quarta-feira, 16 de julho de 2014

Rosângela Bittar: Sangria de votos

• O PT ainda vê recuperação via esquema tático

- Valor Econômico

Considerando apenas três Estados, dos mais importantes, cujo arranjo eleitoral foi mal resolvido, evidencia-se para o PT a necessidade de aplicar, em todos eles, um bom esquema tático para suprir o mau planejamento estratégico na fase preliminar. O Partido dos Trabalhadores não demonstrou competência nesse quesito, até o momento, e deixou que se avolumassem seus problemas em região onde habita parte substantiva do eleitorado.

A opção preferencial de Lula, no comando de fato do seu partido desde a primeira candidatura vitoriosa, foi segurar o poder federal da forma possível, com qualquer tipo de aliança, da extrema direita à extrema esquerda, deixando que nos Estados a natureza política, incontrolável em se tratando das forças regionais, determinasse as associações como quisesse.

Ainda há, presentes no cenário de hoje, testemunhas conhecidas de um jantar organizado por amigos de Lula, na fase preparatória das eleições de 2002, somente para que anunciasse, na sala apinhada de políticos e jornalistas, que sem alianças a torto e a direito não seria mais candidato a nada, o PT que se virasse e resolvesse se queria perder ou ganhar.

Contrariando os seus próprios desígnios, o ex-presidente, certamente acreditando que o poder federal já estava bem seguro, resolveu fazer o contrário do que mandava e adotou, em 2014, a estratégia de dar força às chapas petistas em confronto com aliados nos Estados. Certamente não contava com a astúcia do PMDB, partido que Lula esperou segui-lo como carneirinho. O PT acabou ficando mais isolado do que imaginava e agora não dá mais para refazer o caminho, terá que ir à frente com um plano tático competente para o próximo período da campanha.

No Rio, o PT pagou para ver e quase ficou a ver. O candidato Lindbergh Farias (PT) apostou na desgraça eleitoral que parecia ter encontrado morada junto ao ex-governador Sergio Cabral e imaginou que fosse fácil ocupar integralmente o espaço. Provou-se que a equação Rio era muito mais complexa que a baixa popularidade de Cabral e o acampamento de manifestantes em frente ao apartamento em que morava. O PT perdeu o PMDB para o candidato Aécio Neves e terá em sua chapa, como candidato ao Senado, um representante do candidato Eduardo Campos, o ex-jogador Romário (PSB), tendo que fazer contorcionismo real para definir-se com alguma nitidez diante do eleitorado.

No Paraná, o PT tem uma candidata forte, Gleisi Hoffmann, nutrida no esquema eleitoral de primeiro mundo da candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e tem também um candidato aliado mais forte ainda no PMDB, Roberto Requião. Será uma humilhação para o partido ter que entregar ao PMDB a candidatura Gleisi Hoffmann (PT), que perdeu muito de sua possibilidade de ir ao segundo turno com o lançamento do candidato próprio do PMDB. Mais provável presença no segundo turno, para disputar com o governador Beto Richa (PSDB), candidato à reeleição, não é impossível, mas difícil, que Requião e Gleisi se enfrentem na segunda etapa. Se isto vier a ocorrer, não se imagina possível a transferência dos votos do atual governador para a candidata petista. Situação ruim por todos os lados.

Em São Paulo ocorreu um fenômeno parecido com o do Paraná, envolvendo também PT e PMDB. Formulador das soluções, o ex-presidente Lula optou por lançar um candidato-poste do PT, Alexandre Padilha, que vinha de uma gestão apagada no Ministério da Saúde. Lula tentou, claramente, repetir o fenômeno Fernando Haddad, que egresso de uma gestão igualmente pálida no Ministério das Educação foi o poste eleito prefeito da capital paulista por obra de Lula.

O ex-presidente confiou, e ainda confia, na sua estrela, mas até agora Padilha não decolou. Sua candidatura foi ferida de morte com o lançamento do candidato do PMDB, Paulo Skaf, ao governo, catapultado pela poderosa máquina da Fiesp, que presidiu e de onde armou durante anos seu lançamento eleitoral.

O problema para o PT é que Skaf, tendo em vista a baixa aceitação do petismo em São Paulo, não quer se identificar com a candidatura Dilma. Nesse caso o inverso constitui um drama maior ainda: Skaf está muito mais à direita do que o PT gostaria de ter na sua aliança, e se for para o segundo turno terá que apoiá-lo no confronto com o candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB).

Skaf tem sua candidatura ancorada em um símbolo entre os adversários históricos do PT, a Fiesp, com quem os movimentos sociais liderados pelo Partido dos Trabalhadores sempre duelaram.

A presidente Dilma terá ainda uma semana de agenda presidencial, com a cúpula dos Brics, e a partir do dia 20 mergulhará na campanha eleitoral. Nos últimos dias, a equipe que trabalha para a reeleição registrou a necessidade de uma recuperação tática, usando para isso o período que vai de agora até o início da propaganda na TV. Para isso, procurou por um negociador, alguém que pusesse o guizo no pescoço do Skaf, do Requião, e de Pezão, numa tentativa de inserir a presidente candidata à reeleição no suposto sucesso que as pesquisas apontam para esse PMDB até agora alforriado. Ontem, o vice-presidente Michel Temer, candidato à reeleição na chapa de Dilma, anunciou que reassumirá hoje a presidência nacional do PMDB, exatamente para tentar evitar riscos para o PT, como os que já correu na convenção nacional que por pouco quase derrubava a aliança. Temer passará, assim, a ter participação em todas as decisões do partido durante o período da campanha. Poderá funcionar como uma barreira às decisões antipetistas que poderiam esvaziar de votos a chapa de que participa.

O PT e o governo dedicam-se, ainda a esta altura, a fazer carga contra a candidatura de Eduardo Campos (PSB). O argumento principal é que a candidatura já se desfez, e ele deveria abrir logo a possibilidade de reintegrar-se ao projeto petista para que Dilma Rousseff volte a ter chances de vitória em primeiro turno. Para o PT, com a propaganda intensa na TV, a candidata à reeleição passará logo dos 40%, e as pesquisas semanais mostrarão que o passe para o poder ficará mais caro. Eduardo Campos, porém, parece estar mouco ao canto de sedução.

Luiz Carlos Azedo: Uma opção estratégica

• O Brasil se distancia dos Estados Unidos e da União Europeia para se aproximar politicamente da Rússia e da China. Perdeu o "complexo de vira-latas", dirão os porta-vozes do governo, mas entra numa briga de cachorro grande

- Correio Braziliense

O Brasil assinou ontem um acordo com a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul — os demais integrantes dos Brics — para a criação do chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), com sede em Xangai, cujo objetivo será o financiamento de projetos de infraestrutura em países emergentes. É um contraponto ao Banco Mundial e o coroamento de uma guinada na política externa brasileira iniciada no governo Lula. O NBD terá o capital inicial de US$ 50 bilhões, divididos igualmente entre os membros fundadores.

Além da intensificação das trocas comerciais já existentes, o acordo abre uma nova possibilidade de financiamento para as grandes empreiteiras brasileiras que atuam no exterior, principalmente na África, e para a ampliação das exportações de commodities agrícolas e de minérios. A Índia terá o direito de indicar o primeiro presidente e, a Rússia, o presidente do Conselho de Governadores. O presidente do Conselho de Administração será um brasileiro. A África do Sul sediará o Centro Regional Africano do banco. Haverá rotatividade na presidência da instituição.

O Brasil se distancia ainda mais dos Estados Unidos e da União Europeia para se aproximar politicamente da Rússia e da China. Perdeu o "complexo de vira-latas", dirão os porta-vozes do Palácio do Planalto, mas entra numa briga de cachorro grande: a queda de braço da Rússia com os países da Otan (Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e França, principalmente) por áreas de influência no Leste Europeu e a forte concorrência entre os EUA e a China pelo controle dos mercados afro-asiáticos.

Índia e África do Sul são importantes, mas não protagonizam a grande política mundial, atuam como coadjuvantes. Têm, porém, indiscutível peso regional e são players do Hemisfério Sul. O Brasil até agora não havia conseguido chegar a acordos com a Rússia e a China em relação a questões importantes para nossa diplomacia brasileira. Como a indicação de um nome de consenso para presidir o Banco Mundial ou a reestruturação do Conselho de Segurança da ONU, com a entrada do Brasil e da Índia no restrito grupo de países com poder de veto sobre decisões da guerra e da paz no mundo.

Aposta de risco
A presidente Dilma Rousseff fez uma aposta de risco ao aprofundar essa estratégia diplomática, que se sustenta nas contradições Norte-Sul. O acrônimo Bric foi uma criação do economista Jim O"Neil, do Goldman Sachs, num um estudo de 2001 intitulado "Building better global economic Brics". Ele acreditava que Brasil, Rússia, Índia e China, as chamadas potências emergentes, teriam um papel proeminente no desenvolvimento da economia mundial.

O"Neil excluiu a Coreia do Sul e o México desse conjunto por considerar esses países desenvolvidos e plenamente integrados à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), criada em 1948 para gerir a reconstrução europeia (o Plano Marshall), sob os princípios da democracia e da economia de mercado.

