsonaro (Kassio Nunes Marques e André Mendonça), formariam uma
maioria conservadora de seis dos 11 ministros. Ela poderia ainda ser engrossada
com mais uma ou duas vagas se a direita obtiver o impeachment de Alexandre
de Moraes e Dias
Toffoli.
O horizonte de maioria conservadora no Supremo anima a direita brasileira, que assistiu ao impacto do respaldo que a Suprema Corte conservadora tem dado a Donald Trump nos Estados Unidos.
Entrevista | ‘O PT cometeu um erro ao não assinar a CPI do Master’
Por Vera Rosa / O Estado de S. Paulo
Dirigente petista critica rejeição de Messias
pelo Senado e vê Executivo refém das emendas impositivas
Presidente do PT e coordenador da campanha de
Lula à reeleição, foi ministro da Secom de Dilma e prefeito de Araraquara
Em uma semana de derrotas históricas para o
governo, o presidente do PT, Edinho Silva, classificou como “erro” o fato de
parlamentares de seu partido não terem assinado o requerimento pedindo a
instalação da CPI do Banco Master. “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco
Master. Foi um erro que o PT cometeu”, disse Edinho ao Estadão. “É evidente
que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a
formação das comissões de investigação.”
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre
(União Brasil-AP), liderou, nos últimos dias, as articulações que impuseram
dois importantes reveses para o Palácio do Planalto. Além disso, fez um acordo
com a oposição para engavetar o pedido de abertura da CPI proposta para
investigar as falcatruas do Master.
Sob o comando de Alcolumbre, o Senado
rejeitou, anteontem, a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge
Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, uma sessão do Congresso
derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduz as
penas de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelos atos golpistas do 8 de
Janeiro.
“Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade”, afirmou Edinho, que é coordenador da campanha de Lula a um novo mandato. “O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído”, completou o presidente do PT, candidato a deputado federal.
A seguir os principais trechos da entrevista:
Um presidente sem governabilidade e refém, por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
Moraes e Alcolumbre uniram forças para mostrar que petista depende deles para governar
O ministro Alexandre de Moraes e o presidente
do Senado, Davi Alcolumbre, uniram forças e mostram ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva que ele perdeu condições de governar e virou refém.
Depois de não emplacar um ministro para a
Suprema Corte em 132 anos com a derrota de Jorge Messias, a derrubada de veto
do PL da Dosimetria foi só mais um passo.
Moraes não perdoava Lula por ter dito que “quem quer enriquecer tem que sair do Supremo”, um sinal inequívoco de que o petista ameaçava soltar a mão do ministro em meio ao escândalo do banco Master.
As instituições estão doentes, Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Decisões do Congresso são vitória do bolsonarismo e derrota de Lula, STF e Congresso
Está confirmado: uma semana, duas derrotas
para o presidente Lula, que vai perdendo energia, vantagem segura nas pesquisas
e a confiança de possíveis aliados que poderiam ir para um lado ou outro e
estão indo em massa para o dos seus adversários. Lula, porém, não é o único
derrotado. Também perdem as instituições, em particular STF e Senado, e o
andamento do caso Master.
O pacto entre o ministro do STF Alexandre de
Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não foi só para impedir que
Jorge Messias vestisse a toga da Corte nem para se desconectar de vez de Lula.
Ambos estão enrolados no escândalo do Banco Master e o tal pacto, ou acordão, tem cara e cheiro de “você salva a minha pele e eu salvo a sua”.
1º de Maio reafirma seu sentido original de lutar pelo tempo de vida, por Vários autores (nomes ao final do texto)
Folha de S. Paulo
Redução da jornada se impõe porque condições
atuais de trabalho permitem maior equilíbrio na produção
Resgatar essa agenda histórica mantém viva a
busca por dignidade e justiça social no Brasil
O Dia do
Trabalhador, comemorado nesta sexta-feira (1º), está diretamente ligado
à luta
pela redução da jornada. A origem da data remete
à greve geral ocorrida em Chicago (EUA), em 1º de Maio de 1886, cuja
principal reivindicação era reduzir o tempo de trabalho —a jornada chegava a 17
horas diárias. A mobilização, que completa 140 anos, foi duramente reprimida,
transformando-se em símbolo de resistência e luta.
