sexta-feira, 15 de junho de 2018

Míriam Leitão: O meio de Marina

- O Globo

Os dois economistas da campanha da Marina acham que a primeira urgência é a reforma política. Mas não mostram como isso melhoraria a governabilidade numa eventual administração Marina. Falaram em rever a regra do teto, e não deixaram claro o que pôr no lugar. Andre Lara Resende e Eduardo Giannetti em seus textos e análises mostram visão ampla da sociedade, mas nenhum tem apetite para estar no governo.

Na entrevista ao “Valor”, André Lara e Giannetti disseram que as duas urgências são, pela ordem, a reforma política e a crise fiscal. Defendem acabar com a reeleição já para o próximo mandato e fazer as eleições legislativas um pouco depois da presidencial, para permitir ao governante organizar sua base. Citam o caso francês de Emmanuel Macron que, mesmo sem ter partido, conseguiu formar uma coalizão de governo porque ao ser eleito acabou atraindo votos para os parlamentares que sustentariam sua administração. Mesmo se isso funcionar no Brasil não será para o próximo governante, que terá que lidar com o Congresso a ser eleito este ano, com regras que desestimulam a renovação.

André Lara e Giannetti defendem o agronegócio como um setor dinâmico e de desenvolvimento tecnológico. Ao mesmo tempo, alertam que se os empresários do setor não protegerem a Amazônia não terão chuvas no Cerrado para seus cultivos. Na verdade esse equilíbrio entre produção e proteção é até mais amplo. O próprio Cerrado não pode ser desmatado. O problema é que não existem muitos produtores querendo ouvir uma proposta assim, a julgar pela pauta da bancada ruralista no Congresso.

Marina desde 2010 tem dito que é preciso buscar na economia um ponto longe da polarização que opõe equilíbrio fiscal à política social ativa. Há quem entenda que ela defende ajuste nas contas públicas por ter de se render ao “mercado”. Na verdade, é se render à lógica. A estabilidade da moeda não fica de pé no meio do descontrole, e a inflação fere mais os pobres. André e Giannetti defenderam esse ponto do meio entre fiscalistas e gastadores.

Fernando Dantas: Reforma do Estado

-O Estado de S.Paulo

Cada Estado ou município tem dezenas de carreiras, com regras próprias

Quase que permanentemente com a corda fiscal no pescoço, os governos da União e dos Estados e municípios no Brasil têm muito pouco tempo e capacidade de pensar sobre como melhorar o funcionamento do Estado e a qualidade dos serviços públicos.

O País está às voltas com um desequilíbrio fiscal estrutural que compromete o processo de desenvolvimento econômico, e é natural que a prioridade máxima seja cortar gastos.

Ainda assim, o próprio crescimento não prescinde de um setor público forte e eficiente, capaz de fazer e coordenar investimentos em infraestrutura e prover serviços essenciais como educação, saúde e segurança.

A economista Ana Carla Abrão, colunista do Estado, ex-secretária da Fazenda, e hoje à frente da operação brasileira da consultoria internacional Oliver Wyman, montou um roteiro para simultaneamente melhorar a qualidade do Estado e obter significativas economias fiscais. Ela vem trabalhando no tema com Arminio Fraga e Carlos Ari Sundfeld, professor da FGV Direito SP. Ana Carla tem um roteiro.

Essa é uma agenda fundamental para combater a elevada desigualdade do Brasil, País onde a parcela majoritária da população, de origem mais pobre, depende totalmente dos serviços públicos (saúde, educação, programas sociais, segurança, etc.)

Hélio Schwartsman: O encantamento das gambiarras

- Folha de S. Paulo

Demandas como bolsas de estudos introduzem distorções difíceis de justificar

Não vejo futuro para o Brasil que não passe pela educação. Sem ensino básico de qualidade, o país não será capaz de navegar pela economia do conhecimento que, cada vez mais, irá impor-se como fonte de riqueza e bem-estar.

E, para obter uma educação de excelência, precisamos de bons professores. A literatura mostra que há uma correlação forte entre a qualidade do sistema e o nível intelectual daqueles que são recrutados para dar aulas. Se quisermos atrair os bons para o magistério, precisamos oferecer-lhes atrativos, normalmente uma combinação de salários com prestígio social.

Vejo com simpatia, portanto, a mobilização de professores por melhores condições de trabalho. Constato, porém, com uma ponta de tristeza, que também eles se deixaram levar pelo encantamento das gambiarras.

Eu me explico. Como é difícil arrancar aumentos do patronato, professores de instituições particulares frequentemente aceitaram barganhar demandas salariais por outros benefícios. O problema é que alguns deles, a exemplo do que ocorre com os subsídios, introduzem distorções difíceis de justificar.

Dora Kramer: Livre é o arbítrio

- Revista Veja

A abstenção eleitoral não é ameaça de hecatombe institucional

Da cultura do voto obrigatório resulta o temor da abstenção eleitoral que tanto vem ocupando candidatos, jornalistas, marqueteiros, cientistas políticos e analistas de pesquisas. Ainda que soe algo simplista, essa é a única explicação razoável para que se trate da provável omissão substancial (somados votos nulos, brancos e ausências) dos eleitores como a ameaça de uma hecatombe institucional.

Medo injustificável se posto em confronto com uma perspectiva mais ampla. Exemplo: duas eleições americanas foram consideradas recordistas na participação de eleitores. Num país de voto facultativo, John Kennedy, em 1960, mobilizou 63% do contingente apto à escolha, e Barack Obama, em 2008, conseguiu mais: tirou de casa 66% do eleitorado, produzindo cenas inéditas de filas de gente com vontade de votar, a despeito dos primórdios do inverno próximo.

Ainda assim, nas duas ocasiões recordes, perto de 40% dos votantes deixaram para lá o tal direito sagrado. Nem por isso, com o advento de Donald Trump (46,6% de abstenção) e tudo o mais, ocorreu a alguém de bom-senso questionar a sério a solidez da democracia nos Estados Unidos. Isso sem falar de democracias (a maioria no mundo) em que o voto não é obrigatório e nas quais são registrados índices de ausência muito superiores aos dos Estados Unidos sem que isso seja visto como sinal do fim dos tempos democráticos.

Dizem as pesquisas, e por meio delas projetam os especialistas, que hoje em média 23% do eleitorado manifesta a intenção de votar nulo ou em branco. Desdobrando os dados de acordo com a presença ou a ausência desse ou daquele candidato na urna, temos uma variação de 17% a 40%, bastante superior à dos que dizem não saber (de 1% a 21%) em quem votar.

Ricardo Noblat: Toda a força do andar de cima contra a Lava Jato

- Blog do Noblat

Brasil velho de guerra está longe de ser derrotado

Por 77 longos anos, os últimos 33 sob a vigência da atual Constituição, foi possível à Justiça decretar a condução coercitiva para depor de alguém investigado por crime.

Assim obrigava-se a depor quem não queria fazê-lo. Ou quem inventava desculpas para adiar o depoimento. Ou quem procurava ganhar tempo para destruir provas.

Não será mais assim. A condução coercitiva foi sepultada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que por um voto de diferença considerou-a “incompatível” com a Constituição.

O ministro Luiz Roberto Barroso oferece uma passagem com destino a qualquer paraíso fiscal a quem adivinhar por que o STF mudou seu entendimento a respeito só agora.

A resposta é fácil. Porque nos últimos 77 anos, a condução coercitiva jamais havia incomodado tanto o andar de cima como passou a incomodar desde o advento da Lava Jato.

Para deslanchar aliança com Centrão, Alckmin delega poder

Por Vandson Lima | Valor Econômico

BRASÍLIA - O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin definiu que Marconi Perillo, ex-governador de Goiás e vice-presidente da sigla, será a partir de agora o responsável pela costura de alianças políticas para a eleição e pelo acerto das composições dos tucanos nos palanques estaduais. A medida tenta aplacar as reclamações de parte dos integrantes do PSDB, que considerava que o pré-candidato estava perdendo terreno ao centralizar excessivamente a articulação.

O grande objetivo, segundo Perillo, é fechar uma "grande concertação" de centro, que englobaria DEM, PP e PR. "A meta é uma concertação com o Centrão, o centro democrático. Temos que avançar nessa aliança. Está todo mundo preocupado com o futuro, ninguém quer polarização de extremos", avaliou. O acerto com o grupo, cortejado por outros candidatos como Ciro Gomes (PDT), é incerto, mas seria na visão de caciques do PSDB a grande cartada para alavancar Alckmin.

