terça-feira, 3 de outubro de 2023

Entrevista | Mariana Mazzucato*: ‘É preciso reinventar o capitalismo, fazer tudo de uma forma diferente’

Para italiana, papel do Estado no século 21 é exigir que setores da economia inovem para alcançar sustentabilidade

Douglas Grava / Folha de S. Paulo

Mariana Mazzucato, 55, não se surpreende ao ver o retorno de políticas de austeridade após a pandemia de Covid ou o aumento da popularidade de novos líderes ao redor do mundo que classificam o Estado como fonte de todos os problemas.

Para a economista italiana, antes de criticar os eleitores que escolhem políticos engajados em destruir o Estado, é preciso que as instituições públicas assumam um novo papel no século 21, fornecendo uma direção e exigindo que todos os setores da economia inovem.

Para se adequar às demandas atuais, é preciso reinventar o capitalismo, diz a professora, que esteve no Brasil na quarta-feira (27), para participar do 10º Congresso Internacional de Inovação da Indústria, realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Mazzucato tem se aproximado do Brasil. Uma das referências para os economistas do PT, em especial de gestores do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) —como Aloizio Mercadante e Nelson Barbosa—, ela participou de seminário da instituição em março.

Em julho, o Ministério da Gestão e a Enap (Escola Nacional de Administração Pública) assinaram acordo com o Instituto da Inovação e Propósito Público da University College London (IIPP/UCL), fundado por ela. O objetivo é a capacitação de servidores, além da inovação na administração pública.

Essa proximidade tem reforçado sua visão de que o país pode ser um ator de destaque.

O presidente Lula tem defendido no exterior o papel do Brasil como protagonista de um futuro de desenvolvimento sustentável. Como colocar suas palavras em ação?

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Vantagem da Zona Franca desvirtua reforma tributária

O Globo

Proposta de sobretaxar, no resto do país, produtos fabricados em Manaus será prejudicial para a economia

A reforma tributária, em análise no Senado, tem como objetivo simplificar a complexidade das regras de impostos, um freio ao desenvolvimento do Brasil. Prevê a substituição de cinco tributos por dois: o CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal). Cria, além deles, um terceiro: o Imposto Seletivo, cujo objetivo é inibir o consumo de mercadorias e serviços prejudiciais à saúde, à segurança ou ao meio ambiente, caso de álcool, cigarro ou armas. A proposta também tenta manter intacta uma das maiores distorções tributárias do Brasil, a Zona Franca de Manaus.

Criada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957, a Zona Franca tinha nos primeiros anos o objetivo de ser um porto livre voltado a armazenar e beneficiar produtos do exterior. Dez anos depois, na ditadura militar, tornou-se um centro industrial à custa de incentivos fiscais. O prazo inicial para as vantagens era 1997. Elas foram depois estendidas. Em 2014, uma Emenda Constitucional prorrogou a Zona Franca até 2073. O texto da reforma tributária aprovado na Câmara prevê manter o “diferencial competitivo assegurado à Zona Franca de Manaus”.

Poesia | "Obrigado", por Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Caetano Veloso, Moreno Veloso - Trem das Cores

 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Paulo Fábio Dantas Neto* - Senso comum, fábulas e juízo político nos três poderes

Este artigo girará em torno da seguinte pergunta de fundo: no Brasil atual, riscos de deslegitimação de poderes constituídos existem pela ação de uma extrema-direita fora do poder e posta na defensiva por isolamento político e acuamento policial, ou mais por exercício imprudente dos poderes por quem legitimamente os detém? Algumas impressões passeiam pelo senso comum e sujeitam-se a verificação.

O Poder Legislativo – com destaque para a cúpula da Câmara dos Deputados e seus aliados políticos – pratica um fisiologismo paroquial que, sendo precificado e naturalizado, comete abusos corporativos desafiadores da paciência dos eleitores. O Poder Executivo reorganiza-se, institucionalmente, depois de um desmonte, mas o seu timoneiro é conivente com o fisiologismo, além de ser dado a flertes populistas. E o Poder Judiciário, esse parece ter umbigo de mel. Ocupa, agora, a sua mais alta posição, alguém que se julga legítimo representante da sociedade para liderar um pacto pacificador, exatamente porque não é político e garante não ter aspirações políticas. Em geral, quem não critica a ideia, duvida.

A juízos negativos de senso comum correspondem contrassensos positivos, fabricados com o mesmo imoderado descuido. O Legislativo, bunker do pragmatismo político, seria fiador natural da governabilidade democrática do país; o presidente Lula seria o estadista do social, encarnação da causa da igualdade, cuja missão é usar sua energia descomunal para fazer contraponto à mesquinha política “das elites deste país”; e o Judiciário seria o zagueiro do estado de direito, ao mesmo tempo o artilheiro que castiga fascistas e emancipa minorias oprimidas.

