terça-feira, 18 de julho de 2023

Dora Kramer - Dores do parto à direita

Folha de S. Paulo

Racha pode ser mortal ou apenas consequência do renascimento

Depois de anos atuando como figurante engajada e influente, porém algo envergonhada, a direita brasileira vem de recente entrada na cena principal da política. Toda catita, sem receio de dizer o seu nome.

Dentre as novidades com as quais se depara na condição de coprotagonista, está a divisão interna. Rusgas públicas de tendências até então eram características da esquerda, mas não só. O MDB, nossa legenda mais longeva, sobrevive há quase 50 anos sendo uma federação de grupos quase sempre divergentes.

A tensão é do jogo e tende a explodir como espetáculo quanto mais relevantes se tornam os jogadores. Não fossem Jair Bolsonaro ex-presidente da República e Tarcísio de Freitas governador de São Paulo ninguém daria atenção à treta naquela reunião do PL sobre a votação da Reforma Tributária.

Hélio Schwartsman - Reforma agrária no Legislativo

Folha de S. Paulo

Constituinte armou complô contra São Paulo quando criou teto de deputados federais

A democracia brasileira é representativa. Isso significa que os tamanhos de bancadas de deputados e de algumas Casas legislativas deveriam ser proporcionais à população. Assim, a cada novo Censo, deveria ocorrer um processo de recalibragem.

Há uma chance de que isso ocorra nas câmaras municipais. É que a Constituição estabelece um teto para o número de vereadores de cada cidade segundo o total de habitantes. E, pelos novos dados, 140 municípios precisariam cortar edis, e 198 poderiam a partir de agora expandir seus plenários. A doutrina entende que reduções são obrigatórias, e as ampliações, opcionais.

Alvaro Costa e Silva - Lira em ritmo de Safadão

Folha de S. Paulo

Jornalistas não seriam bem-vindos ao cruzeiro no mar do Caribe

Em 1960, Jânio Quadros atravessou o Atlântico a bordo do Aragon, navio da Mala Real Inglesa com destino a Londres. Era segredo, mas o furão Joel Silveira conseguiu embarcar também e relatou o que viu no livro "Viagem com o Presidente Eleito", que reli agora pensando na falta que fez um repórter de olho em Arthur Lira durante o cruzeiro de Wesley Safadão nas águas do Caribe.

Joel mostra um Jânio diferente daquele que encantou 5,6 milhões de eleitores trajando paletó escuro pontilhado de caspa (ou seria talco?), colarinho e gravata soltos, amarfanhado e despenteado, óculos pesados escorregando até a ponta do nariz.

Joel Pinheiro da Fonseca - ‘Dizem especialistas’ não funciona mais

Folha de S. Paulo

Com as redes sociais, e todo mundo publicando suas opiniões, o jogo mudou

Uma manchete de março na Folha: "Inflação dará alívio a pobres e pesará mais na classe média, dizem especialistas". Nesse e em outros casos —que são comuns na imprensa toda— , a presença dos "especialistas" aumenta ou reduz a confiabilidade do enunciado?

No passado, o especialista era a palavra final. Ele tinha uma formação que o habilitava a opinar com conhecimento de causa. A imprensa fazia sua parte dando espaço. E enquanto a imprensa determinava o debate público —quem estava nela, existia; quem não estava, não existia— , dar voz ao especialista bastava para que ele fosse a autoridade publicamente reconhecida. A falta de vozes contrárias dava à voz do especialista uma autoridade automática que, ao menos em tese, era justificada por seu conhecimento.

Maria Cristina Fernandes - Bolsonaro é o maior derrotado pela arruaça de Roma

Valor Econômico

Alexandre de Moraes sai do episódio com uma renovada união do Supremo em torno de si

O ex-presidente Jair Bolsonaro é o maior perdedor do incidente da sexta-feira no aeroporto de Roma. O tira-teima das versões sobre o ocorrido depende das imagens do aeroporto requisitadas pela Polícia Federal, mas parece improvável que o ministro Alexandre de Moraes viesse a colocar sua reputação - e seu mandato - em risco inventando uma agressão contra si e sua família.

Se ainda não se sabe quantos foram os envolvidos nas agressões, não parece haver dúvida sobre os crimes pelos quais podem vir a responder - de lesão corporal, crime contra a honra e injúria, até ameaça contra o estado democrático de direito. No limite, se juntarão às centenas de presos pelos atos de 8 de janeiro e darão argumentos aos representantes mais extremados do bolsonarismo no Congresso Nacional que a causa ainda arregimenta eleitores a enfrentar riscos em sua defesa.