Segundo o tesoureiro do PSDB, deputado Silvio Torres, com o arco de alianças que se tem até o momento o tucano obteria cerca de 23% do tempo disponível na propaganda eleitoral de TV - e seis ou sete inserções por dia. A aliança com o DEM elevaria o percentual a 27% e a desejada "concertação de centro" ultrapassaria um terço de todo espaço televisivo disponível.

Para Kassab, tucano tem condições de vencer

Por Rodrigo Carro e André Ramalho | Valor Econômico

RIO - O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), disse ontem acreditar na viabilidade eleitoral do pré-candidato tucano Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência da República. Presidente licenciado do Partido Social Democrático (PSD), Kassab reafirmou que a legenda deve apoiar o tucano na corrida presidencial, apesar de o governo do presidente Michel Temer (MDB) ter lançado candidato próprio: Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda.

"Conheço vários candidatos que quando iniciam o processo eleitoral estão atrás nas pesquisas. Eu mesmo, quando fui candidato a reeleição na Prefeitura de São Paulo, comecei com 3% e venci as eleições", lembrou o ministro. Na época, em 2008, Kassab derrotou nas urnas justamente Alckmin, que tentava o governo municipal.

"Acredito, sim, que ele [Alckmin] tem boas condições e muito possivelmente é o candidato que nosso partido irá apoiar, o Geraldo Alckmin, com condições de ganhar e ser um bom presidente", acrescentou o ministro, após participar da coletiva de lançamento de uma chamada para seleção de projetos-piloto de Internet das Coisas (IoT), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Na mais recente pesquisa eleitoral do instituto Datafolha, publicada em 10 de junho pelo jornal "Folha de S. Paulo", a Alckmin aparece na quarta colocação (com 6% das intenções de voto) no primeiro turno, num cenário hipotético em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente preso em Curitiba, participaria das eleições presidenciais.

PDT e PSB reúnem-se e Ciro diz que acordo irá demorar

Por Raphael Di Cunto, Marcelo Ribeiro e Cristiane Agostine | Valor Econômico

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Os presidentes do PDT, Carlos Lupi, e do PSB, Carlos Siqueira, reuniram-se ontem para discutirem novamente uma possível aliança em torno do pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes. O PSB está dividido e adiou para o fim do mês a previsão sobre qual caminho seguirá na eleição presidencial.

Lupi afirmou ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, que a discussão da aliança é um "processo em construção" e que os dois fizeram uma avaliação do quadro eleitoral, mas sem definições. "Ele não deu prazo [para o PSB decidir], disse só que estava avaliando e que até o fim do mês devem ter uma posição", disse.

Já Siqueira comentou que essas "conversas não deveriam estar na imprensa" porque isso atrapalha a composição das alianças. "São conversas reservadas, que têm missões para cada um cumprir e se publicadas só causam ruído", desconversou.

Sem Aécio, Alckmin monta time de caciques para a campanha

Perillo será coordenador; meta é fortalecer alianças nos estados

Silvia Amorim e Cristine Jungblut | O Globo

-SÃO PAULO E BRASÍLIA- Para reduzir a pressão do PSDB pelo fraco desempenho nas pesquisas, o pré-candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin, montou um grupo de coordenadores políticos, formado por caciques da legenda e sem a presença do senador Aécio Neves, investigado na Lava-Jato e alvo da delação da J&F.

O grupo será liderado pelo atual primeiro-vice-presidente do PSDB, Marconi Perillo, que foi nomeado coordenador político da campanha. Na sede nacional do PSDB, em Brasília, Perillo disse que a meta é a “concertação” com os partidos do centro democrático, e não descartou o apoio do MDB. A principal tarefa do ex-governador de Goiás será finalizar o arranjo de alianças estaduais. José Aníbal, Tasso Jereissati, Alberto Goldman e Pimenta da Veiga são alguns dos cotados a integrar a equipe.

— Pedi ao Marconi, que vai coordenar essa área política e vai ajudar nesta conversa política em vários estados. A eleição não é só para presidente da Republica. A gente deve fazer em equipe. Claro que, sendo pré-candidato, eu converso com as pessoas e gosto disso. Mas é importante você ter parceiros para ajudar. Por isso, pedi ao Marconi para coordenar essa área política — disse Alckmin.

Detalhes sobre a divisão de tarefas ainda estão em discussão. Alckmin pretende resolver dois problemas com a escalação. O primeiro é de ordem interna: reduzir as críticas de centralização dos trabalhos por sua campanha, dando espaço a lideranças de vários alas do partido. O segundo, mais pragmático, é aumentar a articulação regional com militantes e partidos aliados para dar volume ao projeto presidencial.

No início deste mês, Alckmin participou de um jantar com a cúpula do partido em que foi cobrado a delegar mais a condução da campanha. Ele reagiu e, em tom de desabafo, disse aos colegas que o partido que o escolheu poderia substituilo se não estivesse satisfeito. Dias antes do encontro, aliados do presidenciável tinham identificado um movimento para tirar Alckmin do comando partido.

Há uma preocupação na campanha tucana de que a centralização dos trabalhos leve a uma falta de engajamento de candidatos do partido país afora na candidatura presidencial. O objetivo principal é mobilizar os candidatos a deputado estadual e federal nos estados.

— Se eles dedicarem cinco minutos do dia para falar do candidato a presidente em suas atividades de campanha já estará ótimo — explicou um dos articuladores de Alckmin.

A situação política em São Paulo, onde Alckmin tem dois palanques em guerra, também está no radar como prioritária. O pré-candidato procura um coordenador que possa apaziguar os pré-candidatos a governador João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB). A dificuldade está em encontrar alguém que transite bem entre as duas campanhas.

Hoje, tucano enfrenta dificuldades para fazer agendas públicas no estado, onde governou por 13 anos e precisa ampliar sua votação. Nas pesquisas, ele aparece empatado com Jair Bolsonaro (PSL). O clima bélico na base de Alckmin em São Paulo forçou sua equipe a tomar a decisão de organizar no estado uma estrutura própria para a candidatura presidencial.

Também ontem, o ex-presidente Fernando Henrique gravou vídeo de apoio à candidatura do presidenciável. Ele segue a estratégia de desgastar a imagem de Bolsonaro. Na gravação, FH diz aos eleitores que é preciso escolher um candidato que defenda a democracia.

— A escolha de um presidente é um momento crucial para um país. Agora, mais do que nunca, porque precisamos escolher um presidente que reforce a democracia e tenha um olhar competente para resolver as questões do povo — afirmou FH.

Pressionado, Alckmin escala Perillo para fazer coordenação política de sua campanha

Ex-governador de Goiás disse que vai recorrer a ex-presidentes tucanos para ajudá-lo, mas não a Aécio

Daniel Carvalho | Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Pressionado por aliados a tomar para si a articulação política de sua campanha, mas cobrado por correligionários a descentralizar tarefas, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) apresentou nesta quinta-feira (14) o também ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO) como seu coordenador político na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto.

A menos de quatro meses da eleição, Alckmin não tem aliança fechada com nenhum partido, apenas "conversas muito avançadas", como definiu Perillo, com PSD, PTB, PV e PPS. O presidenciável não incluiu na lista partidos como Solidariedade e PROS, com cujos presidentes esteve na quarta-feira (13) e quinta.

"O Marconi foi eleito quatro vezes governador. Ele vai coordenar esta área política e vai ajudar nesta conversa política em vários estados", disse Alckmin após a reunião em que oficializou o convite a Perillo.

"Ele está me convidando para ajudar nas conversas com os partidos, ajudar na composição nos estados, enfim, estar perto dele para colaborar naquilo que ele não puder. Ele não é onipresente", disse Marconi Perillo.

O Painel havia antecipado nesta quarta que Perillo, assim como os ex-presidentes da sigla Alberto Goldman, José Aníbal e Pimenta da Veiga seriam chamados a assumir postos de comando na campanha de Alckmin.

Ao lado de Alckmin, o ex-governador de Goiás disse que dedicará metade de seu tempo à campanha do presidenciável. Ele também está cuidando de sua própria disputa, por uma cadeira no Senado.

Perillo disse que receberá missões de Alckmin, com quem fala diariamente, mas deixou claro que o objetivo de sua entrada na campanha é acalmar os ânimos tanto dentro como fora do PSDB.

