sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Riscos do uso do Estado para a reeleição: O Globo - Editorial

• Convocar secretários dos ministérios para se empenhar na campanha da presidente é ato de assustador patrimonialismo e de espantosa ousadia, mesmo no PT

Em uma democracia longeva e sólida como a americana, o presidente pode se candidatar à reeleição e manter-se na Casa Branca, sem patrocinar escândalos sobre o uso da máquina do Estado na campanha. Não apenas há uma arraigada cultura de obediência às regras do jogo, como os desvios são punidos sem tergiversações.

O Brasil fez bem ao copiar o modelo americano de dois mandatos consecutivos de quatro anos cada. Na prática, é como se fosse um mandato possível de oito anos, com a chance de interrupção, à vontade do eleitor, passados os quatro primeiros.

Campanha com candidato no Planalto e no Alvorada, porém, tem criado, nos últimos tempos, várias situações em que a oposição recorre à Justiça Eleitoral, com denúncias do uso de prerrogativas do cargo de presidente com fins eleitorais.

Na reeleição de Lula, em 2006, foi notória a antecipação da campanha pelo presidente. O mesmo ocorreu na candidatura de Dilma Rousseff, em 2010, e desvios se repetem em 2014. Registrem-se, por exemplo, discutíveis convocações de rede nacional para pronunciamentos oficiais de suposto interesse geral, mas que eram, na verdade, atos de cunho eleitoral.

O chamado “efeito Marina”, deflagrado com a morte de Eduardo Campos e a passagem para a cabeça da chapa do PSB da idealizadora da Rede, abala, como era previsível, as candidaturas de Dilma e Aécio Neves. Cada um deles terá de reagir à ameaça representada por Marina Silva, por óbvio. O perigo está na forma como a candidata à reeleição e seu partido, o PT, tratarão de combater a candidata do PSB. E as primeiras notícias sobre movimentações na campanha petista são preocupantes.

Logo na noite do primeiro debate, na Bandeirantes, terça-feira, já conhecida a pesquisa do Ibope em que o destaque foi Marina, a coordenação da campanha de Dilma fez a descabida convocação de uma reunião com secretários executivos e secretários nacionais dos ministérios, para pedir-lhes empenho no apoio ao projeto da reeleição.

Há, nisso, um gritante desvio de função, o indiscutível uso de funções públicas no trabalho privado a favor de uma campanha política. Não importa se da presidente da República. Ela é tão candidata quanto todos, e nenhum pode ter privilégios.

O encontro foi conduzido por Cezar Alvarez, responsável pela articulação da campanha com estados e municípios, e dele participou até o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência.

Os secretários em geral tocam o cotidiano dos ministérios. Convertê-los em cabos eleitorais é transferir parte da máquina pública para o palanque de Dilma, estridente crime eleitoral e ato de assustador patrimonialismo.

É conhecida a prática aparelhista do PT, a sua capacidade de se infiltrar no Estado. Mas esta manobra, embora não surpreenda, é de espantosa ousadia.

Petrobrás na campanha:O Estado de S. Paulo - Editorial

Dilma Rousseff, candidata à reeleição, anda reclamando de "ataques" à Petrobrás. "Eu acho extremamente equivocado colocar a maior empresa da América Latina, sempre durante a eleição, como arma política", afirmou recentemente. Para ela, a instituição "está acima" de escândalos. Mas não é a oposição ou a imprensa que ataca a Petrobrás, como quer dar a entender a candidata à reeleição. O ataque à maior estatal brasileira está continuamente vindo do próprio governo, ao envolver a Petrobrás em "erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção", conforme listagem da própria candidata.

O episódio mais recente, que fez Dilma voltar ao tema, é a possibilidade de o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso por suspeita de corrupção, utilizar o recurso da delação premiada: falar o que sabe em troca de diminuição da pena. Atualmente, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, investiga 13 empresas ligadas a Costa que, segundo a Procuradoria da República, obtiveram "vertiginoso acréscimo patrimonial" na época em que ele foi diretor da Petrobrás.

Nas palavras da candidata, "a Petrobrás é muito maior do que qualquer agente dela, seja diretor ou não, que cometa equívocos (...) isso não significa uma condenação da empresa. Não se pode confundir as pessoas com as instituições". Não se está fazendo essa confusão nem condenando a Petrobrás. O País quer é responsabilizar pessoas pelos "erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção" que possam ter cometido.

Se houve confusão entre pessoas e instituições, foi a própria candidata quem a fez. Em seu característico estilo, Dilma pontificou: "Veja bem, ó: a Graça Foster e a diretoria inteira da Petrobrás representam a União. (...) É de todo interesse da União defender a Petrobrás, a diretoria da Petrobrás". Aqui, se tratava de outro escândalo - Dilma e sua turma têm sido pródigas em proporcionar escândalos envolvendo a estatal -, quando se revelou que Graça Foster havia transferido imóveis para os filhos em meio à crise sobre a Refinaria de Pasadena. Neste caso, a candidata à reeleição tinha todo interesse eleitoral em que a estrutura do Estado - o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União - fosse utilizada para agir em favor de diretores cuja atuação na Petrobrás está sendo estudada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Quando lhe interessa calar, Dilma utiliza o cargo de presidente da República como motivo para silenciar. "Eu não tenho o que comentar sobre a decisão de uma pessoa presa fazer ou não delação premiada, isso não é objeto do interesse da Presidência da República." Mas ela se adiantou na defesa de Graça Foster, quando esta corria o risco de ter seus bens bloqueados pelo TCU. A candidata disse que seria um "absurdo" o bloqueio dos bens da presidente da Petrobrás. Absurdo seria o País ter de engolir inerme uma operação que, segundo o TCU, gerou prejuízo de R$ 792,3 milhões à estatal.

A candidata Dilma não faz reparos a que a Petrobrás esteja presente na campanha eleitoral. Em 2010, ela utilizou largamente a estatal e a descoberta do pré-sal como matéria política. O que ela não gosta - como se vê pelas suas falas - é que informação independente sobre a Petrobrás, sem os filtros do governo, chegue ao público nesse momento pré-eleitoral. Mas isso, longe de ser um ataque contra a Petrobrás, é a sua mais genuína defesa, especialmente quando aqueles que deveriam fazê-lo não o fazem.

Não é a Petrobrás, mas o governo que está sendo julgado, o que é legítimo - e desejável - numa democracia. As eleições devem ser uma prestação de contas sobre o que foi feito e como foi feito pelo governo. E ninguém mais do que Dilma pôs a Petrobrás nessas eleições ao reconhecer, em março, que a sua decisão de aprovar a compra da Refinaria de Pasadena tinha como base um parecer "técnica e juridicamente falho". Ela mesma, com suas ações e palavras, desconstruiu a imagem eleitoreira de que seria uma eficiente gestora. Por isso, a Petrobrás - e seus sempre prejudicados acionistas minoritários - tem todo o interesse em estar nas eleições. É sua chance de conseguir outros gestores.

Eduardo Giannetti: Imbróglio fiscal

- Folha de S. Paulo

Impossível ler a recente declaração do ministro Guido Mantega ao "Valor" (22/8) --"as nossas contas públicas estão absolutamente organizadas"-- e não lembrar do que os ingleses definem como a primeira lei do jornalismo: "não acredite em nada até que tenha sido oficialmente negado".

O que já era ruim está se tornando ainda pior. Além dos problemas de execução da política fiscal, com resultados cada vez mais distantes das metas definidas pelo próprio governo, há fortes indícios de que o repertório de truques e malabarismos contábeis vem se ampliando perigosamente nos últimos meses.

No início do ano, o governo anunciou com estardalhaço que aumentaria o esforço fiscal. O compromisso era produzir um superávit primário de 1,9% do PIB ou R$ 80,8 bilhões em 2014. Seria um resultado digno de respeito, tendo vista tratar-se de um ano eleitoral em que a pressão sobre os gastos tende a crescer.

O resultado do primeiro semestre, contudo, torna praticamente nula a probabilidade de que a meta seja cumprida. Premido pela queda de arrecadação causada pelo retração da economia e pela pletora de desonerações e subsídios espalhados a esmo nos últimos anos, o saldo primário fechou o semestre em R$ 17,4 bilhões. O resultado estrutural --que exclui do cálculo os efeitos do ciclo e das receitas e despesas não recorrentes-- deve terminar o ano próximo de 0% do PIB.

O aspecto mais preocupante, entretanto, são os indícios de que ao invés de abandonar o recurso à "contabilidade criativa", como chegou a anunciar, o governo vem de fato se enredando ainda mais em práticas de disfarce e manipulação dos números.

Além dos "restos a pagar", subsídios ocultos, operações casadas com estatais e atrasos em repasses aos entes federativos, a novidade agora é o uso dos bancos oficiais como financiadores do Tesouro.

O expediente foi revelado por fiscais do Banco Central e consiste na prática de servir-se da Caixa e do Banco do Brasil a fim de efetuar pagamentos a descoberto de obrigações do Tesouro junto a beneficiários de programas sociais e produtores rurais, entre outros. Nos balanços do primeiro semestre, o saldo negativo do "cheque especial" do governo era de R$ 3,9 bilhões na Caixa e R$ 9,8 bilhões no BB.

