quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Opinião do dia: Fernando Henrique Cardoso

“Duas questões nos desafiam especialmente na atual conjuntura: o desemprego e a desconfiança nos governos. De permeio, o crime organizado e o ódio entre facções políticas, além da corrupção dos que usam colarinho branco. Acrescente-se que desta vez a “crise” dos governos (financeira e moral) foi criada internamente. Não há como jogá-la no colo do FMI ou dos “estrangeiros”. É tão nossa quanto a saúva ou o bicho-de-pé. Políticas equivocadas da dupla Lula-Dilma levaram a que depois do boom viesse a borrasca: os governos (não só o federal) estão exauridos, o PIB despencou mais de 8% entre 2015 e 2016, a desigualdade voltou a aumentar e o desemprego passou de 4% a 14% no mesmo período. Embora não faltassem razões jurídicas, foi o descontrole da economia que, no fundo, causou o impeachment, pois atingiu e irritou o povo e levou o Congresso a agir.”
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Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República, ‘Coragem e decência’, O Estado de S. Paulo, 3/12/2017.

Roberto Freire: Um longo caminho até 2018

- Blog do Noblat

A pouco menos de um ano da eleição que vai concluir a transição iniciada com o impeachment e definir os rumos do país pelos próximos quatro anos – com a escolha do próximo presidente da República, governadores, deputados e senadores –, é natural que haja um clima de ansiedade e até preocupação em relação ao futuro. De todo modo, a esta altura do período pré-eleitoral, é preciso ter calma para não se deixar levar por resultados de pesquisas ou atitudes voluntaristas que em nada contribuem para o bom andamento do processo democrático.

Tenho reiterado que o nosso principal compromisso é trabalhar pela construção da unidade das forças democráticas, sobretudo para evitar uma indesejável e nociva polarização entre os extremos do espectro político nas eleições de 2018. De um lado, a esquerda lulopetista que afundou o Brasil na corrupção, desmantelou as instituições e dilapidou o patrimônio nacional, legando ao país a maior recessão de sua história, e que defende ditaduras como a de Nicolás Maduro na Venezuela; de outro, uma extrema-direita autoritária e reacionária, personificada por um líder saudoso da ditadura militar brasileira e das torturas por ela praticadas em tempos de triste memória que tanto infelicitaram a nação. Nenhum deles tem qualquer compromisso com a democracia, a independência entre os Poderes da República, a liberdade de imprensa e o bom funcionamento das instituições.

Murillo de Aragão: IstoÉ Sucessão

- Blog do Noblat

Na noite desta terça-feira, durante a entrega do prêmio Brasileiro do Ano pelas revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, o tema da sucessão presidencial estava no ar. Tanto pelas pessoas presentes quanto pela eloquente ausência do governador de São Paulo, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB).

Ente os homenageados e os prestigiadores do evento, no palco estavam, nada mais nada menos, que sete personalidades relacionadas à sucessão.

O juiz Sergio Moro, eleito Brasileiro do Ano, foi o principal homenageado. Muitos gostariam de tê-lo como presidente. Seu discurso foi o mais aplaudido, o que revelou o tamanho do seu prestígio. Moro, como se sabe, pode contribuir decisivamente para tornar o ex-presidente Lula (PT) inelegível. Bem como, e por tabela, outros políticos. Aproveitou para fazer um discurso contra o foro privilegiado. E, pasmem, pediu que o presidente da República interceda junto ao Supremo Tribunal Federal para manter a prisão em segunda instância.

Maria Cristina Fernandes: O conselho de Sarney

- Valor Econômico

Candidatura Lula seria preço a ser pago pelos aliados

Depois da fisioterapia, do banho e do almoço, o ex-presidente José Sarney segue para seu escritório numa torre do Setor Comercial Norte. Aos 87 anos, há três longe de seu último mandato, como senador pelo PMDB do Amapá, Sarney continua a ter um dos gabinetes mais frequentados de Brasília. Recebe políticos de todos os matizes e correligionários do seu Estado de adoção eleitoral, desejosos de ver de volta às urnas o mandatário mais eficiente na gestão da rede de aliados espalhados em postos-chave da República.

Na montagem do quebra-cabeças da sucessão presidencial de 2018, Sarney tornou-se um dos principais conselheiros do presidente Michel Temer. Já fizera o mesmo com os antecessores Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Nos seus diários, FHC começa tratando-o por "o mais ardiloso de todos os políticos nacionais", passa para o "mais hábil" e conclui que é "gentil, inteligente, bom conversador, esconde o jogo e nem sempre cumpre".

Sarney esteve pela última vez com Lula no velório de dona Marisa, depois de longo jejum causado por seu engajamento no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Mas é dele que Sarney se ocupa nas conversas que tem tido com Temer. Além de estimular o presidente a manter várias candidaturas no campo governista, até a mais improvável de todas, a do ocupante do Palácio do Planalto, Sarney defende que a candidatura Lula é um preço a ser pago.

Roberto Dias: Alckmin candidato, mas para quê?

- Folha de S. Paulo

Despoluir o rio Tietê é promessa de Geraldo Alckmin há mais de década. Ele vive agora o quarto mandato. São 12 anos na cadeira, algo sem paralelo. Seu grupo está no poder desde 1995.

O rio continua imundo, uma vergonha explícita rasgando a cidade mais rica do país.

Há outros Tietês administrativos na calha do governo de SP. Nele boiam os trilhos com entrega seguidamente postergada, as torneiras secas de três verões atrás, as universidades públicas em situação de queda livre. Nada disso é desimportante.

Vai ser difícil, portanto, o tucano se apresentar como postulante à Presidência dizendo que é do tipo que faz e acontece com os problemas.

Neste sábado (9), ao ser oficializado no comando do PSDB, terá terreno livre para se lançar ao Planalto. Que plataforma usará para decolar do modesto patamar de votos atual?

Merval Pereira: Melhor não fica

- O Globo

No mesmo dia em que uma pesquisa de opinião revelou que 60% dos brasileiros consideram ruim ou péssimo o desempenho dos atuais deputados e senadores, um dos símbolos do pior Congresso dos últimos tempos, o palhaço Tiririca, subiu pela primeira vez — e provavelmente última — à tribuna para anunciar que está abandonando, decepcionado, a política ao término de seu segundo mandato. Tiririca é um símbolo da disfunção de nosso sistema eleitoral, e sua decepção não tem a menor importância, mas revela a que pontos chegamos.

