domingo, 9 de fevereiro de 2014

José Arthur, Giannotti: Ser de esquerda - tema e variações

Preocupa a falta de modos de políticos e magistrados no exercício de suas funções representando formalmente Poderes da República. Mas se torna um perigo político maior contestar sistematicamente decisões formalizadas de uma instituição pública. Não é o que mostram as afirmações, cada vez mais insistentes, pondo em dúvida a validade das condenações dos réus do mensalão? Em que bases se sustenta a censura de que o processo foi eminentemente político e os coitados dos réus estão sendo enviados injustamente para a prisão?

Suponhamos que o relator da Ação Penal 470 seja um antipetista roxo. Suas acusações foram sistematicamente arguidas pelo ministro revisor, depois discutidas e votadas pelo STF como um todo, inclusive por ministros que podem ser considerados petistas roxos. Espera-se ainda um novo julgamento dos réus cujos embargos infringentes foram aceitos. Mesmo que sejam absolvidos, como parece provável levando em conta a nova composição do tribunal, isso em nada afeta as penas já definidas.

Por certo, todo tribunal pode errar. No caso, porém, diversos processos foram enfeixados numa ação, até de pessoas sem ligações partidárias. Não acredito numa objetividade absoluta, mas esse julgamento tem a probabilidade de ser muito mais objetivo do que se os julgamentos resultassem de tribunais de primeira instância e, depois, retomados pela segunda instância. No mínimo dez juízes discutiram ampla e publicamente seus casos. Se foram condenados, é porque pelo menos a maioria do tribunal concordou que infringiram o Código Penal. Que aleguem inocência, em geral todos os réus o fazem, e a temporária privação da liberdade também tem a virtude de levá-los a meditar sobre as vantagens das formalidades da lei.

Afirmar que o julgamento foi eminentemente político não é, pois, ato de protesto, mas, antes de tudo, revela uma triste incompreensão do papel do Direito numa sociedade contemporânea e democrática. E nisso retomam uma velha tradição ligada à esquerda e ao marxismo.

A despeito de sua luta contra o anarquismo, o próprio Marx sempre apostou no fim do Estado. A ditadura do proletariado, como período de transição proposta depois da Comuna de Paris (1871), pensava a ditadura no sentido romano: uma delegação de poderes para resolver determinadas situações de emergência, no caso, concessão para destruir a sociedade de classes. Mas a democracia haveria de ser muito superior àquela vigente na sociedade burguesa. Como, nunca foi explicitado.

Depois da Revolução de Outubro de 1917, quando rapidamente se instalou um Estado forte e totalitário, os teóricos do marxismo se engalfinharam a respeito dessa questão. E não foi à toa que Rosa Luxemburgo criticou Lenin por instaurar o regime dos sovietes e Karl Kautsky passou para a história oficial como um renegado.

Não têm mais sorte aqueles que hoje em dia acreditam ser possível corrigir as falhas de um Estado forte graças ao recurso ao plebiscito. Essa fórmula, "Estado forte mais plebiscito", foi proposta por Carl Schmitt antes mesmo de esse extraordinário jurisconsulto aderir ao nazismo. Ele defendia um Estado total forte, plebiscitário, contra o Estado total fraco, que nascia da crise da representação democrática. Não era o que acontecia aos seus olhos com o esfacelamento da República de Weimar? Entrevia na democracia liberal as contradições que a impediam de tomar as decisões necessárias para sair do impasse político e econômico, que terminaram propiciando a tomada de poder pelos nazistas. O Estado realmente forte haveria de politizar todos os domínios econômicos, culturais, religiosos e assim por diante, sem, contudo, conferir qualquer substância à política.

Neste momento de crise econômica e política internacional, a fórmula do Estado forte plebiscitário carrega consigo uma bomba contra a democracia representativa. Todo mundo sabe que num Estado forte o plebiscito tende a ser uma farsa. Imagine-se o que seria no Brasil, cuja organização representativa nos dias de hoje se esfarela como na República de Weimar. Por todos os lados surgem protestos pelos canais menos esperados. O atual sistema político não consegue responder a eles. E assim se cria aquela situação em que se espera por um salvador da Pátria: Jânio, Collor...

O antídoto não é melhorar nossas formas de representação? Como criar instituições representativas capazes de articular as novas demandas sociais, incluídas as que filtram pela internet? Pouco adianta termos eleições regulares quando, a cada eleição, mingua a qualidade da representação. No entanto, já nestas eleições, apesar das falhas de legislação, é possível melhorar sua qualidade.

Não vale simplesmente afirmar que a atual Presidência é de esquerda e, por isso, cabe apoiá-la seja lá como for. "Ser de esquerda" hoje em dia diz muita coisa. Se 20 milhões de pessoas entraram para o consumo, cabe perguntar desde logo se isso foi associado ao fortalecimento da produção nacional, impedindo assim que essa situação se reverta. Por si só consumo não cria oferta.

Por princípio, ser de esquerda implica agir politicamente tendo em vista modificar um sistema econômico e político que cria riquezas aumentando injustiças sociais. Mas cabe aos seus intelectuais estarem sempre atentos às novas formas de um sistema que se reinventa a cada crise. O intelectual de esquerda conservador, aquele que repete fórmulas criadas há mais de cem anos, é uma caricatura.

Ser contra o Estado forte e totalitário implica pensar novas formas de representação. Ser contra o capitalismo demanda uma análise cuidadosa de como se forma agora o excedente econômico, levando em conta a clivagem dos mercados transpassados pela luta por novas tecnologias. Depois das experiências do "socialismo real", a mera supressão dos mercados me parece um ideal fora do horizonte. Como é possível, então, conciliar mercados e representação popular? Urge erradicar o defeito do formalismo e do discurso matraca. Enquanto isso, convém não cuspir nas instituições democráticas que já temos, por mais defeituosas que sejam.

Professor de filosofia da USP, aposentado

Fonte: O Estado de S. Paulo

Merval Pereira: O impasse da reforma

O financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas está sendo fortemente contestado no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) da OAB que tem como base trabalho de professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Daniel Sarmento, Professor Adjunto de Direito Constitucional, Procurador Regional da República, e Aline Osório, mestranda em Direito Público e uma das advogadas da Clínica de Direitos Fundamentais da Faculdade de Direito da UERJ que, na qualidade de amicus curiae, sustenta a procedência da ADI 4.650, defendem em trabalho recente que “se admitirmos doações irrestritas e a atuação indiscriminada dos interesses econômicos nas campanhas, estaremos comprometendo a normalidade e a legitimidade das eleições”.

Os autores entendem que a “profunda insatisfação da sociedade com os rumos da representação política e um descolamento evidente entre a vontade de representados e representantes” exige “uma ampla reforma do sistema político brasileiro, voltada a torná-lo mais democrático, republicano e eficiente”.

Consideram “um dos pontos fundamentais desta reforma” a alteração do modelo de financiamento de campanhas vigente, sistema que “ao possibilitar a excessiva infiltração do poder econômico nas eleições, dá ensejo a profundas desigualdades entre eleitores, candidatos e partidos, bem como a relações antirrepublicanas e ao agigantamento da corrupção”.

Esse ponto de vista tem sido majoritário até o momento no julgamento do Supremo Tribunal Federal, o que pode criar as condições para que a reforma política afinal se concretize, pois não é possível manter-se o mesmo sistema eleitoral sem o financiamento privado.

Na audiência pública que o ministro Luis Fux promoveu para debater o tema, eu fui a favor do fim do financiamento por empresas, mas com a adoção do voto distrital misto, que baratearia as campanhas eleitorais e daria ao eleitor um controle maior sobre o seu representante distrital.
Jairo Nicolau, cientista político da UFRJ, um dos maiores especialistas em legislação eleitoral, não é otimista com relação à viabilidade de aprovação de uma reforma eleitoral. Em trabalho publicado recentemente em revista da Universidade Federal de Minas Gerais ele faz um balanço dos 20 anos em que o tema está sendo debatido.

Para ele “os legisladores praticamente esgotaram o estoque de propostas razoáveis de substituição (distrital, distrital-misto) ou de reforma da representação proporcional (lista fechada e flexível) no Brasil”. Por que deputados que se elegem basicamente por conta de seus esforços durante a campanha, e que cultivam uma relação direta com suas bases ao longo do mandato, quererão alterar o sistema eleitoral, pergunta Jairo Nicolau.

Ele destaca que entre os maiores partidos, apenas o PT tem uma posição forte em defesa de reforma do sistema eleitoral; o partido defende a adoção da lista fechada. Algumas lideranças do PSDB são simpáticas ao voto distrital, mas a opção não empolga a bancada do partido. Já o PMDB, o PSB e o DEM não defendem programaticamente nenhum sistema eleitoral especifico e seus dirigentes se dividem sobre o tema.

Ele identifica dois pontos de veto que praticamente inviabilizam qualquer mudança do sistema de lista aberta. “De um lado, a posição forte do PT em defesa da representação proporcional de lista fechada impede que qualquer opção por um sistema majoritário prospere; sem contar que uma mudança nesta direção exigiria uma reforma constitucional. Outro ponto de veto forte é constituído pelos parlamentares comuns, distribuídos por vários partidos, que temem ficar mal posicionados em seus partidos, na eventualidade de adoção da lista fechada”.