Além de violar a Lei de Responsabilidade Fiscal, que proíbe esse tipo de operação, o expediente causa enorme prejuízo aos bancos estatais e nos aproxima mais alguns passos de perder a condição de "grau de investimento".

Como um alcoólatra que jura largar o vício, mas sucumbe a cada nova tentação que se oferece, o governo Dilma repete a sina da oração do jovem Santo Agostinho: "Dai-me, Senhor, a temperança e a virtude, mas não já".

Claudia Safatle: BC não se precipitará nos juros e no câmbio

• Aumento dos juros nos EUA pode vir antes do previsto

Valor Econômico

A política monetária está no ponto certo para o Brasil enfrentar os efeitos do aumento dos juros americanos, no ano que vem; e o programa de "swap cambial", previsto para vigorar até 31 de dezembro, durará o tempo que for necessário para que o mercado de câmbio encontre as "condições ideais". O Banco Central trabalha, hoje, com essas premissas na administração de dois importantes preços da economia - os juros e o câmbio - e sugere que elas independem do calendário eleitoral doméstico.

Avalia, também, que a normalização da política monetária nos Estados Unidos - e o consequente aumento dos juros - pode ocorrer antes do segundo semestre de 2015. Os efeitos de uma elevação da taxa de juros americana sobre o Brasil tendem a ser neutralizados, mas pouco, por um novo estímulo na zona do euro, como acenou Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), no simpósio de Jackson Hole há uma semana. A resistência da Alemanha a um "quantitative easing" adicional, porém, não foi vencida.

A economia americana prossegue avançando na recuperação, a Europa patina, o Japão decepciona e a China, com crescimento estável na casa dos 7,5%, saiu do primeiro plano.

A retomada da atividade econômica nos EUA é uma realidade. Os dados do mercado de trabalho ainda sustentam os argumentos do Federal Reserve Bank (Fed), mas estão melhorando em todos os seus ângulos. Isso leva a autoridade monetária brasileira a considerar que o aumento dos juros, lá, pode ser antecipado. E uma eventual redução da Selic, aqui, não deve ser precipitada.

A presidente do Fed, Janet Yellen, no encontro de Jackson Hole, disse que apesar dos sinais indicarem recuperação, faltam provas concretas de uma retomada efetiva do mercado de trabalho. Economistas do BC procuram esmiuçar os argumentos de Yellen, mediante análise detalhada das informações do mercado de trabalho americano.

A meta de redução do desemprego para 6,5% foi alcançada e hoje a taxa é de 6,2%. Isso, porém, não seria suficiente para dar conforto ao Fed, porque continua elevado o desemprego de longo prazo, que mede o número de trabalhadores sem emprego há mais de seis meses. Essa taxa era de 45% em 2011 e caiu para 32,8% este ano. O emprego temporário - quem procura trabalho em período integral mas só consegue de meio período - está elevado, mas também em queda. A taxa de participação, que saiu de 67% em 2011 para 62,9% este ano, responde por parte da queda do desemprego.

A presidente do Fed adicionou novo conceito na questão do trabalho, relativo a uma deflação reprimida dos salários. Quando do ajuste por causa da crise de 2008-2009, empregos foram destruídos, mas os salários não tiveram queda. Por isso, indicou ela, mesmo com um mercado de trabalho mais forte agora não deve haver aumento dos salários.

"Com a política monetária apertada e a manutenção do programa de leilão de swap cambial, quem ocupar a cadeira do BC (no novo governo) poderá ficar tranquilo", comentou uma graduada fonte do governo. Embora a última versão do programa tenha previsto o fim dos leilões para 31 de dezembro, a intenção do BC é continuar ofertando hedge. Com isso o Brasil estaria em boas condições para atravessar o processo de normalização das condições monetárias nos EUA

O mercado reclama que o BC está indo longe demais na intervenção do câmbio. O BC não concorda e diz que quando lançou o programa, em agosto de 2013, pensava fazer leilões de swap no valor de US$ 100 bilhões até dezembro do ano passado, cifra que não foi atingida até agora, passados oito meses de 2014.

Não concorda, também, com a ideia de que está segurando o câmbio e que, mais cedo ou mais tarde, haverá desvalorização. Entre junho de 2011, quando do dólar era cotado a R$ 1,55 e hoje, com cotação de R$ 2,24, a desvalorização é de 40% em termos nominais, para uma inflação acumulada no período de 19%. Portanto, houve desvalorização de cerca de 20%, alega. A volatilidade, sim, caiu em relação ao passado, mas não está menor do que no Chile, México, Turquia, dentre outros emergentes.

O avanço da candidatura de Marina Silva, do PSB, nas pesquisas de intenção de voto abriu nova e tardia discussão no núcleo da campanha da presidente Dilma Rousseff, sobre a necessidade de ela dar um sinal de que é a candidata mais segura para o setor privado e não uma "aventura". No Palácio do Planalto, admite-se que há quem defenda tal movimento, mas não que ele será acatado por Dilma.

Mesmo os que acham que é preciso passar ao mercado financeiro e aos agentes econômicos em geral - hoje entusiasmados com a possibilidade da derrota de Dilma - uma mensagem amigável para um eventual segundo mandato, não consegue definir que sinal seria esse a essa altura do campeonato. Sabe-se só o que deve ser descartado. Nesse rol estaria algo como a Carta aos Brasileiros, de Lula. Em meados de 2002, e em meio a fortes turbulências movidas por medo de um governo do PT, Lula escreveu a carta comprometendo-se a respeitar contratos e a manter a estabilidade econômica. Com maior ou menor ênfase, Lula cumpriu os termos da carta e conquistou a confiança do mercado.

Houve, ao longo dos três anos e meio de mandato, várias oportunidades de dar uma "virada" no governo Dilma, na direção que o setor privado gostaria: cumprimento dos compromissos fiscais, controle inequívoco da inflação e respeito ao sistema de preços.

Sob o incentivo de Lula, ela cogitou fazer mudanças de nomes na condução da política econômica em 2013, mas recuou. Afinal, Dilma é quem dá os rumos na economia, e trocar pessoas da sua total confiança seria uma "intervenção" indevida no seu governo.

Agora, preparada para enfrentar Aécio Neves, do PSDB, no debate eleitoral, a presidente tem que refazer seu discurso para se distinguir de Marina. "O mercado não elege ninguém, mas é mais difícil eleger alguém contra o mercado", disse um experiente dirigente de um grande banco.

Rogério Furquim Werneck: Lula e o segundo mandato de Dilma

• O que se viu no primeiro governo do ex-presidente foi a manutenção da política macroeconômica que vinha sendo adotada

- O Globo

No primeiro programa de propaganda eleitoral do PT, há uma parte em que Lula reconhece tacitamente que Dilma tem pouco a mostrar. E tenta convencer o eleitor a lhe dar outra chance: “...Eu quero falar especialmente para você, que está em dúvida se deve votar ou não na Dilma. Eu lhe peço, vote sem nenhum receio. Fique certo de que você não vai se arrepender.”

O que desperta interesse é a argumentação utilizada. Lula começa por alegar: “O meu segundo mandato foi melhor do que o primeiro. Com Dilma, tenho certeza de que vai ser assim também. No meu segundo mandato, eu tive mais segurança, mais experiência e mais apoio para acelerar projetos que estavam em andamento e para lançar muita coisa nova.”. E, em seguida, pergunta: “Já imaginou o prejuízo que o país teria sofrido se eu não tivesse um segundo mandato? Se outro qualquer tivesse chegado querendo inventar a roda e parado quase tudo?”

Chama a atenção que, a essa altura dos acontecimentos, Lula ainda queira fazer crer que seu segundo mandato foi melhor do que o primeiro. Do ponto de vista do desempenho da política econômica, o primeiro mandato de Lula foi muito melhor do que o segundo.

Superadas as tensões da metamorfose por que teve de passar o PT na campanha eleitoral de 2002, o que se viu no primeiro governo de Lula foi a manutenção da política macroeconômica que vinha sendo adotada no governo anterior. Decisão sábia que propiciou rápida colheita de bons resultados. A partir de 2004, a economia, ajudada pelo boom de preços de commodities, passou a apresentar crescimento relativamente rápido, inflação baixa e contas externas sólidas.

Mas é compreensível que Lula não guarde boas lembranças do seu primeiro mandato. Tendo enfrentado com sucesso o desafio da política econômica, seu governo se viu às voltas com dificuldades de outra ordem, na esteira da eclosão do escândalo do mensalão, em 2005. Em meio ao turbilhão que se formou, Lula chegou a temer que, mesmo que conseguisse evitar um impeachment, sua reeleição estivesse comprometida.

Não foi o que, afinal, se viu. A crise acabou superada e, graças ao bom desempenho da economia e aos programas de redistribuição de renda, Lula conseguiu seu segundo mandato. E pôde respirar aliviado. Mas o novo governo já não era o do primeiro mandato. Ironicamente, da perspectiva da política econômica, o Lula que foi reeleito era muito diferente do de 2003. Foi ele mesmo quem “quis inventar a roda” e “parar quase tudo”.

