sexta-feira, 17 de julho de 2015

Bernardo Mello Franco - O investigado que intimida

- Folha de S. Paulo

O que têm em comum Fernando Collor, Eduardo Cunha e Renan Calheiros? Além do que o leitor está pensando, os três adotaram a mesma tática na Lava Jato. Em vez de se defender, atacam os policiais e procuradores que os investigam.

Nesta quinta, Renan voltou a criticar a PF. Collor chamou os investigadores de "facínoras que se dizem democratas". Cunha acusou o procurador Rodrigo Janot de forçar delatores a mentir para incriminá-lo.

Nada de novo, salvo um detalhe. Duas testemunhas afirmaram em juízo que temem retaliação do deputado às suas famílias. O medo foi relatado pelo doleiro Alberto Youssef e pelo consultor Júlio Camargo.

"O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva", disse Camargo, que relatou a propina de US$ 5 milhões. "O maior receio é a família, porque quem age dessa maneira perfeitamente pode agir não contra você, mas contra terceiros. Às vezes, machucar um ente querido é muito pior do que machucar você mesmo", prosseguiu.

Youssef se disse preocupado com as três mulheres da família. "Venho sofrendo intimidação perante as minhas filhas, perante a minha ex-esposa", relatou o doleiro. "Estou sendo intimidado pela CPI da Petrobras, por um deputado, pau-mandado do senhor Eduardo Cunha".

A pedido de um aliado de Cunha, a CPI já quebrou o sigilo das três, mas a medida foi anulada pelo Supremo. Agora está na hora de o tribunal se pronunciar sobre os relatos de intimidação e ameaça aos réus.

Para dirigir seu pronunciamento à nação desta sexta, Cunha contratou o marqueteiro Paulo de Tarso Lobão Morais, condenado em 2010 por peculato em Rondônia. A sentença foi confirmada em segunda instância e depois anulada pelo STJ.

O diretor nega ter cometido crime e se diz vítima de "armação política". "Eu não sou notícia. Notícia é o presidente da Câmara", afirma.

Cristian Klein - Fingimento

- Valor Econômico

• Dilema do PSDB é não poder fingir tanto quanto PMDB

Em 2002, o jogador de futebol Marcos André Batista Santos, mais conhecido como Vampeta, surpreendeu a torcida de um grande clube brasileiro ao justificar a má fase do time. "O Flamengo finge que me paga, e eu finjo que jogo".

Para quem não se lembra, Vampeta é o mesmo que rolou pela rampa do Palácio do Planalto, em quatro cambalhotas seguidas, durante cerimônia de entrega de medalhas à Seleção que acabara de conquistar o pentacampeonato na Copa do Mundo do Japão/Coreia.

O presidente de então não era Lula. Era Fernando Henrique Cardoso. Mais tarde, o jogador fanfarrão diria que se fosse o petista a ocupar o palácio, o presidente teria rolado junto com ele.

Hoje, os tempos são outros. Lula está é enrolado - desde ontem passou a ser alvo de um inquérito pelo Ministério Público Federal do DF -, o Planalto tenta explicar como ocorreram - não cambalhotas - mas pedaladas fiscais, e a Seleção Brasileira, em vez de orgulho, dá vexame.

O clima não é de comemoração. A recessão econômica chega ao fundo do poço. A Operação Lava-Jato dá um justo esfregão em políticos e empresários, embora às custas de atrapalhar a recuperação da economia. E a recessão política leva a presidente da República a ficar refém de uma base nada aliada no Congresso.

Numa espécie de homenagem ao volante pentacampeão, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, se sentiu à vontade para escancarar a relação esgarçada, ontem - mesmo dia em que um delator o acusou de receber US$ 5 milhões de propina em contratos da Petrobras: "O governo finge que tem maioria, e a maioria finge que é governo".

Se, nos campos, o mau desempenho foi justificado pela falta de pagamento de salários; nos plenários do Congresso, as queixas são de emendas parlamentares represadas e nomeações para cargos à espera. À dívida do clube corresponde o déficit de popularidade da presidente. As derrotas se sucedem.

As diferenças também são marcantes. O jogador atuava apenas o suficiente para sustentar perante a torcida o teatro que ele próprio desmontou. Para Cunha, o espetáculo da base aliada é artifício que lhe torna o diretor de um drama. Uma encenação é baseada no corpo-mole; a outra é forjada no corpo duro, rígido, dos diversos interesses individuais e partidários que se elevam contra o Executivo fraco.

O fingimento de Cunha é sinal da quase crise institucional. A sorte de Dilma é que o trunfo do deputado e do PMDB fisiológico é ancorado na elasticidade para fazer barganhas. Há poucas convicções. No relativismo extremo, tudo pode ser negociado. O preço para Dilma é que ficou mais alto - ainda mais com a Lava-Jato.

Trata-se de uma peça bem distinta da interpretada, na oposição, pelo PSDB. Para o bom ou mau presságio do governo do PT, os tucanos se dividem em atuações que exigem menos nuances. Não dá para representar dois personagens ao mesmo tempo. Que papel o partido deve ter, nas votações do Congresso, é o que está em jogo nestes dias. Mais programático que o PMDB, o PSDB vive o dilema de ser coerente com sua trajetória - sob pena de não fustigar os petistas. Ou de apoiar propostas que contradizem seus princípios - para que derrotem o governo a qualquer custo.

Não dá para fingir - como fazem os pemedebistas, que ora descem a rampa de cambalhota, ora a sobem com baionetas. Ora são bobos da Corte, com sorriso colorido para a rainha, ora tramam nos corredores do poder. É a velha estratégia de morder e assoprar. Bem verdade, as mordidas tornaram-se muito mais frequentes e doloridas desde que Cunha se assentou na cadeira da presidência da Câmara.

Nesse cenário, é um alento para o governo federal quando figuras influentes no PSDB, como o ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, resolve criticar a incoerência da legenda, a exemplo do que faz em entrevista publicada nesta edição. Em votações recentes, a bancada tucana na Câmara apoiou o fim do fator previdenciário - criado por FHC - e a extensão das regras de reajuste do salário mínimo para os benefícios da Previdência. Isso jamais teria acontecido se os deputados fossem do partido do presidente. Como não são, empurram os ônus para o governo e jogam para a plateia.

A política, como toda arte, nem sempre é boa. Mas pode agradar aos espectadores. Ciente disso, outro influente economista ligado aos tucanos, Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, defende a atuação da bancada do PSDB. Diferenciando-se e derrotando o PT - mesmo que com posições contraditórias - o partido reforça sua marca de líder da oposição. A visão A (Arminio) e a visão B (Bacha) são duas abordagens para dilemas que questionam se os fins justificam os meios. Resultam de convicções. A visão A dá mais tranquilidade ao ajuste fiscal. A visão B favorece o que a ciência política costuma chamar de identificabilidade. E pode acossar um governo acuado.

Resta saber se as palavras do ex-presidente do BC vão afetar de alguma forma o comportamento parlamentar do PSDB. A declaração de Arminio, de que não estaria mais disposto a ser ministro da Fazenda em eventual governo tucano, sugere distanciamento. O partido, de fato, mudou. Está mais aguerrido do que nunca.

O fim do superciclo do PT - que completará 16 anos no poder, caso Dilma chegue ao fim do mandato - suscita reposicionamentos.

O PMDB também faz sua inflexão. Suas ações parecem sempre envolver dissimulações, blefes, mas a própria emergência de Cunha na Câmara é sintoma de tempos diferentes. O lançamento de candidatura à Presidência, depois de 24 anos, tende a ser um pouco mais viável.

Mas, num partido com tanta encenação e caciques com interesses regionais, nem mesmo um possível ungido para concorrer pode confiar na lealdade dos correligionários. Corre-se o risco de se chegar à situação em que o partido finge que apoia, e o candidato finge que disputa. Que o digam Ulysses Guimarães e Orestes Quércia.

Renan, Cunha e o projeto do PMDB – Editorial / O Estado de S. Paulo

É compreensível que o PMDB esteja preocupado com a falência do governo do qual é o principal aliado e em função disso pretenda desassociar-se do PT e partir para a eleição presidencial de 2018 com candidato próprio. Inadmissível, porém, é líderes importantes do PMDB, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), tentarem colocar as Casas que comandam a serviço de seus próprios interesses políticos, usando-as, a pretexto de garantir a autonomia dos Poderes, para retaliar e chantagear o Palácio do Planalto, a quem responsabilizam por estarem sendo investigados no âmbito da Operação Lava Jato. Independentemente de qualquer outra consideração sobre o desempenho do poder central, o comportamento de Calheiros e de Cunha atenta gravemente – ao contrário do que eles alegam perseguir – contra o equilíbrio institucional e o interesse nacional, na medida em que dificulta ao governo aquilo que ele já mal consegue cumprir com um mínimo de eficiência: governar.

