quarta-feira, 3 de maio de 2023

Luiz Gonzaga Belluzzo* - De Ponte Preta aos Campos dos Robertos

Valor Econômico

Campos foi um desenvolvimentista sem saber, a despeito de suas preferências intelectuais e ideológicas

No dia do aniversário de 23 anos de nosso valoroso Valor presto uma homenagem ao jornal: dou início à minha peregrinação nos labirintos da economia guiado por um conto de Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, uma figura excelsa da literatura brasileira. Esse conto está publicado no livro Febeapá - O Festival de Besteiras que Assola o País. O título não deixa dúvidas a respeito do “espírito da época”: “ O General Taí”.

Com seu estilo irreverente, Ponte Preta nos apresenta o personagem Genésio e suas peripécias na posteridade do golpe de 1964. “Genésio adaptou-se à nova ordem com impressionante facilidade e chegou a ser um dos mais positivos dedos-duros no ministério. Com isso, Genésio conseguiu certo prestígio junto à administração. Quando veio a tal política financeira do dr. Campos (o avô do Neto), foi dos primeiros a aplaudir a medida.

Num desses coquetéis de gente bem, onde foi representando o diretor do departamento, aproveitou um hiato na conversa, para falar bem alto, a fim de ser ouvido pelo maior número possível de testemunhas:

- A política de contenção do dr. Roberto (o avô do Neto) é simplesmente gloriosa! Breve até as classes menos favorecidas estarão aplaudindo a medida. Todos ouviram e, como tava todo mundo com o traseiro encostado na cerca, naqueles dias (e muitos estão até hoje), ninguém contestou.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Linha de crédito para Argentina desperta ceticismo

O Globo

É difícil enxergar as vantagens para o Brasil — e muito fácil vislumbrar o risco de calote

O presidente argentino, Alberto Fernández, saiu ontem de Brasília com um bom motivo para demonstrar apreço pelo parceiro Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio a abraços e cumprimentos calorosos, entrou na pauta o financiamento do BNDES ao comércio entre os dois países, por meio de um mecanismo que evite pagamento em dólar. Para a Argentina, a linha de crédito aliviaria a pressão num momento de inflação em disparada e escassez de divisas. Para o Brasil, é difícil enxergar as vantagens — e fácil vislumbrar o risco de calote.

É verdade que não faltam motivos para nos preocuparmos com a situação do país vizinho, terceiro maior mercado para exportações brasileiras. No ano passado, as vendas somaram US$ 15,3 bilhões, grande parte produtos industrializados (um diferencial na comparação com outros países para os quais exportamos produtos primários). Várias empresas, em especial multinacionais, mantêm produção integrada nos dois países de olho no Mercosul. Diferentes componentes cruzam a fronteira nos dois sentidos. Por isso qualquer solavanco na Argentina afeta o Brasil.

Teatro | Denise Fraga - Galileu Galilei (Bertolt Brecht) - Trecho

 

Música | Hamilton de Holanda, Diogo Nogueira e Silvia Perez Cruz - "Dança da Solidão" (Paulinho da Viola)

 

terça-feira, 2 de maio de 2023

Merval Pereira - Interesses de cada um

O Globo

Governo precisa dar o exemplo cortando custos de uma máquina pública inchada, para contribuir com o equilíbrio fiscal

O presidente Lula, no afã de cumprir promessas de campanha mirabolantes (dar condições de os pobres comerem picanha todo dia é bom exemplo), busca soluções heterodoxas para financiar seu programa de governo, já que cortar custos não faz parte do seu dicionário.

Ao juntar na mesma Medida Provisória a atualização da tabela de isenção do Imposto de Renda e a taxação de grandes fortunas no exterior e ao anunciar a correção do salário mínimo acima da inflação, ele procura materializar suas promessas populistas que encontram dificuldades de ser implementadas pela debilidade de nossa economia.

Jogou para o Congresso a responsabilidade de aprovar as medidas, que já estão valendo, deixando aos parlamentares a tarefa ingrata de, recusando-as, serem os culpados diante da opinião pública ao impedirem que o governo coloque “o pobre no Orçamento e os super-ricos no Imposto”, como lembrou o secretário executivo do ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo.

Míriam Leitão - Plataformas contra a lei

O Globo

O projeto ficou sob intenso ataque no final de semana, inclusive das plataformas digitais, e pode nem entrar em votação nesta terça-feira

O PL 2630 passou o fim de semana e o feriado sob ataque. Mas o pior deles foi o feito pelas plataformas, especialmente o Google. Fizeram anúncios contra, e até aí tudo bem, é do jogo democrático, mas bloquearam e reduziram o alcance dos perfis e dos posts que são a favor do projeto que regula a comunicação digital no Brasil, o chamado PL das Fake News.

