terça-feira, 15 de outubro de 2024

Merval Pereira - Embate sem luz

O Globo

Há anos, portanto, as agências reguladoras vêm sendo esvaziadas e preenchidas por escolhas políticas, quando têm função puramente técnica. Essa é uma das razões para a falta de fiscalização apontada como causa das falhas constantes da concessionária Enel

As agências reguladoras foram criadas em consequência da privatização de setores da economia no governo Fernando Henrique Cardoso. A ideia central é haver agências independentes para garantir que as empresas privatizadas cumpram bem suas missões em todo o território nacional. Por isso elas têm mandato para o presidente e diretores, que não coincidem com os de governos eleitos.

Normalmente, um dirigente de agência reguladora é nomeado por um presidente da República, e seu mandato entra pelo governo que lhe sucedeu. No caso de reeleição, é possível que os mandatos coincidam em algum momento, mas a autonomia continua preservada pelo mandato fixo. Os governos petistas nunca gostaram da ideia, consideram que os ministérios ficam esvaziados.

Pedro Doria - Temos pouco tempo

O Globo

País pode estar no grupo de quem desenvolve tecnologia adjacente

Talvez não esteja muito claro, mas a gente tem tempo de entrar na era da inteligência artificial. Não seremos, os brasileiros, desenvolvedores da tecnologia. Esse bonde já partiu. Mas o número de países nesse primeiro nível será muito pequeno. Estados Unidos e China, certamente, mais uns dois ou três. Se tanto. Mas há um segundo nível nessa corrida: é quem desenvolve tecnologia adjacente. O Brasil pode perfeitamente entrar nesse jogo. Quem fará as melhores IAs para uso em agricultura? Para exploração de petróleo ou mineração? Ou para preservação de florestas, controle de queimadas? São muitas as áreas em que podemos ser líderes mundiais. A alternativa é sermos meros consumidores. Então, o que é preciso fazer?

Míriam Leitão – IR: o que o governo está preparando

O Globo

Equipe econômica formula saídas técnicas para a isenção até R$ 5 mil e a cobrança da alta renda

O projeto do Ministério da Fazenda é apresentar este ano um pacote de corte de gastos. Várias propostas já estão sobre a mesa do presidente Lula. Em relação à isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, a fórmula desenvolvida representará um custo de R$ 35 bilhões, que será facilmente coberto pelo imposto mínimo para a alta renda. Só que isso ficará para o ano que vem, para ser apresentado junto com toda a proposta de reforma da renda. Foi o que eu apurei com fontes do governo.

Há muitos ruídos sobre todos esses assuntos, em parte porque ideias foram divulgadas antes de serem fechadas e, principalmente, aprovadas pelo presidente. São várias formas de cumprir essa promessa da isenção até R$ 5 mil. Uma delas custaria R$ 100 bilhões de perda de arrecadação. Seria subir todas as faixas da tabela do Imposto de Renda para acima desse valor. Outra alternativa seria manter as faixas atuais, mas conceder isenção para todos até o limite de R$ 5 mil. “Isso também custa caro, está na ordem de R$ 70 bilhões”, disse uma fonte. Por isso, a maneira de fazer conta muito. A escolha recaiu sobre a forma mais barata de cumprir essa promessa de campanha.

Paul Krugman - Trump se desvinculou do tempo

The New York Times / Folha de S. Paulo

Candidato republicano parece preso no passado ao repercutir uma imagem dos EUA que não corresponde mais com a realidade

Você se lembra da crise de eletricidade na Califórnia em 2000 e 2001? Eu me lembro, porque escrevi muito sobre isso na época e me arrisquei ao argumentar, com base em evidências circunstanciais, que a manipulação do mercado provavelmente era um fator importante.

Um colega economista me acusou de "ir para o lado Nader", mas eventualmente obtivemos evidências diretas de manipulação de mercado: gravações de traders da Enron conspirando com funcionários de empresas de energia para criar escassez artificial e aumentar os preços.

As memórias desse episódio me tornaram mais simpático do que muitos economistas às alegações de que a exploração de preços desempenhou um papel na recente inflação, embora eu não acredite que tenha sido um fator principal. Neste ponto, no entanto, tudo isso é história antiga; além de alguns apagões durante uma onda de calor em 2020, a Califórnia não teve grandes faltas de eletricidade em décadas.

Thomas L. Friedman - Conflito árabe-israelense continua sem solução clara ou narrativa unificada

The New York Times / Folha de S. Paulo

Um ano após seu início, a guerra entre Israel e Hamas segue sem vencedor, seja no campo de batalha ou no campo das ideias

Então, no que estou pensando neste mês de aniversário da guerra entre Hamas, Hezbollah, Irã e Israel? Estou pensando no que meu professor de estratégia, John Arquilla da Escola de Pós-Graduação Naval dos Estados Unidos, me ensinou —que todas as guerras se resumem a duas perguntas básicas: quem vence no campo de batalha? E quem vence na luta pela narrativa?