Quem conhece o partido do governo sabe que os petistas não são confiáveis como aliados e adorariam ver os principais líderes peemedebistas arderem na fogueira da Lava Jato. Mas, ao se associar ao PT, colocando seu presidente de honra, Michel Temer, na Vice-Presidência da República, e assumindo o comando de seis Ministérios e muitas outras posições de mando na administração pública, o PMDB comprometeu-se com a tarefa de ajudar Dilma Rousseff a governar e não a sabotá-la. Não se trata, aqui, de defender o governo Dilma, a respeito do qual as opiniões expressas neste espaço são muito claras. Trata-se de repudiar o comportamento dos dois principais líderes peemedebistas no Congresso, que não se limitam a chantagear o Planalto por razões que nada têm a ver com a relação entre os Poderes, mas se prevalecem da situação para fortalecer seu cacife político-eleitoral, aliando-se a quem quer que se disponha a fazer esse jogo madraço.

As ações de Calheiros e de Cunha conflitam com – e colocam em xeque – a posição do vice-presidente Michel Temer, que certamente acolhe in petto os diagnósticos pessimistas sobre o desempenho do governo, mas tem feito o possível para honrar seu compromisso com Dilma, especialmente no que diz respeito à articulação política da qual foi encarregado pela presidente, apesar do nem sempre sutil boicote de forças petistas dentro do governo.

De qualquer modo, a tendência do PMDB de formalizar a ruptura de sua aliança com o PT parece ser irreversível. A questão é fazê-la com correção – pois até na política isso se exige – e no tempo certo. Com esses cuidados, o próprio vice-presidente da República anunciou na quarta-feira, após ato oficial do PMDB do qual participou a cúpula do partido: "Estamos abertos a todas as alianças com todos os partidos. Apenas o que está sendo estabelecido é que o PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018".

Está, portanto, claramente enunciado o projeto político do PMDB daqui para a frente. E tal projeto não deve ser confundido com os objetivos imediatos de Renan Calheiros e de Eduardo Cunha. O presidente do Senado vinha mantendo uma relação de natural entendimento institucional com o Planalto até o momento em que seu nome surgiu nas listas de investigados da Lava Jato. O retrospecto de Cunha é diferente. Elegeu-se para a presidência da Câmara enfrentando forte articulação do Planalto em favor do candidato petista Arlindo Chinaglia. E o posterior surgimento de seu nome na Lava Jato só fez azedar ainda mais as relações com o governo. Tanto Calheiros quanto Cunha acreditam que por detrás de seu envolvimento nas investigações tem o dedo do PT. E daí?

Vale para ambos a opinião do historiador José Murilo de Carvalho colhida pelo Estado a propósito das reações à Operação Politeia, que leva as investigações sobre o escândalo da Petrobrás aos políticos com foro privilegiado: "Quem não deve não teme. (...) As buscas da PF foram autorizadas por três ministros do STF. Onde a violência, onde o arbítrio, onde a intimidação?".

Rogério Furquim Werneck - De volta ao ilusionismo?

- O Globo

É hora de deixar de lado o autoengano e enxergar as coisas como elas são. A condução da política econômica entrou em fase extremamente delicada. Os efeitos do choque de credibilidade propiciado pela nomeação do ministro Joaquim Levy estão perdendo intensidade. E podem ser rapidamente revertidos, se o governo não souber conduzir a política fiscal na difícil travessia que o país tem pela frente.

O esforço de ajuste fiscal de 2015 está fadado a ficar muito aquém do prometido. E não é que tenha faltado empenho a Levy. Muito pelo contrário. Mas, tendo em conta a gravidade da crise política e a alarmante fragilização da presidente, é pouco provável que o ajuste possa chegar muito mais perto do prometido. Como lidar com a frustração de expectativas sobre o ajuste fiscal é a questão crucial com que agora se defronta a política econômica.

Gostemos ou não, a verdade é que o país retrocedeu no tempo. E está de novo às voltas com o velho desafio fiscal que parecia ter sido deixado para trás há muitos anos. Na esteira da devastação das contas públicas perpetrada pela presidente Dilma, a política fiscal voltou a ter de ser pautada pela necessidade premente de impedir que a dívida do setor público continue a crescer como proporção do PIB. O que deverá exigir aumento substancial do superávit primário ao longo de vários anos.

Era isso que Levy tinha em mente quanto anunciou metas de superávit primário de 1,1% do PIB, em 2015, e de 2%, em 2016. Mas, a esta altura, já está claro que, tendo em conta a provável evolução do PIB e das taxas relevantes de juros, o superávit primário requerido para sustar o crescimento da dívida como proporção do PIB terá de ser muito superior a essas metas. E, no entanto, o governo talvez só consiga assegurar pouco mais da metade da meta anunciada para 2015.

Já há quem ache que o país agora marcha para inexorável rebaixamento da dívida soberana pelas agências de classificação de risco. E que precisa se preparar para uma provável perda do grau de investimento. Pode até ser. Mas ainda é cedo para jogar a toalha.

A melhor opção com que conta o governo é continuar a apostar na credibilidade de Levy e nas possibilidades de um jogo totalmente transparente, que deixe claro que, em meio à grave crise que vive o país, o ministro está explorando os limites do possível na política fiscal.

Nesse quadro, só se pode ver com grande preocupação a inoportuna proposta de criação de uma banda de tolerância para a meta de superávit primário, feita pelo ministro Nelson Barbosa, que continua mostrando incorrigível fascínio pelo ilusionismo.

Seria um movimento na contramão do que agora se faz necessário. O que o país necessita é de mais precisão e transparência sobre o ajuste fiscal possível. E não de uma cortina de fumaça que torne os prognósticos sobre a política fiscal ainda mais incertos do que já são.

A analogia com a meta de inflação é equivocada. O superávit primário é um mero instrumento de política econômica, cujo manejo está hoje inteiramente determinado pela urgência de manter a dívida pública sob controle. Não pode ser equiparado à inflação, variável para a qual se estabelece meta de caráter final.

A meta de superávit primário tem caráter intermediário. E o que se supõe, na condução de uma política fiscal realista, é que o governo tenha pleno controle sobre o superávit primário, exercendo a contenção de gastos que se faça necessária, tendo em conta o desempenho da receita.

Tampouco faz sentido confundir a proposta com uma política de metas ciclicamente ajustadas, que teria feito todo sentido, anos atrás, quando o quadro fiscal era bem mais favorável, como em 2010, ano em que o governo preferiu promover uma farra fiscal pró-cíclica sob os acordes da "nova matriz macroeconômica". Agora já não há mais espaço para as sutilezas do superávit primário ciclicamente ajustado. Em meio ao sufoco em que se meteu, o país está hoje condenado a conduzir a política fiscal de olhos fixos na dinâmica adversa da dívida pública.

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Rogério Furquim Werneck, economista, professor da PUC-Rio

Míriam Leitão - Fator político

- O Globo

Não há boas respostas para as perguntas políticas que a agência Moody"s tem feito às autoridades brasileiras. Por isso, não há respostas seguras para as questões econômicas. Sobre a trajetória dos gastos públicos, será difícil dizer com precisão, porque a experiência do primeiro semestre deste ano foi que, em cada proposta de ajuste, os parlamentares aprovaram um aumento de despesa.
A grande dúvida brasileira é política, porque as dificuldades econômicas são claras. A presidente não tem liderança sobre a coalizão, e líderes políticos da base governista estão rebelados pelos mais variados motivos. Alguns têm a ver com as operações da Polícia Federal e as investigações do Ministério Público, que seguem sua própria agenda de trabalho. A oposição, por sua vez, esqueceu o que escreveu, falou e implantou. Nada garante que o segundo semestre seja melhor do que esse que passou.

Uma agência de classificação não é uma missão do Fundo Monetário Internacional monitorando a política econômica do país. Quando o Brasil era endividado, as visitas das missões do FMI eram um estresse porque definiam se teríamos ou não mais empréstimos para rolar a dívida externa. Agora, temos mais reservas internacionais do que dívida externa, e o FMI só dá as caras aqui para a visita rotineira de cada ano para preparar a análise de conjuntura. Contudo, a agência de risco dá uma nota, e ela se transforma em mais ou menos juros cobrados do Brasil e das empresas brasileiras em suas captações no mercado internacional. Ela define o custo do dinheiro ao país.

