sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Ricardo Noblat - Está cada vez mais pesado o ar que Bolsonaro e Mourão respiram

- Blog do Noblat | Veja

Mas o show tem que continuar

Evite convidar para a mesma mesa o presidente Jair Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão. Eles ainda convivem por obrigação. São capazes de aparecerem juntos e sorridentes em fotos para causar boa impressão. Mas tudo não passa de fingimento. Mourão não fala mal de Bolsonaro nem em público nem em particular. Bolsonaro desanca Mourão sempre que pode.

Só nesta semana foram duas vezes. Na última segunda-feira, em declaração à CNN, rebaixou Mourão ao afirmar que não conversa com ele sobre Estados Unidos nem sobre qualquer outro assunto. Mourão havia dito que “na hora certa” o presidente falaria sobre o resultado das recentes eleições americanas. Bolsonaro não perdeu a oportunidade de deixar seu vice em maus lençóis.

 “O que ele (Hamilton Mourão) falou sobre os Estados Unidos é opinião dele. Eu nunca conversei com o Mourão sobre assuntos dos Estados Unidos, como não tenho falado sobre qualquer outro assunto com ele”, disse Bolsonaro, que ainda não se manifestou sobre a vitória de Joe Biden e teima em aguardar o fim das ações judiciais movidas pelo presidente Donald Trump, seu aliado.

Desta vez, Bolsonaro chamou de “delírio” a existência de um plano para criar mecanismos de expropriação de propriedades, no campo e nas cidades, com registros de queimadas e desmatamentos ilegais. A medida consta de documento do Conselho Nacional da Amazônia Legal, presidido por Mourão ‘Se alguém levantar isso, eu demito. A não ser que seja indemissível’, bateu Bolsonaro

José de Souza Martins* - Eleições nos EUA

- Valor Econômico / Eu & Fim de Semana

Donald Trump e Jair Bolsonaro, não são conservadores, os dois presidentes representam, na verdade, as anomalias da modernidade

Independentemente de seu resultado definitivo, a eleição presidencial americana já fez significativas revelações sociológicas de implicações políticas sobre aquele país e sobre o mundo que em torno dele gravita. Tanto nos países que têm com ele relações econômicas quanto nos que têm com ele também relações de subserviência ideológica, como o nosso deste momento.

O eleitorado americano está hoje dividido entre os que seguem as referências sociais tradicionais que distinguem democratas e republicanos e os que vacilam e adotam orientações que negam aquilo que expressaria sua situação social. Votaram em partido diverso do que corresponde “ao que socialmente são”. De outro modo, isso tem acontecido aqui também: “ricos” votando em candidatos de “pobres”, “pobres” votando em representantes da mentalidade dos “ricos”.

Não se trata de que as sociedades estejam se tornando mais conservadoras, como se tem alegado nas últimas horas em relação aos Estados Unidos. E como se tem dito em relação ao Brasil desde a eleição do atual presidente. Nem Trump nem Bolsonaro são conservadores. A tradição conservadora é uma tradição social e política séria, centralizada na valorização da ordem, no temor de que o mundo do indivíduo e o individualismo sobreponha-se a modos de viver e de pensar referidos às concepções de pessoa e de comunidade e respectivos valores, especialmente os da família e do familismo. Trump representa as anomalias da modernidade. Bolsonaro também.

Simon Schwartzman* - Dançando por Biden

- O Estado de S.Paulo

Na eleição americana, o dado mais esperançoso é a grande rejeição de Trump pelos jovens

Vendo as imagens do povo dançando nas praças, festejando a derrota de Donald Trump, mais do que a vitória de Joe Biden, é inevitável comparar com 12 anos atrás, quando da eleição de Barack Obama. Tal como agora, Obama derrotou um presidente medíocre e inescrupuloso, que jogou o país numa guerra insensata no Iraque e deixou a economia afundar. Havia a sensação de que algo realmente novo e importante estava acontecendo nos Estados Unidos, com impacto em todo o mundo. Obama era negro, mas foi eleito com a bandeira de uma sociedade pós-racial. Era um intelectual com fortes valores humanistas, que projetava uma política internacional de respeito e consideração para diferentes culturas. No ano seguinte ganhou o Prêmio Nobel da Paz, não pelo que já tinha feito, mas pelo que prometia. Sua eleição parecia indicar que os Estados Unidos, finalmente, haviam rompido as barreira do racismo, do isolacionismo e do descaso com as políticas sociais.