A rejeição ao trabalho do Congresso atingiu o seu maior número desde o início da série de pesquisas do Datafolha, em 1993. Além da desaprovação recorde de 60%, a aprovação desceu a apenas 5%, também o pior número já registrado. O deputado federal Tiririca parecia que estava renunciando ao mandato com seu discurso, onde se disse “envergonhado”, “decepcionado” com os colegas e com a política brasileira e pediu que os outros parlamentares “olhem pelo país”. Mas ficará no cargo até o final do mandato, sem se recandidatar. Não se sabe o que Tiririca fez de seus dois mandatos, pois, além de nunca ter falado da tribuna até ontem, limitou-se a ser um dos mais assíduos e menos eficientes dos deputados.

Zeina Latif*: O sistema político não será mais o mesmo

- O Estado de S.Paulo

A vida do próximo presidente não será fácil. A gestão da política econômica será mais desafiadora em 2019 do que em 2018. Não só o dinheiro acabou, como reformas urgentes de corte de gastos serão necessárias para o próximo presidente não incorrer em crime fiscal. As regras constitucionais que disciplinam o orçamento federal - regra de ouro e regra do teto - estarão, provavelmente, ameaçadas em 2019.

Quanto mais reformas aprovadas até lá, melhor. Seria sábio os candidatos darem apoio à reforma da Previdência neste ano, pois ela será inevitável em 2019. E convém cautela em suas promessas. Dilma negou a crise fiscal na campanha e assim não teve apoio de seu partido para fazer o ajuste.

Há outros ingredientes que desafiarão o próximo governo. Ele terá que ter muita credibilidade e capacidade política. Não só pelo desafio de rever políticas públicas, o que gera reação de grupos de interesse, mas porque o presidencialismo de coalizão como conhecemos não será o mesmo.

O presidencialismo de coalização, termo cunhado por Sergio Abranches em 1988, caracteriza o sistema político no Brasil. Um modelo muito singular. Ele decorre da necessidade do Executivo de construir maiorias amplas no Congresso, em função da elevada fragmentação partidária. Sem isso, a governabilidade é ameaçada.

Carlos Alberto Sardenberg: Novo na política, o clássico na economia

- O Globo

No imediato, o que mais atrapalha os negócios é o sistema fiscal, confusão de impostos sobre impostos, burocracia absurda

Teste: considerando o próximo ano, qual destes fatores provocará efeito mais positivo nos negócios? eleições presidenciais; reforma da Previdência; investimentos em infraestrutura; reforma tributária. Se você pensou em reforma da Previdência, o tema do momento, errou. Para os representantes de 750 empresas ouvidos pela consultoria Deloitte, em uma amostra bem variada, a infraestrutura é mais importante. Nada menos que 93% dos respondentes a colocaram em primeiro lugar na lista de eventos que provocam impacto positivo nas atividades de suas companhias.

Em segundo lugar, a reforma tributária, citada por 84% dos entrevistados. Finalmente, a Previdência, considerada importante para 70%.

E as eleições? Um resultado curioso. Para 43%, a maioria, o pleito, no final das contas, será bom para os negócios. Já para 26%, o efeito será negativo. E 14% responderam que tanto faz, nem ajuda, nem estraga.

Deve ter torcida neste quesito. Os que esperam um efeito positivo certamente acham que a eleição produzirá um presidente bom para as negócios, e isso, claro, no bom sentido: um governo que estabilize as contas e crie condições para investimentos e consumo ou que, pelo menos, não atrapalhe.

Melhor esclarecer esse ponto porque, como a Lava-Jato descobriu, bom para os negócios significava um método para assaltar o Estado.

Vinicius Torres Freire: País com mais carro, menos supermercado

- Folha de S. Paulo

Economia brasileira se recupera de modo muito desigual e micromelhora mal chegou ao povo

Uma crise econômica ruim, mas normal, pode acabar como no caso de quem se cura de infecção, com antibióticos e repouso, e sai para a vida. O fim da grande recessão parece mais a história de alguém que foi atropelado por um caminhão, teve fraturas múltiplas, pegou tétano, infecção hospitalar e tomou uns remédios fracos.

Vamos saindo muito capengas desse desastre, em uma recuperação rastejante, desigual e pouco disseminada pelos setores produtivos. Alguns dos números deste fim de ano explicam ainda o persistente pessimismo econômico do eleitor, registrado pelo Datafolha, e a confiança do consumidor, que não acompanha a das empresas.

No termômetro sociopolítico, a economia está mais fria que na medida do PIB.

Sobre a recuperação torta, tome-se o caso da indústria. Nesta semana, se soube pelo IBGE que a indústria de veículos cresceu 20% neste 2017. A indústria de alimentos, porém, não cresceu. As fábricas em geral, "indústria de transformação", produziram apenas 1,4% mais.

Ribamar Oliveira: Novo indicador para avaliar o endividamento

- Valor Econômico

Dívida bruta/PIB já não mostra o que ocorre na área fiscal

A área acadêmica começa a discutir um novo indicador para avaliar a sustentabilidade do endividamento público brasileiro. A razão para isso é que o conceito de dívida bruta em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB), preferido até agora pelo mercado, parece não mostrar mais o que está efetivamente acontecendo na área fiscal. Neste ano e no próximo, por exemplo, a dívida bruta/PIB vai apresentar variação que não é muito compatível com o fato de a União estar registrando um astronômico déficit primário em suas contas, em torno de R$ 150 bilhões ao ano.

Como a dívida bruta/PIB não está variando tanto, a impressão que este indicador pode passar aos menos avisados é que a situação fiscal do setor público brasileiro é menos grave do que a realidade. O setor público está no quarto ano consecutivo de déficit primário elevado, superior a 2% do PIB, e não se enxerga no horizonte, com clareza, o ano em que o primeiro superávit primário será gerado.

Na Carta de Conjuntura do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que circula neste mês, o economista Luiz Guilherme Schymura sugere que seja criado um novo indicador de dívida líquida, que iria capturar as mudanças do nível de endividamento bruto, descontando os ativos altamente líquidos da União, dos Estados e dos municípios. Este novo conceito seria uma boa adição às variáveis que já estão no radar do mercado, e serviria para reduzir a atenção sobre a dívida bruta, diz Schymura, que é o presidente do Ibre/FGV, em sua Carta.

Míriam Leitão: A busca dos juros baixos

- O Globo

Foi longa a luta do país por juros mais baixos. Em 11 de maio de 1988, a Constituinte aprovou uma lei que deixou a esquerda entusiasmada e o sistema financeiro apavorado: os juros reais foram limitados a 12%. Ontem a Selic caiu para 7%. Na véspera do Plano Real, superou 15.000%. O Banco Central tem criticado há anos a diferença entre a Selic e a TJLP e agora elas estão juntas pela primeira vez em sua longa relação de distanciamento.

