quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Fim da ‘saidinha’ de presos corrige brecha na lei penal

O Globo

Apesar da derrota do governo, Lula não deveria vetar projeto caso ele seja referendado pela Câmara

O Senado aprovou na última terça-feira o Projeto de Lei (PL) que acaba com as “saidinhas” de presos da cadeia em feriados e datas comemorativas. A proposta, que tramitava havia 14 anos no Congresso, ainda voltará à Câmara para nova votação, pois o texto foi modificado pelos senadores. Mas não se espera resultado diferente. Além do consenso evidenciado pela maioria avassaladora — 62 votos a favor e apenas dois contra —, o governo, que se opõe ao PL, não conseguiu convencer sequer os senadores de sua base. O próprio líder governista, senador Jaques Wagner (PT-BA), decidiu liberar a bancada.

A aprovação do projeto traduz um sentimento que tem tomado conta da sociedade. Por mais bem-intencionada que seja a atual legislação penal, ela está repleta de brechas que precisam ser corrigidas, especialmente num momento de crise aguda na segurança pública.

Merval Pereira - Defeito de caráter

O Globo

As conversas entre o ajudante de ordens e generais quatro estrelas como Braga Netto mostram um nivelamento por baixo de funções e linguagem que impedem o respeito à hierarquia militar

Poucas vezes a face humana de uma crise política ficou tão revelada quanto na participação dos militares na comissão que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) montou para acompanhar a votação nas urnas eletrônicas na eleição de 2022. De um lado, o presidente do TSE, ministro do Supremo Luís Roberto Barroso, mostra-se “decepcionado” com a constatação da má-fé com que os militares usaram a chance de colaborar com as autoridades, garantindo uma eleição fora de dúvidas razoáveis sobre sua honestidade.

Do outro, um presidente da República que, se aproveitando do momento, colocou todo o seu esforço para demonstrar que a eleição era manipulada por forças políticas para eleger seu adversário. A fala de Bolsonaro na reunião ministerial em que um golpe de Estado foi discutido — diante do silêncio dos inocentes de sempre — é de uma frieza assustadora.

O que era uma oferta de colaboração foi visto como erro primário de um adversário desprezível pela fraqueza de estender a mão.

— Será que eles esqueceram que eu sou o comandante em chefe das Forças Armadas? — perguntou, incrédulo, aquele que se classificou como “um fodido, um deputado do baixo clero, escrotizado dentro da Câmara, sacaneado, gozado, uma porra de um deputado”.

Míriam Leitão - O ano econômico segundo Haddad

O Globo

Ministro fala sobre a negociação com o Congresso, o foco no déficit zero, crescimento da economia e redução dos juros aqui e nos EUA

O ministro Fernando Haddad fechou ontem em conversa com o presidente Lula e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a solução do problema da MP da reoneração, que tanta reação causou. Será mandado para o Congresso nas próximas semanas um projeto de lei com urgência tratando da reoneração exclusivamente. O programa do setor de eventos, o Perse, e a compensação tributária permanecerão na MP. Na semana que vem deve ser anunciado o novo seguro para reduzir a volatilidade cambial, em mesa na qual estarão o Banco Mundial e o BID, em São Paulo.

Entrevistei por quase uma hora o ministro da Fazenda, a íntegra está transcrita no blog, e foi ao ar ontem à noite na GloboNews. Perguntei sobre a polêmica da semana, a fala do presidente Lula sobre Israel. Ele disse que para ele é muito penoso falar sobre isso como filho de libanês que deixou sua terra pelo crescimento da intolerância religiosa.

— O Padilha (Alexandre, ministro) usou uma expressão no Roda Viva (programa) que eu gostei. Ele falou: aquilo foi um grito de socorro. O presidente passou muitas horas ouvindo depoimentos e vendo imagens fotográficas e filmes sobre o que estava acontecendo em Gaza. O presidente não é um político tradicional que se mantém frio diante da morte de crianças e mulheres na escala que está acontecendo. Eu acho que o grito de socorro do presidente é pertinente. Não podemos ficar indiferentes ao que está acontecendo, que é muito grave.

Vinicius Torres Freire - Quando Lula chuta o balde

Folha de S. Paulo

Efeito maior na política, na diplomacia ou no que importa é o de impedir progressos

O tumulto causado pelas besteiras que Luiz Inácio Lula da Silva disse sobre a guerra de Israel vai resultar em nada ou quase isso. Não deve mudar a política doméstica, a diplomacia, a economia ou alterar qualquer assunto público de relevância. Isso é mau.

Entenda-se o sentido de "não mudar nada": uma situação ruim e problemas difíceis ficam na mesma, como na política doméstica. Em outros casos, a tolice ideológica temperada de ignorância e megalomania não basta nem mesmo para piorar relações condicionadas por forças muito maiores, como as relações diplomáticas com os EUA de Joe Biden.