Daniela Chiaretti - Roma, 42ºC. E o clima no conflito geracional

Valor Econômico

Juventude se divide entre debater o problema climático e se sentir impotente para a participar da solução

Roma, 42ºC. Parece filme, mas é a previsão de temperatura para esta terça-feira, 18. Faz um calor infernal na capital da Itália neste verão, e em boa parte da Europa. O continente já viveu a estação mais quente dos registros em 2022, segundo estudo da Organização Meteorológica Mundial e do European Union’s Copernicus Climate Change Service. A temperatura está 2,3ºC acima dos níveis pré-industriais. O nível do mar bateu recordes e o derretimento dos glaciares foi sem precedentes. Na Europa morreram 16.365 pessoas no ano passado por conta do clima, a maioria pelas ondas de calor. Inundações e tempestades causaram US$ 2 bilhões em prejuízos. A Bloomberg praticamente desenhou o que está acontecendo e disse mais: há forte probabilidade de 2023 ser o ano mais quente nos registros globais.

A Europa é o continente que aquece mais rápido no mundo. O Canadá está esquentando duas vezes mais rápido do que o resto dos países. Nos Estados Unidos, a previsão de dias de intenso calor para esta semana colocou em alerta um terço da população - mais de 113 milhões de pessoas -, da Flórida à Califórnia e subindo até o Estado de Washington. O Serviço Nacional de Meteorologia pediu às pessoas que não subestimem os riscos à vida. No sábado, termômetros da cidade de Phoenix, Arizona, registraram 48ºC.

Eliane Cantanhêde - As chances de Augusto Aras

O Estado de S. Paulo

Entre uma nova mulher e um novo Zanin, Lula ficará com um novo Zanin para o STF

Por que Augusto Aras é defendido até pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner, para continuar à frente da Procuradoria Geral da República (PGR)? Porque ele agrada à direita e à esquerda, depois de acabar com a Lava Jato, e porque, assim como foi uma mão na roda para Jair Bolsonaro, poderá ser, se já não está sendo, também para Luiz Inácio Lula da Silva.

Da mesma forma que Aras arquivou as queixas, suspeitas e provas, até mesmo da CPI da Covid, contra Bolsonaro, seus filhos, ministros e aliados, ele é visto como um PGR capaz de engavetar tudo o que puser o mandato de Lula em risco, ou constranger o atual presidente. Tudo pela “governabilidade”?

Jorge J. Okubaro* - Nem só barganha, nem só sorte

O Estado de S. Paulo

Lula vem agindo e negociando. Cede em muitos pontos, tenta resistir em outros e, assim, começa a contabilizar vitórias

Não terão sido poucos os que se surpreenderam com um título publicado há uma semana no caderno Economia &Negócios do Estadão. “Especialistas veem novo ciclo econômico”, informava o jornal. A aprovação da reforma tributária em dois turnos na Câmara dos Deputados (ainda falta a aprovação do Senado) poderá atrair mais investimentos e melhorar a produtividade, explicava em seguida. Surgem com mais frequência notícias sobre reativação da economia e redução da inflação. Vitórias do governo no Congresso Nacional, de sua parte, amenizam a sensação de risco à governabilidade.

Há os que não creem em informações desse tipo, pois estão convencidos de que não há salvação fora das fantasias disseminadas pelo governo anterior. Para estes, não haverá futuro sem o bolsonarismo e seus ludibrios.

IEPfD | Recompor a política e ampliar a democracia – Seminário 2

 

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Descobertas do Censo trazem novos desafios para a sociedade

Valor Econômico

Revelação mais impactante é que a população aumentou menos do que se esperava

À medida que as descobertas do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022 são analisadas, novos desafios emergem e demandam respostas da sociedade. A primeira delas e mais impactante é que a população aumentou menos do que se esperava. O IBGE constatou que a população cresceu 0,52% em média, ao ano, entre 2010 e 2022, praticamente a metade das décadas anteriores. Foi a menor taxa em 150 anos, desde o primeiro Censo, em 1872. Assim, o Brasil chegou a 2022 com 203 milhões de habitantes, apenas 6,5% a mais do que os 190,8 milhões do censo anterior, feito em 2010.

A população cresceu 12 milhões de pessoas, 5 milhões a menos do que os 17 milhões esperados, e não se sabe exatamente o motivo. Há algumas hipóteses, entre elas as mortes causadas pela pandemia de covid-19, certamente subestimada em 700 mil pessoas, as mortes causadas por uma epidemia de zika alguns anos antes, a emigração dos mais jovens diante do enfraquecimento da economia e a queda da natalidade. Todas elas juntas talvez ajudem a explicar o que aconteceu.

Poesia | Pablo Neruda - Hoje a noite posso escrever os versos mais tristes

 

Música | João Donato - Nasci para bailar (João Donato e Paulo André Barata) | Instrumental SESC Brasil

 

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Fernando Gabeira - Extrema direita e a tática do escândalo

O Globo

Os últimos acontecimentos no interior do PL mostram que o bolsonarismo não tarda muito a virar a mesa

Um dos problemas de estudar a História da extrema direita é que, às vezes, durmo no sofá e tenho curtos pesadelos. Supremacia branca, antissemitismo, homofobia, raiva de mulheres — cada grupo tem seu gosto, e juntos formam a chamada direita alternativa — alt-right.