A verdade é que, desde o mensalão, a correlação de forças dentro do governo havia mudado. A insegurança de Lula, o descabeçamento do PT e a ascensão de Dilma Rousseff à Casa Civil redundaram em crescente cerceamento do poder do ministro Antonio Palocci, como ficou mais do que claro no emblemático embate entre a Fazenda e Casa Civil, no segundo semestre de 2005, quando a proposta de ajuste fiscal de longo prazo foi torpedeada. O afastamento de Palocci e sua substituição por uma figura inexpressiva, em abril de 2006, abriram espaço para crescente preponderância da Casa Civil na condução da política econômica no segundo mandato.

O resto da história é bem conhecido. A política econômica passou a ter outra orientação. As mudanças, de início mais discretas, logo se tornaram mais ostensivas, quando o agravamento da crise mundial proporcionou o pretexto que faltava para o abandono dos princípios que haviam pautado a política econômica do primeiro mandato. O rumo passou a ser ditado pela “nova matriz econômica”, custosa pajelança voluntarista, engendrada no segundo mandato de Lula, cujas consequências funestas vêm sendo agora observadas com riqueza de detalhes nesse patético apagar das luzes do governo Dilma.

Lula pode até ter preferido seu segundo mandato, mas foi exatamente nesse período que a política econômica petista começou a descarrilar. O que o país tem presenciado, desde então, é o inexorável desenrolar do desastre, como num grande acidente ferroviário filmado em câmara lenta.

E Lula ainda acha que Dilma merece outra chance.

Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• PT avalia que nem Lula evitaria vitória de Marina
Os “lulistas” do Partido os Trabalhadores já não falam em substituir a candidata Dilma Rousseff pelo ex-presidente Lula, e por ordem dele. É que pesquisa interna, à qual tiveram acesso apenas quatro petistas ilustres, indica que a ascensão de Marina Silva (PSB) é de tal maneira avassaladora que nem mesmo Lula conseguiria evitar sua vitória. Análises internas citam até a hipótese de Marina vencer no 1º turno.

• Rosa dos ventos
A advertência dos analistas do PT é: Marina pode passar à frente e, com o “voto útil” de eleitores de Aécio, vencer no 1º turno.

• Te cuida, Marina
A ordem de Lula é proclamar confiança em Dilma, dizer que Marina é só “uma onda” e preparar a artilharia. Estão vasculhando a vida dela.

• Cegos em tiroteio
A candidatura de Marina Silva desnorteou os marqueteiros do PT e do PSDB. Rigorosamente, eles não sabem o que fazer.

• Peladão no Rio
Neste sábado, Aécio Neves vai participar de um “peladão” no campo do Zico, no Rio, ao lado de craques que marcaram época no futebol.

• Polícia Federal registra 15º suicídio de policial
Esta semana foi registrado o 15º suicídio de um policial federal nos últimos dois anos, segundo fontes da própria corporação. José Roberto Correia de Araújo, de Londrina (PR), foi o terceiro caso somente nos últimos cinco meses. Segundo sindicalistas, “o comportamento da direção da PF tem provocado e agravado diversos problemas entre os policiais”, incluindo problemas psicológicos e psiquiátricos.

• Problemas
Pesquisa da Federação Nacional da PF em 2013 mostrou que 30% dos policiais já se submeteram a algum tipo de tratamento psicológico.

• Universo pequeno
Polícia Federal conta, em todo o País, com apenas 13 mil homens entre delegados, agentes, escrivães, papiloscopistas etc.

• É insuficiente
Para quase 9 mil quilômetros de litoral, a PF dispõe de cerca de 150 homens. Na fronteira terrestre, o contingente não chega a 1.500.

• O que é ruim, esconde
O site de Dilma usa dados do Ibope para dizer que ela segue “firme e forte”, mas não menciona a queda de 4 pontos ou o índice de rejeição da petista (36%), tampouco ao favoritismo de Marina no 2º turno.

• Sujeira sob o tapete
A pedido de Antônio Oliveira Santos, presidente da CNC, o chefão do Sesc reuniu 74 conselheiros no Rio e os orientou a rejeitar recursos do adversário Orlando Diniz contra a chapa da situação, na eleição da entidade. Também discutiram como reverter estragos do afastamento, pela Justiça, do presidente da Fecomércio-MG, aliado de Santos.

• Mão na taça
Durante reunião quarta à noite, a cúpula do Senado analisou o quadro eleitoral nos estados. No DF, a conclusão foi a de que o candidato a governador Rodrigo Rollemberg (PSB) “está com a mão na taça”.

• Tempos amargos
Marina Silva lançou luz, ontem, na tragédia do setor sucroalcooleiro. Responsabilizou o governo pelo fechamento de 70 usinas e por outras 40 em recuperação judicial, com milhares de desempregados.

• ‘Marinar’, a saída
Com Aécio Neves em baixa, velha raposa do PMDB ligou para o amigo Romero Jucá (PMDB-RR). “Você não precisava ter declarado voto para Aécio, bastava não apoiar Dilma”. E aconselhou: “É hora de marinar…”.

• Projeto aguado
Parecia briga da dupla sertaneja Rio Negro e Solimões, mas não é: o STF vai julgar o conflito entre o Estado do Amazonas, que autorizou um porto próximo ao encontro dos dois rios, e o Iphan, que meteu o bedelho e vetou o projeto, considerando a área “monumento natural”.

• Banco de memória
O banco Itaú de Neca Setúbal, “colaboradora” de Marina Silva, ameaça ir às últimas instâncias para não pagar indenização de R$ 6 mil a ex-cliente que, morando no exterior, teve o nome injustamente negativado.

• Candidato dos milagres
Faltou bom senso, no mínimo, à coordenação de campanha de Magela (PT-DF) ao Senado na edição do último programa eleitoral: um casal de cadeirantes diz que “pulou de alegria” com os feitos do candidato.

• Pergunta no palanque
Já que faz tanta questão de ser chamada de presidenta, seu novo slogan não deveria ser “Dilma, coração valenta”?

Panorama Político :: Ilimar Franco

- O Globo

Jogaram a toalha
Os estrategistas da campanha do PSDB entregaram os pontos. Os da presidente Dilma ainda têm um fio de esperança. Os especialistas em pesquisas consideram que Marina Silva está a um passo do Planalto. Explicam que Marina encarna o sentimento de junho de 2013, contra tudo que está aí. E que sua onda é consistente. Lembram que em 2010 ela se formou a uma semana do pleito. Agora, rebentou 40 dias antes.

O teto de Dilma e o piso de Aécio
A análise das pesquisas realizadas até aqui leva cientistas políticos a concluir que a presidente Dilma tem teto: 40%. Os atuais 34% são seu núcleo duro. Pesam contra ela: o cansaço com os 12 anos de PT, escândalos como o da Petrobras e o seu jeito de poucos amigos. Os dados mostram também que Aécio Neves não parou de cair. O PSDB tem informes, de pesquisas estaduais, que reforçam essa projeção. Isso ocorre, diz um analista, porque a rejeição ao PT é forte, mas há também um sentimento contra o PSDB. Por isso, Aécio não convencia como sujeito da mudança. Essa qualidade foi incorporada por Marina, que ainda tem a vantagem de ser muito conhecida.
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"A eleição estava fria, sem emoção. As pessoas vibram com Marina. Elas sentem prazer em votar. Gente que não estava nem aí agora vai às urnas".
Um cientista político,
especialista em pesquisas qualitativas e de intenção de voto
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No gogó
Os petistas creem em uma vitória no segundo turno. Eles dizem que Marina Silva (PSB) não tem propostas concretas para enfrentar os dramas do país. Com a palavra um petista: "Como é que ela vai sustentar 25 minutos de propaganda na TV?".

Enquadramento
O candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias, já sabe que o partido não engole vê-lo pedindo votos ao lado de Marina Silva. Um dos mais próximos interlocutores de Marina explica: "Ele está com a Dilma. Nós somos contra palanques duplos". Políticos de vários partidos e estados querem se fantasiar de Marina para melhorar suas situações.

Ancorada em São Paulo
Integrante da direção do PT está impressionado com a força de Marina em São Paulo. A projeção do partido é a de que a presidente Dilma chegará aos 30%. No Ibope, ela tem 23%. Esta é a primeira eleição em que não há um presidenciável de SP.

Rogai por nós
A campanha da presidente Dilma vai investir nos evangélicos, em sua maioria com Marina Silva. O presidente do PRB, Marcos Pereira, da Universal, afirmou no Planalto que não agrada o discurso de que a providência divina a salvou do acidente que matou Eduardo Campos. O tom messiânico desagradaria, porque ela não é Deus, nem Jesus.

Vacinada
Os marineiros acreditam que a firmeza de Marina Silva na entrevista para o "Jornal Nacional", da TV Globo, e no debate da Band desconstruiu a imagem anterior de fragilidade. O objetivo foi demonstrar que ela tem pulso para governar.

Defesa integrada
O Brasil irá aderir à Cruz del Sur, uma missão de defesa da ONU para a América do Sul. Já fazem parte Argentina e Chile. A missão atua em ações humanitárias e eventuais necessidades de defesa. O Brasil irá contribuir com cerca de 350 homens.