Carlos Pereira* - Conflito virtuoso entre os Poderes

O Estado de S. Paulo

Múltiplos vetos protegem interesses de minorias circunstanciais de serem alienados

Têm sido cada vez mais frequentes conflitos entre os três Poderes. Uma das possíveis causas da cizânia seria a incongruência ideológica entre eles. Um Executivo de esquerda, um Legislativo predominantemente conservador e uma Suprema Corte de perfil majoritariamente progressista.

Essa diferença de preferências tem sido tamanha a ponto de 175 parlamentares terem assinado uma proposta de emenda constitucional que autoriza o Congresso a derrubar decisões do Supremo que o Legislativo julgue que os limites constitucionais da Corte tenham sido extrapolados.

Em vez de interpretar esses conflitos como evidência de suposta crise institucional, é possível explicar esse fenômeno justamente como virtude. Ou seja, um sistema político extremamente competitivo e de perfil “consensualista” não permite que nenhuma força política consiga, sozinha, ser majoritária.

Bruno Carazza* - Por que quase todos querem a PEC da Anistia

Valor Econômico

Números derrubam um a um todos os dispositivos da PEC nª 09/2023

Quando uma proposta legislativa, logo no seu artigo primeiro, começa com um “não serão aplicadas sanções de qualquer natureza”, e ainda mais quando ela tem o apoio de praticamente todos os partidos, você já pode desconfiar.

Desde 2015, quando o STF proibiu doações de campanhas feitas por empresas, o Congresso já transferiu, em valores deflacionados, R$ 17,6 bilhões para os partidos a título de fundo partidário e eleitoral. Esse dinheiro fica na mão da cúpula de cada legenda, nos diretórios nacionais, estaduais e municipais, para cuidar do dia a dia das agremiações e distribuir aos seus candidatos a cada ciclo eleitoral.

A legislação que criou o fundão eleitoral, convenientemente, não estabeleceu nenhum critério para sua alocação aos integrantes dos partidos. Em geral, são privilegiados os próprios dirigentes, seus familiares, auxiliares mais próximos, políticos em busca de reeleição e alguns concorrentes com boas chances de vitória. Não é preciso dizer que esse sistema mina as perspectivas de competição no jogo eleitoral.

Antara Haldar* - Adeus aos economistas de Chicago

Valor Econômico

Os modelos de longa data que pressupõem um comportamento racional que maximiza o bem-estar permanecem totalmente entrincheirados na teoria

Setembro de 2023 marca dois acontecimentos importantes na história da economia - o 50º aniversário do evento que levou à ascensão da “Escola Econômica de Chicago” e o 15º aniversário daquele que precipitou sua queda.

Meio século atrás, os “Garotos de Chicago” embarcaram num experimento no Chile pós-golpe de Augusto Pinochet que se tornaria a estrutura de política econômica dominante do nosso tempo, introduzindo uma série de medidas radicais inspiradas pelas ideias de Milton Friedman e do resto da Escola de Chicago.

Essas ideias - nascidas de uma fé absoluta no mercado e de uma suspeita igualmente absoluta do governo - viriam a dominar a disciplina da economia e, mais importante, a definição de políticas econômicas pelos próximos 35 anos. Foi só com o colapso do Lehman Brothers em setembro de 2008, seguido logo depois pela crise financeira global, que a ascensão da Escola de Chicago terminou.

A questão hoje, 15 anos depois, é se essa ortodoxia econômica de longa data está gravemente ferida ou se seus defensores estão só lambendo suas feridas e esperando seu momento. A resposta vai depender de se desenvolvemos um entendimento adequado dos fatores que levaram à crise de 2008, e dos desafios que vêm atormentando muitas economias desde então.

Sergio Lamucci - Cenário externo e quadro fiscal estão mais incertos

Valor Econômico

Incertezas sobre as contas públicas pioram a percepção de risco do Brasil, num momento em que o quadro externo é menos favorável a países emergentes

As perspectivas para a economia global e para economia brasileira no quarto trimestre estão mais incertas. A avaliação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manterá os juros mais altos por mais tempo elevou com força a taxa dos títulos de longo prazo do Tesouro dos EUA, uma má notícia para países emergentes como o Brasil. Por aqui, o quadro para as contas públicas voltou a ficar mais indefinido.