Desde então, trabalhadores no Brasil e no
mundo obtiveram importantes conquistas. Por aqui, o principal marco foi a
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que, entre outras melhorias,
estabeleceu a jornada de 8 horas diárias e 48 horas semanais —um avanço
significativo em um contexto em que a jornada frequentemente ultrapassava 14
horas por dia, com escalas que invadiam os sábados e até as manhãs de domingo.
Outro momento decisivo foi a Constituição de 1988. Ao consolidar uma luta sindical construída nas campanhas salariais de 1985, diminuiu a carga horária semanal de 48 para 44 horas.
Como ficam imposto sobre gasolina, Desenrola 2 e 6x1 depois do atropelamento de Lula 3, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Lideranças do Congresso dizem que projetos
vão andar, mas não nos termos do governo
Além das derrotas políticas, há risco de
juros altos persistentes e inflação em alta
É difícil de acreditar que a maioria de deputados e senadores vote contra a aprovação de projetos de lei que distribuam dinheiro ou que tenham caído no gosto do povo. Um desses projetos que deveria entrar em discussão em breve é o de redução da jornada, a mexida na escala 6x1. A redução do imposto federal sobre a gasolina estava na pauta de urgência do governo. Talvez o novo plano de apoio à renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 2, exija alguma medida legislativa.
Voto secreto ajudou a crucificar Messias, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Sigilo foi concebido para tentar assegurar a
independência de senadores
Ele representa, porém, uma violação à ideia
central da democracia representativa
Enquanto ainda tentamos entender se a rejeição do
nome de Jorge Messias pelos
senadores foi mais uma espetada no governo Lula ou
um recado para o STF,
proponho discutir um outro aspecto da questão que está passando meio batido:
o voto secreto.
Não tenho como assegurar que, se votações para a aprovação de ministros do Supremo fossem nominais e abertas, o desfecho teria sido outro, mas suspeito que sim. Entre os 42 senadores que disseram não a Messias, deve haver pelo menos alguns com sólidos interesses no Executivo ou turvas pendências com o Judiciário que teriam agido de outra forma se tivessem de se manifestar sem a proteção do anonimato. A blindagem contra pressões políticas e retaliações é, aliás, a razão alegada para que a Câmara e o Senado mantenham algumas votações sigilosas. Mas será que elas se justificam?
Fake news às gargalhadas, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
A expressão em breve fará dez anos e continua
a ser o sustentáculo de Trump e Bolsonaro
Mestre da fake news, Bolsonaro convenceu
milhões de que, no governo dele, não havia corrupção
Você se lembra de quando ouviu pela primeira vez a expressão "fake news"? Foi em 2017, nos noticiários de TV. E sabe por quem? Donald Trump, candidato à Presidência dos EUA. Trump não a inventou. Com ou sem este nome, as fake news sempre foram uma arma política dos regimes autoritários e totalitários, para jogar seus apoiadores contra opositores, minorias e potenciais adversários. Ou para criar confusão, como neste exemplo real: "Papa Francisco apoia Trump". Até ser desmentida, causou grande estrago.
Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722
Bruno de Freitas Moura / Agência Brasil
Em um ano, valor sobe 5,5% acima da inflação
O rendimento médio mensal do
trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa
acréscimo real – já descontada a inflação – de 5,5% em relação ao registrado no
mesmo período de 2025. É o
maior registrado em toda série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.![]()
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O trimestre encerrado em março é o segundo consecutivo em que o salário médio supera a casa dos R$ 3,7 mil. No período de três meses terminado em fevereiro, o rendimento foi de R$ 3.702. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando o valor era de R$ 3.662, houve expansão de 1,6%.
Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período
Bruno de Freitas Moura / Agência Brasil
Pnad Contínua: país tinha 6,6 milhões de
pessoas em busca de trabalho
A taxa de desemprego no
primeiro trimestre do ano ficou em 6,1%. O indicador fica acima do registrado
no quarto trimestre de 2025 (5,1%), porém é a menor taxa de desocupação para um
primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.![]()
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Nos três primeiros meses do ano passado, o
desemprego tinha marcado 7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30)
pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava 6%. No trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,8%.