E o que estou pensando hoje é como, mesmo após um ano de guerra, uma guerra na qual Hamas, Hezbollah e Israel impuseram terrível dor às forças e civis uns dos outros, ninguém venceu de forma decisiva a disputa no campo de batalha ou a disputa pela narrativa.

De fato, um ano após o 7 de outubro de 2023, esta ainda é a primeira guerra árabe-israelense sem nome e sem um vencedor claro, pois nenhum lado obteve uma vitória evidente ou conseguiu apresentar uma narrativa unificada.

Podemos e devemos nos preocupar com a condição de apátridas dos palestinos e com os árabes da Cisjordânia que vivem sob pressão dos assentamentos e restrições israelenses. No entanto, para mim, nada justifica as ações dos terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 —assassinatos, mutilações, sequestros e abusos sexuais de qualquer israelense ao alcance, sem nenhum objetivo, narrativa ou propósito além de destruir o Estado judeu.

Se você acredita, assim como eu, que a solução para o conflito é a existência de dois Estados para dois povos nativos da região entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo, esse ataque do Hamas foi um retrocesso imensurável a essa perspectiva.

Ehud Olmert / Nasser Al Kidwa - Um farol de esperança Israelense e palestino

O Expresso (Portugal)

Em 7 de outubro de 2023, um novo e devastador capítulo na história dos encontros violentos entre palestinos e israelenses ocorreu, dando início à guerra mais devastadora da história desses dois povos. Agora, quase um ano após esse dia horrível, milhares de pessoas morreram de ambos os lados. A Faixa de Gaza foi destruída, a maioria de seus habitantes tornou-se refugiada mais uma vez, e há cerca de 2 milhões de desabrigados. Mais de 200 mil israelenses também ficaram desabrigados, forçados a abandonar suas casas destruídas e incendiadas.

Não nos conhecíamos no passado, em nossos cargos oficiais a serviço de nossos povos. Nossas trajetórias profissionais não se cruzaram nem nos levaram a trabalhar juntos, até agora. O que nos uniu foi nossa busca para encontrar um parceiro do outro lado do conflito para trabalhar juntos, com respeito mútuo, com o propósito de encontrar uma solução para acabar com a guerra em Gaza e iniciar novas negociações entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina, com a aspiração de chegar a um acordo que ponha um fim definitivo ao conflito violento entre nossos dois povos.

Poesia | De que serve a bondade, de Bertold Brecht

 

Música | Elba Ramalho, Alceu Valença - Flor de Tangerina

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Paralisia do Congresso prejudica mercado de carbono

O Globo

Incêndios e tragédias ambientais revelam custo da demora para legalizar créditos de emissões no Brasil

Aprovado pela Câmara no final do ano passado, o Projeto de Lei que regulamenta o mercado de créditos de carbono no Brasil continua parado no Senado. Pelas informações que circulam em Brasília, não há perspectiva de que avance ainda neste ano. Num momento em que o país se dá conta da pior forma possível — pelas tragédias de enchentes e incêndios florestais — da urgência de lidar com as mudanças climáticas, a postergação só contribui para revelar a miopia do Legislativo diante da questão.

O projeto aprovado está longe de ser perfeito, mas pelo menos formaliza a negociação de créditos de carbono no país, hoje apenas voluntária. Com a compra e a venda reguladas por lei, empresas com dificuldades de reduzir emissões serão obrigadas a adquirir a permissão de outras que reduzirem. Tal mecanismo induz a transição a um sistema produtivo mais limpo e contribui para o Brasil cumprir as metas de corte assumidas no Acordo de Paris. Também pode servir de embrião nas negociações sobre um mercado global de carbono, que deverão ser destaque na COP30, a Conferência do Clima da ONU, prevista para ocorrer em Belém no ano que vem.

Quaest aponta preferência por Lula e racha na direita

Rafaela Gama / O Globo

Ex-coach e governador de São Paulo podem disputar apoio de eleitores de Bolsonaro, apesar da liderança do atual presidente em intenções de voto

Rio de Janeiro - Ema sondagem divulgada pela Quaest neste domingo sobre a eleição presidencial de 2026, o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), dividem as intenções de voto de eleitores de direita, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assume a liderança geral. Os dados foram antecipados pelo colunista Lauro Jardim.

