domingo, 23 de fevereiro de 2014

O incômodo da recessão

Na próxima quinta-feira, o IBGE dirá se a economia brasileira encolheu no último trimestre de 2013, o que seria o segundo tombo seguido. No Planalto, a perspectiva é de que a atividade se salvou por pouco, com avanço de ao menos 0,2% entre outubro e dezembro

Victor Martins, Deco Bancillon

Os dedos estão cruzados no Palácio do Planalto. Assessores da presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição em outubro, não escondem o temor de que, na próxima quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dê uma sentença devastadora ao governo: a de que o país mergulhou em uma recessão técnica no fim de 2013, com queda do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre, depois de um encolhimento de 0,5% entre julho e setembro. Diante de tal ameaça, tanto Dilma quanto o ministro da Fazenda, Guido Mantega, estão se fiando na projeção de parte do mercado financeiro, de que o país escapou do pior ao avançar 0,2% de outubro a dezembro. Integrantes da equipe econômica não descartam, porém, um tombo de 0,1%.

O sinal de alerta do Planalto acendeu depois de o Banco Central afirmar que, pelas contas dele, o Brasil entrou em recessão. O aviso só agravou o pessimismo de empresários e consumidores quanto ao modo como o governo vem conduzindo o país. Além de a atividade estar fraca, a inflação se mantém persistentemente alta, os juros subiram, encarecendo e escasseando o crédito, e o mercado de trabalho já não mostra o vigor de anos atrás. Não à toa, a popularidade da presidente Dilma está em queda. A mais recente pesquisa eleitoral do Ibope mostra que a aprovação da administração petista recuou de 43% para 39%, renovando os ânimos da oposição.

O quarto trimestre, tradicionalmente o mais forte do ano, era visto pelo governo e por especialistas como um marco da virada da economia. Mas, em vez de aceleração do crescimento, o que se constatou foi um forte encolhimento no ritmo de expansão. Na verdade, há quase uma estagnação da atividade. Dois dos principais motores do PIB, a indústria e o varejo, fraquejaram no fim do ano passado. Apenas em dezembro último, a produção nas fábricas encolheu 3,5% e o varejo recuou 0,2%. A alta dos juros básicos (Selic), de 7,25% ao ano, em abril de 2013, para 10,5% em janeiro deste ano, sem derrubar a inflação, só piora esse quadro. As famílias, superendividadas, compram cada vez menos. Sem perspectivas de aumento futuro das vendas, o empresariado mantém os investimentos congelados.

Dólar e indústria
A alta do dólar frente o real também não colaborou com os exportadores como se esperava, para ampliar a produção. Em 2013, a moeda norte-americana ficou, em média, 15% mais cara, elevação insuficiente para compensar a falta de competitividade da indústria, segmento que ainda sofre com a convulsão social que abala a Venezuela e a Argentina, dois importantes compradores de mercadorias nacionais de alto valor agregado, como carros.

Mas não é só. A retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos afeta os países emergentes, especialmente aqueles que não fizeram reformas constitucionais que modernizassem a economia. Justamente por manter o pé no atraso é que o Brasil entrou no grupo dos cinco frágeis, ao lado de Turquia, Indonésia, Índia e África do Sul. Com rombos recordes nas contas externas — quase US$ 12 bilhões em janeiro último, o pior resultado para um mês desde 1947 —, o país está nas mãos do capital especulativo, que pode fugir a qualquer momento para mercados considerados mais seguros.

“É verdade que as nações emergentes estão sofrendo com a mudança da política monetária norte-americana. Mas é verdade também que outros mercados estão se beneficiando da recuperação dos EUA”, diz Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra. “Infelizmente, o Brasil está do lado mais fraco”, emenda. “Temos indicadores econômicos ruins, que saltam aos olhos dos investidores estrangeiros mais avessos ao risco.”

No front doméstico, o endividamento das famílias segue em níveis elevados, com 45,48% de toda a renda do ano comprometida com prestações. Ao mesmo tempo, o poder de consumo dos trabalhadores tem sido corroído pela inflação, que, em 12 meses até janeiro, acumulou alta de 5,6%. As previsões são de que, em setembro, véspera das eleições, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estoure o teto da meta de carestia, de 6,5%. É por isso, conforme as pesquisas, que 77% dos brasileiros reclamam do elevado custo de vida.