Alcolumbre afirmou a líder do PL atuar contra Messias: “faça a sua parte, faço a minha”, por Dyepeson Martins
Agência Pública
42 votos contra e 34 a favor impôs derrota acachapante ao presidente Lula; saiba bastidores
Com muitos gritos e aplausos, deputados e
senadores da direita e da ultradireita amontoaram-se em frente ao plenário do
Senado para celebrar uma derrota histórica do Governo Lula, na noite desta
quarta-feira (29). A Casa rejeitou — por 42 a 34 votos, além de uma abstenção —
o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, à vaga deixada por Roberto
Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira rejeição de uma
indicação presidencial à Corte desde 1894.
A Agência Pública apurou que o resultado da votação não surpreendeu o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria articulado ativamente contra Messias e, inclusive, confirmado isso a outro parlamentar.
Botija, rombo, buraco e presente, por Cristovam Buarque*
Correio Braziliense
Para salvar o Master, o Governo do Distrito
Federal comprometeu as finanças públicas a ponto de não conseguir financiar a
comemoração de aniversário de Brasília
Chamava-se botija à caixa cheia de dinheiro enterrada no terreno de uma casa. O dono do Banco Master descobriu uma botija guardada nos cofres do BRB e corrompeu seus zeladores para repassarem R$ 12 bilhões ao seu banco. Quando o roubo foi descoberto, fizeram uma lei para colocar dentro da botija o terreno onde ela estava. Os donos do dinheiro roubado pagam seu prejuízo vendendo sua propriedade fundiária. A crise na saúde, o desastre na segurança, a vergonha na educação e a corrupção astronômica não são vistos como ameaças à ordem social mas, em nome da ordem, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceita vender terreno do povo para cobrir o roubo feito contra o povo.
quinta-feira, 30 de abril de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Congressistas devem explicações sobre carona em jatinho
Por O Globo
Presidente da Câmara, senador e deputados
viajaram para o Caribe em aeronave de empresário
No dia 13 de abril de 2025, o jato com o prefixo PP-OIG, pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, dono de empresas de apostas on-line conhecido como Fernandin OIG, decolou do São Paulo Catarina, aeroporto exclusivo de aviação executiva em São Roque (SP), a 68 quilômetros da capital paulista. O destino era a ilha caribenha de São Martinho. Fernandin postou imagens da viagem numa rede social, com passeios a bordo de embarcações de luxo pelas águas azuis do Caribe, piscina privativa, serviço de concierge e menu de frios, ostras e lagosta. Uma semana depois, no dia 20, por volta das 21 horas, o mesmo jatinho pousou de volta em São Roque.
Impacto da guerra se espalha na economia, por Míriam Leitão
O Globo
O efeito da guerra na economia vai além do
petróleo e já pressiona a produção de chips e o setor de alimentos, com a queda
na oferta de fertilizantes
O impacto da guerra na economia vai muito além do petróleo. Está ameaçando a produção de chips e afetando o setor de alimentos ao reduzir a oferta de fertilizantes. A escassez de insumos agrícolas chegou a algumas economias e em dois meses atingirá o Brasil. A inflação reflete este cenário nos preços, todas as projeções subiram, e por isso, o Banco Central tomou a decisão de fazer apenas um corte de 0,25 ponto percentual, mesmo os juros estando tão altos.
Os caronas do bonde do Tigrinho, por Julia Duailibi
O Globo
Ministros do STF, deputados e senadores
continuam aceitando caronas em jatinhos de empresários
Dois deputados federais, um senador da República e o presidente da Câmara dos Deputados pegaram carona no jatinho de um empresário do ramo das bets em meio a uma CPI que investigava justamente esse mesmo empresário do ramo das bets. Enquanto colegas trabalhavam em Brasília para tentar descobrir se Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, havia cometido lavagem de dinheiro, dissimulação patrimonial ou evasão de divisas, os quatro parlamentares acharam que tudo bem embarcar no avião dele, que tinha como destino o Caribe.