As agências cometeram erros sequenciais em avaliações de empresas e de países. Não viram sucessivas crises. Mais recentemente, foram apanhadas de surpresa pelo subprime, davam nota máxima a companhias que entraram em parafuso, como a General Motors ou a AIG. Foram flagradas em casos de conflito de interesse, em que formatavam produtos financeiros com ativos tóxicos, aos quais davam notas boas. Mesmo assim, elas continuam sendo consideradas pelos investidores, principalmente os grandes fundos de pensão, na hora de alocar seus recursos. São falhas, porém inevitáveis no mundo das finanças internacionais.

Por isso, o Brasil recebe a Moody"s com preocupação. Já se espera um rebaixamento de um degrau, o que nos deixaria ainda com nível de investimento. O que se luta é para evitar que, além do rebaixamento, o Brasil seja colocado em perspectiva negativa. Ou seja, rebaixa e avisa que pode haver nova queda para breve. Isso ainda não está incorporado nas projeções, segundo o economista-chefe para América Latina do banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho.

- Uma redução do rating seguida de perspectiva negativa pode gerar volatilidade porque não está no preço, o mercado vai reagir - disse.

Ontem, o BNP revisou sua projeção para o PIB do Brasil, para -2,5% este ano e -0,5% no ano que vem. Um dos motivos é justamente a crise política, que está aumentando as incertezas na economia e atrasando a recuperação da confiança dos empresários.

- A saída da crise passa pelos investimentos. Por isso, recuperar a confiança é o primeiro passo. Não tenho dúvidas de que essa crise política não estava no radar do ministro Joaquim Levy quando ele pensou no ajuste fiscal - explicou.

Pela agência Standard & Poor"s, o Brasil está a um passo de perder o grau de investimento, mas a perspectiva é estável. Antes de um novo movimento, provavelmente haverá o alerta do viés negativo, o que dá um certo tempo ao ajuste. Se a Moody"s reduzir a nota, ficará no nível da S&P, e o país ficará na marca do pênalti em duas agências. Isso já é notícia ruim o suficiente.

O Brasil demorou muitos anos para conseguir o grau de investimento. Teve que fazer reformas difíceis, ainda que indispensáveis, e superar uma enorme desconfiança em relação à capacidade brasileira de superar seus entraves. Este governo está produzindo o retrocesso. Já fomos rebaixados, e há riscos concretos de, no futuro, perdermos o grau de investimento.

A dívida pública aumentou muito no governo Dilma, o superávit primário desapareceu, o crescimento minguou e virou recessão. Do ponto de vista macroeconômico, é difícil fazer o ajuste em ambiente recessivo e com inflação em nível que exige juros altos. O pior é quando a isso se junta um cenário político complexo e imprevisível como o atual.

Celso Ming - Intervenção na Grécia

- O Estado de S. Paulo

Por falta de opção melhor, a Grécia hoje está sob intervenção mais ou menos consentida. Gomo é necessário transpor para o varejo as decisões tomadas no atacado, é preciso perguntar até que ponto isso vai funcionar.

Mas já há algumas observações a fazer. Uma delas tem á ver com a questão da unidade política (e fiscal). O euro opera sem mecanismos institucionais que assegurem a unidade de um conjunto de países diferentes entre si, que rodam a velocidades também diferentes. Não se pode atrelar dois bois e dois cavalos a uma mesma quadriga. O resultado não pode ser bom.

Depois de 13 anos de funcionamento do bloco, as diferenças econômicas aumentaram. A enorme disparidade de volume e de qualidade, tanto de arrecadação quanto de despesa, sabotou as condições de funcionamento da área monetária que já não era ótima, como pedia desde a década de 60 o economista canadense Robert Mundell A intervenção agora imposta à Grécia parece ter sido o jeito encontrado pela cúpula do euro para enquadrar um membro relapso. Se essa experiência, que não deixa de ser traumática, se tornará ou não fator destinado a apressar o processo de unificação fiscal e política é coisa que ainda terá de se ver. Mas parece claro que o caso da Grécia, hoje sob comando do primeiro-ministro Alexis Tsipras (foto), demonstra que há limites para a existência e o alargamento de disparidades dentro do bloco.

Outra conclusão é a de que, uma vez incorporado a uma união monetária (ainda que imperfeita como a do euro), qualquer membro terá muita dificuldade para deixá-la. O retorno a uma moeda nacional não pode ser feito de um dia para o outro. O processo requer debates nos parlamentos para aprovação de um arcabouço legal da nova moeda. E como essas trocas não acontecem em condições de paridade, mas implicam valorização, produzem brutal redução de salários, aposentadorias, do valor das propriedades e das aplicações financeiras. (Enormes transferências de riqueza, só que em sentido inverso, aconteceriam também se a Alemanha resolvesse abandonar o euro e reintroduzir o marco.)

Alguém poderia observar: o Brasil não passou por isso tantas vezes e, no entanto, sobreviveu. Por que a economia grega não sobreviveria?

É bem diferente uma troca de moedas quando uma delas deixa de existir como aconteceu por aqui na substituição do cruzeiro pelo cruzeiro novo ou do cruzeiro real para o real. Na hipótese do retorno da dracma à Grécia, o euro continuaria como moeda comum do resto do bloco. Faria parte da memória do grego e continuaria a ser medida de valor. A sensação de empobrecimento seria cruel.

Para evitar acordar dias depois com seu dinheiro derretido nos seus bancos, os gregos correram para sacar o que podiam. Daí por que passou a ser necessário controlar o fluxo de capitais e limitar ao mínimo as retiradas. Bancos fechados, por sua vez, produzem o colapso do sistema de pagamentos. Assim, fica impossível de arrecadar e as contas públicas tendem à desagregação.

Por essas e outras razões, o atual processo na área do euro é de grande valia para entender o que pode acontecer quando uma união monetária defeituosa como a do euro entra em crise.

Rosario Flores y Diego El Cigala - Te quiero te quiero

Fernando Pessoa - Acordar

Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja

A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E llrios também...

Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palác ios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também..

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Opinião do dia – Roberto Freire

“Você não elegerá um presidente, mas é a maioria que vai governar o país. Muitas vezes você elege um presidente, mas ele não consegue ter maioria no Congresso. Se fosse parlamentarismo, Dilma já teria ido embora para casa há muito tempo.

E o mais importante do parlamentarismo: se não houver maioria, o Congresso é dissolvido e o povo vota para escolher uma nova maioria. Sem gerar nenhuma crise e nenhum impasse. Não há nada mais democrático que isso.

Ninguém vai escolher um salvador da pátria, alguém que vá resolver todos os nossos problemas. Vamos escolher o partido e o programa que vai formar a maioria e governar.”
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Roberto Freire é deputado federal e presidente nacional do PPS. Em entrevista ao programa “Falou, Tá Gravado”, comandado pelo apresentador Odilon Miau, na Rádio Integração FM, de Caraguatatuba (SP), quarta-feira (15)

Cardozo admite que doação oficial pode ser crime

Na contramão do PT

• À CPI da Petrobras, Ministro da Justiça admite que doações declaradas podem ser crime

Eduardo Bresciani – O Globo

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou em depoimento à CPI da Petrobras que doações eleitorais declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) podem ser consideradas crime, mas apenas se for provado que o beneficiário do recurso sabia da origem ilícita. O PT tem usado como estratégia de defesa na Operação Lava-Jato que como as doações foram registradas não poderiam ser enquadradas como ilegais. Delatores da investigação, porém, afirmam que recursos repassados ao partido eram, na verdade, parte do que foi desviado da Petrobras.

- Começam a surgir teses de que doações de campanha legais poderiam ensejar ações criminais se tiveram origem ilícita. Não creio que seja necessário apenas a identificação da origem, mas também que se tenha ciência dessa origem e acumpliciamento para que pudesse ser enquadrada - afirmou o ministro.

Cardozo sustentou que é necessário exigir o conhecimento do candidato sobre a origem para evitar que se façam injustiças.

- Se eventualmente uma empresa pratica uma falcatrua e doa dinheiro para alguém sem que esse alguém saiba, quem recebe não pode ser responsabilizado se estava de boa-fé - defendeu.

Em sua delação premiada, o dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou que os R$ 7,5 milhões doados à campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 tinham como origem recursos desviados da Petrobras. Pessoa disse ainda que o tesoureiro da campanha, Edinho Silva (Comunicação Social), teria lhe solicitado os recursos de forma "elegante" e mencionando o fato de a UTC ter contratos com a Petrobras. Edinho nega o diálogo e destaca a legalidade da doação.