Na busca por juros mais baixos, ontem foi um dia importante. A outra forma que se tentou na Constituinte não daria certo. O objetivo era bom, mas o caminho estava errado, tanto que nunca entrou em vigor. Não é assim que se resolve o problema, ainda mais naquele 1988 em que a inflação anual foi de 980%.

A grande questão agora é quanto tempo a Selic permanecerá neste patamar baixo? O comunicado do Copom de ontem teve um tom surpreendente. Alguns analistas achavam que o BC não seria claro sobre o próximo movimento porque a nova reunião acontecerá apenas daqui a 60 dias. Mas ele indicou que a redução pode continuar, ainda que em intensidade menor. “O comitê vê como adequada uma nova redução moderada na magnitude da flexibilização monetária.” O entendimento geral foi de outro corte, no começo de fevereiro, de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa a 6,75%.

Luz no Congresso: Editorial/O Estado de S. Paulo

A estratégia anunciada pelo Palácio do Planalto para a aprovação da reforma da Previdência pode representar um passo importante para o funcionamento do próprio Congresso. Em vez de negociar com os parlamentares individualmente, o governo trabalha para que os partidos da base aliada fechem questão em favor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016, como já fez o PMDB. Diante da trajetória percorrida pelo Congresso a partir da chegada do PT ao governo federal – é notório o estrago feito pelo mensalão –, deve-se reconhecer que a medida, que resgata a relevância ideológica de cada legenda, é uma importante e significativa novidade.

A negociação com os partidos, e não com cada congressista individualmente, pode ser extremamente útil para o avanço da reforma da Previdência, que estava empacada desde maio, quando houve o vazamento da delação do sr. Joesley Batista. Se outros partidos fecharem questão em torno da PEC 287/2016, em tese os parlamentares ficarão mais protegidos do risco de uma suposta retaliação eleitoral ao apoio a uma alteração legislativa considerada impopular. A medida contribuiria, portanto, para que os parlamentares atendam ao interesse público, dando sua aprovação à reforma da Previdência.

Menor da história: Editorial/Folha de S. Paulo

Em outubro de 2012, no governo Dilma Rousseff (PT), a taxa de juros do Banco Central, a Selic, atingia o que até então era o menor patamar de sua história.

Elevada à condição de bandeira política do Palácio do Planalto, a marca de 7,25% anuais se manteve, porém, por meros seis meses; a trajetória de alta então iniciada levou a taxa a 14,25% em 2015.

Nesta quarta-feira (6), atingiu-se um novo piso, de 7%, notável para um país onde os juros há décadas destoam dos padrões globais —recorde-se que o mundo desenvolvido ainda vive a era de dinheiro a custo próximo de zero.

De todo modo, abre-se nova chance, que não se pode desperdiçar, de consolidar um ambiente econômico mais saudável.

A situação atual difere substancialmente da verificada há cinco anos. Naquela época, a inflação superava a meta de 4,5% e iniciava uma trajetória de alta, impulsionada pela expansão dos gastos do governo e do crédito concedido pelos bancos federais.

Em Buenos Aires, OMC tenta driblar cerco dos EUA: Editorial/Valor Econômico

A Organização Mundial do Comércio chega à sua 11ª Reunião Ministerial cercada de interrogações quanto a seu futuro. Desde o início da grande crise financeira de 2008, a instituição conseguiu manter seu curso em meio ao temor de renovadas e intensas pressões protecionistas que, se esperava, adviriam da recessão global. O comércio internacional recuou e só agora parece retomar algo de seu ritmo anterior a 2008, o protecionismo nas transações comerciais teve algum avanço, modesto perto do potencial dado, mas novos e graves perigos se desenharam no horizonte. Eles desembocarão no encontro em Buenos Aires. "Não há convergência em nenhum tema", avisa Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC.

Amplas divergências e longos hiatos de decisões nas negociações globais são a regra, não a exceção, desde que a OMC foi criada em 1995. O impasse da Rodada Doha, iniciada em 2001 e nunca concluída, ronda suas reuniões. A ameaça dessa vez, porém, não vem envolta em debates técnicos sobre temas de comércio. Envolve o papel da instituição, seus objetivos e a maneira como arbitra conflitos - este último, um de seus maiores e reconhecidos trunfos.

A crise levou ao primeiro plano movimentos nacionalistas que culminaram com o afastamento do Reino Unido da União Europeia, tensões no bloco do euro com a ascensão de forças xenófobas. O evento decisivo foi a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA, país propulsor das instituições multilaterais. Trump se move aos poucos para retirar poder de decisão, e financeiro, das instituições multilaterais nas quais a voz dos EUA não é predominante ou seu peso não é decisivo. Com sua plataforma de primazia para a América, Trump age segundo uma agenda claramente hostil ao multilateralismo. É um programa em tudo oposto à filosofia que originou a OMC.

Há urgência para a Base Curricular: Editorial/O Globo

Mesmo que o currículo básico esteja previsto na Constituição, resistências políticas o retardaram, e, por isso, o projeto já elaborado precisa ter andamento rápido

A construção de uma política educacional que retire o ensino público básico de uma crise de qualidade preocupante não é tarefa simples nem de curto prazo. Uma característica positiva do caso brasileiro é que tem havido continuidade entre governos de tendências políticas diversas, como os do PSDB e do PT.

Felizmente, o trabalho do ministro tucano Paulo Renato Souza, na montagem de testes e exames para monitorar o rendimento dos alunos, teve sequência com o ministro petista Fernando Haddad, na expansão do fundo do ensino fundamental para todo o básico (Fundeb) e no aprofundamento de mecanismos de aferição da qualidade das escolas, para citar alguns pontos importantes.

À universalização da matrícula no ensino fundamental somaram-se avanços, ainda não suficientes, no ensino básico como um todo, mas persistem gargalos no ensino médio. O Brasil continua nas piores colocações em exames internacionais (Pisa) para adolescentes, porém existem melhorias localizadas e, o que é mais importante, uma direção a seguir.

Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo: PPS quer obrigar bancada a votar a favor da Previdência

O oposicionista PPS também deve obrigar abancada a votara favor da reforma .“A Previdência é questão de relevância nacional”, disse o presidente da sigla, Roberto Freire, à Coluna do Estadão.

Depois do PMDB e do PTB, o PPS também deve obrigar sua bancada no Congresso a votar em bloco a favor da reforma da Previdência. Será o primeiro partido que não integra a base de apoio do governo a tomar essa decisão. A proposta do presidente do PPS, deputado Roberto Freire, do senador Cristovam Buarque e do deputado Rubens Bueno será votada na reunião do diretório sábado. “É hora de mostrarmos para a sociedade a importância dos partidos. A Previdência é questão de relevância nacional e será decidida pela política”, diz Freire.