Fonte: O Globo

Dora Kramer: Tranco no barranco

O problema do PMDB com o governo já não é o ministério A, B ou C. A revolta da bancada da Câmara, que culminou com a decisão na semana passada de não indicar nomes para substituir os dois deputados que sairão das pastas do Turismo e da Agricultura para disputar eleições, tem a ver com a percepção de que o partido se tornou um estorvo a ser removido.

Não uma eliminação abrupta e radical. Afinal, tem ainda serventia: votos no Congresso e, em decorrência de uma representação parlamentar robusta, cobiçados minutos no horário eleitoral de televisão.

O movimento do governo seria o da desidratação lenta e gradual, com reflexos a cada nova eleição de modo a que o PMDB vá paulatinamente perdendo seu poder de fogo na cena nacional, até que não tenha mais a importância de hoje.

“Há uma tentativa deliberada de reduzir a bancada na Câmara”, diz o líder do partido, deputado Eduardo Cunha. Ele não atribui a ação exclusivamente à presidente Dilma Rousseff; considera o conjunto da obra: o projeto do PT de assumir a hegemonia política no país de modo a esticar ao máximo seu período de permanência no poder.

Por esse raciocínio, o PMDB seria a próxima vítima do processo de estrangulamento que enfraqueceu os partidos de oposição e quase fez desaparecer legendas outrora poderosas como o DEM.

A cada dia é mais firme essa convicção entre os peemedebistas, principalmente os deputados, os alvos preferenciais. Explicando melhor: a força do PMDB tem origem na eleição do maior número possível de deputados federais.

Por lei, a bancada na Câmara serve de parâmetro para estabelecer a divisão do tempo no horário eleitoral e a distribuição do dinheiro do Fundo Partidário. Duas moedas muito fortes no jogo do poder.

Com recursos e tempo, o PMDB se torna um aliado cobiçado para qualquer governo dos quais recebe a contrapartida em ocupação de espaços na máquina administrativa. Espaços estes de fundamental importância para eleger deputados, senadores, prefeitos e governadores.

Uma vez obstruídos esses caminhos, o partido tem reduzido seu fornecimento de oxigênio. Tende a eleger menos deputados o que, no ano seguinte, vai se refletir em parcela mais reduzida do fundo partidário e na eleição subsequente, em menor tempo de televisão.

Ao longo de duas, três eleições, um partido cai da classificação de legenda grande para agremiação de médio porte. Fica em segundo plano, não se credencia a postos de comando no Congresso e, quando dá por si, está em irremediável trajetória descendente
Esse é o resumo da ópera da revolta do PMDB com o PT, o governo e a presidente Dilma.

O partido não irá ao ataque. Não tem condições objetivas para romper. Mas, na trincheira da defesa, pode perfilar durante a campanha um desconfortável exército de dissidentes nos palanques estaduais.

Atrás da orelha. Permeia o ambiente no PMDB a desconfiança de que não está de todo afastada a possibilidade de o ex-presidente Lula da Silva vir a se candidatar a presidente, se o acúmulo de más notícias que rondam o governo não for só uma fase ruim.

Há também a suspeita de que Lula incentivou a filiação do empresário Josué Gomes da Silva — filho do falecido vice-presidente José de Alencar — como reserva técnica para a composição de uma chapa.

No caso, para deixar Michel Temer de fora. Se for isso mesmo, os peemedebistas já avisam que não há a menor hipótese e lembraram que Lula tentou o mesmo, sem sucesso, com Henrique Meirelles, hoje no PSD. No PMDB, reiteram os caciques, são precisos anos de serviços prestados para conseguir acesso à área VIP.

Adicional. Como se não fossem suficientes os problemas entre os dois partidos, a relação do PMDB com o PT do Rio de Janeiro está, na definição de um dirigente local, “cada vez pior”.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Eliane Cantanhêde:O diabo está solto

A coisa está tão embolada e todos estão tão encalacrados que já não se pode afirmar, com certeza, o que querem governo e oposição.

O que é pior para Dilma no caso da doutora Ramona Rodriguez, que pulou fora do Mais Médicos e criou um imbróglio diplomático? Que seja devolvida para Cuba e gere uma comoção aqui? Que consiga o visto dos EUA, vá para Miami e assanhe os colegas a fazer o mesmo? Ou que consiga o refúgio e caia na folia com o DEM?

Nenhuma solução é boa e a avaliação agora é sobre qual é a menos ruim. Acionam-se Deus e todo mundo em Havana e na embaixada americana para Ramona não puxar o fio do novelo em ano eleitoral.

E, para além dos gestos e declarações em público, será que Dilma e os articuladores petistas querem mesmo que o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato seja extraditado e vire mais uma alma penada na campanha?

Talvez seja melhor fazer os gestos para inglês e eleitor verem, mas mantendo as tratativas em banho-maria. E tem de combinar com os adversários: os italianos nunca engoliram a lambança que resultou na absolvição eterna de Cesare Battisti.

Ainda: o que pesa mais para Dilma no caso da energia? Vai ser pragmática ao analisar custos e aumentos de tarifas que sabe imprescindíveis, ou o coração eleitoral vai bater mais forte e deixar tudo para quando o Carnaval de 2015 passar?

No Rio, Eduardo Paes aumentou os preços de ônibus e reativou manifestantes e black blocs. Em São Paulo, Haddad cortou até canetas do material escolar e certamente atraiu a ira dos deuses --Lula e o PT.

Mas o dilema do PSDB não é menor: o que Aécio vai fazer com Eduardo Azeredo? O procurador pediu 22 anos de prisão para ele, que é de Minas e foi presidente nacional do partido. Afundar com Azeredo? Ou homem ao mar?

Como diz Dilma, em eleições todos fazem "o diabo". Portanto, cuidado: o diabo está solto por aí!

Fonte: Folha Online

Tereza Cruvinel: Descendo mais

Tendo o ex-procurador-geral da República Roberto Gurgel passado seus dois mandatos sem apresentar ao STF suas alegações finais sobre o processo do mensalão mineiro, instaurado em 2007, seu sucessor Rodrigo Janot o fez, menos de cinco meses depois da posse. E para surpresa do alto comando do PSDB, pediu 22 anos de prisão para o ex-governador, ex-senador e hoje deputado Eduardo Azeredo, oriundo de uma família de alta respeitabilidade moral e política em Minas. Temem os tucanos que o caso neutralize, pelo menos parcialmente, seu discurso ético que tem como alvo central o escândalo petista do mensalão, que hoje mantém preso, entre outros, o ex-ministro José Dirceu, ao qual Janot comparou Azeredo, em matéria de relevância nos esquemas de financiamento ilegal de campanhas, segundo cada um dos partidos, ou de corrupção e desvio de recursos, de acordo com a acusação.

Ao mesmo tempo, o PT assiste à insólita história de Henrique Pizzolato em terras italianas, onde viveu algum tempo na pele do irmão já falecido, tendo até votado por ele em 2008. Todo repique do mensalão é nocivo ao PT, especialmente num ano eleitoral. E se os outros condenados cumprem disciplinadamente suas penas, apesar das irregularidades na execução penal, como a de manter em regime fechado quem foi condenado ao semiaberto, se pagam suas multas pontualmente, graças à solidariedade de doadores que extrapolam a militâncias, apesar da suspeita do ministro Gilmar Mendes de que ela oculte lavagem de dinheiro, Pizzolato foi preso pela prática de crimes indiscutíveis, próprios do banditismo internacional, dissimulando a própria identidade e usando documentos falsos. Vá lá saber por que, uma vez na Itália, não se apresentou às autoridades e buscou legalizar sua situação, uma vez que tem cidadania italiana.

Neste momento, Pizzolato é uma unha encravada na estratégia do PT de defender os seus na medida do possível. Mas, se ele for julgado pela Justiça Italiana, não só por uso de documento falso, mas pelos crimes que lhe foram imputados pelo STF (peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro), e lhe valeram a condenação a mais de 12 anos de prisão, talvez ainda venha a ter utilidade. Pizzolato levou consigo para a Itália documentos com os quais pretende provar o que não conseguiu no Brasil: que os R$ 60 milhões (do fundo Visanet) que transferiu à agência DNA, de Valério e sócios, não foram usados para "comprar deputados". Foram usados na execução da campanha publicitária do cartão Visa Ourocard: emissoras de rádio e televisão que veicularam peças foram pagas com este dinheiro, utilizado ainda para outdoors, peças de mobiliário urbano, patrocínios esportivos e até de uma conferência de magistrados da AMB. Se tais provas existem, porque não apareceram no julgamento? Segundo já demonstrou a revista Retrato do Brasil, porque os documentos foram apensados a um outro inquérito, o 2474, secreto e paralelo, que Barbosa não relatou na Ação Penal 470.