Oito anos depois, sem ter conseguido fazer tudo o que prometia, era normal que Obama não conseguisse fazer seu sucessor. Mas a eleição de Trump não foi uma simples alternância de poder, mas uma indicação de que a nova era anunciada pela eleição de Obama era, em grande parte, uma ilusão, e que coisas piores estavam por vir. Ao tomar de assalto o Partido Republicano, Trump capitalizou uma forte corrente de preconceitos raciais, anti-intelectuais e de xenofobia que pareciam ter sido postos à margem da sociedade americana e subitamente mostraram suas garras. Com ele, a mentira sistemática das fake news, a prevalência descarada dos interesses comerciais privados sobre o interesse público, o desmonte das instituições governamentais e sua ocupação por bajuladores, o racismo, a xenofobia e todos os preconceitos que antes não se manifestavam se tornaram “normais”. O passo seguinte, inevitável, era o ataque às instituições mais centrais do sistema democrático, culminando, agora, com o próprio sistema eleitoral.

Humberto Saccomandi - Trump leva a negação do outro ao limite

- Valor Econômico

Ao acusar regularmente Joe Biden e os democratas de quererem “destruir tudo o que amamos e estimamos”, Trump preparou o terreno para deslegitimiar o outro lado e contestar, sem provas, o resultado eleitoral

 “A esquerda radical está empenhada em destruir tudo o que amamos e estimamos”, disse o presidente Donald Trump num comício na Flórida, em 12 de outubro. O atual ciclo eleitoral nos EUA é mais um exemplo gritante desse tipo de retórica excludente, na qual só um lado se vê legitimado a vencer. É um jogo de soma zero que ameaça a democracia. As próximas semanas serão decisivas.

Trump passou a campanha usando esse tipo de retórica. Biden e os democratas “vão matar nossos empregos, desmantelar nossa polícia, dissolver nossas fronteiras, libertar criminosos estrangeiros, elevar nossos impostos, confiscar nossas armas (...), destruir nossos subúrbios e tirar Deus do espaço público”, tuitou ele em outubro.

O presidente costuma usar uma linguagem hiperbólica. Quase tudo o que ele faz é “tremendous”. O que outros fazem ou fizeram é um “disaster”. É um mundo anedótico em preto ou branco. Mas, à parte o aumento de impostos (que parece inevitável devido ao aumento dos gastos com a epidemia), nada do que ele tuitou constava do programa do democrata Joe Biden, que é basicamente um moderado, que seria um centrista em qualquer país europeu. O objetivo desse tipo de discurso é incutir a suspeita, o medo, o ódio ao outro.

Celso Ming - Mesmo com vacina, retomada pode demorar

- O Estado de S.Paulo

É incerta a recuperação em 'V' da economia

A disponibilidade da vacina pode fazer toda a diferença, mas é preciso evitar deduções apressadas. Uma coisa é a capacidade de imunização da maioria da sociedade à contaminação. E outra, bem diferente, é a capacidade de recuperação da atividade econômica e do emprego.

Mesmo que a vacina fique disponível no Brasil ainda no primeiro trimestre de 2021, é improvável que a população possa ser imediatamente imunizada. Isso levaria alguns meses mais. Portanto, é incerta uma retomada em “V”, como mostram algumas apostas.

Os setores da economia a se recuperarem mais rapidamente têm sido objeto de considerações intuitivas. São os de viagens, energia, petróleo e o ramo do entretenimento. Ainda assim, convém cercá-las de cautela.

Rogério F. Werneck - Bolsonaro sem Trump

- O Globo | O Estado de S. Paulo

Planalto sabe que a eleição de Biden tornará descaso com a Amazônia mais custoso

Ainda é cedo para vislumbrar com nitidez todos os complexos desdobramentos da vitória de Joe Biden. Mas, mundo afora, governos de nações democráticas festejam, aliviados, a perspectiva de voltar a contar, em Washington, com um presidente que possa restaurar o papel crucial dos EUA na cooperação multilateral que se faz necessária para a boa governança do planeta. Do combate à pandemia ao aquecimento global. Dos esforços concertados de recuperação da economia mundial ao controle eficaz da proliferação nuclear.

Em Brasília, contudo, o governo não esconde sua contrariedade. Não bastasse já se ter permitido indecoroso alinhamento explícito ao candidato republicano durante a campanha presidencial nos EUA, o Planalto fechou-se em copas. Impôs ao governo silêncio fechado sobre o resultado da eleição. E proibiu que órgãos governamentais divulguem projeções econômicas que levem em conta a vitória do candidato democrata. Até o início da tarde de ontem, Bolsonaro ainda não se dignara a reconhecer a vitória de Joe Biden. Mais constrangedor, impossível.