Uma coisa que aprendi nas horas de estudo e vigília é que a extrema direita tem uma tática de escandalizar para emergir no chamado mainstream. Foi assim quando Hillary Clinton, nas eleições de 2016, mencionou a alt-right. Muitos grupos celebraram por terem sido citados.

— Conseguimos entrar na cabeça dela — postaram nas suas redes.

Sou pai de professora e tenho tudo para estar indignado com o deputado Eduardo Bolsonaro, que comparou os mestres brasileiros a traficantes de drogas.

No entanto não posso deixar de colocar sua fala no contexto, como dizíamos antigamente. O pai foi derrotado na votação da reforma tributária.

Nesse quadro de isolamento, uma tábua de salvação é precisamente dizer algo bombástico. Os adversários comentam e movem processos, o próprio governo manda investigar.

Um encontro insignificante de pessoas que defendem armas acaba tendo uma divulgação que o salvou de passar completamente em branco, ou em cinza, dependendo de como se avalia o anonimato.

Miguel de Almeida - A direita e a extrema direita

O Globo

No momento em que escrevo, Bolsonaro se assemelha ao aspartame, ambos com muito passado e nenhum futuro. Intitulado líder da direita brasileira, se encontra encostado como funcionário bem remunerado do Valdemar; no papel de mau oficial, ainda em liberdade, observa seus arruaceiros atrás das grades.

Nem muito longe que o esqueçam, nem muito perto que o comprometam, antigos correligionários saem disfarçadamente da cena do crime; pé atrás de pé, traçam no chão uma linha de separação, a começar pela nominação — Bolsonaro seria de extrema direita; eles, como Valdemar, aquele que paga o salário, ou ainda Ciro Nogueira ou Marcos Pereira, se dizem apenas de direita.

Seria educativo não fosse balela, a denominação gritada pelos ex-bolsonaristas: o que é ser direita e extrema direita? A diferença estaria entre aquele que já fugiu e o que ainda não caiu a ficha.

Dois momentos recentes, de fato constrangedores pelo mau roteiro, escandem o desabrigo dos extremistas do capitão.

Ricardo Henriques* - Economia Criativa como ativo de desenvolvimento

O Globo

Para explorar esse potencial, o Brasil deve investir em educação, capacitação profissional e infraestrutura, bem como em políticas públicas que incentivem a inovação e a proteção dos direitos autorais

Num mundo em que máquinas e sistemas de inteligência artificial avançam cada vez mais sobre empregos tradicionais, é fundamental identificar setores onde a mão-de-obra humana continue sendo a mais valorizada. A economia criativa emerge como alternativa particularmente relevante, com enorme potencial a ser aproveitado pelo Brasil.

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, em relatório de 2022, o setor representa 3,1% do PIB mundial, promovendo inclusão social, diversidade cultural e desenvolvimento humano. Além de representar um caldeirão preenchido pelo encontro da arte com a cultura, cruciais para o desenvolvimento de habilidades como raciocínio crítico e criatividade, envolve também a produção e o comércio de bens e serviços baseados intensivamente em conhecimento.

Bruno Carazza* - A reforma ministerial necessária e indesejada

Valor Econômico

Ampliar a base é preciso, mas amigos serão sacrificados

Dia 25 de abril de 1996, meia-noite. No gravador em que registrou o cotidiano de seus oito anos de governo, Fernando Henrique Cardoso relatava que aquele havia sido, se não o mais difícil, com certeza o mais duro dia desde que assumira a Presidência da República, em 1º de janeiro do ano anterior.

FHC havia acabado de chegar do apartamento de sua ministra da Indústria, Comércio e Turismo, Dorothea Werneck, aonde fora comunicar a decisão de demiti-la. Segundo o registro, publicado na primeira edição de seu Diários da Presidência (1995-1996), a conversa durou quase três horas, houve choro de ambas as partes, desabafo, queixas e até uma ponta de arrependimento.

Dorothea Werneck era uma ministra de perfil estritamente técnico. Formada em economia na UFMG, foi aluna do famoso curso de mestrado montado por Mário Henrique Simonsen na FGV e depois se doutorou no Boston College, nos EUA. De volta ao Brasil, trabalhou no Ipea e foi professora da UFRJ.

Angela Alonso* - Notícias políticas do Censo

Folha de S. Paulo

Novo quadro populacional dá pistas sobre caminhos da esquerda e direita no país

O ex do Brasil atrapalhou o Censo, mas os números não guardaram mágoa e na sua cesta informativa, trouxeram até boas novas para o seu algoz.