Em um depoimento de cerca de seis horas em um plenário cheio e com grande presença de deputados petistas, o ministro da Justiça fez uma defesa veemente da presidente Dilma. Chegou a dizer que ela "paga o preço" por sua correção e honestidade:

- (Dilma) É uma pessoa de honestidade inatacável. Não está entre os defeitos da presidente Dilma Rousseff a desonestidade. Seus próprios adversários reconhecem. Tenho certeza de que nenhum fato relativo a corrução, desvio de dinheiro público ou improbidade chegará perto da presidente.

O ministro negou que tenha sido tratado sobre a Operação Lava-Jato na reunião que ocorreu em Portugal entre Dilma e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. Afirmou que ele e o presidente do STF se deslocaram mais de 100 quilômetros para encontrar a presidente porque houve uma incompatibilidade de agenda para realizar a reunião antes da viagem. Tratou ainda como naturais os encontros que teve com o procurador-geral da República e advogados da Odebrecht, uma das empresas investigadas.

- São atribuições do ministro da Justiça encontrar com advogados, juízes e membros do Ministério Público. Estranho seria se eu tivesse encontrado com médicos ou engenheiros - ironizou.

Ministro nega ingerências
Garantiu nunca ter recebido qualquer pedido dela sobre controle de investigações. Afirmou também que jamais atuou para controlar ou direcionar qualquer inquérito na Polícia Federal. Afirmou que as delações premiadas são instrumentos de investigação e que podem conter mentiras ou "meias verdades".

- Delações premiadas não são sentenças condenatórias. São guias de investigação. O delator pode falar a verdade, mentir ou falar meias verdades. O que diz não tem valor probatório, tem de ser investigado - afirmou.

Cardozo criticou os vazamentos por fazerem com que pessoas acusadas sejam atingidas em sua honra previamente a uma investigação que poderá comprovar ou não a acusação. Reiterou que há inquéritos em andamento para apurar esses casos.

Temer diz que ação da PF abala 'tranquilidade institucional’

Com base sob investigação, Temer vê abalo da ‘tranquilidade institucional’

• Crise. Líderes do PMDB e de outros partidos aliados ao governo apontam articulação do Planalto para enfraquecer TCU e Congresso com o avanço da Operação Lava Jato sobre políticos com foro privilegiado; corte e Casa deverão julgar contas da gestão Dilma Rousseff

Erich Decat, Daniel Carvalho e Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Um dia após deflagrada a Operação Politeia, a cúpula do PMDB e integrantes de outros partidos da base aliada reagiram aos mandados de busca e apreensão nas residências de senadores e deputados e passaram a articular retaliações contra o governo, a quem acusam de estar por trás de uma operação para enfraquecer o Tribunal de Contas da União (TCU) e também o Congresso. O ambiente contaminado pela ação da Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, levou o vice-presidente da República e articulador do Palácio com o Congresso, Michel Temer, a considerar que a operação abala a "tranquilidade institucional" do País.

Questionado sobre a ação, ele disse: "Temos que buscar no País uma certa tranquilidade institucional porque essas coisas todas estão, digamos assim, abalando um pouco a natural tranquilidade que sempre permeou a atividade do povo brasileiro". O TCU e o Congresso deverão julgar nos próximos meses as contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff. Se for condenada, poderá ser aberta contra ela uma ação por crime de responsabilidade que, no limite, pode resultar em seu impedimento. Ontem, a avaliação na base era a de que, a persistirem as investidas judiciais contra parlamentares, o contra-ataque virá com a rejeição das contas e consequente abertura do processo de impeachment.

Após reunião com os presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL); da Câmara, Eduardo Cunha (RJ); e com ex-presidente da República José Sarney (AP) para anunciar investimento nas redes sociais do partido, Temer também anunciou a ruptura com o PT para as eleições de 2018. "Estamos abertos a todas as alianças com todos os partidos. Apenas o que está sendo estabelecido é que o PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018", afirmou o vice-presidente. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou no mesmo dia das buscas da Politeia para o presidente do Senado. Na ocasião, Lula e Renan conversaram sobre os impactos políticos da ação da Polícia Federal.

"O clima de impeachment cresce no Congresso. Chegando na Câmara, o processo inicia", afirmou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Arthur Lira (PPAL), aliado de Cunha. Ambos são citados nas investigações da Lava Jato e também podem ser alvo de futuras operações da PF. O entendimento na base é de que houve participação do governo na Politeia com o objetivo de implicar os julgadores da conta de Dilma em irregularidades – TCU e Congresso. As buscas ocorreram nas residências de três senadores – Ciro Nogueira (PP-PI), Fernando Collor (PTB-AL) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)-, além do deputado Eduardo da Fonte(PP-PE); do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte; e do ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC).

Os agentes federais também realizaram busca e apreensão no escritório do advogado Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Lista de retaliações.Além de dificuldades para Dilma no julgamento das contas, outras retaliações foram discutidas ontem. Uma das respostas planejadas é a convocação de ministros próximos à presidente. Ontem foidado um sinal disso. Após intervenção de petistas, um requerimento de convocação do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) se transformou em convite na Comissão de Minas e Energia da Câmara.

Comissões parlamentares de inquéritos também devem ser instaladas logo após o fim do recesso parlamentar, como a do BNDES e a dos fundos de pensões. Para atormentar o Planalto, contrário à criação das comissões, articula-se ainda a entrega das relatorias a integrantes da oposição. Projetos que divergem dos interesses do governo também devem avançar, como o que trata da repatriação de recursos não declarados no exterior.

Partido defende ruptura com PT e candidato próprio
A cúpula do PMDB oficializou na manhã de ontem o início do processo de ruptura com o PT para as eleições de 2018. Em evento para anunciar investimento nas redes sociais do partido, os principais líderes peemedebistas, além de deputados e senadores, defenderam que o partido tenha candidato à Presidência na próxima eleição. "É uma postulação de todo o PMDB", afirmou o vice-presidente Michel Temer, articulador político do governo. O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), disse que a atual aliança com o PT é "circunstancial". "Hoje é dia 15, dia do PMDB. É o dia mais propício para que a gente possa dar a largada", completou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Segundo ele, como "time que não joga não tem torcida", o PMDB precisa enfrentar as eleições./ D.C. e I.P

Ao falar sobre crise, presidente diz que não é do tipo que 'desiste'

• Dilma Rousseff reiterou que momento atual. é de "dificuldade econômica", mas que não vai cruzar os braços, em evento no Sul

Valmar Hupsel Filho, Carla Araújo – o Estado de S. Paulo

Alvo de protesto de um grupo de cerca de l00 pessoas, segundo a Polícia Militar, a presidente Dilma Rousseff disse ontem, em Santa Catarina, sem fazer referência direta ao delicado momento político pelo qual passa, que é preciso "humildade" para reconhecer que se passa por dificuldade, mas também é preciso "coragem e dignidade" para poder superá-las. Após dizer que o País passa por "dificuldades econômicas" a presidente completou que não é do tipo de pessoa que "recua" diante dos problemas.

"Mas eu quero dizer para vocês que tem gente que diante da dificuldade desiste, abaixa os braços, recua. Nós não somos esse tipo de gente. Nós enfrentamos as dificuldades", disse arrancando aplausos do público que acompanhava de perto a cerimônia de in inauguração da ponte Anita Garibaldi, em Laguna (SC). "É preciso humildade para reconhecer que se passa por dificuldade, mas também é preciso coragem e dignidade para poder superar as dificuldades", acrescentou.

Na cerimônia, a presidente estava acompanhada dos ministros Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) e Manoel Dias (Trabalho), além do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, e do prefeito de Laguna, Everaldo dos Santos.

Otimismo. Dilma usou a ponte, comemorada na região como importante instrumento de ligação entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, como metáfora para pedir união nesta atual fase de enfrentamento da crise política. "O que queremos no Brasil é que se construam pontes porque juntos somos capazes de superar todas as dificuldades". A presidente aproveitou ainda para mandar uma mensagem otimista .

"E essa ponte faz paste dessa construção, da nossa capacidade de reagir. Pode ter certeza: o Brasil irá voltar a crescer, gerar cada vez mais pontes como essa, gerar empregos, contar com a sua população trabalhadora", disse. O discurso ontem da presidente, entretanto, foi diversas vezes abafado pelo ruído de uma manifestação, embaixo da ponte, protagonizada por servidores do Judiciário federal em defesa da sanção do projeto que propõe reajuste para a categoria.