O que o economista do Goldman Sachs não previu foi que o líder russo Vladimir Putin agarraria a tese com unhas e dentes para tirar a Rússia do isolamento e formar um novo bloco geopolítico, para o qual foi fundamental a inclusão da África do Sul, cuja economia nem de longe se equipara às dos demais integrantes do grupo. O país de Nelson Mandela, porém, tem um papel estratégico para o reposicionamento da África nas relações Norte-Sul.

Em tese, a formação do banco e a criação do fundo de estabilização de US$ 100 bilhões também são uma vitória da diplomacia brasileira. O novo presidente chinês, Xi Jinping, aderiu ao projeto. Com isso, foram criadas instituições de socorro aos países parceiros em caso de turbulências financeiras à margem do Fundo Monetário Internacional (FMI), que impõe rigoroso controle de contas públicas e outras exigências para liberar recursos.

Agora, quando governos da América Latina, da África e da Ásia estiverem com problemas temporários no balanço de pagamentos, poderão pedir recursos e recebê-los em dólares; em contrapartida, fornecerão sua moeda aos países contribuintes. Ou seja, a China, responsável por US$ 41 bilhões; o Brasil, a Índia e a Rússia, por US$ 18 bilhões cada; e a África do Sul, que entrou com US$ 5 bilhões.

Essa estratégia brasileira, porém, é objeto de grande polêmica nos nossos meios financeiros, empresariais e diplomáticos, pois distancia o Brasil dos Estados Unidos e da União Europeia. Ainda mais porque o Mercosul, para esses críticos, virou um entrave ao comércio do Brasil com os países desenvolvidos e à própria integração econômica latino-americana.

O recrudescimento dessas críticas decorre do fato de que as economias mais desenvolvidas começam a sair da crise global, enquanto os Brics enfrentam um cenário de baixo crescimento, com exceção da China. Mesmo assim, o gigante asiático, que é a segunda economia do mundo, reduziu o ritmo. Além disso, tornou-se um voraz concorrente da nossa indústria.

Elio Gaspari: Na TV, Dilma terá bons roteiros

• O problema surgirá nos debates, sobretudo se houver segundo turno, com tempos iguais para os dois candidatos

- O Globo

As últimas falas da doutora Dilma, listando realizações num estilo que despreza o fim das sentenças e o encadeamento dos raciocínios, indicam que, durante a propaganda gratuita de televisão, ela estará blindada. Conseguirá despejar uma enciclopédia de números capaz de mostrar os aspectos exitosos de sua administração. Na TV essas informações serão arrumadas por João Santana, e seus efeitos especiais — os 11 minutos e 48 segundos diários, contra 4 minutos 31 segundos e meio de Aécio Neves, e 1 minuto e 49 segundos de Eduardo Campos — farão sensível diferença. Isso no primeiro turno.

Se houver segundo turno, cada candidato terá o mesmo tempo. Pior: nele o debate pesará muito mais, pois será um mano a mano, sem candidatos fazendo perguntas teatrais. Pior ainda: os dois principais adversários da doutora falam com clareza, enquanto ela se perde em estatísticas. Aécio Neves exagera nos adjetivos grandiloquentes. Eduardo Campos, nos adjetivos fáceis. Mesmo assim fazem mais sentido que ela. Sempre vale lembrar que na primeira campanha de Bill Clinton à Presidência dos Estados Unidos, o marqueteiro James Carville proibiu-o de pronunciar a palavra “infraestrutura”. Na campanha brasileira pode-se acrescentar que “centro da meta" pode ser a marca do pênalti.

Até hoje, as propostas concretas de Aécio Neves e Eduardo Campos somam benignas platitudes. Aécio quer a “introdução de um novo conceito de cultura na política pública brasileira, com prioridade para uma visão integrada da ação cultural, abrangendo todas as instâncias governamentais e de estímulo a toda a produção cultural nacional, em todos os seus segmentos”.

Campos quer passe livre em transportes públicos para todos os estudantes. Tudo bem. Passe livre para a garotada da Escola Britânica do Rio? Lá a mensalidade vai a cerca de R$ 4.500. Será que eles precisam? Se é o caso de se prometer gratuidades, porque não entregá-las só a quem pedir? Já a doutora oferece como novidade um Brasil sem burocracia. Logo ela, que tem 25 ministérios e 15 comissários com status de ministros. Ao contrário dos outros dois, a doutora tem o que mostrar e o êxito da Copa lustrou-lhe a imagem de gerentona. (Registre-se o surgimento de uma piada macabra: o novo 7 x 1: sete por cento de inflação e 1 por cento de crescimento. Pelo andar da carruagem, vem aí um 6 x 1.)

Não se pode saber até que ponto as tensões registradas no comissariado da campanha derivam de maus números chegados ao Planalto ou da simples autofagia petista. A doutora já sofreu um processo de corrosão com o “Volta Lula”, não precisa de outro.

A temática oferecida pelas falas de Dilma sugere que sua campanha depende muito das obras e pompas do marqueteiro João Santana e de sua capacidade de administrar o capital do tempo na televisão. Essa tática poderá ser eficiente num primeiro turno. Depois, a eleição será outra. Pelas ansiedades que se percebem no comissariado, usando-se um verbo criado pela psicóloga Maria Regina Brandão, há o risco de o PT “panicar”, como panicou a turma da Granja Comary. Um PT “panicado” seria uma reedição da velha técnica de “partir pra cima”, radicalizando o que for possível radicalizar.

Elio Gaspari é jornalista

José Nêumanne: Felipão, o professor de gestão de Dilma

- O Estado de S. Paulo

Dilma Rousseff disse, em 1.º de julho de 2013, que seu governo tinha o "padrão Felipão", em resposta a uma pergunta sobre se seus ministros tinham "padrão Fifa". Referia-se ao ex-técnico da seleção brasileira Luiz Felipe Scolari após reunião ministerial depois da vitória sobre a Espanha por 3 a 0 no Maracanã, onde ela seria vaiada várias vezes domingo, na final da Copa, antes e ao entregar a taça ao capitão alemão, Philipp Lahm. A comparação havia sido feita na temporada de protestos nas ruas em que o povo exigiu "padrão Fifa" para a gestão pública federal, nada exemplar. Apesar de ter escolhido o treinador como modelo, ela não foi entregar a Copa das Confederações ao time que ele treinou. Um ano e 13 dias depois, tendo o mesmo time sofrido hecatombes inéditas nos jogos finais da "Copa das Copas", ela o relegou ao ostracismo para se refugiar no verso de um samba de Paulo Vanzolini ("levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima") e na criatividade ("a derrota é a mãe de todas as vitórias").

Dilma não atuou na seleção nem a treinou. Não é também dirigente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mas não resiste a recorrer ao dito esporte bretão para parecer simpática. Nascida em Minas, comemorou a conquista da Libertadores da América pelo Atlético Mineiro em 2013 em redes sociais. "Congratulo (sic) com toda a torcida do Atlético pela conquista do título. Eu sou torcedora do Atlético e, quando criança, ia com meu pai a muitos jogos do Galo no Mineirão", postou. Não faltou quem nos mesmos veículos lembrasse que 1) como nasceu em 1947, tinha 18 anos e, portanto, não era criança quando o estádio foi inaugurado; e 2) que o pai morrera em 1962, três anos antes de sua inauguração.

Consta que Clio, a deusa da história, é irônica. Pelo visto, os deuses do futebol também. Em 8 de julho o estádio foi palco da derrota mais humilhante que o Brasil sofreu na história, ao perder de 7 a 1 na semifinal da Copa. Dela o técnico saiu como padrão de incompetência, e não de excelência.

Nenhum torcedor dotado do mínimo de bom senso teria apostado pesado no time de Scolari na Copa: ganhou da Croácia com a ajuda do juiz, empatou com o México contando com muita sorte e ao vencer Camarões passou para as oitavas de final contra o Chile, e não contra a Holanda, por absurdos erros do árbitro, que anulou dois gols legítimos dos mexicanos no jogo de estreia contra os africanos. A trave nos últimos segundos da prorrogação e no último pênalti carimbou o passaporte para as quartas de final contra a Colômbia, que nunca foi páreo para a canarinha nos melhores momentos dela e nos piores desta. O Brasil ficou entre os quatro melhores com a ajuda da sorte e de apito amigo.

Mas na véspera da semifinal contra a temida Alemanha a presidente resolveu apostar todas as fichas de chefe de governo e de Estado e de candidata à reeleição no "padrão Felipão" de excelente gestão. A página oficial da Presidência da República na internet, usada na campanha eleitoral com uma sem-cerimônia só comparável à do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao desconhecer o fato, divulgou sua "conversa" com internautas sobre a Copa. Chamou os adversários de "urubus", condenou o "pessimismo indevido" de um sujeito oculto chamado imprensa, vulgo "mídia golpista", e adotou como mascote de palanque o craque Neymar, cuja dor, ao ser atingido por um jogador do time que fora menos violento do que o Brasil no jogo, segundo ela, "feriu o coração de todos os brasileiros".

Para completar, sem se dignar a explicar o significado do gesto nem da expressão, copiou do astro do Barcelona o "é tóis", paródia criada por ele para o "é nóis" dos corintianos, com a letra T formada pelos braços e pelo cotovelo. E enquanto a torcida lhe fazia eco gritando o nome do ídolo ferido, os alemães impingiram à seleção mais campeã das Copas a pior goleada em semifinais do torneio.