O ex-ministro Ciro Gomes (PROS) costuma classificar os defensores do meio ambiente como fração verde e "clorofilática" da sociedade.

Painel :: Bernardo Mello Franco

- Folha de S. Paulo

Apelo ao "mundo real"
As campanhas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) definiram uma estratégia comum para combater o discurso da "nova política" de Marina Silva (PSB). Os dois passarão a apresentar mais projetos ligados a problemas do dia a dia do eleitor. Os tucanos apostam que a ênfase em promessas para saúde, educação e segurança vai "trazer Marina para o mundo real" e evidenciar fragilidades em sua candidatura. "Não dá mais para discutir providência divina", diz um aliado de Aécio.

Eu prometo Como parte da tática do "mundo real", o candidato do PSDB dedicou boa parte do horário eleitoral de ontem à proposta de criar a Poupança Jovem. Dilma anunciou o programa Mais Especialidades na saúde.

O voto de Fidel O PT levou ao ar dois médicos cubanos para promover o programa Mais Médicos. O Código Eleitoral proíbe estrangeiros de participar de "atividades partidárias, inclusive comícios e atos de propaganda".

E depois? Na reunião com presidentes de partidos aliados, anteontem, a presidente havia sido cobrada para apresentar mais propostas e fazer menos balanço do que já fez.

Ecocapitalismo Dilma disse no encontro que Marina deu uma guinada à direita ao propor a autonomia do Banco Central. "Se o Aécio defendesse isso, até o Serra reagiria contra", provocou.

Piscadinha A petista contou que, no debate da Band, Aécio olhava para ela a cada alfinetada que ele dava em Marina. "Ele estava torcendo para eu fazer o mesmo".

Nós contra eles A campanha petista tentará tachar a ex-senadora de "via alternativa da oposição" para evitar que ela continue a crescer entre quem gosta do PT.

Bomba no palácio Durante a conversa no Alvorada, Dilma devorou salgadinhos de queijo e de camarão e uma bomba de chocolate.

Alto lá Comunicado de uma consultoria que circula no mercado financeiro já aponta 60% de chances de vitória de Marina na eleição presidencial. O texto, no entanto, alerta que um governo da ex-senadora tenderia a "frustrar" muitos setores.

Realpolitik Os analistas dizem que ela é pouco clara em seus projetos e defende propostas "incompatíveis no curto prazo": "Marina sinceramente quer construir um Brasil diferente, mas as forças ao seu redor talvez sejam mais persistentes do que ela pode imaginar".

Eu prometo O programa de governo de Marina, que será apresentado hoje, vai propor a criação do "Código de Defesa do Cidadão". A promessa é estabelecer critérios de "transparência, agilidade e eficiência" dos serviços prestados pelo Estado.

Veja bem O ex-governador Alberto Goldman (PSDB) diz que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) segue engajado na campanha de Aécio. Eles estiveram juntos ontem e voltarão a se encontrar hoje.

Tá tranquilo Goldman diz acreditar que Aécio ainda tem tempo para alcançar Marina: "Cinco semanas são uma eternidade. Não há nenhum sinal de desespero".

Chororô Luciana Genro (PSOL), que reclamou da falta de perguntas, não foi a única insatisfeita com o debate da Band. Ontem o nanico Eymael (PSDC) protestou na TV por não ter sido convidado.

Qué se siente A juventude do PT do Rio adaptou o canto dos argentinos na Copa do Mundo, que dizia que Maradona é "más grande" que Pelé, para defender Dilma: "Eu construo o projeto / projeto socialista e popular", diz a versão petista da letra.
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Tiroteio
"A campanha eleitoral produz cenas de desespero. Até gente que nunca acordou cedo aparece madrugando em canteiro de obra."
DE JOÃO CARLOS GONÇALVES, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, sobre visita de Aécio Neves (PSDB) às obras de um condomínio em São Paulo.
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Contraponto
O dia em que Serra caiu da cama
A presença do notívago José Serra no ato de Aécio Neves (PSDB) com operários marcado para as 6h30 de ontem surpreendeu o presidenciável Aécio Neves (PSDB).
--Isso é inacreditável... Hoje é um dia histórico! --festejou Aécio ao avistar o aliado, repetindo uma piada feita há algumas semanas pelo governador Geraldo Alckmin.
Com cara de sono, Serra subiu ao carro de som e prometeu "falar muito rápido" por três motivos. Primeiro: os trabalhadores tinham pressa. Segundo: estava frio.
--E esse caminhão aqui, ou eu estou tonto ou ele está balançando... --concluiu o candidato ao Senado.

Gilvan Chaves: Pregões do Recife

Joaquim Cardozo: Tarde no Recife

Tarde no Recife.
Da ponta Maurício o céu e a cidade.
Fachada verde do Café Máxime.
Cais do Abacaxi. Gameleiras.
Da torre do Telégrafo Ótico
A voz colorida das bandeiras anuncia
Que vapores entraram no horizonte.

Tanta gente apressada, tanta mulher bonita.
A tagarelice dos bondes e dos automóveis.
Um carreto gritando — alerta!
Algazarra, Seis horas. Os sinos.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem
[dos fidalgos holandeses.
Que assistem agora ao mar, inerte das ruas tumultuosas,
Que assistirão mais tarde à passagem de aviões para as costas
[do Pacífico.
Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
E da beleza católica do rio.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Opinião do dia: Marina Silva

“Uma das coisas mais importantes para que a gente possa resolver os problemas é reconhecer que existem. Quando a gente não reconhece, não passa esperança para a população de que serão enfrentados à altura. Esse Brasil colorido, quase cinematográfico que Dilma mostrou, não existe na vida das pessoas. A gente continua parado no trânsito, a reforma política virou troca de ministros em troca de apoio e tempo de televisão.”

Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, no debate da TV Bandeirante, São Paulo, 26 de agosto de 2014.

Aliados pedem a Dilma mais presença na rua para barrar ascensão de Marina

• Estratégia da campanha petista é colocada em xeque por aliados peemedebistas e por parte do próprio partido

Ricardo Galhardo, Vera Rosa, Tânia Monteiro, Ricardo Della Coletta e Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

Depois de a pesquisa Ibope/Estado/TV Globo apontar a possibilidade de vitória da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, no 2.º turno contra a presidente Dilma Rousseff, o comitê pela reeleição passou a ser alvo de pressões por mudanças. Diante do crescimento da ex-ministra do Meio Ambiente, aliados da presidente e dirigentes do PT cobram uma campanha com mais viagens pelo País e atividades de rua, além de mudanças no conteúdo dos programas eleitorais na TV.

O conselho político da campanha, formado por partidos que apoiam a reeleição, se reuniu ontem com Dilma para avaliar as mudanças no quadro eleitoral. Os aliados chegaram ao Palácio da Alvorada dispostos a pressioná-la a abrir um confronto direto com Marina e a direcionar a campanha com mais propostas para o futuro, em vez do tom atual, focado mais na comparação da era petista com a era de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

De acordo com um peemedebista, o publicitário João Santana deveria aproveitar o "latifúndio de tempo na TV" e deixar parte do programa para apresentar propostas para o futuro e não apenas fazer a comparação com o governo tucano.

Aliados e petistas também defendem que Dilma parta para o ataque contra a campanha do PSB, explorando as suspeitas de irregularidades na compra do avião Cessna que caiu no dia 13, matando Eduardo Campos e seis integrantes de sua equipe.

Petistas chegaram a sugerir ontem, nas redes sociais, que o partido recorra à Justiça Eleitoral e peça punições pelo suposto uso irregular do avião. A possibilidade de embate direto com Marina, por enquanto, é descartada pela campanha e a ordem é terceirizar os ataques.

Para o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, Marina "bateu no teto" e Aécio acabará ajudando o PT ao mostrar as "contradições" da ex-ministra.

"Aécio está na mesma situação que o Fernando Haddad em São Paulo, em 2012", lembrou Marinho, numa referência às dificuldades enfrentadas pelo então candidato do PT à Prefeitura de São Paulo para chegar ao 2.º turno. "Se o PSDB não desconstruir a Marina, vai ficar de fora."

Partidos aliados, entre eles o próprio PT, também querem que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajem mais aos Estados e se dediquem a atividades de rua. "O que falta é Dilma e Lula irem mais para a rua. Não é no gabinete que se ganha eleição", cobrou o deputado José Guimarães (PT-CE), vice-presidente nacional do PT.

Em reuniões com coordenadores da campanha, ontem, Lula confirmou viagens a Pernambuco e Bahia na próxima semana, enquanto Dilma prepara agendas em São Paulo.

Material. Cerca de 8 milhões de jornais com as "realizações" do governo Dilma, como Mais Médicos, Educação Infantil e Minha Casa Minha Vida, serão distribuídos pelos Correios, nos próximos dias, nas 76 cidades do Estado de São Paulo com mais de 70 mil eleitores, que representam 74% dos votantes.

Nas redes sociais, petistas promoverão uma "guerrilha virtual" para dizer que apoiadores de Marina defendem arrocho salarial quando falam em crescimento econômico e juros mais baixos.
O PT também lançará dúvidas sobre a capacidade gerencial de Marina. "Nós temos muito o que mostrar e nada a esconder", afirmou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. "Nossas propostas são as mais consistentes e viáveis para o País."