Míriam Leitão - Além da moeda instantânea

- O Globo

No dia da eleição americana, havia uma animação no Banco Central brasileiro. Nada a ver com o que se passava nos condados azuis e vermelhos. Era o primeiro dia de testes de um sistema de pagamentos que começou a ser arquitetado há cinco anos. Para o cliente, o pagamento instantâneo, chamado de PIX, pode parecer apenas uma comodidade, mas, segundo o diretor do BC João Manoel Pinho de Mello, ele levará a mais competição, menores custos e mais inclusão no sistema financeiro. A nova forma de pagar começa a operar na segunda-feira com a expectativa de mudar a relação que o brasileiro tem com o dinheiro. Se conseguir diminuir a concentração do nosso mercado bancário já terá provocado um efeito importante.

O objetivo do PIX, como todo mundo entendeu, é que o dinheiro e a informação trafeguem de forma imediata. Cerca de 10 segundos, em média, segundo o Banco Central. E sem custos para pessoas físicas. Os clientes que pagam taxas em transferências terão redução de despesas, os credores terão menos riscos porque saberão na hora que as dívidas foram quitadas.

Flávia Oliveira - Vejam lá o que vão fazer

- O Globo

Brasileiros têm votado com o fígado, metáfora para a força do ódio, e colhido retrocesso

Da última vez em que votaram para prefeito, em 2016, os cariocas elegeram Marcelo Crivella, ora rejeitado por seis entre dez moradores. Os brasileiros, dois anos atrás, legaram o Palácio do Planalto àquele que, sem justificativa para a coleção de fracassos econômicos e sociais, compra briga com vacina e ameaça com pólvora o presidente eleito dos EUA, o democrata Joe Biden, a quem, em negação, ainda se refere como candidato. Sem falar em Sérgio Cabral, dois mandatos no Guanabara, hoje condenado a quase três séculos de prisão; e Wilson Witzel, governador escolhido em 2018, afastado em agosto passado, despejado da residência oficial no início da semana. Domingo é dia de voto. Vejam lá o que vão fazer.

Os institutos de pesquisa têm indicado que, Brasil afora, eleitores andam reticentes à tal da nova política na corrida municipal deste 2020 de pandemia da Covid-19, desemprego galopante, inflação de alimentos, recrudescimento da fome. No Rio de Janeiro, quatro nomes conhecidos — além de Crivella (Republicanos), o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), a deputada federal Benedita da Silva (PT), a deputada estadual Martha Rocha (PDT) — encabeçam as consultas de intenção de votos desde o início da campanha, em setembro. Um deles receberá uma cidade completamente entregue às baratas.

Nelson Motta - Nas entranhas do poder

- O Globo

Samuel Wainer sacrificou valores em suas relações com políticos e empresários

Não tenho diploma de jornalista. Mas tive a sorte de fazer um intensivão de dois anos como colunista de Samuel Wainer, que revolucionou a imprensa brasileira no século passado e foi um personagem de grande influência política nos governos Vargas e João Goulart.

Samuel era um colosso de charme e simpatia, cabeleira prateada, inteligência rápida e aguda, e inesgotável capacidade de trabalho, movido a anfetaminas, que dedicou sua vida, sua saúde e sua integridade a seu jornal “Última Hora”, estabelecendo novos padrões de qualidade de textos e fotos e novos patamares salariais de jornalistas, mudando o rumo da imprensa no Brasil. Tão poderoso foi Samuel em seu tempo, que teve relações quase carnais com o poder, como conselheiro influente de Getúlio Vargas e João Goulart e apoiado por financiamentos eternos do Banco do Brasil.

O que a mídia pensa – Opiniões / Editoriais

O voto e suas consequências – Opinião | O Estado de S. Paulo

Sendo um direito, o voto é também responsabilidade. Não há forças ocultas. Não há geração espontânea. Há o voto e suas consequências.

É frequente ouvir a reclamação de que “nenhum deputado no Congresso me representa”. Ainda que seja habitual, quase um lugar-comum, incapaz de surpreender quem quer que seja, essa crítica tem sérias implicações. Ela não significa, por exemplo, que o Legislativo está distante ou que as leis aprovadas refletem pouco as preferências políticas pessoais. A frase “nenhum parlamentar me representa” estabelece uma radical – e absolutamente irreal – separação entre eleito e eleitor.

Como diz a Constituição, todo o poder emana do povo. No Congresso, nas Assembleias Estaduais e nas Câmaras Municipais, não há ninguém ocupando uma cadeira por sucessão hereditária, patrimonial, cultural ou intelectual. Todos estão lá pela mesma e única razão: receberam votos do eleitor. É verdade que, em muitos lugares, a posse de determinado sobrenome facilita a eleição, mas o critério decisivo e determinante continua sendo o voto, a vontade do eleitor.

E se foi o voto que colocou todos os membros do Poder Legislativo em seus respectivos cargos, é preciso reconhecer uma consequência insofismável – todos, sem exceção, são representantes dos eleitores. Todos, de fato e de direito, representam a população, que os escolheu.