Desânimo
O quadro real desanimador já contaminou 2014. Mesmo que, no fim das contas, o PIB de 2013 tenha crescido 2% ou um pouco menos, a forte desaceleração no quarto trimestre está jogando todas as previsões para baixo. Nos cálculos do Banco BNP Paribas, o crescimento do último ano de mandato de Dilma será de apenas 1%. Para o Itaú Unibanco, não passará de 1,4% e, nas contas de Tony Volpon, chefe de pesquisas para mercados emergentes das Américas da Nomura Securities, ficará em 1,3%. Todas essas estimativas estão distantes dos 2,3% projetados pelo Ministério da Fazenda.

Volpon, por sinal, vê o Brasil em recessão. Na avaliação dele, o PIB do último trimestre de 2013 caiu 0,1%. “É preciso lembrar que isso é apenas uma previsão, mas foi feita em função de uma combinação de dados mais fracos que o esperado e que culminaram na queda IBC-Br, do Banco Central”, justifica. Ele ressalta ainda que nem tudo pode ser controlado pelo governo. “Felizmente, o jogo não acabou para o Brasil. Mas as desvantagens aumentaram”, frisa. Maurício Molan, economista-chefe do Banco Santander, endossa: “Para 2014, não vemos condicionantes que sugiram otimismo em relação à atividade econômica, de modo que há riscos de uma revisão para baixo na nossa projeção de crescimento”.

Fonte: Correio Braziliense

Eduardo Campos diz que governo ‘vive de mágica’

Governador de Pernambuco compara gestão de Dilma a momento ‘pré-Real’

Flavio Ilha

PORTO ALEGRE – O governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência pelo PSB, Eduardo Campos, disse em Porto Alegre que o governo está “vivendo de mágica” e que o Brasil precisa de um novo pacto político para “salvar as conquistas” econômicas e sociais dos últimos anos. No plano econômico, Campos classificou a situação como “pré-Real”, onde a inflação era mascarada mediante os preços administrados pelo governo. As declarações foram dadas um dia depois de Campos se encontrar com Aécio Neves, no Recife.

Durante o primeiro encontro regional da aliança PSB-Rede-PPS para discutir um plano de governo, Campos voltou a criticar, ao lado da virtual candidata a vice, Marina Silva, as concessões políticas da presidente Dilma Rousseff em nome da governabilidade, “que não botam agenda nenhuma para a frente”.

— Vivendo de mágica: arruma três bilhões ali, bota na companhia de energia. Desvia para cá, paga as contas. É como diz na linguagem popular: da mão para a boca, assando e comendo. Isso vai batendo na educação, vai batendo na segurança, nas estradas, na saúde, no saneamento. Isso vai dar aonde? – discursou Campos.

O encontro teve a presença do senador Pedro Simon (PMDB), tido como “padrinho” da aproximação entre Campos e Marina. Também participou do ato o presidente nacional do PPS, Roberto Freire. O governador pernambucano disse que o país está vivendo um ciclo preocupante de perda das conquistas econômicas e sociais obtidas desde a redemocratização.

— No padrão de governança da economia, voltamos a um estado pré-Real. Também estamos vivendo uma situação de recrudescimento do ciclo de violência em vários locais onde ela tinha sido reduzida. O que está acontecendo é em função de um pacto político que não serve mais ao país. Tem gente inclusive que, a essa altura, está vendo com muito interesse o que estamos fazendo porque está percebendo que aquilo ali (o governo) não vai adiante. A nova política no Brasil hoje é mudar esse governo que está aí – disse o pré-candidato.

Segundo Campos, as concessões políticas geraram um pacto de conveniência dentro do governo que está “constrangendo muita gente boa”. O pré-candidato também anunciou que deixa o governo de Pernambuco no dia 4 de abril, prazo final de desincompatibilização dos cargos executivos para quem quer ser candidato em 2014.

O encontro reuniu mais de mil filiados do PSB, da Rede e do PPS do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Outras quatro reuniões serão realizadas até 26 de abril, quando o ciclo de debates se encerra em Manaus (AM). Antes disso, no final de março, segundo Campos, a chapa majoritária da aliança deve ser oficializada.