– Isso é censura. É a plataforma decidindo o que vale e o que não vale no debate público na definição de uma política pública, no país que nem é o país-sede das plataformas. É abuso de poder – afirmou Nina Santos, especialista em comunicação digital, e representante da Sala de Articulação contra a Desinformação.

Doutora pela Universidade de Paris, Nina Santos faz pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital e tem acompanhado em detalhes a tramitação do projeto da regulação das plataformas digitais. O alerta que ela faz contra a atitude de interferir no debate é gravíssimo. Publicar anúncio defendendo a posição das plataformas é normal, mas usar o fato de que controlam as ferramentas para calar as vozes das quais discordam é inaceitável.

– Eles estão bloqueando anúncios a favor do PL 2630. Bloquearam, no domingo, o anúncio do Sleeping Giants no Youtube. Tem um perfil chamado “Regular para proteger", uma campanha da Avaaz, que foi bloqueado no Twitter. É enfim, uma série de bloqueios, além da diminuição do alcance das postagens a favor da regulação. O alcance está caindo brutalmente — alertou Nina Santos.

Gustavo Binenbojm - Remédio e veneno nas redes sociais

O Globo

Discussão da regulação avança no Congresso Nacional, mas precisamos nos vacinar contra a tentação da censura

O Projeto de Lei 2.630/2020, aprovado no Senado, tramita na Câmara dos Deputados em regime de urgência e caminha a passos largos para possível aprovação. Os ataques às sedes dos Poderes em 8 de janeiro, urdidos livremente nas plataformas digitais, e os crimes bárbaros contra escolas, viralizados em grupos de mensagens, precipitaram a agenda do Parlamento brasileiro no enfrentamento de questões sobre as quais o mundo está debruçado. Não são triviais, nem há uma bala de prata redentora. As soluções propostas apresentam trade-offs claros que precisam ser sopesados antes da decisão final.

Foi-se o tempo em que teóricos da comunicação, como Manuel Castells ou Eugênio Bucci, acreditavam na neutralidade das redes. Sabe-se hoje que algoritmos sofisticados interferem decisivamente no que vamos ler, ver e ouvir, induzindo comportamentos de consumo e posturas existenciais mais amplas. A curadoria de conteúdos está longe de equiparar-se a uma varredura desinteressada sobre o mérito das discussões. Exclui ou enfatiza pontos de vista que potencializam a capacidade da plataforma de atrair atenção e, por conseguinte, gerar lucros. Por fim, os conteúdos impulsionados mediante pagamento e campanhas maciças de desinformação, promoção de ódio, violência e ataques à democracia colocam em xeque o modelo de negócios baseado na pura autorregulação privada. Ela parece ter falhado ou, ao menos, revelou-se insuficiente.

Luiz Carlos Azedo - O que é como antes no mundo do trabalho

Correio Braziliense

O trabalho avulso remunerado pela via dos aplicativos é uma realidade, porém não absorve o exército de desempregados e subempregados formado a partir da redução de seus postos de trabalho

O pior já passou, com o resgate da democracia e das políticas sociais após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ninguém se iluda: ainda vivemos tempos sombrios, de radicalização e totalitarismo, em contraposição à amizade e ao humanismo, como diria a filósofa judia alemã Hanna Arendt. Como há um século, o fenômeno nos remete ao fascismo e à guerra, tendo novamente como palco central a Europa. Novo é o contexto em que isso ocorre, de mudanças sem precedentes, impulsionadas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial, que às vezes parecem opor o trabalho e o progresso à centralidade da democracia, o que é uma das raízes do totalitarismo.

Por óbvio, o pano de fundo dessas reflexões é o Primeiro de Maio, comemorado ontem por trabalhadores de todo o mundo. No Brasil, proposta pelas centrais sindicais, a relação entre o trabalho e as redes sociais migrou da agenda sindical para a de governo, às vésperas da votação na Câmara do substitutivo do deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) que regulamenta a atuação das big techs, projeto vulgarmente chamado de Lei das Fake News, prevista para hoje. O presidente Lula criou um grupo de trabalho dentro do governo para discutir propostas de regulamentação do trabalho por aplicativos e de um plano nacional de igualdade salarial entre mulheres e homens.

Cristovam Buarque* - E agora, Cabral?

Correio Braziliense

Em abril, fez 523 anos que os marujos de Pedro Álvares Cabral deram os primeiros passos oficiais de europeus nas terras que viriam a se chamar Brasil. Desde aquelas primeiras marcas nas praias até hoje, ocupamos 8,5 milhões de km², habitados por 220 milhões de pessoas; nos transformamos no 5º maior e no 6º mais populoso país do planeta, com uma economia entre as dez maiores. Não fizemos feio, mas e agora, Cabral?

Por 350 anos, mantivemos um sistema escravocrata que serviu de base à economia e à sociedade, e nos deixou fósseis sociais na pobreza, no racismo, na baixa produtividade, na aceitação da desigualdade, no desprezo à educação do povo. Mantemos até hoje a semiescravidão com 10 milhões de adultos analfabetos, uma indecente concentração de renda, um quadro social em que metade da população sobrevive na pobreza e na penúria da fome, com insalubridade e violência; e em um sistema educacional com escolas senzalas para os pobres e escolas casa grande para os filhos dos ricos.