Governo se aproxima de Renan e Cunha sob temor de retaliação

Vera Rosa – O Estado de S. Paulo

Um dia depois de deflagrada a operação da Polícia Federal para busca e apreensão de bens e documentos em casas de políticos da base aliada, como o senador Fernando Collor (PTB-AL), o governo decidiu intensificar as conversas com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). No Palácio do Planalto é comum o comentário de que Cunha e Renan Serão as próximas "vítimas" da Lava Jato, mas não há consenso sobre as consequências dessa ação. Embora ministros digam que, se isso ocorrer, a ala do PMDB pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff ficará. fragilizada e sem munição para o ataque, não são poucos no governo que temem as retaliações.

"A lâmina de Eduardo Cunha aumenta conforme as circunstâncias", resumiu um auxiliar de Dilma ao Estado, sob a condição de anonimato. "Além disso, Renan já deu provas de que não está ouvindo nem o ex-presidente Lula." Apesar do discurso de que não temem investigações, tanto o presidente da Câmara como o do Senado ameaçam infernizar a vida de Dilma com CPIs e projetos que aumentam as despesas do governo, se forem denunciados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Até agora, o vice-presidente Michel Temer, articulador político do Planalto, e o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, são os interlocutores escalados para jogar água na fervura e vão propor uma trégua a Cunha e Renan. Os novos capítulos da crise ocuparam boa parte da conversa entre Dilma e Temer, na noite de ontem, no Palácio do Planalto. Em depoimento à CPI da Petrobrás, ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, lançou mais uma vacina em defesa do governo. Disse que as decisões referentes à Operação Politeia partiram de Janot e do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, por envolverem políticos com foro privilegiado.

"A Polícia Federal foi apenas executora", argumentou. O Planalto avaliou que Cardozo mostrou segurança e "passou no teste" da Câmara. Na tentativa de pressionar o governo, a CPI convocou o titular da Justiça para falar sobre a Lava Jato e os vazamentos das investigações. Ministros avaliaram, porém, que o tiro da oposição "saiu pela culatra" porque Cardozo desmontou "intrigas” dando até mesmo detalhes de recente reunião entre ele, Dilma e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski na cidade de Porto, em Portugal, para tratar do aumento dos servidores do Judiciário. "Quando vivemos uma fase em que os nervos estão à flor da pele, qualquer situação vira misteriosa. Mas eu garanto que não tratamos da Operação Lava Jato. Se fosse para tratar disso, a conversa seria com o ministro Teori", insistiu Cardozo ontem na CPI.

Agora, além da apreensão com o clima de turbulência no Congresso, o governo está preocupado com o impacto da nova etapa da Lava Jato sobre nomes influentes do PT. Motivo: informações reservadas indicam que, nos próximos dias, os ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci também estarão na mira da Operação Politeia.

Planalto se prepara para retaliações de Cunha e Renan

• Presidentes da Câmara e do Senado associam Governo à investigação

Simone Iglesias, Júnia Gama e Isabel Braga – O Globo

BRASÍLIA - Apesar do que diz o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a incapacidade do governo de controlar as operações da Polícia Federal, o Planalto já espera uma declaração de guerra por parte dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, na semana que vem, quando são aguardadas denúncias contra eles. As buscas e apreensões nas casas e escritórios de deputados e senadores na terça-feira contaminaram de vez o ambiente.

- O vazamento de informações de que Renan e Eduardo Cunha serão denunciados na semana que vem é uma tentativa de constrangê-los, mas é o tipo de coisa feita sem nenhuma inteligência, porque só deixa os dois ainda mais ouriçados - avaliou um integrante do governo.

No Congresso, a resposta é a retaliação. O governo fechará o primeiro semestre sem ter conseguido aprovar o último ponto do ajuste fiscal: a medida que aumenta os impostos sobre a folha de pagamentos das empresas. Os apelos de Dilma e do ministro Joaquim Levy (Fazenda) não surtiram efeito e o projeto, assim como a unificação das alíquotas do ICMS ficaram para agosto e serão votados em um clima ainda mais conflagrado, já que após o recesso o TCU julgará as contas do governo Dilma.

- Há muita má vontade com ela. Dilma está praticamente inviabilizada no Congresso - avaliou um parlamentar da base do governo.

A presidente Dilma Rousseff se reuniu ontem com o vice-presidente e articulador político do governo Michel Temer depois de voltar de uma viagem a Santa Catarina. Segundo integrantes do governo, Dilma tratou com o vice das votações no Congresso, principalmente do pacote do ajuste fiscal. Mas no Planalto a percepção é que a relação com a Câmara e o Senado será difícil. Até mesmo o veto, já sinalizado mas ainda não publicado, aos projetos que aumentam em mais de 70% os salários do Judiciário e o que equipara reajustes das aposentadorias à fórmula do salário mínimo correm o risco de ser derrubados. Trata-se de duas enormes bombas fiscais para o governo e a avaliação de um ministro é que uma eventual derrubada dos vetos "será um desastre".

Incomodado com a informação, divulgada ontem pela "Folha de S.Paulo", de que o governo conta com sua denúncia pela Procuradoria-Geral da República, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, sinalizou que poderá instalar no segundo semestre uma série de CPIs com potencial crítico para o Planalto, como as do BNDES e dos fundos de pensão.

Aliados de Cunha dizem que ele foi informado de que Janot poderia apresentar a denúncia contra ele na sexta-feira, coincidindo com o pronunciamento que ele fará em rede nacional. Boa parte dos partidos da base aliada chama de midiática a ação da Polícia Federal, citando a apreensão de carros de luxo do senador Fernando Collor (PTB-AL), e acreditam que Janot e o ministro da Justiça estão "jogando juntos". Ontem, Cunha ironizou a possibilidade de ser feita uma busca em sua casa:

- A porta da minha casa está aberta, podem ir a hora que quiserem. Acordo seis horas. De preferência que não cheguem antes, para não me acordar.

Os sinais de irritação e fadiga com o Planalto podem ser vistos com atitudes recentes de líderes da base aliada. O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), por exemplo, não compareceu nem ao café da manhã e nem à audiência do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na Câmara. Segundo Picciani, não foi ao encontro porque "a agenda não permitiu". Picciani também havia avisado ao vice-presidente, Michel Temer, que não poderia comparecer à reunião dos aliados na terça-feira.

Ontem, ele criticou a medida provisória que cria dois fundos para compensar estados pela reforma do ICMS e, em plenário, sugeriu que a Cunha que rejeite a medida assim que ela chegar à Câmara. Dando o tom da beligerância, Cunha rebateu:

- Essa MP já nasceu morta.

Um dos principais aliados de Cunha, o deputado Paulinho da Força (SDD-SP), ainda preparou uma retaliação final ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Ele apresentou uma emenda a um projeto que, na prática, veda a recondução dos procuradores gerais da República. Se for aprovada pelas duas Casas do Congresso antes de setembro, quando termina o mandato de dois anos do atual procurador, sua recondução poderá ser afetada.

No PMDB, unidade por candidatura própria

• Cúpula do partido deixa claro movimento de distanciamento do PT, um dia após operação da PF

Simone Iglesias e Júnia Gama – O Globo

BRASÍLIA - Um dia após a deflagração da Operação Politeia, que levou a Polícia Federal a fazer buscas e apreensões nas casas e escritórios de deputados e senadores, o vice-presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), escancararam a intenção de romper a aliança com o PT e ter candidato próprio à Presidência da República, em 2018.

- O que está sendo estabelecido é que o PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018. Estamos abertos para todas as alianças com todos os partidos - ressaltou Temer.

Eles participaram do lançamento da nova página da Fundação Ulysses Guimarães, o centro de estudos do partido, no Facebook. Um dos maiores críticos do governo atualmente, Renan adotou a mesma linha.

- O PMDB tem uma aliança estratégica com o PT, circunstancial, porque ela deveria acontecer em torno de um programa, mas o PMDB está deixando claro desde logo que vai ter um projeto de poder, com um candidato competitivo a presidente da República - defendeu o senador.

Em pé de guerra com o governo e o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, Cunha afirmou que a aliança entre os dois principais partidos governistas "já acabou". Disse que é "zero" a chance de PT e PMDB estarem juntos em uma aliança para 2018.

- O PMDB quer distância do PT. Não é distância da base, até porque muitas vezes o PT parece que não está na base. O PMDB está ainda na base de apoio ao governo, tem responsabilidade com a governabilidade. Mas a chance do PMDB se aliar ao PT em 2018, se não é zero, é de 0,0001 - disse Cunha, antes de iniciar a sessão de votação na Câmara.