Em um cenário sem Jair Bolsonaro nas urnas, 32% dos eleitores declarariam apoio ao atual presidente, enquanto 18% afirmam que votariam em Marçal, e 15% em Tarcísio. O instituto ouviu 2.000 eleitores entre os dias 25 e 29 de setembro, antes do primeiro turno da disputa municipal. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Carlos Pereira - O Supremo como ator político?

O Estado de S. Paulo

Percepção de que o STF é politicamente motivado gera perda de legitimidade e restrição de poderes

No artigo “Has the Supreme Court become just another political branch? ”, Matthew Levendusky e coautores mostram que a Suprema Corte americana tem enfrentado um declínio sem precedentes de sua confiança e legitimidade.

Os autores mostram que o ponto de virada na percepção negativa dos cidadãos americanos sobre a Suprema Corte foi a decisão do caso Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization, em 2022, na qual a Corte considerou que a Constituição dos EUA não conferia o direito ao aborto, deixando aos estados a competência de regular a questão. A mudança de interpretação sobre o aborto coincidiu com a alteração da composição da Corte. Donald Trump teve a oportunidade de indicar três juízes, o que permitiu a formação de uma maioria de seis juízes indicados por Republicanos. Os juízes votaram em bloco contra o aborto, derrotando a preferência minoritária de três juízes indicados pelos Democratas. 

John Burn-Murdoch - Esquerda perde apelo nas minorias étnicas

Financial Times / Valor Econômico

Políticos de todos os espectros fariam bem em começar a ouvir o que os diferentes eleitores de minorias étnicas realmente querem, em vez de se basearem em estereótipos cada vez mais errôneos

Em ambos os lados do Atlântico, um dos padrões mais antigos em demografia eleitoral começou a se desintegrar. O principal indicador de uma queda de apoio ao Partido Trabalhista nas eleições gerais do Reino Unido deste ano veio do eleitorado de origem muçulmana, enquanto os melhores resultados dos Conservadores ocorreram em áreas com grandes populações hindus. No geral, o Partido Trabalhista conquistou menos da metade dos votos de não brancos pela primeira vez na história.

Nos Estados Unidos, o vale do Rio Grande, de maioria hispânica, mudou drasticamente a favor de Donald Trump em 2020, americanos vietnamitas na Califórnia abandonaram os democratas, e bairros de maioria negra na Filadélfia ficaram significativamente menos “azuis” (menos inclinados a apoiar os democratas). Os republicanos tiveram o melhor desempenho entre eleitores não brancos em quatro décadas, desde 1960.

Preto Zezé - O que a favela disse na urna

O Globo

A economia e o cuidado com a vida diária, especialmente das mulheres, maioria nas cidades, serão decisivos no segundo turno

O primeiro turno das eleições municipais deu muitos sinais ao mundo político. Notamos eleitores dispostos a continuar manifestando sua indignação contra tudo e todos, como o meu amigo Rafael, morador de uma favela em São Paulo. Ele não queria candidatos já conhecidos. Jovem, faz um discurso crítico às políticas sociais como única forma de diálogo com as favelas.

Rafael reconhece a importância do Bolsa Família, mas afirma que não deseja depender do Estado, pois quer montar o próprio negócio. Seu candidato não foi para o segundo turno, e agora ele está indeciso.

A jovem de uma favela de Maceió votou pela reeleição do prefeito JHC (PL), que, teoricamente, é conservador. No entanto observou mudanças positivas em sua comunidade e decidiu lhe dar uma segunda chance, acreditando que ele poderá concluir o que começou. JHC venceu com 83,25% dos votos. Numa favela do Recife, Júnior, um motoboy, votou em Jair Bolsonaro em 2022, mas desta vez optou por João Campos (PSB). Para ele, apesar de Campos apoiar Lula, é um político decente, que fez muito pelas favelas e pela cultura do brega, com que se identifica.

Bruno Carazza - O PT não envelheceu, mas perdeu vitalidade

Valor Econômico

Por que mesmo com controle do governo federal, a segunda bancada no Congresso e uma das maiores fatias do fundão o PT foi tão mal nas eleições?

Muito já se discutiu, nos últimos dias, a respeito do resultado insatisfatório do Partido dos Trabalhadores nas eleições de domingo passado. O fato de o principal partido de esquerda, que também é o partido do presidente da República, que vem a ser um dos políticos mais populares da história, ter feito apenas 248 prefeituras no país despertou muita conversa sobre a perda de competitividade de Lula, do PT e da esquerda.

Os dados são desanimadores para os afiliados ao partido. O PT foi apenas a nona legenda em número de municípios conquistados, assim como os 3.128 futuros vereadores petistas colocam o partido no longínquo oitavo lugar no ranking. Em ambos os casos, o PT perde para o PSB, desde 2016 a maior força em bases locais entre os partidos que ocupam o espectro de diversos tons de vermelho que representam a esquerda brasileira.