Num regime onde todos os cidadãos maiores de idade têm o direito de votar é falso dizer que “ninguém me representa”. Talvez isso seja verdade num país em que, por questão de sexo, raça, religião ou outro critério de discriminação, determinadas pessoas são excluídas do direito de votar. Nesse caso, quem foi privado do voto pode, com inteira razão, dizer que os eleitos não o representam. No entanto, onde o direito de voto, além de ser assegurado a todos, é obrigatório, essa afirmação não tem respaldo na realidade.

Música | Marisa Monte e Paulinho da Viola -Dança da Solidão, em São Paulo

 

Poesia | Joaquim Cardozo -O Relógio

Quem é que sobe as escadas
Batendo o liso degrau?
Marcando o surdo compasso
Com uma perna de pau?

Quem é que tosse baixinho
Na penumbra da ante-sala?
Por que resmunga sozinho?
Por que não cospe e não fala?

Por que dois vermes sombrios
Passando na face morta?
E o mesmo sopro contínuo
Na frincha daquela porta?

Da velha parede triste
No musgo roçar macio:
São horas leves e tenras
Nascendo do solo frio.

Um punhal feriu o espaço...
E o alvo sangue a gotejar;
Deste sangue os meus cabelos
Pela vida hão de sangrar.

Todos os grilos calaram
Só o silêncio assobia;
Parece que o tempo passa
Com sua capa vazia.

O tempo enfim cristaliza
Em dimensão natural;
Mas há demônios que arpejam
Na aresta do seu cristal.
No tempo pulverizado
Há cinza também da morte:
Estão serrando no escuro
As tábuas da minha sorte.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Sergio Fausto* - Lições para o Brasil da eleição nos Estados Unidos

- O Estado de S.Paulo

A mais óbvia: há que construir uma ampla coalizão e tirar votos do campo adversário

O título deste artigo deve ser lido com um pé atrás. As características do sistema partidário e do processo eleitoral são muito diferentes nos dois países. Ainda assim, a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump deixa lições úteis para as forças de oposição ao governo Bolsonaro.

A mais óbvia delas é a necessidade de construir uma ampla coalizão e subtrair votos do campo adversário. Quando o país está praticamente dividido em duas metades iguais, não basta contar com todos os votos do seu próprio campo político para assegurar a maioria eleitoral. Nos Estados Unidos, a questão se colocou de imediato e influenciou as próprias primárias do Partido Democrata. Aqui, imagina-se que esse seja um problema para o segundo turno. Trata-se de um engano. Em sociedades destrutiva e perigosamente polarizadas, é preciso construir uma alternativa já para o primeiro turno.

Como a chapa Joe Biden-Kamala Harris conseguiu obter apoio maciço de sua base política e, ao mesmo tempo, captar votos de quem havia votado em Trump quatro anos atrás? A escolha dos personagens importa. A soma das características políticas e pessoais dos candidatos democratas explica em boa medida o sucesso da campanha do partido para a Casa Branca: ele, um político capaz de ser aceito, mesmo sem entusiasmo, por um amplo contingente de eleitores; ela, uma mulher negra que, sem puxar a chapa muito para a esquerda, acrescentou à dupla a marca identitária valorizada pelos eleitores mais jovens e “progressistas”. E mais: ele, um homem crivado pela tragédia, pai amoroso, querido pela mulher, pelos amigos e mesmo por muitos adversários, por sua simpatia natural; ela, uma filha de imigrantes que se integrou ao establishment por trabalho e mérito, ex-procuradora geral da Califórnia, “liberal” nos costumes, porém “firme” em matéria de lei e ordem.

Merval Pereira - Na boca do mundo

- O Globo

A mistura de ignorância com empáfia numa mente desequilibrada jogou o Brasil no ridículo internacional ao ameaçar os Estados Unidos com uma guerra, devido à possibilidade de sanções econômicas por causa do desmatamento da Amazônia.

O presidente Bolsonaro vive se queixando de que sua vida está “uma desgraça” (e a dos brasileiros?), e parece por esses dias mais fragilizado do que normalmente. Transformar o país que governa em motivo de piada no mundo, no entanto, é arriscar-se na linha que separa a sanidade mental da simples gafe.

A paráfrase que fez do conceito de guerra de Carl Von Clausewitz é uma humilhação para os generais brasileiros que fizeram a preparação acadêmica que faltou a Bolsonaro, um tenente que foi promovido a capitão quando foi para a reserva, depois de uma expulsão branca por ser um militar incompatível com a instituição do Exército.

“Quando falta saliva, tem que ter pólvora” é a simplificação vulgar que Bolsonaro fez da definição de guerra de Clausewitz, especialista em estratégias e autor do mais famoso tratado sobre o tema no Ocidente: “Sobre a Guerra” (do alemão Vom Kriege), publicado em 1832, depois de sua morte. 