Sob pressão, Alckmin anuncia mudança de equipe

Ex-governador de Goiás será coordenador político da pré-campanha; presidenciável tucano se reúne com líderes do PROS e Solidariedade

Vera Rosa / O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - Sob forte pressão de aliados, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, começou a fazer mudanças na equipe. Cobrado por não deslanchar nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin anunciou ontem o ex-governador de Goiás Marconi Perillo como coordenador político da pré-campanha, procurando acalmar as várias correntes do partido. A missão de Perillo será tentar articular um bloco de centro em torno de Alckmin, movimento que vem sendo chamado pelos tucanos de “concertação”.

Até agora, o PSDB não conseguiu alargar o arco de alianças, mas tem a promessa de apoio de quatro partidos: PSD, PTB, PV e PPS. “A boa política é que vai ajudar. É importante ter parceiros”, disse Alckmin, que espera aumentar o seu tempo de exposição no horário eleitoral de TV, em agosto.

Depois de ter defendido o diálogo entre o PSDB e Marina Silva (Rede), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um gesto político e gravou ontem um vídeo de apoio a Alckmin, postado nas redes sociais. “Por que é minha opção Geraldo Alckmin? Porque ele é um homem preparado, é um homem que sabe que é preciso olhar para o gasto público, mas ele é sobretudo um homem pessoalmente simples e (...) ligado à população”, destacou FHC.

A maior esperança do PSDB, agora, reside no apoio do DEM, uma vez que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), sairá do páreo em julho porque decidiu disputar a reeleição. O DEM, no entanto, ainda não definiu com quem fará dobradinha.

Em busca de mais siglas para engrossar a coligação, Alckmin tomou café da manhã, ontem, com o presidente do PROS, Eurípedes Júnior, um dia após ter se encontrado com o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, que comanda o Solidariedade. Nada, porém, foi fechado. Paulinho disse a Alckmin que o bloco formado por SD, DEM, PP, PRB e PSC definirá até 15 de julho um candidato. Sugeriu, ainda, que ele tenha mais pulso na campanha.

Pré-candidato ao Senado, Perillo afirmou que pedirá auxílio de ex-presidentes do PSDB para aglutinar o centro, mas excluiu dessa lista o senador Aécio Neves (MG), réu da Lava Jato. “Ele está cuidando da sua vida como senador, da sua defesa. Não tem interesse nenhum nisso”, desconversou.

Falta transparência aos custos da saúde: Editorial | O Globo

A ‘inflação da medicina’ supera os reajustes salariais, e por isso é preciso haver um debate sincero em busca de fórmulas sensatas para o aumento dos planos

É controvertida em todo o mundo a definição de custos da saúde para efeito de reajuste de planos e cobrança de serviços médicos. Afinal, os fatores que influenciam o cálculo são de difícil aceitação, pois muitos pressionam por aumentos que costumam ultrapassar a capacidade de pagamento da população.

O resultado não pode ser outro porque pesam na definição destes custos o envelhecimento da população, um fenômeno mundial, que o Brasil começa a sentir de perto nesta geração; o constante avanço tecnológico aplicado nos exames e a adoção progressiva de novos medicamentos, cujo desenvolvimento pelos laboratórios também precisa ser financiado pelo consumidor. É por isso que a “inflação da medicina” sempre supera os índices de preço usuais, parâmetro para os reajustes dos salários.

Tudo somado — o fator demográfico, novas tecnologias e medicamentos mais modernos — compõe um conjunto explosivo. A conta não fecha e, como acontece mais uma vez, o conflito vai para a Justiça. Dela saem decisões com base legal, mas incapazes de pacificar o assunto.

Pior sem um teto: Editorial | Folha de S. Paulo

TCU vê dificuldades para a sustentação do limite fixado para o gasto federal

Não se pode acusar de exagerado o alerta do Tribunal de Contas da União de que, mantidos o teto fixado para as despesas federais e o ritmo atual de expansão dos desembolsos da Previdência, o restante da máquina pública terá de ser paralisado dentro de poucos anos.

Ao aprovar com ressalvas as contas de 2017 do presidente Michel Temer (MDB), o órgão fez diagnóstico que é quase consensual entre analistas, só havendo alguma variação em torno do período de tempo até o governo se ver impedido de prestar serviços básicos e investir em infraestrutura.

Afinal, se está estabelecido na Constituição um limite para o gasto total —correspondente ao montante do ano anterior, excluindo juros, corrigido pela inflação— e os pagamentos de aposentadorias crescem sem parar, as demais políticas precisam ser comprimidas para o cumprimento da regra.

Nos cálculos do TCU, em 2024 (no cenário mais otimista, 2027) todo o Orçamento estará tomado por compromissos obrigatórios, caso de salários e benefícios sociais.

O peso da renúncia fiscal: Editorial | O Estado de S. Paulo

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou com 22 ressalvas as contas do governo federal do ano passado. O principal problema apontado pela Corte foi o peso excessivo da renúncia fiscal nas contas.

Não chega a ser uma novidade, mas os números apresentados pelo TCU impressionam: em 2017, os benefícios e incentivos fiscais somaram R$ 354,7 bilhões, o que representa cerca de 30% da receita líquida do governo no ano.

Essa enorme renúncia fiscal é decisiva para que as contas se mantenham deficitárias, ampliando a necessidade de aperto e cortes em diversas áreas, sem que a sociedade tenha ganhos que compensem tamanho esforço. Os únicos a lucrar com essa política são os setores que pagam menos impostos e recebem incentivos fiscais na presunção de que, com isso, serão estimulados a fazer investimentos e a abrir vagas. O pífio crescimento da economia e a lenta retomada do emprego comprovam que a eficácia da renúncia fiscal é, quando muito, duvidosa.

A despeito dessa evidência, não faltará quem continue a defender que este ou aquele setor receba algum tipo de privilégio. Argumenta-se, por exemplo, que certas regiões do País precisam de incentivos para seu desenvolvimento, razão pela qual os empreendimentos que ali se instalam demandam benefícios fiscais que os recompensem. Também se diz que pequenas empresas precisam de facilidades para cumprir suas obrigações tributárias. Ou então argumenta-se que é preciso desonerar a folha de pagamento das empresas para que estas consigam contratar mais e ampliar a produção.

Acordo entre Trump e Kim é ainda só uma intenção: Editorial | Valor Econômico

Quando duas nações têm armamentos nucleares, é melhor que seus líderes conversem em vez de se ameaçarem publicamente. Esse foi o passo positivo da reunião entre o presidente Donald Trump e o sinistro ditador norte-coreano, Kim Jong-un. Um caminho foi aberto para algum tipo de entendimento que reduza as tensões na península coreana, mas a substância do acordo genérico assinado no evento midiático em Cingapura terá de ser construída, o que não é uma tarefa fácil. Primeiro, porque Trump não tem constância em suas ações nem é fã da coerência. Depois porque a potência hegemônica na região não é a pobre e isolada Coreia do Norte, e sim a China, a quem os Estados Unidos hostilizam.

Os líderes de Pyongyang já prometeram coisas parecidas sobre desnuclearização no passado e nunca cumpriram. Trump acredita que desta vez é para valer simplesmente porque ele estava presente, e isso também foi suficiente para que ele considerasse o acordo com Kim como um dos capítulos decisivos da história mundial. Trump segue "instintos" e surpreende a própria diplomacia americana, já aviltada pelas escolhas do presidente. É difícil saber o que Trump vai fazer agora e o que aceita fazer amanhã. No acordo, há apenas a promessa de Kim de "trabalhar" para a desnuclearização, enquanto que Trump, o expert em negociação, começou a entregar o jogo antes de obter garantias. Prometeu encerrar os exercícios militares conjuntos de seu país com a Coreia do Sul, qualificando-os de "provocação", como já vociferava há tempos seu interlocutor.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, da estirpe de Trump, não está seguro de sua missão, a de estruturar as condições para o cumprimento do acordo, seus prazos e outros compromissos cruciais para sua execução. Diante da pergunta de como os EUA verificarão se Kim estará cumprindo o prometido, considerou-a "insultuosa e ridícula", embora seu chefe há pouco chamava o líder coreano de "homem-foguete".

Supremo proíbe que investigados sejam levados à força para depor

Judiciário. Em decisão apertada, por 6 votos a 5, plenário da Corte decide vetar um instrumento largamente utilizado pela Lava Jato; ação foi ajuizada no STF por PT e OAB

Rafael Moraes Moura Amanda Pupo / O Estado de S. Paulo.

BRASÍLIA - O STF proibiu ontem, por 6 votos a 5, a condução coercitiva de investigados para interrogatórios, sob o argumento de que a medida, prevista no Código de Processo Penal desde 1941, viola a Constituição. A discussão teve origem em duas ações apresentadas pelo PT após a coercitiva de Lula e pela OAB. O procedimento vinha sendo usado pela Operação Lava Jato até ser vetado por liminar do ministro Gilmar Mendes, no fim do ano passado.