Fato é que os mensalões agora se encontraram, embora tenham suas diferenças. O do PSDB não envolve tão grande número de réus, até porque alguns já escaparam do julgamento porque fizeram 70 anos. E talvez só o ex-governador seja julgado pelo STF, que, no caso do PT, rejeitou a transferência, para a Justiça comum, dos réus que não tinham direito ao foro especial, por conta de cargos públicos ocupados. Talvez convivam no noticiário neste ano eleitoral. Talvez não, se o relator, ministro Roberto Barroso, demorar para apresentar seu voto ao caso mineiro, bem como o revisor, ministro Celso de Mello. A troca de chumbo, entretanto, não dará em empate ou jogo de soma zero. O efeito de um novo julgamento, agora envolvendo o PSDB, será o aumento da descrença na política e na representação, num país em que as pessoas estão irritadas com tudo, especialmente com as autoridades. Desceremos ainda mais rumo a esse poço escuro. Neste caso, dois mais dois não serão quatro, mas cinco.

Era uma vez...
Sérgio Buarque de Hollanda nunca foi bem compreendido em sua definição do brasileiro como "homem cordial" em Raízes do Brasil. Não falava de um povo pacifista, mas sempre movido por razões mais emocionais (vindas do core, coração, matriz de cordial). Ainda assim, a definição era aplicável. Poucas guerras ao longo da história, apesar da vergonhosa violência contra o Paraguai e das muitas rebeliões internas, independentistas ou separatistas, como cabanagem, balaiada, sabinada e o também maculoso episódio de Canudos. E, para não esquecer, da violência da ditadura.

Hoje, 50 mil brasileiros são vítimas de homicídios todo ano, e outros 52 mil da violência no trânsito. "Se um dia fomos cordiais, hoje estamos ficando bestiais", diz o senador Jorge Viana (PT-AC). Os justiçamentos, como aquele de um jovem por bandidos no Rio, o vandalismo nos protestos que começaram democráticos, e acabam de vitimar um cinegrafista, também no Rio, o quebra-quebra desnecessário no metrô de São Paulo, a banalização da morte, seja numa briga de trânsito ou em confrontos no campo, tudo falam de um país que perdeu o jeitinho e hoje se move com ódio e intolerância. "Precisamos, especialmente nós, políticos e homens públicos, parar de fingir que não enxergamos esta guerra brutal em que vivemos. Antes que seja tarde", diz o senador.

Brincando com fogo
Dilma mandou avisar que vai atender o PMDB na reforma ministerial, que retomará esta semana. Lula deve ter respirado aliviado. Eles jogaram pesado e ela não gostou , mas não está em condições de dispensar o apoio do PMDB. Soprando contra, ela tem a economia e este ambiente de hostilidade ampla e geral que toma conta do Brasil. Afora os adversários, que para sorte dela, ainda não adensaram o discurso. Eduardo Campos resumiu, no tuitaço de sexta-feira, suas prioridades: "preservar as conquistas das últimas décadas, aprofundar a democracia e melhorar os serviços públicos". Como projeto de país, é muito pouco. Aécio Neves também está

Fonte: Correio Braziliense

João Bosco Rabello: Entre o possível e o provável

O Planalto dispõe de uma pesquisa encomendada para consumo interno que registra um crescimento da presidente Dilma Rousseff tão discreto quanto a comemoração que gerou. Pelos números, a aprovação da presidente subiu para a casa dos 48%, o que se festeja menos pelo porcentual e mais por não ter havido queda.

O suspense entre as más notícias que marcaram as últimas semanas, e o resultado da pesquisa, transcende o mero exercício comparativo com a oposição. A variação do índice de aprovação é que condiciona a candidatura de Lula, ainda em 2014, situando-a entre o possível e o provável.

Nesse contexto se registra uma versão das aparências que enganam, com o PMDB no papel do pior vilão para Dilma, pela pressão por mais espaço no governo. Na verdade, porém, o PT representa hoje maior risco para a presidente, pela ameaça permanente de promover a volta de Lula.

O início real da campanha encontra Dilma com um índice ainda vulnerável para a reeleição, impondo-lhe um comportamento mais concessivo ao PT, do que é retrato a reforma ministerial, hostil ao PMDB e a perfis da equipe de governo não alinhados com o núcleo duro da campanha, casos da ex-ministra Helena Chagas e do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, entre outros.

Dilma está hoje em exercício diário de resistência à influência do PT nas decisões de governo, vulnerável à prioridade da campanha. Lula entra nesse cenário como o candidato de 2018 que, no meio do caminho, pode antecipar seu projeto, se as circunstâncias o "forçarem".

Precisará, porém, de um pretexto muito sólido para não caracterizar sua intervenção como um golpe do criador na criatura. Dilma não facilitará o desejo do PT, pois considera que o momento de uma eventual mudança passou, desde que obteve de Lula a declaração pública de que é a candidata.

O momento em que se poderá testar o limite da imposição da vontade do PT à presidente será o desfecho das negociações com o PMDB, que exige o sexto ministério. Dilma já deu todos os sinais de que não quer ceder, mas certamente torce o nariz para aplacar o PT, pois dificilmente poderá resistir ao assédio peemedebista.

Com o PMDB, o engajamento na campanha já está comprometido. O partido . recuou sua convenção nacional como forma de materializar a hostilidade e vaza números que revelam um racha em relação à preservação da aliança.

Por eles, 294 convencionais não estariam com Dilma - 202 contra a aliança e 92 indecisos. Não é suficiente para revogá-la, mas serve para demonstrar à presidente que ela precisa trabalhar pela unidade do partido, em seu favor. Ou seja, se quiser tê-lo suando a camisa na rua.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Elio Gaspari: A última missão do capitão Ronaldo

Na madrugada de 20 de janeiro de 1971, o capitão Ronaldo tinha 30 anos e servia no DOI do Rio de Janeiro quando recebeu a missão de ir ao Alto da Boa Vista para simular que um preso fora sequestrado por militantes de esquerda, depois de um tiroteio.

Em depoimentos prestados à Comissão Estadual da Verdade do Rio, revelado agora pelo repórter Pedro Bassan, o capitão Raymundo Ronaldo Campos, hoje um coronel reformado, contou que o tiroteio e o sequestro foram uma farsa destinada a encobrir a morte de um preso. Era Rubens Paiva, havia sido deputado federal e tinha 41 anos. Morrera de pancada no DOI da Barão de Mesquita.

A farsa foi desmascarada já em 1978 pelos repórteres Fritz Utzeri e Heraldo Dias. Eles demonstraram que Paiva, um homem corpulento, não poderia ter saído do banco de trás de um Volkswagen, onde estava escoltado por dois sargentos e um capitão, atravessando um fogo cruzado até chegar ao carro dos sequestradores.

Com seu testemunho, já que foi ele quem encenou, relatou e assinou a narrativa do “cineminha”, o coronel rompeu um silêncio de 43 anos. Ainda nos primeiros anos da ditadura, dois chefes militares denunciaram as torturas praticadas contra presos políticos: os generais Pery Bevilaqua e Olympio Mourão Filho. Ele mesmo, o que disparou a rebelião militar que depôs João Goulart.

Pery foi cassado em 1968 e Mourão morreu em 1972. Desde então os comandantes militares vivem aprisionados num pacto de silêncio. Jamais reconheceram a tortura e aferram-se às versões segundo as quais Rubens Paiva fugiu (e sumiu), Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho suicidaram-se e cerca de 40 guerrilheiros do Araguaia simplesmente desapareceram. Militares da velha “tigrada” diziam ao coronel que ele não devia falar, porque “o Exército não vai ajudar em nada.” Engano. É o coronel quem está ajudando o Exército.

A farsa do sequestro e o assassinato de Rubens Paiva são dois dos três vértices de um triângulo. Admita-se que foram esclarecidos dois. Um deles foi coisa de um capitão, a mando de um major. Outro poderia ter sido coisa de um tenente. Resta o terceiro: como o corpo de Paiva foi retirado do DOI? Majores do DOI não tinham autonomia para isso.

Num caso anterior, a farsa foi coordenada pelo Centro de Informações do Exército. Seu chefe respondia diretamente ao ministro. Estes episódios não eram coisa de majores, mas diretrizes de generais, que os elogiavam e condecoravam. Morreram todos, mas resta um sobrevivente: o Exército.

Estão vivos pelo menos mais dois majores e um capitão que estavam no DOI no dia da prisão de Rubens Paiva. É possível que eles possam contar se alguém mandou apagar as luzes do pavilhão durante a operação de retirada do cadáver.

Elio Gaspari é jornalista.

Fonte: O Globo

Pedro S. Malan: Armadilhas por destravar

"Pretendemos ser caçadores
de tesouros na floresta,
mas nossos recursos se esgotam na tentativa de escapar das
emboscadas. O eventual sucesso
é precisamente ter escapado
das emboscadas. É um sucesso, sem dúvida, mas não aquele
que buscávamos"
L. Kolakowski, citado por Lara Resende

No mundo real, não apenas pessoas, mas também países, e seus governos, podem se ver enredados em situações do tipo acima. Espero interessar o leitor no tema de emboscadas e armadilhas entre nós, em particular armadilhas que países constroem para si próprios, esgotando seus recursos na tentativa de delas escapar e comprometendo seu desenvolvimento futuro no processo.