O peemedebista comparou a relação entre os dois partidos com um relacionamento que chegou ao fim.

- A aliança com o PT já acabou, é um casamento com gente dormindo em casas separadas - afirmou o presidente da Câmara.

Depois do evento, Temer foi ao gabinete de Renan pedir que ele agilize a votação do projeto de repatriamento de recursos não declarados à Receita Federal. Apesar da tensão reinante no Congresso com a Operação Politeia, Temer disse ainda que é hora de buscar tranquilidade, num momento de forte conflagração entre o governo e o Congresso. Disse que o ambiente "há de melhorar":

- O Brasil precisa de otimismo.

Não temos que nos impressionar com esses atos e levar adiante a ideia de uma grande pacificação nacional - disse Temer.

O vice-presidente tratou da Operação Politeia como "assunto extremamente delicado" e afirmou ser preciso aguardar os acontecimentos:

- Temos que buscar no país uma certa tranquilidade institucional porque essas coisas todas estão abalando um pouco a natural tranquilidade que sempre permeou a atividade do povo brasileiro. Temos que ter tranquilidade, temos que buscar isso - afirmou Temer.

Para ele, há um clima de desestabilização no país que não é resultado apenas da Operação Lava-Jato. Segundo ele, essa situação não é "útil" ao país.

- Não é a Operação Lava-Jato (que está desestabilizando). Sinto que há um clima de certa discordância que não é útil para o país e nem é muito fruto do espírito do povo brasileiro. O que precisamos é buscar uma concórdia de todos os brasileiros - disse.

Cardozo contraria PT e diz que doação legal pode ser crime

• Para isso é necessário que o recebedor saiba da origem ilegal, ressalta Cardozo

• Petista disse que, se comprovada, a escuta encontrada na cela do doleiro Youssef é um "ato gravíssimo"

Aguirre Talento – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Contrariando o discurso político do PT e do governo Dilma Rousseff, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta quarta-feira à CPI da Petrobras que doações eleitorais registradas legalmente podem ser criminalizadas como fruto de propina caso o recebedor tenha ciência da origem ilegal.

Ressaltando se tratar de sua opinião jurídica pessoal, Cardozo ressaltou que é necessário que o recebedor dos recursos tenha ciência da origem delituosa, mas admitiu que a doação legal pode ser criminalizada.

"Começam a surgir teses de que doações de campanha legais poderiam ensejar situações criminosas se tivessem uma origem ilícita. Eu pessoalmente não creio que seja necessária somente uma origem ilícita [do dinheiro], mas seria necessária uma ciência daquele que recebeu a doação", afirmou.

Seguindo o raciocínio, ele disse que seria necessário comprovar a cumplicidade do recebedor da doação para que pudesse "ser enquadrada efetivamente em uma conduta dolosa que pudesse ensejar responsabilização".

"Não podemos nunca culpar alguém sem a demonstração inequívoca de que soubesse ou participou da obtenção de dinheiro", completou.

O principal argumento de defesa do PT em relação à acusação feita por delatores da Operação Lava Jato é que doações recebidas por empresas agora investigadas foram legais e registradas na Justiça Eleitoral.

Petistas têm sustentado que não seria possível "criminalizar" doações legais. Delatores, porém, afirmam que as doações foram uma forma de pagar propina ao partido.

Escutas
À CPI o ministro afirmou também que a escuta na cela do doleiro Alberto Youssef, na carceragem da Polícia Federal no Paraná, foi um "ato gravíssimo" caso seja comprovada sua ilegalidade, mas que ele não controla inquéritos nem induz investigações. O caso está sob investigação da corregedoria da PF.

"Escutas ilegais jamais podem ser feitas, e aí podem ter absoluta certeza de que se ficar comprovado, pouco importando a razão, haverá punições, sim, àqueles que praticaram. Mas para isso é necessário que se apure, se verifique e se identifique responsabilidades", disse.

Há duas semanas, a CPI ouviu dois policiais federais que afirmaram que a escuta foi ilegal, contrariando uma primeira sindicância interna feita pela PF que concluiu que a escuta estava inativa.

Foi por conta das escutas que Cardozo e delegados que atuam na Lava Jato foram chamados à CPI –estes ainda não foram ouvidos.

A Polícia Federal vê o movimento da CPI como uma possível tentativa futura de acusados tentarem anular a Lava Jato. Integrantes do órgão avaliam que, mesmo se houve escuta ilegal, essas provas não foram usadas nos autos, o que impediria a anulação da operação.

O ministro ainda rebateu as críticas de setores do PT que reclamam falta de controle sobre a Polícia Federal.

"Quando se fala que o ministro da Justiça não controla as investigações ou que ele instrumentaliza as investigações, se tem uma má compreensão do que pode acontecer. Ele não pode controlar, não pode instrumentalizar. Ele é um fiscal da sua legalidade, do abuso de poder, de autoridade", declarou.

O deputado Bruno Covas (PSDB-SP) questionou Cardozo sobre o encontro da presidente Dilma com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, na cidade de Porto, em Portugal, na semana passada. Ele afirma que o tema foi o reajuste do Judiciário.

"Foi tratado sobre a Lava Jato? Não", disse o ministro.

Dilma é vaiada durante inauguração de ponte em SC

Jeferson Bertolini – Folha de S. Paulo

LAGUNA (SC) - A presidente Dilma Rousseff foi alvo de protestos, nesta quarta-feira (15), em Laguna, durante a inauguração da ponte Anita Garibaldi, a maior obra do governo federal em Santa Catarina.

A petista foi vaiada por servidores dos Correios, do Judiciário Federal, da Polícia Rodoviária Federal e por integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre).

A maioria dos manifestantes ficou do lado de fora da tenda montada sobre a ponte para a cerimônia de inauguração. Dentro da lona, um pequeno grupo tentou interromper mais de uma vez o discurso da presidente gritando "o povo, na rua, Dilma a culpa é tua". O grupo foi vaiado pelas pessoas que acompanhavam o evento.

Dilma disse que o país "enfrenta dificuldades econômicas", mas afirmou que "o Brasil voltará a crescer e gerar empregos".

A coordenação do grupo estimou em mil o número de manifestantes. A Polícia Militar não fez estimativas.

PMDB reivindica cabeça de chapa presidencial em 2018

Raquel Ulhôa - Valor Econômico

BRASÍLIA - Vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer disse ontem que o partido terá candidatura própria à Presidência em 2018. "Estamos abertos a todas as alianças, com todos os partidos, apenas o que está sendo estabelecido é que o PMDB quer ser cabeça de chapa em 2018", disse. Em evento na Fundação Ulysses Guimarães, órgão de estudos e formação política do partido, que reuniu suas principais lideranças nacionais, os discursos estavam afinados na afirmação da candidatura própria a presidente.

Sobre as ações deflagradas pela Polícia Federal na Operação Lava-Jato, cumprindo mandados de busca e apreensão em casas e escritórios de políticos, como o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), na terça-feira, Temer disse que os acontecimentos estão "abalando" a tranquilidade do país e defendeu a busca de "uma grande pacificação institucional".

"É um assunto extremamente delicado. Temos que aguardar os acontecimentos. Evidentemente, temos que buscar no país uma certa tranquilidade institucional, porque essas coisas todas estão abalando um pouco a natural tranquilidade que sempre permeou a atividade do povo brasileiro. Temos que ter tranquilidade. Temos que buscar isso. Não temos que nos impressionar com esses atos e levar adiante a ideia de uma grande pacificação nacional", disse o vice-presidente.

Segundo ele, há um clima de "certa discordância", que não é útil para o país. "Nós precisamos buscar a concórdia de todos os brasileiros. Como aqui, vários partidos revelando interesse por uma concórdia nacional."

Além de Temer, o ex-presidente José Sarney, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL), o senador Romero Jucá (RR), vice-presidente do partido, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), o líder da bancada pemedebista no Senado, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, participaram de ato de lançamento da nova plataforma digital do partido.

O evento foi considerado por Eduardo Cunha a largada do processo político do PMDB na busca de caminho próprio. "Estamos num momento político delicado e o PMDB faz parte de uma aliança com o PT, mas sabe que em 2018 quer buscar um caminho que não é com essa aliança. Time que não joga não tem torcida. (...) O PMDB é uma frente que nasceu de combate à ditadura. Muitos partidos que eram costela do PMDB estão hoje buscando seu caminho e o PMDB tem sido satélite de um projeto. O partido tem que buscar seu protagonismo. É o início da busca por seu caminho", disse Cunha.