Carlos Andreazza - Maltrata quem te adora

O Globo

“Presidente da Câmara não é um agregado. Ele é um parceiro.” Traduza-se: não é anexo; pode ser sócio.

O GLOBO de domingo trouxe entrevista com Arthur Lira. Que comunica: a forma como o governo tenta erguer coalizão não funcionará.

Para quem ainda tivesse dúvida sobre a inviabilidade do modelo de constituição de base via oferta de ministérios: “Está comprovado que não vai dar certo”.

É o presidente da Câmara quem afirma-informa, transparente como deveriam ser as distribuições do Orçamento.

“As emendas resolvem isto sem ser necessário um ministério.” Significado de “isto”: governabilidade. Elmar Nascimento, federação lirista no União Brasil, já desenhara: cargo é para cúpula, coisa de elite; o baixo clero quer dinheiro na ponta. Libere e ande uma casinha.

Andrea Jubé - Jogos, trapaças e CPIs fumegantes

Valor Econômico

Presidente da Câmara, Arthur Lira, quer discutir a relação entre Legislativo e Executivo direto com Lula

A semana começa em ebulição com a tonitruante entrevista do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), alertando que a relação do governo com o Congresso não é de “satisfação boa”. Sem rodeios, ele acrescentou que a articulação política está desorganizada, e que embora integrantes da base aliada estejam à frente de ministérios, o que interessa mesmo aos parlamentares são as emendas.

Lê-se a política nas entrelinhas, mas poucas vezes um presidente da Câmara mandou recados claros como o céu de Brasília em maio. A consequência foi imediata: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com Lira já nesta terça-feira para tratarem dos ruídos na relação.

Luiz Schymura* - Desafios para alcançar a disciplina fiscal

Valor Econômico

Como chegar ao equilíbrio em uma sociedade necessitada de aporte de recursos na infraestrutura social e física?

Na pauta econômica, a principal preocupação de parte expressiva dos formadores de opinião e das lideranças políticas é a solvência das contas públicas. Mas um grande desafio permanece: como alcançar o equilíbrio fiscal em uma sociedade necessitada de aporte de recursos na infraestrutura social e física? Tendo em vista esse impasse, não à toa, o novo arcabouço fiscal ocupa a centralidade nas discussões atuais sobre a política econômica brasileira.

Após seis anos de vigência da Emenda Constitucional do teto dos gastos (EC 95/16) - que, grosso modo, restringe o crescimento das despesas públicas à variação da inflação -, ficou claro que a realidade sociopolítica do país torna a regra inexequível. A verdade é que o teto vem perdendo sua funcionalidade. A prova cabal é a aprovação de ECs que inflaram os dispêndios públicos. Exemplos notórios são as Emendas Constitucionais dos precatórios (EC 117/21), do combate à alta do preço dos combustíveis (EC 123/22) e da transição (EC 126/22).

Eliane Cantanhêde – O preço da liderança

O Estado de S. Paulo

Quanto custa a busca de Lula por liderança regional e protagonismo mundial?

Ao desembarcar em Brasília nesta terça-feira, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, vai ajudar bastante a responder a uma pergunta que não quer calar: quanto vai custar a recuperação da liderança do Brasil e de Lula na América do Sul, fundamental para a ambição de algum protagonismo global?

Fernández desistiu de concorrer à reeleição e chega num momento de desespero na Argentina, com o dólar valendo mais de 400 pesos e uma inflação de mais de 100%, a maior em 30 anos. É uma viagem de emergência, não vai sair barata para o Brasil e depois tem mais.

As reuniões de hoje terão Lula, Fernández e a equipe econômica. As orelhas do BNDES vão arder. Ele vai ser chamado a financiar empresas brasileiras que exportam para a Argentina, que já raspou o fundo do tacho de suas reservas e terá de fazer contorcionismos para dizer como, e se, vai pagar a dívida.

Paulo Hartung* - Brasil: um novo início

O Estado de S. Paulo

Sob gigantesca sombra de equívocos e arrastando correntes de obsolescências, marchamos rumo ao futuro de costas para ele

Em sua clássica reflexão sobre o tempo, Santo Agostinho concluiu que, nas sucessivas durações finitas que compõem o existir, temos apenas o presente, formulando que “talvez fosse próprio dizer que os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das presentes, presente das futuras”.

O recurso a Santo Agostinho e seu avassalador conceito sobre a temporalidade humana aqui se faz especificamente para nos referirmos à encruzilhada em que se teima aprisionar o Brasil: com olhos no retrovisor, no mapa da polarização reinante, lamentavelmente, muitos dos rumos apontam para retrocessos. Ou seja, tanto a “visão presente das coisas presentes quanto a esperança presente das coisas futuras” estão de alguma sorte amarradas à “lembrança presente das coisas passadas”.