Os percalços de nossos amigos argentinos e a gravidade do drama venezuelano vêm naturalmente à lembrança: sequências de autoemboscadas e autoarmadilhas que constituem, em si mesmas, duas crônicas distintas de crises preanunciadas. Que esperemos possam ser mitigadas.

No Brasil, acho eu, não precisamos de crises para tentar escapar das emboscadas e tentar desarmar as armadilhas postas, ou autoimpostas, no passado ou no presente. Mas algo diferente (e não apenas na retórica) terá de ocorrer, de preferência começando agora, ainda em 2014, se não a partir de 2015, seja o que resulte das urnas. E com uma visão de médio e de longo prazos que não seja apenas a visão de permanecer no poder.

Ao que tudo indica, o chamado "poder incumbente" desde 2003 considera que já mostrou sua resposta ao desafio acima: uma narrativa que contempla visão de passado, do presente e de seu futuro no poder. Abaixo, resumo ao extremo minha leitura da armadilha retórica dessa visão, correndo o risco de não lhe fazer justiça.

Sobre o passado, parece haver uma ideia matriz que permite abordar qualquer tema com ardente eloquência e absoluta convicção. Esta poderia, talvez, ser assim enunciada: "Problemas de hoje - quaisquer que estes sejam - são facilmente explicáveis porque no passado não foram resolvidos como deveriam". Entenda-se por passado qualquer subperíodo anterior ao início de 2003 - do Descobrimento a 2002. Portanto, os governos Lula e Dilma Rousseff, que estão no poder há "apenas" 11 anos, não podem ser responsabilizados por "coisas" que "outros" (entendam-se governos, elites, direitas, etc.) não puderam, não quiseram ou não tiveram a competência para resolver. Como estariam - e só agora, nos últimos 11 anos - sendo resolvidos pelos governos Lula e Dilma.

Sabemos todos que o importante é o futuro. Mas a narrativa oficial sobre o passado é fundamental para o resto do argumento acerca do presente como História e seu futuro no poder. Porque é com base em argumentos retóricos do tipo "fizemos em dez anos o que não foi feito em um século neste país" (Lula na Fecomércio), ou "a estabilidade é uma conquista dos últimos dez anos" (Dilma em Belo Horizonte), etc., que a narrativa oficial justifica a necessidade de ganhar o que realmente importa no presente (a eleição de outubro). O tema fundamental do discurso de campanha oficial é uma variante da campanha de Juan Domingo Perón para sua volta ao poder no início dos anos 1970: "Perón lo hizo - y lo hará".

Sobre o futuro, talvez para evitar uma discussão muito centrada nos inegáveis problemas do presente, a narrativa oficial realiza algo que os franceses chamam de "fuga para adiante". Por exemplo, o ex-presidente Lula já se refere à sua possível volta em 2018, se lhe "encherem muito a paciência". É seu direito pleitear o cargo. Mas o horizonte do tempo foi estendido. Em discurso público para a sua militância, na presença da presidente Dilma, disse já estar pensando em 2022, nas comemorações de 200 anos de nossa Independência, quando ambos mostrariam o quanto haviam mudado o País "nos últimos 20 anos". Como na campanha de Ronald Reagan por sua reeleição, nos anos 1980, o lema parece ser "you ain't see nothing yet" (você ainda não viu nada).

Este artigo faz uma distinção, talvez indevida, entre armadilhas retóricas, que têm que ver com narrativas e discursos políticos (que buscam persuadir o eventual eleitor e afetar o resultado das urnas), e armadilhas "econômicas", que têm que ver com fatos e percepções sobre fatos de milhões de indivíduos e empresas que "votam" quase todos os dias por meio de suas decisões de consumo, poupança, investimento, endividamento, horas de trabalho e outras. As armadilhas retóricas seriam, em princípio, mais fáceis de desarmar. Já desarmar as "econômicas" é mais difícil no curto prazo, porque exigem ações críveis e resultados mensuráveis, além de mudanças em discursos e narrativas.

Os dois tipos de armadilhas podem reforçar-se mutuamente, seja para agravar uma situação, seja para procurar resolvê-la, buscando as convergências possíveis ali onde é mais necessário avançar, que é ali onde o nosso crescimento futuro está sendo comprometido. Por nossas fragilidades na área fiscal, por nossas deficiências na infraestrutura física, por armadilhas autoimpostas nas áreas de energia elétrica e exploração de petróleo e gás, pela precariedade de nosso sistema educacional e pela dificuldade de elevar a produtividade total e a competitividade internacional de nossa economia.

Alguém dirá: isso não mobiliza o eleitorado. Pode ser verdade. Mais uma razão para tentar fazê-lo. E eu começaria por tentar interessar mais o respeitável público quanto ao maior risco que temos: o gasto público e seu nível (comparativamente muito alto), sua composição (viesada contra o investimento público) e sua eficiência operacional (que deixa, e muito, a desejar). Há efeitos sobre carga tributária, dívida pública, inflação e crescimento. Será preciso voltar a variantes de propostas tidas como rudimentares (em fins de 2005) e agora talvez com um horizonte de pelo menos três anos (como em 1999-2001). Não há desdouro nisso.

Pedro s. Malan, economista, foi ministro da Fazenda no governo Fernando Henrique Cardoso.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Ferreira Gullar: Mudaria o Natal ou mudei eu?

O que resta daquele partido que nasceu para mudar o Brasil, uma vez que o jogo duplo continua?

Amanhã, dia 10 de fevereiro, o Partido dos Trabalhadores completa 34 anos de fundação. Esse fato me levou a perguntar se esse partido se manteve fiel aos princípios ideológicos que determinaram sua fundação e se, durante tantos anos no governo, realizou o que prometera a seus eleitores.

Antes de tentar responder a essas questões, devo advertir o leitor de que sei muito bem que as coisas mudam e é comum um partido político não cumprir com o que prometeu e desviar-se dos princípios que lhe deram origem. O que me interessa aqui é verificar o que mudou, se é que mudou, e por quê. Para chegarmos a isso, é imprescindível conhecer o documento de fundação do partido.

No caso do PT, esse documento é o manifesto de 21 de outubro de 1980, em que o novo partido se apresenta como porta-voz das "grandes maiorias que constroem a riqueza da Nação" e que querem agora "falar por si próprias".

Mas não apenas falar, elas pretendem, segundo o documento, criar "uma sociedade que responda aos interesses dos trabalhadores e dos demais setores explorados pelo capitalismo". Consequentemente, o PT "nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados". Esse sistema seria substituído por "uma nova forma de democracia", "onde não haja nem explorados nem exploradores".

Explicitado o que diz esse manifesto, o novo partido, que nascia então, tinha por objetivo criar uma sociedade dirigida pelos explorados (ou seja, pelo proletariado), e não pelos capitalistas, e assim constituir uma nova democracia, governada por um partido único, cujo objetivo seria a sociedade sem classes.

Trata-se, portanto, de uma versão dissimulada do manifesto comunista de 1848. O novo partido era, portanto, incompatível com o capitalismo, tanto assim que, em 1988, quando foi promulgada a nova constituição democrática, o PT se negou a assiná-la, alegando que ela não correspondia a seus objetivos políticos.

Essa atitude antidemocracia burguesa prevaleceu na pregação do PT até as eleições de 2002, quando, após sucessivas derrotas eleitorais, abaixou o tom e aliou-se a setores da burguesia para ganhar as eleições presidenciais que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República.

No governo, Lula adotou o mesmo jogo duplo que nas eleições, ou melhor, aprofundou-o: enquanto dava Bolsa Família aos explorados, usava o BNDES para emprestar dinheiro público, a juros abaixo do mercado, aos exploradores capitalistas.

Mas, como não podia ignorar os compromissos assumidos em favor da "nova democracia" nem do projeto, implícito no manifesto, de nunca mais deixar o poder, passou a comprar os partidos da base parlamentar com dinheiro público, para não lhes conceder ministérios ou direção de empresas estatais. Essa compra de parlamentares virou um escândalo que ficou conhecido como mensalão. Lula, depois de admitir que aquilo era verdade, afirmou que se tratava de caixa dois, o que todos os partidos faziam. E assim, conforme as próprias palavras do seu líder, o PT se tornara um partido igual aos demais. Deixara de ser revolucionário, tornando-se corrupto como muitos outros.

Mas isso não ficou nas palavras de seu líder máximo, pois se tornou verdade por decisão da Suprema Corte de Justiça do país, que condenou algumas das principais figuras do PT por peculato, formação de quadrilha e outros crimes.

Lembram-se da campanha feita pelo PT contra a privatização da Telefônica? Pois é, isso fazia parte de seus princípios anticapitalistas e, por isso mesmo, Lula e Dilma tudo fizeram para não privatizar as rodovias, os portos e aeroportos. Agora, em face da crise que ameaça a economia do país, Dilma foi obrigada a se dobrar à realidade e violar o princípio ideológico do partido.

E a aliança com os partidos burgueses, ruralistas e evangélicos? Seria essa a nova democracia de que falava o manifesto de 1980? A pergunta, pois, é o que resta daquele partido que nasceu para mudar o Brasil, uma vez que o jogo duplo continua: Dilma foi a Davos para mostrar lealdade aos princípios que regem o capitalismo e, em seguida, a Cuba para limpar a barra.

Ferreira Gullar, poeta, ensaísta e crítico de arte

Fonte: Folha Online

Diário do Poder - Claudio Humberto

Investimentos de menos
Prefeitos das principais capitais gastam com pessoal mais do que investem em obras que beneficiam a maioria da população. Campeão nesse tipo de disparidade em 2013, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), gastou R$ 1,83 bilhão com salários e nove vezes menos em investimentos: R$ 203 milhões. Em Belo Horizonte, a folha de R$ 2,92 bilhões corresponde a quase o triplo dos R$ 1,16 bilhão investidos. Vice-líder dessa inversão de valores, Porto Alegre recebeu R$ 382 milhões em investimentos, em 2013, e gastou R$ 2,4 bi em salários. Os R$ 2,6 bilhões reservados para investimentos, na cidade de São Paulo, são 3,4 vezes menos que os R$ 8,91 bilhões com pessoal. O infortúnio dos cariocas é semelhante ao dos paulistanos: para R$ 2,8 bilhões investidos, o Rio pagou R$ 8,4 bilhões ao funcionalismo. No total, as prefeituras das cinco maiores cidades do País gastaram em 2013 cerca de R$ 24 bilhões em salários e outro benefícios.

PMDB libera geral
A decisão do PMDB da Câmara de abrir mão de indicar nomes para ministro diminui a margem de manobra do vice-presidente Michel Temer, que terá de recuar a pressão nos Estados pela reedição da aliança com o PT.

Caixa preta
Intermediária do programa Mais Médicos no Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde é uma caixa-preta instalada na ONU, que parece ter perdido a chave. A "cooperação técnica" com o Mais Médicos renderá cerca de US$ 151,2 milhões anuais ao regime comunista de Cuba, segundo cálculos da ONG americana de direitos humanos Cuba Archive, que denuncia um "apartheid hospitalar" na ilha, privilegiando o "turismo de saúde" para ricos e clínicas top aos ditadores.

"Mensalón"
As "parcerias" internacionais entregam US$ 8 bilhões anuais à ditadura Castro, diz a ONG, para custear a repressão e mascarar a bancarrota.

Escravos
Nas barbas da ONU, a Opas viola a OIT e tratados contra o tráfico de pessoas e trabalho-escravo.

"Compañeros"
A sede da Opas em Cuba é um oásis capitalista, com 31 dirigentes, 4 secretárias, 4 motoristas e 3 seguranças.

Mofou geral
Dirigentes do PT acham que o governador Eduardo Campos (PSB) tem subido "demais" o tom nos discursos contra o governo Dilma, do qual ele fez parte até o ano passado, chamando-o por exemplo de "mofado".

Duas medidas
O deputado Ruy Carneiro (PSDB) critica o governo Dilma por destinar R$ 2 bilhões do BNDES para Cuba, enquanto a Paraíba só recebeu R$ 352 milhões em 2013: "Com 10%, resolveríamos o Porto de Cabedelo".

Um cavalheiro
Dilma se diverte com "pedidos de casamento" da senadora Kátia Abreu (TO) ao colega Waldemir Moka (MS), ambos do PMDB. Moka brinca: "Kátia quer um capataz para suas fazendas, e não um marido".

Pensando bem...
...para evitar apagões, Dilma deve estar preparando uma Medida Provisória impedindo raios de caírem na rede elétrica.

Frase
"Até os adversários reconhecem a sua honestidade"
Senador Aécio Neves (MG) em defesa de Eduardo Azeredo (PSDB), acusado no STF

Liberdade
Instalada no apartamento funcional do deputado Abelardo Lupion (DEM), em Brasília, a cubana Ramona Rodriguez ganhou até motorista. E agora exerce, pela primeira vez na vida, o direito de ir e vir.

Topa tudo
Relator da reforma política, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) apoia o voto de ministros do STF para acabar com o financiamento de empresas: "O dinheiro é que decide as ideias, hoje, nas eleições".

Fonte: Diário do Poder

Brasília-DF - Denise Rothenburg

Lula e a reeleição
O ex-presidente tem dito nas reuniões dos "apóstolos", aquele grupo encarregado de pensar o PT para o futuro, que esqueçam a hipótese de uma candidatura dele em 2018. A ordem é trabalhar gente nova. No topo da lista, permanece o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o candidato a governador de São Paulo, Alexandre Padilha, e o governador da Bahia, Jaques Wagner. O que Lula quer mesmo, terminadas as eleições deste ano, é retomar aquele projeto antigo de cuidar da América Latina e da África.

Melhor de três
O ex-presidente Lula deu um ultimato ao governador do Ceará, Cid Gomes, e ao líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, pré-candidato ao governo estadual. Ou os dois se entendem, ou o PT terá candidato próprio.

Tema recorrente
O líder da Minoria, Domingos Sávio (PSDB-MG), retomará a briga pelo aumento das verbas para o setor de saúde além dos valores que o governo aceitou conceder dentro do Orçamento Impositivo. É tudo o que o PMDB deseja para criar mais um tumulto com o Planalto.

Ameaça frequente
No Planalto, entretanto, há quem diga que é melhor os congressistas pensarem duas vezes antes de brincar com o Orçamento Impositivo. É que uma mudança, agora, sempre pode servir de pretexto para que o governo não libere nada antes das eleições.

Quem cobre um santo...
Há quatro meses como ministro de Portos, Antônio Henrique Pinheiro Silveira terminou ganhando o respeito do setor. Agora, com a iminente troca de comando, a apreensão tomou conta do empresariado. Dilma agradará ao partido contemplado com o cargo e correrá o risco de descontentar os empresários do segmento. E, em ano eleitoral, sabe como é.

Em família
O deputado Fábio Faria (PSD-RN), futuro pai do neto do empresário Sílvio Santos, trabalha para fazer do pai Robinson Faria candidato ao governo do estado com o apoio do PT. É mais um estado onde o PMDB deve sobrar na chapa.

Convers@ de Domingo
O secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Distrito Federal, Swedenberger Barbosa, ainda acredita na construção de pontes entre o PT e o PSB. Pelo menos, no DF. Confira na sessão de vídeos do site www.correiobraziliense.com.br.

CURTIDAS
Chama a "patroa"/ O senador Wellington Dias (PT-PI) cogitou nos últimos dias lançar a mulher, Rejane, candidata ao governo. As más línguas dizem que é receio de terminar perdendo o governo do estado. As boas dizem que Dilma quer que ele permaneça no Congresso, para auxiliar o seu governo, em caso de reeleição.

Por falar em patroa.../ Dilma pode até resolver o futuro do PMDB nesta semana, mas a prioridade dela mesmo é o setor elétrico. Entre seus fiéis seguidores, há quem diga que ela suporta sem estresse críticas à forma como conduz as relações com o Congresso, mas vira uma onça quando alguém questiona sua capacidade de gestão.

Pronto para a guerra/ Todas as vezes em que o deputado Felipe Maia (foto), do DEM-RN, chega de gravata vermelha no plenário, os vice-líderes do PT se armam. Na semana passada, por exemplo, ele levou a reclamação dos prefeitos, irados com o fato de estarem indiretamente custeando o contrato entre o governo brasileiro e Cuba para o envio de profissionais ao Programa Mais Médicos.

Vianas em litígio/ O senador Jorge Viana (PT-AC) e seu irmão, o governador do estado, Tião Viana, divergem sobre a candidatura ao Senado. Enquanto o governador quer lançar apenas a candidatura da deputada Perpétua Almeida ao Senado, Viana considera melhor ter duas opções, Perpétua e Aníbal Diniz.

Férias/ Enquanto a política está na fase de "aquecimento" pré-carnavalesco, ainda é possível tirar uns dias para recarregar as energias. Volto com as águas de março!

Fonte: Correio Braziliense

Panorama Político - Ilimar Franco

Caça aos sonegadores
A Receita Federal criou uma força tarefa para investigar as empresas Google e Facebook. A devassa é feita por ordem da presidente Dilma. Essas empresas estão no topo da lista dos maiores sonegadores de impostos do país. O Google é o segundo faturamento em publicidade no Brasil. Essas firmas vendem aqui e recebem em paraísos fiscais. E lucram ao atuar fora da lei que rege os concorrentes.

O exemplo que vem da Europa
A presidente Dilma tratou do assunto com os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Comunicações). A dura atuação dos países europeus contra essas corporações, sobretudo na França e na Alemanha, chamou a atenção da presidente. Informes produzidos pela área econômica estimam que o Google recebeu mais de R$ 3 bilhões em publicidade, no Brasil, em 2013. A maior parte dos serviços prestados por essas empresas são pagos com cartões internacionais e não aparecem no balanço das subsidiárias brasileiras. A única receita é o IOF dos clientes. Dilma quer também a adoção de legislação que as obrigue pagar direitos autorais.

“É um casamento maluco. O fracasso de um pode ser o fracasso do outro”
Roberto Amaral
Vice-presidente do PSB, sobre o pacto de convivência entre os candidatos à Presidência Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB)

Na barganha
No PSB não há nenhum dúvida que Marina Silva (Rede) será a vice de Eduardo Campos. Avaliam que ela só não anuncia agora, porque se reduziria o seu poder de pressão em torno de candidaturas próprias aos governos de São Paulo, Rio e Minas.

Alô? Presidente?
O deputado Renan Filho (PMDB-AL) foi surpreendido por ligação do Planalto. “Renan? Vou passar a presidente, ela está retornando sua ligação”. O deputado não sabia o que fazer. “Alô? Oi Renan, como vai?” “Presidente, acho que a senhora está falando com o Renan errado, aqui é o deputado”. Dilma riu, se desculpou, e ligou para Renan Calheiros.

Dando um gelo
Os dirigentes do PMDB que se reúnem com o presidente do PT, Rui Falcão, para tratar de palanques estaduais, não querem mais conversa. Dizem que depois de cada encontro, os petistas arranjam confusão em algum lugar.

Plataforma eleitoral
A oposição acusa o governo Dilma de descontrole fiscal e teme pelos desdobramentos da crise mundial. Mas de olho no empresariado, a visão da presidente Dilma se volta para o outro lado. Até junho, o governo lançará, com toda pompa, a terceira etapa do PAC e o Minha Casa Minha Vida III, cuja meta é contratar três milhões de casas.

Sabe com quem está falando?
Em viagem aos EUA, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, enfrentou uma saia justa. O hotel fez débitos irregulares e o BB bloqueou o cartão. O gerente suspeitou de golpe, mas recuou quando soube com quem falava.

Pós-graduação
O deputado Ronaldo Caiado (DEM) esteve em Miami durante o recesso, onde conversou com a comunidade cubana sobre formas e instrumentos para estimular os médicos que estão no Brasil a pedir refúgio para não retornarem ao seu país.

O presidente do SDD, Paulo Pereira da Silva, vai à Europa em abril para encontro com o ex-premiê da Polônia, o sindicalista Lech Walesa.

Fonte: O Globo

O que pensa a mídia - editoriais de alguns jornais

http://www2.pps.org.br/2005/index.asp?opcao=editoriais

Antonio Nóbrega: Dia do frevo

Hoje, dia 9 de fevereiro, em Recife, comemora-se o dia do frevo. Também hoje faz um ano e pouco mais de dois meses que o frevo foi elevado à condição de patrimônio imaterial da humanidade. Ainda hoje, também em Recife, será inaugurado o Paço do Frevo.

Como se vê, o frevo está em alta. Mas frevo para quê? Por que frevo?

Foi o escritor Ariano Suassuna quem, indiretamente, apresentou-me a ele. Com seu convite para integrar o Quinteto Armorial, dei início a uma viagem de aprendizado dos cantos, danças e modos de representar presentes em manifestações populares como o reisado, o maracatu, o caboclinho e sobretudo o frevo.

Com o passar dos anos, esses aprendizados foram se conectando a estudos e reflexões sobre a cultura brasileira em geral e a popular em particular. Esse casamento entre conhecimento empírico e teórico foi conduzindo-me à constatação de que vivemos num país que reluta em aceitar-se integralmente.

Que outra razão para tal desperdício de insumos culturais tão vastos e de tão imensa riqueza simbólica como o nosso reservatório de ritmos presente em batuques, cortejos e folguedos; de formas e gêneros poéticos --quadrões, décimas, galope à beira-mar; de passos e sincopados armazenados no nosso imaginário corporal popular?

E o que temos feito com tudo isso? Empurrado para o gueto da chamada cultura folclórica, regional ou popular, falsamente antagonizante daquela que se convencionou denominar de cultura erudita.

Há quase cem anos que a "entidade" frevo vem despejando no país, especialmente em Recife, volumoso material simbólico. Esse "material" foi se formando dentro daquilo que venho denominando de uma linha de tempo cultural popular brasileira. Essa "entidade" frevo materializou-se por meio de um gênero de música instrumental, o frevo-de-rua, orgânica forma musical onde palhetas e metais dialogam continuamente, ancorados pela regular marcação do surdo e a sacudida movimentação da caixa; uma dança, o passo do frevo, imenso oceano de impulsos gestuais e procedimentos coreográficos; e dois gêneros de música cantada: o frevo-canção e o frevo-de-bloco, cada um com características particulares tanto de natureza poético-literária quanto musical. Um valioso armazém de representações simbólicas.

Mais do que preservar o frevo, nossa tarefa está em amplificar, dinamizar, trazer para a órbita de nossa cultura contemporânea os valores, procedimentos e conteúdos presentes nessa "instituição" cultural.

Essa ação amplificadora poderia abranger escolarização musical --por que não se estuda frevos em nossas escolas de música?--; a prática da dança --a riqueza lúdica e criadora proporcionada pelo seu multifacetário estoque de movimentos--; a valorização de modelos de construção e integração social advindos do mundo-frevo etc. Tudo isso ajudaria ao Brasil entender-se melhor consigo mesmo e com o mundo em que vivemos.

O frevo é uma das representações simbólicas mais bem-acabadas e representativas que o povo brasileiro construiu. Assim como o samba, o choro, o baião, uma entidade transregional cuja imaterialidade poderemos transmudar em matéria viva operante se tivermos a suficiente compreensão do seu significado e alcance sociocultural.

Antonio Nóbrega é multi-instrumentista, dançarino e cofundador do Instituto Brincante de cultura e dança popular

Fonte: Folha Online

Antonio Nóbrega: Último Dia / Mexe com Tudo (frevos de rua) por Levino Ferreira

Fernanda Cunha: Rio

Graziela Melo:O palco da vida

Rotativo
é o palco
da vida

Logo após
as primeiras
cenas

já é hora
da despedida!

É
triste
envelhecer!

É como
se fosse
enxergar
o mundo

parando
de crescer!

Triste
Está
minh'alma

Sem
rumos
definidos...

Olho
para trás

e rememoro

à distância

os caminhos
percorridos...

Hoje
estamos juntos
prazerosos
eufóricos
e eloquentes...

Amanhã,
nos separamos

mudos,
frios,
inertes,
indiferentes!

sábado, 8 de fevereiro de 2014

OPINIÃO DO DIA: Eduardo Campos

“Já apresentamos as diretrizes do programa, para a sociedade. Aqueles que quiserem se somar às diretrizes e a esse conteúdo serão bem vindos. O eixo programático será respeitado no plano nacional, como fizemos aqui em Pernambuco.

A nova política é, na verdade, quando os políticos se unem em torno de uma pauta do povo. Como nos unimos em 2006 com partidos de centro aqui em Pernambuco e fizemos um governo de mudança que tem 83 por cento de aprovação da população. A velha política é aquela em que os políticos se reúnem em torno dos seus próprios interesses.”

Eduardo Campos, “Na ‘nova política ‘ antigos nomes”. O Globo, 08 de fevereiro de 2014.

Após três dias na Papuda, João Paulo renuncia ao mandato

Petista abre mão do mandato de deputado federal e diz que deixa a Câmara com "consciência do dever cumprido"

Três dias após ser preso, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) decidiu renunciar ao mandato parlamentar, segundo informou, na noite de ontem, a Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara. Na carta de renúncia, ele diz que deixa o Congresso “com a consciência do dever cumprido”.

O petista vinha sofrendo pressão de colegas — inclusive do próprio partido — para que deixasse o cargo. No entanto, ele chegou a anunciar, na segunda-feira, durante almoço com militantes acampados em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), que não pretendia renunciar. Segundo deputados do PT, ele estava disposto a enfrentar o processo de cassação e a votação em plenário.

Na quinta, João Paulo Cunha chegou a pedir autorização na Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (VEP) para deixar o Complexo Penitenciário da Papuda durante o dia para trabalhar na Câmara, exercendo a função de deputado. Entretanto, o pedido não chegou a ser analisado.

Na noite de ontem, o líder do PT na Câmara, Vicentinho (SP), divulgou nota em nome da bancada do partido na Casa na qual “manifesta profundo respeito e solidariedade à decisão e reafirma a certeza da inocência do companheiro”. “Reiteramos ainda que João Paulo Cunha terá o nosso apoio em todas as iniciativas que vier a tomar para demonstrar os equívocos, os erros e as omissões que permearam o julgamento no âmbito da Ação Penal 470”, diz a nota.

Condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva em regime fechado, o agora ex-parlamentar cumprirá, inicialmente, pena de 6 anos e 4 meses no semiaberto, porque ainda espera o julgamento de recurso no Supremo relativo à pena de lavagem, de 3 anos.

João Paulo Cunha é um dos 12 condenados com direito à análise dos embargos infringentes. Caso o recurso seja negado, ele terá que cumprir pena no regime fechado.

Fonte: Correio Braziliense

Previsões para fevereiro pioram, sistema indica cenário de racionamento de energia

Dados apontam necessidade de redução de cerca de 5% do consumo

ONS espera queda significativa no volume de chuva para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste

Reuters

SÃO PAULO - O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou a expectativa de aumento de carga de energia no Brasil em fevereiro para uma alta de 15% e o custo de operação do sistema elétrico superou o primeiro patamar de déficit de carga nas regiões Sudeste/Centro Oeste e Sul, numa sinalização de que há necessidade de redução de carga de energia de cerca de 5%.

O aumento de 15% de carga esperada para o Brasil em fevereiro foi divulgado pelo ONS no final da sexta-feira e é mais do que o dobro da estimativa da semana passada, de que a carga subiria 7,1% neste mês na comparação com fevereiro de 2013.

Já o custo marginal de operação médio para a região Sudeste-Centro Oeste e Sul superou o primeiro patamar que indica custo déficit de energia, de R$ 1.364,42 por megawatt-hora (MWh), e necessidade de reduzir até 5% da carga. Para esta semana, esse custo de operação do sistema está em R$ 1.691,39 por megawatt-hora para as regiões Sudeste/Centro Oeste e Sul.

“Na semana de 8 a 14 de fevereiro, a previsão é de que ocorra chuva fraca em pontos isolados das bacias dos rios Uruguai e Jacuí. Nas demais bacias hidrográficas de interesse do SIN (Sistema Interligado Nacional) predomina a estiagem”, informou o ONS no Sumário Executivo do Programa Mensal de Operação para esta semana.

O ONS acrescentou que o Sudeste/Centro-Oeste teve o segundo pior janeiro em regime de chuvas para geração de energia pelas hidrelétricas desde 1931 e que, pela previsão revista, no mês de fevereiro esta posição está mantida. Além disso, o ONS prevê que o Nordeste apresente a menor média mensal de afluência de chuvas para os reservatórios de todos os meses de fevereiro do histórico.

“A revisão das previsões para o mês de fevereiro indicam queda significativa das afluências aos subsistemas Sudeste, Sul e Nordeste”, informou o ONS.

As afluências previstas para o Sistema Interligado Nacional (SIN) reduziram cerca de 7.000 MW médios, assim como a energia armazenada esperada, que sofreu redução adicional de 4.500 MW médios, conforme informações da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

As previsões para o mês de fevereiro agravam as preocupações em relação ao abastecimento do país já que os reservatórios, principalmente no Sudeste, estão em níveis baixos críticos e continuam a cair. Os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, os principais para o abastecimento do país, estão em queda desde janeiro, época em que deveriam estar enchendo para sustentar o fornecimento de energia durante o período seco.

Esses reservatórios já tiveram uma queda de 4,66 pontos percentuais desde o fim de dezembro e estão hoje em 38,52% de armazenamento. Esse armazenamento ainda é maior que o fechado ao fim de janeiro do ano passado, de 37,46%, mas o ONS prevê que esses reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste terminem fevereiro em condições ainda piores, a 35,6%. No final de fevereiro de 2013, os reservatórios dessa região estavam a 45,48%.

Já no Sul, o nível dos reservatórios está em 51,5%, e se a previsão do ONS para o fim de fevereiro se cumprir, estará em 36,8% ao final do mês. Todas as térmicas do país disponíveis para a operação estão acionadas, conforme indica o custo marginal de operação, que já está superior ao custo de geração da térmica mais cara do país, indicando a necessidade de racionar carga no Sudeste/Centro-Oeste e Sul.

“Todavia, as regiões SE/CO, NE e N encontram-se em pleno período úmido, o que conduz à expectativa de reversão do atual cenário hidrológico. Assim sendo, a operação do SIN será realizada considerando o pleno atendimento aos requisitos de carga”, disse o ONS no Sumário do PMO, documento disponível em seu site.

A necessidade de redução de carga apontada ocorre após o sistema elétrico nacional como um todo e outras regiões separadamente virem batendo consecutivos picos de demanda de carga de energia.Na terça-feira, curto-circuitos em linhas de transmissão que trazem energia do Norte para Sudeste do país ainda resultaram em apagão que atingiu diversos estados e cerca de 6 milhões de consumidores.

Preço da energia sob pressão
O baixo nível dos reservatórios e forte consumo também provocam o aumento do preço de energia de curto prazo (Preço de Liquidação de Diferenças - PLD), que se mantém no topo permitido para o ano, em R$ 822,83 por MWh, para esta semana, nas regiões Sudeste/Centro-Oeste e Sul.Especialistas do setor elétrico consideram que o PLD deve se manter no patamar máximo no Sudeste/Centro-Oeste ainda por algumas semanas, diante da ausência de chuva nas previsões.

“Fevereiro vai ser muito ruim, sem chuvas nas três primeiras semanas... Vemos PLD máximo nas três primeiras semanas de fevereiro e pode ser que na quarta semana a gente continue com PLD máximo também”, disse Érico Evaristo, presidente da Bolt Comercializadora, ao explicar que mesmo com alguma chuva, pode ser que não haja recuperação suficiente dos reservatórios para a queda de preço. “Mesmo chovendo nas próximas semanas, qualquer que seja a previsão, os reservatórios estão muito baixos. Precisamos que subam um pouco. Não vejo possibilidade de os preços mexerem muito”, disse Walfrido Ávila, presidente da comercializadora Trade Energy.

Os altos custos de energia de curto prazo prejudicam principalmente as distribuidoras de energia, que estão descontratadas em cerca de 3,5 mil MW e têm que arcar com gastos relacionados à exposição no curto prazo em momento de forte geração térmica.

Aos atuais níveis de preço, a expectativa é de que essas empresas tenham um dispêndio de cerca de R$ 1,5 bilhão por mês, o que pode significar R$ 18 bilhões no ano, afetando o caixa das companhias já que o governo federal ainda não definiu o repasse de recursos do Tesouro para ajudar essas companhias via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE)

Fonte: O Globo

O Estado de S. Paulo / Editorial: A oposição parece acordar

Antes tarde do que nunca, a oposição dá sinais de que começa a despertar da profunda letargia em que esteve mergulhada nos últimos anos, desde que o PT assumiu o poder. Exímio manipulador das massas com a sedução de seu populismo despudorado, durante os oito anos de mandato presidencial Lula conquistou índices estratosféricos de aprovação popular e, vendendo a falácia de uma "herança maldita", deu um nó na oposição. Esta não teve competência, nem disposição, para impedir a reeleição de 2006, apesar da eclosão, em 2005, do escândalo do mensalão. Daí para a frente o lulopetismo se firmou no poder. Deu-se ao requinte de impor um poste para sua sucessão. A patranha de que sua candidata era uma gerente competente, somada a seu prestígio, foi bastante para eleger Dilma, mas não para esconder, depois, o fracasso administrativo que é este governo.

O Brasil de hoje não é o mesmo de três anos atrás. Dilma Rousseff não tem nem de longe o carisma de seu antecessor - embora desfrute de grande popularidade - e enfrenta enormes dificuldades para administrar o insaciável apetite do PT pelo poder e a ganância por vantagens de uma base aliada tão ampla quanto infiel. O que existe hoje é um desgoverno escandalosamente alicerçado sobre o fisiologismo, a preocupação eleitoreira com as aparências e, de quebra, um anacrônico dogmatismo ideológico. Aí estão, para comprová-lo, os indicadores econômicos persistentemente insatisfatórios; a incapacidade de cumprir orçamentos e prazos até nos projetos prioritários do PAC; a ameaça de um vexame internacional que tem deixado a Fifa de cabelos em pé com as obras para a Copa do Mundo; e, sobretudo, a crescente insatisfação difusa dos brasileiros com "tudo isso que está aí" transbordando para as ruas desde junho do ano passado.

Isso tudo até a oposição já está conseguindo enxergar.

O teor das declarações feitas nas últimas semanas pelos principais pré-candidatos a enfrentar Dilma Rousseff nas urnas de outubro parece indicar que as lideranças oposicionistas finalmente estão dispostas a deixar seu berço esplêndido e assumir postura mais contundente diante do desgoverno que aí está, deixando de se comportar "quase como se pedissem desculpas ao País por se opor a Lula e ao PT", como observou Dora Kramer em sua coluna (5/2).

Aécio Neves, pré-candidato do PSDB: "Sob o pretexto das festas de fim de ano, a presidente volta à TV para fazer autoelogio e campanha eleitoral (...). Apenas como exemplo, na ilha da fantasia a que a presidente nos levou mais uma vez, a qualidade do ensino tem melhorado e a criação de creches é comemorada. Enquanto isso, no Brasil real, os resultados dos testes internacionais demonstram o contrário". E ainda, já em janeiro: "Em relação aos leilões do Galeão e do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins (MG), a grande constatação é de que, quando o PT acompanha a agenda proposta pelo PSDB, o PT acerta. O lamentável é que essas concessões venham com dez anos de atraso".

Ainda em novembro, preenchendo uma lacuna que chamara a atenção já no pleito presidencial de 2002, o senador mineiro havia deixado claro que Lula também está na mira da oposição tucana: "O presidente Lula tem que parar de brigar com a história. Se não houvesse o governo do Fernando Henrique, com a estabilidade econômica, com a modernização da economia, não teria havido sequer o governo do presidente Lula".