Fernando Gabeira - A derrota dos extremos na urna

O Globo

Considero Eduardo Paes agregador, amigo dos sambistas, enfim, alguém cujas características podem vencer o rancor

Uma mensagem da vizinha:

— Você foi um pouco injusto.

Como assim? Era uma linda manhã de segunda-feira. Bem cedo, o sol inundara a casa com um brilho escandaloso, a temperatura da água estava perfeita, assim como a intensidade da brisa. Qualquer injustiça, ainda que pequena, contaminaria a beleza do dia.

Ela acha que atribuí ao tom alegre e enérgico da campanha de Kamala Harris algo que estava bem diante de mim na vitória de Eduardo Paes. Devo uma explicação. Considero Eduardo Paes agregador, alegre com seu chapéu-panamá, amigo dos sambistas, enfim, alguém cujas características podem vencer o rancor das correntes extremas.

No entanto não me referia apenas à personalidade do candidato, mas à atmosfera da campanha, ao clima coletivo posto em m archa sob a inspiração de um nome. Sem negar as qualidades de Paes, a razão de seu êxito, para mim, não está principalmente no humor, mas sim nas realizações.

Marcus André Melo - Dois equívocos sobre a geografia do voto

Folha de S. Paulo

Os resultados das eleições municipais não revelam mudança de preferências políticas, mas o domínio de partidos

Abundam os chavões explicativos sobre os resultados das eleições municipais nas diversas regiões do país. Um deles é o mito do Nordeste vermelho, a partir do qual se buscaria dar conta de um suposto "DNA político" na região. Na realidade, o padrão de voto para o Legislativo federal na região não exibia nenhuma especificidade clara em termos partidários. Dois terços dos representantes do Nordeste na Câmara pertencem a legendas do núcleo duro do centrão, de centro ou centro direita, como mostrei aqui.

Em 2022, o núcleo duro do chamado centrão (PL, PP, Republicanos), somado ao PSC e Patriotas, elegeu 35% dos deputados federais. As legendas de esquerda —PT, PSB, PC DO B, Verde, Rede, PSOL, Solidariedade— lograram eleger 33%. Em outras palavras, o Nordeste é tão "conservador" quanto o Brasil.

André Gustavo Stumpf - Verdade dolorosa

Correio Braziliense

Conservadores e liberais, que fizeram a maioria dos novos eleitos, pretendem um governo democrático moderno. Nesta eleição, os extremos foram derrotados pelo centro

Eleições costumam resultar em surpresas às vezes dolorosas. Winston Churchill, primeiro-ministro inglês que comandou a Inglaterra e liderou o mundo ocidental na Segunda Guerra Mundial, foi derrotado nas eleições de seu país logo após a rendição alemã. Foi excepcional líder na guerra, mas o eleitor inglês entendeu que era hora de mudar e de reconstruir os países em momento de paz. Ele perdeu. Nessa última eleição brasileira, ocorreu algo semelhante. O povo quis mudar e fez surgir nova geração de políticos conectados ao século 21, os melhores exemplos são Tabata Amaral e João Campos, dois jovens de esquerda.

Fracasso nas urnas acelera negociações entre PSDB e PDT por nova federação

Paulo Celso Pereira / O Globo

Partidos negociam federação, junto com o Solidariedade, após sofrerem derrotas expressivas nas eleições municipais deste ano

Rio de Janeiro - Após sofrerem uma derrota expressiva nas eleições deste ano, dirigentes do PSDB, PDT e Solidariedade (SD) devem se reunir nas próximas semanas para negociar uma nova federação partidária. A medida é considerada inevitável diante da chamada cláusula de barreira, que estabelece um número mínimo de votos que os partidos precisam nas eleições à Câmara de Deputados para ter direito a fundo partidário e tempo de TV.

A cláusula, criada em 2017, já havia afetado partidos pequenos — fisiológicos ou não — nas eleições de 2018 e 2022. Com o resultado do último domingo, a tendência é que ela mude também o destino de algumas das mais tradicionais legendas do país na Nova República.

Atravessando uma profunda crise há quase uma década, o PSDB viu sua bancada federal ser reduzida a 13 parlamentares em 2022 e agora perdeu quase metade de seus prefeitos: saiu de 520 eleitos em 2020 para 269. O desafio agora é sobreviver à cláusula, que exigirá em 2026 um número ainda maior de votos.

Alfredo Maciel da Silveira – Nomes na mesa

Até onde me lembro, dos filmes de faroeste, as tribos indígenas norte-americanas tinham o "Conselho dos Anciães".

Na China de hoje, posso estar errado, acho que é institucionalizado o mesmo tipo de Conselho Consultivo em nível nacional.

Somos mortais!....