Hélio Schwartsman - Humano, demasiado humano

Folha de S. Paulo

Computadores, ao papagaiar nossas instanciações, acabam reproduzindo nossos vieses

Os não tão novos se lembrarão de quão ruins eram os primeiros programas de computador que se propunham a traduzir textos de um idioma para outro. Muita coisa não fazia sentido e, do que fazia, grande parte estava simplesmente errada. Línguas naturais encerram uma carga quase proibitiva de ambiguidades e polissemias. O panorama começou a mudar quando os programadores abandonaram a estratégia linguisticamente mais intuitiva de traba lhar em cima de listas de palavras (dicionário) combinadas com as regras sintáticas e partiram para a força bruta.

Alvaro Costa e Silva - O golpismo nas mídias sociais

Folha de S. Paulo

Com Bolsonaro investigado, parlamentares da extrema direita assumem o trabalho da mentira

Como doença insidiosa, o plano autocrata de Bolsonaro foi se infiltrando aos poucos nas instituições. Dentro do governo, no Congresso, nas Forças Armadas, nos órgãos do Judiciário (inclusive o STF), na PGR, nas polícias de maneira geral, nas agências de inteligência e fiscalização, nas administrações estaduais e municipais aliadas, nos meios de comunicação. Pode-se dizer que foi uma ação constante e sem alarde, tentando manter uma aparência de normalidade republicana —a famosa "moderação". Era o fascismo (ainda) envergonhado.

O segundo mandato completaria o processo. Como a sociedade e as próprias instituições sob ataque reagiram e a reeleição não veio, apesar das tentativas de manipulação do voto, encenou-se o enredo golpista às claras, culminando com a invasão e depredação dos prédios dos três Poderes, a intentona bolsonarista de 8/1, hoje negada pelos terraplanistas.

Dora Kramer - Transgressão premiada

Folha de S. Paulo

Consignou-se que deputados e senadores podem infringir à vontade as regras

O ato de mentir não é um mal em si. Vai do exercício da boa educação até a prática de crueldade ou da mera desonestidade, passando às vezes pela demonstração de generosidade. A mentira anda de braço dado com a humanidade desde sempre.

Portanto, o projeto de lei que trata da circulação de notícias falsas cujo início de discussão na Câmara está marcado para esta terça-feira (2), não aborda assunto a respeito do qual nada se saiba. Na política há intimidade, excessiva até, com o tema. A novidade é o meio, as redes digitais onde a maioria ainda engatinha.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Aprovação do PL das Fake News será avanço civilizatório

O Globo

Em vez de usinas de desinformação, ódio e violência, redes sociais serão corresponsáveis pelo que veicularem

Se confirmada hoje a aprovação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei (PL) das Fake News, a sensação não será apenas de júbilo, mas também de perplexidade. Por que demorou tanto? As plataformas digitais donas das redes sociais e aplicativos de mensagens abusam há anos da paciência de todos. Cúmplices, permitiram a proliferação de ódio e desinformação afetando diferentes esferas — dos direitos humanos à saúde pública, da segurança nas escolas à democracia.

Sob o argumento falacioso de defenderem a liberdade de expressão, elas permitiram que eleições fossem manipuladas por mentiras, campanhas de vacinação boicotadas por teorias conspiratórias e assassinos adestrados por racistas, neonazistas e outros extremistas. A cada nova onda de desinformação, a cada novo massacre em escola, ficava evidente que havia algo de errado. E as plataformas pouco — se algo — faziam em prol do bem comum. Daí a necessidade de uma regulação mais dura.

A principal novidade do PL é torná-las corresponsáveis pelas consequências do que fizerem circular em suas redes. O texto do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), acaba com a isenção garantida pelo artigo 19 do Marco Civil da Internet. Se aprovado, as plataformas deverão ter um “dever de cuidado” com o ambiente digital, do contrário terão de arcar com sanções judiciais. Na prática, isso significa que continuarão a moderar conteúdo, mas com uma diferença crucial: até agora, fazem isso de acordo com regras que elas próprias inventam e com empenho tíbio. Quando a lei entrar em vigor, após aprovação no Senado e sanção presidencial, terão de seguir a legislação à risca, sobretudo no que diz respeito a democracia, pluralismo, liberdade de expressão e religiosa, privacidade, saúde pública e direitos humanos.

Poesia | Fernando Pessoa - Se eu pudesse

 

Música | Casuarina - Rosa Morena

 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

No presente, uma agenda para o futuro - Vários autores (nomes ao final do texto)

Folha de S. Paulo

É estratégico gerar crescimento com desenvolvimento socioambiental

Nesta segunda-feira (1º), Dia do Trabalhador, celebramos lutas históricas e apresentamos as prioridades para o ano de 2023. Desde o século 19, a trajetória mundial da mobilização sindical incide sobre o mundo do trabalho, gerando empregos, aumento de salários e direitos e proteções sociais, trabalhistas e previdenciárias, além de atuar para fortalecer as democracias.