O salto do rendimento dos papéis do Tesouro americano de longo prazo em setembro indica um quadro mais difícil na economia global, com maior aversão a risco. Isso tende a diminuir o fluxo de recursos para economias emergentes. No Brasil, isso se traduziu num câmbio mais desvalorizado, com o dólar voltando a superar R$ 5. Num momento em que o petróleo está acima de US$ 90 o barril, o real mais fraco coloca mais pressão na Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis, ainda que não se espere uma depreciação muito forte da moeda brasileira. Isso não deve impedir o Banco Central (BC) de seguir com os cortes de juros neste ano, mas pode limitar a magnitude do ciclo de queda da Selic, que caiu 0,5 ponto percentual em agosto e mais 0,5 ponto em setembro, para 12,75% ao ano.

Marco Antonio Carvalho Teixeira* - Tabata traz novos contornos à corrida paulistana

Folha de S. Paulo

Boulos versus Nunes no 2º turno seria melhor para ambos; deputada pode ser empecilho

A disputa pela Prefeitura de São Paulo movimenta projetos de poder que movem a política nacional. Está em jogo o comando de 11,5 milhões de habitantes, um Orçamento que só não é maior que o do governo federal e dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e um cargo com potencial para transformar o seu prefeito em virtual candidato ao governo paulista e/ou à Presidência da República.

Desenha-se para 2024 uma disputa repleta de novidades. O PT, pela primeira vez, não terá candidato próprio. O PSDB, vencedor de 2016 e 2020, também não. Jair Bolsonaro (PL) vê definhar seu prestígio eleitoral: pesquisa Datafolha apontou que 68% dos paulistanos rejeitariam um candidato indicado por ele. Na mesma sondagem, um postulante apoiado por Lula (PT) seria rejeitado por 37%, ante 46% se indicado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Três nomes são presenças certas na disputa: Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito; Guilherme Boulos (PSOL), deputado federal; e Tabata Amaral (PSB), também deputada. A possibilidade de Kim Kataguiri ser lançado pelo União Brasil é quase nula. Lideranças da legenda na cidade apoiam a reeleição de Nunes.

Marcus André Melo* - A 'difícil combinação' no Brasil e nos EUA

Folha de S. Paulo

O ministério envergonhado e a terapia contra a polarização

O renomado cientista político Scott Mainwaring acaba de divulgar, em coautoria com um importante intelectual público, Lee Drutman, uma proposta de adoção da representação proporcional (RP) nos EUA, visando a instituição do multipartidarismo naquele país. A justificativa é que o sistema político americano se tornou disfuncional devido à polarização tóxica recente.

Os autores argumentam que os EUA são a única democracia que combina o presidencialismo e o sistema eleitoral majoritário (distrital). Este desenho institucional só é encontrado em países não democráticos: Gana, Libéria e Serra Leoa. Nos demais sistemas presidencialistas adota-se a representação proporcional. Funcionou nos EUA por que os partidos não eram politizados: a distância ideológica entre eles era mínima. Democratas conservadores e republicanos liberais tinham agenda similar.

Camila Rocha - MST buscou fazer do limão uma limonada com CPI

Folha de S. Paulo

Comissão foi encerrada sem relatório, e sem-terra usaram contexto para difundir suas causas

A CPI contra o MST terminou com uma importante derrota para os detratores do movimento. Encabeçada pelos deputados Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), a comissão foi encerrada no dia 27 de setembro sem que o relatório final fosse votado.

Ambos buscavam maior projeção política com a CPI, no entanto não conseguiram furar a bolha de seus nichos ideológicos. Além disso, Salles viu frustrada sua tentativa de concorrer à Prefeitura de São Paulo, e Zucco tornou-se mais conhecido por ataques à deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que o denunciou por machismo e gordofobia, do que pela pauta da CPI em si.

O MST, por sua vez, fez do limão uma limonada e aproveitou o contexto para difundir suas causas para um público mais amplo. Com a hashtag #TôComMST, o movimento ocupou o segundo lugar entre os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter) no Brasil no dia 27 de abril, e o primeiro lugar no dia 23 de maio.

No mês de junho, João Pedro Stedile, uma de suas lideranças mais conhecidas, concedeu uma entrevista ao Flow Podcast. Sua participação obteve mais de 240 mil visualizações e, no dia 13 de junho, a hashtag #MSTnoFlow ocupou o terceiro lugar entre os assuntos mais comentados da rede no Brasil.

Ana Cristina Rosa - A Constituição precisa de uma guardiã negra

Folha de S. Paulo

Como disse Lula, quando as instituições reproduzem as desigualdades, elas fazem parte do problema

A Constituição Federal de 1988, principal símbolo do processo de redemocratização do Brasil, completa 35 anos neste dia 5 de outubro. Não é uma data qualquer, especialmente depois de tudo o que o país viveu nos últimos anos —culminando com o 8 de janeiro de 2023, um verdadeiro atentado à nossa democracia.