» Voto de opinião. Desde que entregou o Ministério da Cultura, o PPS passou a atuar como independente. Na denúncia contra Temer, oito dos nove votos do partido foram pela abertura do processo. Só o relator da Previdência, Arthur Maia (BA), pediu arquivamento.

» Entrou na chuva... O sindicato dos servidores do Congresso lança nos próximos dias uma campanha publicitária contra a reforma da Previdência. Os vídeos vão atacar as aposentadorias do presidente Temer (aos 55 anos) e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (aos 57 anos).

» Tem pra todos. Temer se aposentou como servidor de São Paulo; Meirelles pelo BankBoston. Deputados já aposentados serão citados nas campanhas.

» Pressão. O Fórum Nacional das carreiras de Estado também fará campanha. Vai gastar R$ 200 mil para veicular na TV, na semana que vem, vídeos com o seguinte mote: antes da reforma da Previdência, o governo deve cobrar sonegadores.

Painel/Folha de S. Paulo: Em meio a ofensiva pela Previdência, governo libera R$ 500 milhões para centrais sindicais

Mel na sua boca Em meio às negociações para a aprovação da reforma da Previdência, o Planalto fez um aceno às centrais sindicais que se opõem às mudanças. Michel Temer garantiu, na terça (5), que baixará portaria semana que vem para liberar o pagamento de cerca de R$ 500 milhões em verbas do imposto sindical que estavam retidas na União. O dinheiro é fruto de um acordo entre as entidades, o MP, a Caixa e o governo. O ministro Ronaldo Nogueira (Trabalho) vai assinar o texto.

Erro Os R$ 500 milhões foram bloqueados por falhas no preenchimento de dados obrigatórios para o pagamento.

Empacou A baixa adesão do PSD à reforma da Previdência fez do ministro Gilberto Kassab (Comunicações) alvo de forte pressão. Os entusiastas do texto dizem que se ele não fechar questão “para valer”, ameaçando cortar verbas de quem não apoiar o governo, só entregará 15 votos.

Me esquece PMDB e PP são os partidos com maior adesão ao texto. O PSDB, em vez de avançar na discussão, refluiu. A maioria da bancada de deputados boicotou reunião que discutiu a reforma e mandou avisar que nem sequer quer declarar voto no plenário. A disposição é a de não dar quorum.

Malas prontas Em reunião com associações que são contra a nova Previdência, na terça (5), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que não se comprometeu a levar a proposta à frente ainda este ano. “Quero dar o recesso dia 14. Como aprovar?”, indagou.

Direitos iguais O ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) fez graça da polêmica por não ter aplaudido de pé o juiz Sergio Moro em evento na terça (5), em SP. “Como, se não levantei para aplaudir Juliana Paes e Isis Valverde?”

Não para A PGR enviou ao ministro Dias Toffoli o acordo de delação de Daniel Gonçalves, o ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná investigado na Operação Carne Fraca. O relato atinge principalmente o PMDB no Paraná.

Poder em jogo/O Globo: Dois em um

O governo decidiu apressar a tramitação do projeto de lei orçamentária de 2018 para tentar levá-lo à votação em plenário na semana que vem. A intenção é tirar proveito da mobilização em torno do Orçamento, que atrai também prefeitos ávidos por mais verbas e prontos para pressionar parlamentares, e garantir o quorum necessário para votar a reforma da Previdência. Na Comissão de Orçamento, reuniões e audiências foram canceladas para permitir a conclusão das votações dos relatórios setoriais nesta semana. Para ser aprovada, a reforma precisa de 308 votos, número que só será alcançado se houver presença de cerca de 500 deputados em plenário.

Preso flutuante
Diante das sucessivas rebeliões nos presídios, algumas sangrentas, o governo federal repassou R$ 1,1 bilhão aos governos estaduais no início deste ano. O dinheiro destinava-se, preferencialmente, à construção de novas penitenciárias, ampliação das existentes ou conclusão de obras em andamento. A pedido do TCU, os tribunais de contas de 22 estados e do DF investigaram como os recursos estão sendo gastos. Descobriram, entre outras coisas, que o custo de criação de uma vaga para preso varia até 70% entre os estados. Vai de R$ 111,6 mil, no Rio Grande do Sul, a R$ 31,9 mil, no Mato Grosso do Sul. Não se encontrou explicação razoável para as diferenças.

Muro reforçado
Geraldo Alckmin conseguiu esvaziar a reunião da Executiva do PSDB ontem. Só a ala governista compareceu. O governador, que assumirá o comando do partido no sábado, ficou irritado com a decisão de Alberto Goldmann, presidente interino, de convocar o encontro sem qualquer chance de tomar uma decisão. Goldmann já fez quatro reuniões do grupo sem ter um resultado, reforçando a imagem de indecisão que acompanha o PSDB.

Vai nessa
Aumentou a pressão no PSDB para que Tasso Jereissati assuma a presidência do Instituto Teotônio Vilela, ligado ao partido, no lugar do ex-senador José Aníbal. O ITV tem verba de R$ cerca de R$ 1 milhão por mês — cerca de 20% do que o PSDB recebe do Fundo Partidário.

Balcão de queixas
Representantes do setor de construção levaram a Michel Temer preocupação com sinais dados pelo novo ministro das Cidades, Alexandre Baldy. Ele prometeu a deputados que revisaria contratos do Minha Casa Minha Vida, depois de ouvir queixas de que o antecessor Bruno Araújo privilegiara governos do PSDB. “Criou uma insegurança enorme para as construtoras e os beneficiários”, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias dos Materiais de Construção, Walter Cover. Ganharam do presidente a promessa de que, em contratos já fechados, só irregularidades serão revistas. E deixaram uma lista de pedidos para acelerar novas obras.

Hora de agradecer
Em meio à articulação do governo para a votação da Previdência, deputados que votaram para livrar o presidente Temer de um processo comemoravam em plenário a promessa de liberação de ambulâncias para entregarem às bases eleitorais.

Supremo diverge sobre imunidade de deputados estaduais

Julgamento continua nesta quinta-feira

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/ O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – Relator de duas ações que questionam imunidades de deputados estaduais, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (6) pela suspensão da resolução da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que revogou a prisão dos deputados Jorge Picciani – presidente da Casa -, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB.