O Supremo Tribunal Federal proibiu ontem, por 6 votos a 5, a condução coercitiva de investigados para interrogatórios com o argumento de que pode haver violação de direitos previstos na Constituição – como o de ir e vir, de ficar em silêncio e o de não se incriminar. A medida, prevista no Código de Processo Penal em vigor desde 3 de outubro de 1941, era um dos instrumentos largamente usados pela Operação Lava Jato, mas criticada por advogados criminalistas.

A discussão no plenário da Corte girou em torno de duas ações, apresentadas pelo PT e pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que contestavam a condução à força de investigados para a realização de interrogatórios. A ação do PT foi ajuizada em abril de 2016, após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente condenado e preso pela Lava Jato, ter sido levado coercitivamente para depor na Polícia Federal.

O procedimento vinha sendo utilizado em investigações da PF até o fim do ano passado, quando foi vetado pelo ministro Gilmar Mendes em decisão liminar (provisória). Depois do veto, as prisões temporárias cumpridas pela PF cresceram 31,75% nos primeiros quatro meses de 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme revelou o Estado no mês passado.

Lucy Alves no Forró

Graziela Melo: Palavras

Palavras!
São diletas
filhas
do tempo,

amigas
da solidão,
reproduzem
as dores
da alma,

os clamores
do coração!!!

Palavras,
as que
causam
espanto,

tristeza
ou
alegria,

as vezes
pronunciadas
à noite

são
desmentidas
de dia!!!

Palavras!
Algumas
as mais
verdadeiras...

outras,
mentiras
corriqueiras,

flácidas,
lânguidas,
derretem
à luz do sol!

Existem
os belos
vocábulos

que soam
aos nossos
ouvidos

como
o canto
de um
rouxinol!!!

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Entrevista com Luiz Werneck: O terremoto de Junho de 2013 foi sufocado e não oxigenou a política brasileira.

O “terremoto” de Junho de 2013 não foi capaz de propiciar mudanças substanciais na sociedade brasileira. “A sociedade ficou igual, o governo e o legislativo não providenciaram mudanças, e tudo isso terminou no impeachment, como uma derivação natural, uma falta de reação a um grande sinal de que algo precisava mudar”, avalia o sociólogo Luiz Werneck Vianna na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ao fazer um balanço das manifestações que ocorreram cinco anos atrás.

Apesar de as jornadas de 2013 terem expressado o desejo por uma mudança na política, com o slogan “Vocês aí em cima não nos representam; queremos uma outra política”, a mensagem não foi compreendida à direita e à esquerda, ao contrário, as manifestações assustaram os governantes, que sufocaram as possibilidades de oxigenação da política. Essa reação, adverte, “levou a um distanciamento ainda maior entre partidos e a sociedade, e a uma indiferença, sobretudo da juventude, em relação à política”, porque “não se aproveitou aquele movimento que vinha de baixo, com tanta intensidade, para renovar o sistema político, para oxigená-lo. Abafou-se a força daquele movimento e o resultado disso foi o enfraquecimento da política, dos partidos e do fenômeno político enquanto tal”, resume.

A principal consequência de Junho de 2013, na avaliação do sociólogo, foi uma mudança de rota política, com o fim do governo Dilma e a introdução de uma nova lógica na condução da política econômica, “uma política econômica para a qual não estávamos preparados”. “Isso significa uma ruptura, um afastamento e uma distância muito grande com a política centrada no Estado, com a qual vivemos desde 1930. Nós estamos vivendo agora uma nova configuração do Estado-Sociedade sem que a sociedade tenha pensado nisso, esteja querendo isso. Aliás, há candidatos que preconizam a volta do status quo anterior, quer dizer, a volta à experiência do governo de Dilma Rousseff, que foi uma experiência desastrosa para o país, com desemprego e inflação altíssimos”, menciona.

Cinco anos após as manifestações, Werneck pontua que o país vive “um momento de possibilidade efetiva de os sindicatos lutarem por mais igualdade entre capital e trabalho e por mais igualdade na vida social. Essa é a mudança mais importante que temos à nossa frente para realizar. Ela depende de os setores subalternos começarem a se auto-organizar e a lutar por seus direitos no sentido de diminuir o padrão de desigualdade da sociedade brasileira. Isso leva ao conflito, leva à luta. É para essa luta que temos que nos preparar. O Estado não vai trabalhar – e nem tem como – para que a igualdade social ou políticas de igualdade social se estabeleçam. Isso tem que ser feito pelos próprios interessados: os trabalhadores. É essa pequena reflexão que temos que fazer quando pensamos nas possibilidades que estão abertas para a democracia brasileira”, conclui..

Confira a entrevista:

IHU On-Line — Que balanço faz de Junho de 2013, cinco anos depois?

Luiz Werneck Vianna — As sociedades democráticas, quando conhecem pequenos abalos, têm mecanismos de sintonia com eles e mudam, procuram identificar a fonte desses abalos e mudam. Quando uma sociedade não é tão democrática assim, nem um terremoto como aquele foi capaz de propiciar mudanças: a sociedade ficou igual, o governo e o legislativo não providenciaram mudanças e tudo isso terminou no impeachment, como uma derivação natural, uma falta de reação a um grande sinal de que algo precisava mudar. E como esse sinal grande não foi registrado, metabolizado e assimilado, entramos numa descendente que terminou no impeachment, que é sempre um processo doloroso, que deixa marcas, as quais estamos experimentando agora.

*José Serra: Retomar os trilhos do desenvolvimento

- O Estado de S.Paulo

Um novo arcabouço regulatório amigável ao investimento privado em ferrovias é preciso

“Correndo vai pela terra/ vai pela serra/ vai pelo mar”
Ferreira Gullar

A nossa cultura está impregnada do simbolismo das estradas de ferro. Para ficar apenas na música, Villa-Lobos legou-nos o belíssimo Trenzinho do Caipira – a toccata da Bachiana n.º 2 –, que ganhou letra de Ferreira Gullar. Milton Nascimento e Lô Borges compuseram inesquecíveis canções com a temática.

Essa fascinação, porém, contrasta com a pouca importância histórica dada pelo Brasil ao transporte ferroviário. Somos um país continental que escoa sua produção preferencialmente pelas rodovias. Trata-se de uma distorção que há muito nos traz custos conhecidos. E riscos até há pouco insuspeitados.

Essa grave deficiência é o resultado de erros e omissões que se prolongaram por várias gerações. Temos a sétima economia do mundo, mas estamos na 88.ª posição no ranking global ferroviário, segundo o Fórum Econômico Mundial.

De fato, o Brasil relegou o transporte ferroviário a um papel secundário. Circunstâncias recentes novamente chamaram a atenção dos brasileiros para esse erro histórico. Está mais claro do que nunca que é preciso expandir e modernizar o nosso parque ferroviário. Para tanto temos de elaborar previamente alternativas viáveis – do ponto de vista técnico e econômico – que promovam ganhos de eficiência na rede já existente e sua expansão.

Roberto freire: Um grande passo para a unidade

O polo democrático e reformista deve ter o claro compromisso de dar seguimento ao resgate da dívida social.

Na terça-feira passada (05/06), na Câmera dos Deputados, partidos e personalidades do campo democrático assinaram um manifesto em prol da unidade em torno de um programa democrático e reformista.

Discursei em nome do PPS (Partido Popular Socialista).

A iniciativa é, em si mesma, alvissareira. O desejo da unidade é, sem dúvida, seu primeiro motor e alicerce.

Definimos o campo democrático como aquele que tem como bases a democracia, a república e a obediência à Constituição Federal.

Excluem-se o bolsonarismo e o lulopetismo.

Esses dois campos, um na ultradireita, outro no populismo totalitário de esquerda, opõem-se às normas e ritos constitucionais e deles derivados, flertam com saídas à margem da democracia para a imposição à sociedade de seus propósitos políticos e ideológicos.

Tivemos há poucos dias a demonstração cabal da simbiose objetiva entre esses dois campos extremistas, na greve/locaute dos caminheiros.

Ambos atuaram para desestabilizar a democracia e criar um clima de confronto na sociedade, que geraria incertezas sobre a realização das eleições gerais em 2018.

O baixo crescimento econômico, o desemprego, a crise acentuada dos sistemas de saúde pública, educacional, da segurança pública e dos transportes, dentre outros, são o caldo de cultura para a desesperança e para o cultivo de aventuras totalitárias, à direita e à esquerda.