É a inércia na lama.

A ultradireita no Congresso se aproveitou, claro, das declarações de Lula. Juntou 133 deputados para pedir impeachment. Não vai dar em nada. Já se sabia também que um quarto da Câmara é zona morta para o governo.

Maria Cristina Fernandes - Lula dá gás à polarização e sobrevida ao bolsonarismo

Valor Econômico

Antes da viagem à África, o governo vivia seu melhor momento e vai dar trabalho recuperá-lo

O afastamento de coronéis pioneiros na implementação do sistema de câmeras nos uniformes policiais de São Paulo, de uma corregedoria ativa e de pontes com o movimento social, é o último lance do bolsonarismo redivivo. Não é por coincidência que acontece agora.

Antes desta última viagem internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo vivia seu melhor momento. Indicadores econômicos positivos, barganhas congressuais sob a mira da Receita Federal e popularidade, finalmente, se mexendo para cima.

Com o Supremo e a Polícia Federal cuidando para que seu antecessor, sob flagrante golpismo, nunca mais voltasse a ver seu nome numa urna eletrônica, caberia a Lula derrotar politicamente o bolsonarismo. E foi a esta tarefa que se dedicou, com habilidade inaudita, ao encontrar os governadores dos três maiores colégios eleitorais, todos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao “normalizar” a política, Lula a trazia para o jogo que conhece, sabe e ganha.

Com a frase em que juntou Hitler e Gaza, Lula andou muitas casas para trás nesse tabuleiro. Transformou a política externa, novamente, em campo minado, quando poderia, facilmente, fazer a diferença neste terreno com moderação e equilíbrio.

Malu Gaspar - O saldo da doutrina Amorim

O Globo

Lula errou feio ao comparar a tragédia da guerra em Gaza com o Holocausto. A situação na Palestina se insere na lista de grandes atrocidades presenciadas pela humanidade, mas não chega perto do genocídio promovido por Adolf Hitler contra os judeus, como o presidente brasileiro sugeriu.

O governo Benjamin Netanyahu também errou ao tentar encurralar a diplomacia brasileira com uma emboscada diplomática e ataques destrambelhados — que podem até ter atraído algum dividendo político interno, mas não alteram o status de Israel no mundo.

Dois erros não produzem um acerto, mas parece ser isso o que pretende fazer o assessor especial do Palácio do Planalto para questões internacionais, Celso Amorim. Na última terça-feira, ele declarou que a fala de Lula “sacudiu o mundo e desencadeou um movimento de emoções” que pode ajudar a solucionar o conflito em Gaza.

Bruno Boghossian - Barulho internacional

Folha de S. Paulo

Palavras de Lula não conquistam casas no tabuleiro da guerra, e oposição se resume a reações desonestas e um 'perdido de impeachment'

Lula faz sua diplomacia como o político que é. Numa mesma entrevista, revestiu-se de cautela ao reclamar do que chamou de pré-julgamento do governo Vladimir Putin pela morte do opositor Alexei Navalni, escapuliu de uma pergunta sobre o cerco de Nicolás Maduro à ONU na Venezuela e citou o Holocausto ao criticar a matança em Gaza.

Presidentes têm uma latitude que é vedada aos diplomatas. Costumam ser ideologicamente seletivos em comentários sobre parceiros e adversários, dispensam coerência em posicionamentos públicos, surfam nas ondas de suas bases políticas e exageram no barulho para ganhar atenção em debates internacionais.

Ruy Castro - Debaixo de vara

Folha de S. Paulo

E não é que, quando Bolsonaro terá de desembuchar, Lula roubou-lhe as manchetes com uma frase?

Todos conhecemos a expressão "debaixo de vara". Já a vimos ser aplicada a garotos rebeldes cujos pais, esgotadas as tentativas racionais para sua regeneração, viam-se obrigados a adotar medida drástica —tomar o malandro pela orelha e levá-lo à força até o castigo. A orelha em chamas deveria representar o opróbrio, a vergonha de estar passando por aquilo. Era um privilégio da autoridade, da qual o "debaixo de vara" era um símbolo, reminiscente de um tempo em que a vara de marmelo, flexível e impenitente como um chicote, era um cruel instrumento de punição.

Maria Hermínia Tavares* - A bússola da política externa está avariada

Folha de S. Paulo

Brasil ainda é país intermediário, mas as circunstâncias externas vêm mudando para valer

No campo internacional, o Brasil joga no time dos intermediários. São países dotados de peso regional e alguma capacidade de influir nos assuntos globais, desde que de forma coordenada. Organizam coalizões, negociam conflitos e figuram entre os grandes defensores das instituições multilaterais­ –que lhes oferecem condições melhores para lidar com as grandes potências.