As bases da Constituição Cidadã estão fundamentadas em pressupostos de liberdade e igualdade que norteiam o Estado democrático de Direito. Nesse sentido, ela introduziu avanços em termos de direitos e garantias fundamentais e de direitos coletivos que passaram a integrar os objetivos programáticos do Estado —embora vários não tenham ultrapassado o plano formal.

Ruy Castro - Bocas de cristal

Folha de S. Paulo

Enquanto os jogadores de hoje têm teclados esculpidos em alabastro, o brasileiro médio continua desdentado

Em busca de material sobre o futebol de outros tempos, descubro números de 1958 da revista Manchete Esportiva, sobre a preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo daquele ano, na Suécia. E vejo as reportagens sobre os exames dentários dos jogadores, ordenados pela CBF, então CBD. Aquilo era uma novidade. Formou-se uma legião de dentistas, e os 33 convocados iniciais, um a um, com ou sem medo, sentaram-se na cadeira e abriram a boca.

Foi um terror: em duas semanas, os dentistas tiveram de meter a broca em 470 dentes, quase 15 por jogador, e fazer 32 extrações —Oreco, lateral do Corinthians, o recordista, com sete.

Demétrio Magnoli - O tabu dos verdes

O Globo

Nossa transição energética depende da significativa inclusão da fonte nuclear

Na ONU, Lula apresentou o Brasil como “vanguarda da transição energética”, pois “87% da nossa energia elétrica provém de fontes limpas e renováveis”, e informou que “a geração de energia solar, eólica, biomassa, etanol e biodiesel cresce a cada ano”. Segundo o programa do governo, atingiríamos uma matriz de baixo carbono sem contribuição significativa da fonte nuclear. O tabu dos verdes, aqui também, sabota a transição energética.

Globalmente, a equação de substituição extensiva dos combustíveis fósseis não fecha sem a contribuição de usinas nucleares. Duas décadas atrás, James Lovelock, um dos fundadores teóricos do ambientalismo contemporâneo, tentou convencer o movimento verde a abraçar a energia gerada pela fissão nuclear. Seus argumentos naufragaram no tsunami que provocou o acidente de Fukushima, em 2011.

Fernando Gabeira - O fantasma do banheiro unissex

O Globo

Continuo achando que o banheiro de uso individual pode ser usado tanto por homens quanto por mulheres

Volta e meia, o tema do banheiro unissex vem à tona. Na campanha, os adversários atribuíram a Lula a intenção de implantá-lo no Brasil. Ele reagiu dizendo que era pai e avô e não faria essa loucura. Mesmo ele, para se defender, comprou a ideia do banheiro unissex com as tintas pavorosas que a extrema direita a pintou.

Na verdade, o tema interessa a políticos que usam perucas para falar de transgêneros porque é uma forma clássica de assustar e aglutinar pelo medo. Imaginem suas filhas em banheiros frequentados por homens…

Quando se vê essa discussão pelo mundo, sobretudo no governo Obama e em Nova York, a ideia de utilizar banheiros para homens e mulheres era exclusivamente em espaços para uso individual. Se pensarmos bem, é isso que acontece em quase todas as famílias. Os banheiros são usados por uma pessoa de cada vez, que tranca a porta enquanto faz uso.

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

O tesouro frágil da democracia

Correio Braziliense

Desde a redemocratização nos anos 1980, o país vem trilhando um caminho de progresso democrático

Em novembro, o Brasil completará 134 anos como uma república. É uma história relativamente breve, em comparação com os outros países do mundo. Principalmente quando se leva em conta que período mais longo sem ditaduras da história do país é justamente o que vivenciamos, já que o autoritarismo, infelizmente, não é uma novidade na história política brasileira. Desde a redemocratização nos anos 1980, o país vem trilhando um caminho de progresso democrático, ainda que com solavancos aqui e ali, mas sempre com os civis no poder e os militares de volta aos quartéis – onde, afinal, eles pertencem.

Por isso, preocupa a falta de posicionamentos e ações por parte das Forças Armadas em repúdio aos atos golpistas de 8 de janeiro, a maior ameaça à estabilidade democrática nas últimas décadas. À medida em que as investigações sobre a destruição impetrada por uma horda bolsonarista na Praça dos Três Poderes avançam, tem ficado claro a participação de setores do Exército, da Marinha e da Aeronáutica na trama.

Poesia | Maçã-- Manuel Bandeira

 

Música | Maria Bethânia - Reconvexo (Caetano Veloso)

 

domingo, 1 de outubro de 2023

Merval Pereira - O consenso possível

O Globo

Embora o governo tenha conseguido formar uma maioria eventual para temas específicos da política econômica, continua minoritário no Congresso

As recentes pesquisas de opinião demonstram que a lua de mel tradicional no primeiro ano entre a sociedade e o novo governo eleito está sendo superada pela polarização partidária que se mantém ativa no país. Embora o governo petista tenha conseguido, às custas de excessivas concessões ao Centrão, formar uma maioria eventual para temas específicos da política econômica, continua minoritário no Congresso.