A ex-senadora Maria Silva, que aparece com cerca de 20% das intenções de voto nas principais pesquisas de opinião, descartou a possibilidade de que possa ser indicada candidata à presidência pelo PSB.

— Quando aceitamos o desafio de integrar essa aliança (em outubro de 2013), sabíamos que o PSB tinha um candidato. Desde então, estamos dialogando com essa candidatura e não com outro cenário – disse.

Marina, que deve ser confirmada como candidata a vice-presidente pelo PSB, também engrossou o discurso anti-Dilma. Sem se referir diretamente à presidente, a ex-ministra do Meio Ambiente de Lula disse que o Brasil não precisa de um gerente, mas de visão e de planejamento estratégico.

A pré-candidata, que tem vetado algumas alianças regionais dos socialistas com siglas conservadoras, também afirmou que o objetivo da aliança entre PSB, Rede e PPS é obter acordos com partidos “compatíveis” com o programa de governo que será apresentado, que privilegia itens como sustentabilidade, respeito à diversidade social e radicalização da democracia participativa.

— Não queremos fazer literatura. Pode-se fazer um programa muito bonito no papel, mas se as pessoas que vão protagonizar esse programa não têm identidade com ele, obviamente que fica mais difícil de a sociedade sentir o peso das decisões que estamos tomando – justificou.

Fonte: O Globo

Aécio diz que população cobra mudanças no país

Juliana Cipriani

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves (MG), afirmou ontem que o sentimento majoritário da população no país é de necessidade de mudanças. Para ele, é isso que aponta a queda da aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas de opinião divulgadas recentemente. Continuando sua incursão pelo Nordeste, o tucano esteve ontem em Maceió, onde recebeu apoio do prefeito da cidade, Rui Palmeira, e do governador de Alagoas, Teotônio Vilela, ambos tucanos, e participou do desfile em comemoração aos 15 anos do bloco carnavalesco Pinto da Madrugada, que arrastou vários foliões pela orla da cidade.

Aécio, que nos últimos seis meses visitou 23 estados, afirmou que a impressão comum em todos eles é de que o governo petista falhou. “O PT fracassou na condução da economia ao dar como legado ao próximo governo um crescimento pífio e inflação alta, uma perda crescente da credibilidade para o Brasil. Falhou nos investimentos em infraestrutura, que poderiam levar a um melhor resultado da economia brasileira”, afirmou.

Para o pré-candidato à sucessão de Dilma, a petista falhou ainda no que ele considera essencial, que são as áreas da saúde e da segurança pública. Aécio disse que as propostas do PSDB são um contraponto absoluto ao atual governo. Ele voltou a falar de sua proposta de refundar a federação, desconcentrando os recursos arrecadados das mãos da União. “Precisamos ser mais generosos com os investimentos em saúde e em segurança com os estados e municípios”, disse.

Um dia depois de confirmar a aliança entre PSDB e PSB em Minas Gerais, o tucano ressaltou a relação de proximidade com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), também pré-candidato ao Palácio do Planalto, com quem almoçou na sexta-feira. “O PSB, presidido por Eduardo, e o PSDB, presidido por mim, têm alianças muito sólidas e naturais em boa parte dos estados brasileiros, e não vamos trabalhar contra essas alianças no plano nacional nessas eleições, mesmo tendo o PSB uma candidatura e o PSDB outra candidatura. Vamos permitir que as coisas naturais continuem acontecendo”, afirmou.

Diante do recall da última eleição geral no estado, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, afirmou que o estado deve dar uma boa votação a Aécio. De acordo com ele, em 2010, o então candidato tucano, ex-governador José Serra, conseguiu 46% dos votos para a Presidência, o que lhe garantiu uma vantagem maior do que o restante dos estados nordestinos. A oposição espera ainda um bom resultado na Bahia e em Pernambuco, especialmente pelo peso político de Eduardo Campos.

Encontro programático
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva (Rede) reuniram-se ontem em Porto Alegre para mais um encontro regional programático entre as duas legendas. Ambos criticaram as palavras do deputado Luiz Carlos Heinze (PP), que chamou, em um vídeo gravado durante encontro com ruralistas, os gays, os índios e os quilombolas de “tudo que não presta”. Mesmo assim, os dois ainda costuram um palanque ao lado da candidata do PP ao governo gaúcho, senadora Ana Amélia.