Felipão, fiel a seu padrão de embromation, mal consumado o desastre elogiou o próprio trabalho, lembrando que seu "grupo" - sua "família", ou seja, as vítimas de suas doses patéticas de autoajuda - foi o primeiro a chegar a uma semifinal desde a Copa em que ele mesmo treinou o time campeão, em 2002, há 12 anos. O auxiliar técnico Carlos Alberto Parreira comprometeu o respeitável currículo de campeão mundial de 1994 lendo na entrevista a carta de uma fã que elogiou a preparação do time de um esporte cujos fundamentos ela própria dizia desconhecer.

Antes de o "padrão Felipão" ser submetido a outro vexame na disputa pelo terceiro lugar contra a Holanda na arena Mané Garrincha, com o nome de um gênio do tempo em que nosso futebol tinha cara e vergonha, os bombeiros do Planalto correram para salvar a chefe do incêndio. Descalçaram-lhe as chuteiras e ela pôs de novo o capacete de chefe de obras, para jogar espuma sobre a tentativa canhestra de barganhar o sucesso da seleção por votos na eleição. Apelaram até para o óbvio: "Futebol e política não se misturam". 

Fez-se isso com desleixo idêntico ao de estropiarem a frase de Nelson Rodrigues "a pátria em chuteiras" por outra, que só adquiriu nexo após o vexame: "a pátria de chuteiras". Dilma e seu professor (assim os pupilos chamam seus técnicos) usaram pátria, hino e bandeira para chutar a realidade para escanteio.

Dilma ainda contribuiu para o besteirol de político ignorante em esporte ao atribuir o chamado mineiratsen à exportação dos melhores jogadores nacionais para o exterior. O uso da palavra exportação, cabível para médicos cubanos, mas não para nossos craques, omite as evidências de que a seleção atuou em nível similar ao dos campeonatos locais por absoluta incapacidade de dirigentes que se recusam a aprender como se joga nos mercados que hoje vencem. E de governantes que perdoam as dívidas monstruosas acumuladas por estes bancando papagaios de pirata para ganhar votos, perdendo o pudor e as Copas.

José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor

Miriam Leitão: Balanço sem palanque

- O Globo

A população recebeu bem. Os prazos das obras não foram cumpridos. O país encantou os turistas. Os serviços estavam muito caros, como hotéis, passagens aéreas e restaurantes. Não houve caos aéreo, mas nem todos os aeroportos ficaram prontos e as viagens de negócios foram praticamente suspensas. Ferrovias novas não há. O trânsito foi ajudado por feriados que prejudicaram a economia.

O balanço que a presidente Dilma fez tinha endereço eleitoral. Uma avaliação mais realistapermite aprender com o que não funcionou para que o Brasil se prepare para receber grandes eventos internacionais. Temos as Olimpíadas pela frente e, de novo, as obras estão muito atrasadas e de algumas conquistas já desistimos, como a limpeza da Baía de Guanabara.

A infraestrutura de tecnologia de comunicação continua deficiente. Precisamos melhorar muito nessa área e não pelos eventos, é por nós mesmos. A simpatia natural do povo brasileiro — reconhecido por todos como o ponto alto da Copa — pode ser aperfeiçoada com melhor ensino das línguas inglesa e espanhola para quem vai lidar diretamente com o público.

Não foi a Copa das copas. Isso é refrão de marqueteiro. É melhor avaliar o que deu certo, o que deu errado. Os alertas feitos pela imprensa não eram torcida contra. Toda imprensa livre tem o dever de fazer os alertas. Quem não gosta de imprensa livre pode ver como funciona na China, em Cuba, na Coreia do Norte. É o paraíso do governante, e a morte da notícia. Tudo filtrado, controlado, vigiado.

O Brasil não quer isso, por mais que o governo passe o tempo todo culpando a imprensa por qualquer fato que o desagrade.

Houve acidentes no Itaquerão durante a construção. Com mortes. O estádio que abriu o evento ficou pronto no último minuto, mas a imagem externa da abertura era deprimente porque não houve tempo para o trabalho do lado de fora. Um viaduto caiu em Belo Horizonte e também houve morte.

Ainda não se sabe o que será feito com certos estádios em locais onde não há tradição de futebol. Há um trabalho para fazer nesse pós-Copa para dar utilidade a essas obras caríssimas.

Houve dias de trânsito muito pesado, mas a mobilidade urbana foi ajudada por excessivos feriados. A suspensão de aulas e atividades produtivas não é apenas um prejuízo econômico, mostra que só se evita o pior se o país parar. Um grande evento tem que caber no país.

A conta dos feriados está batendo nos números já fracos da economia brasileira.

Os preços extorsivos cobrados por muitos hotéis e restaurantes, além de passagens aéreas, foram um tiro no pé. Ganha-se num mês, mas o risco é apequenar o principal legado da Copa, que é incentivar o turismo estrangeiro. Se o país fica com fama de caro, isso afasta o turismo potencial que nasce desse contato. Foi um erro dos empresários e falta de visão de negócios de longo prazo. Claro que se sabia que haveria maior demanda por esses serviços durante um mês, mas cobrar preços excessivos reduz atratividade no turismo.

Os jogos foram emocionantes, até aqueles dos quais não se esperava muito, e isso ajudou a consolidar a ideia de uma boa Copa. Fica a certeza de que é preciso renovar o futebol brasileiro, para melhorar o desempenho em campo e eliminar o desconforto de ter certas figuras nefastas no comando do esporte. O Cafu sendo barrado por José Maria Marin no vestiário, no dia da nossa maior tristeza, mostra a inversão de valores. O que cada um deles fez pelo Brasil? Basta comparar.

O melhor balanço é aquele que é feito longe dos palanques, e ele mostrará os pontos fortes e as lições do evento. Em todos os campos. l

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Os trabalhos de Michel
Ao reassumir hoje o comando do PMDB, o vice-presidente Michel Temer tentará arrefecer o ânimo oposicionista em alguns estados, especialmente, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde uma campanha pró-Dilma por parte do PMDB ajuda a conquistar votos além daquilo que o PT pode cabalar. O Rio de Janeiro, entretanto, é considerado caso perdido. Ali, os peemedebistas tratam das possibilidades de Michel como a piada que marca o convite dos cariocas para visitas cariocas, ou seja, o velho "passa lá em casa", mas não dá o endereço.

Enquanto isso, no Piauí...
Ao mesmo tempo que Michel deseja mostrar serviço engajando seu partido na campanha, há petistas interessados em ver o PMDB longe de Dilma. O senador Wellington Dias (PT-PI), candidato ao governo, comemorava ontem a perspectiva de ter a presidente exclusivamente em sua propaganda. "O PMDB lá já declarou apoio ao Aécio. Então, liberou a Dilma para o meu palanque."

Olho no TCU
Os governistas querem ficar de olho nos votos da ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes. A ideia é juntar material para ver se é possível pedir a suspensão dela, em caso de votos muitos duros contra o governo. Tudo porque a ministra é mãe do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos.

Virada eleitoral
O senador Aécio Neves planeja um programa de tevê diferente para exibir em São Paulo, de forma a voltar sua propaganda para os temas que interessem ao eleitor do estado, onde ele planeja fechar a conta para chegar ao Planalto. Ali, como na Virada Cultural, a ordem do PSDB é buscar votos 24 horas.

Hora dos negócios
Não é o show de Paulinho da Viola para marcar os 40 anos da retomada das relações bilaterais Brasil-China que mais interessa aos convidados nessa visita a Brasília. O que eles desejam mesmo é o ingresso de novos produtos de tecnologia chinesa no mercado brasileiro. Uma das grandes apostas é o Baidú, uma espécie de Google chinês.

Se brincar...
O governo se assustou com o placar da votação que deu urgência ao projeto contra o decreto presidencial dos conselhos consultivos. Com 294 votos, num período de campanha eleitoral, isso quer dizer que qualquer proposta mais polêmica passará sem grandes dificuldades. "Esse resultado é pior que os 7 x 1 da Alemanha", afirmou o deputado Miro Texeira (PROS-RJ).

Silhueta eleitoral/ A senadora Kátia ABreu (PMDB-TO) tomava café na sala ao lado do plenário quando, de repente, passa o senador Sérgio Petecão: "Nossa emagreceu, senador! Está de dieta?" Petecão enrubesceu: "Nada. É pressão do PT lá no estado!" Petecão apoia o candidato do PSDB.

Sem debate/ A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) marcou para 7 de agosto o encontro com os candidatos a presidente da República. Somente três foram convidados a expor suas propostas: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Cada um fará a sua exposição separadamente.

A aposta de Gleisi/ Candidata ao governo do Paraná, onde Dilma Rousseff perdeu em 2010, a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (foto) fará toda a sua campanha colada na imagem da antiga chefe. "Todo o meu material de campanha será em conjunto com ela. Nada separado", diz.