A incongruência ideológica entre os três Poderes, analisada aqui na coluna de quinta-feira, com um Executivo de esquerda, um Legislativo predominantemente conservador e um Supremo Tribunal Federal (STF) majoritariamente progressista, gera conflitos entre eles que o novo presidente do Supremo nega, mas se dispõe a mediar, e pode ser também uma virtude, na visão do cientista político das Fundação Getulio Vargas do Rio, Carlos Pereira.

Ele vê entre nós um sistema político extremamente competitivo e de perfil “consensualista”, o qual não permite que nenhuma força política consiga sozinha ser majoritária. As saídas dos conflitos, quase que inexoráveis, portanto, precisam ser negociadas e pactuadas a todo momento. Por um lado, adverte, perdemos eficiência governativa, “temos a sensação de que nada acontece ou, quando acontece, é fruto de negociações escusas, o que gera mal-estar, muitas vezes generalizado”.

Míriam Leitão - Um recomeço com emoção

O Globo

Posse de Barroso como presidente do STF teve emoção e também sensação de alívio pelo afastamento do perigo real que a democracia enfrentou

A posse do ministro Luís Roberto Barroso foi bonita. Sim, teve Maria Bethânia e, quando ela canta, “há uma fagulha de divino” como disse Barroso. Sim, o discurso do novo presidente foi literário. Mas a beleza maior era outra. Havia uma sensação de alívio no ambiente, pelo afastamento do perigo real que a democracia enfrentou. Palmas acolhiam o nome da ministra Rosa Weber, cada vez que era pronunciado. O que se aplaudia era sua firmeza na reconstrução do Supremo Tribunal Federal após o 8 de janeiro. “Estivemos aqui naquela noite — a ministra Rosa, o ministro Toffoli e eu próprio — vimos os destroços e foi uma emoção em tão pouco tempo ver tudo reconstruído.” Foram 21 dias para os consertos físicos. Para os institucionais, ainda estamos em obras.

Constatei o sentimento de alívio pelo perigo autoritário afastado, até em pessoas que colaboraram direta ou indiretamente com o governo anterior, inclusive militares. Os detalhes relatados por testemunhas dos bastidores daquele governo confirmam que a democracia brasileira teve, por quatro anos, um presidente à espreita, esperando a hora de golpeá-la.

Bernardo Mello Franco - Brazão volta à mira

O Globo

Apuração sofre nova reviravolta e será federalizada após delação de ex-PM

A investigação da morte de Marielle Franco passa por nova reviravolta. Há poucos dias, o inquérito que apura o assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes saiu do Rio e foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça. O motivo é o surgimento de novas suspeitas sobre Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

Na prática, a mudança de foro fará com que a investigação seja federalizada. Isso ampliará os poderes da Polícia Federal, que voltou ao caso no início do ano por determinação do ministro Flávio Dino.

Em março, a Justiça do Rio rejeitou uma primeira denúncia contra Brazão. Ele havia sido acusado de plantar pistas falsas para atrapalhar a identificação dos mandantes do crime.

O ex-deputado estadual voltou à mira após a delação premiada do ex-PM Élcio Queiroz. Num trecho que já veio a público, ele confessou ter dirigido o carro usado no ataque e confirmou que Ronnie Lessa foi o autor dos disparos.

Luiz Carlos Azedo - A fumaça que encobre Manaus e as novas cadeias de valor

Correio Braziliense

A Zona Franca adotou o velho vício que esgotou o modelo de substituição de importações: criar obstáculos à concorrência

Uma onda de fumaça, proveniente das queimadas da Amazônia, em razão da mudança do regime de ventos provocada pelo El Niño, nos últimos dias encobriu a paisagem e transformou a cidade de Manaus numa capital irrespirável. O jovem deputado federal Amom Ridel (Cidadania-AM), eleito aos 22 anos com 288 mil votos, um fenômeno político de sua geração, desistiu de convocar uma manifestação de protesto porque o ar estava irrespirável e os olhos das pessoas ardiam quando saiam às ruas.

Amom optou por percorrer os gabinetes de Brasília, entre os quais o de Marina Silva (Meio Ambiente), em busca de socorro federal, e pôs a boca no trombone, ou melhor, os dedos no teclado, para denunciar a situação e a omissão das autoridades locais nas suas redes sociais. Só então o governador do Amazonas, Wilson Miranda Lima (União Brasil), principal responsável pela gestão da crise ambiental, decretou o estado de emergência.