Fonte: Correio Braziliense

Eduardo Campos e Marina criticam fala de deputado gaúcho, mas não descartam aliança com PP no RS

Governador e ex-senadora participam de encontro programático entre PSB, Rede e PPS em Porto Alegre

Juliana Bublitz

Em clima de campanha, o presidenciável Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, e a ex-senadora Marina Silva (Rede) participam, neste sábado, em Porto Alegre, do primeiro Encontro Regional Programático dos partidos.

Durante entrevista coletiva concedida no início da tarde, os dois criticaram a fala do deputado gaúcho Luis Carlos Heinze (PP), que chamou gays, índios e quilombolas de "tudo que não presta". Apesar disso, não descartaram a possibilidade de uma aliança com o PP no Rio Grande do Sul.

—Eu quero me somar a tantas vozes que se levantaram indignadas contra a fala do deputado — disse Campos.

Embora discorde do ponto de vista de Heinze, o governador de Pernambuco destacou que "é cedo para discutir palanque" e evitou falar sobre a aproximação com o PP.

— Não adianta montar palanque e não saber o que fazer depois — desconversou.

A fala de Heinze veio à tona quando um vídeo gravado em Vicente Dutra, no norte do Estado, foi publicado no YouTube, há duas semanas.

No Rio Grande do Sul, a aproximação de Campos com a senadora Ana Amélia Lemos (PP), possível candidata ao Piratini, não é vista com bons olhos por uma ala do PSB e por integrantes da Rede Sustentabilidade. A senadora, reconhecida por sua atuação em defesa do agronegócio, ciceroneou o socialista, em agosto passado, na Expointer. O gesto marcou a arrancada da negociação.

Na semana passada, o grupo contrário à coligação avaliaram que as declarações de Heinze acentuaram as diferenças ideológicas entre os partidos.

Ao ser questionada sobre o tema, Marina Silva reforçou a posição manifestada por Campos neste sábado. Rebateu as declarações de Henize, mas não foi além disso.

— A fala do deputado foi preconceituosa. Temos um país em que a maior riqueza é a diversidade, e nós defendemos uma cultura de paz — ressaltou Marina.

Sobre a possibilidade de aliança com o PP, a ex-senadora evitou opinar. Disse que PSB e Rede buscam fazer coligações "compatíveis com o programa" e que as conversas estão a cargo das direções regionais.

Pouco antes da entrevista, o presidente do PSB gaúcho, deputado federal Beto Albuquerque, garantiu que o diálogo com o PP (e também com outros partidos) vai continuar. Ele classificou a postura de Heinze como "infeliz", mas disse que ela não deve ser generalizada para todo o partido:

— Seria um erro generalizar a questão e supor que todo o PP pensa como Heinze.

O seminário promovido por PSB, Rede e PPS lotou o Auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa. Entre os presentas, além de Marina e Eduardo, estavam Roberto Freire, presidente nacional do PPS, e o senador Pedro Simon (PMDB).

O senador disse que foi prestigiar o evento em respeito ao avô de Campos, Miguel Arraes, com quem lutou contra a ditadura. Outra presença de "fora" foi a do deputado estadual Mano Changes (PP), que esteve no local para o reforçar o apoio à candidatura de Eduardo Campos e fazer coro à possível aliança do socialista com o PP de Ana Amélia.

—Vim dizer que o PP não é só o Heinze e que não pensamos como ele — disse Changes.

Fonte: Zero Hora (RS)

Campos promete anunciar em março chapa que concorrerá à Presidência

Expectativa é que o nome da ex-ministra Marina Silva seja confirmado na vice

Isadora Peron

PORTO ALEGRE - O governador de Pernambuco e provável candidato à Presidência, Eduardo Campos, disse neste sábado, 22, que o PSB vai apresentar em março a chapa que vai concorrer às eleições presidenciais. A expectativa é que o nome da ex-ministra Marina Silva seja confirmado na vice.

Sem falar sobre a possibilidade de ocupar a vaga, Marina voltou a afirmar que quando entrou no PSB, em outubro, deixou claro que o seu objetivo era apoiar o projeto da candidatura de Campos. Os dois participaram neste sábado de um encontro com integrantes do PSB-Rede-PPS, em Porto Alegre. O seminário é o primeiro de uma série que estão sendo organizados nas cinco regiões do País para discutir as diretrizes do programa de governo.