O polo democrático e reformista deve ter o claro compromisso de dar seguimento ao resgate da dívida social.

A democracia e a república têm de ser o ambiente onde melhoram perceptivelmente as condições de vida do conjunto da população.

Hamilton Garcia: A evolução da esquerda (II)

A submissão do PCB ao radicalismo militar-popular prestista-stalinista — vide artigo anterior — arrastou não só os comunistas, mas o conjunto do movimento democrático (ANL) e sindical a uma profunda depressão, depois da derrota do levante de 1935 e da onda repressiva que se seguiu, abortando a maré montante da nova sociedade civil após o fim da hegemonia oligárquica sobre o Estado, em meio a uma crise econômica internacional (Grande Depressão) e à frustração popular com os rumos da Revolução de 1930 — já sob a égide da Constituição de 1934, a primeira constituição democraticamente produzida no país, não obstante o veto à participação eleitoral do PCB.

O retrocesso aplainou o terreno para a formação de um poderoso bloco conservador que desembocaria no golpe militar-varguista de 1937, permitindo que o processo de modernização passasse à direção da direita, concentrando o poder de Estado nas mãos de Vargas e seus aliados em benefício de uma acumulação nacional-capitalista acelerada sem a participação independente da sociedade civil trabalhadora — incluído seus extratos médios —, aprisionada em formas paraestatais de associativismo sindical e cultural.

O Estado Novo permitiu a Vargas, a um só tempo, desimpedir o caminho para o capitalismo de Estado brasileiro neutralizando tanto a oposição sindical, quanto o empecilho integralista (AIB) a um pacto amplo de alianças em torno do desenvolvimento. Ao franquear livre acesso ao poder — via ministério do Trabalho e Justiça do Trabalho — aos grupos sindicais moderados, dispostos à barganha com políticos e patrões em troca de privilégios e concessões trabalhistas, Vargas dificultou também o acesso da esquerda ao movimento operário. Aos comunistas, desarticulados e isolados, sobrariam poucas alternativas, tendo prevalecido aquela de tentar recuperar prestígio social ocupando a margem esquerda das concessões do varguismo ao movimento trabalhista (populismo), o que os conduziu a abandonar a extremada oposição e aderir ao queremismo — campanha pela continuidade do Governo Vargas em meio às pressões pela redemocratização e pela constituinte em 1945.

A manobra tisnaria a imagem de Prestes, cuja mulher, Olga Benário — agente da IC no levante de 1935 —, havia sido deportada por Vargas para a Alemanha grávida de uma filha sua, sendo morta em seguida pelos nazistas em um campo de extermínio, sem produzir os resultados esperados e ainda reforçando as desconfianças acerca das intenções totalitárias do PCB.

Mesmo assim, frustrada a manobra queremista pelo golpe civil-militar de 1945, os comunistas lograram obter a ansiada legalidade, não obstante a manutenção do impedimento à liberdade (inter)sindical, e alcançar uma consagradora votação que os colocaria na quarta posição eleitoral em âmbito nacional, sustentando a mensagem da união nacional; que mais refletia a conveniência internacional de um período de paz pera a reconstrução da URSS, do que uma nova estratégia democrática para o socialismo. Logo, o recrudescimento das tensões internacionais (Guerra Fria) e as pressões reacionárias pela contenção dos movimentos sociais – inclusive pelo PTB, interessado no espólio eleitoral do PCB e em eliminar sua concorrência sindical – colocaria por terra a moderação comunista.

Maria Alice Setubal: Um pacto pela democracia

- Folha de S. Paulo

É preciso reafirmar diálogo e tolerância na política

A greve dos caminhoneiros gerou uma crise sem precedentes no país, extrapolando as questões específicas do movimento para atingir não apenas o abastecimento de combustível, mas a vida econômica, social e política das pessoas.

Em um momento em que o desemprego cresce, a economia não se recupera de acordo com as expectativas, os níveis de violência aumentam e a descrença nos políticos permanece alta, as demandas por opções autoritárias se confundem com iniciativas erráticas e desordenadas por diferentes grupos da sociedade.

Essa crise parece se conectar com os movimentos de junho de 2013, nos quais as pautas por serviços públicos de qualidade, especialmente em educação, saúde e transportes, acabaram não sendo ouvidas por nossos governantes.

A partir desse movimento, grupos de diferentes matrizes ideológicas retomaram o espaço público como local de manifestações políticas, tanto conservadoras como progressistas, gerando uma acirrada luta por posicionamentos que desaguaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e em uma sociedade cindida. Nas redes sociais, ódios, ressentimentos e frustrações dominam e geram a falta de diálogo, de escuta e de respeito.

Ao mesmo tempo, a sociedade brasileira mudou bastante nos últimos 20 anos, ao começar a enfrentar questões como o racismo e se movimentar diante de uma visão de que já temos uma democracia racial estabelecida e de que somos um povo pacífico e cordial.

Demos alguns passos nesse sentido com a política de cotas, e os diferentes incentivos promoveram o acesso a cursos de ensino superior a um número expressivo de jovens oriundos de famílias pobres e negras, promovendo a oportunidade de participação e a representação em diferentes espaços da sociedade. As redes sociais promoveram o encontro entre diferentes vozes, pensamentos e construções antes desconhecidos para alguns, vindos, muitas vezes, das favelas e periferias. Ainda há muito a ser feito.

Diante de um país mais amadurecido, mas em crise, estamos numa encruzilhada em que precisamos assumir o protagonismo. As respostas não serão apresentadas apenas pelos governos, que, sem dúvida, têm um papel fundamental na implementação de políticas públicas.

Empresas, organizações da sociedade civil, cidadãos, organizações religiosas e políticas são essenciais na construção de um novo momento.

Na busca desse protagonismo, situa-se o Pacto pela Democracia, assinado por mais de 60 organizações da sociedade civil que, para além de suas diferenças, compartilham o desafio de avançar como uma sociedade plural, reafirmando o compromisso com as regras democráticas, com os valores e fundamentos expressos na Constituição Federal.

William Waack: Desinteresse fatal

- O Estado de S.Paulo

Desânimo com a política e pouco interesse pelo futebol se espelham, mas não se explicam

Ouvi a vida inteira uma frase sobre a política no Brasil, especialmente em época de Copa do Mundo: “Se as pessoas se interessassem menos por futebol, as coisas seriam diferentes”. Pois bem, pela primeira vez desde que existem pesquisas de opinião a maioria da população no Brasil diz que nem sequer se interessa pelo maior evento esportivo do planeta. Parece razoável supor que as coisas tenham mudado na política brasileira. Em qual direção?

Sou da geração que entrou na universidade em 1971 e que viveu uma situação quase esquizofrênica: como torcer para um time tão maravilhoso como o de 1970 se a paixão pelo futebol era vista por nós, estudantes engajados em política, como um alicerce do regime militar? Tínhamos a ideia, por sinal tão arraigada sobretudo nos países comunistas, que a paixão pelo esporte cria identificação com o regime político (a ponto de lhe conferir legitimidade). Portanto, vitórias ou derrotas influenciariam diretamente disputas políticas. Como eleições, por exemplo.

Demorou para os comunistas entenderem que medalhas olímpicas (só a Hungria comunista chegou perto de conquistar um mundial de futebol da Fifa – alguns dizem que foi a derrota na final de 1954 que impulsionou a revolução de 1956, mas não há provas...) não salvariam seus regimes. Assim como demorou para nós entendermos aqui no Brasil que o fato do nosso time levantar o caneco não garante ou não condena candidato algum. FHC e Lula que o digam. Então, como é que o futebol mexe com a política?

Os economistas mencionam frequentemente o “feel good factor”, segundo o qual a percepção por parte de consumidores da situação econômica ao seu redor, mais irracional do que qualquer outra coisa, condiciona de alguma maneira comportamentos políticos. Ganhar uma Copa faz esquecer desemprego, por exemplo? Ou inflação? Acredito que não. Acho que não é tanto a vitória ou derrota nos jogos em si que nos diz alguma coisa sobre o “clima” político mas, sim, a forma como nossa sociedade evoluiu na dedicação a esse jogo.

Neste sentido, é possível detectar grosso modo uma transformação que mantém paralelos com o que está acontecendo na política. Torcer pela seleção em época de Mundial era um acontecimento compartilhado. Havia uma espécie de solidariedade em pintar as calçadas, as caras, decorar as janelas – um “fervor” que correspondia (embora totalmente fútil, admito) a um tipo de “esperança”.