Nesse figurino, nossa política externa soube aproveitar, décadas a fio, as possibilidades abertas pelo porte do país e os seus recursos de poder. Para tanto, arrimou-se numa diplomacia profissional sóbria nos gestos, consciente dos seus limites, atenta às oportunidades e, sobretudo, firme na defesa da autonomia em face das nações mais poderosas.

William Waack – O Brasil e a anarquia

O Estado de S. Paulo

O Brasil tem grandes vantagens no embate geopolítico, não precisa buscar conflitos

Abriga desnecessária com Israel estragou a festa de presidir o G-20, mas é provável que o presidente considere que “avançou”. Faz sentido dentro da visão de mundo que orienta sua política externa personalíssima, segundo a qual a hegemonia americana explica pobreza, desigualdade, injustiças, guerras (como a de Gaza) e assim por diante, incluindo a Lava Jato.

Nessa ordem das coisas, Israel é visto como preposto de Washington, e suas ações poderiam ser inibidas se os americanos quisessem. Como comprovação está aí mais um veto dos EUA a uma resolução de cessar-fogo em Gaza no Conselho de Segurança da ONU. Cuja reforma, repete Lula, traria mais “governança” ao mundo e incluiria mais “pobres”.

Eugênio Bucci* - A foto sem fato

O Estado de S. Paulo

Somos a civilização da falsificação da imagem que interpretava os fatos. Um milhão de fotos vale mais que uma palavra de honra. E como vende. E como funciona

A credibilidade da fotografia entrou numa espécie de fadiga do material. Não há mais como não duvidar da autoridade daquela imagem realista que se abria diante dos nossos olhos como se fosse a prova definitiva de um acontecimento. Uma foto, muitas vezes, é um embuste.

Tempos atrás, quando as câmeras ainda se valiam de filmes para registrar um instante, o negativo era reverenciado como se fosse a verdade em pessoa. Acreditava-se que naquele pequeno rolo de triacetato de celulose estavam impressos fragmentos genuínos da História, um documento tão confiável quanto um caco de cerâmica de civilizações extintas, um manuscrito autêntico de um escritor célebre, um dente de dinossauro. Hoje, a conversa mudou. Estão aí as evidências escarradas de que as fotografias mentem.

José Serra - Gasto público: cortes e eficiência

O Estado de S. Paulo

Adoção no Brasil de um processo sistemático e transparente de revisão de gasto conversaria muito bem com o novo arcabouço fiscal e as regras da LRF

Desde a crise do endividamento brasileiro, nos anos 80 do século passado, a necessidade de ajuste das contas públicas aparece como uma recorrência no debate econômico. A expressão “corte de gastos” talvez seja uma das mais lidas no noticiário destes 40 anos.

É lógico que os cortes, por vezes, são necessários para que se encontre uma posição fiscal percebida como sustentável pelos agentes econômicos. O problema principal é que nosso país é excessivamente desigual e desprovido de infraestrutura, o que torna as demandas sociais sobre a máquina pública múltiplas e inescapáveis, sob a perspectiva de um país civilizado e solidário. De outro lado, há segmentos importantes de nossa economia que vivem da interação com o Estado, tanto como fornecedores de bens e serviços como beneficiários de recursos públicos. Este contexto de pressões, legítimas e ilegítimas, tende a levar as autoridades a optar por cortes lineares, especialmente em investimentos públicos, justamente para fugir às pressões setoriais e de interesses específicos.

Luiz Carlos Azedo - Werneck Vianna, intérprete do Brasil contemporâneo

Correio Braziliense

Difusor do pensamento gramsciano no Brasil, produziu ensaios que servem de referência para o estudo do liberalismo, do Judiciário e da nossa modernização conservadora

O sociólogo carioca Luiz Jorge Werneck Vianna faleceu, nesta quarta-feira, aos 85 anos. Fez parte de uma geração de artistas e intelectuais que formou o pensamento crítico da esquerda brasileira nas décadas de 1960, 1970 e 1980, entre os quais, destacam-se Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Joaquim Pedro, Walter Lima Jr., Zelito Viana, Luiz Carlos Barreto, Glauber Rocha, Leon Hirszman, Ferreira Gullar, Leon Amoedo, Tereza Aragão, Zuenir Ventura, Milton Temer, Norma Pereira Rego, Leandro Konder, Darwin Brandão, Marilia Kranz, Ziraldo, Jaguar, Albino Pinheiro, Ferdy Carneiro, Hélio Oiticica e Hugo Bidet, Hugo Carvana, Paulo Góes, Vergara, Carlinhos Oliveira, Zózimo Amaral, Tom Jobim, Carlos Lira, Vinicius do Moraes e Oduvaldo Viana Filho.