A dupla também evitou dar declarações sobre como andam as discussões em torno das alianças nos Estados. "Nós não estamos aqui para discutir palanques regionais. Estamos aqui para discutir as diretrizes do programa", disse Campos, ao ser questionado sobre o apoio à senadora Ana Amélia Lemos (PP), que pretende disputar o governo gaúcho.

A aliança com o PP não é vista com bons olhos por aliados de Marina. A situação ficou ainda mais delicada após virem a público as declarações do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), que chamou gays, índios e quilombolas de "tudo que não presta". Campos e Marina criticaram a postura do deputado e disseram considerar as afirmações preconceituosas.

Sobre a situação em São Paulo, Campos disse haver ainda muito "tempo hábil" para tomar a decisão. No Estado, o grupo da ex-ministra também resiste em aceitar o nome indicado pelo PSB, do deputado Márcio França.

Pesquisa. Questionado sobre a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff na pesquisa Ibope, divulgada na sexta-feira pelo Estado, Campos afirmou que não torce para que a situação do Brasil piore e, assim, dificulte ainda mais a vida da presidente, que vai concorrer à reeleição. Segundo o pernambucano, as pesquisas têm mostrado um sentimento de mudança e isso seria o suficiente para garantir uma vitória nas urnas em outubro.

"Não precisa torcer contra o Brasil para ganhar a eleição. Eu vou torcer a favor: quero que o País cresça este ano, que gere emprego, que não falte energia, porque não precisa piorar absolutamente nada para que a gente ganhe", afirmou. Segundo pesquisa Ibope, a taxa de aprovação do governo Dilma caiu de 43% em dezembro para 39%.

Apesar da declaração, o tom do discurso de Campos durante o evento foi de crítica ao atual governo. "Vivemos num País que parou", disse. Ele abordou temas como a falta de planejamento estratégico, de investimentos em infraestrutura e a volta da inflação.

Marina, por sua vez, disse reconhecer o "valor" de Dilma, como a primeira mulher a assumir a Presidência do País, mas voltou a afirmar que falta uma marca ao governo. "Nós temos adversários que são pessoas que respeitamos. A presidente Dilma é uma mulher de valor, mas o seu governo ainda não tem uma marca. Eu torço para que a marca do governo dela não seja o retrocesso, sinceramente", disse.

Apoio. Durante o encontro, a dupla recebeu o apoio do senador Pedro Simon (PMDB-RS). Em sua fala, ele brincou dizendo que muitos deviam estar se perguntando o que ele fazia no seminário, já que não era de nenhum dos partidos da coligação. Ele explicou dizendo que estava ali por causa da admiração que sentia pelo avô de Campos, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, e também pelo respeito que tinha pela figura de Marina.
Campos, por sua vez, contou que foi Simon quem o aconselhou a procurar Marina logo depois que a Justiça Eleitoral rejeitou a concessão de registro para a Rede, em outubro passado.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Queda de Dilma nas pesquisas representa fim de ciclo, diz Aécio

Ibope/Estadão divulgada neste sábado indicou que índice de aprovação da presidente caiu para 39%

Wal Souza

MACEIÓ - Provável candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves disse neste sábado, 22, que a queda dos índices de avaliação da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas representa o fim de um ciclo.

"Com índices aquém, chegou a hora de encerra esse ciclo de 11 anos e apostar em um novo projeto. Mais coerente, ético, transparente e eficiente para todos", afirmou o tucano em visita a Maceió, onde desfilou pela orla da capital com o tradicional bloco de carnaval Pinto da Madrugada.

A pesquisa Ibope/Estadão publicada neste sábado indicou queda de 4 pontos percentuais no índice de aprovação do governo Dilma. No início de fevereiro, 43% dos brasileiros consideravam a gestão da petista ótima ou boa. Hoje, 39% da população tem essa avaliação.

O senador mineiro comentou ainda o julgamento do mensalão mineiro. Para Aécio, o PSDB defende a apuração e o julgamento do caso e afirmou que a sigla não acredita na existência de presos políticos no Brasil.

"O PSDB possui um entendimento diferente do PT. Para nós, o caso deve ser apurado e julgado. Não acreditamos que há atualmente presos políticos no Brasil. O que há é presos por corrupção e desrespeito no poder", disse.