“A guerra é a continuação da política por outros meios” é uma frase que resume bem o que Clausewitz pensava sobre a guerra, que o vice-presidente General Hamilton Mourão chamou de “antigo aforismo”, na tentativa de dar um lustro nas bobagens que o presidente disse.

Ascânio Seleme - Bolsonaro criminoso

- O Globo

Presidente mentiu categoricamente ao afirmar que a CoronaVac causava morte

A contabilidade passava de uma dúzia de crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República quando ele deu uma freada por orientação do Centrão. Não porque não tivesse outras barbaridades para dizer, mais ameaças a proferir, novos crimes para cometer. Mas sim porque precisava dar uma envernizada no seu perfil para que o agrupamento mais fisiológico do Congresso pudesse dele se aproximar. Há dois dias, o escorpião venenoso não conseguiu se conter e voltou a seu estado natural de irresponsável maior da República. Desta vez, o alvo do seu atentado criminoso não foi o Congresso, o Supremo ou a democracia. Agora, ele preferiu golpear a saúde do povo brasileiro.

Além de festejar um hipotético fracasso da vacina que está sendo testada pelo Instituto Butantan, órgão do governo de São Paulo, onde identifica um inimigo na figura do governador, disse em rede social que ganhava mais uma sobre João Doria. E mentiu categoricamente ao afirmar que a CoronaVac causava morte, invalidez e anomalias. Foi um crime contra a dignidade, a honra e o decoro do cargo que ocupa, previsto na lei do impeachment. Mas deste mato não sai cachorro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, único com poder para dar andamento a pedidos de afastamento do presidente, já sentou em cima de mais de 30. Se um novo ocorrer, vai ser aquecido sob a mesma pilha gorda.

William Waack - As riquezas dos maricas

- O Estado de S.Paulo

Bolsonaro é o pior inimigo de si mesmo quando se trata de ridicularizar sua autoridade

Era óbvio e esperado que, ao perder a aposta feita em Donald Trump, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro fosse incluído na coluna “perdedores” em todas as listas de governantes que se deram mal com a vitória de Joe Biden. Não são poucos, e incluem países tão diferentes entre si como Israel, Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido e Hungria. Mas o que a língua solta do presidente está produzindo é uma rápida perda da própria autoridade

A popularidade que resulta de auxílios emergenciais é tão efêmera quanto a duração desses auxílios, e até aqui o governo não conseguiu dizer como vai incluir uma renda básica no Orçamento do ano que vem (que, aliás, não foi votado). Sim, é popularidade que pode ser reconquistada, ainda que a custo literalmente alto para os cofres públicos – e enquanto a economia não sofrer desarranjos maiores, fantasma que o próprio ministro Paulo Guedes anda alimentando.

Com autoridade é diferente. Um presidente não precisa necessariamente ter grande autoridade para ser popular, mas precisa ser levado a sério para governar. A autoridade de Bolsonaro está sendo diluída por ele mesmo ao cair no ridículo, um ácido capaz de corroer qualquer pedestal. Personagens que dizem coisas “folclóricas”, toscas, ofensivas, desvinculadas da realidade, abusivas ou mentirosas avançam até o ponto em que afundam nas próprias palavras.

Bruno Boghossian - Huck, Moro, Marina e Ciro

- Folha de S. Paulo

Articuladores querem reduzir marca da direita e formar candidatura de terceira via

O grupo que procura uma candidatura de terceira via para 2022 deu um passo largo à direita no almoço entre Luciano Huck e Sergio Moro. A repercussão do encontro pegou mal entre alguns articuladores desse plano. Agora, eles afirmam que é preciso fazer um movimento para o outro lado da régua política.

O protagonismo dado ao apresentador estabeleceu o DNA inicial do projeto. Embora não tivesse uma identidade ideológica nítida e defendesse uma agenda de redução da desigualdade, Huck vestiu o figurino da direita quando se associou a Aécio Neves e se cercou de conselheiros com uma visão liberal da economia.

Uma candidatura com essa cara seria, a princípio, uma jogada para atrair o que se convencionou chamar de bolsonaristas arrependidos –eleitores escolarizados e de centros urbanos que se afastaram do presidente nas sucessivas crises do governo.

Luiz Carlos Azedo - Bêbado a uma hora dessa?