Onde vejo hoje uma correlação entre futebol e a situação política é na ausência de “heróis” (no caso do PT, o “herói” Lula tem mais a ver com a veneração com que seitas tratam seus guias). Depois de muitos anos na reportagem reluto em acolher teses de causa/efeito mecânicas, por isso não consigo afirmar que o desânimo com a política explica em parte o desinteresse pelo futebol (onde antes era tão vibrante) e vice versa. Mas não consigo ignorar que um é o espelho do outro.

Maria Cristina Fernandes: A praia de Bolsonaro

- Valor Econômico

Discurso é para casamento de jacaré com cobra d'água

Em quem você vai votar pra presidente? Questionados assim, na bucha, sete em cada dez brasileiros, dizem que não sabem ou que não vão votar. Outros dois vão se dividir entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. O que resta está pulverizado. Este é o voto que gente de pesquisa de opinião chama de espontâneo. A essa altura, sem campanha formal na rua, é o dado mais valioso de uma pesquisa porque traduz o voto, de fato, consolidado. Lula vem caindo no quesito e Bolsonaro, crescendo. A única novidade do último Datafolha é que o deputado do PSL, pela primeira vez, ultrapassa Lula, ainda na margem de erro. Entre os votos espontâneos, tem 12%, dois pontos percentuais a mais que o petista. Os alheios somam 69%. Dez pontos pingam nos demais candidatos.

O avanço tira a eleição de Bolsonaro do reino da fantasia. Como o Brasil não imprime dólar, não haverá com quem dividir a conta do espetáculo. Quem preferir esquecer o que ele fez nos verões passados, a temporada que agora se inicia é farta em evidências de que o tempo ameaça fechar. Compõe a trilha sonora perfeita para o casamento de jacaré com cobra d'água não fosse o discurso de um candidato a presidente da República que nada de braçada.

Na primeira das sabatinas, durante da Marcha dos Prefeitos, foi perguntado o que faria para lidar com o déficit de saneamento no país. Valeu-se do economista Paulo Guedes para desintermediar os recursos até chegar no que lhe pareceu ser o coração de seu raciocínio. "Não estou autorizado a dizer isso", afirmou, sem explicar a quem está subordinado, "mas gostaria que o Brasil tivesse um programa de planejamento familiar. Um homem ou uma mulher com educação dificilmente vai querer ter um filho a mais para engordar o programa social dele".

Bruno Boghossian: Ações em baixa

- Folha de S. Paulo

Insatisfeitos com ex-ministro, aliados do presidente cobram mudança em campanha

Até Michel Temer começa a perder o ânimo com a candidatura de Henrique Meirelles a sua sucessão. Nos últimos dias, o presidente recebeu uma fila de ministros, senadores e deputados do MDB que defendem a retirada do ex-chefe da Fazenda da corrida ao Planalto.

A entrada de Meirelles na disputa era uma empreitada de baixo custo e baixas expectativas. O grupo de Temer acreditava que o ex-ministro serviria apenas como um polo de defesa do governo, em uma eleição marcada pelo descontentamento.

Sem experiência política, porém, Meirelles tem demonstrado pouca habilidade para esse papel. Até agora, apareceu com 1% nas pesquisas, não encaixou um discurso convincente sobre a recuperação da economia e dedicou poucos esforços à tarefa acessória de evitar que Temer se torne um saco de pancadas.

Aliados do presidente consideraram “desastrosa” a entrevista do ex-ministro no programa “Roda Viva” de segunda (11). Confrontado com o fato de que o PIB anda em marcha lenta, Meirelles ativou sua cabeça de banqueiro, elencou uma porção de números e mencionou só de passagem o recado de que conseguiu tirar a economia do buraco.

Bernardo Mello Franco: A terceira vez de Marina

- O Globo

Marina Silva disputará sua terceira eleição presidencial pelo terceiro partido diferente. Desta vez, ela não conseguiu fechar nenhuma aliança e corre o risco de ficar com apenas 12 segundos na TV. Mesmo assim, tem demonstrado fôlego para lutar por uma vaga no segundo turno.

De acordo com o Datafolha, a ex-senadora mantém 15% das intenções de voto nos cenários sem Lula. Só está atrás de Jair Bolsonaro, que lidera com 19%. Nas simulações de segundo turno, as posições se invertem. Marina vence o ex-capitão com folga, por 42% a 32%. Ela também aparece bem à frente no confronto direto com Ciro Gomes e Geraldo Alckmin.

A pesquisa animou a turma que vê a ambientalista como um bote salva-vidas em caso de naufrágio do tucano. A opção Marina tem simpatia declarada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas também empolga empresários e investidores desiludidos com o candidato do PSDB.

Na Era FH, Marina usava a tribuna do Senado para atacar os bancos, criticar as privatizações e pregar o calote da dívida externa. Ela chegou a votar contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2010, beijou a cruz do mercado ao concorrer ao Planalto pelo PV. Para sacramentar a guinada, escalou um empresário como vice e entregou o caixa de campanha a um ex-presidente do Citibank.

Os dois colaboradores se afastaram, mas Marina não desistiu da guinada liberal. Agora ela tenta reforçar suas credenciais com a ajuda de economistas como André Lara Resende e Eduardo Giannetti da Fonseca.

Apesar do flerte com o andar de cima, Marina exibe desempenho melhor entre eleitores mais propensos a votar no PT. Segundo o Datafolha, ela supera Bolsonaro entre os mais pobres (17% a 13%) e menos escolarizados (16% a 11%). No grupo dos mais ricos, despenca para a quinta posição, com apenas 3%.

Com Lula na cadeia, a ex-senadora larga na frente na disputa pelo seu espólio político. Mas esta transferência pode ser barrada durante a campanha, quando o eleitor for lembrado de seu apoio a Aécio Neves, ao impeachment de Dilma Rousseff e à prisão do ex-presidente.

Maia diz que aliança mais provável é com o PSDB

Raymundo Costa e Raphael Di Cunto | Valor Econômico

BRASÍLIA - Pré-candidato do Democratas ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, acha que é mais provável uma aliança do DEM com o PSDB ou Podemos, na hipótese dele desistir em favor da união do centro político. O PDT "é a maior probabilidade do DEM? Claro que não é. Mas se criamos este ambiente chamado centro, que nunca existiu, se a gente restringe o diálogo a A, B ou C não é mais centro", disse o deputado na Abertura do ciclo de debates com os presidenciáveis promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), em Brasília.

Já no sábado o deputado havia declarado que vê maior afinidade política entre o DEM e o candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB) que entre o seu partido e o PDT do pré-candidato Ciro Gomes. Em Santa Catarina, onde esteve ontem, Alckmin afirmou que respeita a candidatura de Maia, mas que deseja a união das siglas do centro. Alckmin e Maia tinham encontro previsto pra ontem à noite, em Brasília.

A declaração de Alckmin foi bem recebida por Maia, que fez referência a ela no encontro da Abert. Além da conversa entre os dois, outro anúncio feito ontem sinaliza para uma reaproximação entre PSDB e DEM - o Democratas vai indicar o candidato a vice-governador na chapa encabeçada por João Doria, candidato tucano.

"É natural que a gente tenha mais condições de diálogo com o governador Geraldo Alckmin, com o senador Alvaro Dias, mas não significa que a gente não possa conversar com PDT, PCdoB, etc", disse Maia.

O pré-candidato foi enfático ao dizer que está efetivamente disposto a sentar à mesa com Alckmin e o pré-candidato do Podemos, Alvaro Dias - que não se considerar propriamente de centro-direita nem de esquerda -, se houver condições reais de uma aliança. "O momento é de menos radicalização, menos ódio e mais diálogo", disse.

‘DEM é tudo que queremos’, diz Alckmin

Marcelo Osakabe, Daniel Weterman e Igor Gadelha | O Estado de S. Paulo.

O ex-governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, voltou a cobiçar o apoio do DEM a sua candidatura. “É tudo que queremos”, disse quando questionado sobre o andamento das negociações com o partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também presidenciável.

O tucano, que enfrenta um clima de descrença sobre sua viabilidade eleitoral entre aliados e membros do próprio partido, minimizou atritos com lideranças do PSDB. “Está muito bem (a situação com o PSDB). Aliás o Fernando Henrique Cardoso está nos ajudando muito até nessas articulações com os outros partidos”, disse, acrescentando que quatro legendas já estão com acordos encaminhados. Alckmin frisou, no entanto, que a legislação mudou e os anúncios devem ser feitos apenas no final de julho. “Esse período agora é para percorrer o Brasil, ouvir, conhecer e sentir os problemas.”