Residentes no Rio de Janeiro, em sua maioria, formavam a chamada República de Ipanema. Apesar da influência do antigo PCB no meio cultural carioca, muitos não eram comunistas e tinham profundas divergências com os militantes do setor cultural do velho Partidão, do qual Werneck fez parte. Com raízes familiares na aristocracia cafeeira fluminense, Werneck Vianna foi criado em Ipanema e estudou nos melhores colégios da Zona Sul carioca, mas teve trajetória rebelde, influenciado por autores como Monteiro Lobato, Eça de Queiroz, Fiódor Dostoiévski e Miguel de Cervantes.

Morre aos 85 anos Luiz Werneck Vianna, referência na sociologia brasileira

Folha de S. Paulo

Referência nas ciências sociais do Brasil, acadêmico foi opositor da ditadura e um dos críticos iniciais da Lava Jato

SÃO PAULO e RIO DE JANEIRO - Morreu nesta quarta-feira (21) aos 85 anos Luiz Werneck Vianna, professor e ex-presidente da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais) e referência na sociologia brasileira.

O acadêmico foi autor de livros como "Liberalismo e Sindicato no Brasil" (1976), "Esquerda Brasileira e a Tradição Republicana" (2006) e a "A Judicialização da Política e das Relações Sociais no Brasil" (1999). Foi mestre em ciência política pelo Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e doutor em sociologia pela USP.

Também era graduado em direito e foi advogado de presos políticos durante a ditadura militar. Integrante do Partido Comunista Brasileiro nos anos 1960, o sociólogo teve que ir para a clandestinidade durante o período autoritário e passou um período exilado no Chile.

Vianna foi criado no bairro de Ipanema, na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, e frequentou colégios de elite, mas dizia que sua família era de "de classe média, de recursos não abundantes, também não muito escassos".

Em depoimento a centro de pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), falou sobre a aproximação no auge da ditadura de intelectuais com o MDB, que incluía a atuação de Fernando Henrique Cardoso, também acadêmico.

"Fizemos esse programa, que foi editado um livrinho vermelho: era o programa do MDB de 74 e fomos a uma reunião em Brasília", disse ele.

Morre o sociólogo Luiz Werneck Vianna: Um pensador fundamental para entender o Brasil

Luis Felipe Azevedo / O Globo

Autor de obras importantes da Sociologia brasileira, se exilou durante a ditadura e ajudou a redigir o programa político do MDB  

Morreu nesta quarta-feira o cientista social Luiz Werneck Vianna, aos 86 anos, no Rio de Janeiro. O intelectual era professor da PUC-Rio e publicou livros considerados fundamentais para a sociologia brasileira, como “Liberalismo e sindicato no Brasil” (1976) e “A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil” (1997).

O cientista social estava internado no Hospital Copa D'Or. Em nota, a unidade de saúde lamentou a morte do paciente.

"O Hospital Copa D’Or lamenta profundamente a morte do paciente Luiz Jorge Werneck Vianna na tarde desta quarta-feira (21). O hospital se solidariza com a família e amigos por essa irreparável perda, também informa que não tem autorização para divulgar mais detalhes."

Nascido em 1938 no Rio, Vianna foi criado no bairro de Ipanema, na zona sul da cidade. A trajetória em escolas de elite contou com percalços. Ele chegou a ser expulso de uma instituição devido à denúncia de pais por receio de possível “influência comunista”.

Amante da literatura, o afinco por livros era observado desde a juventude. Monteiro Lobato, Eça de Queiroz, Fiódor Dostoiévski e Miguel de Cervantes são exemplos de autores que influenciaram a inclinação de Vianna pelos valores humanistas que perpassam sua carreira.

Ele ingressou na faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara (atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ) em 1958. Dois anos depois, Vianna passou a fazer parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Sociólogo Luiz Werneck Vianna morre no Rio

Valor Econômico

Professor da PUC, ele é autor de livros como 'Liberalismo e sindicato no Brasil'

O sociólogo Luiz Werneck Vianna morreu nessa quarta-feira (21), aos 86 anos. O sociólogo estava internado no Hospital Copa D'Or, que confirmou a morte por meio de nota e informou não ter autorização para divulgar mais detalhes.

Werneck nasceu no Rio em 1938 e se formou em direito na antiga Universidade do Estado da Guanabara, atual Uerj, em 1962. Depois, graduou-se em ciências sociais pela UFRJ, em 1967.

O sociólogo militou em movimentos comunistas e atuou no Centro Popular de Cultura. Em fins de 1970, no auge da repressão do regime militar, foi perseguido e exilou-se no Chile. Retornou um ano depois ao país e foi detido por seis meses.

No Brasil, publicou uma série de livros considerados fundamentais para a sociologia brasileira, como “Liberalismo e sindicato no Brasil”.