Fico pensando o quanto vimos perdendo com a despedida de tanta "massa cinzenta" e de tantas lideranças da nacionalidade que forjaram nossa Democracia, agora sob as crises superpostas, social, econômica e política, que a deslegitimam.

Democracia pra quê? Pergunta nosso povo, quando não vê futuro pela frente, para si e seus filhos!

Como defendo a primazia da questão econômica, vou adiantar aqui alguns nomes de quadros que julgo imprescindíveis como referências.

Mas antes, já que nos falta o "Conselho dos Anciães", respondo, quem une a todos nós, quem está vivíssimo e lúcido para liderar a organização das forças vivas da nação, unindo passado e presente numa Frente de Salvação Nacional?

Poesia | Tomara, de Vinicius de Moraes

 

Música | Mônica Salmaso - Suburbano coração (Chico Buarque)

 

domingo, 13 de outubro de 2024

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Isenções e subsídios tributários devem ser alvo de revisão

O Globo

Orçamento prevê R$ 544 bilhões em renúncias a impostos sobre atividades variadas, sem controle de eficácia

Dos 2,2 milhões de contribuintes que, na declaração de Imposto de Renda de 2023, se identificaram como sócios de empresas regidas pelo Simples Nacional, uma minoria de 38,4 mil recebeu R$ 46 bilhões em lucros e dividendos isentos de tributação — média de R$ 1,5 milhão por contribuinte —, revelou um estudo do instituto Samambaia.org com base em dados da Receita Federal. Criado para reduzir o peso da carga tributária e facilitar a vida de empresas de menor porte, o Simples se transformou num atalho para a população de alta renda pagar pouco ou nenhum imposto. Cerca de 10% dos sócios de empresas do regime ganharam mais que os R$ 240 mil imaginados pelo governo como patamar para a isenção.

Esta é apenas uma das inúmeras distorções na distribuição de isenções tributárias no país. De acordo com o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2025, a União deixará de arrecadar R$ 543,7 bilhões com benefícios tributários a pessoas jurídicas e físicas, ou R$ 20 bilhões a mais que neste ano. O total equivale a 4,4% do PIB projetado na PLOA ou a 19,7% da arrecadação federal. Se incluídos subsídios creditícios e financeiros, a conta alcança 6% do PIB. Para efeito de comparação, faltam R$ 166 bilhões para atingir a meta de déficit zero em 2025 e manter as contas públicas sob controle, o equivalente a 30,5% dos benefícios tributários.

Luiz Carlos Azedo - Luzias, saquaremas e camaleões na política brasileira

Correio Braziliense

No Brasil, hoje, não existe um projeto de modernização capaz de forjar um novo consenso político nacional e incorporar a grande massa da população

Um bom programa para um fim de semana com cara de poucos amigos é assistir ao clássico do cinema italiano O Leopardo (Il Gattopardo, 1963), estrelado por Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon, do diretor italiano Luchino Visconti (1906-1976). Com base na obra do siciliano Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), o filme retrata a decadência da aristocracia agrária da Sicília, no contexto da Segunda Guerra da Independência e Unificação da Itália (1859-1860), e está disponível na Netflix.

Ao resgatar memórias pessoais e seu idealizado e nostálgico passado aristocrático, Lampedusa expressa um ponto de vista conservador sobre o Risorgimento. Em 1860, Garibaldi luta no movimento de unificação da Itália. D. Fabrizio (Burt Lancaster) é um aristocrata que tenta manter o antigo modo de vida, apesar dos tempos de mudança. Para ele, a ascensão da burguesia é uma ameaça. Contudo, numa manobra astuta, combina o casamento do seu sobrinho Tancredi (Alain Delon) com Angélica (Claudia Cardinale), filha de um rico e influente administrador de propriedades. Fiel a seus valores, D. Fabrizio afirma: "A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude".

Míriam Leitão - Retrato do tempo na crise da semana

O Globo

O ataque do Congresso contra o STF era uma tentativa de intimidar o Supremo e manter as bases do orçamento secreto

A revolta explodiu na quarta-feira na CCJ da Câmara. Parecia o embate final das instituições. Congresso versus STF. Os eleitos do povo contra “os onze ditadores”. A análise repetida era que a direita turbinada nas urnas vinha impor a nova ordem. Deputados aprovaram o pacote contra o STF na Comissão de Constituição e Justiça. Tinha de tudo: impeachment de ministro, limitação de decisões monocráticas e uma bizarra proposta dando ao Congresso poderes de mudar decisões do Supremo. A Corte reagiu com discursos. O presidente da Câmara, Arthur Lira, então, mandou dizer, por interpostas pessoas, que vai matar no peito e deixará passar só um item desse pacote anti-STF. O que de fato ocorreu na semana passada?