Derrota de Messias vira o jogo da eleição, por Malu Gaspar
O Globo
Ofensiva contra indicado do presidente teve
ajuda de ministros do STF como Alexandre de Moraes
Um dia antes de o Senado
Federal derrotar a indicação de Jorge Messias para
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Davi
Alcolumbre (União Brasil-AP)
mandou um recado aos senadores da oposição bolsonarista. Se perdessem a
oportunidade de derrubar o indicado de Lula no
plenário, que não viessem lhe pedir para colocar em pauta um dos cerca de cem
pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados. No dia
seguinte, o mesmo Alcolumbre, conhecido por nunca atender o celular, passou o
tempo todo ao telefone falando com qualquer parlamentar que tivesse condição de
ajudá-lo. Nas conversas, variações do mesmo tema — faça seu papel que farei o
meu —, terminando sempre com “hoje será um dia histórico”.
Com o primeiro vaticínio confirmado, dois novos passaram a ser ouvidos em Brasília. O primeiro: o governo “acabou”. Outro: o próximo passo é o impeachment de ministros do Supremo. É difícil cravar agora com 100% de certeza se tais previsões se confirmarão.
Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O resultado abala a liturgia
da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear
ministros de cortes superiores é exercício de poder
A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá.
A receita da limonada é a escolha de uma mulher negra ao STF, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Depois de rejeitar um evangélico, Senado
teria que arcar com o ônus duplo de negar a vaga também a uma mulher negra
O presidente da República colecionou mais um
“nunca antes na história do país” com a derrota da indicação do ministro da
Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. As
excepcionalidades viraram o novo normal. Nunca, ou, pelo menos, desde a
redemocratização, não se via um governo tão minoritário no Executivo. Nem
tampouco um presidente do Senado trabalhando tão abertamente contra uma
indicação presidencial.
Nenhuma das excepcionalidades, porém, foi mais determinante para o desfecho da noite desta quarta do que aquelas que dominam o STF. Nunca houve um ministro do Supremo cuja esposa firmou contrato de R$ 130 milhões com banqueiro pilantra. Nunca houve togado dono de resort. Nem ministro que chama senador de miliciano, processa outro por um voto e está sentado há cinco meses em cima de liminar sobre as regras para o Senado dar um basta em tudo isso.
Derrota marca rompimento da relação entre Lula e Alcolumbre
Por Sofia Aguiar, Andrea Jubé, Tiago Angelo e Gabriela Guido / Valor Econômico
Após rejeição de Messias, aliados do
presidente da República ainda avaliavam impactos políticos e chances de
encaminhamento de novo nome
Com o rompimento entre o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP),
considerado praticamente consumado, autoridades do governo ainda avaliavam na
noite de quarta-feira (29) o impacto político da rejeição da indicação de Jorge
Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de fragilizar o Palácio do
Planalto, disseram algumas fontes nos bastidores, o episódio demonstra que a
própria Corte passa a ficar ainda mais exposta.
O fato foi considerado um ponto de inflexão. Messias obteve apenas 34 votos a favor, ante os 41 necessários para a sua nomeação, o que indicou ao Executivo que a agenda legislativa do governo pode ficar inviabilizada. Um interlocutor de Lula classificou o placar como “humilhante”. Também havia dúvidas se e quando Lula deveria encaminhar novo nome ao Senado, além do perfil do escolhido.
Duas transparências, por Eugênio Bucci
O Estado de S. Paulo
Autoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando
A imprensa cumpre seu papel quando dá
transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete
de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em
penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu
a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a
escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E
este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.
Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.
A força de Alcolumbre e do sentimento anti-STF, por Ricardo Corrêa *
O Estado de S. Paulo
Pressão no Parlamento vai aumentar e custos de nova derrota podem ser mais pesados para o Planalto
Lula insistiu, bateu o pé, manteve o nome de
Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu e da pressão que
sofria para ir por outro caminho. E perdeu. Perdeu sendo relembrado, da pior
forma, da força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E da insatisfação do
Congresso atual com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula nunca teve base confortável, mas conseguia se virar no Senado, sempre com o auxílio de Alcolumbre. Sem ele, percebeu que não tem nem maioria simples dos parlamentares na Casa. Se, depois de quatro meses empurrando a indicação com a barriga, o presidente do Senado aceitou pautar a indicação do petista, na melhor das hipóteses, não moveu uma palha sequer para ajudar. Lavou as mãos para, agora, poder dizer: “Na próxima, me ouça”.