No Brasil, o 1º de Maio deste ano tem uma mística diferente da que vivemos nos últimos anos. A vitória sobre o fascismo abriu a possibilidade de colocar o país em uma trajetória virtuosa de crescimento econômico, sustentada pelos investimentos púbico e privado, pela inovação e incremento da produtividade, pelo aumento da renda e do poder de consumo das famílias e com geração de empregos de qualidade.

É urgente e estratégico gerar crescimento econômico com desenvolvimento socioambiental. Para isso, será preciso articular uma política econômica com esse objetivo, algo oposto às extorsivas taxas de juros praticadas pelo Banco Central, que paralisam a atividade produtiva e inviabilizam as empresas. O Brasil precisa acelerar seu crescimento e, para tanto, é urgente baixar a altíssima taxa Selic, promover uma política de industrialização verde e digital e expandir as políticas sociais —tudo orientado por metas de emprego, redução das desigualdades e superação da pobreza.

Ana Cristina Rosa - 1º de Maio: comemorar o quê?

Folha de S. Paulo

Desemprego segue afetando os mais vulneráveis, em especial mulheres, jovens e negros

O Brasil e os brasileiros têm muito a refletir neste 1º de Maio, Dia do Trabalho ou do Trabalhador.

Podemos começar pelo recorde de casos de trabalho análogo à escravidão —eufemismo para escravização contemporânea. No primeiro trimestre deste ano, quase mil pessoas foram resgatadas em condições de trabalho degradante, indigno, exaustivo, servil.

É um escárnio para uma sociedade que se pretende livre, justa e democrática.

A maioria dos casos foi registrada em Goiás e no RS, no célebre episódio envolvendo as vinícolas Aurora, Salton e Garibaldi —que, parênteses, já foram perdoadas e retornaram ao projeto setorial Brazil Wines, do qual haviam sido temporariamente suspensas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Mas o problema é generalizado, ocorre também em grandes cidades, como se viu na montagem do festival Lollapalooza, em São Paulo.

Entrevista | Jairo Nicolau: Foco em Lula x Bolsonaro esconde transformação radical do sistema político

Uirá Machado / Folha de S. Paulo

Para cientista político Jairo Nicolau, mudanças no país deixam quadro aberto para 2026

Uma mudança silenciosa está em curso na política brasileira. Quando ela terminar, o quadro partidário lembrará pouco o de alguns anos atrás. Seu impacto será profundo, a ponto de tornar ainda mais incertas as projeções para a disputa presidencial de 2026.

"Ela não aparece para nós, pessoas comuns que acompanham a política, porque a gente está o tempo todo olhando para a disputa congressual, para petismo e antipetismo", diz o cientista político Jairo Nicolau.

"A gente está o tempo todo olhando para [Jair] Bolsonaro [PL] versus [Luiz Inácio] Lula [da Silva, PT], mas por baixo está acontecendo uma transformação radical do quadro partidário brasileiro", continua.

Fruto de reformas eleitorais aprovadas nos últimos anos, o número de partidos vai diminuir, e o tamanho deles, aumentar. Esquerda e direita precisarão se reorganizar, e o centro, renascer.

Em paralelo, a sociedade brasileira também se mexe: a população envelhece, o eleitorado feminino cresce, a escolaridade se amplia; urbanização, desindustrialização e religião avançam. "Quem olha para o Brasil de 2003 e o de 2023 encontra um país muito diferente", diz Nicolau.

Em entrevista à Folha, ele analisa quais dessas mudanças beneficiam Bolsonaro e explica por que evita o termo "bolsonarismo".

Marcus André Melo* - Crise da democracia?

Folha de S. Paulo

Mais um estudo mostra que a noção de morte da democracia não se sustenta

Muitos analistas afirmam em tom apocalíptico que a satisfação com a democracia entrou em colapso, a confiança em políticos, partidos e governos ruiu, e o sentimento populista explodiu. "Tudo isso soa assombroso. Mas pelo menos no que se refere às atitudes e preferências do cidadão europeu comum nada disso é verdadeiro." A conclusão é de Larry Bartels em "Democracy erodes from the top: leaders, citizens and the challenge of populism in Europe" (Princeton, 2023).

Referência central na área de opinião pública e teoria democrática, Bartels examina as tendências em 23 países europeus (350 mil entrevistados), entre 2000 e 2019 —período no qual teria ocorrido mudança nas atitudes e nas preferências do eleitorado. Encontra imensa estabilidade global e volatilidade isolada; mas alerta que os casos discrepantes recebem destaque desproporcional. O argumento que movimentos de opinião pública não são preditores de crise da democracia também foi defendido por Adam Przeworski, ao lembrar que, seis meses antes do golpe de Pinochet, 73% dos chilenos eram contra a medida.