Bernardo Mello Franco - Filhotes de Carluxo

O Globo

Com discursos agressivos e foco nas redes sociais, extremistas de direita foram campeões de voto para vereador em SP, BH

Carluxo não está sozinho. Em diferentes capitais, candidatos de extrema direita foram campeões de voto para vereador. Com discurso agressivo e foco nas redes sociais, eles encabeçaram as listas de eleitos em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Manaus.

Aos 26 anos, o tiktoker Lucas Pavanato despontou como fenômeno na eleição paulistana. Bolsonarista de carteirinha, passou a campanha produzindo polêmicas e factoides para viralizar na internet. Apostou na transfobia e na retórica anticomunista para chegar ao poder.

Sem largar o celular, ele vestiu uma peruca de mulher, infiltrou-se em atos da esquerda e quase transformou um estúdio de podcast em ringue de luta livre. Para atrair eleitores radicalizados, apresentou propostas como “proibir trans no banheiro feminino” e “investigar grupos terroristas que invadem propriedades”. Foi um sucesso. Recebeu 160 mil votos, o melhor desempenho entre mais de 58 mil vereadores eleitos em todo o país.

Dorrit Harazim - Godot virá

O Globo

O aguardado ataque de retaliação israelense contra o Irã não se fará esperar nem ficará em suspenso

Ao contrário do personagem maior da obra de Samuel Beckett, o aguardado ataque de retaliação israelense contra o Irã não se fará esperar nem ficará em suspenso. Dele tivemos notícia ominosa nesta semana.

— O ataque será letal, preciso e particularmente surpreendente — informou o ministro da Defesa, Yoav Gallant, a integrantes do Serviço de Inteligência Militar do seu país. E acrescentou, sem avançar em demasia no arrosto:

— Eles [os iranianos] só compreenderão o que houve quando já tiver acontecido.

Para quem, semanas atrás, conseguiu fazer explodir milhares de pagers e celulares em mãos do até então formidável inimigo Hezbollah, deve ser tentador surfar na superioridade militar. Difícil é conseguir desescalar. 

Merval Pereira - Política externa em xeque

O Globo

A declaração do ministro da Defesa desvenda um descontentamento na área militar com rumos da política externa do governo

O pronunciamento do ministro da Defesa, José Mucio, sobre “questões ideológicas” que estariam atrapalhando os negócios do Brasil na área militar revela uma discordância muito mais profunda com áreas políticas do governo do que uma simples desavença comercial. A insólita declaração do ministro desvenda um descontentamento na área militar com os rumos da nossa política externa, que também é alvo de críticas no Congresso.

Mucio contou que Israel venceu recentemente uma licitação para compra de blindados, mas, “por questão da guerra, do Hamas, grupos políticos, nós estamos com essa licitação pronta, mas, por questões ideológicas nós não pudemos aprovar". Outro exemplo de “embaraço diplomático” dado a empresários pelo ministro da Defesa: “nós temos uma munição aqui no Exército que não usamos. A Alemanha quis comprar. Está lá, custa caro para manter essa munição. Fizemos um grande negócio. 'Não vai. Porque, se não, o alemão vai mandar para a Ucrânia, e a Ucrânia vai usar contra a Rússia”.

Elio Gaspari - A vida de Aimée, a namorada de Vargas

O Globo

Está nas livrarias “A Bem Amada”, do repórter Delmo Moreira. Conta a vida de Aimée Sotto Maior, uma grande mulher. Paranaense, ela se casou em 1932 com Luiz Simões Lopes, o homem que redesenhou o serviço público brasileiro. Em 1937, Aimée começou a namorar o presidente Getúlio Vargas. Por dois anos ele viveu uma paixão fogosa e chamou-a de “A Bem Amada”. Amavam-se até no mato.

Aimée tinha 23 ou 33 anos. Ele, 55. Ela morreu em 2006, aos 93 ou 103, sem jamais contar a idade, “nem para o médico”. Segundo Delmo Moreira, o namoro com Vargas começou quando ela tinha 30 anos. O romance e a intensidade da paixão de Vargas por Aimée só foram revelados em 1995, com a publicação do diário dele. Quando Vargas matou-se, ela pediu à filha apenas que rezasse por ele. Aimée nunca tocou no assunto.

Eliane Cantanhêde - Guerra é guerra

O Estado de S. Paulo

Direita é forte nas urnas e no Congresso, mas STF tem arsenal e o Centrão tem limites na guerras

O poder atrai, mas também divide. A direita sai forte da eleição municipal e já era forte no Congresso, mas, enquanto o pastor Silas Malafaia mira a metralhadora giratória para Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira (PP), o deputado Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, integrante do Centrão, entra no Supremo com uma ação de impugnação do pacote anti-STF aprovado por ampla maioria na CCJ da Câmara.