Werneck Vianna foi colunista do Valor entre 2010 e 2011, onde escrevia semanalmente às segundas-feiras, e fazia análises do cenário político do país.

O sociólogo atuou em mais de uma dezena de instituições universitárias pelo país. Atualmente, era professor da PUC-Rio, que, em nota, lamentou a morte do sociólogo: “Luiz Werneck Vianna foi um intelectual de grande relevância para o campo da sociologia e para a comunidade acadêmica como um todo. Seu legado se estende nas orientações de muitas gerações, estudos e reflexões sobre a sociedade brasileira, onde deixou uma marca indelével na história do pensamento social no Brasil.”

Na nota, a universidade lembrou da trajetória de Werneck Vianna e sua contribuição para o “avanço do conhecimento científico e para o debate público”.

Abaixo, a íntegra da nota divulgada pela universidade.

Luiz Werneck Vianna* - Onde mora o perigo (O último artigo, do meu amigo, no Blog, 17.2.2023.

Quase dois meses da defenestração do fascismo tabajara do Estado já se respira melhor e o alento da esperança se faz sentir mesmo no caminho de pedras que temos pela frente. Verdade que o governo democrático tem agido com tino, reforçando e ampliando suas alianças, além de perseguir pautas de larga aceitação como as da consolidação das nossas instituições e, principalmente, na sua opção pelos temas ambientais, hoje quase consensuais. Contudo, o cenário, na aparência inofensivo, mal esconde as ameaças que nos rondam. Estropiado como está, depois do insucesso da trama golpista de 8 de janeiro, o bolsonarismo ainda é um movimento político com forte representação no poder legislativo e conseguiu atrair segmentos da população curtidos pelo ressentimento, homens e mulheres, boa parte de meia idade, que encontraram nele um sentido para suas vidas obscuras e solitárias e deve persistir como força eleitoral, ao menos a curto prazo.

Poesia | Soneto da doce queixa, de Federico García

 

Música | Marisa Monte - Você não liga

 

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

 

Governo precisa rever políticas ineficientes

Folha de S. Paulo

Avaliação de programas e qualidade do gasto devem ter mais visibilidade; Orçamento não pode se basear só em mais receita

Já com grande atraso, o governo brasileiro começou a institucionalizar a avaliação técnica de políticas públicas no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), quando se tentava de modo atabalhoado conter o rombo orçamentário gestado nos anos anteriores.

Hoje, procedimentos do gênero já se valem de maior experiência e estrutura na administração federal. As conclusões e recomendações acerca de programas mal desenhados e despesas pouco eficientes, no entanto, mal saem das gavetas da Esplanada brasiliense.

O Ministério do Planejamento tem uma secretaria dedicada ao tema. Há um Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (CMAP), formado por representantes de pastas econômicas, da Casa Civil e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Com a equipe qualificada reunida pela ministra Simone Tebet, criou-se a expectativa de que medidas mais efetivas seriam tomadas nessa seara —ou, ao menos, que o debate sobre a qualidade do gasto público teria maior visibilidade. Até aqui, isso não ocorreu, como observou a jornalista Adriana Fernandes, em coluna nesta Folha.

Lu Aiko Otta - Haddad mantém a aposta em zerar déficit

Valor Econômico

A aposta nos bastidores é que Lula atuará para apaziguar as relações com o Congresso e com isso reeditar a produtiva parceria entre Executivo e Legislativo do ano passado

Alvo de ceticismo dos especialistas em contas públicas e de ataques da ala política do governo, a busca do equilíbrio das contas públicas federais em 2024 seguirá como norte da equipe econômica. Aposta-se nos bastidores que a entrada em campo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apaziguar as relações com o Congresso Nacional seja capaz de reeditar a produtiva parceria vista entre Executivo e Legislativo no ano passado.

Em 2023, deputados e senadores atenderam em boa parte os pedidos da área econômica. Além de aprovar o novo arcabouço fiscal, deram sinal verde a medidas que ajudarão a colocá-lo em funcionamento neste seu primeiro ano de operação.

Zeina Latif - Crédito às empresas tende a se fortalecer em 2024

O Globo

O ano de 2023 fechou melhor do que o esperado. A tendência é de melhora paulatina ao longo deste ano. Há luz no fim do túnel nos mercados de crédito

O ano passado não foi fácil para o mercado de crédito; um ano marcado por estresse financeiro de consumidores e empresas. E agora, quais as perspectivas para 2024?

Apesar de os indivíduos ainda estarem em difícil situação financeira, o pior já passou. Assim, argumentei em artigo recente que há espaço para surpresas positivas no crescimento do PIB este ano, com a sustentação do consumo das famílias.