Além disso, Fachin se manifestou contrário à possibilidade de as casas legislativas reverem medidas cautelares contra os deputados, abrindo divergência do ministro Marco Aurélio Mello, que havia se posicionado a favor da imunidade a deputados estaduais.

Na avaliação de Fachin, ao revogar a prisão preventiva que havia sido decretada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), a Alerj “usurpou competência atribuída pela Carta Magna exclusivamente ao Poder Judiciário, violando o princípio da separação de poderes”.

Os ministros da Corte darão continuidade em sessão plenária desta quinta-feira (7) ao julgamento de três ações que questionam os dispositivos das constituições do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Rio Grande do Norte que conferem imunidade a deputados estaduais.

Relatores divergem sobre direitos de legislativo estadual

STF julga se assembleias podem revogar prisões determinadas pela Justiça

Carolina Brígido e André de Souza / O Globo

-BRASÍLIA- Os dois relatores dos processos que questionam se as assembleias legislativas podem revogar prisões e medidas cautelares impostas a deputados estaduais discordaram entre si. No primeiro dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin declarou que os legislativos estaduais não têm esse direito — e, portanto, teria sido ilegal a decisão da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) de retirar da prisão e devolver os mandatos aos deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB.

Marco Aurélio Mello discordou. Ele lembrou que a Constituição Federal garante aos deputados estaduais as mesmas imunidades dadas a deputados e senadores. E, como o Congresso Nacional pode revogar prisões e medidas cautelares, as assembleias deveriam ter a mesma garantia. Outros sete ministros deverão votar hoje, na retomada do julgamento. Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski não participarão da votação. Barroso está em viagem previamente marcada ao exterior e Lewandowski, de licença médica.

Ficha limpa não elimina corrupção, diz cientista político

Marcos de Moura e Souza | Valor Econômico

BELO HORIZONTE - A corrupção no Brasil é um problema, mas não tão grave quanto parece. E para de fato enfrentá-la é inútil alimentar a ideia de que basta eleger políticos ficha-limpa. É preciso acabar com a concentração de medidas e decisões que dependem do Estado e que muitos agentes públicos se especializam em vender em troca de propina.

Essas são algumas das avaliações de Adriano Gianturco, cientista político italiano radicado no Brasil desde 2011 e que tem se dedicado a estudar a percepção sobre a corrupção no país.

As comparações com a Itália são inevitáveis. Desvios e maus feitos têm um longo histórico na política italiana, como aqui; e os dois países promoveram ações de larga escala contra corrupção.

A Operação Mãos Limpas, dos anos 90, foi um terremoto político-empresarial. "Nas eleições que vieram em seguida, nenhum partido se apresentou com o mesmo nome e houve uma mudança geracional na política", lembra Gianturco. "Mas a elite política tem formas de se preservar." E o que os italianos viram foram medidas anticorrupção que tiveram vida curta, diz ele. Uma dessas medidas foi a extinção do Ministério da Agricultura, tido então como um dos antros de desvios. "Logo depois, foi criado o Ministério das Políticas Agrícolas", conta ele. O financiamento público de campanhas também era objeto de denúncias de ilegalidades. Foi abolido e em seguida veio outro sistema, o Reembolso Eleitoral.

"Ninguém acha que o problema da corrupção na Itália sumiu. O que aconteceu depois da Mãos Limpas é que a corrupção ficou mais profissionalizada", diz Gianturco, um siciliano de 34 anos, doutor pela Universidade de Gênova e professor da Faculdade de Direito do Ibmec em Belo Horizonte desde 2012.

Pablo Neruda: Ilusão Perdida

Florida ilusão que em mim deixaste
a lentidão duma inquietude
vibrando em meu sentir tu juntaste
todos os sonhos da minha juventude.

Depois dum amargor tu afastaste-te,
e a princípio não percebi. Tu partiras
tal como chegaste uma tarde
para alentar meu coração mergulhado

na profundidade dum desencanto.
Depois perfumaste-te com meu pranto,
fiz-te doçura do meu coração,

agora tens aridez de nó,
um novo desencanto, árvore nua
que amanhã se tornará germinação.

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

Vivaldi - L' estro armonico Op.3 Concerto No. 10 in B minor for 4 violins

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Opinião do dia: Luiz Werneck Vianna*

“Processos de modernização pelo alto, em suas variantes brandas, como os que ocorreram nos governos de JK, FHC e Lula, ou duras, incidentes no Estado Novo de 1937 e no recente regime militar, têm a característica comum de serem, mais ou menos, segundo os casos, refratários à auto-organização da vida social. Nosso sindicalismo, mais forte presença entre nós de vida associativa dos setores subalternos, que nasceu nos primeiros anos da República animado pelos princípios da autonomia, foi, como notório, incorporado à malha estatal pela chamada Revolução de 30, que, de fato, veio a estabelecer na política brasileira a modelagem típica dos processos de modernização autoritária.

A derrota dessa experiência, inesperada da forma como ocorreu - um impeachment encaminhado por um parlamentar a quem faltava densidade política contrariado em seus interesses, fundado em razões técnicas ininteligíveis para o homem comum -, deixou atrás de si um imenso vazio. Sem as escoras do nosso passado, que cederam pela ação corrosiva de um novo espírito do tempo, marchamos nas trevas. A hora da sucessão é mais que propícia para a descoberta de novas luzes que tenham sua fonte de energia na sociedade civil, aliás, já identificadas nas jornadas de junho de 2013.”
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* Sociólogo, PUC-Rio, ‘A sucessão e o novo espírito do tempo’, O Estado de S. Paulo, 3/12/2017.

*Aloísio de Toledo César: Lula e a esperada decisão final

- O Estado de S.Paulo

O futuro do Brasil pode estar na mão dos juízes do TRF-4 que vão julgar a condenação de Lula

Ainda que seja grande a pressão das redes sociais em favor do encarceramento do ex-presidente Lula da Silva, é surpreendente verificar que a cada pesquisa de opinião pública ele aparece como forte candidato à Presidência da República.

Parece claro que a grande maioria da população está mesmo torcendo para que seja feito logo o julgamento, pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, do recurso proposto pela defesa de Lula contra a decisão do juiz Sergio Moro que o condenou. Se isso vier a se confirmar, mantida a decisão ele ficará enquadrado na Lei de Ficha Limpa e não poderá inscrever regularmente sua candidatura no pleito de 2018.

Nunca se deve pedir pressa em decisão de juiz. Mas, em verdade, se passar muito tempo e não for proferida pelo TFR-4 a decisão sobre o processo em que Lula é réu, a proximidade do prazo para inscrição das candidaturas no ano que vem tornará real o risco de a defesa do ex-presidente Lula aforar uma medida cautelar para garantir o seu direito de ser candidato.

Sem nenhuma dúvida isso não será fácil – mas não impossível – se o julgamento dos recursos aforados pela defesa de Lula e pelo Ministério Público se aproximarem da data de inscrição das candidaturas. Quanto mais próximo, maior pressão haverá dos defensores de Lula para que seu direito de concorrer seja respeitado.

A lei e o Direito não favorecem a obtenção de cautelar nas circunstâncias em que se encontra o ex-presidente. Mas, como duas pessoas não veem a mesma coisa, ou seja, uma vê de um jeito e a outra, de outro, não será impossível que algum juiz decida por manter o direito de Lula de concorrer à Presidência, passando por cima de decisões contrárias.

Murillo de Aragão: Os candidatos se apresentam

- Diário do Poder

A designação do governador Geraldo Alckmin como presidente do PSDB – a ser aclamado em convenção no próximo dia 9 – e sua virtual indicação como candidato à Presidência fez com que o tucano passasse a dedicar seu tempo quase integral às articulações para 2018.

Tudo o que ele faz, desde então, visa tal objetivo. Bem recebido pelo mercado, o PSDB estimulou o lançamento de candidaturas que se mantinham na sombra, a espera de um fato novo, que afinal surgiu com a conciliação no muro tucano.

Foi pensando também em 2018 que Marina Silva apressou sua entrada na disputa eleitoral. Ela admitiu que será "uma campanha ralada" e falou dos desafios que tem pele frente: financiamento escasso e tempo de TV insignificante. Apesar disso, a ex-senadora intimida com seus 9%.

José Aníbal: A razão de ser do PSDB: reformar o Estado a favor do Brasil

- Blog do Noblat

Votar a favor da reforma da Previdência é a atitude mais republicana, patriótica e responsável que qualquer político brasileiro pode tomar nos dias atuais.

Nenhum debate tem hoje relevância maior do que esse, seja por combater os privilégios da elite burocrática – que se aposenta mais cedo e com ganhos muito superiores do que a imensa maioria dos trabalhadores do setor privado –, seja por garantir a sustentabilidade financeira do sistema, evitando que nossos filhos e netos paguem pela inércia da nossa geração.

Como bem definiu o economista Paulo Tafner, se mantivermos as atuais regras da previdência, que pioram a distribuição de renda em vez de melhorar, a previdência pode até não quebrar, mas o Brasil quebra e quem pagará por isso serão os mais pobres. Para honrar as gordas aposentadorias do funcionalismo público, o governo teria de cortar investimentos em saúde, educação, segurança, saneamento...

Quem pode ser a favor disso, a não ser esses privilegiados?

Vera Magalhães: Expectativa x realidade

- O Estado de S.Paulo

A expectativa de que a convenção do próximo sábado fosse a aclamação da pré-candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência não do PSDB, mas da República, vai esbarrando na realidade de um partido para lá de dividido.

Por enquanto, fracassaram as investidas de bombeiros como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de dissuadir o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, de manter a postulação por prévias na sigla. Embora ninguém leve a sério nem sequer a real disposição do ex-senador de disputar a Presidência, ele quer se manter em evidência pelos próximos meses para depois engatar uma candidatura ao governo do Amazonas ou ao Senado.

Mesmo o esperado e já combinado anúncio do apoio de João Doria Jr. ao padrinho depois de meses em que mediram forças esbarra em outra questão: o que o prefeito de São Paulo dirá quando questionado sobre uma eventual candidatura ao governo? A pesquisa Datafolha que mostrou a deterioração de sua popularidade contribuiu para que aliados de Doria o aconselhassem a ser o mais discreto possível em se tratando de planos políticos.

Por fim, existe uma saia-justa instalada na sigla com a insistência de Aécio Neves em comparecer à convenção. Como tucanos têm punhos de renda, ninguém pediu abertamente ao mineiro que arranje uma desculpa e não vá a Brasília. Assim sendo, o mais provável é que Alckmin, além de não ser aclamado, ainda tenha de posar para a tradicional foto com braços levantados ao lado do presidente licenciado do partido.

Rosângela Bittar: Candidato até o amargo ou doce fim

- Valor Econômico 

Lula para todos os gostos, papéis e balizador do centro

Quantas vezes já não se ouviu dizer de pesquisadores e cientistas políticos que Luiz Inácio Lula da Silva não será candidato a presidente da República em 2018, por impossível, improvável e rejeitável? Inúmeras. É praticamente um axioma e a sua campanha nacional, em forma de caravana Estado afora, teria apenas o objetivo de manter o ex-presidente politicamente ativo enquanto seu lobo não vem, ou seja, os processos da Lava-Jato não chegam a seu desenlace fatal. Pois bem, agora é um novo momento.

A candidatura Lula é uma realidade e há juristas garantindo que, independentemente da agilização dos julgamentos no TRF do Rio Grande do Sul, com o objetivo exatamente de inviabilizá-lo, o ex-presidente vai disputar. Como? Os prazos jurídicos podem ser elásticos, há os recursos, as liminares, o efeito suspensivo e outros remédios jurídicos que permitem a Lula disputar. Se a Justiça impugnar sua candidatura, esgotados os recursos, não poderá ser candidato, mas poucos creem nessa hipótese.

Alguns amigos têm o sentimento que seria melhor para Lula não desejar a Presidência da República novamente, evitar a campanha, o embate direto. Do ponto de vista pessoal, ele ainda está muito ferido, desanimado, acha-se realmente perseguido, considera que Marisa, sua mulher morta em fevereiro, foi vítima da pressão da Lava-Jato que agora estabeleceu uma busca incessante contra seus filhos, enfim, ainda não perdeu, mas está perdendo força para lutar. Porém, não parou e não pensa parar. Acha ainda que se outros, mais ou igualmente comprometidos com a Justiça como ele, estão na disputa, porque ele entregaria os pontos?

Bernardo Mello Franco: O pior Congresso

- Folha de S. Paulo

O Congresso nunca foi tão detestado. Seis entre dez brasileiros reprovam os parlamentares que deveriam representá-los. É a pior marca desde que o Datafolha começou a medir a avaliação de deputados e senadores. Com as exceções de praxe, eles fizeram por merecer.

O recorde de rejeição vem coroar a legislatura que alçou Eduardo Cunha à presidência da Câmara. Justiça seja feita, o correntista suíço não é o único culpado pelo descrédito da classe. Ele chegou lá porque soube organizar a massa de políticos que usam o mandato para fazer negócios.

O eleitor já conhece os métodos da turma desde a longínqua CPI do Orçamento. A novidade da Lava Jato foi atingir mais gente e pegar peixes mais graúdos que os "anões" de 1993. Além disso, a operação expôs as entranhas do comércio de leis, emendas e medidas provisórias.

Merval Pereira: Restrições à reeleição

- O Globo

A proposta de emenda constitucional (PEC) que institui o semipresidencialismo no Brasil tem uma novidade fundamental para a política brasileira: o artigo 82, que prevê que o mandato presidencial será de quatro anos, determina que (...) “Ninguém poderá exercer mais do que dois mandatos presidenciais, consecutivos ou não”. Quer dizer que um presidente da República reeleito não poderá nunca mais se candidatar ao mesmo cargo. Ou que um presidente que não se reeleja poderá disputar mais uma vez o mandato, mas, eleito, não poderá tentar a reeleição.

Lula é o único ex-presidente até o momento que tenta voltar ao poder, e se esse projeto de semipresidencialismo for aprovado no ano que vem, mesmo que não valha para as eleições presidenciais de 2018, impedirá que, eleito, tente a reeleição quatro anos depois. É claro que um presidente eleito terá condições de aprovar na Câmara uma mudança dessa regra, mas a intenção da ressalva é óbvia.

O cientista político Octavio Amorim Neto, professor Associado da Ebape/FGV-Rio, que estuda esse sistema de governo há 20 anos, especialmente o utilizado em Portugal, onde atualmente é investigador visitante do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, na análise que fez da PEC a meu pedido, não entra nesse mérito político, mas considera correto proibir que alguém exerça mais de dois mandatos presidenciais, “justamente para evitar o triste espetáculo que se observa na América Latina, com ex-presidentes que se recusam a se aposentar e impedem a renovação política”.

Vinicius Torres Freire: Bobagens sobre pesquisas eleitorais

- Folha de S. Paulo

Nos últimos dias, difundiram-se opiniões com ares céticos sobre os números do Datafolha. Dizem os doutos ponderados que não se pode levar muito em conta a pesquisa. A eleição estaria muito incerta porque 48% do eleitorado diz que não sabe em quem vai votar quando não se lhe apresenta uma lista de candidatos. Trata-se do resultado quando se pede a opinião "espontânea" do eleitor.

Hum. Não quer dizer nada. Tem sido mais ou menos assim desde 1994. A pesquisa "espontânea" não diz grande coisa. O eleitor costuma flutuar na estratosfera antes de seis meses da votação.

Quando há uma lista fechada de candidatos, em geral as chances e as forças dos candidatos ficam mais evidentes apenas e partir de junho do ano da eleição. Isto é, estamos a mais de seis meses de ter uma visão mais clara da pendenga.

O problema da incerteza não está bem aí, no eleitorado.

Luiz Carlos Azedo: A última carga

- Correio Braziliense

O governo prepara uma espécie de última carga para aprovar a reforma da Previdência na Câmara, para a qual precisa mobilizar uma tropa de 308 deputados dispostos a endossar o relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA), relator do projeto. Ontem, o presidente Michel Temer subiu o tom do discurso a favor da reforma, durante encontro com o presidente da Bolívia, Evo Morales, no palácio do Itamaraty, em Brasília: “O ponto central da reforma é estabelecer a idade mínima de aposentadoria de 65 para homens e 62 para mulheres. Muitas vezes, divulgações equivocadas falam que a mudança é para amanhã. Mas 65 anos é para daqui a 20 anos. De vez em quando espalham: ‘olha, vão tomar a sua aposentadoria’. É um terrorismo inadequado”.

Há um ano a reforma está parada na Câmara, entre idas e vindas. O cenário é confuso porque o governo viu a base parlamentar encolher para 240 votos na rejeição da segunda denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra o presidente Temer, num universo de 513 deputados. Na semana passada, o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia, estava pessimista quanto à aprovação. Agora, depois das reuniões de Temer com os líderes da base, já acredita na possibilidade de votar a reforma na próxima semana. Uma das medidas tomadas foi fechar questão na bancada do PMDB, o que pode se reproduzir em outros partidos.

Fábio Alves: As viúvas do mercado

- O Estado de S.Paulo

O temor é de que Alckmin não consiga se viabilizar como um candidato competitivo

Chile e África do Sul dão início neste mês a um dos ciclos eleitorais mais pesados para os países emergentes em pelo menos uma década, mas os investidores estrangeiros colocam as eleições presidenciais do Brasil e do México como as que apresentam os maiores riscos de causar nervosismo nos mercados e bastante volatilidade aos preços dos ativos.

A partir do próximo dia 17, com o segundo turno das eleições no Chile, pelo menos oito países emergentes têm pleitos presidenciais marcados até o fim de 2018.

E basta ver o dia seguinte ao resultado do primeiro turno no Chile, quando o candidato conservador e com uma plataforma favorável ao mercado – o ex-presidente Sebastian Piñera – foi ao segundo turno com uma margem bem menor do que o esperado sobre o rival de centro-esquerda, Alejandro Guillier: o principal índice da bolsa de valores chilena caiu 5,86%, a maior queda em seis anos.

As últimas pesquisas de intenção de voto apontam para uma disputa muito acirrada no segundo turno chileno.

Míriam Leitão: O começo da volta

- O Globo

A economia está se recuperando. Há indicadores positivos mostrando que o país saiu do fundo do poço, mas há ainda um grande caminho a andar até chegar ao ponto do qual o país caiu na recessão. A produção industrial em outubro ficou 5,3% maior do que a de outubro do ano passado, mas ainda esta 17% abaixo do melhor momento, em 2013. A queda já chegou a ser de 21%. O caminho de volta só está começando.

Nada será como em outras recuperações. A volta será trilhada passo a passo e no meio do caminho haverá não apenas uma, mas várias pedras. Esta recessão não foi provocada por uma crise externa, foi feita aqui mesmo. Quando começou, o país já estava em desordem fiscal e ela se aprofundou pela queda forte da arrecadação. A dívida bruta subiu 20 pontos percentuais do PIB, desde o começo do governo Dilma. O cenário político é confuso, o governo não inspira confiança. Tudo isso é fator desestabilizador que dificulta o crescimento. Mesmo assim, há dados mostrando que a recuperação já começou.