O programa eleitoral de Dilma na TV sofrerá ajustes e não mais focará na polarização com o candidato do PSDB, Aécio Neves, hoje inexistente. Além disso, aliados pediram maior presença de Lula nas viagens de campanha, de preferência acompanhando Dilma. A orientação também é para que internautas mostrem que Marina não só "não é o que as pessoas pensam" como defende "medidas amargas" para o Brasil na política macroeconômica, a exemplo de Aécio.

Em entrevista, no Palácio da Alvorada, a presidente disse ontem que a reunião seria “muito mais colaborativa do que de cobrança, uma reunião em que se constrói as estratégias, os caminhos”. Dilma não quis responder, no entanto, se e quando passará a atacar Marina. Anteontem, no debate, Dilma evitou ataques diretos à candidata do PSB.

‘Efeito Marina’: equipes de ministérios são chamadas a atuar para Dilma

• Coordenação da candidata à reeleição orienta secretários a defender governo

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA — No momento em que a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, disparou nas pesquisas de intenção de voto, a coordenação da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião, na noite de terça-feira, com os secretários-executivos e secretários nacionais dos ministérios para pedir empenho na disputa por um segundo mandato. Segundo participantes, o tom do encontro foi o de que quem está dentro da máquina administrativa tem mais condições de fazer o enfrentamento político, por ter mais argumentos. A orientação, de acordo com pessoas presentes, foi manter o debate propositivo, defender o governo, ocupar espaço e rebater críticas.

Estratégia é não bater
A reunião foi conduzida por Cezar Alvarez, que faz a articulação da campanha com estados e municípios, e por Alessandro Teixeira, coordenador de programa de governo. Entre os presentes, de acordo com participantes da reunião, estavam o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland; o subchefe de articulação da Casa Civil, Luís Antônio Padilha; e o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas. O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência da República) participou de parte do encontro.

Há uma preocupação na coordenação da campanha, na cúpula do PT e no Palácio do Planalto de evitar um clima de derrotismo com o crescimento vertiginoso de Marina Silva. A aposta é na desconstrução da imagem da ex-senadora a partir de agora.

— Nada de pânico com pesquisas neste momento. Temos que esperar a evolução do quadro. Ainda faltam 40 dias para a eleição — disse um auxiliar da presidente.

Apesar de apostar na desconstrução da imagem de Marina, a equipe de Dilma resiste em atacar a ex-senadora e, pelo menos por enquanto, pretende insistir em uma campanha propositiva, focando nas realizações do governo:

— Não é eficaz bater. Vamos fazer discussão de conteúdo, sem bater — disse uma pessoa próxima a Dilma.

Assessores de Dilma foram surpreendidos com o resultado da pesquisa Ibope divulgada anteontem. O entorno da presidente não esperava que Marina estivesse tão colada na petista no primeiro turno, e abrindo vantagem no segundo turno. Também chamou a atenção o fato de a candidata do PSB ter tirado votos de Dilma. A expectativa da campanha à reeleição era que a ex-senadora crescesse em cima do candidato do PSDB, Aécio Neves, e conquistasse parte do eleitorado que pretendia votar em branco, anular ou que estava indeciso.

Segundo o Ibope, Dilma caiu quatro pontos percentuais — mesmo patamar que o tucano. A expectativa da campanha petista era que Marina e Aécio ficassem embolados em segundo lugar, disputando quem iria para o segundo turno. Seria a “antropofagia de anões” prevista ainda na pré-campanha pelo marqueteiro João Santana, que trabalha para Dilma.

Como presidente do PMDB, o vice-presidente Michel Temer disse a interlocutores e à presidente que é preciso “dar corpo à campanha” nesta reta final, com o envolvimento direto dos partidos nas mobilizações de rua. Temer alertou que é preciso dar mais intensidade à campanha em termos de eventos públicos.

Presidente Dilma tenta retomar contato com movimentos sociais

• Governo libera 93,7 mil hectares de terra, ou 30% do volume liberado em 2013; número chegou a 1,9 milhão em 2011

Ricardo Della Coletta - O Estado de S. Paulo

Diante de um cenário pessimista para a sua reeleição, em que pela primeira vez aparece na pesquisa Ibope sendo derrotada em 2.º turno pela candidata Marina Silva (PSB), a campanha e o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) decidiram fazer acenos aos movimentos sociais, como sindicatos e o MST, parceiros históricos do petismo que se afastaram no seu governo.

Integrantes do grupo que coordena o programa de governo na área trabalhista preparam a divulgação, nos próximos dias, de um documento que vai abraçar algumas das reivindicações sindicais, como a regulamentação da terceirização em condições que agradam ao segmento e a correção anual da tabela do imposto de renda (IR) pela inflação acumulada com recomposição gradual da defasagem dos últimos anos.

Segundo minuta do programa de governo da área de trabalho, obtida pelo Estado, o ponto central é marcar posição contra a terceirização das chamadas atividades-fim - a principal atividade da empresa, descrita na cláusula-objeto do seu contrato social - e permitir a prática apenas para as atividades-meio, aquelas que têm a finalidade de dar suporte à atividade principal da empresa.

Também deve constar uma defesa da responsabilidade solidária, nos casos de indenizações, entre as empresas que contratam terceirizados e as que fornecem a mão de obra, outra reivindicação do sindicalismo. A presidente também deverá apontar a correção anual da tabela do imposto de renda (IR) pela inflação acumulada e a recomposição gradual da defasagem dos últimos anos.

Em outra frente, o governo tenta recuperar o tempo perdido na reforma agrária, uma vez que o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) faz muitas críticas à gestão da presidente nessa área.

Amazônia Legal. Ontem, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) realizou a transferência de 86 mil hectares de terras da União para a reforma agrária, ampliando o número de assentados na Amazônia Legal. Trata-se da maior ação na área de reforma agrária deste ano, que vai beneficiar 1.005 famílias nos Estados do Amazonas e do Pará. Somados aos dois atos semelhantes nesta semana, Dilma liberou 93,7 mil hectares de terra para 1.290 famílias. Essa soma representa cerca de 30% de toda a área autorizada por Dilma para reforma em todo o ano de 2013.

A presidente liberou em 2011, seu primeiro ano no Palácio do Planalto, 1,9 milhão de hectares para a reforma agrária, conforme dados do Incra. O número caiu para 322 mil hectares, em 2012; e para 315 mil hectares, em 2013. O ministério não apresentou os dados de 2014.

As liberações ocorrem depois da convocação, pelo MST, de uma marcha em defesa da reforma agrária no Estado de São Paulo, entre 29 de agosto e 1.º de setembro. No último dia 25, 150 militantes ocuparam a sede do Incra em Santa Catarina para pressionar pela desapropriação de áreas no Estado. Segundo nota do MDA, “a União continua desapropriando áreas que se apresentam com índices mínimos de utilização, desde que se confirme sua viabilidade para tornar-se um assentamento de reforma agrária”.

Ministro critica Aécio e Marina sobre conselhos populares

• Gilberto Carvalho diz que tucano está mal informado e que PSB pratica "velha política"

- O Globo

BRASÍLIA – O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, criticou ontem os principais rivais da presidente Dilma Rousseff na disputa eleitoral pelas posições sobre o decreto que cria o sistema nacional de participação social e altera algumas regras dos conselhos populares. Ele acusou Aécio Neves (PSDB) de estar mal informado sobre o decreto, e disse que o PSB de Marina Silva se posicionou contra o tema, revelando a velha política que a candidata diz condenar.

- O candidato Aécio já explicitou a sua crítica, que revela, de fato, o que o PSDB sempre foi: um verniz democrático e, na prática, autoritário; na prática, distante do povo; na prática, fechado para qualquer padrão de investigação, de transparência, como era o governo do Fernando Henrique Cardoso - afirmou Carvalho.

Segundo o ministro, Aécio está mal informado e deveria ler melhor o texto do decreto, já que ele não cria um novo conselho. Carvalho lembrou que, sob a gestão dos tucanos, vários conselhos foram instituídos.

Em referência a Marina, o ministro disse que "a verdadeira nova política" está sendo feita por Dilma, ao abrir seu governo à participação popular.

- O que me estranha é que o PSB está contra o decreto também lá no Congresso. A Marina vai ter que resolver esse problema, porque o partido dela se posicionou contra o decreto da presidenta e, portanto, contra a participação social. É a velha política. Então, é um problema que não é nosso, é dela - pontuou Carvalho.

Marina surpreende PT com enfrentamento

• Avaliação de aliados de Aécio é que ele foi bem, mesma opinião de deputado Márcio França, do PSB

Fernanda Krakovics e Simone Iglesias – O Globo

BRASÍLIA – A avaliação do debate no meio político repetiu o padrão de se criticar o desempenho dos adversários e elogiar o dos aliados. A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, surpreendeu petistas ao partir para o enfrentamento. Os aliados do PSDB criticaram o desempenho tanto de Marina quanto da presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, e consideraram como ponto alto da participação de Aécio Neves (PSDB) o anúncio de que Armínio Fraga será o ministro da Fazenda, caso o tucano seja eleito.