Uma notícia é que o país envelheceu. No Censo anterior, os brasileiros tinham filhos suficientes para replicar o volume populacional. Agora o quadro é outro. Foi-se a janela demográfica —muitos jovens, poucos velhos. Estamos na vereda de Europa, Japão e outras partes onde nasce cada vez menos gente, desequilibrando as gerações, com muitos avôs e poucos netos.

O descenso da fecundidade começou aqui nos anos 60 e foi rapidíssimo. Meio século depois, a taxa de crescimento médio anual é de 0,52%. Isto é, o país conta agora com metade dos brasileirinhos necessários para substituir os brasileirões. As mulheres em idade reprodutiva estão tendo poucos filhos ou nenhum. O país da juventude agrisalhou.

E a política com isso? Se nas eleições futuras a distribuição geracional do voto de 2022 se mantiver, a direita pode comemorar. Na última eleição, a juventude apertou muito o 13, e os cabeças brancas foram mais de 22. No médio e sobretudo no longo prazo, a diminuição do número de jovens pode estreitar o eleitorado de esquerda.

Marcus André Melo* - Reforma tributária nos EUA e no Brasil

Folha de S. Paulo

O sucesso legislativo inesperado de novos arranjos tributários

"Até uma ordem de monges trapistas fez lobby a favor de tratamento tributário especial". Com isso Jeffrey Birnbaum e Alan Murray descrevem o estado do regime tributário americano pré-1986 em "Showdown in Gucci Gulch: lawmakers, lobbyists, and the unlikely triumph of tax reform" (Confronto na Gucci Gulch: parlamentares, lobistas e o triunfo inesperado da reforma tributária). Os autores descrevem o labirinto da mudança que ninguém esperava que fosse aprovada.

Foi a reforma histórica do imposto de renda nos EUA, aprovada no governo Reagan "contra tudo e contra todos". Os lobistas que se reuniam cotidianamente na "Gucci Gulch" —a sala no Congresso onde se instalavam com suas gravatas Gucci— eram totalmente céticos. Foram todos pegos de surpresa. A reforma eliminou milhares de isenções, regimes especiais e deduções que se acumulavam desde 1913, quando o imposto foi criado.

Felipe Moura Brasil - O verdadeiro massacre da cultura pelo poder

O Estado de S. Paulo

O legado de Milan Kundera serve de alerta contra o massacre da cultura pelo poder

“A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento.” A frase é dita por Mirek, em 1971, três anos após a ocupação soviética da Tchecoslováquia, para explicar aos amigos por que guarda seus “escritos comprometedores”, contidos em diário, correspondências e minutas de reuniões.

Os amigos apontam a imprudência de Mirek, que se convence, ao menos, de levar o material para “lugar seguro”, porque a Constituição “garante a liberdade de palavra, mas as leis punem tudo que pode ser qualificado de atentado à segurança do Estado”.

E “nunca se sabe quando o Estado vai começar a gritar que essa palavra ou aquela atentam contra a sua segurança”.

Denis Lerrer Rosenfield* - O pagador de impostos

O Estado de S. Paulo

A política extrapola o Orçamento, excedendo os seus limites e comprometendo o próprio funcionamento da economia, em prejuízo do pagador de impostos

O cidadão, o pagador de impostos, foi o grande ausente dos debates da reforma tributária. Afinal, é ele que financia o Estado, devendo ser, por via de consequência, o seu destinatário. Discute-se como aumentar os impostos, distribuir fatias do Orçamento para assegurar votações legislativas, setores da economia são privilegiados com reduções de alíquotas, enquanto outros são prejudicados, sem que tenha entrado em discussão o ponto central, a saber, uma redução da carga tributária ou uma melhor avaliação dos gastos em cada ministério, nos diferentes Poderes e nas esferas estaduais e municipais. A coisa pública, a do cidadão, é considerada como a coisa de alguns.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Atenção com inadimplência deve ser permanente

Valor Econômico

O governo deve evitar a tentação de criar novos planos voltados à indução de um consumo desenfreado

A campanha eleitoral começava a pegar tração na noite de 25 de agosto de 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva, novamente na condição de candidato do PT à Presidência da República, prometeu renegociar as dívidas de pessoas físicas negativadas. “Aliás, uma coisa importante: nós temos quase que 70% das famílias brasileiras endividadas, e a grande maioria delas é mulher, 22% endividadas, porque não podem pagar a conta de água, a conta de luz, a conta do gás. Nós vamos negociar essa dívida”, assegurou Lula, nos minutos finais de sua entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo. “Pode ficar certo que nós vamos negociar com o setor privado e com o sistema financeiro, porque nós precisamos fazer com que o povo brasileiro volte a viver com dignidade”, acrescentou.

