Valor Econômico
Uma terceira opção, há muito negligenciada,
é os governos supervisionarem processos de baixo para cima de improvisação e
criatividade
Intervir ou não intervir. Esse tem sido o
debate central sobre o papel do Estado na economia pelo menos desde o século
XVIII. Nos últimos 40 anos, os Estados Unidos e outras democracias liberais do
Ocidente defenderam o livre mercado, o livre comércio e um papel limitado para
o governo - uma posição conhecida como neoliberalismo ou “fundamentalismo de
mercado”. Para alguns comentaristas, a aprovação recente da Lei dos Chips e da
Ciência e da Lei da Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês), as duas
políticas industriais que são a marca do governo do presidente Joe Biden,
representa o fim do neoliberalismo e o ressurgimento do intervencionismo como paradigma
dominante.
Mas essa é uma falsa dicotomia. Os governos
não estão limitados a uma escolha binária entre o laissez-faire e o
planejamento de cima para baixo. Uma terceira opção, há muito negligenciada
pelos formuladores de políticas e economistas, é os governos supervisionarem
processos de baixo para cima de improvisação e criatividade, algo semelhante ao
papel de um maestro de orquestra. É possível encontrar muitos exemplos disso na
China e nos Estados Unidos.
O neoliberalismo surgiu como paradigma dominante de formulação de políticas no Ocidente na década de 80. Sob o presidente Ronald Reagan, os EUA buscaram a desregulamentação, cortaram impostos e reduziram os programas de assistência social. A intervenção do governo, dizia o pensamento, inevitavelmente leva a distorções de políticas, dependência de esmolas estatais e corrupção. Como Reagan disse em seu primeiro discurso de posse, “o governo não é a solução para o nosso problema; o governo é o problema”.

















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