- A Marina causou uma certa surpresa, porque ela tirou a veste de boazinha e foi para o enfrentamento - disse o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Campo da filosofia
Já para o líder do DEM, senador José Agripino (RN), que é coordenador da campanha de Aécio, Marina não explicou como colocará em prática suas ideias:

- Marina ficou no campo da filosofia - disse Agripino.

Ele também criticou o desempenho de Dilma. A presidente é a primeira candidata à reeleição a participar de debate no primeiro turno.

- Dilma se saiu muito mal ao pintar um Brasil no qual as pessoas não acreditam. Ela falou para eleitores já carimbados, não convenceu (novos eleitores).

Agripino elogiou o anúncio de que Armínio Fraga será ministro da Fazenda em eventual governo do PSDB. Aécio Neves deixou para revelar o fato apenas nas considerações finais, por volta de 1h:

- Aécio foi pragmático, colocou até um símbolo do ministério dele, Armínio Fraga. Ele sinalizou um padrão.

Já para o líder do governo, com o anúncio, Aécio tentou recuperar terreno depois que Marina defendeu a autonomia do Banco Central:

- Como a Marina anunciou a autonomia do Banco Central, Aécio quis tentar recuperar esse espaço que era dele - disse Chinaglia.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), coordenador jurídico da campanha de Aécio, disse que a principal adversária do tucano, no momento, Marina Silva, não apresentou propostas concretas. Quanto à presidente Dilma, afirmou que não tem preparo para o cargo:

- Aécio demonstrou, claramente, que é o mais preparado para cuidar do país. A Marina, apesar de não apresentar nenhuma proposta concreta, evidenciou preparo para responder as perguntas. Já a Dilma, como de costume, demonstrou que não está preparada para absolutamente nada! Que tristeza tê-la como presidente - avaliou Sampaio.

Vice-presidente do PT, Alberto Cantalice disse que Marina não mostrou propostas:

- Qual foi a proposta que ela apresentou até agora?

Integrantes da coordenação da campanha de Dilma, no entanto, consideram que, no debate, Marina consolidou um discurso de terceira via:

- Marina achou um discurso de terceira via. Nem PT nem PSDB. Brasil unido - disse um dos coordenadores da campanha à reeleição.

Polarização de PT E PSDB
A cúpula da campanha de Dilma continua defendendo que a presidente insista na polarização com o PSDB, como fez no debate, apesar de sua adversária agora, de acordo com as pesquisas, ser Marina:

- Ela (Dilma) defendeu o governo. Está correta a linha - disse um dos coordenadores da campanha petista.

A estratégia da equipe de Dilma é manter uma campanha propositiva e deixar para Aécio a tarefa de atacar Marina.

O deputado Márcio França (PSB-SP) disse que a presidente Dilma destoou de Marina e de Aécio, que considerou que se apresentaram bem no debate da Band. Ele considerou que a petista estava mal no enfrentamento, enquanto o tucano teria respondido bem a todas as perguntas. Quanto à sua candidata, Marina Silva, afirmou que correspondeu às expectativas do partido, usando um tom firme sem atacar demais os adversários.

- Dilma foi muito ruim. A Marina ficou dentro das nossas expectativas, e o Aécio respondeu bem - afirmou França.

PSB já se preocupa em buscar caminhos para garantir governabilidade

• Cúpula do partido pensa em alianças para compensar bancada reduzida

Sérgio Roxo – O Globo

SÃO PAULO - O resultado favorável na pesquisa Ibope e a avaliação positiva do desempenho no debate da TV Bandeirantes despertaram dentro do PSB otimismo em relação ao futuro de Marina Silva, candidata do partido à Presidência, nas eleições de outubro. A crença na vitória é tão forte que a preocupação na cúpula da legenda passou a ser a busca de um caminho que garanta a governabilidade, uma vez que a bancada socialista na Câmara não deverá passar de 45 deputados na próxima legislatura.

- A situação é muito boa. Basta agora não cometer nenhum erro - afirmou um cacique do PSB.

Fala-se muito no partido das experiências desastrosas dos presidentes Jânio Quadros (1961) e Fernando Collor (1990-1992), que tinham base frágil no Congresso e deixaram o cargo antes da conclusão do mandato: o primeiro renunciou e o segundo sofreu impeachment. Também é dado como certo que o modelo de coalização adotado por Dilma Rousseff (PT) está esgotado e não pode ser perseguido.

O PSB elegeu 35 deputados em 2010, mas, hoje, tem só 24 representantes na Câmara. A direção do partido acredita que a presença de Marina poderá fazer a bancada na Câmara crescer para um número entre 40 e 45 parlamentares. No melhor dos cenários, os deputados do partido de Marina não representariam nem 10% das 513 cadeiras da Câmara. O PPS, segunda maior sigla da aliança, elegeu 12 deputados há quatro anos e hoje tem apenas seis representantes.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, deve começar a procurar, nos próximos dias, parlamentares de vários partidos e tentar atraí-los para o projeto de Marina. Apenas o grupo de políticos que vinham sendo chamados por Eduardo Campos de "raposas", como Renan Calheiros e Fernando Collor, não serão assediados.

Um dos caminhos estudados é buscar o apoio da sociedade civil sempre que um projeto importante tiver que passar pelo Congresso, apoiando-se na legitimidade alcançada com uma vitória nas urnas.

Amaral disse que pretende criar um grupo suprapartidário, independente da campanha, para discutir uma reforma do Estado que viabilize as ações de um futuro governo.

- O modelo em vigor precisa ser repensado porque não funciona - afirmou Amaral, citando a necessidade um novo pacto federativo.

Um dos pontos que também já está sendo discutido dentro do PSB é como receber um eventual o apoio do PSDB num segundo turno contra Dilma. Para algumas lideranças, não há necessidade de uma formalização da aliança, porque os eleitores do candidato tucano Aécio Neves já migrariam de forma espontânea para a presidenciável do PSB, impulsionados pelo desejo de acabar com o domínio de 12 anos do PT no governo federal.

Porém, caciques do PSB próximos aos tucanos acreditam que o melhor caminho seja uma aliança no segundo turno, que poderia se estender para uma parceria no governo, o que facilitaria o caminho para obter a governabilidade.

No círculo mais próximo de Marina, a ordem é manter os pés no chão, mesmo com as boas notícias dos últimos dias. Por ordem da candidata, está proibido tratar publicamente da conjuntura política em um eventual governo. A presidenciável tem afirmado que, caso eleita, vai governar com os "melhores do PT e do PSDB".

- Temos que ter humildade. Nada está definido. Hoje, os melhores estão com seus candidatos e seria desrespeitoso com os adversários procurá-los - afirmou Walter Feldman, coordenador da campanha de Marina.

Para analistas, Marina terá que ser confrontada

• Especialistas preveem que, após ibope e debate, dilma e aécio serão obrigados a pressionar candidata a detalhar propostas

Alessandra Duarte e Carolina Benevides – O Globo

Num debate horas depois de a última pesquisa Ibope ter mostrado mudança na disputa presidencial, a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves não confrontaram o suficiente a candidata do PSB Marina Silva. Para analistas ouvidos pelo GLOBO, Dilma foi a que mais precisou se defender da cobrança dos outros presidenciáveis na TV Bandeirantes, anteontem. Inclusive de Aécio, que centrou fogo mais na petista, apesar de Marina ter subido dez pontos na pesquisa, ficando à frente do tucano no primeiro turno. Dilma, que na pesquisa aparece atrás de Marina numa simulação de 2º turno, também preferiu manter o embate PT x PSDB, em vez de confrontar a candidata do PSB.

- Dilma e Aécio receberam uma notícia ruim (a pesquisa) e foram debater. Aécio estava assustado, mas conseguia disfarçar sorrindo. Dilma não disfarça, tem aquela expressão enfezada - afirma Eugenio Giglio, professor de Marketing da ESPM-Rio. - Se houve vencedor, do ponto de vista de marketing, foi a Marina, que conseguiu escorregar sem definir propostas, mas marcando a imagem de não ser contra ninguém e querer pegar o melhor de todos.

Para Oscar Vilhena, professor da FGV-SP, a pesquisa "fez com que houvesse mudança muito forte no cenário eleitoral":

- Além disso, a partir da morte do Eduardo (Campos, candidato do PSB), todos já tiveram que se recolocar. Dilma e Aécio sabem que o quadro mudou. Se as próximas pesquisas confirmarem o crescimento de Marina, vai ser impossível manter o discurso polarizado. O apelo da candidata do PSB é forte, e eles vão ter de tentar desconstruí-la.

- Em comparação com 2010, Dilma estava com mais desenvoltura. Passou a impressão de que tinha o controle do seu governo. Aécio fez críticas ao governo já esperadas. Até pressionou Marina também, mas jogou para empatar - acrescenta Claudio Couto, professor da FGV-SP.