- Correio Braziliense

Apesar de todo o seu poder, Góis Monteiro não escapou da gozação, até mesmo entre os colegas de farda, no auge da luta para o Brasil entrar na guerra contra o nazifascismo

Desculpem-me a analogia. Tem certas coisas no Brasil que não escapam da gozação, mesmo quando são muito sérias e preocupantes. Por exemplo, o namoro de Getúlio Vargas com o fascismo de Benito Mussolini, o ditador da Itália, e o nazismo de Adolf Hitler, da Alemanha, cujo ponto alto foi a entrega da judia alemã Olga Benário, a esposa do líder comunista Luís Carlos Prestes, grávida de sua filha Anita Prestes, à Gestapo. Olga foi morta na câmera de gás do campo de extermínio de Bernburg, mas sua filha foi resgatada antes disso, depois de uma grande campanha internacional. Hoje é professora de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Nessa época, em plena ditadura Vargas, havia uma luta surda entre o ministro da Guerra, Góis Monteiro, e o chefe de Polícia do Distrito Federal, Filinto Muller, que defendiam uma aliança com o Eixo, de um lado, e o chanceler Oswaldo Aranha e o almirante Amaral Peixoto, genro de Vargas, que articulavam a entrada do Brasil na guerra ao lado dos Estados Unidos e seus aliados da Europa, de outro.

O repórter David Nasser, no livro Falta alguém em Nuremberg, traça o perfil da equipe de Filinto Muller, “recrutados entre a escória do Exército”: capitão Felisberto Batista Teixeira, delegado especial de Segurança Política e Social: capitão Afonso de Miranda Correia, delegado auxiliar; tenentes Emílio Romano, chefe da Segurança Política, e Serafim Braga, chefe da Segurança Social, e, ainda, o tenente Amaury Kruel e seu irmão, capitão Riograndino Kruel, ambos da inspetoria da Guarda Civil, “indivíduos cujo servilismo ao governo e brutalidade com os presos” contribuíram, segundo Nasser, para as violações dos direitos humanos ocorrida na época. No Estado Novo, segundo o historiador Cláudio de Lacerda Paiva, “quem censurava era Lourival Fontes, quem torturava era Filinto Muller, quem instituiu o fascismo foi Francisco Campos, quem deu o golpe foi Dutra e quem apoiava Hitler era Góis Monteiro”.

Ricardo Noblat - O que Bolsonaro conseguiu ao reconciliar-se com ele mesmo

- Blog do Noblat | Veja

Balanço da explosão de cólera

Os que cercam o presidente Jair Bolsonaro concordam sobre o principal motivo que o levou a viver um dia de cólera na última terça-feira: medo. Medo do que possa acontecer com seu filho mais velho, o senador Flávio, investigado por corrupção. Medo do que o futuro reserva ao seu governo. Medo de perder em 2022.

E concordam que a explosão de cólera conseguiu deixar Bolsonaro mal ao mesmo tempo com os militares que sempre o apoiaram, a China, o maior parceiro comercial do Brasil, e o governo de Joe Biden que em 20 de janeiro próximo tomará posse como novo presidente dos Estados Unidos. Um feito e tanto, como se vê.

Quando as Forças Armadas por aqui foram alvo de piadas e de deboche nas redes sociais? Não havia registro disso. Passou a haver depois que Bolsonaro, em discurso no Palácio do Itamaraty, e a propósito da pressão de Biden para que cuide melhor da Amazônia, afirmou que se a diplomacia fracassa, resta a pólvora.

Entrevista | ‘A pandemia custou eleitores a Bolsonaro’, diz cientista político da FGV

Carlos Pereira conduz, desde março, pesquisa que identifica uma transição de pensamento entre os brasileiros

João Paulo Saconi | O Globo

Há nove meses, desde que a Covid-19 se transformou em uma tragédia diária na vida dos brasileiros, o cientista político Carlos Pereira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), tem conduzido uma pesquisa acadêmica para observar como eleitores de diferentes espectros políticos pensam a respeito de temas políticos e sociais. Com mais de 20 mil respostas colhidas até agora, o estudo ainda está em curso e, conforme publicou a coluna do jornalista Merval Pereira, os resultados indicam que a pandemia foi uma “bomba atômica” para a polarização ideológica que guiou o país nos últimos anos. Os motivos foram abordados na entrevista abaixo.

A pandemia transformou o pensamento do brasileiro?

Sim. Um dos nossos principais achados, em três rodadas de perguntas ao longo do ano, foi o rompimento com o presidente de pessoas que, mesmo sem serem próximas à base dele, optaram por não votar no PT em 2018. A pandemia custou eleitores a Bolsonaro, por causa da forma como ele a tratou. É o que o estudo sugere, ainda que 2022 esteja longe e o cenário possa mudar.

Qual foi o peso da Covid-19 nesse processo que o senhor descreve?

Esses eleitores se afastaram à medida em que estavam próximos de pessoas contaminadas, familiares ou amigos em casos graves ou fatais. Eles se tornaram mais favoráveis ao isolamento social e mais críticos a Bolsonaro, além de passarem a se importar menos com os riscos econômicos do momento, independentemente de sua renda. O presidente manteve seus eleitores que chamamos de “identitários”, que se nutrem do conservadorismo e dos valores a ele associados.