Renan foi na mesma direção. "O PMDB tem uma aliança com o PT, uma aliança estratégica, circunstancial, porque ela deveria acontecer em torno de um programa, apenas de um programa. Mas o PMDB, desde logo, está deixando claro, absolutamente claro, que vai ter um projeto de poder, que vai ter um candidato competitivo à Presidência da República."

Eliseu Padilha, um dos pemedebistas mais próximos de Temer e diretamente envolvido na operação política do governo, afirmou que os dirigentes do partido estão agora alinhados na decisão de lançar candidato a presidente em 2018. Nem sempre foi assim. A cúpula sempre esteve dividida com relação a apresentar nome na disputa ao Palácio do Planalto ou se aliar a PT ou PSDB.

"Em que pese as nossas diferenças pessoais e regionais, estamos constituindo a necessária unidade para apresentar uma campanha exitosa à Presidência da República. É só o que falta. Em outros tempos, havia segmentos importantes do partido que entendiam que aliança para lá ou para cá eram o melhor caminho para o partido. Agora, é uníssono que a candidatura própria é melhor", disse ao Valor.

Brasília e o volume morto

Jeferson Ribeiro – O Globo

O ditado popular de que não há nada tão ruim que não possa piorar se aplica muito bem ao cenário político em Brasília desde anteontem, quando a Polícia Federal vasculhou o endereço de parlamentares investigados pela Operação Lava-Jato, pondo uma faca no pescoço do Congresso.

O episódio deixa mais tenso o ambiente político e a relação entre os Poderes, mais conturbada desde a inclusão dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) na lista de inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal, na Lava-Jato.

Nesse cenário, há poucas razões para otimismo, de um lado a outro da Praça dos Três Poderes.

A presidente Dilma e seu impopular governo, por exemplo, tendem a ter contra si uma base ainda mais raivosa, Cunha e Renan à frente. Novas CPIs e aprovação de projetos que desequilibrem ainda mais as combalidas contas do governo são reações já dadas como certas.

Por outro lado, é possível que ambos os peemedebistas venham a ser denunciados à Justiça pela Procuradoria-Geral da República, o que poderia transformar em réus os chefes das duas Casas legislativas. Isso sem falar no eventual constrangimento de serem acordados em casa em breve por agentes federais, como aconteceu esta semana com alguns de seus colegas. Nessa hipótese, ambos se enfraqueceriam e se veriam obrigados a concentrar mais esforços em suas próprias defesas e menos na frenética pauta de votações que tem atormentado o governo.

A revelação de que Tiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, atua com desenvoltura na Corte de contas e, segundo um delator, teria intermediado propina a outro ministro do tribunal (Raimundo Carreiro), também causará impacto. Numa análise simplista, pode beneficiar Dilma, por jogar suspeitas sobre o tribunal que julgará suas contas no mês que vem. Porém, se os ministros considerarem que o governo influenciou a investigação para enfraquecê-los, isso pode se voltar contra a presidente.

Para a oposição, o ambiente político conturbado com Dilma enfraquecida perante um Congresso virulento é, em tese, benéfico. Mas seus adversários sempre poderão lançar mão do argumento de, no STF, também há inquéritos contra seus representantes, embora numa proporção menor.

A analogia que talvez melhor descreva a atual cena política de Brasília é a feita pelo ex-presidente Lula para explicar a situação de Dilma e do PT: estão quase todos no volume morto ou abaixo dele.

No parlamentarismo, "ninguém vai escolher um salvador da pátria", diz Freire

Por: Assessoria do parlamentar

Presidente do PPS afirma que novo regime de governo seria a alternativa mais democrática para a resolução de crises e projeta impeachment caso TCU reprove contas de Dilma

O deputado federal Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS, voltou a defender a instituição do parlamentarismo no Brasil a partir da próxima legislatura, em janeiro de 2019. Em entrevista ao programa “Falou, Tá Gravado”, comandado pelo apresentador Odilon Miau, na Rádio Integração FM, de Caraguatatuba (SP), nesta quarta-feira (15), o parlamentar disse que não vê alternativa mais democrática para a resolução de crises políticas e impasses institucionais.

“Você não elegerá um presidente, mas é a maioria que vai governar o país. Muitas vezes você elege um presidente, mas ele não consegue ter maioria no Congresso. Se fosse parlamentarismo, Dilma já teria ido embora para casa há muito tempo”, afirmou Freire. “E o mais importante do parlamentarismo: se não houver maioria, o Congresso é dissolvido e o povo vota para escolher uma nova maioria. Sem gerar nenhuma crise e nenhum impasse. Não há nada mais democrático que isso.”

Segundo o presidente do PPS, o parlamentarismo traria uma nova dinâmica à democracia brasileira e um amadurecimento político ao país, que adotaria o mesmo sistema utilizado pela maioria das principais nações democráticas do mundo. “Ninguém vai escolher um salvador da pátria, alguém que vá resolver todos os nossos problemas. Vamos escolher o partido e o programa que vai formar a maioria e governar.”

Impeachment
Questionado sobre o momento delicado vivido pelo país, com uma grave crise econômica aliada à crise política, Roberto Freire comparou a situação da presidente Dilma Rousseff com o impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. “A situação é complicada para ela [Dilma] e para o Brasil. Por isso mesmo é que se admite a possibilidade de impeachment”, avalia o deputado.

“Seria muito melhor para o país que não estivéssemos enfrentando essa situação crítica. Mas cabe dizer que o impeachment pode se impor. Ninguém o desejava lá atrás, com Collor, mas tivemos de fazer. Era muito mais importante para o país que removêssemos aquilo que era a causa de todo o desmantelo e a corrupção, que é o que está acontecendo agora com Dilma”, prosseguiu Freire.

Para o parlamentar, caso o Tribunal de Contas da União (TCU) emita um parecer que recomende a rejeição das contas do governo Dilma, o pedido de impeachment deverá ser protocolado na Câmara dos Deputados. “O TCU, ao que tudo indica, rejeitará as contas de Dilma pelas chamadas pedaladas fiscais. É crime de responsabilidade, previsto em lei, nos termos da Constituição, tudo dentro da legalidade democrática. Se isso acontecer, não tenho dúvida de que o pedido de impeachment terá tramitação na Câmara”, diz Freire.

Na entrevista, o presidente do PPS afirmou que o país vive “tempos sombrios” desde que o PT chegou ao poder, com “a corrupção desenfreada e os maiores escândalos da história republicana”. “Não foi o PT que inventou a corrupção. Mas, infelizmente, no governo do PT ela alcançou uma forma sistêmica como nunca houve antes na história republicana.”

O deputado ainda lembrou que muitos dos efeitos da crise sentidos pela população brasileira são decorrentes da irresponsabilidade do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tivemos um grande momento de crescimento da economia internacional, e o Brasil se beneficiaria muito disso se tivesse um bom governo aqui. Como tínhamos um péssimo governo, desperdiçamos oportunidades e hoje pagamos o preço”, analisa. “Esse endividamento das famílias é responsabilidade de Lula, que incentivou um consumismo que lhe dava índices de popularidade altíssimos. Nenhum país cresce baseado no incentivo ao consumo.”

Segundo Freire, a recuperação da economia brasileira é possível, mas não acontecerá em um futuro tão próximo. “Não será nem a curto nem a médio prazo, até porque a economia não produz nenhum milagre”, projetou. “De qualquer forma, a economia brasileira tem um grande potencial. Se você tiver um governo que inspire confiança, que seja decente, que seja honesto, que tenha clareza sobre o que vai fazer, com um projeto de desenvolvimento nacional, é possível encontrar um caminho. É preciso haver um novo governo.”

Câmara mantém 4 anos de mandato na reforma política; decisão sobre doações é adiada

• Votação da proposta em segundo turno será retomada em agosto

- Agência Câmara 

O Plenário da Câmara dos Deputados decidiu manter nesta quarta-feira (15) o mandato de quatro anos para presidente da República, governadores, prefeitos, vereadores e deputados. Senadores continuam com mandato de oito anos.

Os deputados retiraram do texto da reforma política (PEC 182/07), na votação em segundo turno, a alteração desses mandatos para cinco anos. E mantiveram o fim da reeleição para presidente da República. A data de posse de governadores e presidente, que mudaria para 4 e 5 de janeiro, permanecerá em 1º de janeiro.