Relação com o Congresso
O bom desempenho de Marina se deu, em boa parte, porque ela não foi pressionada o suficiente, diz Eugenio Giglio. Um dos pontos que Dilma e sobretudo Aécio poderiam ter cobrado mais da ex-senadora é como ela governaria, na prática, sem a estrutura partidária:

- Marina falou que consegue conciliar todos, mas não como faria. Ela conseguiu sair do debate sem se posicionar, o que, para o eleitor indeciso, é o ideal. Por isso ela pegou tantos votos dos indecisos e das abstenções. E, por passar a imagem de que consegue uma solução fora da estrutura partidária, também é o ideal para aqueles que, nos protestos do ano passado, não queriam partidos. Além disso, por ela não se posicionar, foi difícil para os adversários atacá-la. Como você se posiciona contra alguém que não tem posição?

- Aécio e Dilma terão que encontrar pontos fracos na Marina, que não tem apresentado propostas. Mas não acredito que apresentá-las seja decisivo nesta eleição. O ponto fundamental é o candidato passar credibilidade quando faz promessas. Isso está sobrando na Marina e em falta para os outros dois - destaca Daniel Aarão Reis, historiador da UFF. - Os adversários podem bater nas bases políticas da Marina. Dilma e Aécio podem tentar mostrar que, por melhor que seja a intenção, sozinho não se vai longe.

Cientista político da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Yan Carreirão sublinha que a petista e o tucano perderam oportunidade de mostrar contradições de Marina: por exemplo, como ela manteria o desenvolvimento econômico e lidar com o agronegócio; e como ela conviveria com o Congresso:

- Ela pode escolher os ministros, mas não o Congresso com o qual vai ter de lidar. Nem tudo depende do presidente. O discurso de conciliar tudo pode pegar bem, mas vimos, pela experiência de (Fernando) Collor, que governar sem base partidária não é algo necessariamente bom.

- A polarização já era, a petista e o tucano vão ter que mostrar propostas concretas - completa David Fleischer, da UnB. - Marina está aí para ficar, não é uma marola.

Dilma arma ofensiva para conter avanço de Marina

Raymundo Costa, Andrea Jubé e Guilherme Serodio – Valor Econômico

BRASÍLIA e RIO - A campanha da presidente Dilma Rousseff desencadeou ontem uma ofensiva para conter o avanço da candidata do PSB, Marina Silva, nas pesquisas e assegurar que o PT estará no segundo turno da eleição, seja o adversário Marina, como indicam as últimas sondagens de opinião, ou o senador Aécio Neves, candidato do PSDB, que caiu do segundo para o terceiro lugar. No comitê de Dilma discute-se, inclusive, a possibilidade de a presidente fazer acenos mais claros ao mercado sobre o que pretende fazer em relação à economia, em novo mandato, algo que ela resistia fazer, até agora.

Numa frente dessa ofensiva, a presidente convocou para o final da tarde de ontem uma entrevista coletiva, no Palácio da Alvorada, entre outras coisas para esclarecer aspectos sobre a segurança pública que pretendia abordar no debate entre os candidatos promovido pela TV Bandeirantes, mas sobre os quais não teve oportunidade de falar - a presidente esperava por uma tréplica que não veio e deixou no ar uma resposta sobre o assunto. Em outra frente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer uma incursão ao Nordeste, ainda nesta semana, a fim de preservar o capital político do PT na região.

A viagem é simbólica: Lula irá a Juazeiro, na Bahia, e a Petrolina, em Pernambuco, e na quinta-feira se encontra com a presidente Dilma Rousseff no Recife, capital de Pernambuco, o berço político do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13. Lula e Dilma farão campanha para os candidatos ao governo do Estado, Armando Monteiro (PTB), e ao Senado, o ex-prefeito da capital João Paulo (PT). Não está prevista nenhuma visita aos familiares de Campos.

Enquanto isso, a cúpula da campanha estuda como desconstruir Marina, uma candidatura em ascensão a pouco mais de um mês da eleição. A ideia era esperar para ver como Marina se sairia ontem à noite na entrevista ao "Jornal Nacional", um público de 40 milhões de brasileiros, e como ela se comporta na pesquisa Datafolha a ser divulgada neste fim de semana. O PT esperava que Aécio atacasse Marina, mas já armazena munição.

A linha da desconstrução deve atacar a "auréola de pureza" que envolve a candidata, o questionamento de sua capacidade administrativa - esperava-se que Dilma, no debate, dissesse que ela não conseguiu gerenciar nem a criação de seu próprio partido -, desmontar a ideia de que Marina não é da "velha política", pois ela já está em sua quinta legenda e dizer que a eleição da candidata do PSB, um partido pequeno, significa "ingovernabilidade". Com o cuidado de não mencionar o ex-presidente Fernando Collor, que hoje é seu aliado. Além disso, a passagem de Marina pelo PV e pelo Ministério do Meio Ambiente está sendo escrutinada pelo PT.

A linha adotada no debate da Bandeirantes era tentar manter a polarização com Aécio Neves e não tratar Marina como a principal adversária. Isso será revisto. A percepção é que a superexposição da ex-ministra do Meio Ambiente, somada ao clamor pela morte trágica de Eduardo Campos, impulsionaram a adversária nas pesquisas.

"Já falei que não comento pesquisas, nem quando sobe, nem quando desce, nem quando estaciona", disse a presidente Dilma, na entrevista concedida ontem. "Numa campanha eleitoral você tem de ver a conjuntura, estamos no início da eleição, muita coisa vai rolar por debaixo dessa ponte, pra que lado a água vai".

Petistas que integram o primeiro escalão comandaram uma ampla reunião de emergência com militantes e servidores do governo federal, na noite de quarta-feira, no comitê central da campanha em Brasília. O clima era de perplexidade com a ascensão de Marina nas pesquisas. Os militantes foram convocados a "descer do salto alto" e sair às ruas para pedir votos. A reunião foi conduzida pelo secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Carlos Gabas - um dos auxiliares mais próximos de Dilma - e contou com a participação do ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. O recado foi dirigido às centenas de ocupantes de cargos de confiança no governo, como secretários-executivos, secretários de ministérios e chefes de gabinete, entre outros.

Segundo apurou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, Carvalho voltou a afirmar que a insatisfação da população brasileira com o PT não parte, exclusivamente, das classes A e B ou dos jovens que saíram às ruas pedindo mudanças em junho do ano passado. O secretário-geral afirmou que essa insatisfação parte, inclusive, de beneficiados de programas sociais do governo, como Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Para Carvalho os sinais apontam para "fadiga de material" em relação ao PT.

Dilma também deve conceder mais entrevistas coletivas para assegurar espaço diário nos telejornais. Também intensificar as viagens. Ontem ela visitou um restaurante popular em Bangu, zona oeste do Rio, ao lado do ex-governador Anthony Garotinho (PR), candidato bem posicionado nas pesquisas ao governo do Estado. Dilma almoçou ao lado de Garotinho e sua esposa, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (PR), e comeu abóbora com arroz, feijão e frango.

Na entrevista que concedeu no Alvorada, Dilma anunciou que pretende tornar permanente o modelo de segurança pública adotado na Copa do Mundo, que envolve a ação conjunta das polícias federal e estaduais, abrigadas em Centros de Comando e Controle. "Vamos replicar o modelo que deu certo na Copa, compartilhar uma ação conjunta de segurança de forma objetiva", disse a presidente.

Ascensão de Marina agita o mercado

Lucinda Pinto, Antonio Perez, Téo Takar, Silvia Rosa e Luciana Seabra – Valor Econômico

SÃO PAULO - O mercado financeiro embarcou em uma onda de entusiasmo movida pelo aumento das chances de troca de governo no país e também pela perspectiva de liquidez farta no mundo. Com os juros negativos nas economias desenvolvidas, investidores globais reforçam a busca por melhores oportunidades de retorno, quesito no qual a economia brasileira se destaca.

As pesquisas apontando a candidata do PSB, Marina Silva, como favorita sustentam apostas em um esperado ajuste na economia, que inclui política fiscal mais austera e menor intervenção em estatais e no câmbio, o que abriria espaço para a queda dos juros ao longo do tempo. Esses elementos justificaram a disparada da bolsa - que ontem subiu 1,89% e chegou a ultrapassar os 61 mil pontos, fechando em 60.950, maior nível desde janeiro de 2013 - e a queda do dólar.

Desde que a candidatura de Marina Silva passou a ser cogitada, após a morte de Eduardo Campos há duas semanas, o Ibovespa subiu 7,99%. As ações de empresas vinculadas ao risco eleitoral puxaram a alta. Os papéis da Petrobras, a principal delas, avançaram 16,12%. Só ontem, Petrobras PN subiu 4,57%.

Os investidores compraram a ideia de que haverá uma gestão macroeconômica mais favorável com Marina. Entre gestores, porém, há o temor de um certo exagero nos movimentos de mercado, com risco de alguma reversão. Ontem, por exemplo, o dólar caiu 0,79%, mas existe a convicção de que, no médio e longo prazos, a tendência é de desvalorização do real. O fundamento é o discurso dos principais assessores econômicos de Marina, principalmente de Eduardo Giannetti, favorável ao câmbio flutuante e menos artificial.