Elio Gaspari - Lula quer mudar o mundo

O Globo

Lula viajou pelos sete mares propondo uma nova governança mundial para o meio ambiente, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e novas moedas para as transações internacionais. Tudo muito bonito, mas, quando ele voltar ao Planalto, terá um país onde coisas mais imediatas e graves estão queimando nas panelas.

1- O Supremo Tribunal Federal e o Congresso estão em curso de colisão com temas como o aborto e a demarcação de terras indígenas.

2- A base de apoio parlamentar do governo virou uma paçoca, com o Centrão pedindo a entrega da Caixa Econômica de “porteira fechada”. Ou ainda o loteamento da Funasa.

3- A segurança pública nacional está acuada entre a anomia e a selvageria. De um lado, o crime tornou-se um poder paralelo na Amazônia. De outro, a Bahia tornou-se campeã nas estatísticas de letalidade policial. De lá, vêm as notícias de que foram mortos “nove suspeitos” numa operação contra traficantes realizada na periferia de Salvador. O que vem a ser um “suspeito” morto? Essa figura pertencia à necropolítica do Rio de Janeiro. A Bahia tem governos petistas desde 2007. Um de seus ex-governadores é o atual chefe da Casa Civil; outro lidera a bancada do governo no Senado.

Dorrit Harazim - Dores civilizatórias

O Globo

Enfadados, assistimos a guerras reais em tempo real, com a geopolítica mundial em terreno movediço

Para tempos incertos, recomenda-se apaziguar a alma com algum dos escritos de Bertrand Russell. Não apenas porque esse generoso filósofo e matemático do século XX sabia pensar, como também porque sabia escrever — tanto assim que levou o Nobel de Literatura em 1950. Acima de tudo, porém, ele foi um humanista, e é de humanistas com profundo respeito pela História que nosso planetinha mais carece.

Tome-se, ao acaso, “New Hopes for a Changing World” (de domínio público no original em inglês), escrito quando o mundo começava a se reconhecer entre os destroços da Segunda Guerra e o medo de um novo perigo, o nuclear. Vivia-se um “sentimento de impotente perplexidade”, em meio ao qual quem ostentava certezas era ignorante, e os dotados de criatividade, de percepção da realidade, afundavam em dúvidas e indecisão.

— Homens e mulheres manifestam dúvidas genuínas sobre o que é certo ou errado — escreveu o pensador — a ponto de “certo” e “errado” serem frequentemente descartados como superstições obsoletas.

Nada mais atual que essa tormenta universal definida por Russell como “dores do amadurecimento de nossa civilização”. Hoje, essas dores se agravaram, e o que mais se vê é ausência de maturidade no horizonte. Regredimos para aquém do “certo” ou “errado”, pois nem sequer nos entendemos sobre o que existe, o que é real, o que é fato. Nessa toada, nosso tripé de embates civilizatórios — com a natureza, com nossos semelhantes e de cada um consigo mesmo — retrocedeu algumas casas.

Eliane Cantanhêde - Mar de sangue

O Estado de S. Paulo

Em Brasília, crise entre os Poderes; no Brasil real, um mar de violência e de sangue

Enquanto os três Poderes se estranham, a segurança pública está uma tragédia nas capitais, grandes cidades, em toda parte, e passa a ser a preocupação número um dos brasileiros, governadores e prefeitos e desaba na capital da República, onde o governo Lula articula uma espécie de pacto nacional contra a violência, envolvendo Poderes, Estados, municípios, mídia, academia e, onde couber, iniciativa privada.

Sob fogo cerrado, ou fogo amigo, o ministro da Justiça, Flávio Dino, corre contra o tempo para alinhavar um projeto ambicioso contra essa calamidade. Na segunda-feira passada, reuniu o ministro de Portos e Aeroportos, o diretor-geral da PF, Andrei Passos, assessores e secretários e ouviu os governadores do Rio e da Bahia, onde a coisa está pior, e também a governadora de Pernambuco, às voltas com crise no sistema penitenciário.

Jorge Caldeira* - Capital ambiental desenvolve?

O Estado de S. Paulo

Pode ser que fração relevante da montanha de capital para aplicação em energia renovável e fixação de carbono desabe cada vez mais por aqui. Bom? Nem sempre

A pergunta do título talvez expresse um antigo senso comum nacional – que destoa de certos movimentos da economia. Começando por estes: um fluxo de riqueza acumulada, na forma de capital, medido num mínimo de US$ 2 trilhões anuais, está indo especialmente de investimentos em carvão, gás e petróleo para aplicações basicamente em energia renovável e fixação de carbono.

Esse fluxo tem o Brasil como um dos alvos preferenciais – o que gera um inusitado problema. O Produto Interno Bruto (PIB) do País flutua em torno de US$ 1,5 trilhão. Paira a possibilidade de uma fração relevante da montanha de capital, de magnitude maior que esse PIB, desabar cada vez mais por aqui.