Ontem, Maia afirmou que “está claro” que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) não é a primeira opção de aliança dos partidos do chamado Centrão na disputa presidencial, mas ponderou que não se pode restringir o diálogo. Segundo ele, “é natural” que o centro tenha mais condições de diálogo com o ex-governador Geraldo Alckmin e com o senador Alvaro Dias (Podemos-PR), mas isso não significa interditar conversas com legendas da oposição.

“É a maior probabilidade para o DEM? Claro que não é”, afirmou o parlamentar fluminense durante evento promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).

De portas abertas

Maia admite sair da disputa presidencial, e DEM acelera negociação com outros partidos

Bruno Góes, Catarina Alencastro, Cristiane Jungblut e Maria Lima | O Globo

-BRASÍLIA- Com a pré-candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prestes a sair de cena, como o próprio admitiu ontem, durante evento em Brasília, o DEM dá fôlego a três frentes de negociação com outros partidos para oferecer seu apoio nas eleições de outubro. Com uma bancada de 43 deputados e cobiçados 28 segundos de tempo de TV, pretende barganhar até o início das convenções de julho, quando terá de optar por um projeto a seguir.

A fragmentação das pré-candidaturas dos partidos do chamado campo de “centro” e o fraco desempenho de nomes tradicionais, como o do pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, são os principais combustíveis para o leilão promovido pelo DEM. O partido conta com uma ala numerosa e importante que deseja a composição com os tucanos, aliados históricos nas urnas, mas reluta em firmar posição.

Ontem, Maia admitiu que, se tiver algum candidato de centro com boas chances de ir para o segundo turno, ele poderá desistir da pré-candidatura em julho.

— Se a gente tiver transparência no debate, eu não tenho problema nenhum de chegar no dia 30 de julho e entender que tem um caminho que tem mais viabilidade do que o meu. Se houvesse alguém nas pesquisas que tivesse clareza que ganharia no segundo turno, eu já teria desistido. Esse não seria o problema. Não vejo ninguém no nosso campo, neste momento, com capacidade de liderar — afirmou o deputado, que não perde de vista a chance de se reeleger e, eventualmente, construir uma possível reeleição ao comando da Casa em 2019.

Alckmin tem a agenda econômica e fiscal mais afinada com as lideranças da legenda. Mas não há nenhum acordo fechado porque o tucano patina nas pesquisas — o ex-governador teve entre 6% e 7% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha — e teve sua candidatura questionada recentemente até mesmo dentro do PSDB. Ontem, em Santa Catarina, ele enviou mais um recado ao partido.

— O Democratas nós respeitamos. O Rodrigo Maia é um bom quadro da nova geração. Se pudermos estar juntos lá na frente, é tudo que queremos. A campanha vai começar mesmo depois do horário do rádio e da TV. Vamos ter os melhores palanques no Brasil — disse Alckmin, em Santa Catarina.

Com garantia de vice, sigla anuncia apoio a Doria para governo de SP

Aliança pode estimular acordo nacional da legenda com os tucanos

Dimitrius Dantas | O Globo

-SÃO PAULO- Enquanto ainda decide o rumo que deve tomar na eleição presidencial, o DEM decidiu ontem compor com os tucanos na maior disputa regional do país. O partido de Rodrigo Maia anunciou que irá apoiar o ex-prefeito João Doria na corrida ao governo de São Paulo.

O partido chegou a conversar também com o atual governador, Márcio França (PSB), mas preferiu manter a tradicional parceria com o PSDB.

O anúncio oficial da aliança será realizado hoje, com a presença do presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, e do líder do partido na Câmara Federal, Rodrigo Garcia, um dos principais apoiadores do DEM de São Paulo ao presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin.

Na articulação pelo apoio, ficou acertado que a vaga de vice no acordo liderado por Doria será do Democratas. Garcia, que chegou a ser pré-candidato do partido para disputar o Palácio dos Bandeirantes, deve ser agora o escolhido do tucano para compor sua chapa.

DEM anuncia apoio a Doria em SP e negocia vice na chapa tucana

Por Cristiane Agostine, Marcelo Ribeiro e Raphael Di Cunto | Valor Econômico

SÃO PAULO E BRASÍLIA - O DEM anunciará hoje apoio à pré-candidatura de João Doria (PSDB) na disputa pelo governo de São Paulo. O partido negocia a indicação do deputado federal Rodrigo Garcia para a vice do tucano.

Doria atraiu o DEM em meio a dificuldades do presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, de conseguir apoio do partido. No plano nacional, a legenda negocia não só com Alckmin, como também com o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, e Alvaro Dias (Podemos).

Em São Paulo, o DEM articulava também com outro pré-candidato, o governador Márcio França (PSB). Ao anunciar o ingresso na chapa de Doria, o partido passou a cobrar não só a vice mas também uma vaga para o Senado.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que, no que depender dele, Rodrigo Garcia, líder do DEM na Câmara, será candidato a vice. Garcia era pré-candidato ao governo paulista e desistiu da disputa para apoiar o tucano. Maia também defendeu que o apresentador José Luiz Datena seja candidato ao Senado pelo DEM. "É o que nós queremos. Ele está muito bem nas pesquisas. Seria ótimo que a gente pudesse trabalhar o nome dele", afirmou o parlamentar, pré-candidato à Presidência.

Aliado de Doria, o PSD, no entanto, também almeja indicar a vice e uma das vagas para o Senado. O presidente nacional do partido, ministro Gilberto Kassab, declarou que pretendia participar da chapa de Doria quando anunciou apoio ao tucano. Para a vaga de vice ou do Senado era cotada Alda Marco Antônio.

O presidente estadual do PSDB de São Paulo, deputado Pedro Tobias, minimizou a possibilidade de o apresentador Datena ser candidato ao Senado e afirmou que ainda não foram decididos os candidatos a vice e ao Senado. "Defendo que uma vaga para o Senado seja do PSDB", disse o dirigente tucano. "E não acredito que Datena será candidato. Ele vai largar a fortuna que ganha para ser senador?"

PC do B apoiou Cabral para sustentar governos Lula e Dilma, diz pré-candidato do partido ao governo do RJ

Pré-candidato aproveitou sabatina para marcar o distanciamento da administração de Eduardo Paes

Ana Luiza Albuquerque e Italo Nogueira | Folha de S. Paulo

CURITIBA E RIO DE JANEIRO - O pré-candidato do PC do B ao governo do Rio de Janeiro e vereador de Niterói, Leonardo Giordano, justifica o apoio do partido às administrações de Sergio Cabral (MDB), ex-governador, e Eduardo Paes (DEM), ex-prefeito, de forma pragmática. Segundo ele, o objetivo era promover a sustentação do PT no plano nacional, com Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que mantinham aliança com as duas principais figuras da política carioca à época.

"O PC do B nunca foi o partido que usou guardanapo na cabeça", afirmou Giordano em sabatina promovida pela Folha, UOL e SBT. O pré-candidato refere-se ao episódio que ficou conhecido como a "farra dos guardanapos", envolvendo Cabral e aliados, hoje investigados na Lava Jato, como o ex-secretário da Saúde Sérgio Côrtes e o empresário Fernando Cavendish.

Questionado sobre a deputada federal Jandira Feghali, liderança do PCdoB no estado, ter assumido a secretaria da Cultura no governo Paes, Giordano argumentou que o apoio político no regime de coalizão prevê a participação dos partidos no governo. O pré-candidato aproveitou para marcar o distanciamento daquela administração. "Nunca participei, concordei ou estive junto dessa gente", disse.