O foco de hoje é a pessoa jurídica, sendo que a tendência de melhora no segmento de pessoa física é boa notícia para a saúde financeira das empresas, pelo aumento da demanda de seus produtos e seu impacto benigno na avaliação de risco de crédito feita por instituições financeiras.

Fernando Exman - A ressaca da política externa no pós-carnaval

Valor Econômico

Tema não é considerado decisivo em disputas presidenciais, mas está presente no polarizado debate

Foi diferente o carnaval de 1912. E foram peculiares, também, os dias posteriores à folia originalmente prevista em calendário. Naquele ano, na verdade, o Brasil teve dois carnavais. Paradoxalmente, os festejos em dobro tiveram como origem a morte do Barão do Rio Branco, icônico ministro das Relações Exteriores, considerado por muitos um herói nacional e personalidade fundamental na construção dos pilares da política externa nacional.

José Maria da Silva Paranhos Júnior morreu no Rio de Janeiro no dia 10 de fevereiro, um sábado, exatamente uma semana antes do carnaval. Chefiou por dez anos a pasta, período em que desempenhou papel fundamental na definição das fronteiras do Brasil sem o uso da força. E isso valia até mesmo para os casos em que o desfecho não era totalmente satisfatório para o Brasil.

Um exemplo foi a definição da fronteira com a Guiana Inglesa por meio de uma arbitragem internacional, episódio diretamente relacionado à histórica contenda entre a Venezuela e a Guiana por causa do rico território de Essequibo. Um tema que, aliás, voltou ao topo das preocupações regionais e tem demandado um olhar especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ranier Bragon - Lista atualizada

Folha de S. Paulo

Grupo de 120 deputados une 70% do PL e demais bolsonaristas e antipetistas espalhados por União Brasil, PP, PSD, Republicanos e MDB

O pedido de impeachment de Lula que deve ser protocolado nesta quarta-feira (21) é daqueles lances da política em que os próprios autores sabem que não vão dar em nada, mas ironicamente há uma utilidade ao governo.

A lista de signatários reúne de forma didática e atualizada a real oposição a Lula na Câmara.

Quem não acompanha o dia a dia de Brasília até se assusta com a informação de que cerca de 30 integrantes de partidos governistas assinariam o pedido que visa ejetar o petista da cadeira de presidente.

Sinal de erosão do apoio parlamentar do governo? Indignação com a comparação da ação de Israel em Gaza à de Hitler com os judeus? Motim? Nada disso.

Wilson Gomes* - Lula e a retórica do Holocausto

Folha de S. Paulo

É evidente que para criticar Netanyahu não havia necessidade de evocar Hitler com retórica do Holocausto

Lula precisaria fazer tantas declarações sobre o conflito em Gaza, esse que divide o mundo? Certamente, não. Não há interesses nacionais implicados nessa guerra que exijam que o presidente se considere parte envolvida. Um chefe de Estado, além disso, tem canais de influência que não passam por declarações públicas.

Entretanto, mesmo que fosse inevitável dar declarações públicas, Lula poderia caminhar sobre o que é mais consensual e entregar a mensagem humanista que lhe interessa. "Não é uma guerra entre soldados e soldados; é uma guerra entre um Exército altamente preparado e mulheres e crianças" não é uma frase tão ruim.

Poderia ter parado por aí.

Martin Griffiths* - Fracasso moral do mundo em Gaza deveria envergonhar a todos

Folha de S. Paulo

Chanceleres do G20, usem vosso poder para salvar civis da vala comum

No momento em que o G20 se reúne no Brasil nesta semana, o número relatado de mortes nas hostilidades na Faixa de Gaza está se aproximando da marca dos 30 mil. Espero que tal fato dê motivos para que os chanceleres reunidos no Rio de Janeiro reflitam sobre o que seus países fizeram ou não fizeram para parar essa situação.

Dizer que a guerra em Gaza é cruel e constitui um exemplo de fracasso humanitário absoluto não é novidade. Não há necessidade de reafirmar o óbvio. Em vez disso, permitam-me que, em nome dos meus colegas humanitários, faça um alerta não só para o dia de hoje mas também para o que receio que aconteçerá amanhã.

O que tem ocorrido em Gaza nos últimos 137 dias é incomparável na sua intensidade, brutalidade e alcance. Dezenas de milhares de pessoas mortas, feridas ou enterradas sob os escombros. Bairros inteiros arrasados. Centenas de milhares de pessoas deslocadas, vivendo nas condições mais precárias, que foram agravadas com a chegada do inverno. Meio milhão de pessoas à beira da fome e sem acesso às necessidades mais elementares: alimentos, água, cuidados de saúde, latrinas. Uma população inteira está sendo destituída da sua humanidade.