Jaime Pinsky* - Nossas cidades

Correio Braziliense

O crescimento desorganizado provoca o surgimento de cidades com populações incompatíveis com sua estrutura de serviços

Meus leitores com mais de 50 anos de idade nasceram em um país rural. Hoje somos uma nação urbana, cheia de cidades, algumas delas enormes. Brasília, que acaba de se tornar a terceira maior, batida apenas por São Paulo e Rio de Janeiro, é uma exceção, pois começou a ser construída após ser planejada. A regra, em nosso país, é não planejar nada, ou só planejar alguma coisa depois que as cidades estão de pé, cresceram e incharam, trazendo problemas insolúveis. Basta ver o problema da Cracolândia, em pleno centro de São Paulo. Uma parte importante da cidade é subutilizada porque algumas centenas de dependentes de drogas se instalaram em ruas, estimulados por um comércio que supostamente não deveria existir e impedindo a vida normal de milhares de cidadãos.

Por conta do crescimento desorganizado temos muitas cidades com populações incompatíveis com sua estrutura de serviços. Enquanto Lisboa (almejada por muitos brasileiros), Manchester (que tem o melhor time de futebol do mundo) e Lyon, a terceira maior cidade da França não registram mais de 500 ou 600 mil habitantes, temos numerosas cidades com população bem maior do que elas no Brasil. O êxodo rural, fenômeno concomitante com o desenvolvimento industrial (não por acaso), em diferentes fases da nossa história, tornou-se mais intenso em nosso país a partir dos anos 1970 e provocou o crescimento, geralmente desordenado de nossas cidades. E o que as pessoas buscam nas cidades, desde a Antiguidade? Ora, gente procura gente, não apenas ocupação e segurança, gente procura liberdade e direitos, não apenas um cantinho para construir sua casa.

Vinicius Torres Freire - Governo vai cobrar imposto de Shein, Shopee etc., mas ainda não sabe como

Folha de S. Paulo

Criação de tributo sobre compras de menos de US$ 50 pode demorar pelo menos dois meses

Empresários do varejo têm procurado gente do governo para pedir a cobrança de imposto sobre as importações de produtos com valor até US$ 50 —além desse valor, a alíquota é de 60%. Para as compras por meio de plataformas de comércio eletrônico que aderem ao programa "Remessa Conforme", não há imposto federal, apenas 17% de ICMS (estadual).

Gente do governo diz que vai haver imposto, mas é difícil que se adote alguma decisão em menos de dois meses. Quanto imposto? Talvez uma alíquota entre 20% e 25% (além dos 17% do ICMS). É possível também que se discuta um aumento do ICMS estadual, para 25%. O assunto ainda está enrolado.

No começo do ano, o Ministério da Fazenda tentou colocar ordem nessas importações e na cobrança de imposto. Deu o rolo sabido, pois a providência é impopular e caiu nas redes insociáveis. Em abril, a Fazenda deu um passo atrás, por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Celso Rocha de Barros* - Movimentos 'identitários' querem conquistar coisas, não cancelar pessoas

Folha de S. Paulo

Demissão de assessora levou turma de sempre a ressuscitar variantes do 'racismo reverso'

Não é fácil a oposição de direita reclamar da aliança de Lula com o centrão, porque a oposição de direita e o centrão são mais ou menos as mesmas pessoas. A política econômica de Haddad é bem moderada e está dando certo. Restou ao pessoal, portanto, reclamar do "identitarismo".

As críticas recentes foram suscitadas pela postagem de uma jovem assessora do Ministério da Igualdade Racial no dia da final da Copa do Brasil. De maneira infeliz, ela ofendeu os são-paulinos por serem europeus, brancos e paulistas. Foi demitida. Torço para que se reerga na carreira.

O episódio levou a turma de sempre a ressuscitar variantes do tema "racismo reverso", o racismo de negros contra brancos.

Bruno Boghossian - Oposição procura gatilho ultraconservador para despertar eleitorado

Folha de S. Paulo

Direita bolsonarista tenta inflar de maneira artificial itens adormecidos da chamada guerra cultural

Há pouco mais de uma semana, deputados bolsonaristas aproveitaram uma sexta-feira morna e lançaram uma isca falsa para seus seguidores. Em tom indignado, espalharam o alerta de que Lula havia instituído o "banheiro unissex" no Brasil.

A gritaria não fazia sentido. O alvo era uma resolução contra a discriminação em instituições de ensino, recomendando a "instalação de banheiros de uso individual, independente de gênero, para além dos já existentes masculinos e femininos". Além de não citar espaços compartilhados, o texto havia sido editado por um conselho que não tem nenhum poder de decisão.