O tema tinha apelo. Também era objeto dos discursos de seus adversários, desde que o agravamento da conjuntura econômica após a pandemia de covid-19 deixou milhões de pessoas em delicada situação financeira. Nas contas do governo, os números são diferentes daqueles citados por Lula em agosto passado. Mas também são alarmantes: em maio, 70 milhões de brasileiros eram considerados inadimplentes, o que representava aproximadamente 42% da população adulta brasileira. São pessoas que não têm conseguido quitar suas dívidas.

Nesse triste quadro, de acordo com estimava feita pelo Executivo quando enfim foi publicada a medida provisória que instituiu o programa de renegociação de dívidas, posteriormente batizado de Desenrola Brasil, quatro em cada dez famílias estavam com dívidas em atraso acima de três meses - principalmente de cartão de crédito, contas básicas (água, luz, gás e telefonia) e no varejo.

Poesia | Manoel Bandeira - Belo Belo

 

Música - Paulinho da Viola - Amor é assim

 

domingo, 16 de julho de 2023

Luiz Sérgio Henriques* - Praga e Brasília – de um século a outro

O Estado de S. Paulo

As coisas humanas são, todas elas, relativas, mas não há lugar para sofisma sobre a vida em democracia

Em tempos de invasão e guerra, cabe recuar brevemente ao emblemático ano de 1968, quando, para manter intacto o “campo socialista”, a então URSS e o seu Pacto de Varsóvia puseram fim à experiência do “socialismo de rosto humano” na Checoslováquia de Alexander Dubcek, um antecessor distante de Mikhail Gorbachev. As repercussões na esquerda global foram enormes, estimularam heresias e consolidaram conformismos, sacudiram certezas e, naturalmente, desembarcaram no Brasil.

Era também um tempo de manifestos, a exemplo do que reuniu intelectuais ligados ao antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) – como Ênio Silveira e Moacyr Félix, responsáveis pela histórica revista Civilização Brasileira, que estampou o documento em número especial – e muitos outros que não o eram, como, entre os vivos, Affonso Romano de Sant’Anna e Bolívar Lamounier, com impecáveis credenciais. O que os unia era a defesa da “Primavera de Praga” e da autodeterminação dos povos contra a brutalidade dos invasores.

Luiz Carlos Azedo - O iliberalismo não morreu com a inelegibilidade de Bolsonaro

Correio Braziliense

No Brasil, o iliberalismo emergiu com a crise de nossa democracia representativa, cujo descolamento da sociedade ficou evidente nos protestos de 2013. Chegou ao poder no tsunami eleitoral de 2018

A agenda social-liberal está órfã no Brasil. Foi substituída por um projeto iliberal no mandato de Jair Bolsonaro e ainda não foi plenamente assumida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja política tem viés nacional-desenvolvimentista, evidente na política externa e na política industrial. Para neutralizar o iliberalismo, a gestão de Lula precisaria consolidar outro viés, a de um governo de ampla coalizão democrática, com uma política de integração competitiva à economia mundial e agenda social universalista, mas com foco nos mais pobres.

Uma terceira alternativa, com esse caráter social-liberal, não é possível na atual conjuntura, mesmo que alguns desejem, por falta lhe uma liderança de projeção nacional e base social articulada. Essa disputa está se dando dentro do governo Lula e não fora dele.

O que existe de alternativa de poder fora do governo são lideranças que surgiram na aba do chapéu do ex-presidente Jair Bolsonaro, principal representante do iliberalismo na política brasileira, porque sua base eleitoral continua influente, articulada e identificada com uma agenda autoritária. Com a inelegibilidade do ex-presidente da República, sentenciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), muitos acreditam que a ameaça à democracia deixou de existir. É um equívoco.

Merval Pereira - Sistema disfuncional

O Globo

Impeachment se transformou em ato político para chantagear o presidente de ocasião

Quando se diz que as instituições estão funcionando na nossa democracia, usa-se uma complacência característica de nossa cultura, sem se exigir rigor nessa definição. Na verdade, nossa institucionalidade é tão disfuncional que contamina qualquer sistema ou instrumento jurídico que exista para conter arroubos autoritários de autoridades.

É o caso do impeachment, que se transformou em um ativo político nas mãos do Congresso para chantagear o governante da ocasião. Pela direita, com Collor e Temer, ou pela esquerda, com Dilma, o impeachment bateu em Chico e Francisco, e o resultado teve a ver historicamente com a relação do Executivo e Congresso.

Collor, quando tentou reorganizar seu governo e comprar adesões, já estava crucificado pela soberba pessoal e pela corrupção. O então ex-presidente Lula tentou ajudar sua sucessora na negociação política para evitar o impeachment, ficou de plantão permanente em um hotel de Brasília parlamentando, mas a incapacidade de Dilma de se relacionar com diferentes impediu-a de continuar a exercer o governo, além do abuso do poder que decretou seu impedimento definitivo.