Já a discussão sobre as doações das empresas, a maior polêmica da reforma política, foi adiada para agosto. Um questionamento regimental do líder do PMDB, deputado Leonardo Picciani (RJ), inviabilizou a análise de destaques para retirar do texto a autorização para as doações das empresas aos partidos. O financiamento empresarial de campanhas está sendo questionado no Supremo Tribunal Federal (STF), o que trouxe o assunto para o Legislativo.

Picciani afirmou que a tentativa de mudar o texto agora no segundo turno não pode ser aceita porque, se aprovada, vai deixar a PEC com um texto rejeitado em primeiro turno – o financiamento eleitoral apenas por pessoas físicas. “Nós não podemos ter uma votação que se preste a resgatar textos. Ou seja, que, sob a via de se suprimir, busque-se resgatar texto que tenha sido votado e rejeitado quando da votação em primeiro turno da matéria”, disse.

Depois de reunião de líderes, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que achou melhor adiar a votação para tomar uma decisão sobre o ponto questionado pelo PMDB que, segundo ele, colocou o Plenário diante de um “dilema regimental sério”.

Cunha comentou que, se a Mesa tivesse sido alertada antes, ele não teria considerado válidos os destaques apresentados por PPS e PT. “Não podemos correr o risco de tomar uma decisão e validar um texto constitucional que não teve respaldo em votação em dois turnos porque, se ficar só a doação de pessoa física, além de ter sido rejeitado no primeiro turno, não foi votado em dois turnos”, explicou.

Questionamento
O adiamento foi criticado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS), para quem a decisão foi baseada na percepção de que as doações de empresas não teriam os 308 votos necessários para aprovação. “O indicador de votos pendia para a derrota do financiamento e, percebendo isso, o líder do PMDB fez uma questão de ordem totalmente extemporânea”, condenou Fontana.

A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), também protestou. Ela disse que, mesmo retirando o financiamento de empresas, o texto não ficará igual ao votado em primeiro turno. E lembrou que, se o argumento é que não se pode votar matéria rejeitada, a emenda do financiamento empresarial não poderia ter sido votada em primeiro turno.

Coube ao líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), descartar que houve manobra contra a votação do financiamento. “Eu não conheço esses sinais [de que a proposta seria derrotada se votada nesta quarta]. A vitória no primeiro turno foi de mais de 330 votos e o sentimento do Plenário permanece o mesmo”, disse. Ele afirmou que o adiamento teve o aval da maioria dos líderes partidários.

O Plenário deve retomar a votação da PEC da Reforma Política na primeira semana de agosto. Além do financiamento empresarial de partidos, a Câmara vai decidir ainda sobre a distribuição do tempo de rádio e de televisão e do Fundo Partidário no caso de deputados que mudam de partido.

Senado aprova mudanças na distribuição de vagas das eleições proporcionais

- Agência Senado

O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (15), com 46 votos favoráveis e 9 contrários, o projeto que altera as regras da distribuição de cadeiras entre os partidos nas eleições proporcionais - para vereadores e deputados estaduais, federais e distritais (PLS 430/2015). Essa é uma das propostas apresentadas pela Comissão da Reforma Política.

O projeto determina que a distribuição de vagas deve ser feita respeitando o quociente eleitoral na votação obtida pelo partido, mesmo quando há coligações. Assim, as legendas que não alcançarem o quociente não podem disputar as sobras de vagas. As novas normas visam eliminar a figura do “puxador de voto”, quando candidatos muito bem votados acabam elegendo colegas de outros partidos coligados com baixo desempenho nas urnas.

O relator da comissão, Romero Jucá (PMDB-RR), esclareceu que outro objetivo é fortalecer os partidos e inibir a proliferação de novas legendas.

— Estamos fazendo com que cada partido procure se fortalecer para ter, efetivamente, um processo eleitoral que contribua com o país — disse Jucá.

A mesma defesa fez o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Para ele, é importante desestimular as legendas de aluguel.

— E [o projeto] desestimula os partidos de um dono só que pegam carona nas coligações para usurpar e sugar os votos de outros partidos para se eleger — observou Aécio.

O senador Telmário Mota (PDT-RR), por outro lado, foi contra a proposta. Argumentou que a ideia pode acabar com os pequenos partidos.

— Isso é um arranjo para facilitar para os maiores partidos. Eu vejo com isso mais um mecanismo de tirar proveito desse momento para beneficiar os grandes partidos — protestou Telmário.

Os senadores Reguffe (PDT-DF), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Donizeti Nogueira (PT-TO) também discutiram a proposta que seguiu para exame da Câmara dos Deputados.

'Pedaladas': relator do TCU sofre pressões

• Além da ofensiva do governo, Nardes é cobrado por colega do tribunal e por procurador

Vinicius Sassine – O Globo

BRASÍLIA - O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), relator das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff, está sofrendo pressão por todos os lados a uma semana da entrega das explicações da presidente para 13 indícios de irregularidades nas contas. A mais recente partiu de dentro do tribunal. Numa petição enviada a Nardes na última sexta-feira, o ministro-substituto André Luís de Carvalho cobrou do relator uma posição sobre pedido de explicações a respeito de um aspecto específico das contas de Dilma. O pedido foi feito pelo próprio Carvalho, e o relator decidiu não encaminhar a demanda à presidente antes de parecer da área técnica do tribunal. No documento, Carvalho reclama de "total subversão da lógica" no gesto do relator.

O mesmo tipo de crítica foi feito pelo procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao TCU. O parecer de Oliveira sobre as contas de Dilma foi enviado apenas ao advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, a exemplo do pedido de Carvalho. Oliveira divulgou nota sábado para contestar e criticar a iniciativa do relator.

A pressão sobre Nardes também inclui uma ofensiva do governo no Congresso em defesa das contas da presidente, e uma nova rodada de pressão junto aos ministros do TCU. Na linha de frente estão Adams e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Os dois elaboraram a linha da defesa de Dilma para os 13 indícios de irregularidades listados pelo TCU, entre eles as "pedaladas fiscais". Os parlamentares aliados já foram instruídas sobre como defender a legalidade das contas de Dilma.

Bancos reveem previsões para o PIB e já falam em recessão até em 2016

- O Estado de S. Paulo

A recuperação da economia brasileira deverá ser mais lenta do que o previsto. As projeções de bancos e consultorias para o crescimento do Brasil no ano que vem pioraram nas últimas semanas, e o risco de uma recessão entrou no radar dos analistas.

Essas expectativas mais negativas contrariam a aposta inicial da equipe econômica. Com o ajuste na política fiscal e monetária em andamento, o governo esperava uma recuperação do crescimento no fim deste ano ou no início de 2016.

A deterioração esperada para 2016 é acompanhada de um cenário ainda mais adverso para este ano. Nos últimos dias, os bancos Itaú e Bradesco deram o tom de mais uma rodada da piora das expectativas para este biênio.

Ontem, o Itaú alterou a projeção de recessão deste ano de -1,7% para -2,2%. Para 2016, passou a projetar uma contração de 0,2%, ante uma previsão anterior de crescimento de 0,3%. "Uma recuperação moderada ao longo do próximo ano não deve ser suficiente para compensar a queda já ocorrida na atividade (herança estatística) no crescimento médio de 2016. Os custos de produção seguem pressionados, limitando o crescimento no médio prazo", informou o relatório do banco.

Para o Bradesco, a economia brasileira deverá recuar 1,8% este ano e, em 2016, o PIB deverá ficar estagnado, "O ano de 2016 herdará um carrego estatístico muito negativo que virá de 2015", disse Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco.

O entrave para a recuperação da economia brasileira se dá porque a maioria dos setores não tem exibido sinais de recuperação. Neste ano, a desaceleração também chegou ao mercado de trabalho e à renda das famílias, o que deve dificultar a saída da recessão. Ao consumo da família, o consumo do governo e o investimento das empresas não devem estar funcionando plenamente em 2016. Então, é muito difícil acreditar que a economia brasíleira possa mostrar uma variação positivada taxa de crescimento", afirmou Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra.

Mais crise. O cenário econômico difícil se soma à turbulência política. Com baixo nível de aprovação, a gestão Dilma Rousseff tem tido dificuldade para negociar as medidas de ajuste com o Congresso e ainda lida com os efeitos da Operação Lava Jato. O governo também vai ter de explicar as "pedaladas fiscais" no Tribunal de Contas da União (TCU).

"Nós tivemos um período político completamente atípico, com a presidente em crise profunda com sua base, atrasando o ajuste econômico, que deveria ter sido rápido. Com isso, o que era para ter sido feito no fiscal e na política monetária rapidamente, no começo do ano, como choque de credibilidade, atrasou", afirmou Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados