sábado, 8 de fevereiro de 2014

Campos diz que não pedirá atestado ideológico a parceiros

Pré-candidato do PSB fez bate-papo com internautas acompanhado pela aliada Marina Silva

Governador de Pernambuco defendeu unificação das eleições e mandato de cinco anos sem reeleição

Letícia Lins e Maria Lima

BRASÍLIA e RECIFE - Apesar da resistência da Rede Sustentabilidade a algumas alianças que o presidenciável Eduardo Campos (PSB) pretende amarrar para a campanha de 2014, o governador de Pernambuco deixou bem claro que, mesmo defendendo a nova política, não pedirá atestado ideológico a quem quiser aderir a sua candidatura. Campos disse também que, independente do partido, quem concordar com o programa da aliança PSB-Rede será bem recebido.
— Já apresentamos as diretrizes do programa, para a sociedade. Aqueles que quiserem se somar às diretrizes e a esse conteúdo serão bem vindos. O eixo programático será respeitado no plano nacional, como fizemos aqui em Pernambuco.

As colocações foram feitas no final da tarde desta sexta-feira, durante rápida entrevista no portão da residência do socialista, no bairro de Dois Irmãos, zona norte da capital pernambucana. Campos falou ao lado da ex-ministra Ministra Marina Silva (PSB), que fez uma visita de mais três horas para conhecer o caçula da família, que nasceu com síndrome de Down. O conteúdo da conversa com o governador não foi revelado, e Marina classificou a sua presença na casa como “uma visita para Renata”, mulher de Campos. A ex-senadora disse que foi levar carinho à família, curtir o bebê. O governador insistiu na tese de que está praticando a nova política, e que fazer alianças com políticos tradicionais não seria, necessariamente, uma iniciativa conservadora:

— A nova política é, na verdade, quando os políticos se unem em torno de uma pauta do povo. Como nos unimos em 2006 com partidos de centro aqui em Pernambuco e fizemos um governo de mudança que tem 83 por cento de aprovação da população. A velha política é aquela em que os políticos se reúnem em torno dos seus próprios interesses.

Bate-papo no Twitter
Em conversa com internautas nesta sexta-feira, Campos anunciou que é a favor de unificar as eleições no mesmo ano e do mandato de cinco anos sem direito a reeleição. Ele participou de bate-papo pelo Twitter, sob a hashtag “EduardoResponde”. Ao ser questionado sobre as eleições, Campos disse que se a mudança já valesse para 2018, com o campo aberto na próxima eleição, isso poderia facilitar a decisão da aliada de Campos, a ex-senadora Marina Silva, sobre a formalização da chapa PSB/Rede na condição de vice-presidente em 2014.

O bate-papo com os internautas aconteceu na casa do presidenciável em Recife, e foi acompanhado por Marina Silva,que foi visitar a primeira dama de Pernambuco, Renata, e o recém-nascido Miguel. Campos respondeu sobre combate à seca, reforma tributária, como governar com os atuais partidos no Congresso, e anunciou que a prioridade se eleito, será reservar as conquistas das última décadas e melhorar a qualidade da democracia e do serviço público e iniciar um ciclo de desenvolvimento sustentável. Para dar conta desses objetivos, a prioridade número um é a educação.

Sobre a falta de planejamento de longo prazo, citada por um internauta, Eduardo Campos disse que é preciso combater a crise de expectativa com respostas de longo prazo, lembrando que as grandes nações têm mecanismos de planejamento que ultrapassam mandatos.

A primeira pergunta foi “Como combater a sensação de insegurança que o governo do PT trouxe para todo o país?”. Campos respondeu:

“Tenho dito que o país passa por uma crise de credibilidade, que atinge muito a Economia, mas não apenas ela. Preciso recuperar compromissos com investidores e fazer nosso povo voltar a acreditar no Brasil”, afirmou.

O pré-candidato socialista fez um aceno especial para os jovens, formadores da base de apoio de Marina Silva. Questionado sobre a participação da juventude na elaboração do programa de governo PSB/Rede, ele respondeu que terá uma participação fundamental, poque são os jovens brasileiros que enfrentam os grandes problemas de saúde, mobilidade, empregos.

Sobre que experiência de seu governo em Pernambuco ele levaria para o plano nacional, o governador de Pernambuco citou o programa de segurança “pacto pela vida”, premiado pela ONU e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por reduzir a violência por sete anos consecutivos e transformar o Recife na capital mais segura do Nordeste

Com pouco tempo de propaganda na TV e longe de poder disputar com o poderio econômico do PT, Campos está apostando tudo em uma campanha não convencional, criando um canal pessoal de interlocução com o eleitorado na internet e redes sociais.

— Se fossemos pensar em disputar recursos financeiros com o PT, nem lançaríamos candidato. Essa campanha vai ser diferente de todas e o grande peso virar da internet e redes sociais — diz o secretário geral do PSB, Carlos Siqueira.

O ex-aliado de Lula e Dilma também atribuiu ao baixo crescimento e má gestão do atual governo a culpa pelo “pibinho”. Perguntado sobre qual a relação do atual governo com o “pibinho brasileiro" e o que faria se fosse eleito para melhorar a economia, Campos foi direto:

"A relação do governo federal com o pibinho é toda. O fato é que o Brasil vem crescendo menos que no governo Lula, menos que a América Latina e que o Mundo. Se esse baixo crescimento não for revertido, as conquistas sociais serão jogadas fora", disse.

"O que significa ter Marina ao seu lado?", quis saber um internauta. “É uma alegria e ao mesmo tempo a confiança de que juntos poderemos fazer muito pelo Brasil", respondeu.

Ao responder os internautas, Eduardo Campos criticou o programa que é a menina dos olhos da presidente Dilma, o Mais Médicos. Ao invés da importação de médicos de Cuba e outros países, ele defendeu investimentos na formação de médicos aqui dentro.

"O Brasil tem que evoluir de mais médicos para mais saúde. Precisamos criar uma carreira nacional de saúde. Precisamos formar com qualidade novos médicos entre os filhos do interior do Brasil. E estruturar o atendimento de média complexidade para que quem for ao posto de saúde", disse.

Entrevistas ao mesmo tempo
Enquanto dava entrevista na porta de sua residência, em Recife, o governador aparecia simultaneamente respondendo as perguntas de internautas no Twitter. O assessor de imprensa do socialista garantiu que ele já havia respondido a maior parte das perguntas e que deu para sua assessoria digitar, e que após a conversa com os jornalistas, ele próprio assumiu o comando do computador.

No mesmo horário do bate-papo de Campos, a presidente Dilma Rousseff postou vários comentários no Twitter, sobre o leilão das linhas de transmissão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e em solidariedade ao cinegrafista atingido por bomba nas manifestações no Rio, ontem.

Fonte: O Globo

Aécio Neves em S.Carlos : “Brasileiros querem voltar a respeitar seus governantes”

SÃO CARLOS (SP) – Dando continuidade aos encontros com lideranças de todo o país, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, esteve neste sábado (8), em São Carlos (SP), reunido com prefeitos, vereadores e militantes. Aécio salientou a importância da discussão de uma nova agenda para o país acompanhado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente do PSDB de São Paulo, deputado federal Duarte Nogueira, secretário-geral do partido, deputado federal Mendes Thame (SP), prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, e líderes regionais.

“Quero falar de coisas boas, de esperança, de confiança. O Brasil e os brasileiros não precisam acostumar-se e acomodar-se à mediocridade. Não existe propaganda oficial, por mais bilionária que seja, que mascare a realidade. E a grande realidade é que esse ciclo de governo do PT vai ser encerrado. Não em benefício do PSDB, mas em benefício dos brasileiros que querem crescer, se desenvolver e voltar a respeitar os seus governantes”, declarou.

Aécio destacou que suas andanças pelo interior do Brasil têm o objetivo de fortalecer na militância tucana o sentimento de que algo diferente pode ser feito no rumo político do país.

“Esse é um evento muito especial, como tem sido alguns outros, porque vejo as pessoas se aproximando de nós não apenas para dar um tapinha nas costas, um cumprimento, um aperto de mão, mas para perceber e sentir se estaremos realmente em condição de enfrentar os enormes desafios que temos pela frente”, disse o senador.

“É exatamente a partir de encontros que fazemos aqui hoje, em São Carlos, que eu cada vez mais consolido a ideia, o sentimento e a convicção de que depende apenas de nós, da nossa coragem, para que possamos dar, dentro de muito pouco tempo, uma resposta definitiva a todos os brasileiros que estão indignados com o despudor, com a irresponsabilidade e incompetência daqueles que vem comandando o Brasil nos últimos anos”, afirmou Aécio.

Reformas interrompidas
Em seu discurso, o senador apontou ainda a necessidade de retomar reformas interrompidas durante os dez anos de gestão petista na presidência da República. Segundo ele, o sentimento de mudança que o país vive não é meramente partidário, mas fruto de elevada consciência cidadã.

“Em um momento de tamanha desmoralização da classe política, de tamanho divórcio da sociedade com seus representantes, nós temos que nos reunir, porque não se trata do desafio de levar um partido à presidência da República. Trata-se de nós termos a convicção clara de que nos levantamos, com coragem, para dizer basta”, considerou o tucano.

“Basta dessa centralização irresponsável de recursos nas mãos da União, que tão mal vem fazendo aos municípios e aos estados brasileiros na saúde, segurança e educação. Basta dessa visão atrasada e preconceituosa em relação ao mundo, que nos fez alinhar com ditaduras mundo afora e retirou o Brasil das grandes cadeias globais de produção”, ressaltou Aécio.

O presidente nacional do PSDB finalizou dizendo que, em um país continental com desigualdades latentes, é preciso dar mais atenção à importância de estados como o de São Paulo.

“Tenho andado pelo Brasil pregando a mudança, pregando aquilo em que acredito. Diferente dos nossos adversários, vamos fazer campanha falando a verdade, com clareza e simplicidade. Nossa grande diferença são os nossos valores”, destacou Aécio.

Entrevista do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, em S. Carlos (SP)

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu neste sábado (8) entrevista coletiva, em S. Carlos (SP), durante visita à cidade. Aécio respondeu a perguntas sobre o novo pacto federativo, a segurança pública e o PSDB. A seguir a entrevista.

Sobre novo Pacto federativo.
Queremos permitir que os municípios voltem a ter condições de enfrentar as suas dificuldades. O Brasil, na era PT, se transformou em um estado unitário. Apenas o governo federal pode fazer as coisas. O que queremos é uma gestão solidária, onde municípios e estados recuperem a sua capacidade de investimentos. O PT assumiu o governo há 11 anos e o governo federal participava com 56% de tudo que se investia em saúde, hoje apenas 45%. Quem paga o restante da conta? Os municípios e os estados. Na segurança pública, 87% de todo investimento feito no Brasil é de estados e municípios. O governo federal, que é quem mais tem, investe apenas 13%. Na base da nossa proposta de refundação da federação está exatamente uma visão mais solidária na saúde, na segurança pública e na educação com os estados e municípios.

Como isso seria feito?
Isso seria feito a partir de reformas no Congresso Nacional. Temas estão sendo discutidos e o governo não permite que eles avancem. Como, por exemplo, o aumento de 1 ou 2 pontos percentuais no Fundo de Participação para estados e municípios, o fim da tributação do PASEP entre entes federados, a renegociação da dívida dos estados. Essa é a agenda federativa que, infelizmente, o governo federal não deixa avançar.

Sobre segurança pública.
Sem dúvida alguma a questão da segurança pública necessita uma ação do governo federal que não vem ocorrendo. A omissão do governo é enorme. Eu diria até irresponsável, já que o governo federal tem a responsabilidade de cuidar das fronteiras, tem a responsabilidade para coibir o tráfico de drogas, tráfico de armas e investe apenas 13% do conjunto do investimento. E o contingenciamento que o governo vem fazendo em recursos de segurança pública tem levado ao agravamento da crise, por exemplo, no sistema prisional. Eu destacaria uma ação na saúde mais solidária com estados e municípios, mais investimentos em segurança pública e mais eficiência também no controle dos gastos em educação como prioridades para um futuro.

A área de segurança será uma preocupação permanente de um futuro governo do PSDB, que passará por reformas tanto do Código Penal, como no Código de Processo Penal, cuja discussão vem sendo liderada no Congresso pelo senador por São Paulo, Aloysio Nunes, como por medidas que impeçam, por exemplo, o contingenciamento de recursos para essa área. Eu próprio tenho uma PEC tramitando no Congresso Nacional que impede que os recursos aprovados no Orçamento para a segurança pública sejam contingenciados. Isso significa que cada governante, cada estado, independente do partido político do governador, sabe quanto vai receber mensalmente. Seja para ampliar o efetivo da polícia, seja para investir em inteligência, seja para investir em equipamentos. O que diria é que temos hoje no Brasil um estado unitário e um governo pouco generoso com a Federação.

Aloysio Nunes: “Encontro é exemplo da força política do partido e de seus aliados”

ARAÇATUBA (SP) – Participando, ao lado do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, do Encontro Regional do Noroeste Paulista, na noite desta sexta-feira (7) em Araçatuba (SP), o senador Aloysio Nunes (SP) destacou que o evento é exemplo da força política do partido e de seus aliados. “Queremos um Brasil desenvolvido, confiante. Um governo honesto”, disse.

Em seu discurso, o tucano destacou que o interior paulista, uma região dinâmica, está sendo sufocado pela política econômica do governo federal.

“Lula até deu sua contribuição. Teve o bom senso de manter os pilares que Fernando Henrique colocou na politica econômica, e adotou programas, na questão da pobreza e da miséria, que deram início à transferência de renda. Mas, depois disso, depois da proeza de maquiar alguém sob as vestes de grande gestora, de mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a atual presidente Dilma, as coisas estão escorregando”, ressaltou.

“Conseguiram a proeza de quebrar a Petrobras. Temos um governo que desmonta a estrutura industrial que levamos quase um século para construir, que não teve ânimo e competência para fazer da educação, inovação e pesquisa um motor de desenvolvimento, e que é controlador não apenas do estado, com a colocação despudorada de cargos políticos, mas também dos movimentos sociais”, criticou.

Afronta ao STF
Aloysio também aproveitou para se opor ao que considerou como uma afronta ao Supremo Tribunal Federal (STF), promovida pelo deputado federal André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara dos Deputados.

“Como congressista, me senti envergonhado com o gesto grosseiro de André Vargas ao brandir o punho cerrado para afrontar o presidente do STF, órgão de cúpula do sistema judiciário de nosso país. Foi a expressão clara de uma cultura política antidemocrática. De um partido que manipula a opinião publica com uma propaganda mentirosa”, completou.

Roberto Freire: Chegou a hora de recolocar o Brasil nos trilhos

Um dia depois de um deputado petista cerrar os punhos em solidariedade aos mensaleiros condenados pelo Supremo Tribunal Federal, um novo caminho para o Brasil começou a ser trilhado a partir do lançamento das diretrizes do programa de governo de Eduardo Campos. Ao lado de Marina Silva, o pré-candidato do PSB à Presidência apresentou os eixos centrais de um novo projeto de desenvolvimento, ao qual o PPS se associa. Após 11 anos de governos lulodilmistas, os sinais de que o país “saiu dos trilhos”, como afirmou Campos, são variados.

O rombo nas contas públicas, a gestão temerária que levou à desmoralização da Petrobras, a desindustrialização acelerada, a escalada inflacionária, o loteamento da máquina pública, o desmantelo na área da saúde e o desastre na educação são alguns dos exemplos mais latentes. As jornadas de junho de 2013, quando o povo brasileiro tomou as ruas pelo fim da corrupção e por transporte, saúde e educação de qualidade, foram o estopim de uma insatisfação generalizada. Enquanto a propaganda oficial cria um mundo de fantasia, o Brasil real convive com graves problemas cotidianos que parecem não repercutir nos gabinetes do Planalto.

A agenda apresentada por Campos trata, entre outros pontos, de desburocratização do Estado, reforma política, recuperação da indústria, investimentos em tecnologia, fortalecimento do Sistema Único de Saúde, educação de qualidade, reforma urbana e aperfeiçoamento dos órgãos de segurança. A essas diretrizes, serão incorporadas as propostas apresentadas pelo PPS, em conjunto com toda a sociedade, que participará ativamente da construção do programa de governo.

O alinhamento das forças democráticas de esquerda representa um reencontro histórico entre os socialistas e o PPS, herdeiro do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Desde a origem do PSB, com a redemocratização pós-Estado Novo, a aliança com os comunistas se inscreveu em páginas marcantes da vida política brasileira. Em Pernambuco, um dos estados mais avançados do país na luta democrática daquele período, essa união levou ao surgimento da Frente do Recife, movimento que elegeu Pelópidas da Silveira prefeito da capital, em 1955, e Miguel Arraes governador do estado, em 1962.

Após o golpe de 1964, os dois partidos se integraram às trincheiras do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em oposição à ditadura militar. Essa parceria também se fez presente na eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral, na Constituinte, no impeachment de Fernando Collor e na participação no governo de Itamar Franco. Em 2002, apoiamos a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial, mas o PPS se sentiu fraudado e rompeu com o governo em 2004. Recentemente, o PSB deixou a gestão de Dilma Rousseff e optou por construir um novo caminho para o país.

Não é cerrando punhos em defesa da corrupção, o que enxovalha um digno gestual das esquerdas em todo o mundo, muito menos aviltando as instituições ou loteando cargos em nome de interesses eleitorais, que o Brasil sairá do atoleiro em que se encontra. Um novo país só emergirá coma retomada do crescimento, o respeito ao meio ambiente e o resgate da ética como valor fundamental na vida pública. Ao lado de Eduardo Campos e Marina Silva, o PPS trabalha para que a nação volte aos trilhos do desenvolvimento econômico, social e político.

Deputado federal por São Paulo e presidente nacional do PPS

Fonte: Brasil Econômico

Merval Pereira: Caixa 2 em xeque

O financiamento de campanhas eleitorais voltará à ordem do dia quando o Supremo Tribunal Federal (STF) retomar, nos próximos meses, o julgamento, que já conta com 5 votos favoráveis, da proibição de financiamentos por empresas privadas de campanhas eleitorais.

O tema está em evidência nos últimos dias com a prisão na Itália do ex-tesoureiro do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, e devido à notícia de que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, recomendou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) cumpra uma pena de 22 anos de prisão e pague multa R$ 404 mil por crimes continuados de peculato e lavagem de dinheiro.

No mensalão petista, os condenados alegavam que o dinheiro desviado servira para pagar despesas de campanhas eleitorais passadas, mas o Supremo aceitou a tese da Procuradoria-Geral da República de que o que acontecera mesmo foi uma tentativa de compra de apoio político no Congresso.

Já no caso do PSDB mineiro, a alegação oficial é a mesma: o dinheiro desviado na eleição de 1998 serviu para financiar campanhas eleitorais naquele ano. Mesmo que as evidências mostrem que de fato no caso mineiro houve a utilização de Caixa 2 eleitoral, o procurador-geral Rodrigo Janot pede a condenação de Azeredo e outros por terem usado “a máquina administrativa em seu favor de forma criminosa e causando um desequilíbrio econômico financeiro entre os demais concorrentes ao cargo de Governador de Minas Gerais em 1998".

De qualquer forma, no julgamento do mensalão o STF fixou uma premissa que impossibilita a alegação de simples crime eleitoral: não há Caixa 2 quando se trata de dinheiro público. Nesses casos, o que existe mesmo é peculato, desvio de dinheiro público, que merece todo o repúdio da sociedade. No caso petista, o desvio foi da verba do Banco do Brasil no Visanet, propiciado pela ação do então diretor de marketing Henrique Pizzolato. No caso mineiro, o dinheiro desviado foi das companhias estatais Copasa (R$ 1,5 milhão), Comig (R$ 1,5 milhão) e do antigo Banco Estadual do Estado, Bemge (R$ 500 mil).

O ex-procurador Antonio Fernando de Souza, o mesmo que denunciou o esquema do mensalão petista, diz na acusação original que o esquema mineiro foi o embrião para o mensalão do PT e envolve o já condenado publicitário Marcos Valério.

O relator do processo no Supremo é o ministro Luis Roberto Barroso, que coincidentemente foi o mais destacado defensor do fim do financiamento por empresas privadas de campanhas eleitorais, tema polêmico que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

A base para a representação do Conselho Federal da OAB que resultou na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que está sendo julgada pelo Supremo foi dada por professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde Barroso leciona, como Daniel Sarmento, Professor Adjunto de Direito Constitucional, Procurador Regional da República, e Aline Osório, mestranda em Direito Público e uma das advogadas da Clínica de Direitos Fundamentais da Faculdade de Direito da UERJ que, na qualidade de amicus curiae, sustenta a procedência da ADI 4.650.

Os dois escreveram um trabalho sobre o tema onde defendem a tese de que “a alteração do arcabouço normativo vigente é um importante passo no sentido de reduzir os efeitos decorrentes da promiscuidade entre o dinheiro e a política e de tornar o sistema de financiamento de campanhas mais igualitário, democrático e republicano”.

Alegam a favor da medida que ela produzirá efeitos positivos sobre o controle financeiro das campanhas, embora seja utópico imaginar que dará fim ao caixa 2 eleitoral. No entanto, garantem que não terá o efeito contrário, como alegam seus adversários, de estimular o financiamento ilegal de campanhas eleitorais. “Ao impor o barateamento das mesmas, as restrições adicionais às doações darão maior visibilidade aos gastos eleitorais que forem desproporcionais às receitas declaradas, facilitando a fiscalização e a punição dos que se valerem do “caixa 2”.

Mas como impor o barateamento das campanhas sem alterar o sistema eleitoral? (Amanhã, a reforma política)

Fonte: O Globo

Fernando Rodrigues: A pior semana

A semana que acaba hoje já é, de longe, a pior deste ano para Dilma Rousseff. As desventuras em série da presidente foram várias.

Um apagão deixou sem luz seis milhões de pessoas. Uma médica cubana desertou do programa Mais Médicos. O PMDB espetou (pela centésima vez) a faca na barriga da presidente para arrancar mais cargos e benefícios. Mensaleiros continuaram a ser presos, seja na penitenciária da Papuda ou na Itália.

De quebra, continuam a acontecer manifestações violentas em algumas cidades. O transporte público urbano é um gargalo incontornável no nos próximos meses ou anos. Este verão tem sido um inferno para quem vive nas grandes metrópoles.

Muito do que há de ruim no país não é culpa da presidente da República. Aliás, as coisas poderiam estar piores se o Brasil não tivesse experimentado a sequência FHC-Lula-Dilma no Planalto. Mas não importa. A sensação geral de incômodo é uma realidade --e isso explica grande parte das pessoas desejarem mudança na forma de governar, como bem detectou o Datafolha.

O momento é especialmente delicado para o governo porque há fatores imponderáveis à frente. Os problemas infraestruturais são graves e insolúveis no curto prazo. Ninguém sabe se haverá novos apagões. Nesse ambiente, o principal nó é o político.

Os partidos aliados a Dilma sabem que esta é a hora de esfolar a presidente. O prazo termina em junho --quando se fecham todas as alianças para a eleição de outubro. A partir de julho, quem está dentro não sai; quem está fora, não entra.

A correlação de forças de cerca de dez partidos políticos no condomínio governista se define nos próximos cinco meses. A hora de formatar o fatiamento do poder é agora. A fórmula valerá até 2018 no caso de vitória dilmista. É por essa razão que tudo será muito tenso, pelo menos, até o final de junho. E outras semanas piores podem vir por aí.

Fonte: Folha Online

Luiz Carlos Azedo: Tribunal nas redes sociais

A defesa do justiçamento na internet só não é mais nefasta do que os próprios crimes cometidos no Rio de Janeiro e divulgados na última semana. No país dos Felicianos, arrotam-se direitos e defende-se justiça com as próprias mãos, com a desculpa de que o Estado não ampara os "justos"

Você pode ser de direita, de esquerda, de centro, de lado, defender ou criticar rituais tântricos. Você pode ser contra ou a favor da ingestão de bebidas alcoólicas, sexo antes do casamento ou mesmo desaprovar o vestibular seriado e aprovar o Bolsa Família. Você tem todo o direito de se posicionar sobre aborto, maconha, redução da maioridade penal, Mais Médicos ou qualquer tema mais controverso e partidário. O que você não deve fazer é apoiar um crime. Ou pelo menos não deveria aplaudir o absurdo. O justiçamento é crime, um desrespeito ao Estado, uma afronta à lei dos homens. Refiro-me aqui aos homens honestos e não aos covardes, capazes de amarrar um adolescente de 15 anos, nu, num poste do Flamengo, o bairro carioca, ou de executar, na Baixada Fluminense, um homem acusado formalmente de roubar um telefone celular. Os fatos, divulgados num intervalo de uma semana, mostram como o tribunal das redes sociais só não é mais nefasto do que os próprios crimes ocorridos no Rio de Janeiro.

As imagens dos dois absurdos invadiram a internet e ganharam proporções, principalmente, no primeiro caso, a partir de comentários desmedidos disparados por uma apresentadora de televisão. No último dia de janeiro, um grupo de 15 fascistas prendeu o rapaz acusado de furto e, antes de amarrá-lo pelo pescoço com um cadeado de bicicleta, espancou o suspeito. Foi encontrado e fotografado nu. O outro crime, divulgado pelo jornal Extra, mostra um homem vigiado por outros dois antes de levar um tiro na testa disparado por um motoqueiro, em Belford Roxo, no Rio. Impossível imaginar quantos casos como esses ocorrem no Brasil todos os dias. Com as imagens, a polêmica se estabeleceu, mesmo que da forma mais rasteira, com argumentos toscos por parte dos defensores do justiciamento. O tal tribunal.

No país dos Felicianos, arrotam-se direitos e defende-se justiça com as próprias mãos, com a desculpa de que o Estado não ampara os “justos”. E assim seguimos mal, tateando uma falsa liberdade de opiniões, como se tudo pudesse ser dito. Os gênios idiotizados que acreditam ser maior do que as leis, constroem os tribunais nas redes sociais como se tudo valesse. Não vale. A possibilidade de injustiças sem mediadores é maior. Um princípio fundamental da Justiça estabelece que ninguém — é bom que se repita, ninguém — pode ser condenado sem direito à defesa. Os nossos justiceiros devem ser comparados a ditadores, que desrespeitam as leis. Apoiar ou aplaudir tais homens é defender criminosos. Não, mesmo com toda a violência do país, a atitude de vingadores não é compreensível. Muito mais corajoso seria cobrar segurança dos governantes. Os defensores dos justiceiros estão do lado dos covardes.

Apropriação de um gesto
Outra coisa. A imagem do punho cerrado não pode ser atribuído a apenas um movimento, seja de esquerda, seja de direita. O gesto serviu tanto a negros norte-americanos dos Panteras Negras como a brancos europeus do White Power, por mais que a imagem definitiva da saudação tenha sido feita por Tommie Smith e John Carlos, medalhas de ouro e bronze nos 200m nas Olimpíadas da Cidade do México, em 1968. Com eles, sabia-se o que se estava defendendo: direitos civis. A questão é por que petistas continuam a levantar o braço e fechar a mão a cada episódio envolvendo o mensalão, mesmo com o incômodo da equipe de campanha da presidente Dilma Rousseff?

A resposta imediata é que esses petistas são animadores de torcida. E que o tal incômodo do Planalto é um tanto falso. Cada gesto dos mensaleiros serve para sacudir as bases de petistas espalhados pelo país — grupo formado por militantes profissionais com cargos no governo ou simpatizantes. Assim, por mais que o Planalto possa temer a contaminação das imagens de mensaleiros na campanha de Dilma, o risco é calculado, afinal a militância gosta. Depois de José Genoino, José Dirceu, João Paulo Cunha e André Vargas, só falta agora Henrique Pizzolato levantar a mão e cerrar os punhos. Ficaria ótimo na foto.

Fonte: Correio Braziliense

Rolf Kuntz: Em 2014, muito risco e pouca escolha para Dilma

Inflação oficial em queda foi a novidade boa, mas nem tanto, da primeira semana de fevereiro, marcada por mais um apagão, pelo miserável balanço da produção industrial em 2013 e pela notícia de um déficit comercial recorde em janeiro. A boa nova foi divulgada na sexta-feira. Ficou em 0,55%, no mês passado, a alta do IPCA, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, referência para a política de metas de inflação. Em dezembro o aumento havia chegado a 0,92% e a alta acumulada no ano, a 5,91%. Para janeiro as consultorias e instituições do mercado financeiro haviam projetado uma variação de 0,76%. O resultado efetivo foi bem melhor e o resultado de 12 meses caiu para 5,59%, ainda muito longe da meta, 4,5%, mas bem menos feio que o alcançado em dezembro.

Mas o governo deveria ser moderado na comemoração. Ainda há um longo caminho até se alcançar uma taxa mensal compatível com a meta de inflação anual. Nem para 2015 os técnicos do Banco Central (BC) projetam esse resultado. Além disso, o contágio inflacionário foi maior em janeiro que no mês anterior. O índice de difusão passou de 69,3% em dezembro para 72,1% no mês passado, segundo cálculo da Votorantim Corretora, divulgado logo depois de conhecidos os dados gerais do IPCA. Em resumo, quase três quartos dos itens cobertos pela pesquisa ficaram mais caros. Obviamente, os aumentos e repasses ocorrem com muita facilidade e isso torna mais complicado o combate à inflação.

A presidente Dilma Rousseff inicia seu quarto ano de governo com uma assustadora coleção de desafios - indústria emperrada, baixo nível de investimento público e privado, contas externas em deterioração, contas públicas novamente em perigo e intensa vigilância das agências de classificação de risco. A agenda é extensa e complicada e, para evitar um desastre maior, o governo terá de levar em conta, em todas as suas decisões, a persistente alta de preços.

Precisará resolver, em primeiro lugar, se o Executivo participará do combate à inflação ou se apenas continuará tentando maquiar os indicadores e deixando o trabalho sério para o BC. Não pode haver dúvida, neste momento, quanto a um novo aumento de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para os dias 25 e 26. Mas a presidente e sua equipe cometerão dois erros se escolherem o caminho mais cômodo e mais compatível, à primeira vista, com as conveniências eleitorais.

Para continuar maquiando os indicadores de inflação o governo terá de aumentar o subsídio ao consumo de eletricidade e a ajuda às empresas do setor. O custo fiscal dessa política poderá subir de R$ 9,7 bilhões em 2013 para algo entre R$ 16 bilhões e R$ 18 bilhões neste ano. As contas públicas serão prejudicadas, o espaço de manobra orçamentária será menor, as pressões inflacionárias persistirão e os consumidores de energia elétrica receberão um sinal errado.

Nenhum investidor ou financiador estrangeiro será enganado pela repetição de manobras desse tipo. A confiança na política econômica, já reduzida, continuará diminuindo. Se a piora da imagem externa comprometer o ingresso de capitais, uma das saídas será ajustar a política de juros para atenuar também esse problema.

No ano passado o investimento estrangeiro direto, US$ 64,04 bilhões, foi insuficiente para cobrir o déficit externo em transações correntes, US$ 81,37 bilhões. Para este ano o BC projeta um déficit de US$ 78 bilhões e investimento direto de US$ 63 bilhões. O superávit comercial, US$ 2,56 bilhões nos cálculos oficiais de 2013, deve subir para US$ 10 bilhões, segundo a mesma projeção.

Um superávit comercial de US$ 10 bilhões já ficará muito abaixo das necessidades brasileiras, por causa do enorme déficit nas contas de serviços e de rendas, mas até esse resultado medíocre parece duvidoso, neste momento. O déficit comercial de janeiro, US$ 4,06 bilhões, foi recorde, mas muito parecido com o de um ano antes, US$ 4,04 bilhões. Os saldos mensais poderão ser menos ruins no resto do ano, mas nada permite prever resultado final muito melhor que o de 2013. O pequeno superávit oficial do ano passado foi garantido pelo agronegócio (saldo de US$ 82,91 bilhões) e pelas exportações fictícias de plataformas de petróleo, no valor de US$ 7,74 bilhões. Nada justifica, neste momento, uma aposta num desempenho muito melhor da indústria no comércio exterior.

Com crescimento de 0,4% em 2011, redução de 2,5% em 2012 e nova expansão, de 1,2%, em 2013, a produção industrial do ano passado foi pouco inferior à de 2010, o último ano da gestão do presidente Luiz Inácio da Silva, quando o setor já estava enfraquecido.

A indústria, principalmente a de transformação, continuou perdendo vigor nos primeiros três anos da presidente Dilma Rousseff e a ceder espaço a concorrentes estrangeiros, tanto no exterior quanto no mercado interno. O crescimento de 13,3% da produção de bens de capital, no ano passado, festejado pelo governo como sinal de recuperação do investimento, foi insuficiente para neutralizar a queda do ano anterior e levar o resultado de volta ao nível de 2011.

No ano passado, a depreciação do real, embora tenha barateado os produtos brasileiros em dólares, foi insuficiente para impulsionar as exportações de manufaturados. Nesta altura, qual seria a taxa de câmbio necessária para compensar as ineficiências brasileiras e tornar a indústria mais competitiva? É inútil discutir esse ponto, até porque o BC tentará, em 2014 como em 2013, atenuar os efeitos inflacionários da depreciação cambial.

Uma política séria estaria voltada há muito tempo para o aumento da produtividade. No discurso, essa é uma prioridade oficial. Os fatos têm mostrado o contrário. A atenção à infraestrutura é recente e a colheita de resultados vai demorar. E isso é apenas, é bom lembrar, uma parte do enorme problema da competitividade.

Rolf Kuntz é jornalista

Fonte: O Estado de S. Paulo

Demétrio Magnoli:Flores no jardim

Temos o hábito de desconfiar da palavra dos políticos, especialmente na estação das eleições. O ceticismo é sempre saudável, mas não convém descartar programas de campanha sem uma leitura atenta. As flácidas 70 páginas das diretrizes programáticas da aliança PSB-Rede, anunciadas por Eduardo Campos e Marina Silva, têm um pouco de tudo --e, na hora decisiva, talvez sejam quimicamente reduzidas ao papo furado convencional. No meio daquele jardim monótono, porém, destacam-se três ou quatro flores incomuns: os sinais de uma ruptura potencial com a velha ordem política abrigada no casulo do lulopetismo.

O compromisso com uma reforma do Estado consubstancia-se nas metas de "consolidar uma burocracia pública meritocrática" e "diminuir a quantidade de cargos de livre provimento". A persistência do patrimonialismo, atualizado na "era Lula", expressa-se antes de tudo na captura da máquina da administração pública pela elite política. Os partidos brasileiros não existem para oferecer propostas doutrinárias à sociedade: são ferramentas destinadas a organizar a pilhagem de um tesouro, formado por cargos em ministérios, autarquias e empresas estatais.

"Presidencialismo de coalizão" é o eufemismo cunhado por acadêmicos cínicos para nomear um sistema político hostil ao interesse público, endemicamente corrupto, que se reproduz parasitando as pessoas comuns. Nas jornadas de junho, a sociedade rebelou-se precisamente contra isso, provocando pânico visível entre gregos e troianos. Campos e Marina dialogam com as ruas quando fazem da reforma do Estado a condição prévia de uma reforma política substantiva. Se tiverem a coragem de enfrentar a velha ordem, rompendo com as máfias encapsuladas em todos os partidos, adicionarão números radicais à equação do emagrecimento dos cargos de indicação política.

A proposta de "repactuar o federalismo brasileiro" adquire densidade no diagnóstico crítico da concentração de receitas na União e no compromisso com uma reforma tributária destinada a "assegurar maior autonomia aos Estados e municípios". A cíclica peregrinação de governadores e prefeitos ao Planalto, num vergonhoso ritual de mendicância, denuncia a natureza farsesca da Federação e esvazia o sentido das escolhas políticas dos eleitores.

O poder discricionário quase absoluto do governo central sobre tributos arrecadados em todo o país funciona como instrumento de chantagem e cooptação. No fundo, encerradas as eleições, configura-se algo como o Partido do Planalto: uma santa aliança dos governantes, em todos os níveis, disfarçada por hipócritas menções à cooperação administrativa suprapartidária. A ex-ministra Gleisi Hoffmann, braço direito de Dilma Rousseff, acusou Eduardo Campos de nada menos que "ingratidão". Essa flor do Lácio da velha ordem, esplendor e sepultura de costumes políticos anacrônicos, invocou supostos deveres de lealdade do governador de Pernambuco, derivados do "apoio financeiro que a União deu àquele Estado". Nas suas palavras deploráveis, dignas de uma monarquia, encontra-se a melhor justificativa para a reorganização do pacto federativo.

Campos e Marina já não são mais dissidentes do bloco de poder lulopetista. A constatação de que "a sociedade brasileira não tolera mais este velho pacto político que mofou" transfere-os para o campo da oposição. A crítica ao "receituário minimalista" do "choque de gestão", empregada por um PSDB carente de vitalidade nas últimas eleições presidenciais, e os ensaios na direção das reformas do Estado e da Federação são indícios de que a aliança PSB-Rede pode evoluir, surpreendentemente, para a contestação dos pilares da velha ordem.

Papo de campanha? Conversa mole de candidato minoritário em busca de um lugar ao sol? É possível. Mas convém prestar atenção nessas flores coloridas que nasceram em terra árida.

Fonte: Folha Online

Cacá Diegues: Uma homenagem merecida

A geração de Coutinho, à qual eu também pertenço, fez sua cabeça nos anos 1960, quando o mundo viveu revoluções

Para os que creem, Deus é o que não sabemos, o que não conhecemos, o que não podemos controlar. Atribuímos o mistério a Deus para evitar a depressão da impotência. Para os que não creem, é só trocar Deus pelo destino.

Quando conseguimos explicar os fenômenos diante de nossos olhos, o conhecimento religioso e as superstições se tornam mito, derrubando a autoridade dele e delas. Durante séculos, o Sol girou em torno da Terra, para não abalar o poder da Igreja.

Segundo a Gênese, o primeiro delito cometido por um ser humano foi o do conhecimento. Contrariando as ordens do Senhor, Adão e Eva colheram o fruto da árvore do bem e do mal, conquistaram a razão que os diferenciaria do resto da criação.

O segundo delito foi um assassinato em família — com ciúme de Abel, Caim assassinou o irmão. O “familicídio” continuaria povoando a mitologia de nossas origens, desde que Abrãao se dispôs a sacrificar seu filho para servir a Deus. Ou quando Édipo matou Laio, seu pai.

Em nome da razão que conquistamos para desgosto de Deus, não conseguimos aceitar o inesperado, o que consideramos antinatural, aquilo que os gregos chamaram de tragédia. Preferimos não tentar entendê-la, não tentar decifrar sua natureza. Aceitamo-la assustados e inertes, como uma fatalidade que não podemos evitar, nem nos interessa saber de onde veio ou para onde vai.

Desde domingo passado, muita coisa se escreveu sobre o cineasta Eduardo Coutinho, mas quase nada sobre a tragédia de que ele foi vitima. Os elogios a ele e seu trabalho são mais do que justos. Coutinho não foi somente o maior documentarista da história do cinema brasileiro, como também um dos cineastas mais importantes no cinema contemporâneo em todo o mundo.

Seus filmes eram uma tentativa permanente de conhecer e entender o ser humano, sobretudo aqueles a nosso lado, os mais desimportantes. Coutinho sabia que a humanidade era uma só, que as nossas diferenças não nos separavam. Era tudo natural e ele observava isso com curiosa naturalidade.

A geração de Coutinho, à qual eu também pertenço, fez sua cabeça nos anos 1960, quando o mundo viveu revoluções de comportamento, gestos de rompimento com o passado de injustiças, preconceitos e regras inúteis. A negação das instituições estabelecidas nos levou aos direitos civis, à liberdade sexual, à cultura pop, à consagração do relativismo, à afirmação dos negros, à liberação das mulheres, ao orgulho gay, à informação instantânea, ao valor da psicanálise como reconstrução do indivíduo, a sexo, drogas e rock’n’roll.

Os anos 1960 acolheram as aspirações de uma juventude que queria mudar o mundo de um modo diferente do proposto até ali. Segundo Contardo Calligaris, a contracultura foi “a única revolução do século 20 que deu certo e, ao dar certo, melhorou a vida concreta de muitos, se não de todos”.

Uma dessas mudanças estava na antipsiquiatria inaugurada pelo italiano Franco Basaglia e pelo inglês Ronald Laing. Para esses cientistas, o que era considerado tradicionalmente como loucura eram apenas formas originais e às vezes mais radicais de as mentes humanas se manifestarem. O “louco” convencional passou a ser uma espécie de arauto de novidades sobre o homem, que o “normal” não conseguia exprimir.

Nos anos 1970, Michel Foucault, um de nossos ídolos do relativismo, publicava livro cujo título era a primeira frase do depoimento feito na Justiça francesa, em 1835, por um preso por assassinato: “Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão.” Pierre Rivière, jovem camponês, assassinara a golpes de foice sua mãe grávida de sete meses, sua irmã de 18 anos e seu irmão de 7 anos. O que o teria motivado a cometer um ato de tamanha brutalidade? Foucault tentava explicá-lo de modo inteligente e sofisticado, opondo o trabalho jurídico ao psiquiátrico. Mas a mãe e os irmãos de Pierre Rivière estavam definitivamente mortos.

Esses crimes de “familicídio” se repetem ao longo da história da humanidade. Agora que a população do planeta se multiplica em ritmo geométrico, tudo o que acontece com ela também se multiplica, inclusive a tragédia. E a informação nos chega mais rapidamente, pela informação instantânea através do mundo inteiro, aumentando a importância do número de crimes.

A vida acaba sem que você saiba de onde veio o golpe, mas uma obra como a de Eduardo Coutinho ficará para sempre. No curso da história, seus filmes estarão sempre na lembrança de todos, enquanto sua morte mal será lembrada como uma trágica anedota que não altera o que ele fez. Mas... e se Daniel pudesse ter sido internado, afastado, de algum modo mais humano que a barbárie do hospício, do convívio com aqueles que poderia destruir?

É preciso fazer um documentário sobre Coutinho, é a maior homenagem que se pode prestar a ele.

Não um doc inocente, mas um filme que faça perguntas que desvendem a vida, como ele sabia fazer.

Não basta o clássico depoimento de amigos que o amavam e o admiravam tanto, como todos nós. É preciso ouvir os personagens e os entrevistados semelhantes aos de seus filmes, seus vizinhos, seu filho promotor, a viúva ferida e sobretudo Daniel.

Fonte: O Globo

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Marco Antônio Franklin de Matos: As serenas utopias de Armênio Guedes

A publicação recente de Armênio Guedes: sereno guerreiro da liberdade, do jornalista Sandro Vaia, e de O marxismo político de Armênio Guedes, coletânea de textos do dirigente organizada pelo professor Raimundo Santos, traz à luz uma das figuras mais singulares do movimento comunista brasileiro. É interessante notar que as duas publicações se complementam, dando ao leitor uma visão ampla sobre a vida pessoal e sobre as reflexões políticas do veterano líder da esquerda democrática.

O que distingue a obra de Santos é a relevância da seleção de textos apresentada e, acima de tudo, a instigante introdução elaborada pelo organizador situando a evolução pessoal e ideológica do dirigente comunista num contexto teórico e político rigorosamente traçado dentro dos conflitos sociais da época e dentro das vicissitudes vividas pelo PCB.

Tal introdução começa em período anterior ao golpe de 1964 quando Armênio lutava dentro do PCB para transformá-lo na “esquerda positiva” pregada então por Santiago Dantas, uma esquerda propositiva e democrática, voltada para a inserção do Partido no quadro político real e não para a elaboração de golpes ou motins.

É interessante observar que Raimundo Santos situa em sua análise o momento de transformação vivido pelo País na época marcada pela luta em prol das reformas de base e que, infelizmente, culminou no golpe militar. Nesse contexto, ele mostra a importância de Guedes para a elaboração da Declaração de Março de 1958 e destaca a figura importante de Armando Lopes da Cunha, um dos primeiros comunistas a se posicionarna imprensa partidária sobre o relatório Kruschev e um dos grandes elaboradores da nova tática pecebista de aproximação com a sociedade e de valorização da democracia.

Em suas argutas observações, Santos mostra o importante papel que Armênio desempenhou na elaboração da ideia de “frente única” nos idos de 60, elaboração que levava em conta sempre a legalidade constitucional, pois concebia a “revolução brasileira” pelo caminho democrático, dentro do que Engels em 1895 já chamava de “desenvolvimento normal dos acontecimentos”. Ressalta ainda que pode ser considerada requintada para os padrões da época a análise de Guedes a respeito da importância do Partido lutar no interior do governo JK para fortalecer a ala nacionalista contra a ala “entreguista”. E lembra que, segundo Guedes, se esta batalha fosse perdida, o PCB deveria preparar-se para participar da “frente única” com vistas a vencer as eleições presidenciais de 1960. Ou seja: para Armênio, o caminho era dentro da normalidade, normalidade que os golpistas não hesitaram em quebrar em 1964, pois compreenderam que ela favorecia o movimento popular.

Nesse sentido, a coletânea organizada por Raimundo Santos abre-se em direção a uma análise mais profunda da evolução do líder comunista. O professor reúne em sua obra importantes textos de Armênio, alicerçados em torno do que ele chama de “marxismo político”, que é a capacidade do dirigente comunista de valorizar sempre e em todas as circunstâncias a política, a análise fina da conjuntura política e, dentro dela, a democracia como valor inegociável. O documento da Guanabara de 1970 é novamente publicado e insere-se no livro como um exemplo marcante do “marxismo político” de Armênio.

Santos chama a atenção em seu texto para uma curiosa situação observada nos anos de chumbo: a oposição nos meios intelectuais entre duas posições distintas diante do regime militar:

Nos anos de chumbo, observamos duas posições bem contrastantes quanto às possibilidades da oposição: de um lado, estaria a de Florestan Fernandes quando desenha, para aquele momento, um cenário por demais sombrio, e de outro, a do publicista Armênio Guedes apresentando, no seu texto de 1970, já mencionado, uma visão mais aberta. Enquanto o sociólogo da USP divisa um tempo fechado à atividade dos atores, o olhar mais atento de Guedes leva a uma estratégia oposicionista por meio da política, terreno onde os protagonistas, com todas as suas restrições, teriam iniciativas para se movimentar e vir a criar um campo de resistência ao regime de 1964 (p. 55).

A importância da luta democrática travada por Armênio dentro do PCB é evidenciada em outro momento da batalha partidária nas décadas de 70 e 80, batizado por Santos de “segunda renovação pecebista”. Apesar da derrota dos renovadores (que tinham na pessoa de Armênio um referencial político e humano), Santos destaca a coerência de suas posturas e, mais uma vez, prepara o leitor para tirar o melhor proveito possível dos textos que a coletânea disponibiliza, com ênfase naqueles em que Armênio elabora a ideia de uma frente única policlassista para derrotar a ditadura militar e, mais que isso, para construir um novo regime estável de amplas liberdades democráticas. Ao final de sua interessante introdução, o autor nos põe em contato com o período final das reflexões de Guedes (o que faz com que os dois livros analisados definitivamente se complementem), citando uma passagem do dirigente pela televisão:

Em um programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo (2008), referindo-se ao “caminho democrático ao socialismo” do PCI, afirmou, em tom, digamos, bem consciente do tempo em que estamos (mas também com olhar retrospectivo) que o que os comunistas italianos haviam trilhado, de fato, era um caminho democrático para a democracia (p. 63).

Já o livro de Sandro Vaia está mais voltado para as peripécias da biografia pessoal de Guedes, contendo relatos deliciosos sobre as aventuras do dirigente, desde sua juventude na Bahia quando iniciou a militância no PCB até seu desligamento silencioso e marcante em 1983, passando por suas desavenças com Luiz Carlos Prestes e por suas insubordinações em Moscou, como quando insistia em falar sobre futebol (é torcedor apaixonado do Botafogo de Garrincha e Nilton Santos) nas solenes reuniões patrocinadas pelo Partido Comunista da União Soviética. A esse respeito, há uma passagem do relato de Vaia que põe em evidência a singela e elegante desobediência de Armênio aos cânones do “marxismo-leninismo”, quando, em 1954, ele discorda de companheiros que queriam que todos torcessem pelos países socialistas na Copa do Mundo da Suíça. Diz Armênio:

Os russófilos todos torciam para os comunistas, menos eu e mais dois. Tivemos brigas terríveis. Uma vez, numa discussão, eu disse a um desses caras: o negócio do futebol está acima ou abaixo da luta de classes, não tem nada a ver com isso; de maneira que eu torço para o Brasil. Em matéria de futebol, torço primeiro para o Botafogo e depois para o Brasil. Você torce para quem quiser que eu não tenho nada a ver com isso (p. 5-6).

Outra passagem curiosa deste período na URSS é o relato do cansaço de Armênio ao visitar museus. Diz ele a Vaia em seu depoimento que sua cota de visitas já havia se esgotado na época em que esteve em Moscou. A mesma distância do líder comunista em relação à rígida disciplina soviética manifesta-se também numa visita a Leningrado quando os camaradas brasileiros foram levados a assistir a uma opereta. Cansado por ter que entortar o pescoço para ver o palco em razão da presença de uma coluna incômoda, Armênio e mais três companheiros retiraram-se e foram ao bar tomar vodca, o que lhes valeu uma dura reprimenda de João Amazonas:

Parecia uma sessão espírita de crítica. Os chefes nos informaram que os camaradas soviéticos tinham considerado a nossa atitude um desrespeito. Eles tinham nos levado ao teatro para elevar a nossa cultura e nós abandonamos o teatro. E ainda por cima ficamos sozinhos num bar, em plena Leningrado, um porto internacional frequentado por estrangeiros, entre os quais poderia haver espiões, que poderiam aproximar-se de nós e etc. etc. etc.(p. 64)

Embora centrado em aspectos curiosos da vida pessoal de Armênio, o relato de Vaia tem o mérito de contá-los de maneira informal, bem humorada e, sobretudo, ligando tais episódios à visão ideológica do veterano dirigente, bastante distinta da visão dogmática vigente no movimento comunista da época. Na sequência da narração dos episódios, aparece a informação de que Armênio, por se mostrar sempre conciliador, tinha uma análise mais moderada sobre o PTB de Getúlio e Jango, visto à época como inimigo por amplos setores do PCB. Tal compreensão estreita do papel do trabalhismo na cena política brasileira levara o Partido Comunista às posições radicais e desligadas do movimento real da sociedade expressas no Manifesto de Agosto de 1950 e no combate visceral a Vargas no episódio do suicídio de 1954.

Encerrando o capítulo que trata da permanência de Armênio em Moscou, há um significativo parágrafo que reforça a ligação entre as situações pessoais de Guedes e seu futuro no Partido:

Armênio ficou em Moscou até março de 1955, comprando pequenas e grandes brigas; saiu de lá com a fama de malcriado, a pecha de “nacionalista burguês”, e um veto implícito para qualquer cargo de direção do partido (p. 66).

Na sequência, Vaia narra os efeitos bombásticos sobre o PCB e sobre o movimento comunista internacional das revelações feitas por Kruschev no XX Congresso do PCUS a respeito dos crimes de Stalin. Na ocasião, encontramos Armênio na ala renovadora do PCB, ao lado de Agildo Barata. Enquanto as discussões são travadas em torno do horizonte comunista da época, vendo no trágico episódio uma simples consequência do chamado “culto à personalidade”, Armênio vê mais fundo e luta pela efetiva democratização do PCB como caminho para superar o impasse vivido pelos comunistas depois da publicação do relatório de Kruschev. Já então, surgem com clareza suas simpatias pelo Partido Comunista Italiano que, liderado por PalmiroTogliatti, elaborava o chamado caminho democrático para o socialismo, antecipando o eurocomunismo. Nesse contexto, o líder comunista choca-se com Prestes e com o conservadorismo do PCB, demonstrando mais simpatia por Gramsci do que por Lenin, suprema heresia rejeitada pela direção partidária.

Outro episódio narrado por Vaia refere-se à divulgação pelo PCB da Declaração de Março de 1958 (publicada na íntegra na coletânea organizada por Raimundo Santos), documento que teve ativa participação de Armênio e provocou acirradas discussões internas no Partido, abrindo as portas do PCB para a renovação em seus métodos organizacionais, em sua ligação com as massas populares e com o que se chamou então de “via pacífica para o socialismo”. Apesar das limitações inerentes ao período e do severo tributo pago aos dogmas do marxismo-leninismo, a Declaração de Março é um símbolo na história do PCB, pois, pela primeira vez em tantos anos, o Partido tenta realizar uma efetiva reflexão sobre a realidade brasileira e coloca no centro desta reflexão a conexão entre a questão democrática e a questão nacional. Embora a democracia não seja ainda considerada um valor permanente, ela ocupa papel central no documento e reafirma em Armênio suas convicções de que a “revolução brasileira” teria que passar pela legalidade constitucional, a chamada “democracia burguesa” no pensamento tradicional comunista.

O livro de Sandro Vaia prossegue com leveza sua narrativa colocando em evidência o papel de Armênio na crítica reiterada às posturas do PCB no período que antecedeu o golpe de 1964. Embora oficialmente fizesse parte da aliança política que sustentava o governo de João Goulart (o que foi um mérito dos comunistas), o PCB pressionava de maneira indevida o governo de Jango, confiando num pretenso e inexistente “aparato militar”. Armênio, convencido de que o caminho democrático era o único possível, teve várias discussões com Prestes discordando da linha política “golpista”, que seria mais tarde criticada pelo próprio Partido em 1967, no VI Congresso realizado em plena ditadura militar. Em reflexões sérias sobre o período do golpe, Armênio destaca que o movimento popular foi derrotado na sociedade civil antes de o ser pela força das armas. Mais uma vez, o velho militante atua na contramão dos companheiros, mas se mantém fiel a seus valores.

Mesmo que o livro de Vaia seja econômico na publicação de textos produzidos por Armênio, apresenta um importante trabalho de 1970, o famoso documento do Comitê Estadual da Guanabara oficialmente divulgado em nome do Partido carioca, mas que foi redigido por Guedes. Nesse documento, afloram aspectos marcantes da análise de conjuntura realizada pelo dirigente comunista naquela difícil quadra da vida política nacional, no auge da ditadura militar. Armênio analisa a situação com rara precisão, apontando a mudança de regime político como a essência da situação abordada, ou seja, o capitalismo brasileiro para continuar sua reprodução necessitava de um outro sistema político, autoritário e burocrático, distante do regime anterior marcado pelo populismo e pela ascensão das massas urbanas.

Ao mesmo tempo, o documento destaca as contradições internas do regime e as possibilidades que tais contradições poderiam abrir para as forças democráticas, desde que elas soubessem se unir, aproveitando os mínimos espaços concedidos pelo regime e inserindo-se na luta parlamentar e na luta de massas. O eixo da análise de Armênio concentra-se na luta democrática e unitária contra a ditadura, opondo-se radicalmente à luta armada que seduzia tantos quadros respeitáveis da esquerda na época e preanunciando a vitória do MDB em 1974, primeiro sinal concreto da derrocada do regime autoritário.

Em sua volta do exílio, em 1979, Armênio mantém a mesma posição defendida no documento de 1970. Em duas entrevistas dadas ao Jornal do Brasil, o líder comunista combate frontalmente as ideias do Comitê Central de então, não poupando sequer o legendário Prestes. Na ocasião, ele formula claramente a estratégia democrática de conquista do socialismo, alinhando-se às posições do PCI. Essa postura é defendida por Armênio até seu desligamento inesperado do Partido em 1983, quando, depois de ser advertido por Giocondo Dias por uma suposta indisciplina partidária, ele dirige-se ao cinema, passeia pela cidade e, ao voltar, afasta-se definitivamente do PCB. Mais uma vez, sobressai a postura lúcida, serena, porém firme de defender suas ideias e concepções.

A esse respeito, o livro de Raimundo Santos destaca que, por trás deste gesto singelo de Armênio, vinha à tona a última batalha dele contra o Comitê Central, a análise do golpe militar na Polônia em 1982, vista por Armênio como produto da falência do modelo autoritário de socialismo e pelos companheiros como necessidade dramática de defesa do campo socialista contra as manobras da Otan e do imperialismo americano.

Posteriormente, Vaia destaca a fugaz atividade de Armênio no PMDB e, mais tarde, seu recolhimento à postura atual de “comunista avulso”. Porém, é importante registrar mais uma mudança na busca de Armênio por um mundo melhor: da original utopia comunista tradicional, passou à luta democrática pelo socialismo na linha do eurocomunismo (que ele, ironicamente, chamava de “neurocomunismo”) e desta à atual utopia, isto é, o “caminho democrático para a democracia”. É desse período a orelha que Guedes escreveu para a edição brasileira do livro de Giuseppe Vacca, teórico do Partido Democrático italiano (herdeiro do PCI), Por um novo reformismo, na qual resume sua própria concepção da política:

O marxismo político de Vacca aparece inteiramente reconciliado com a essencial democrática política, que não é nem nunca foi “burguesa”. Historicamente, o que ampliou as fronteiras do liberalismo foi a luta mais do que secular dos “grupos subalternos”, para usar a linguagem de Gramsci [...]

Para Vacca, socialismo e capitalismo, por assimétricos, não são termos antagônicos: o primeiro é um modo de “regulação”, o segundo um modo de “produção”. Não vejo nisso nenhum espírito de “conciliação”, mas um convite desafiador a pensar no conteúdo dessa possível regulação de tipo socialista (p.177).

Encontramos assim, ao final da narrativa de Vaia, a última etapa do caminho de Armênio em busca de uma nova sociedade: a aceitação plena da “ democracia como valor universal”, na feliz expressão de Enrico Berlinguer, teorizada não sem certa polêmica por Carlos Nelson Coutinho. Como poderemos definir essa trajetória do experiente e lúcido dirigente? Não apenas com a compreensão dos limites históricos e sociais dentro dos quais ele atuou, mas também recorrendo a um conceito plasmado por Gyorgy Lukács na análise da decadência ideológica vivida pela burguesia a partir das jornadas de 1848 na Europa: o máximo de consciência possível. Na evolução de Armênio, das posições iniciais de luta contra o dogmatismo stalinista até suas concepções atuais próximas dos teóricos do PD, o que se verifica é “o máximo de consciência possível” dentro dos horizontes de uma esquerda democrática latino-americana interessada em pensar o mundo em sua dinâmica contraditória e pluralista.

Na etapa final de sua evolução política, Armênio fixa-se na democracia como via da política, como construção de uma nova sociedade humana centrada na política e tendo na democracia seu único e necessário caminho. É a última e definitiva utopia serena deste baiano de fala mansa e certezas fortes. Coloca-se, assim, no centro das reflexões marxistas atuais, cujo eixo é romper com o passado do partido de esquerda que tem objetivos políticos distantes da democracia política (e uma prática política autoritária) e buscar a construção de instrumentos políticos mais ágeis e mais condizentes com a modernidade. O destaque dado à utopia democrática de Armênio Guedes é, sem dúvida, a lição que extraímos desses dois livros que, nascidos separadamente, unem-se no mesmo objetivo de contar a vida de um dirigente comunista que atravessou o “curto século XX” em defesa de um mundo mais bem construído democraticamente.

Marco Antônio Franklin de Matos é Orientador Educacional, Mestre em Teoria e Crítica Literária pela PUC-SP.

Sobre as obras:

Armênio Guedes: sereno guerreiro da liberdade, de Sandro Vaia. São Paulo: Barcarolla, 2013. 254p.

O marxismo político de Armênio Guedes/ Raimundo Santos, organizador. Brasília: Fundação Astrojildo Pereira, 2012. 207p.

Os limites de um governo de propaganda

A realidade tem se ocupado de desmentir as barbaridades que os petistas dizem ou cometem. As respostas nem demoram mais a vir. São os limites de um governo moldado no marketing e na farsa se impondo. Acontece tanto na política, quanto na economia ou em iniciativas que deveriam ser meramente administrativas, mas costumam ser sempre eleitoreiras.

O julgamento do mensalão, por exemplo, resultou na condenação e na detenção de réus que foram transformados, pela narrativa petista, em “presos políticos”. A cinematográfica fuga e a prisão de Henrique Pizzolato, ocorrida ontem na Itália, mostram, mais uma vez, que não se trata de nada disso: são meros petistas presidiários. Um bando deles.

Pizzolato é uma síntese perfeita do arrivismo e do oportunismo que acompanham petistas que ascenderam ao poder. No comando de uma das mais ricas diretorias do maior banco do Brasil, amealhou fortuna digna de nota. Descrito como “meticuloso, disciplinado e excelente estrategista”, tinha 11 imóveis em julho de 2005, época em que veio à tona que recebera R$ 326 mil do esquema do mensalão.

Sua estratégia para fugir do acerto de contas com a Justiça brasileira é antiga. Começou a ser traçada oito anos atrás, como mostrou o Correio Braziliense no domingo. Neste ínterim, o ex-diretor do Banco do Brasil desfez-se de parte dos bens e divorciou-se da mesma mulher com quem vive até hoje para tentar livrar seu patrimônio do arresto. Ainda assim, mantém até hoje fortuna avaliada em R$ 6 milhões e aposentadoria de R$ 20 mil.

Sobre Pizzolato, a maior dúvida agora é se ele será merecedor da solidariedade e dos punhos cerrados de gente como o deputado André Vargas ou se será aquinhoado com a vaquinha amiga de companheiros para pagar as multas do mensalão – cuja origem sabe-se lá qual é... Ou, quem sabe, Pizzolato merecerá um almoço-homenagem como o que mereceu João Paulo Cunha, o mais novo presidiário petista da Papuda?

Assim como implodiu a narrativa petista sobre os mensaleiros, a dura realidade também cuidou de mostrar a indignidade que acompanha o tratamento dispensado a cubanos arregimentados pelo Mais Médicos. E logo um dia depois de a presidente-candidata Dilma Rousseff e o ministro-candidato Alexandre Padilha brandirem o programa como bandeira eleitoral num ato que deveria ser administrativo.

Ao deixar o posto que ocupava no Pará, a médica cubana Ramona Rodriguez expôs as condições degradantes impostas aos profissionais recrutados pelo governo petista junto à ditadura dos irmãos Castro. Ela recebia apenas US$ 400 dos alardeados R$ 10 mil que a gestão Dilma diz oferecer como bolsa. Além disso, foi recrutada por uma S.A. cubana e não pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), como divulgara o governo.

Também na economia, a chata realidade teima em desmentir o trololó petista. No mesmo dia em que Dilma comandava uma operação-abafa no Planalto para negar a ameaça de racionamento e seu ministro de Minas e Energia afirmava que o risco de apagões era “zero”, 13 estados do país ficaram quase duas horas às escuras.

O sistema elétrico brasileiro está hoje no fio da navalha, operando sem sobra de energia, com os mais altos custos da história, com empresas em processo falimentar e o Tesouro vergado por subsídios bilionários decorrentes da redução truculenta das tarifas. É a realidade mostrando que, na marra, as coisas não se resolvem. Só pioram.

Para completar, logo após Dilma apresentar em Davos e enviar ao Congresso uma mensagem sobre a situação da economia brasileira que mais parece um conto de fadas suíço, o Ministério da Fazenda se vê obrigado a escalar gente talhada para conquistar a confiança do mercado e dos analistas, que só conseguem ver um futuro para o país: o fundo do poço. Se está tudo tão bem, por que Guido Mantega teve que mexer na primeiro escalão da equipe dele?

Houvesse consistência em suas ações e palavras, os atos do governo e dos petistas não estariam esboroando como castelos de areia na beira da praia. Nem é a oposição que os derrota; é a mera realidade dos fatos. Num governo em que a presidente é tutelada desde o primeiro dia e o mais poderoso ministro é o da propaganda, não poderia ser diferente.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Michel Zaidan Filho: A cultura política do Bombril

Fui surpreendido, ontem, por um pedido de entrevista de um dos veículos do sistema JC de comunicação: a repórter queria uma avaliação sobre a decisão do senador e ex-governador do estado, filiado ao PMDB, de não mais concorrer à reeleição ao senado e sua indicação do nome de oposicionista Raul Jungman (PPS) para integrar a chapa majoritária do PSB ao governo do estado de Pernambuco! Surpresa? - Nem tanto. 

Mas se um marciano pousasse em Pernambuco e tentasse entender a política brasileira, teria com certeza muita dificuldade. Como é possível que um político que foi, em passado recente, um duro crítico da família do atual governador indique um oposicionista de carteirinha para ser candidato à vice-governador na chapa do principal alvo de críticas, durante todos esses anos?

Pois é. Aí, nós temos de dar razão ao ex-governador (DEM) Gustavo Krause, que uma vez disse que a política entre nós é como bombril, serve para tudo, tem mil-e-uma utilidades, inclusive de a um inveterado crítico ser ao mesmo tempo parceiro político do criticado, sem muitas explicações. Mas há outras explicações que iluminam esse caso:

1) a trajetória política do próprio Jungmam. Este cidadão é um personagem a procura de um autor, que o leve a sério. Já foi arraisista, na época que tinha um aparelho instalado no edifício São Carlos, chamado "Avança Recife", tido como linha auxiliar do governo do PSB. Depois, entrou no Partido Comunista Brasileiro, compondo a ala mais radical do partido. Finalmente, tornou-se "um quadro a disposição" do PSDB, quando tornou-se assessor dos governadores cearenses do PSDB.

Foi parar no ministério do planejamento, no IBAMA e, finalmente, no Ministério da Reforma Agrária. Quando saiu do governo de FHC, continuou "à disposição" do PSDB: procurou filiar-se ao PMDB para combater a candidatura de Itamar Franco, não o aceitaram. Procurou o próprio PSDB, mas também não obteve guarida por lá. Veio cair no PPS de Roberto Freire. 

Conclusão: um quadro-laranja, ora à disposição do PSDB nacional, ora à disposição do PMDB local, comandado personalisticamente pelo ex-governador de Pernambuco. A sua indicação por este político para compor a chapa majoritária às eleições do estado se elucida pelo efeito Bombril e pela sua inesgotável servidão ao efeito laranja, no caso específico, laranja do PMDB jarbista (anti-lulista), de oposição.

2) Mas a repórter também quis saber as razões da desistência do ex-governador em se recandidatar para concorrer a mais um mandato pelo Senado Federal. Essa resposta é mais fácil: a coligação que o elegeu governador e senador por Pernambuco, acabou-se, desfêz-se como uma bolha de sabão.

O risco de mais uma derrota no currículo vitorioso do senador é muito grande. No ambiente de absoluta e total cooptação e aliciamento dos partidos "bombril" e "laranja", ser oposição é tarefa muito difícil, senão inglória. Só permanece como oposição, quem não tem como aderir à situação. Com as honrosas exceções de praxe: os partidos ideológicos, da esquerda, que não são partidos de mera competição eleitoral cujo fim é a vitória, a qualquer preço.

3) O anti-lulismo é a única coisa que une esses partidos e políticos. Todos querem a mesma coisa, mas vão deixar a briga pelo botim, para depois da sonhada derrota de Dilma Roussef.

Michel Zaidan Filho, sociólogo e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Teresa Cristina, Wilson Moreira e Diogo Nogueira - Testamento de partideiro (Candeia)

Manuel Bandeira: Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

OPINIÃO DO DIA: Eduardo Campos

“A reação da senadora Gleisi mostra o jeito precário de fazer e discutir o País. A gente faz uma crítica política, para discutir a macroeconomia e a pessoa vem com ataque pessoal, com desaforo. É um jeito vencido de fazer política.”

Eduardo Campos, “Gleisi chama Eduardo Campos de ‘oportunista’ e ‘ingrato’. O Globo, 6 de fevereiro de 2014.

Apagões começam pelos pobres

Determinação às distribuidoras é a de que, em casos de blecautes, seja suspenso, prioritariamente, o fornecimento às áreas menos favorecidas, onde não haja prédios, hotéis e fábricas. Dilma teme que a falta de luz em regiões carentes prejudique a reeleição

Sílvio Ribas

A maior parte dos brasileiros prejudicados pela série de apagões ocorridos desde a posse da presidente Dilma Rousseff — o mais recente deles aconteceu anteontem e afetou mais de 6 milhões de pessoas em 13 estados e no Distrito Federal — está nas camadas mais pobres da população, sobretudo moradores das periferias das principais metrópoles do país. Em virtude de protocolos obedecidos pelas concessionárias de distribuição de eletricidade durante o que as empresas chamam de grandes “perturbações” do Sistema Interligado Nacional (SIN), a ordem é cortar o fornecimento nas áreas menos favorecidas e populosas, onde não haja prédios, hotéis e empresas.

Gestores das companhias estaduais de energia explicam que o procedimento técnico conhecido como Esquema Regional de Alívio de Carga (Erac), coordenado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), impõe cortes seletivos com o critério de evitar transtornos nos principais centros comerciais e empresariais e na regiões mais ricas, como, por exemplo, a Zona Sul do Rio, devido à maior concentração de empreendimentos de grande porte. “Os problemas decorrentes de falta de energia são maiores nas áreas em que há prédios, pois há o risco de pessoas ficarem presas em elevadores e de terem que descer muitos andares de escada. Nas áreas residenciais, é menos traumático ficar sem luz, mesmo que por algumas horas”, disse um técnico consultado pelo Correio.

Nos bastidores do governo, há, porém, preocupação com esse processo seletivo, pois o público mais prejudicado pelos blecautes está na base eleitoral da presidente Dilma Rousseff. Caso os apagões se tornem frequentes, como alertam os especialistas, podem tirar votos importantes para a reeleição da petista neste ano. Nas reuniões internas do governo, ocorridas nos últimos dois dias e comandadas pela presidente, o clima é de apreensão. Não bastassem os problemas na economia, com inflação e juros em alta e baixo crescimento econômico, agora o fantasma do racionamento voltou a assombrar o Palácio do Planalto, onde não se admite a possibilidade da repetição de 2001, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a limitar o consumo de energia, provocando enorme desgaste ao governo na época.

O Planalto reconhece que a forte onda de calor e a estiagem nas áreas onde estão os grandes reservatórios de hidrelétricas são preocupantes e podem aumentar o pessimismo em relação ao governo. Impulsionado pelo uso de sistemas de refrigeração, o consumo de energia cresceu 11,8% em janeiro frente a igual período de 2013, para 68,828 mil megawatts (MW) médios. A tensão é tamanha em repetir o vexame de apagões em pleno ano eleitoral, que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou às distribuidoras para que não divulguem projeções meteorológicas “para não assustar” a população.

No caso dos Eracs implantados esta semana, as distribuidoras estaduais tiveram que suspender 8% de sua carga por um período de pelo menos 35 minutos, a partir das 14h03. No Distrito Federal, 16 mil pessoas ficaram sem luz. A maioria das vítimas estava nas áreas rurais de Planaltina e Brazlândia, distantes do centro da capital. As empresas ressalvam, contudo, a exclusão de presídios e hospitais das interrupções.

Balanço
A AES Eletropaulo informou que o fornecimento de energia foi cortado para quase 2 milhões de habitantes em cidades da Grande São Paulo, como Vargem Grande Paulista, Embu, Diadema e Cotia, além de bairros populosos da capital paulista, como Capão Redondo, Pedreira, Cidade Ademar, Mooca, São Mateus, Vila Prudente, Itaquera, Vila Mariana, Guaianases e Vila Matilde.

No Rio de Janeiro, a história foi a mesma: mais de 800 mil pessoas ficaram sem luz no estado, segundo informações das concessionárias Light e Ampla. A pedido do ONS, na capital, foram afetados os bairros do Méier, Pavuna, Inhaúma, Irajá, Penha, Cascadura e Madureira, na Zona Norte, além de Bangu, Campo Grande, Guaratiba e Jacarepaguá, na Zona Oeste. Na Baixada Fluminense, foram atingindos os municípios de Mesquita, Belford Roxo, Queimados e Nova Iguaçu.

Apesar de o governo descartar qualquer conexão entre a elevada demanda de energia e as causas do primeiro apagão do ano, o ONS informou ontem que foi registrado novo recorde de consumo de eletricidade exatamente três minutos antes da interrupção. Às 14h da última terça-feira, a demanda da região Sul atingiu o pico de 17.412 megawatts (MW).

Fonte: Correio Braziliense