Eleições 2018 - Governo do Estado do Rio de Janeiro

DIRETÓRIO MUNICIPAL DO PPS DO RIO DE JANEIRO - PROPOSTA INDICATIVA

Tendo em vista que as eleições gerais de outubro próximo serão, sem dúvida, as mais importantes da nossa recente história política, após a promulgação da Constituição Cidadã de 1988, que coroou a ultrapassagem do regime autoritário implantado em 1964, e poderão ser um divisor de águas na história do nosso país, e considerando:

1 – Que as lideranças políticas precisam enxergar que está em pauta o desafio da recuperação da legitimidade democrática das autoridades públicas diante da gravíssima crise econômica, política e, particularmente, moral que estamos vivendo, resultado da desastrosa gestão de treze anos de governos petistas, e agravada ainda mais pelo Governo Temer, que, apesar do início da recuperação da economia, não conseguiu cumprir as promessas iniciais das reformas necessárias, em razão das denúncias de envolvimento nos esquemas de corrupção existentes, levando a um quadro de total descrédito por parte da população em relação aos políticos de todos os matizes ideológicos;

2 – Que no Estado do Rio de Janeiro, a crise é ainda pior e, certamente, a mais grave crise econômica, fiscal, social, ética, política e institucional, desde a fusão, em 1974, dos antigos Estado da Guanabara e do Rio de Janeiro, com as principais evidências:

I. quadro de crescente desemprego, enquanto no Brasil os postos de trabalho voltam a crescer, mesmo timidamente;

II. duríssimo ajuste fiscal para assegurar o refinanciamento da dívida do Estado com a União, além de novos empréstimos para o pagamento dos serviços de sua dívida e dos salários e benefícios dos servidores ativos e inativos, e voltar a ter condições para investir nas políticas sociais, particularmente na educação, saúde, segurança e saneamento básico, entre outras áreas;

III. prisões preventivas dos últimos três ex-governadores de um período de 16 anos, acusados de corrupção na operação LAVA JATO, com Sérgio Cabral, já condenado a mais de 80 anos de prisão, por participação no processo de corrupção em nível nacional e ainda por ter montado um enorme esquema próprio de corrupção, abrangendo as principais áreas da administração, e envolvendo o Tribunal de Contas do Estado, com prisão e afastamento de quase todos os Conselheiros, e o Legislativo Estadual, com a prisão do Presidente e do ex-Presidente, de um período de mais de 15 anos, e do Líder do Governo na casa;

3 – Que o PPS decidiu aprofundar o seu processo de mudanças - iniciado em 1992 quando da autocrítica em relação ao chamado socialismo real e sua fundação como sucessor do antigo Partido Comunista Brasileiro - se abrindo decididamente para o ingresso de integrantes dos movimentos democráticos da sociedade, como o Agora!, Livres e Acredito, entre outros, e se adequando aos novos desafios colocados em nível mundial para o avanço da democracia e da justiça social, principalmente a globalização e a revolução técnico-científica, e em nível nacional, com as promessas ainda não cumpridas e o esgotamento do sistema político da Constituição de 1988, evidenciado pela desmoralização de quase todos os partidos políticos envolvidos em um verdadeiro sistema criminoso de corrupção revelado pela Operação Lava Jato;

4 – Que esta estratégia de renovação política já começou a dar os primeiros frutos com a vitória do candidato do partido nas eleições suplementares para a Prefeitura de Teresópolis, realizadas no último dia 3 de junho, candidato este recém filiado e integrante do movimento Livres;

5 – Que, entre os quadros políticos que ingressaram no PPS, também recebemos a filiação de Rubem César Fernandes, Fundador do Viva Rio, com larga experiência no combate às desigualdades sociais nas comunidades carentes atingidas pela gravidade da crise que atinge o nosso Estado nas políticas sociais de educação, saúde e segurança pública, principalmente, tendo ainda atuado em situação até mais grave no Haiti; e

6 – Que Rubem César Fernandes oferece seu nome para a disputa do Governo do Estado, notícia mais do que alvissareira já que a gravidade da crise, além de atingir as principais lideranças do partido que comandou o Estado nos últimos 12 anos, inibe, inclusive, o surgimento de candidatos de todos os matizes políticos e ideológicos dispostos a enfrentar os seus enormes desafios.

O Diretório Municipal do PPS no Rio de Janeiro decide enviar ao Diretório Estadual a indicação de Rubem César Fernandes como candidato do Partido ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, intensificando as ações para a construção de uma candidatura competitiva junto aos demais partidos políticos do campo democrático e reformista do nosso Estado, não alinhados aos partidos responsáveis pela crise que vivemos em nível estadual, se unindo em torno de um projeto que, a um só tempo, inaugure um novo ciclo de desenvolvimento social e econômico a partir dos avanços já alcançados e afaste definitivamente um horizonte confuso de confrontação entre aqueles que defendem projetos antidemocráticos e populistas, tanto de direita, como de esquerda.

Rio de Janeiro, 13/06/2018.

Diretório Municipal PPS/Rio

Ainda um mistério: Editorial | Folha de S. Paulo

Significado e causas da onda de protestos de 5 anos atrás continuam a desafiar analistas

Cinco anos depois de sua eclosão, os protestos que tomaram o país em junho de 2013 ainda provocam perplexidade naqueles que, com simpatia ou sentimento crítico, tentam encontrar a chave para sua interpretação.

Identificar as causas de um fenômeno tão complexo já seria desafio considerável; outro problema, talvez insolúvel por um bom tempo, é o de delimitar o sentido histórico de tudo o que ocorreu.

O governo Dilma Rousseff (PT) e boa parte das administrações estaduais e municipais beneficiavam-se de altos índices de popularidade no ano que precedia a realização da Copa do Mundo no Brasil.

Um ato localizado, contra o aumento nas passagens de transporte coletivo, viria a desembocar numa onda de manifestações gigantescas, com bandeiras de toda ordem e participantes de todo tipo.

Em comum, sem dúvida existia a vontade de contrapor insatisfações latentes em diversos setores da sociedade ao sentimento de triunfalismo de que estavam imbuídas as autoridades, em especial petistas, às vésperas do Mundial.

O reencontro da política com o futebol: Editorial O Globo

Político tem o reflexo condicionado de se aproximar de tudo que é popular. Mas o esporte consegue pairar acima disso e também vencer paixões ideológicas

Hoje começa o encontro marcado para cada quatro anos entre o brasileiro e a Copa do Mundo. Nem todos amam o futebol, mas a parcela dos aficionados é grande, entre eles os que se ligam no esporte só durante o torneio, que, na era da comunicação instantânea no planeta, é um dos eventos esportivos que mais atraem a atenção de terráqueos.

A Seleção, assim, com “s” maiúsculo, é sinônimo de país, a “pátria de chuteiras”, termo de Nelson Rodrigues, dramaturgo, jornalista, cronista dos mais apaixonados pelo futebol que não poupou talento para falar da “Seleção canarinho", do seu Fluminense e de outros times também. No universo da bola, nunca foi sectário.

Os mundos do futebol e da política são contíguos. Afinal, político tem o reflexo condicionado de se aproximar de tudo que é popular. Sempre pode resultar em voto. Mas o futebol tem conseguido, felizmente, pairar acima disso.

Passou por um grande teste na ditadura militar de 64, em cujo ciclo foi conquistado o tricampeonato, em 1970, pelo time de Pelé, Tostão, Rivelino e outros, um dos mais fortes que participaram do torneio desde a primeira disputa, em 1930.

Por inevitável, os militares se aproximaram da Seleção. O presidente, general gaúcho Emílio Garrastazu Medici, gremista no Sul, rubro-negro no Rio, cultivava a imagem de assistir a jogos da tribuna de honra do Maracanã com um rádio de pilha colado ao ouvido. Não resistiu, interveio na delegação, depois de brilhante classificação sob o comando de João Saldanha, filiado de carteirinha ao PCB, para impor seu centroavante predileto, Dario “Maravilha”, e assim forçou a saída do jornalista e técnico. Zagalo assumiu e veio o Tri de qualquer forma.

Os estragos da greve: Editorial | O Estado de S. Paulo

O estrago causado pela crise no transporte, iniciada em maio e ainda sem solução, fica mais claro a cada nova notícia positiva sobre a evolução da economia em abril, o mês anterior à paralisação dos caminhões. Ao pôr em xeque o governo e toda a atividade produtiva, os transportadores interromperam um movimento de recuperação iniciado depois de um primeiro trimestre decepcionante. A expansão das vendas no varejo, divulgada ontem, confirma a tendência já indicada pelo desempenho da indústria, com produção 0,8% maior que a de março, 8,9% superior à de abril de 2017 e crescimento de 3,9% acumulado em 12 meses. No conjunto mais amplo do varejo, todos os grandes componentes tiveram resultado positivo na passagem de março para abril. Não se via esse desempenho desde 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As vendas no varejo restrito tiveram aumento mensal de 1% em abril e superaram por 0,6% as de um ano antes. No quadrimestre foram 3,4% mais volumosas que as de janeiro a abril de 2017. O crescimento em 12 meses bateu em 3,7%. Incluídos carros, motos e componentes e também material para construção se obtém o varejo ampliado. Nesse caso, o aumento mensal foi de 1,3%. Houve ganho de 8,6% em relação a um ano antes, de 7,4% no confronto dos quadrimestres iniciais e de 7% em 12 meses.

Clã Brasil & Sivuca - Feira de Mangaio

Manuel Bandeira: O rio

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.