Qual o destino desses eleitores?

Identificamos que eles migraram para o centro, em busca de moderação. A pandemia foi uma bomba atômica para a polarização que, antes, equilibrava o bolsonarismo e o petismo em polos opostos. Diante do risco de vida da Covid-19, as pessoas se tornaram dispostas a saídas menos radicais. Estão querendo previsibilidade e conforto em vez de surpresas.

Maria Cristina Fernandes - O que esperar de um eleitor machucado

- Valor Econômico

Se as eleições de 2016 foram marcadas pelo cansaço, as de 2020 o serão pelas perdas - de vidas, empregos e perspectivas

A campanha eleitoral transcorreu num ano em que a pandemia matou 160 mil pessoas, desempregou 12 milhões, e deixou 7 milhões sem aulas. Por mais que as disputas municipais tratem do que o jargão dos candidatos chama de zeladoria, não há como subtrair da corrida pelas prefeituras e Câmaras de Vereadores, o drama nacional.

Mais do que o cansaço de 2016, pavimento para a praga da antipolítica que se esparramaria pelo país em 2018, a disputa de domingo será marcada pela perda - de vidas, empregos e perspectivas. Foi este o denominador comum das pesquisas feitas por Nilton Tristão ao longo de 2020.

De tão discreto, o instituto que dirige (Opinião) nem perfil em redes sociais tem, mas passou pelo crivo rigoroso do site Pindograma, que analisou quase 2 mil pesquisas no país, como o de maior grau de acerto. Por não seguir a metodologia estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, que classifica de binária, Tristão não publica suas pesquisas. Trabalha por encomenda de candidatos.

Do que tem colhido nas pesquisas - quantitativas e qualitativas - conclui que nunca houve distância tão abissal entre os anseios de um eleitor machucado e a oferta do mercado de candidatos. Desse fosso, aposta, sairá a maior taxa de votos em branco, nulos e abstenção de uma eleição municipal desde a redemocratização.

É bem verdade que não se trata uma aposta arriscada. O próprio TSE, lembra Tristão, tem alertado na sua propaganda eleitoral que, na presença de quaisquer dos sintomas da covid-19, o eleitor deve se abster de votar. Mas aqueles que forem aos locais de votação, aposta, não estarão propensos a bravatas e propostas contra-tudo-o-que-está-aí.

O cansaço de 2016 fez ascender gente que se dizia avessa à carreira que estava a abraçar - os empresários João Doria (São Paulo), Alexandre Kalil (BH) e Hildon Chaves (Porto Velho), além do professor universitário Clécio Vieira (Macapá) - e de outros, como Marcelo Crivella (Rio) que, apesar de agarrado à política há muito tempo, ainda age e fala como se num templo estivesse.

Maria Hermínia Tavares* - Jogo de cena

- Folha de S. Paulo

Apego a ideias arcaicas impede que o país volte a ter relevância internacional nas questões ambientais

A vitória de Joe Biden abre uma fresta de esperança de que se possa evitar a catástrofe climática provocada pelo aquecimento do planeta. O esperado retorno dos EUA ao Acordo de Paris, a disposição da União Europeia a abraçar uma agenda de recuperação econômica verde e o compromisso unilateral da China com a descarbonização total até 2060 dão margem a moderado otimismo.

Nesse quadro, o Brasil poderia voltar a ser um ator internacional relevante, numa das poucas arenas nas quais tem trunfos consideráveis. Para tanto, porém, o governo teria de abandonar a sua tola atitude negacionista, munindo-se de ânimo e aptidão para conter o desmatamento, a fim de proteger a Amazônia e sua biodiversidade —o cerne de nossa questão ambiental.

Apesar da limitada capacidade estatal de fazer cumprir as regras existentes, o país tem um bom marco legal e bons instrumentos de monitoramento —ainda que deliberadamente debilitados pela dupla Bolsonaro-Salles. Obstáculo tão ou mais importante é a concepção de soberania nacional que enquadra o pensamento dos militares no governo em relação ao meio ambiente.

Fernando Schüler* - Adversários ou inimigos?

- Folha de S. Paulo

Isto implica, quem sabe, a parar de pensar que sua posição política corresponda à própria democracia

Joe Biden fez um apelo interessante em seu discurso de vitória. Pediu que as pessoas parassem de demonizar e tratar os adversários como inimigos. Linhas à frente, disse que havia vencido para “restaurar a decência e defender a democracia”.

Observe-se como mesmo um político moderado e boa gente como Biden tropeça. Se um lado “organiza as forças da decência” e expressa, ele mesmo, os valores da democracia, o que sobra exatamente para o outro lado?