Míriam Leitão - A diferença que os valores fazem

O Globo

Tudo o que temos celebrado no Prêmio Faz Diferença esteve sob ataque. Por isso, a festa deste ano teve uma alegria calma e sensação de alívio

O líder indígena Ailton Krenak entrou no salão do Copacabana Palace, quando ainda estava quase vazio. Abriu um sorriso ao ver Milton Nascimento. Sentou-se do lado dele, e os dois encostaram suas cabeças uma na outra e cantaram baixinho uma música de “Txai”, o álbum de Milton dedicado aos indígenas. Ao fim da cerimônia, duas jovens foram dizer a Ailton o quanto o admiravam. Eram as filhas da cientista Mercedes Bustamante. Krenak me disse baixinho. “A geração Greta entendeu”.

É privilégio ver cenas assim dos bastidores do prêmio que há vinte anos este jornal entrega a pessoas e instituições que, por uma luta, uma superação, uma história de vida, uma causa, melhoram o país. Nós, jornalistas, somos céticos por dever de ofício. Temos que duvidar para começar a entender qualquer matéria. O prêmio Faz Diferença é um saudável exercício de buscar, em cada editoria, o que deu certo, o que é bom, generoso, transformador.

Eliane Cantanhêde - E la nave va

O Estado de S. Paulo

O Centrão e até o PL põem o pé direito no eleitorado e o esquerdo no governo Lula

Com o presidente Lula em Bruxelas e o Congresso e o Judiciário em recesso, pausa para Lula pensar e desenhar a reforma ministerial sem a pressão cara a cara do Centrão ou da votação no dia seguinte da matéria tal ou qual. Agora, é torcer para que ministros do Supremo não digam besteira por aí, ocupem as manchetes e animem o combalido bolsonarismo.

Depois de escolher os dois novos ministros do Centrão e os partidos passíveis de ceder as vagas, como já escrito aqui, Lula avança na dança de cadeiras, com um troca-troca interno, e mexe na aritmética da reforma: em vez de demitir dois ministros, poderá demitir só um, ou melhor, uma.

Bruno Boghossian - Lula cultiva o antibolsonarismo

Folha de S. Paulo

Petista anda com imagem do antecessor no bolso apesar de inelegibilidade do rival

Nas últimas semanas, Lula chamou Jair Bolsonaro de titica, gângster, genocida, golpista, insano e outros insultos. Dias atrás, o petista foi ao congresso da UNE e disse que os quatro anos do antecessor foram uma amostra do fascismo e do nazismo.

Lula anda com a imagem do ex-presidente no bolso. O petista mantém a artilharia contra Bolsonaro em palanques, eventos oficiais e entrevistas. Lança críticas diante de plateias dispostas a fazer coro, como estudantes e integrantes do MST, e tenta salgar terrenos em torno de empresários e governantes estrangeiros.

Bolsonaro está fora das próximas eleições, mas Lula quer preservar o antibolsonarismo como força e medir seus efeitos no próximo ciclo.

A rejeição a Bolsonaro ajudou Lula a alcançar uma maioria em 2022. Derrotar o capitão e barrar o sonho golpista renovaram o fôlego da militância de esquerda, atraíram eleitores distantes do PT e forjaram uma rede ampla de defesa da democracia.

Elio Gaspari - A canetada onipotente e inócua do MEC

O Globo

Ministério da Educação podou os recursos para 202 escolas cívico-militares de 15 Estados, onde estudam cerca de 120 mil jovens

Com uma canetada, o Ministério da Educação podou os recursos para 202 escolas cívico-militares de 15 Estados, onde estudam cerca de 120 mil jovens. No ofício em que comunicou a suspensão da iniciativa aos secretários estaduais, referiu-se a um “processo de avaliação liderado pela equipe da Secretaria de Educação Básica” ao fim do qual “foi deliberado o progressivo encerramento do programa”.

Não se conhecem as conclusões de qualquer avaliação pedagógica dessas escolas, e a Nota Técnica que instruiu a decisão discute genericamente a questão.

A medida, anunciada na última quarta-feira , é a um só tempo onipotente e inócua. Onipotente, porque partiu de burocratas que criam ou matam programas sem maior discussão. Inócua, porque em 48 horas cinco governos estaduais anunciaram que financiarão as escolas com seus recursos.

Celso Rocha de Barros* - Os debates que fizeram a China

Folha de S. Paulo

Livro reconta discussões no início do milagre chinês sobre estratégia em transição para o mercado

A editora Boitempo acaba de publicar um livraço: "Como a China escapou da terapia de choque", de Isabella M. Weber. É uma história dos debates entre os economistas chineses, nos anos 80 do século passado, sobre que estratégia a China adotaria em sua transição para o mercado. Se você quer saber como a China chegou aonde chegou, é leitura obrigatória.