Lygia Maria - Militância sem graça

Folha de S. Paulo

Sob pretexto de defesa das minorias, cruzada contra o humor é, na verdade, manifestação de tirania

Há por aí uma cruzada contra o riso. Humoristas como Ricky Gervais e Dave Chappelle já notaram o problema. "Essa guerra contra as piadas precisa acabar", afirmou o comediante Bill Maher em seu programa da HBO, após relatar diversos casos de cancelamentos de colegas de profissão —e muito pode ser dito sobre esses três, menos que são conservadores de direita.

O mais curioso, para não dizer absurdo, é o fato de que a turba indignada em nada se parece com velhinhas carolas ou milicos golpistas. Na verdade, são ditos progressistas com curso superior. Como disse Maher, "antes, os jovens iam para faculdade para perder a virgindade; hoje, vão para perder o senso de humor".

Edu Lyra - Luz na escuridão das favelas

O Globo

O brasileiro que vive na extrema pobreza sente uma força irresistível puxando-o para baixo

Buracos negros são algumas das estruturas mais fascinantes do Universo, sobre as quais a ciência ainda tem muito a descobrir. Sabemos que eles têm um campo gravitacional tão poderoso que nada escapa de sua atração, nem mesmo a luz. Daí que um buraco negro apareceria a um hipotético observador como uma enorme bola de escuridão perdida na infinitude do Cosmo.

No universo social, o barraco da favela funciona como um buraco negro em miniatura. A comparação pode parecer dramática, mas desconheço imagem mais adequada para fazer com que nossas elites entendam o poder paralisante que a extrema pobreza tem sobre a vida de um indivíduo.

Quando entramos na favela, deparamos com moradias precárias, construídas pelos próprios moradores com materiais que conseguiram juntar: tábuas e restos de caixotes, lonas, telhas. Material recolhido das ruas, das caçambas de entulho, dos lixões e dos terrenos baldios.

Os barracos são pequenos, insalubres, sem ventilação. Alguns têm chão de terra batida. Vários estão em áreas de risco, ocupadas clandestinamente e sujeitas a enchentes ou deslizamentos.

Fernando Gabeira - Caminhos da saúde mental no Brasil

O Globo

Acho maravilhoso como o conhecimento derruba preconceitos. Antes o TEA era visto como uma doença

Outro dia, falando dos ataques às escolas, Lula disse uma frase meio atravessada sobre doentes mentais. Houve polêmica nas redes. Mas, para mim, foi apenas um acidente de percurso, pois este governo tem muita chance de realizar uma avançada política de saúde mental no Brasil.

Desde a transição o tema é discutido. Uma das propostas mais amplas é completar a reforma antimanicomial, criando mais centros de atenção psicossocial ao longo do país.

A reforma foi aprovada em lei em 2001. Acabar com os manicômios e inaugurar uma forma de tratamento mais humano era o sonho nos anos 1960, inspirado por uma das grandes figuras daquela época em que fervilhavam novas ideias: o italiano Franco Basaglia.

O projeto brasileiro é de autoria de Paulo Delgado, do PT de Minas Gerais. Seu irmão Pedro foi um dos grandes inspiradores da reforma no Brasil. Estava no Congresso nesse período. Lembro-me de ter feito algumas incursões em manicômios, Juqueri, Barbacena, para a Comissão de Direitos Humanos.

Demétrio Magnoli - Xi Jinping, entre Moscou e Berlim

O Globo

Não interessa ao governante chinês associar-se a Putin numa guerra sem fim

A China rompeu a inércia. A conversa telefônica entre Xi Jinping e Volodymir Zelensky — concluída pela nomeação de um “enviado à Ucrânia e a outros países” com a missão de promover uma solução política para a guerra — muda as regras do jogo. A iniciativa pode ser interpretada como, apenas, um expediente destinado a congelar o cenário militar às vésperas da aguardada contraofensiva ucraniana. Contudo parece indicar bem mais que isso.

Segundo uma tese largamente difundida, interessaria à China o prolongamento da guerra. Por essa via, Xi almejaria ossificar a aliança desigual sino-russa e provocar fissuras crescentes entre Washington e seus aliados europeus da Otan, que sofrem as consequências da crise de oferta energética. A visita do francês Emmanuel Macron à China seria prova de que o tempo pesa favoravelmente à potência asiática, ainda mais diante da aproximação de uma perigosa eleição presidencial nos Estados Unidos.

O raciocínio ignora o objetivo econômico estratégico chinês de conservar acesso ao mercado consumidor europeu. O ambicioso projeto chinês Belt and Road (ou Nova Rota da Seda) destina-se a conectar a Ásia Oriental à Europa, o que inspirou analistas cínicos a batizá-lo como Ferrovia Pequim-Berlim. As relações sino-europeias tornaram-se ainda mais vitais, para os dois lados, diante do nacionalismo econômico americano promovido tanto por Donald Trump quanto por Joe Biden. As extensas restrições impostas pelos Estados Unidos à indústria chinesa de semicondutores não deixam a Xi a alternativa de perder a Europa.