Acho que foi apenas uma escorregada de Joe Biden. Sua história o credencia para ajudar a “curar a América” do diálogo de surdos em que se transformou a política americana. Vamos finalmente testar a tese de que basta que o exemplo venha de cima e tudo se ajeita.

Não acho que as coisas sejam tão simples. O processo de polarização nas democracias é mais profundo do que costumamos reconhecer. O discurso radicalizado de quem está no poder ou de quem faz oposição é antes consequência do que causa desse processo.

Carlos Alberto Sardenberg - Piada numa hora dessas?

- O Globo

A ameaça (ameaça?) de Bolsonaro de tacar pólvora contra Biden caiu na categoria das chacotas

Todo mundo sabia que Jânio Quadros era meio doido. Parecia, na maior do tempo, um doido manso, pra lá de inteligente e muito esperto na fala. São famosas suas tiradas, como aquela em uma entrevista na TV.

O jornalista, tentando ser mais esperto, fez um preâmbulo para introduzir uma pergunta difícil: “Presidente, o senhor não pode imaginar minha ignorância nesse assunto para perguntar assim tão direto...”. Jânio interrompe: “Posso, sim, senhor jornalista, posso sim.”

Desconfiava-se que algum dia Jânio poderia fazer uma grande doidice, algo que o tirasse do cargo onde estava. Então, acabou fazendo.

Claro, estamos pensando nas falas mais recentes do presidente Bolsonaro. A questão é: será que ele algum dia vai falar (ou fazer) algo com consequências irreparáveis para ele e seu mandato? Ou será que encarnará cada vez mais o papel (lamentável) do falastrão? Café com leite, Odorico Paraguaçu, motivo de chacota.

A ameaça — ameaça? — de tacar pólvora contra o Biden caiu nessa última categoria. As pessoas se lembraram do exército de Brancaleone, do “Rato que ruge” (filme de 1959), dos Trapalhões do Didi. Os memes abundaram nas redes.

O mercado financeiro não deu a mínima. Quer dizer, falou o tempo todo do assunto — e foi uma mina de piadas naquele estilo leve dos operadores.

E, por falar nisso, o mercado também nem ligou para as declarações absolutamente desastrosas do ministro Paulo Guedes. Em circunstâncias normais, o mercado deveria ter entrado em pânico quando o ministro falou na possibilidade de o Brasil não conseguir rolar sua dívida e de isso gerar uma hiperinflação.

Bernardo Mello Franco - A penitência do bispo Crivella

- O Globo

Os últimos dois prefeitos do Rio se reelegeram com um pé nas costas. Em 2004, Cesar Maia liquidou a fatura no primeiro turno, com pouco mais de 50,1% dos votos válidos. Em 2012, Eduardo Paes teve uma vitória ainda mais tranquila, com 64,6%.

O cenário não deve se repetir em 2020. Apesar de controlar a máquina da prefeitura, Marcelo Crivella corre o risco de ficar fora do segundo turno. Paes lidera com folga, e o bispo disputa a outra vaga com Martha Rocha e Benedita da Silva.

De acordo com o Ibope, o prefeito entrou na semana final da campanha com 15% das intenções de voto. Em 2016, ele registrava 35% no mesmo período.

O encolhimento levou Crivella a mudar radicalmente de estratégia. Depois de anos tentando desvincular sua imagem da Igreja Universal, ele agora escancara a mistura de fé e política. “Aleluia! Aleluia! Aleluia porque a luta continua!”, canta, em hino gospel transformado em jingle eleitoral.

Guga Chacra - Trump é uma ameaça aos EUA

- O Globo

Não aguento mais falar do perdedor Donald Trump, uma figura narcisista, mimada e insegura que é incapaz de aceitar a derrota e segue com ataques à democracia do país governado por ele próprio. O correto seria falar de Joe Biden, declarado eleito presidente dos EUA no sábado passado. Será o democrata que viverá na Casa Branca a partir de 20 de janeiro para comandar os americanos no combate à Covid-19 e na tentativa de reerguer a economia destroçada pela pandemia. Este era meu objetivo nesta coluna. Não consegui, infelizmente.

Nos próximos 70 dias, seria necessária uma transição do governo de Trump para o de Biden. Os dois lados precisam agir em coordenação neste momento em que o número de novos casos de Covid-19 bate recordes nos EUA. As novas hospitalizações atingem números alarmantes. Mesmo Nova York, que parecia ter superado a doença, enfrentará novas restrições a partir de amanhã com a ameaça de uma segunda onda. Ao mesmo tempo, um programa de estímulo à economia não pode ser adiado até janeiro. O atual presidente precisa negociar um acordo com os democratas da Câmara urgentemente para evitar o colapso de uma série de atividades econômicas e ajudar pessoas que perderam os empregos. Mas o presidente desistiu de governar. Só quer reclamar de fictícias fraudes em seu Twitter.