É inevitável comparar o extraordinário sucesso da economia chinesa nas últimas décadas com o colapso da Rússia no mesmo período. Weber parte da ideia, comum na literatura especializada, de que diferenças de estratégia econômica explicam essa diferença de desempenho.

Seu foco está nas políticas de liberação dos preços, que sob o planejamento socialista eram fixados pelo governo. A Rússia adotou a "terapia de choque": liberou todos os preços em um período muito curto. A China adotou um sistema dual em que, por um período maior, conviveram preços controlados e liberados.

Entretanto, como nota a autora no ponto alto do livro, a China quase implementou a terapia de choque ainda nos anos 80. Para reconstruir essa disputa, Weber entrevistou sobreviventes, teve acesso a textos censurados e reconstituiu debates clássicos (e muito bons) do campo socialista. A discussão sobre as posições (e possíveis inconsistências) do economista húngaro Janos Kornai –uma figura importantíssima– é um dos pontos altos do livro.

Vinicius Torres Freire - O programa 'pop' de Lula

Folha de S. Paulo

Presidente dá sinais de impaciência e cobra medidas de efeito popular, várias ineficazes

Faz alguns meses, governo, BC (Banco Central) e bancos dizem conversar sobre o que pode ser feito de taxas de juros, como a do cartão de crédito, em especial do rotativo, de 455,09% ao ano. O governo não pode fazer quase nada, se algo, mas gostaria (a "ala política") de ver um anúncio qualquer a respeito. Bancos discutem um modo de dar um fim ao crédito rotativo no cartão, linha que seria substituída por um parcelamento automático da fatia da dívida que não é paga no mês.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem cobrado mais providências "pop". Não por acaso, na semana que passou jogou no ar a ideia de uma espécie de programa "Mais Geladeiras", desconto de impostos para eletrodomésticos.

Também na semana passada o ministro Márcio França (Portos e Aeroportos) disse a esta Folha que o "Voa Brasil", começa em agosto. Não tem dinheiro do governo e é uma tentativa de vender cadeiras vazias nos aviões comerciais a R$ 200.

Muniz Sodré* - O voo do verme

Folha de S. Paulo

Bolsonarismo sobrevive como comunidade noturna onde não é preciso abrir olhos nem consciência

Aquilo que os analistas políticos têm chamado de "bolsonarismo" não é mero condensado de clichês da extrema direita, mas basicamente uma rede de sinergia onde corpos vulneráveis aglutinam-se por ressentimento, em busca de "outro lado" da política e do social. Na prática, uma coxia de desconchavos que podem variar da fantasia senil de uma senadora de transformar a Ilha de Marajó num principado até a comparação estapafúrdia de professores a traficantes feita por um deputado. Ao olhar sensível, um campo vibratório de fatos negativos.

De fato, o homem, além daquilo que pensa, é igualmente o que vibra. As manifestações ao mesmo tempo sentidas e efusivas no velório do teatrólogo José Celso ilustram claramente como, até mesmo na morte, uma existência plena de criatividade e amor de mundo pode vibrar como "celebração à vida".

Hélio Schwartsman - Poder e progresso

Folha de S. Paulo

Livro mostra que avanços tecnológicos podem virar concentração de renda ou prosperidade compartilhada

Daron Acemoglu, um dos autores do best-seller "Por que Nações Fracassam", volta à carga com mais um livro importante. Trata-se de "Power and Progress" (poder e progresso), desta vez em parceria com Simon Johnson.

Os autores admitem, por óbvio, que avanços científicos e tecnológicos estão na base da era de bem-estar material em que nos encontramos. Hoje, mesmo os mais pobres vivem vidas mais longas, mais saudáveis e com acesso a confortos com que nossos ancestrais de 300 anos atrás nem sequer podiam sonhar. O ponto da dupla é que nem todos os progressos tecnológicos se convertem automaticamente em prosperidade para todos.

Dorrit Harazim - Dois grandes

O Globo

Mundo prestará homenagens a Koudelka, conterrâneo de Kundera que produziu o registro visual definitivo da invasão soviética

Nesta semana o mundo perdeu o escritor Milan Kundera. Nascido na antiga Tchecoslováquia, hoje República Tcheca, ele teve a cidadania e o escrever cancelados em 1979 pelo regime comunista e morreu aos 94 anos naturalizado francês, na Paris que o acolheu. Admirado pelo estilo irônico, refinado e encharcado da melhor literatura secular europeia, Kundera conseguiu manter distância da aclamação instantânea alcançada com “A insustentável leveza do ser”. Foi um dos grandes do século XX. Mas é seu embate decisivo com a censura que aqui merece registro à parte, por trazer embutido um ensinamento universal.