Carlos Pereira – O escudo da fragmentação

O Estado de S. Paulo

Fragmentação partidária modera governos e evita saídas extremas e/ou iliberais

Com um número muito alto de partidos, o “Brasil é ingovernável”. Os partidos políticos brasileiros são fracos e não representam os eleitores. Não têm ideologia nem programa. Uma democracia sustentável em um sistema presidencialista com tal fragmentação partidária é “simplesmente impossível de governar”.

Se, por um lado, a fragmentação partidária pode ser considerada o “vilão para a governabilidade”, por outro lado, pode funcionar como um antídoto institucional endógeno contra iniciativas iliberais e antidemocráticas de presidentes populistas, especialmente em ambientes políticos polarizados.

Essa é a conclusão que a pesquisa de Allen Hicken e seus coautores oferecem no livro Why Democracies Develop and Decline, editado por Michael Coppedge, Amanda Edgell e Carl Knutsen (2022).

Os autores não encontram evidência empírica robusta de que o presidencialismo correria mais riscos democráticos em ambientes multipartidários ou mesmo hiperfragmentados, como se costumava acreditar até recentemente. Muito pelo contrário. Concentração de poder seria uma ameaça muito maior à estabilidade democrática.

Entrevista | Simone Tebet: Copom não terá mais desculpa para não baixar o juro após aprovação do arcabouço em junho

Por Maria Cristina Fernandes, Valor Econômico

Em entrevista ao Valor, ministra diz que "a cada condição que o BC coloca e a gente vai resolvendo, eles vão colocando outras. Vão colocar mais o quê?”

Simone Tebet entrou no governo determinada a convencer os colegas de ministério de que sua missão no Planejamento não era a de uma liberal vocacionada a tesourar o gasto social. Na quinta-feira da semana passada, ao participar da audiência, no Senado, ao lado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foi para cima. Usou a metáfora da dose que diferencia o remédio do veneno para dizer que a taxa de juro de 13,75% encaixava a política monetária nesta segunda condição.

Entrevista No dia seguinte, em entrevista ao Valor, a ministra do Planejamento deu um passo adiante. Disse que a aprovação do arcabouço fiscal em maio, na Câmara, e na primeira semana de junho, no Senado, deixará o BC sem alternativa: “Não terá mais desculpas para não baixar o juro no Copom, nem que seja 0,25 ponto percentual. A cada condição que o BC coloca e a gente vai resolvendo, eles vão colocando outras. Vão colocar mais o quê?” Após o encontro da semana que vem, o Copom vai se reunir em 20 e 21 de junho e depois em 1 e 2 de agosto.

A origem no agronegócio e a filiação no MDB lhe dão liberdade para ser ainda mais incisiva que Haddad, que precisou superar os estigmas do petismo para se impor junto aos agentes financeiros. A intimidade adquirida com o Judiciário e com os atuais líderes da oposição quando presidiu a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a norteia para trafegar nos impasses surgidos nos tribunais e no Congresso durante a tramitação das propostas econômicas do governo.

Na semana passada, a previsão, no governo, era de que o placar no julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a exclusão dos benefícios fiscais relacionados ao ICMS da base de cálculo para a tributação federal (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) seria de 7 a 2. A cautelar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, porém, levou à unanimidade do 9 a 0. Com um placar desses, o STF, na avaliação interna do governo, reverterá o entendimento do STJ, crucial para a União amealhar as receitas necessárias à sustentação do arcabouço fiscal. “O Supremo já deu demonstração de que tem o papel de guardião da Constituição passa por uma interpretação mais sistêmica”, diz a ministra.

Simone Tebet não teme que a derrota de uma entidade do setor nessa ação, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), aumente a tensão com os ruralistas. “O ambiente está conflagrado por outras razões. Sou do agronegócio e sei que a tensão tem mais a ver com a invasão de áreas produtivas e com a demarcação de áreas indígenas sem a devida compensação”.

No fim da semana passada, depois de saber que o ex-presidente Jair Bolsonaro compareceria a uma feira de agronegócios, a Agrishow — que perdeu o patrocínio do Banco do Brasil — na comitiva do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, de subir ao mesmo palanque. O governador ligou para Lula na tentativa de se justificar, mas o presidente permaneceu irredutível.

A experiência da ministra na CPI da Covid lhe dá segurança para afirmar que a CPMI dos atos golpistas não mobilizará a população da mesma forma e, por conseguinte, não afetará a tramitação da reforma tributária. “Naquela CPI as pessoas estavam apavoradas e queriam vacina, agora já viraram a página e querem emprego”.