Antes de chegar a Alagoas, onde se encontrou com o governador do Estado, Teotônio Vilela (PSDB), Aécio esteve em Recife na sexta-feira. Em Pernambuco, o senador se reuniu com o governador Eduardo Campos (PSB), provável adversário do tucano nas eleições deste ano.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Eduardo Campos: "pacto" de Dilma freia mudanças

O governador e pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, proferiu ontem novas críticas à presidente Dilma Rousseff no comando do governo federal. Durante o primeiro seminário programático do PSB-Rede-PPS, em Porto Alegre (RS), o socialista afirmou que o pacto político comandado por Dilma não tem sinergia e "freia" a implantação das novas demandas sociais, advindas das manifestações populares desde o ano passado.

"Esse pacto político que hoje preside o Brasil já não tem sinergia, já não dialoga com o pacto social novo, a partir das mudanças operadas pelas próprias conquistas que nós ajudamos a fazer. E quando o pacto social e o pacto político não dialogam, um deles vai romper. E o que vai romper é o pacto político velho, que será derrotado pela vontade do povo nas urnas", afirmou Eduardo Campos.

Focando as críticas na área econômica do governo, o socialista fez novo alerta sobre possíveis retrocessos no setor no País. "Agora é a hora de compreender o que aconteceu em 2013: no mundo e no Brasil, com a mudança na plataforma de comunicação, com uma crise econômica, ambiental, de valores, de diálogo que a humanidade passa, e num ciclo em que o país começa a perder a altura, na sua economia. Começa a ficar claro, a falta de um planejamento para uma nação que é a sexta (economia) do mundo, que é estratégica para, não só o nosso equilíbrio, mas para o mundo como um todo", disse o governador.

Presente no evento, a ex-senadora Marina Silva afirmou que o descompasso entre o governo federal e a população será decida de forma diferente na próxima eleição. "Tenho dito que quem vai ganhar essa eleição é o tablado e não o palanque. O tablado é diferente do palanque, que fica lá em cima. Do tablado, você tem que descer um pouco mais abaixo para, em vez de olhar de cima para baixo, olhar de baixo para cima, para ver o que está acima de nós. E o que está acima de nós é o Brasil", pronunciou a ex-ministra.

O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire, relembrou as questões históricas que garantiram o que ele chama de realinhamento político de esquerda.

Fonte: Jornal do Commercio (PE)

Teoria da Conspiração

Petistas e empresários próximos ao ex-presidente Lula estão por trás dos boatos de que ele pode ser o candidato do partido no lugar de Dilma Rousseff

Daniel Pereira

A presidente Dilma Rousseff é a favorita na próxima corrida eleitoral. Segundo pesquisa encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), ela seria reeleita hoje no primeiro turno, com 43,7% dos votos, caso enfrentasse o senador Aécio Neves (PSDB) e o governador Eduardo Campos (PSB), que aparecem, respectivamente, com 17% e 9,9%. Além da liderança nas intenções de voto, Dilma tem a seu favor o controle da poderosa máquina federal, com suas benesses bilionárias, e a possibilidade de montar a maior coligação desde a redemocratização, o que pode lhe garantir o dobro do tempo na propaganda eleitoral em relação a seus rivais. Na área econômica, a presidente também conta com bom desempenho em indicadores diretamente ligados ao bolso e ao humor dos eleitores, como emprego, renda e consumo familiar. Apesar de tais credenciais, a candidatura de Dilma é alvo de uma “guerra psicológica” — guerra essa travada não por expoentes da iniciativa privada interessados em sabotar a economia nacional, como ela pregou na TV, mas por setores do próprio PT.

Com o apoio de empresários e banqueiros, um grupo de petistas retomou nos bastidores um jogo de pressão destinado a rifar Dilma do páreo, substituindo-a pelo ex-presidente Lula. É a segunda ofensiva recente nesse sentido. A primeira ocorreu logo após as manifestações de rua de junho do ano passado, quando a popularidade da presidente despencou. Agora, o movimento “volta, Lula” pega carona nos problemas surgidos, neste início de ano, nas searas política e econômica. A conspirata é comandada por petistas e autoridades do governo passado que perderam espaço na gestão atual. Eles são habitués do Instituto Lula, apelidado cirurgicamente de “o gabinete das sombras”, e alegam que o PT, ao contrário do que se esperava, não se apossou do poder no mandato em curso. Pior: setores e estrelas do partido perderam feudos na administração, foram ignorados pela presidente e não receberam apoio nem mesmo em temas caros à legenda — entre eles o processo do mensalão. Essas queixas são antigas e nunca foram capazes de sustentar uma sabotagem à presidente. A diferença agora é que petistas também vislumbram a possibilidade de derrota de Dilma na sucessão. Para eles, só Lula é capaz de manter o PT no poder sem que haja riscos para o partido.