Por sua vez, Eduardo Campos, governador de Pernambuco, ex-ministro de Lula, pré-candidato do PSB, também foi incisivo ao apresentar o seu programa de governo: "O País saiu dos trilhos (...) esse pacto social novo que está no seio da sociedade brasileira não tolera mais esse velho pacto político que mofou e que não vai dar nada de novo e de bom ao povo brasileiro. Não há nesse país, em nenhum recanto onde possamos andar, ninguém que ache que mais quatro anos do que está aí vai fazer bem ao povo brasileiro". E ainda: "Não há política social que faça efeito sem desenvolvimento. É o que estamos vendo agora: crescimento do analfabetismo, emprego perdendo qualidade, País perdendo competitividade. Vamos legar o quê para as futuras gerações?".

PSB prioriza afinidade com o seu programa

Governador Eduardo Campos pode anunciar na próxima semana o nome do ex-deputado como candidato da base à sucessão. No entanto, há resistências no PSB

Bruna Serra

Deve ser anunciado na próxima semana o nome do ex-deputado federal Maurício Rands como candidato da base governista à sucessão governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que daria aval ao nome. Socialistas da cúpula do PSB afirmam que a próxima semana será definitiva. Isso porque será dedicada às costuras finais para fechar o partido em torno do nome do ex-petista. Socialistas históricos ainda resistem ao nome do ex-parlamentar por considerar que ele é recém-chegado ao ninho.

O perfil de Rands é considerado pelo Palácio do Campo das Princesas estratégico porque alia a habilidade política à imagem de profissional competente capaz de gerir o Estado. Dois dos atributos mais valorizados pelo governador. Mas uma parte do partido ainda não está convencida da escolha e aponta que o nome de Rands foi lançado como alternativa diante das dificuldades da aceitação do secretário de Casa Civil, Tadeu Alencar.

Ainda assim, o fator determinante teria sido a estratégia do PSB em tentar neutralizar os ataques que devem ser desferidos durante a campanha contra seu candidato pelo PT estadual e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prometeu montar acampamento em Pernambuco para derrotar Eduardo Campos no seu colégio eleitoral.

Rands foi líder do governo do Lula na Câmara dos Deputados exatamente no período de maior dificuldade da administração, sob as acusações de compra de apoio político na Câmara Federal, o chamado Mensalão. Foi à tribuna em vários momentos fazer discursos em defesa do ex-presidente e de seu governo.

Rands adotaria o discurso de que não tem apego a cargos, se colocando em sintonia com a fala nacional de Campos, de uma nova política com serviços públicos de maior qualidade e desapego aos cargos. Inclusive, foi esse o tom adotado pelo ex-deputado na entrevista que concedeu ao JC no último domingo.

Depois de ser um dos protagonistas da prévia fratricida do PT em Pernambuco, Rands decidiu sair do PT e renunciar ao mandato de deputado federal. Sendo assim, ele pode dar o próprio exemplo para embasar o discurso do desapego.

Também comandou a principal comissão da Câmara Federal, a de Constituição e Justiça, em 2004. No âmbito estadual foi secretário de Governo de Eduardo em 2011 e antes integrou a equipe do ex-prefeito João Paulo como secretário de Assuntos Jurídicos, em 2001.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Eduardo, Marina e as adesões

Presidenciável e ex-senadora demonstram sintonia, justificando as alianças com quem acate o programa do PSB-Rede

Gabriela López

Com a missão de construir uma aliança forte para sustentar sua candidatura a presidente da República este ano, o governador-presidenciável Eduardo Campos (PSB) colocou como critério para o ingresso de partidos no seu palanque a afinidade com o programa de governo que está sendo elaborado pelo PSB e Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva.

"Quem concordar com o programa será bem-vindo", resumiu o socialista em entrevista ao lado de Marina Silva, no Recife, ontem, quando ela visitou a primeira-dama, Renata Campos, que deu à luz quinto filho do casal, Miguel, há dez dias. A declaração foi a resposta dada ao ser questionado se algumas alianças costuradas por ele - com o deputado federal Inocêncio Oliveira (PR), por exemplo - não colocam em xeque seu discurso de defesa da "nova política".

"A nova política é quando os políticos se unem em torno de uma pauta do povo, como fizemos em Pernambuco. Em 2006, nos unimos com partidos de centro - como este que você citou (o PR) - e fizemos um governo de mudanças, reconhecido por 80% da população, porque fizemos alianças em torno de um programa. Velha política é quando os políticos se reúnem em torno dos seus interesses, só para ser as coisas", argumentou.

Marina Silva passou cerca de duas horas e meia na casa do governador e, em entrevista depois, negou conversas sobre política. "Temos que respeitar este momento do casal", justificou. Ela afirmou que aproveitou a passagem por Pernambuco - onde participou, à noite, de um seminário promovido pela Igreja Anglicana, em Jaboatão dos Guararapes - para visitar a família de Eduardo Campos.

Em um discurso alinhado com o do socialista, Marina Silva sustentou que as costuras serão feitas com base no programa. "Nenhuma aliança está consolidada. Os contatos que estão sendo feitos pelo PSB e o esforço que estamos fazendo são para que tenham (as alianças) uma base de sustentação coerente com o programa. Não vamos fazer nada que se sobreponha ao conteúdo", comentou, ao ser questionada sobre o imbróglio para definir o palanque em São Paulo. Lá, a Rede resiste a apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) - preferência dos socialistas -, defendendo o lançamento de um nome próprio.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

‘Partidos que acatarem diretrizes são bem-vindos’

Provável candidato à Presidência, Campos afirma que não haverá vetos em palanques

Angela Lacerda

RECIFE - Provável candidato à Presidência da República, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), afirmou nesta setxa-feira, 7, que não fará veto a alianças por ideologia. Ele afirmou, após encontro com a neoaliada Marina Silva em Recife, que poderá se aliar a qualquer partido que concorde com o programa da dobradinha PSB-Rede. "Aqueles que quiserem se somar a essas diretrizes, a esse conteúdo, serão bem-vindos", disse.

A prévia do plano de governo foi lançada nesta semana em Brasília. O documento traz orientações genéricas sobre grandes temas do País e procura abarcar o discurso de sustentabilidade da ex-ministra do Meio Ambiente.

Na parte política, porém, a parceria PSB-Rede vive um momento de tensão. Os aliados de Marina resistem à aproximação do partido do governador pernambucano em dois Estados: São Paulo, onde o PSB é muito próximo do governador Geraldo Alckmin (PSDB), e Minas Gerais, terra do também presidenciável Aécio Neves (PSDB) e onde os correligionários de Campos costumam se aliar aos tucanos.

Campos falou à imprensa na porta de sua casa, no bairro de Dois Irmãos, ao lado de Marina, que fez uma visita à primeira-dama do Estado, Renata, e à família depois da chegada do quinto filho do governador, Miguel.

Marina afirmou que "nenhuma aliança está consolidada". "Os contatos que estão sendo feitos são os que vinham sendo feitos pelo PSB e o esforço que estamos fazendo é que este programa tenha uma base de sustentação coerente com este programa", observou. "Este é o esforço do governador, é o esforço da Rede e, como disse o governador, não vamos fazer nada que se sobreponha a este conteúdo, a este processo de inovação na política brasileira".

A Rede de Marina teve o registro rejeitado no ano passado porque não conseguiu o número de assinaturas necessárias para a sua criação. Para poder disputar a eleição, Marina e seu grupo se filiaram ao PSB de Campos.

‘Velha política’. Indagado se a abertura para alianças partidárias não é característica da "velha política", indo de encontro à "nova política" que prega, Campos afirmou que hoje os partidos se unem "em torno dos seus interesses, só para ter as coisas", enquanto suas alianças serão feitas "em torno de uma pauta do povo". "A nova política estamos fazendo", disse o presidenciável.

"Fizemos a primeira união de partidos políticos em torno de um programa e apresentamos as diretrizes deste programa para a sociedade", afirmou. "Fizemos um governo de mudança, reconhecido por 86% da população porque fizemos aliança em torno de programa de mudança efetiva, de respeito à cidadania, com participação da população nas decisões no controle social, que aposta na transparência", afirmou o governador pernambucano.

Ainda segundo Campos, seu candidato a vice será anunciado "quando chegar a hora, no tempo certo". "Sabemos, eu e Marina, dos passos seguintes às diretrizes programáticas que foram lançadas há poucos dias", afirmou. A ex-ministra do Meio Ambiente é cotada para assumir o posto. "Os Estados já começam a discutir as diretrizes do programa para preparar um debate consistente em cada um deles e nós vamos dar o passo seguinte de forma combinada, no tempo certo", disse o governador. No dia 22 de fevereiro haverá o primeiro encontro regional, no Rio Grande do Sul.

Marina fez palestra sobre desenvolvimento sustentável à noite num seminário da Igreja Anglicana, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes.

Fonte: O Estado de S. Paulo