O bolsonarismo caminha rachado para 2026 e o Centrão – grande vencedor das eleições – enfrenta dissidência na guerra do Congresso contra o Supremo.

Rolf Kuntz - Judiciário, abusivo ou apenas eficiente?

O Estado de S. Paulo

Cidadãos favoráveis a uma democracia liberal deveriam mostrar-se mais preocupados com as manobras de parlamentares contra o STF

O Brasil ainda é uma democracia graças ao Supremo Tribunal Federal (STF), alvo principal dos golpistas de janeiro de 2023, das ações antidemocráticas da extrema direita e das ameaças lançadas na reunião ministerial de 22 de abril de 2020. Ministros da Corte Suprema são acusados de invadir as áreas de competência de outros Poderes. Um conflito desse tipo ocorreu, por exemplo, quando o ministro Flávio Dino suspendeu o pagamento de emendas orçamentárias e cobrou transparência na destinação de recursos. Estava extrapolando suas atribuições ou defendendo, simplesmente, direitos básicos da cidadania? Convém lembrar esses fatos quando congressistas propõem limitar poderes dos ministros, autorizar o Congresso a anular julgamentos do STF e definir novo rito para impeachment dos juízes da Corte.

Entrevista - Jessé Souza: ‘A esquerda não procurou conquistar os mais pobres

Eduardo Graça / O Globo

‘Não basta essa esquerda legal' que discute gênero e raça e deixou pobres na direita’

Crítico do protagonismo das pautas identitárias, sociólogo diz que campo progressista terá que lutar para reconquistar o eleitor pobre, que se sente valorizado pelo bolsonarismo

 São Paulo - Em “O pobre de direita — a vingança dos bastardos”, o sociólogo Jessé Souza, 64 anos, autor de, entre outros, “A elite do atraso”, “A ralé brasileira” e “A classe média no espelho”, defende ser impossível entender o apelo do bolsonarismo aos menos privilegiados sem levar em conta dois fatores: de um lado, o racismo regional no país, com a enorme identificação “dos pobres brancos do sul e de São Paulo” com o ex-presidente Jair Bolsonaro; de outro, a inação da esquerda, “que nem mais tenta disputar áreas periféricas com grande presença das igrejas evangélicas”.

Voz destacada da esquerda na academia e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no governo Dilma Rousseff (PT), Souza critica o protagonismo dado pelos partidos de esquerda às pautas identitárias.

Para o professor da Universidade Federal do ABC, este foi um “erro completo” e uma das razões pelas quais Guilherme Boulos (PSOL) teve muito menos votos no domingo do que a soma do prefeito Ricardo Nunes (MDB), dono da máquina municipal, e de Pablo Marçal (PRTB), em franjas da cidade nas zonas Sul (Paralheiros, Grajaú), Norte (Brasilândia, Lauzane Paulista), Leste (Sapopemba e Vila Prudente) e até Oeste (Lapa).

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com o GLOBO:

Bruno Boghossian - A esquerda está diante de um momento de mudança inadiável

Folha de S. Paulo

Enquanto partidos acreditarem que é preciso convencer o eleitor a pensar como os líderes políticos, o fracasso estará dado

Lula nem tentou disfarçar a decepção com o resultado das eleições municipais. Reunido com aliados já no início da semana, o presidente repetiu uma avaliação que assombra o PT há tempos: a esquerda perdeu conexão com grupos sociais importantes. A elite do governo saiu da conversa com a velha ordem de que é preciso melhorar a comunicação com o povo.

A noção de que a recauchutagem do discurso é a grande solução para os problemas da esquerda é um presente para a direita. Ela parte do princípio de que falta apenas explicar melhor as ideias e ações desse campo político. Pode até ser verdade, mas é também uma bela maneira de ignorar as transformações sociais que estão na raiz do distanciamento.

Celso Rocha de Barros - Quem venceu as eleições?

Folha de S. Paulo

Ninguém discute que a esquerda perdeu, mas a direita-redes ou a direita-máquina ganhou?

A vitória da direita nas eleições de 2024 foi o cruzamento de dois tsunamis que atingiram a política brasileira nos últimos anos. Nenhum é de esquerda.

O primeiro é o surto de extrema direita que começou com o impeachment de Dilma Rousseff e ganhou volume com a eleição de Bolsonaro. Efeitos dessa onda ainda são claramente visíveis nos resultados de 2024: as listas de vereadores mais votados nas capitais estão cheias de extremistas, de Carlos Bolsonaro no Rio a Lucas Pavanatto em São Paulo.