Aquela não foi uma distorção inocente. A direita bolsonarista abusa de gatilhos ultraconservadores para replicar o pânico moral das últimas eleições e inflar de maneira artificial o peso de itens adormecidos da chamada guerra cultural.

Muniz Sodré* - Sons do silêncio

Folha de S. Paulo

Na crise de consenso das classes dirigentes, o que se defende com estatuto ministerial é o status-quo bem-nutrido contra a imprevisibilidade dos precarizados de tudo

"As pessoas ficam, as instituições passam." Este penoso ato falho do procurador-geral da República em seu discurso de despedida no STF pode trazer alguma luz também para as ruminações do ministro da Defesa sobre a relutância de militares em saírem de cena. Na insuperável autoapoteose do procurador, o silêncio vestiu capa de super-herói. Se houvesse algum grau de realidade, não faltariam, num ambiente próprio a latinórios, interjeições do tipo "valete et plaudite!" (amém!, assim seja!). O protocolo, porém, foi sóbrio.

Ato falho é uma espécie de fala silenciada, que transparece num equívoco e pode resultar em acerto. Décadas atrás, já pública a intenção da ditadura de devolver o poder aos civis, determinado ministro militar declarou na tevê que "sim, era hora de voltar à caverna". Lapso de língua, inequívoco ato falho freudiano, sujeito a interpretação diversa daquela em que incorreu o procurador.

Hélio Schwartsman - Física existencial

Folha de S. Paulo

O passado ainda existe? Partículas pensam? Livro discute com rigor questões instigantes da ciência

Fui dormir mais aliviado depois de ler "A Ciência Tem Todas as Respostas?", de Sabine Hossenfelder. É que, a uma dada altura do livro, ela diz que não podemos estar seguros de que é correta a ideia, muito popular entre os físicos, de que no futuro distante (para lá de 10100 bilhões de anos) o Universo conhecerá sua morte térmica. Sim, é isso mesmo, leitor, o fim derradeiro não é uma certeza, porque não sabemos se, nessas escalas de tempo, as atuais leis da física continuarão válidas. É bem verdade que Hossenfelder também diz que não podemos descartar a possibilidade de que ocorra a qualquer momento um decaimento espontâneo do vácuo, que dilaceraria instantaneamente toda a matéria do Universo. Mas, eterno otimista que sou, me fixei mais na primeira do que na segunda possibilidade.

Samuel Pessôa* - A nova onda de política industrial

Folha de S. Paulo

Políticas de desenvolvimento industrial foram essenciais para leste asiático

Nos últimos dez anos tem havido renovado interesse da academia pelas políticas de desenvolvimento industrial (PI).

A nova literatura, no meu entender, demonstra convincentemente que a PI foi essencial para as mudanças na estrutura produtiva que ocorreram nos países de desenvolvimento rápido do leste asiático. Nesse sentido, a literatura recente de economia confirma os achados de uma literatura dos anos 1980 e 1990 da sociologia.

Esses resultados são contrários a resultados anteriores da academia em economia. As mudanças decorreram de uma melhora substancial na capacidade de mensuração do emprego da PI e de seus impactos.

Por exemplo, Nathan Lane, em cuidadoso trabalho empírico, documentou em detalhe que a política industrial praticada entre 1971 e 1979 pelo governo do presidente Park, de internalizar a indústria pesada (petroquímica, siderúrgica e naval), foi muito bem-sucedida em alterar a estrutura da indústria sul-coreana. O bonito no trabalho é que há evidências de que a decisão tomada pelo presidente pode ser considerada exógena à dinâmica da indústria.

O que a mídia pensa: editoriais / opiniões

Esqueletos fiscais

Folha de S. Paulo

Governo acerta ao querer regularizar precatórios, mas não pode usar artifícios

Uma despesa vultosa e de crescimento acelerado nos últimos anos tem sido escamoteada desde 2022 pelo governo brasileiro. Trata-se do pagamento de precatórios, para o qual a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou agora uma proposta tortuosa.

O problema se originou sob Jair Bolsonaro (PL), que, com a anuência do Congresso, escapou de pagar integralmente uma conta de quase R$ 90 bilhões imposta por sentenças judiciais. O calote abriu espaço para mais gastos em ano eleitoral.

Uma emenda à Constituição determinou que apenas parte dos compromissos deve ser honrada a cada ano, e o restante pode ser postergado até 2026. Em 2027, os esqueletos têm de sair do armário —isto é, tudo precisa ser quitado, num montante estimado em torno dos R$ 200 bilhões.

Poesia | Vinicius de Moraes - Mensagem à Poesia

 

Música | Ana de Hollanda - Acalento (Aldir Blanc)