Luiz Carlos Azedo - Diplomacia do governo Lula tem dualidade insustentável

Correio Braziliense

Uma política antiamericana no Brasil não tem a menor chance de dar certo, o que não significa apoio incondicional nem alinhamento automático aos EUA

Toda política externa bem-sucedida precisa de sustentação interna, ou seja, da construção de um amplo consenso nacional, para que seja realmente uma política de Estado e não meramente de governo, suas nuances não podem ser a essência da diplomacia. O que faz do Itamaraty uma das mais prestigiadas e reconhecidas chancelarias do mundo é sua capacidade de sustentar nossa política externa independente e pragmática desde a década de 1970, ou seja, em plena ditadura militar, adaptando-se às circunstâncias políticas sem perder seus objetivos estratégicos. Os presidentes passam, o Itamaraty fica. Em torno dela, construiu-se um consenso nacional.

Ministro Mauro Vieira diz que declarações da Chancelaria de Israel são 'mentirosas' e 'inaceitáveis': 'Nunca vi algo assim'

Por Amanda Scatolini / O Globo

Ministro das Relações Exteriores se manifestou após sua contraparte israelense, Israel Katz, ter chamado fala de Lula sobre Holocausto de 'vergonha para o Brasil'

Em meio à crise diplomática entre Israel e Brasil, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, classificou as manifestações recentes do governo do premier Benjamin Netanyahu como "inaceitáveis" e "mentirosas". Nesta terça-feira, o chanceler israelense, Israel Katz, cobrou um pedido de desculpas de Lula após a declaração sobre a ofensiva de Israel em Gaza — na qual o brasileiro comparou a ação com o extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial —, rotulando-a como "promíscua", "delirante" e uma "vergonha para o Brasil".

— Uma Chancelaria dirigir-se dessa forma a um Chefe de Estado, de um país amigo, o presidente Lula, é algo insólito e revoltante — disse Vieira a repórteres nesta terça-feira na saída da Marina da Glória, no Rio de Janeiro, local de reuniões do G20. — Uma Chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da História da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável.

O ministro ainda expressou indignação com a forma como sua contraparte israelense dirigiu-se ao presidente, afirmando que a atitude do governo Netanyahu "e sua antidiplomacia não refletem o sentimento da sua população".

— O povo israelense não merece essa desonestidade, que não está à altura da História de luta e de coragem do povo judeu — disse Vieira. — Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim.

Vera Magalhães - Política externa precisa mudar

O Globo

Lula não foi sequer alertado sobre as consequências que obviamente adviriam de sua manifestação a respeito da guerra em Gaza

À medida que baixa a espuma da reação das torcidas nas redes sociais à fala em que o presidente Lula resolveu comparar a guerra empreendida por Israel em Gaza ao Holocausto, percebe-se o tamanho do estrago de algo absolutamente desnecessário.

O presidente tem sido pessimamente assessorado nesse episódio, ouvindo só aqueles que aplaudem indistintamente o que quer que faça ou os que já têm inclinação ideológica tão clara no conflito israelo-palestino que o aconselham tendo em vista certa “sede de justiça” sem nenhum efeito geopolítico, diplomático ou ganho de imagem no front interno para Lula. Nada.

Ao pôr de lado o corpo técnico do Itamaraty e deixar de se subsidiar de dados históricos básicos antes de se lançar a uma comparação sob todos os ângulos descabida, Lula não foi sequer alertado sobre as consequências que obviamente adviriam de sua manifestação.

Palavras de um chefe de Estado num contexto tão delicado quanto o conflito israelo-palestino importam e resultam. O uso de termos como nazismo, fascismo, Holocausto e genocídio como muletas pode fazer sucesso com as claques, mas pega muito mal no mundo real, onde as decisões são tomadas.

Elio Gaspari - A irresponsabilidade de Lula

O Globo

Ele reciclou a usina de besteiras de Bolsonaro

Ao mandar Jair Bolsonaro para casa, o Brasil parecia ter se livrado de um encosto. Durante a pandemia, esse espírito duvidava da vacina, sugeria que o vírus da Covid-19 havia sido fabricado na China e exaltava a cloroquina. Lula recolocou o Brasil nos eixos na questão ambiental e atravessou o mundo para resgatar o encosto, escorregando na casca de banana de Gaza.

Nesta semana, em Adis Abeba, ele disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”. Com isso, abriu uma crise e foi declarado persona non grata pelo governo de Israel.

Lula já havia costeado o alambrado dias antes, no Cairo, com duas frases:

— O Brasil foi um país que condenou de forma veemente a posição do Hamas no ataque a Israel e o sequestro de centenas de pessoas. Nós condenamos e chamamos o ato de “ato terrorista”.

Falso. O ataque do Hamas aconteceu no dia 7 de outubro. Cinco dias depois o Itamaraty informou que a classificação do Hamas como organização terrorista competia à ONU. Posteriormente é que falou em terrorismo.