Vai ferver/ Gleisi não se licenciará do mandato para fazer campanha. A ideia é que ajude, na tribuna do Senado, a defender o governo, uma vez que o candidato a vice-presidente pelo PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP), também não se afastará do parlamento. Os embates, entretanto, devem se restringir as semanas de esforço concentrado.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Segurança e voto
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) anunciará na sexta-feira a criação de centros de comando permanentes em todos os Estados, nos moldes dos montados em cidades-sede da Copa. A promessa é integrar polícias estaduais, Polícia Federal e Forças Armadas para reforçar a fiscalização das divisas. Adotada na reta final do governo, a medida servirá como vacina eleitoral. A oposição responsabiliza o governo federal pela entrada e circulação de drogas e armas no país.

Tudo integrado A proposta será apresentada em reunião do ministro com secretários de Segurança dos 12 Estados que sediaram o Mundial. O projeto já foi discutido no comitê de Dilma Rousseff.

Prioridades Alguns Estados que não receberam jogos da Copa sofrem com problemas mais básicos na segurança pública. No Maranhão, por exemplo, a PM cruzou os braços em abril para pedir reajuste salarial de 12%.

Efeito colateral O debate sobre divisas e fronteiras deve ressuscitar promessa de Dilma, na eleição de 2010, de comprar 14 veículos aéreos não-tripulados. A meta não foi cumprida pelo governo, que só adquiriu dois.

Chuva... Dilma e o presidente da China, Xi Jinping, assinam amanhã um protocolo milionário na área de infraestrutura. Os chineses querem investir na construção de ferrovia que ligará Mato Grosso ao Pará, com saída pelo porto de Barcarena.

... de yuans O governo considera o porto paraense um ponto estratégico de escoamento da produção de soja do Norte do país.

Nos tribunais Até o fim da semana, a campanha de Aécio Neves (PSDB) promete acionar Dilma ao menos mais uma vez no Tribunal Superior Eleitoral. Em entrevista à rede de TV Al Jazeera, ela disse, na condição de presidente, que merece a "oportunidade de um novo governo".

Deixa pra lá Aécio está medindo palavras para evitar atritos com aliados em seu novo site. Publicou um gráfico para mostrar que Minas Gerais tem o melhor indicador do Sudeste em esperança de vida ao nascer, mas omitiu que o Rio, de Luiz Fernando Pezão (PMDB), tem o pior.

Pede... Após a sabatina de Eduardo Campos, a socialite Maria Christina Mendes Caldeira, ex-mulher de Valdemar Costa Neto, procurou o presidente do PSB paulista, Márcio França. Queixou-se de falta de apoio e perguntou como fazer para retirar sua candidatura à Câmara.

... para sair "É só mandar uma cartinha", respondeu França, em tom de ironia e dedilhando no ar. "Também posso ir à imprensa", devolveu a socialite. O deputado marcou outra conversa hoje.

Atleta Paulo Câmara (PSB), o candidato de Campos em Pernambuco, é tão desconhecido que só agora sua equipe descobriu que ele foi campeão de natação na juventude. As medalhas devem ser exploradas na campanha.

Bom garoto O primeiro jingle de Câmara, um rap, frisa que ele é "casado e pai de família". A música usa gírias pernambucanas para vendê-lo como um administrador firme: "O cabra é rochedo!"

Berço José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD), hoje rivais na disputa pelo Senado, terão marqueteiros com currículo em comum: PC Bernardes e Felipe Soutello já atuaram com Luiz Gonzalez.

Homenagem Os vereadores de São Paulo batizaram uma nova avenida na zona sul com o nome do ex-ministro Luiz Gushiken, que morreu em 2013. O projeto, de Antonio Donato (PT), foi sancionado na última sexta-feira.

Tiroteio
"Com um vice desconhecido, tive 16 milhões de votos. Se chegar a tanto, Campos terá de dizer se foi ele ou Marina quem recebeu a votação."
DO DEPUTADO ANTHONY GAROTINHO (PR-RJ), em resposta a Campos, para quem o PSB teve um programa melhor que o candidato ao Planalto em 2002.

Contraponto
O que discute a bancada da bola

Pouco antes da Copa, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) iniciou um debate sobre a destinação de recursos da Timemania com uma saudação aos cartolas presentes. Ao mencionar o deputado estadual Roberto Dinamite (PMDB-RJ), lamentou uma derrota recente do Atlético Goianiense, do qual é vice-presidente, para o Vasco.

--Não gostei da sua vitória, não. Fiquei chateado!

--Se for por esse motivo, eu só voto quando o Botafogo voltar a ganhar --brincou Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Arantes devolveu:

--Aí é que não vai ter votação mesmo!

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Planalto breca Congresso para evitar nova derrota
O ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) se reuniu ontem com o presidente da Câmara, Henrique Alves (RN), e o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), tentando “dar férias” logo aos deputados e evitar votações que rendam novas derrotas à presidenta Dilma. O Planalto teme não conseguir impedir a base aliada de aprovar projetos com forte apelo eleitoral, mas que impliquem em gastos ao governo federal.

• Pauta bomba
Dentre as matérias que preocupam o Planalto está o aumento para 2% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), articulado pelo PMDB.

• Desprestígio
Líderes aliados ficaram irritados com a sensação de que estavam sendo levados no bico pelo ministro da Articulação, Ricardo Berzoini,

• Quem resolve
Enquanto perdiam tempo com Berzoini, os líderes viram Henrique Alves e Eduardo Cunha decidindo tudo com Aloizio Mercadante.

• Parou geral
Henrique Alves prometeu a Mercadante que só haverá esforço concentrado em uma semana em agosto e outra em setembro.

• Vargas aposta no esquecimento do seu escândalo
Em meio a processo que responde no conselho de ética por quebra de decoro parlamentar, acusado de manter relações promíscuas com o doleiro Alberto Youssef, o deputado André Vargas (ex-PT-PR) circula na Câmara dos Deputados, como aconteceu ontem, saboreando o progressivo esquecimento do escândalo de corrupção que protagonizou. André Vargas age como se nada tivesse acontecido.

• Parceria
André Vargas é acusado de fazer negócios e fazer lobby para o doleiro Alberto Youssef, que ontem teve nova prisão preventiva decretada.

• Separação conveniente
Apesar de oficialmente desligado do PT, o deputado André Vargas continua muito influente no governo e na bancada do ex-partido.

• Cobertura
O centro de mídia montado em Brasília, durante a Copa do Mundo, foi utilizado por mais de 1400 jornalistas, dos quais 433 eram estrangeiros.

• Goleada
Após paciente espera, o advogado Bruno Dantas foi finalmente aprovado pela Câmara dos Deputados, por 270×7 votos, para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União. Foi indicado pelo Senado.

• Eleição vergonhosa
O presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz, único candidato de oposição à presidência da Confederação Nacional do Comércio, deve ser impugnado pelo rival, Antonio Santos, presidente há 34 anos. Que julgará a impugnação e eventuais recursos. Sem efeito suspensivo.

• Campo minado
A presidenta Dilma convidou o senador Eunício Oliveira para o almoço com os presidentes dos Brics, em Fortaleza. Queria saber como anda o ambiente no PMDB. A resposta dele: “péssimo”.

• Direita raivosa
Tem gente, até no Congresso, que acha Vladimir Putin um “comunista”. Na verdade, entre o antigo regime e o presidente direitista russo, só há em comum o autoritarismo, a truculência e a ojeriza à Democracia.

• Partiu pra briga
O PV ameaça entrar com processo por crime de desobediência contra o presidente da Câmara, Henrique Alves, a quem acusa de protelar há um mês a posse de Denilson Teixeira (MG), determinada pelo STF.

• Tomando as rédeas
Com objetivo de retomar as rédeas do PMDB, o vice-presidente da República e candidato a reeleição Michel Temer assumirá nesta quarta comando nacional do PMDB, ocupado pelo senador Valdir Raupp (RO).

• Asilo para Snowden
Candidata ao Planalto, Luciana Genro (PSOL) participa hoje de ato em Brasília pedindo asilo político para Edward Snowden, americano que revelou espionagem do governo Barack Obama contra nações amigas.

• Zona franca
Aprovada na Câmara, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que amplia os incentivos fiscais à Zona Franca de Manaus por mais 50 anos, deverá ser votada nesta quarta-feira no Senado.

• Por 7 x 1
Se “meu governo é padrão Felipão”, como Dilma afirmou, a CBF foi mais realista: demitiu o Felipão.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Vários tons da realidade
O governo Dilma, depois de meses de desgaste, procura bater o bumbo com o êxito da Copa fora do campo. A oposição tucana se esgoela acusando os petistas de tentarem se apropriar porque deu quase tudo certo. Já o time de Eduardo Campos está blasé e diz que esse embate é um frenesi pueril. Avalia que o tema não sobrevive e que, quando a eleição entrar no ar, restará uma memória rarefeita.

E agora, como é que fica?
A Justiça está pedindo o ressarcimento de um investimento de R$ 150 mil feito pelo ex-prefeito do Rio Cesar Maia. Mesmo sem enriquecimento ilícito ou desvio, ela alega apenas que o estado é laico e que o gestor não pode usar dinheiro público em favor de uma religião. No caso, a construção da igreja católica São Jorge, no bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste. A deliberação pode vir a criar um precedente. Os governos federal, estaduais e as prefeituras usam dinheiro público para restaurar igrejas, invocando a manutenção do patrimônio histórico. Mas essas igrejas, após restauradas, são um púlpito para que religiosos, em sua maioria católicos, professem sua fé.
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“Ao reassumir a presidência do PMDB, Temer terá maior autoridade para tratar da presença da presidente Dilma e do ex-presidente Lula onde não formos aliados locais do PT”
Henrique Alves, presidente da Câmara (PMDB) e candidato a governador (RN)
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Cartão amarelo
A presidente Dilma tem mancado nos últimos dias. Ela tropeçou carregando o neto, Gabriel. E, para não cair, acabou batendo a perna na quina de uma cadeira. No futebol é assim: há risco de contusão mesmo estando fora de campo.

No outro mundo
O ministro Luís Roberto Barroso virou alvo de críticas dos juristas e da maioria do Congresso. Eles preveem o caos, caso seja aprovada a proibição da doação eleitoral pelas empresas. Comparam com a decisão de Luiz Fux, no caso da renegociação dos precatórios. Seu relatório foi aprovado, mas não aplicado. Ele quebraria prefeituras e estados.

Agora vai
O PT cobra do PMDB por que candidatos do partido aos governos estaduais abriram seus palanques para Aécio Neves (PSDB). A resposta: o candidato está com Aécio, mas os candidatos para o Congresso estão com a presidente Dilma.

Será que é isso mesmo?
Muitos são os que atribuem a derrota do Brasil na Copa à direção dos clubes e das federações. O craque alemão Schweinsteiger dedicou o título ao presidente do Bayern Munch, Uli Hoeness. O Bayern tem sete jogadores na seleção. E Uli está na cadeia, condenado a três anos e meio de prisão por evasão fiscal de 27,2 milhões de euros.

Burlando o ritual burocrático
Ao contrário do costume, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, não nomeou uma equipe de transição para passar o bastão para o ministro Ricardo Lewandowski. Ele baixou resolução para que isso seja feito via um relatório de 60 páginas.

Em cima do lance
A Vigilância Sanitária vistoriou 8.292 restaurantes nas 12 cidades-sede da Copa. No Rio, foram 577. Em 21,7% desses, foram detectadas falhas relevantes; onze tiveram de ser fechados até a regularização.

NA INAUGURAÇÃO do Instituto Marcelo Déda, hoje à noite em Aracaju (SE), será lançado livro com os poemas do ex-governador: “Improvável Poética”

José Serra convida para o lançamento de seu livro no Rio

Editora Record e Livraria da Travessa convidam para Bate-papo e sessão de autógrafos de
22/07, terça-feira, a partir das 19 hrs.
Livraria da Travessa - Shopping Leblon
Av. Afrânio de Melo Franco, 290  - Loja 205 A

Maria Rita - Não deixe o samba morrer

Carlos Drummond de Andrade: Perder, ganhar, viver

Jornal do Brasil, 07/07/1982

Vi gente chorando na rua, quando o juiz apitou o final do jogo perdido; vi homens e mulheres pisando com ódio os plásticos verde-amarelos que até minutos antes eram sagrados; vi bêbados inconsoláveis que já não sabiam por que não achavam consolo na bebida; vi rapazes e moças festejando a derrota para não deixarem de festejar qualquer coisa, pois seus corações estavam programados para a alegria; vi o técnico incansável e teimoso da Seleção xingado de bandido e queimado vivo sob a aparência de um boneco, enquanto o jogador que errara muitas vezes ao chutar em gol era declarado o último dos traidores da pátria; vi a notícia do suicida do Ceará e dos mortos do coração por motivo do fracasso esportivo; vi a dor dissolvida em uísque escocês da classe média alta e o surdo clamor de desespero dos pequeninos, pela mesma causa; vi o garotão mudar o gênero das palavras, acusando a mina de pé-fria; vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições; vi a aflição dos produtores e vendedores de bandeirinhas, flâmulas e símbolos diversos do esperado e exigido título de campeões do mundo pela quarta vez, e já agora destinados à ironia do lixo; vi a tristeza dos varredores da limpeza pública e dos faxineiros de edifícios, removendo os destroços da esperança; vi tanta coisa, senti tanta coisa nas almas…

E chego à conclusão de que a derrota, para a qual nunca estamos preparados, de tanto não a desejarmos nem a admitirmos previamente, é afinal instrumento de renovação da vida. Tanto quanto a vitória, estabelece o jogo dialético que constitui o próprio modo de estar no mundo. Se uma sucessão de derrotas é arrasadora, também a sucessão constante de vitórias traz consigo o germe de apodrecimento das vontades, a languidez dos estados pós-voluptuosos, que inutiliza o indivíduo e a comunidade atuantes. Perder implica remoção de detritos: começar de novo.

Certamente, fizemos tudo para ganhar esta caprichosa Copa do Mundo. Mas será suficiente fazer tudo, e exigir da sorte um resultado infalível? Não é mais sensato atribuir ao acaso, ao imponderável, até mesmo ao absurdo, um poder de transformação das coisas, capaz de anular os cálculos mais científicos?

Se a Seleção fosse à Espanha, terra de castelos míticos, apenas para pegar o caneco e trazê-lo na mala, como propriedade exclusiva e inalienável do Brasil, que mérito haveria nisso? Na realidade, nós fomos lá pelo gosto do incerto, do difícil, da fantasia e do risco, e não para recolher um objeto roubado.

A verdade é que não voltamos de mãos vazias porque não trouxemos a taça. Trouxemos alguma coisa boa e palpável, conquista do espírito de competição. Suplantamos quatro seleções igualmente ambiciosas e perdemos para a quinta. A Itália não tinha obrigação de perder para o nosso gênio futebolístico. Em peleja de igual para igual, a sorte não nos contemplou. Paciência, não vamos transformar em desastre nacional o que foi apenas uma experiência, como tantas outras, da volubilidade das coisas.

Perdendo, após o emocionalismo das lágrimas, readquirimos (ou adquirimos, na maioria das cabeças) o senso da moderação, do real contraditório, mas rico de possibilidades, a verdadeira dimensão da vida. Não somos invencíveis. Também não somos uns pobres-diabos que jamais atingirão a grandeza, este valor tão relativo, com tendência a evaporar-se.

Eu gostaria de passar a mão na cabeça de Telê Santana e de seus jogadores, reservas e reservas de reservas, como Roberto Dinamite, o viajante não utilizado, e dizer-lhes, com esse gesto, o que em palavras seria enfático e meio bobo. Mas o gesto vale por tudo, e bem o compreendemos em sua doçura solidária. Ora, o Telê! Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos.

E agora, amigos torcedores, que tal a gente começar a trabalhar, que o ano está na segunda metade?

Carlos Drummond de Andrade: Foi-se a Copa?

24/06/1978

"Foi-se a copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode,afinal,
cuidar dos nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Pendura a inflação de fato....
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
Havendo tenacidade,
Ganhará, rijo, e de cheio, a Copa da Liberdade."

Carlos Drummond de Andrade, Poesia e Prosa, Nova Aguilar, 1999

terça-feira, 15 de julho de 2014

Opinião do dia: Aloysio Nunes Ferreira

"Ela (Dilma) tem feito isso sistematicamente, mas acho que não pega. É um esforço público jogado fora. Ficaria melhor para ela governar. Ela é padrão Felipão."

Aloysio Nunes Ferreira, senador (SP) e candidato a vice presidente na chapa de Aécio Neves. O Estado de S. Paulo, 15 de julho de 2014.

Petrobras fez adiantamento de US$ 30 milhões por compra de Pasadena

• TCU questiona pagamento antes da compra da refinaria e sem previsão de reembolso

Eduardo Bresciani e Vinicius Sassine – O Globo

BRASÍLIA — A Petrobras adiantou US$ 30 milhões à empresa belga Astra Oil antes de concluir as negociações da compra da primeira metade da refinaria de Pasadena, no Texas. Foram pagos US$ 10 milhões em maio de 2006 e US$ 20 milhões no primeiro dia do mês seguinte. Autorizado em fevereiro de 2006 pelo Conselho de Administração da Petrobras, presidido então por Dilma Rousseff, o negócio só foi oficializado em setembro daquele ano. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) questiona a antecipação de recursos e destaca que eles eram “não-reembolsáveis”, caso o acordo fracassasse. No ano anterior, a Astra tinha adquirido a refinaria toda por US$ 42,5 milhões.

Os adiantamentos constam de documentos internos da Petrobras obtidos pelo GLOBO e de relatórios do TCU sobre a compra da refinaria. A justificativa é de que a negociação inicial previa a aquisição de 70% de Pasadena, mas o acordo acabou sendo fechado com a compra de 50%. Com isso, houve demora na preparação da documentação contratual, e a Petrobras estava obrigada pelo acordo anterior a antecipar os recursos para a futura sócia.

Segundo os documentos da Petrobras, o adiantamento de US$ 30 milhões foi descontado dos U$$ 360 milhões pagos pela compra da primeira metade da refinaria. A estatal, no entanto, pagou mais do que o valor anunciado porque “ajustes contratuais” consumiram US$ 71 milhões. A parceria com a Astra foi de curta duração e, após uma briga judicial iniciada em 2008, na qual a Petrobras sofreu seguidas derrotas, foi fechado um acordo para o pagamento de outros US$ 820 milhões. Com isso, o valor total pago por Pasadena foi de US$ 1,251 bilhão.

Auditor questiona contabilidade
Relatório do auditor do TCU Alberto Henriques de Araújo Pereira, de 4 de junho deste ano, questiona o adiantamento. Ele levanta dúvidas inclusive sobre se os US$ 30 milhões foram mesmo descontados no fechamento do negócio porque uma das memórias de cálculo enviadas pela estatal ao tribunal não trazia essa informação. Ele observou que mesmo o desconto deveria ter levado em conta a correção monetária, uma vez que os adiantamentos ocorreram até quatro meses antes da conclusão. Pereira ressaltou ainda que, como a Astra era a dona da companhia de forma solitária até setembro de 2006, a empresa belga pode ter incluído os recursos na contabilidade da refinaria e ter cobrado o valor da Petrobras nos ajustes finais do negócio.

“Há, igualmente, o risco de o montante dos adiantamentos ter sido indevidamente considerado pela Astra como sua parcela de despesas não-amortizadas de capital, uma vez que, em maio de 2006, a Astra ainda era a única proprietária e geria sozinha a refinaria”, ressaltou o auditor.

Procurada pelo GLOBO, a Petrobras disse que não se manifestaria sobre o adiamento. “A Petrobras informa que vem colaborando com todos os órgãos públicos (CGU, TCU, Ministério Público, entre outros), fornecendo informações sobre o processo de compra da refinaria, a fim de contribuir com as respectivas apurações. De modo a preservar o desenvolvimento dos trabalhos externos de apuração, a Petrobras não comentará o assunto”, registrou a assessoria da estatal.

A compra da refinaria de Pasadena já provocou um prejuízo contábil admitido pela Petrobras de US$ 530 milhões. Investigações em curso do TCU, porém, sugerem que os responsáveis pelos negócios devem ressarcir um valor ainda maior. O auditor Pereira sugeriu em seu relatório final que devem ser devolvidos US$ 873,1 milhões. Relatório mais recente, assinado pelo diretor Bruno Lima Caldeira, estima o montante em US$ 620,1 milhões.

Os dois técnicos têm visão divergente também sobre a responsabilidade pelo prejuízo. Pereira defende que os integrantes do conselho de administração, entre eles a presidente Dilma Rousseff, devem ser chamados a uma audiência pública para dar explicações sobre o caso. Caldeira, por sua vez, entende não haver como responsabilizar os conselheiros. Na sua visão, devem ser citados para explicar os prejuízos o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, preso desde julho, além de outros diretores e gerentes da estatal.

Dilma diz que pessimistas foram derrotados e o Brasil realizou a ‘Copa das Copas’

• Maioria dos turistas tem intenção de voltar ao Brasil, diz pequisa. Dezesseis ministros participam de balanço do mundial

André de Souza e Jailton de Carvalho – O Globo

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o Brasil derrotou os pessimistas e fez com que a anunciada Copa das Copas se tornasse realidade. De cada 20 turistas estrangeiros que vieram ao Brasil durante a Copa do Mundo, 19 têm intenção de voltar ao país. Eles são de 202 nacionalidades diferentes, percorreram 378 municípios brasileiros e ficaram, em média, 13 dias no Brasil. 

Além disso, o Brasil atendeu plenamente ou superou as expectativas de 83% dos turistas. Ao todo, 1,02 milhão de turistas visitaram o Brasil durante a Copa. A maioria (61%) visitou o país pela primeira vez. Os números foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Turismo, que ouviu 6.627 turistas em 12 aeroportos e dez fronteiras terrestres.

- Sem sombra de dúvidas, os torcedores e amantes do futebol asseguraram uma festa que sem dúvida é uma das mais bonitas do mundo. A gente dizia que teríamos a Copa das Copas. Nós tivemos a Copa das Copas - disse Dilma, acrescentando:

- O Brasil demonstrou sua capacidade de organização. Os vaticínios, os prognósticos que se faziam sobre a copa eram os mais terríveis possíveis. Começava do "não vai ter Copa" a "Copa do caos". O estádio do Maracanã, que ontem foi palco de momento belíssimo, só ia ficar pronto em 2038 ou 2024. Enfim, não ficaria pronto nunca. Não teríamos aeroportos, e não teríamos a capacidade de receber milhões e milhões de turistas, Enfim, nós derrotamos sem dúvida essa previsão pessimista e realizamos uma imensa, maravilhosa contribuição, a Copa das Copas.

O quesito mais bem avaliado pelos estrangeiros foi a hospitalidade: 98,1% deles aprovaram. Em seguida vêm gastronomia (93,1%), segurança pública (92%), informação turística (90%), táxi (90%), transporte público (89,2%), sinalização turística (81,2%) e aeroportos (80%). Os pesquisadores, da Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe) continuarão em campo até o dia 23 de julho.

Dilma fez elogios a seu governo e também aos governos dos estados e cidades onde houve jogos. Segundo ela, foi um esforço conjunto, que também contou com o apoio do povo brasileiro.

- Foi uma árdua conquista para o meu governo. Todos nós nos empenhamos para assegurar que a Copa do Mundo trouxesse não só uma grande oportunidade para sediar o mais importante torneio de futebol do planeta, como também queríamos estar demonstrando naquela circunstância, quando a Copa começou, que o Brasil estava capacitado e tinha todas as condições para assegurar infraestrutura, segurança, telecomunicações, tratamento adequado aos turistas - disse a presidente.

O ministro da Casa Civil, Alozio Mercadante, concordou com a chefe sobre a organização da Copa no Brasil.

- Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou. O mundo inteiro admirou. O Brasil soube ganhar, soube perder, soube celebrar em clima altamente receptivo, o que encantou o mundo - disse Mercadante.

O Ministério do Turismo também ouviu 6.038 turistas brasileiros que viajaram pelo país durante a Copa. Os turistas brasileiros saíram principalmente de São Paulo (858.825 pessoas), Rio de Janeiro (260.527), Bahia (220.021), Minas Gerais (204.425) e Paraná (165.694). A maioria (67%) estava visitando pela primeira vez a cidade para onde viajaram. O quesito mais aprovado foi o atendimento e receptividade (90,5%), opções de lazer e turismo (87,2%), segurança (83,8%), aeroporto (81%), hospedagem (80,6%) e informação turística (77,2%). Ao todo, 3,06 milhões de brasileiros visitaram as cidades-sede durante o Mundial.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, manifestou condolências pela morte dos operários na construção dos estádios e de dois jornalistas argentinos em acidentes em São Paulo e Minas Gerais. O ministro fez um balanço positivo da organização da Copa e ironizou as previsões pessimistas:

- Nem um jornalista, nem um turista foi mordido por cobra.

Aeroportos
O Brasil sediou uma Copa do Mundo nos últimos 30 dias, mas o evento não impactou muito os aeroportos do país. Números divulgados pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) ao longo das últimas semanas mostram que, no geral, o movimento não fugiu do normal e o índice de atrasos ficou dentro do satisfatório. 

Mas houve exceções, especialmente nos aeroportos das cidades-sede nos dias em que elas receberam jogos, e no caso dos voos fretados.

A Copa começou, inclusive, com um movimento abaixo da média. Em 12 de junho, o primeiro dia da Copa, passaram pelos 20 principais aeroportos do Brasil 434,4 mil pessoas e 3.686 aeronaves. Segundo a SAC informou em 13 de junho, a média esperada para esta época do ano é de 500 mil passageiros por dia. Nos dias seguintes, a movimentação foi maior, mas ficou dentro da normalidade. A média diária da primeira semana foi de 471 mil passageiros.

Nas semanas seguintes, o movimento aumentou. Foram 487 mil por dia, em média, na segunda semana de competição, e 507 mil na terceira. Na quarta semana, 495 mil. O recorde foi no dia 3 de julho, véspera dos primeiros jogos das quartas de final, quando 548 mil pessoas passaram pelos principais aeroportos brasileiros.

No balanço desta segunda-feira, a SAC informou que os 21 aeroportos que atenderam as demandas da Copa tiveram um movimento de 16,74 milhões de passageiros.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Moreira Franco, destacou que o tempo de restituição de bagagem em voos internos durou, em média, oito minutos e 36 segundos. Já nos voos internacionais, foram 28 minutos e 18 segundos. O tempo médio de inspeção no raio-x foi de dois minutos e 13 segundos. Já o índice de atrasos (voos que partem mais de 30 minutos depois do previsto) foi 7,03%. São considerados satisfatórios índices de até 15%.

- Se tivemos condições de atingir esse índice (na Copa), não temos nenhuma razão para não garantir aos brasileiros esses patamares.

Embora os índices de atrasos tenham ficado dentro do satisfatório, alguns aeroportos foram mais problemáticos, como os de Cuiabá e Porto Alegre. Boletins divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ao longo das últimas semanas mostram que, em oito dias, os atrasos foram superiores a 15% em Cuiabá. No caso de Porto Alegre, foram sete dias.

Nesta segunda, Moreira Franco trouxe informações diferentes daquelas divulgadas anteriormente pela SAC. 