Bolsonaristas puro-sangue ainda podem conquistar as prefeituras de Curitiba, Fortaleza e Belo Horizonte. Quando parte da liderança bolsonarista tentou se aliar à direita tradicional, seus seguidores se insurgiram a abraçaram extremistas como Pablo Marçal e Cristina Graeml.

Muniz Sodré - A vida posta em risco na roleta

Folha de S. Paulo

A compulsão decorre de uma seriação detentora do poder imaginário de redefinir as condições reais de vida

Bastou a Alexei Ivanovitch jogar uma única vez para que o vício se instalasse (Dostoeivsky em "O Jogador"), com todas as consequências de destruição e ruína. Para o adicto, o fundamento do jogo não é ficar milionário, mas substituir o tempo real por uma mitologia que absorve a angústia do tempo e da morte. A compulsão decorre de uma seriação detentora do poder imaginário de redefinir as condições reais de vida e finitude. O motor neurótico do sistema, verdadeira raiz da paixão, é ganhar e perder sem fim, satisfação e decepção, até que o jogador se autodestrua.

Hélio Schwartsman - O povo de Hitler

Folha de S. Paulo

Livro traz biografia de Hitler e de outros personagens que tornaram o nazismo possível

Não é porque a historiografia trata de eventos que já aconteceram e por definição não podem mais ser alterados que ela não avança. O acesso a mais fontes, mudanças em perspectivas teóricas, além do desenvolvimento de novas tecnologias, permitem quando não recomendam a reinterpretação de fatos pregressos.

Em "Hitler´s People" (o povo de Hitler), Richard Evans tenta responder àquelas questões que jamais vão embora. Como os alemães, um dos povos mais instruídos da Europa, puderam apoiar Hitler? Por que persistiram por tanto tempo nesse apoio?

Entrevista | Marcelo Freixo: Vitória da esquerda em 2026 passa por Paes, é meu candidato

Bernardo Mello e Caio Sartori / O Globo, 12.10.2024

Ex-opositor do prefeito, petista avalia que eleições mostraram a importância das alianças e reconhece que estava errado em críticas do passado

Rio de Janeiro - Ex-opositor de Eduardo Paes (PSD), o ex-deputado federal e presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), afirmou ao GLOBO que o atual prefeito do Rio é o seu candidato a governador para 2026. O petista justifica o apoio por um "palanque muito mais forte" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

As principais vitórias do PT em 2024 foram com aliados, como Eduardo Paes (PSD) no Rio, e não com candidaturas próprias. O que isso significa?

O PT aumentou o número de prefeituras e de vereadores, mas crescendo em cidades menores. É preciso voltar a crescer nas grandes cidades. O grande aprendizado é a necessidade de alianças estratégicas com o campo democrático para além da esquerda. Teve muita vitória da direita? Sim, mas esse campo democrático também venceu em cidades importantes.

O senhor foi rival de Paes na sua última reeleição, em 2012, e agora o apoiou. O que mudou?

Fui adversário direto dele quando não existia bolsonarismo. A esquerda e a direita disputavam um sentido de cidade. O Rio precisa sair da lama, e para isso é importante que eu e Eduardo estejamos juntos. Há dois anos, Lula perdeu em nove das dez maiores cidades do Rio, não podemos repetir isso. A vitória da esquerda em 2026 passa por esse campo democrático, que vai precisar de candidatos a governador. Paes cumpre esse papel e é o meu candidato, vou defender isso no tempo adequado. Como a eleição (de prefeito) foi agora, é normal que ele tenha a reação de negar a candidatura.

Sylvia Colombo - América Latina ainda vive rescaldo dos protestos de 2019

Folha de S. Paulo

Cinco anos depois de atos em Chile, Bolívia, Colômbia e Equador, região enfrenta consequências do ciclo de manifestações

Neste mês de outubro, completam-se cinco anos de uma série de manifestações em distintos países da América do Sul. Até hoje, esses acontecimentos carecem de interpretação profunda. Mas uma coisa é certa. Elas expuseram uma grande insatisfação da sociedade contra o modelo de democracia que vinha funcionando nessas nações.

A agitação foi interrompida pela pandemia do coronavírus. Depois que a crise sanitária terminou, porém, os desdobramentos foram inevitáveis.

O mais ressonante desses episódios foi o do Chile, iniciado em 18 de outubro de 2019. Começou com jovens saltando as catracas do metrô contra o aumento das tarifas. Logo escalou para um conflito nas ruas. A violência foi generalizada, os jovens manifestantes picharam a cidade, enfrentaram as forças de segurança com pedras e coquetéis molotov. Foram reprimidos duramente pelo governo de Sebastián Pinera (direita).

Poesia | Sentir, de Fernando Pessoa

 

Música | Velhos tempos de criança - Bloco da Saudade