Monica De Bolle: Grandes expectativas tortas

- O Estado de S.Paulo

Na realidade, as expectativas podem estar a revelar apenas o viés e os anseios políticos de cada um

“Não faça perguntas e não ouvirás mentiras”,
Charles Dickens,
Great Expectations

Em economia o termo “expectativas” refere-se às previsões e cenários que tomadores de decisão formam em relação à evolução dos preços, do consumo, da atividade econômica, das contas públicas, das contas externas. Expectativas podem ter impacto significativo nas decisões das empresas e dos consumidores: visões pessimistas sobre a economia podem levar firmas a desistir de investir, afetando empregos, a arrecadação futura do governo, a capacidade de consumo das famílias. Expectativas também influenciam a política econômica – se os formadores de preço acreditam que a inflação continuará a aumentar, provável será que o aumento necessário de juros para estabilizar preços tenha de ser maior do que o antecipado. Por fim, as expectativas têm papel político importante. Quantas vezes já não se ouviu dizer que “a melhora das expectativas mostra que o governo de xxx está fazendo um excelente trabalho”? Não à toa, muitas vezes as expectativas viram mote de campanha. O que poucos sabem é que as expectativas raramente são imaculadas. Em mundo cada vez mais polarizado, as expectativas estão crescentemente contaminadas pelo viés político de cada um, e isso é um problema para qualquer economista que queira delas extrair informações sobre o futuro da economia.

Cristiano Romero: A origem da corrupção

- Valor Econômico

Esquema de corrupção da Petrobras foi criado por técnicos de carreira

Quando é indagado sobre as causas da corrupção no Brasil, o juiz Sérgio Moro costuma dizer que o mal está no loteamento político dos cargos de direção das estatais, das autarquias e da administração direta. É fato que, sim, o loteamento existe para sustentar politicamente as forças que governam o país. Na ausência de partidos fortes, cargos. Mas a ocupação de espaços na administração direta e indireta não explica, sozinha, a roubalheira que, erradamente, atribuímos a um desígnio exclusivo do Brasil.

Observe-se o caso da Petrobras, do qual trata Sérgio Moro há mais de três anos e que se transformou no símbolo da malversação de dinheiro público na história do país: o mega-esquema de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato, que já resultou na condenação de 177 indivíduos, foi montado originalmente por funcionários de carreira da estatal e não por pessoas indicadas por políticos.

Incentivados por padrões absolutamente lenientes de governança, diretores e gerentes da Petrobras perceberam que era muito fácil desviar recursos da empresa que, na primeira metade deste século, inflada por uma política de gigantismo estatal irresponsável e danosa ao erário, orgulhava-se de tocar o maior programa de investimento corporativo do planeta - claro, às custas do Tesouro Nacional, que apenas em 2010 despejou na companhia, em recursos obtidos por meio de endividamento, R$ 51 bilhões, isto sem falar de centenas de bilhões de reais de dívida emitida para viabilizar os empréstimos subsidiados do BNDES a empresas como a Petrobras, a maior tomadora desses recursos.

O verdadeiro trunfo eleitoral: Editorial/O Estado de S. Paulo

O governo pretende convencer os partidos da base aliada a fechar questão em favor da reforma da Previdência. Isso obrigaria os parlamentares dessas legendas a aprovar a reforma, ficando os dissidentes sujeitos à punição. A nova estratégia do presidente Michel Temer, que até agora estava sendo obrigado a cabalar votos deputado por deputado em razão da hesitação dos partidos da base, aposta no comprometimento formal das legendas governistas com as reformas.

Pode-se perguntar o que o governo pode oferecer para convencer os partidos que até aqui vinham evitando esse apoio institucional explícito a uma reforma tão reputadamente impopular. A resposta vai além da simples promessa de mais espaço na máquina do Executivo ou de preciosas verbas às vésperas de um ano eleitoral. Trata-se de fazê-los enxergar que a reforma da Previdência integra um esforço muito mais amplo, com vista à recuperação rápida e sustentável da economia, trabalho cujo sucesso é essencial para alavancar as candidaturas vinculadas de uma forma ou de outra ao governo.

Ou seja, o governo entende que é possível transformar o que seria um fardo eleitoral – a aprovação da reforma da Previdência – em um trunfo.

Tal estratégia contraria a percepção generalizada segundo a qual as medidas de austeridade e a reformulação do sistema previdenciário tirariam votos porque prejudicariam os eleitores em geral. É nisso que apostam, aliás, os dois candidatos que aparecem na frente nas pesquisas de intenção de voto, Lula da Silva e Jair Bolsonaro. O primeiro, inclusive, já avisou que, se eleito, mandará rever todas as medidas saneadoras adotadas pelo presidente Temer, a começar pelo teto de gastos públicos, e conclamou a oposição a “juntar forças para evitar que essa reforma (da Previdência) aconteça, porque o que eles estão fazendo não é uma reforma, é um desmonte, quase que uma implosão de tudo aquilo que foi considerado conquistas sociais para o povo brasileiro”. Bolsonaro, por sua vez, fiel a seu estilo, chamou a reforma da Previdência de “porcaria”.

Esforço concentrado para aprovar reforma: Editorial/O Globo

Não faltam informações objetivas para desmistificar ameaças aos parlamentares de corporações que se beneficiam dos desequilíbrios da Previdência

O governo, nos últimos dias, acelerou gestões para começar a votar a minirreforma da Previdência ainda este ano. O Planalto precisa mesmo apressar este projeto. O tempo passa, e é necessário dar um sinal forte de que governo e Congresso farão o possível para aplainar o terreno de 2018, ano em que haverá oscilações nos mercados ditadas por pesquisas eleitorais, com o risco de contaminação da economia real.

A campanha de 2002, em que Lula logo apareceu como favorito, é um alerta. À medida que o candidato do PT se fortalecia no eleitorado, o dólar subia, encarecendo as importações e, assim, criando pressões inflacionárias.

Investigação chega mais perto do núcleo político de Trump: Editorial/Valor Econômico

A única vitória legislativa do primeiro ano de governo de Donald Trump, mesmo com a Câmara e o Senado dominados por republicanos, encontrou o presidente às voltas com mais suspeitas de colaboração russa na campanha eleitoral que o levou à Casa Branca. O Senado aprovou na madrugada de sábado, por 51 votos a favor e 49 contrários, projeto de reforma tributária que corta impostos para os mais ricos. Horas antes, o ex-assessor de segurança nacional, Michael Flynn foi indiciado, e se declarou culpado, por ter mentido para agentes federais sobre seus encontros com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, logo após as eleições.

O promotor especial Robert Mueller, encarregado da investigação, vai aos poucos se aproximando do círculo íntimo do presidente. Flynn disse ter recebido instruções para contatar os russos de alguém graduado no comando da campanha, uma pista que aponta em primeiro lugar para Jared Kushner, genro do presidente, e, depois, potencialmente, para o próprio Trump.