Em 13 de junho, boletim da SAC informou que, no dia anterior, quando houve a abertura da Copa, 434,4 mil pessoas haviam passado pelos principais aeroportos brasileiros, concluindo: “o número está abaixo da média esperada para esta época do ano, de cerca de 500 mil passageiros por dia”.

Na semanas seguintes, o movimento aumentou, mas ainda ficou dentro da normalidade. A média diária da primeira semana foi de 471 mil passageiros. Foram 487 mil por dia, em média, na segunda semana de competição, 507 mil na terceira, 495 mil na quarta. O recorde foi no dia 3 de julho, véspera dos primeiros jogos das quartas de final, quando 548 mil pessoas passaram pelos principais aeroportos brasileiros.

Nesta segunda, o ministro informou que os 21 aeroportos que atenderam as demandas da Copa tiveram um movimento de 16,74 milhões de passageiros, acima dos 15 milhões da mesma época no ano passado. Disse ainda que, antes da Copa, os recordes tinham sido verificados em 28 de fevereiro deste ano, no Carnaval, quando 467 mil passageiros passaram pelos aeroportos, e em 20 de dezembro do ano passado, com 420 mil passageiros.

- Nós podemos dizer com muito orgulho, com muita alegria que a infraestrutura aeroportuária brasileira conseguiu atender adequadamente o maior evento de futebol do planeta. Eu fui criado querendo a celebração. Foi um fato que se deu não apenas pelos investimentos da Copa nos aeroportos das capitais, mas por uma política que visa colocar a aviação civil em outro patamar - disse Moreira Franco.
Comunicações

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, destacou os números do setor, como as 15.012 antenas de telefonia móvel 3G e 4G instaladas nas cidades-sede e as 4,4 milhões de ligações telefônicas realizadas nos estádios.

- Foi montada uma rede de pouco mais de 15 mil km de fibras óticas, toda ela interconectada em todos os estádios, campos de treinamento, comitês de imprensa, todos os locais onde foi necessária a transmissão. 

Tivemos um trabalho bem sucedido, com 527 horas de transmissão. Não tivemos nenhuma interrupção. Os estádios tinham pelo menos duas redes operando separadamente. Se houvesse acidente em uma, a outra tinha condição de resolver o problema - disse Paulo Bernardo, destacando que foram instadas antenas de 2G, 3G e 4G em todos os estádios.

Ele disse ainda que os estrangeiros não tiveram problemas para comprar chips e fazer roaming internacional.

Segurança
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, também disse que o país venceu as previsões negativas e teve uma estrutura de segurança exemplar, que já estaria até servindo de referência para a polícia de outros países. Ao todo, 59.523 homens das Forças Armadas trabalharam na segurança do evento: 13.125 da Marinha, 38.233 do Exército e 8.165 da Aeronáutica. Além disso, 61 helicópteros e outras 77 aeronaves foram usadas durante a Copa. Segundo ele, o governo federal R$ 1,113 bilhão em equipamentos e na estrutura das forças policiais. Toda essa estrutura deverá ser utilizada para reforçar a segurança nas estradas, vigilância das fronteiras e também na segurança das Olimpíadas de 2016. Segundo ele, o governo conseguiu um desconto de 39,7% de desconto na compra de equipamentos. O dinheiro que sobrou foi reinvestido na compra de mais equipamentos.

Cardozo também destacou a integração entres as forças de segurança federais e estaduais. Segundo ele, 176.579 policiais e bombeiros participaram da segurança da Copa.

- O legado maior é o rompimento do isolacionismo dos órgãos de segurança - disse Cardozo.

Atendimentos na área de saúde
O Ministério da Saúde informou que foram feitos 17.042 atendimentos dentro e fora dos estádios, o que inclui ainda o entorno dos locais de competição, fan fests e outros locais de grande concentração de turistas. Do total, 7.055 atendimentos ocorreram nos estádios. Em 192 casos, foi preciso fazer remoção para unidades de saúde. As queixas mais comuns de quem passou mal foram dor de cabeça, mal de estar súbito, hipertensão, lesões, torções e quedas de baixa gravidade. Os números são do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde Nacional (CIOCS), do próprio ministério.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro. ressaltou que não houve epidemia de dengue ou outras doenças durante a Copa, como chegou a ser cogitado. Segundo ele, os casos de dengue tiveram uma redução de 57% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O governo divulgou nesta segunda-feira o balanço da Copa do Mundo. Além da presidente Dilma, 16 ministros participaram do evento: José Eduardo Cardozo (Justiça), Celso Amorim (Defesa), Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores), Arthur Chioro (Saúde), Edison Lobão (Minas e Energia), Mirian Belchior (Planejamento), Paulo Bernardo (Comunicações), Aldo Rebelo (Esporte), Vinicius Lages (Turismo), Gilberto Occhi (Cidades), Moreira Franco (Secretaria de Aviação Civil), Luíz Inácio Adams (Advocacia-Geral da União), José Elito (Gabinete de Segurança Institucional), Thomas Traumann (Comunicação Social) Ideli Salvatti (Direitos Humanos) e Aloizio Mercadante (Casa Civil).

Em balanço, governo federal diz que 'Brasil ganhou a Copa'

• Dilma afirma que País venceu 'imenso desafio' de organizar Mundial

Nivaldo Souza, Ricardo Della Coletta e Rafael Moraes Moura - Agência Estado

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o governo brasileiro conseguiu vencer "o imenso desafio" de organizar a Copa do Mundo. Em evento no qual foi apresentado um balanço institucional do Mundial, a presidente destacou a hospitalidade do brasileiro em receber turistas estrangeiros. "O brasileiro mostrou toda a sua capacidade de bem receber", disse. "O povo provou que era capaz de não só fazer a Copa das Copas, mas também de enfrentar esse desafio que é perder (para a Alemanha)", afirmou.

A presidente também aproveitou o momento para rebater os críticos que apontavam um cenário negativo para o evento, apesar da derrota da seleção brasileira para a campeã Alemanha. "A gente dizia que ia ter a Copa da Copas. Pois bem, tivemos a Copa da Copas, sem tergiversar um problema que foi o nosso jogo contra a Alemanha", declarou.

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, afirmou que os prognósticos de que os estádios não ficariam prontos a tempo para a Copa do Mundo não se concretizaram e apresentou uma série de dados sobre o evento. Ele começou sua fala criticando manchetes de jornais e revistas que apontavam para falhas e atrasos na organização do evento. De acordo com Mercadante, mais de 1 milhão de turistas estrangeiros vindos de 202 países visitaram o Brasil.

Mercadante também ressaltou que o evento esportivo mobilizou 177 mil profissionais de segurança pública, defesa e inteligência e não houve nenhuma falha na rede de fornecimento de energia para os jogos. "Nós perdemos a taça, mas o Brasil ganhou a Copa", resumiu, destacando que o povo brasileiro soube tratar os visitantes e festejar "num clima receptivo".

Por último, Mercadante afirmou que houve ampliação de cerca de 350 mil metros quadrados em terminais de passageiros. Até 30 de maio, os investimentos realizados em aeroportos chegaram a R$ 8,78 bilhões. Na área de mobilidade, o ministro ressaltou que foram construídos 130,9 quilômetros de corredores de ônibus e de BRTs (sigla em inglês para "Bus Rapid Transit").

Dilma voltou a citar um samba ao comentar a derrota brasileira na Copa. "Eu acredito que tudo na vida é superação e acho que aquela frase do Paulo Vanzolini, ''levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima'', que eu coloquei no meu Twitter, é um exemplo de que temos de ter presente diante do que aconteceu. Acho que nesses tempos de reunião dos Brics (em Fortaleza), lembro aquele provérbio chinês de que a derrota é a mãe de todas as vitórias", afirmou

Gil Castello Branco: O legado dos 7 x 1

• Oportunismo por parte das autoridades teve como finalidade descolar as derrotas contundentes do projeto de reeleição

- O Globo

O talento de Carlos Drummond de Andrade vai além da capacidade de transformar palavras em arte. Na semana passada, atordoado com os 7 x 1, reli a crônica “Perder, ganhar, viver”, publicada há 32 anos, na derrota do Brasil para a Itália, no Mundial de 1982. No texto, o poeta retratou a frustração que tomou conta do país, comparável à que nos envolveu agora, nas goleadas impostas por Alemanha e Holanda.

A respeito da reação dos políticos, Drummond escreve: “...Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a se desencantar de tudo, inclusive das eleições...” Nada tão atual.

Horas depois do maior atropelo da seleção brasileira em cem anos, os políticos entraram em campo e jogaram para a arquibancada. A presidente da República deu entrevista à CNN sobre a necessidade de renovação do futebol brasileiro e concluiu que “o Brasil não pode mais continuar exportando jogador”, sem explicar como irá aprisionar as jovens revelações ou repatriar Neymar, Thiago Silva, David Luiz e outros. Pelo que imagino, será mais difícil do que congelar as tarifas de energia ou o preço da gasolina. O jornalista Franklin Martins, responsável por um dos blogs da campanha de Dilma, jogou no colo da CBF, de José Maria Marin e Ricardo Teixeira, a conta do vexame, mas exagerou na dose a ponto de a “chefa” reclamar do tom. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, defendeu “intervenção indireta”, mal explicada. O mais curioso é que essas propostas só agora tenham vindo à tona, apesar de o Ministério do Esporte existir desde 2003, inclusive tendo na sua estrutura, a partir de 2009, a Secretaria Especial de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor.