O episódio ocorreu como prólogo da breve “Primavera de Praga” de janeiro de 1968, quando o stalinismo soviético entreabriu uma fresta para um reformista de olhos tristonhos, Alexander Dubcek, ensaiar seu “socialismo de rosto humano”. Kundera era membro dos mais ativos da União dos Escritores checos e participara com contundência de um congresso a favor de maior liberdade de expressão no país. Invocara a literatura como força vital para a própria existência da nação e concluíra seu discurso assim:

— Qualquer interferência com a liberdade de pensamento e da palavra (...) é um escândalo neste século, uma correia a prender nossa literatura justo quando ela tenta dar um passo à frente.

Edison Carlos Fernandes* - Capitalismo do primeiro Adam Smith

O Estado de S. Paulo

Se a experiência do socialismo real não refletiu a teoria de Karl Marx, tampouco o capitalismo real tem refletido a teoria de Smith, que completou 300 anos em 5 de junho

Aquele que é considerado o pai da economia moderna não se apresentava como economista. Ao que parece, esse título já existia à época, mas Adam Smith preferiu deixá-lo para outros estudiosos, referindo-se a si próprio como filósofo moral. Sua apresentação autoriza o entendimento de que seus livros devem ser considerados como uma só e única obra.

Fruto de suas aulas de filosofia moral, Smith legou-nos dois livros: Teoria dos sentimentos morais, buscando identificar a origem da moralidade no indivíduo; e A riqueza das nações, descrevendo o funcionamento dos aglomerados humanos, sob uma perspectiva social. Em ambos, como admirador de Isaac Newton, Smith adotou o método descritivo e indutivo: não havia hipóteses a priori a serem confirmadas ou refutadas; a pesquisa conduziria às conclusões sobre eventual existência de padrões de comportamento individual e social. Por ter focado o estudo nas humanidades, seu método se aproximou da Antropologia e mesmo da Psicologia – cuja consideração faz toda a diferença para interpretar sua teoria.

Almir Pazzianotto* - Poder Constituinte e Poder Legislativo

Correio Braziliense

A oitava Constituição foi elaborada em ambiente de rebeldia e revanchismo. Não havia clima para exame de projeto elaborado por juristas. O presidente José Sarney o tentou, com a nomeação de Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, conhecida como Comissão Afonso Arinos

Nas eleições de 1986, ao votarem em deputados e senadores para composição do Poder de Legislativo, os eleitores ignoravam que seriam investidos de poder para redigir e promulgar nova Constituição. Acreditavam que eram candidatos à Câmara dos Deputados e ao Senado, para legislar à luz da Emenda Constitucional nº 1/1969, considerada a nossa sétima Constituição.

Foi no exercício de prerrogativa concedida pela Emenda Constitucional nº 26, de 17/11/1985, que o presidente José Sarney converteu o Poder Legislativo em Poder Constituinte. Assim o havia feito o presidente Castelo Branco em 7/12/1966, quando, pelo Ato Constitucional nº 4, reuniu o Congresso Nacional extraordinariamente, de 12 de dezembro de 1966 a 24 de janeiro de 1967, para "discussão, votação e aprovação de projeto de Constituição apresentado pelo presidente da República" (Art. 1º).

O presidente Castelo Branco seguia o exemplo deixado pelo presidente interino José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal, sucessor do deposto presidente Getúlio Vargas. O ministro José Linhares, mediante Lei Constitucional editada em 12 de dezembro de 1945, deliberou que os parlamentares eleitos em 2 de dezembro, para a Câmara dos Deputados e para o Senado, se reuniriam no Distrito Federal, "sessenta dias após as eleições, em Assembleia Constituinte, para votar, com poderes ilimitados, a Constituição do Brasil".

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Lula do centrão

Folha de S. Paulo

Aumento da participação do grupo no governo provê moderação, mas enseja riscos

O presidencialismo de coalizão é uma solução de governança em sistema multipartidário para situações em que a chapa eleita para o Executivo não tem maioria no Congresso. No Brasil, elas ocorreram em 100% dos pleitos desde 1989.

Os governantes que navegaram contra essa corrente enfrentaram dificuldades que variaram de contratempos pontuais ao impeachment. Jair Bolsonaro (PL) cometeu esse erro no início da gestão e depois, ameaçado, teve de entregar anéis e dedos ao centrão.

Parece vir desse aglomerado de parlamentares interessados sobretudo na sua sobrevivência regional a novidade política do segundo semestre da administração Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ensaia-se um embarque substancioso do grupo no governo.

Confirmado o deputado Celso Sabino (União Brasil-PA) no Ministério do Turismo, as conversas avançam para abarcar duas grandes legendas que apoiaram Bolsonaro em outubro —Republicanos e o PP de Arthur Lira, presidente da Câmara e pivô do centrão.

Poesia | Carlos Drummond de Andrade - Mundo Grande

 

Música | Caetano Veloso - Ela é Carioca