Um importante gestor de recursos observa que o mercado financeiro pode estar "comprando sonhos". Para ele, por maior que seja o otimismo, os empresários vão querer ver o novo governo em funcionamento antes de realmente fazer investimentos. Uma das preocupações é com o diálogo entre Marina e o Congresso Nacional, o que pode travar o governo. Outro ponto de desconfiança é com a posição histórica da candidata em defesa do meio ambiente.

Aécio mira em Marina e afirma que Brasil 'não é para amadores'

• Tucano diz não ser 'oposição circunstancial' e provoca ex-ministra: 'Ela vai na direção do Lula ou do FCH?'

Débora Bergamasco e Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

Um dia após pesquisa Ibope mostrar a consolidação de Marina Silva (PSB) em segundo lugar, com 10 pontos à sua frente, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves aproveitou sua participação na série Entrevistas Estadão para provocar a adversária. “Não somos oposição circunstancial. Somos oposição coerente há muito tempo. Não mudamos de lado”, disse. “O Brasil não é para amadores.”
fato de Marina, que assumiu a candidatura ao Planalto após a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo, ter construído sua carreira política no PT e ter sido ministra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Ouvi recentemente o (economista) Eduardo Giannetti da Fonseca (conselheiro da candidata do PSB) dizer que a Marina gostaria de governar com apoio do Lula e do Fernando Henrique. É muita bonita a expressão, mas em que direção: do Lula ou do Fernando Henrique? Da estabilidade ou do mensalão? Essas contradições precisam ficar claras.”

Aécio voltou a dizer que, se for eleito, governará com um conjunto de pessoas “altamente qualificadas”. Questionado sobre o motivo de ter anunciado anteontem, no debate da TV Bandeirantes, que o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga será seu ministro da Fazenda em caso de vitória do PSDB, o tucano afirmou que a ideia era sinalizar “de forma muito clara” que tem um “projeto de País”.

A relações com FHC. O candidato do PSDB evitou dizer quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vai aparecer em sua propaganda eleitoral, embora tenha dito que ele terá “papel importante” em seu governo. Aécio também comentou a declaração de FHC, de que gostaria de ver Marina participar da gestão em caso de vitória.

“Ela é uma candidata que está disputando a eleição. Não vou convidá-la para meu governo. O Fernando Henrique deu, na verdade, uma resposta a uma provocação que a candidata fez. Ele quis dizer que acredita na nossa vitória.”

O tucano afirmou ser uma opção de mudança “muito mais consistente” e disse que não vai buscar “emprestado” referências de outros grupos políticos para conduzir seu projeto de governo.
Nesse momento, Aécio reforçou uma frase que será o mote de sua campanha na atual fase, em que está atrás de Marina nas pesquisas, na disputa por uma vaga no 2.º turno. “O Brasil não é para amadores. O futuro que nos espera enseja experiência e competência.”

Apesar das críticas, o mineiro lembrou que apoiou a tentativa de criação da Rede Sustentabilidade, partido que Marina tentou criar sem sucesso. E ainda fez um afago à deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que assumiu a coordenação-geral da campanha da ex-ministra. “Tenho enorme respeito por ela e pelo que sei, isso é mútuo.”

O aeroporto e a blitz. Responsável pela pior crise da campanha de Aécio até agora, a revelação de que o governo de Minas gastou quase R$ 14 milhões na reforma de um aeroporto que é administrado por familiares do senador e fica próximo à fazenda de sua família também foi tema da entrevista.

Um dos entrevistadores lembrou que em 1983 o então governador, Tancredo Neves, avô de Aécio, construiu a pista de terra na fazenda de Múcio Guimarães Tolentino, seu cunhado. “A crítica vem da oposição, o que é natural, e de quem não conhece a realidade de Minas Gerais”, afirmou Aécio.

O presidenciável disse que o aeroporto foi uma construção “estratégica” para a região. “A grande diferença das obras do meu governo, pelas quais eu respondo integralmente do ponto de vista legal e moral, é que elas foram acompanhadas e aprovadas pelo Ministério Público de Minas Gerais e não foram questionadas pelo Tribunal de Contas”, alegou. “A obra foi correta e planejada.”

Ao ser lembrado sobre o episódio em que foi parado por uma blitz da Lei Seca no Rio, em 2011, e usou o direito de não fazer o teste do bafômetro, Aécio respondeu que, dessa vez, não se recusaria a assoprar o aparelho e que aquela decisão havia sido um “equívoco”.

“Sou um cidadão, um homem comum. Não ando com motorista e segurança”, disse Aécio. “Nesse caso específico, minha carteira de habilitação estava vencida há 30 dias”. Como não estaria autorizado a dirigir de volta para casa, afirmou que não achou necessário assoprar no aparelho.

Oposição e mea culpa. O candidato manteve as críticas à condução da política econômica, tema que tem dominado sua campanha. Acusou o governo de esconder os dados oficiais sobre a economia e atribuiu à ausência de transparência da atual gestão à perda de credibilidade do setor produtivo brasileiro. “Tenho convicção que grande parte desta perda crescente da confiança e credibilidade do Brasil vem da pouca transparência dos dados oficiais. O orçamento hoje é uma grande peça de ficção.”

Ao falar sobre os 12 anos do PT à frente do Palácio do Planalto, declarou que o modelo atual está esgotado e que o partido “fracassou”. Para o candidato, o PT acertou ao manter os pilares macroeconômicos e ao unificar os programas sociais, com a criação do Bolsa Família. Ao fazer referência à continuidade das políticas macroeconômicas de FHC, Aécio acabou fazendo um mea culpa: “Nós que deveríamos ter unificado lá atrás”.

Aécio citou uma série de dados para criticar a política econômica do governo e a gestão fiscal do País.

“Este ano tivemos um aumento de 15% dos gastos correntes do governo”, disse. O tucano afirmou ter o compromisso de simplificar a área tributária e de reduzir gastos da máquina pública.
O presidenciável voltou a dizer que a Petrobrás se tornou motivo de notícias “das páginas policiais” e apontou problemas de gestão também na Eletrobrás. Aécio defendeu a necessidade de se repensar a matriz energética brasileira, com a adoção de fontes de energias alternativas, como a eólica, a biomassa e o gás natural.

Segurança pública . Aécio acusou o governo Dilma de “criminosa omissão" na área da segurança pública. Segundo o tucano, a Polícia Federal “tem o menor orçamento desde 2009”. “Dilma prometeu (em 2010) que colocaria em funcionamento 14 Vants (Veículos Aéreos Não Tripulados) para patrulhar as fronteiras. Só dois estão em funcionamento”, apontou.

O candidato do PSDB também criticou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, por ter executado apenas “10% do Fundo Penitenciário Nacional”, segundo ele. O objetivo desse fundo é proporcionar recursos e meios para financiar e apoiar as atividades de modernização e aprimoramento do sistema penitenciário brasileiro.

O candidato voltou a defender a proposta de transformar o Ministério da Justiça em Ministério da Segurança Pública e prometeu fazer uma “profunda” reforma no Código Penal, que depende do Congresso.

Na entrevista, Aécio defendeu a proposta do senador e seu candidato a vice, Aloysio Nunes Ferreira, de elevar o tempo de internação de jovens infratores em casos específicos. “A utilização do menor em crime virou uma verdadeira indústria”, justificou.

O senador registrou na entrevista uma divergência com FHC ao se dizer contra a legalização do uso da maconha, Aécio disse respeitar as opiniões do ex-presidente, mas argumentou que o Brasil não deve ser cobaia neste sentido. “Fernando Henrique pode falar o que ele quiser, mas sou contrário à proposta.”

Bolsa Família . Aécio afirmou que o principal programa do governo para o Nordeste “se resumiu ao Bolsa Família”. O tucano disse que o projeto é importante, mas precisa ser ampliado, e criticou a forma de cadastro das famílias. “O cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta. Queremos dar transparência a isso”, disse o tucano.

Para o candidato do PSDB, é preciso continuar obras “inacabadas” na região Nordeste, como a transposição do Rio São Francisco, projeto iniciado no governo Lula. “A política da presidente Dilma para o Nordeste também foi fracassada.”

Questionado se todas as propostas feitas recentemente, como promessa de maior reajuste para os aposentados, teriam estimativas de custo, Aécio afirmou que as propostas são realizáveis do ponto de vista orçamentário. “Se alguém tem autoridade para falar de responsabilidade fiscal sou eu. Esse é o governo do desperdício e da ausência de prioridades claras. Nossas propostas são factíveis, vamos fazer o Brasil voltar a crescer.”

Mercosul e espionagem. Aécio foi questionado no fim da entrevista sobre a política externa do atual governo. Sobre o Mercosul, o tucano criticou o alinhamento estratégico promovido pelos petistas. “O artigo mais valioso da política é o tempo”, frisou, destacando que a atual gestão deixou de fazer acordos comerciais com parceiros estratégicos. “A incapacidade do atual governo de ter uma política externa pragmática nos trouxe enorme prejuízo.”

O candidato foi questionado sobre a decisão de Dilma de cancelar a visita de Estado aos Estados Unidos no ano passado, após a crise da espionagem americana. “Se o gesto mais adequado era cancelar a viagem eu não sei. Mas ela acertou ao manifestar a indignação brasileira com a situação”, afirmou Aécio. “Não acho que alguém por estar em outro campo político está todo errado.”