O Globo
Precisamos voltar a debater, de forma serena
e adulta
Uma bandeira do Brasil atirada a uma poça de
água suja. A foto de autoria de Guilherme Mazui, publicada no portal g1, resume
o dia em que as três casas da democracia brasileira — Palácio do Planalto,
Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal — foram vandalizadas. A bandeira
em questão era uma pintura do artista Jorge Eduardo e estava no gabinete da
Presidência desde o governo Fernando Henrique. Há um paralelo entre a foto do
quadro no chão e outra imagem, de um viking pintado com as cores da bandeira americana.
Uma representa o 8 de Janeiro brasileiro. A outra resume o 6 de Janeiro
americano — dia em que o Capitólio, dois anos antes, fora invadido e depredado.
As duas datas infames e próximas — uma fez aniversário ontem, outra fará amanhã — têm um ponto de partida comum. Começaram a ser gestadas quando presidentes derrotados pelo voto popular — Donald Trump e Jair Bolsonaro — ignoraram a regra número um das democracias, de acordo com os cientistas políticos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt: reconhecer os vencedores em eleições livres e justas. “Democracias são regimes em que se perdem eleições”, definiu de forma magistral o polonês Adam Przeworski, outro autor de referência.

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