Mudar as leis, porém, depende do Congresso Nacional e, nesse sentido, o projeto de lei original que lá se encontra é do deputado Vicente Cândido (PT/SP), por coincidência vice-presidente da Federação Paulista de Futebol para a região metropolitana e o ABCD. No bojo, muito mais sobre a anistia das dívidas fiscais bilionárias dos times de futebol do que sobre a responsabilização dos dirigentes e entidades esportivas. Cá entre nós, o surto de oportunismo por parte das autoridades governamentais teve como única finalidade descolar as derrotas contundentes da seleção do projeto de reeleição da candidata-presidente. Afinal, as mazelas do futebol brasileiro e a patota que o comanda são conhecidas há muitos anos.

Em 2001, a CPI da CBF-Nike, presidida justamente pelo então deputado Aldo Rebelo, desvendou esse esquema de grandes negócios que enriquece cartolas à custa da penúria dos clubes, transforma jogadores em mercadoria e destrói a seleção. No livro que escreveram sobre a CPI, os deputados Aldo e Silvio Torres entraram de sola na cúpula do futebol brasileiro:

“...São milhões de dólares que rolam em contratos obscuros e desaparecem. Quanto maiores os contratos, mais endividados ficam a CBF, as federações e os clubes, enquanto fortunas privadas formam-se rapidamente, administradas em paraísos fiscais de onde brotam mansões, iates, e se alimenta o poder de cooptação e de corrupção.”

Apesar dessas constatações, o que se viu nos últimos 13 anos foi mais do mesmo. Como as mudanças dependem do Congresso Nacional, que neste ano praticamente já encerrou as suas atividades em função das eleições, essa tal “reformulação do futebol brasileiro”, decorrente do “legado dos 7 x 1”, ficará para o próximo governo.

O importante, neste momento, é mudarmos o disco. Pior do que a seleção de Felipão é a conjuntura da economia. O crescimento econômico em 2014 será de 1%, se tanto. A inflação acumulada em 12 meses estourou o teto da meta de 6,5%, mesmo com os preços administrados represados. O déficit em conta-corrente (diferença entre importações e exportações de bens e serviços) acumulado até maio já alcança 4,3% do PIB. Sem as “mágicas contábeis”, o superávit primário (necessário para o pagamento dos juros da dívida pública) é nulo. Ao que parece, está na hora de realizarmos “a eleição das eleições”.

Desta forma, volto a Carlos Drummond de Andrade: “Foi-se a Copa? Não faz mal. Adeus chutes e sistemas. A gente pode, afinal, cuidar dos nossos problemas.”

Gil Castello Branco é economista e fundador da organização não governamental Associação Contas Abertas

“A ‘Copa das Copas’ não aconteceu”

- ITV

Dilma Rousseff praticamente se livrou da taça ontem na cerimônia de premiação da campeã Alemanha, na tentativa de evitar vaias e apupos. Mesmo levando três segundos para passá-la às mãos do capitão Philipp Lahm, não conseguiu. Com a mesma velocidade, o governo petista quer agora dar um jeito de virar a página da Copa do Mundo, decretando seu sucesso absoluto. Devagar com o andor: política, como futebol, não se ganha no grito. A “Copa das Copas” não aconteceu.

O Mundial realizado novamente no Brasil depois de 64 anos teve muito de positivo. Mas, principalmente, pelo que ocorreu dentro das quatro linhas dos gramados. O sucesso decorreu especialmente do futebol organizado, planejado e globalizado jogado pela maior parte das 24 seleções que vieram disputar a taça.

É deste futebol vencedor que o governo petista agora quer afastar nossos bons jogadores, com sua proposta de criar barreiras para impedir a exportação de talentos para o exterior. Seria uma maneira, segundo disse a presidente na semana passada, de encher estádios – os mesmos que estão fadados a se tornar uma manada de elefantes brancos em virtude da megalomania exibida pelos petistas na organização da Copa.

Trata-se de mesma visão isolacionista e intervencionista que marca muitos aspectos da atual gestão. Tal vezo colide com a constatação de que um dos motivos de a Copa ter tido futebol tão exuberante e equilibrado foi o fato de todas as seleções serem predominantemente formadas por jogadores que disputam alguns dos mais competitivos campeonatos nacionais e regionais na Europa. Já pensou se nossa seleção só pudesse contar com as estrelas do Brasileirão?

Bons resultados também foram notados em relação à organização do torneio, à realização das partidas e dos eventos paralelos. Neste caso, deve-se muito ao esforço de milhares de brasileiros, à simpatia e hospitalidade de outros tantos e à participação de diversas esferas de governo espalhadas em 12 cidades-sede. Querer atribuir-se senhor absoluto deste êxito, como tenta fazer o governo federal, é gol de mão.

Pior ainda é tentar, usando todos os seus poderosos instrumentos de propaganda, decretar no grito que tivemos a “Copa das Copas”. Entre uma bela Copa e uma Copa perfeita, vai distância tão grande quanto a que separa o futebol vencedor jogado pelos alemães da bolinha batida pela seleção do agora ex-técnico Luís Felipe Scolari.

O Brasil foi escolhido em outubro de 2007 para sediar o torneio. Nestes quase sete anos, teve todas as condições de transformar a oportunidade de abrigar uma Copa num motor de realizações, numa usina de produção de benefícios duradouros para a população brasileira. Os resultados não passam nem perto disso.

Os balanços da Copa devem se basear no cotejo entre aquilo que o governo se comprometeu a fazer e o que efetivamente fez até o torneio. O levantamento mais completo é o que foi feito pela Folha de S.Paulo no primeiro dia em que a bola rolou nos gramados brasileiros.

Dos 167 compromissos assumidos em 2010, apenas 53% foram finalizados a tempo do Mundial. Outros 41% estavam incompletos e seriam concluídos durante ou, na maior parte dos casos, depois da Copa. Um mês antes, também a Folha havia apontado que somente 10% das obras de mobilidade prometidas haviam sido concluídas.

A promoção do torneio custou mais caro que o previsto, chegando a R$ 26 bilhões, dos quais 84% saíram de cofres públicos via orçamentos ou linhas de crédito liberadas por instituições federais, segundo o Valor Econômico. Os gastos especificamente com estádios triplicaram em relação ao informado à Fifa.

Para garantir melhor desempenho durante o torneio, a organização brasileira também teve que se valer de esquemas especiais, como a escalação de homens do Exército para policiar vias públicas ou a decretação de feriados para esvaziar as metrópoles em dias de jogos. Teve, portanto, que recorrer ao improviso.

Passada a Copa do Mundo, cabe ao governo de turno responder por que não entregou o que prometeu. Cabe, ainda, explicar à população os motivos de ter feito tanto esforço para bem atender o público internacional durante 32 dias de festa e não exibir a mesma dedicação cotidiana para tornar o dia a dia de 200 milhões de brasileiros melhor. O fim dos jogos é só o início desta prestação de contas.

Membros da campanha de Aécio criticam balanço da Copa

• Aloysio Nunes e José Agripino consideram que o evento foi utilizado para a campanha da petista

Débora Álvares - Agência Estado

Integrantes da campanha de Aécio Neves (PSDB), principal adversário da presidente Dilma Rousseff nas eleições deste ano, criticaram há pouco a cerimônia balanço da Copa do Mundo realizada esta tarde. O vice na chapa tucana, Aloysio Nunes, e o coordenador geral da campanha, José Agripino (DEM-RN), classificaram o evento que contou com a participação de 16 ministros como "uso da máquina pública" para campanha.

"Ela não tem legitimidade para falar sobre desempenho da Copa. No caso dos aeroportos, por exemplo, ela aderiu às concessões porque sabia que não daria conta de entregar o que prometeu, o que precisava ser feito", avaliou Agripino, para quem a transmissão da cerimônia de hoje pela NBR configura claro uso da máquina pública em favor da campanha petista.

O mesmo raciocínio é defendido por Aloysio Nunes, que complementa: "Ela (Dilma) tem feito isso sistematicamente, mas acho que não pega. É um esforço público jogado fora. Ficaria melhor para ela governar", afirmou o vice de Aécio na disputa presidencial.

O coordenador da campanha tucana garantiu que o assunto Copa está superado e não terá mais espaço nos discursos de Aécio. "Eles (PT) querem provocar um debate, mas não vai colar", disse Agripino. Para o senador, a avaliação do governo da presidente Dilma "pode ser medido pela manifestação do público nos estádios" - ontem, a petista voltou a ser alvo de vaias e xingamentos durante a partida de encerramento do mundial e ao longo da cerimônia de entrega do prêmio aos melhores jogadores.

A crítica foi reiterada por Aloysio, que invocou a comparação que a própria presidente Dilma se fez. "Ela é padrão Felipão". O senador também dá finalizada as menções ao mundial. "A Copa foi boa não por causa da Dilma, mas do povo, dos jogadores, do futebol. Há um gasto generalizado nas obras e estádios superdimensionados, uma inflação. Mas não é hora de fazer uso disso", finalizou.