Se a ministra dá por certa a aprovação do arcabouço até junho, acredita que a reforma tributária, para passar, depende de mais negociação política com a Câmara dos Deputados do que do burilamento técnico da proposta. Já haveria, na sua opinião, um grau de consenso consolidado em torno da proposta.

Esse consenso estaria exemplificado na escolha do relator, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), parlamentar que mergulhou no tema nas legislaturas de Rodrigo Maia na Presidência da Casa. Cresce, no governo, a expectativa de que os deputados podem vir a cobrar, dos senadores, celeridade na aprovação da liberalização do jogo aprovada na Câmara na gestão Jair Bolsonaro e paralisada no Senado.

Quatro meses depois de ser empossada no cargo, Tebet diz que a surpresa mais positiva no Executivo foi com o grau de comprometimento dos ministros das pastas de estruturas pequenas, como Anielle Franco (Igualdade Racial), Silvio Almeida (Direitos Humanos) e Cida Gonçalves (Mulheres) em buscar saídas para viabilizar seus projetos. Situa, entre os desafios a serem superados, a conquista da metade do Brasil que não votou em Lula.

A seguir, a entrevista concedida por Simone Tebet ao Valor no escritório da Controladoria Geral da União em São Paulo, no prédio em que também fica a sede do Banco Central na Avenida Paulista, no final da manhã da última sexta-feira.

Marina Velasco* - Consciência moral e ação comunicativa

A Terra é Redonda 

Apresentação à nova edição brasileira do livro de Jürgen Habermas.

Publicado em 1983, pouco depois da Teoria da ação comunicativa, o presente livro de Jürgen Habermas, Consciência moral e ação comunicativa, contém, além de artigos que defendem e ilustram o trabalho das ciências reconstrutivas, o importante texto que assenta as bases teóricas da ética do discurso. Dedicado a Karl Otto Apel, o livro é composto de quatro artigos.

Os dois primeiros, mais breves, baseiam se em palestras proferidas nos dois anos anteriores: o primeiro deles, “A filosofia como guardador de lugar e intérprete”, expõe a proposta de uma divisão de trabalho entre pesquisas empíricas e filosóficas inspiradas na epistemologia genética de Jean Piaget; o segundo, “Ciências sociais reconstrutivas versus compreensivas”, toma como modelo a teoria moral de Lawrence Kohlberg para esclarecer a interpenetração entre as explicações causais e as hipóteses reconstrutivas.

Os artigos terceiro e quarto são os mais ambiciosos, e volumosos, do livro: o longo ensaio no qual expõe o programa de fundamentação da ética do discurso, “Ética do discurso: notas para um programa de fundamentação”, e o outro extenso ensaio, que dá título ao livro, “Consciência moral e ação comunicativa”, no qual Jürgen Habermas tenta levar à prática a divisão de trabalho recomendada entre pesquisa empírica e filosófica com a teoria do desenvolvimento da consciência moral de Lawrence Kohlberg. Assim, as duas tarefas centrais do livro consistem em, de um lado, caracterizar e encaminhar o trabalho a ser realizado pelas ciências reconstrutivas e, de outro, assentar as bases de uma nova ciência reconstrutiva muito importante: a ética do discurso.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Derrapadas de esquerdistas trazem recados para Lula

O Globo

Presidentes de Colômbia, Peru, Chile, Bolívia, Argentina e México enfrentam limites do populismo

Está previsto para hoje um pronunciamento do presidente colombiano, Gustavo Petro, em comemoração ao 1º de Maio. Mesmo que atraia milhares, o evento não mudará a realidade. Petro tem apenas 35% de aprovação e 54% de reprovação. Por diferentes motivos, governos de esquerda que assumiram o poder recentemente na América Latina — na Colômbia, no Peru, no Chile, na Bolívia, na Argentina e no México — vivem momentos de crise. Os exemplos servem de alerta para o Brasil, que trouxe de volta ao poder o esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva.

Eleito em 2022 com a promessa de unir o país, Petro governou por oito meses com apoio de uma coalizão ampla. Na última quarta-feira, ela veio abaixo quando ele exigiu a renúncia de seus ministros. Os indicados por partidos de centro e centro-direita deram lugar a representantes de legendas de esquerda. Incapaz de forjar apoio a sua proposta de reforma do setor de saúde, Petro decidiu dar uma guinada populista, que dificultará ainda mais a formação de maioria no Congresso. Aparentemente ciente disso, ele voltou a apostar na polarização como forma de recuperar o apoio das ruas.

Graziela Melo - Cinco almas, cinco rostos

À

cada alma
um rosto

À primeira
por suposto
o rosto triste
do desgosto

À segunda
alegria
o riso fácil
o riso leve
à luz do dia

Bela alma
doce,
calma...

À terceira
o rosto
cínico,
o rosto
frio...

Música | Teresa Cristina - As forças da Natureza {João Nogueira}