O pior cego, por William Waack
O Estado de S. Paulo
Estava claro e só não enxergou quem não quis
ver. Especialmente o presidente Lula. Fez mais uma aposta errada, uma das
piores na sequência de apostas políticas equivocadas que demonstram um líder
político em seu ocaso. As condições para a aprovação do indicado eram difíceis
de saída, sobretudo pela proximidade das eleições. Não só a oposição declarada,
mas um bom pedaço do centrismo no Senado achava que seria melhor uma indicação
depois do 4 de outubro – melhor até para o próprio STF.
Não se sabe quem garantiu a Lula que Messias passaria raspando, mas passaria. Se foi Alcolumbre, foi um conselho diabólico para pular para dentro do abismo. Pois a derrota política é histórica na pura acepção da palavra.
O aviso da derrota de Messias, por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Supremo vê revés no Senado como um aviso
sobre impeachment de ministros
A rejeição histórica do Senado ao nome de Jorge Messias foi interpretada de duas formas por integrantes do Supremo Tribunal Federal. A primeira é a desmoralização do governo Lula perante o Congresso. A segunda é que o Senado enviou à Corte um recado: se hoje a Casa tem maioria para descartar um candidato a ministro, amanhã terá poder suficiente para afastar quem já compõe o tribunal.
O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
Documento apresentado pelo PT em seu
congresso não faz jus ao partido real
Não se sabe bem de onde veio a inspiração que
animou os autores
O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar
seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o
futuro: manifesto do PT para seguir
transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de
apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao
Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano.
O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais?
Desastrosa para Lula, derrota gera dúvida sobre capacidade de reação do governo, por Fábio Zanini
Folha de S. Paulo
Messias enfrentou sentimento anti-STF,
calendário eleitoral e hostilidade de Alcolumbre
Ao presidente, resta agora tentar alguma medida de impacto antes da eleição, como fim da escala 6x1
A derrota por larga margem na indicação
de Jorge Messias para
o STF (Supremo Tribunal Federal) deixa dúvidas sobre a capacidade de reação do
governo Lula e abre perspectivas sombrias para a campanha eleitoral que se
avizinha.
Messias foi vítima do fato de ter sido
escolhido na hora errada. Como mostrou a sabatina para lá de cortês na Comissão de
Constituição e Justiça, o indicado não desperta resistências de caráter pessoal. É
educado, afável e tem jogo de cintura política.
Por diversas vezes na longa sessão, buscou estabelecer relação de empatia, mesmo com os mais barulhentos opositores. Não se abalou nem com as provocações do verborrágico Magno Malta (PL-ES).
Uma noite de derrotas graves de Lula, na política e na economia, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Enterro da nomeação de Messias também anima
forças da direita que querem dominar o STF
Imprevidência e conversa velha na política e
na economia prejudicam projeto Lula 4
O atropelamento
do governo no Senado foi tamanho e tão cheio de significados que o
destino cinzento das taxas de juros no
Brasil ficou parecendo um assunto acadêmico ou menor. Se alguém ainda se
lembra, nesta quarta (29) o Banco Central diminuiu a Selic de
14,75% para 14,5%, mas
deu indícios de que o gato dos cortes de juros está subindo no telhado.
Taxa de juros não é assunto acadêmico ou menor, claro, embora seja conversa muito mais tediosa. Os dois assuntos, porém, são derrotas sérias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sinais de mais riscos, político-institucionais e econômicos.
Rejeição de Messias é vitória da baixa política, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Davi marcou a sabatina de indicado de Lula
para 'matar'
Presidente do Senado esperava acordo para
indicar Rodrigo Pacheco ao STF
Festa na oposição bolsonarista e frustração
na base governista. A derrota
histórica que o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, impôs ao presidente Lula é um
divisor de águas.
Davi acreditava que tinha um acordo de
bastidores com Lula para indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo
Pacheco para o Supremo Tribunal Federal após a indicação e aprovação
do ex-ministro da Justiça Flávio Dino —hoje, o caçador de emendas
parlamentares.
Davi nunca mudou de posição. Sempre foi contra Messias e avisou que tinha marcado a sabatina para "matar".













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