Bernardo Mello Franco - Netanyahu não quer desculpas de Lula

O Globo

Declaração de presidente brasileiro sobre Holocausto presenteou governo de Israel com a miragem de um inimigo externo

Lula errou ao citar o Holocausto em declaração sobre a matança de palestinos em Gaza. O nazismo escreveu um capítulo único na história da desumanidade. Não é preciso invocar o extermínio de 6 milhões de judeus para criticar as práticas do governo de Israel.

A crise poderia ter sido contornada com uma retratação rápida. Isso não ocorreu, e agora o caminho foi bloqueado pela reação de Benjamin Netanyahu e seu gabinete de extrema direita.

Ainda no domingo, o premiê israelense disse que as palavras de Lula eram “vergonhosas e graves” e apelou ao acusar o brasileiro de “tentar prejudicar o povo judeu”. Até aí, era chumbo trocado entre dois políticos que não podem ser acusados de inexperiência.

Vera Rosa - Lula ajuda ato de Bolsonaro

O Estado de S. Paulo

Após declarações sobre Israel, resta a aliados do governo torcer para que chuva iniba manifestantes

Até mesmo aliados do presidente Lula admitem, nos bastidores, que ele deu munição para adversários ao comparar o ataque de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto, quando 6 milhões de judeus foram exterminados. Em conversas reservadas, apoiadores de Lula calculam que o ato convocado por Jair Bolsonaro para domingo, na Avenida Paulista, tem tudo para reunir no mínimo 100 mil pessoas, incluindo agora uma legião de insatisfeitos com declarações de Lula.

Como na política uma imagem vale mais do que mil palavras, a foto da manifestação pode mostrar que o ex-presidente não está tão isolado como parece. Alvejado por investigações da Polícia Federal que o jogam no centro da estratégia montada para dar um golpe no País, Bolsonaro convocou seus eleitores para dizer que sofre “implacável perseguição política”.

Cláudio Carraly* - O Brasil e seu Poder ou “Soft Power” no Mundo

A política internacional a séculos é influenciada pelo poder do mais forte, o Estado para crescer precisava subjugar o outro e atrela-lo aos seus interesses esse modelo vem se reproduzindo desde a antiguidade, sendo replicada por todas formas de modelos econômicos e políticos da humanidade. O Brasil, porém, tem um diferencial, o poder de influenciar exatamente não pelo uso da força e coerção, mas por sua capacidade de ver os estados nacionais como iguais e soberanos, levando em consideração sempre o poder de sua respeitada diplomacia, não dividir o mundo entre inimigos e aliados é a real força do país chamado Brasil.

O cientista político e ex-secretário de Defesa estadunidense, Joseph S. Nye Jr., cunhou conceitos que explicam muito bem o desenho de forças que emergem do século 20 e adentram o século 21, são esses o “soft power” e “hard power”. Resumidamente para entendermos estas diferentes formas de influência e projeção de poder no contexto das relações internacionais, o soft power seria à capacidade de influenciar e persuadir os outros por meio de meios não coercivos, como cultura, valores, diplomacia e atração, enquanto o hard power se baseia no uso da força militar e econômica para alcançar objetivos políticos. O conceito de soft power foi popularizado por Joseph Nye em seu livro "Soft Power: The Means to Success in World Politics" (2004). Ele argumenta que o poder não se baseia apenas na capacidade de coagir ou forçar outros Estados a agir de acordo com seus interesses, mas também em atrair e persuadir outros a compartilhar suas metas e valores. 

Poesia | Mundo Grande, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Paulo Costta & Moreno Veloso - Meu Rêconcavo

 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

O que a mídia pensa: Editoriais / Opiniões

Ao comparar Israel a nazistas, Lula agride a História

O Globo

Presidente deveria ter a humildade de se desculpar diante do mundo

O Brasil sempre foi um refúgio para perseguidos de outras partes do mundo. Recebeu e integrou à sociedade imigrantes de todas as origens nacionais, étnicas e religiosas, entre os quais árabes (cristãos e muçulmanos) e judeus. Essa característica acolhedora tradicionalmente deu à diplomacia brasileira uma posição privilegiada de equilíbrio em relação aos conflitos recorrentes no Oriente Médio. Atos e declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, põem em xeque esse equilíbrio, agridem os fatos e, no mínimo, sugerem que ele desconhece a História.

Na tentativa de criticar as ações de Israel na Faixa de Gaza, Lula fez um paralelo frequente entre os antissemitas, que ofende não somente os judeus, mas as consciências justas do mundo todo. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula. A comparação descabida da guerra em Gaza com o Holocausto que exterminou 6 milhões de judeus na Segunda Guerra recebeu apoio do grupo terrorista Hamas, que agradeceu a Lula nas redes sociais. Isso diz tudo.