O Estado de S. Paulo
Há enorme desproporção entre
o tamanho da ameaça “extraordinária” do Brasil aos Estados Unidos, que o
presidente Trump diz que existe, e as providências por ele tomadas para
garantir esse futuro em risco.
Nas justificativas expostas
para o pacote tarifário, Trump afirma que é um revide às “políticas práticas e
ações recentes do governo brasileiro que constituem ameaça incomum e
extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados
Unidos”.
É quase como dizer que o
Brasil prepara o lançamento de uma bomba sobre Washington. E, no entanto, por
mais que se deplore, o tarifaço atenuado e o enquadramento do ministro do
Supremo Alexandre de Moraes às sanções previstas na Lei Magnitsky, destinada a
produzir a morte financeira de ditadores, terroristas e narcotraficantes, estão
longe de eliminar as supostas insegurança e debilidade econômica dos domínios
do Grande Khan.
Ninguém ainda espera demonstrações de lógica aristotélica dos textos divulgados pelo presidente Trump. Em carta anterior, ele afirmara que o tarifaço seria inevitável porque o Brasil mantém um enorme rombo nas suas relações comerciais com os Estados Unidos, o que é uma falsidade estatística. No entanto, convém ter claro que as premissas ao pacote assinado por Trump, ainda que capengas, podem estar preparando novas porretadas sobre o Brasil.