Os conspiradores dizem contar com a adesão de empresários e banqueiros de ponta conhecidos pelas estreitas relações pessoais com o ex-presidente Lula. Os aliados dos petistas insurgentes reclamam do intervencionismo da presidente, da falta de planejamento de médio e longo prazos, da precariedade da infraestrutura e da desconfiança que Dilma nutre pelos investidores. Ou seja: da inexistência de um ambiente favorável à execução de projetos. Dilma seria um fator de inibição, enquanto Lula abriria frentes de negócio. “Por que sofrer mais quatro anos?”, perguntou recentemente um influente empreiteiro a um grupo de petistas. O ex-presidente ouve os apelos dos conspiradores com frequência. Como resposta-padrão, afirma que Dilma será a candidata, aprenderá com as críticas e corrigirá rumos. Nada mais previsível. A saída de Dilma da disputa presidencial seria uma operação potencialmente traumática. Aos olhos dos eleitores, a gestora eficiente poderia ser reduzida a mera propaganda enganosa usada para manter o PT no poder.

“O Lula diz ‘não’ a uma nova candidatura, mas não é um "não" convincente. É aquele ‘não’ de vamos observar o cenário”, conta um petista. Os conspiradores apostam que os obstáculos à frente de Dilma minarão a sua candidatura. Na semana passada, oito partidos governistas montaram um bloco independente na Câmara, com 261 deputados, cuja meta é reeleger seus integrantes, e não necessariamente a presidente. Essa tropa votará para afagar suas bases, com aumentos salariais, por exemplo, concorde o governo ou não. A negociação do chamado “blocão” ocorreu num jantar que reuniu parlamentares do PMDB, PR, PP, PSD, PTB, PDT, PSC e PROS — todos partidos com que Dilma espera contar em sua coligação. Na saída do evento, os peemedebistas Henrique Alves, presidente da Câmara, e Eduardo Cunha, líder da bancada, se encontraram no elevador, por obra do acaso, com o deputado André Vargas, que recebia quarenta colegas do PT em outro jantar no mesmo prédio. Vargas convidou os peemedebistas a participar um pouco do convescote. Deu-se um diálogo revelador. “Vocês estavam falando mal de quem?”, perguntou Cunha. “Da mesma pessoa que vocês”, respondeu Vargas.

Dilma sabe da campanha pela volta de Lula. Não o responsabiliza diretamente por isso, mas cobrou explicações dele. Foi numa reunião, em 14 de novembro, no Palácio da Alvorada, da qual também participou o marqueteiro João Santana. No encontro, Dilma deixou claro que não abria mão da candidatura. Já Santana tranquilizou Lula, garantindo que a reeleição estava muito bem encaminhada e que seria pequeno o risco de o PT perder o poder. Lula concordou que era preciso afinar a sintonia dele e do PT com a sucessora e disse que, dali em diante, todo e qualquer gesto seria combinado entre as partes. Os termos da conversa foram transmitidos à soldadesca, que recolheu as armas, mas só temporariamente. O lobby pela candidatura do ex-presidente está na rua com vigor. Talvez por isso a ministra do Planejamento, a petista Miriam Belchior, tenha saudado na quinta-feira, numa entrevista, a “presidenta Lula”. O ato falho não deixa dúvida: a sombra do criador paira, ameaçadora, sobre a Praça dos Três Poderes.

Fonte: Revista Veja

PT-RJ confirma candidatura própria para governador com Lindbergh

Trezentos e cinquenta delegados do diretório regional participaram do encontro

Nomes de expressão nacional marcaram presença para dar respaldo a indicação do nome do senador para governador

Marcelo Remígio

RIO — O Diretório Regional do PT aprovou na manhã deste sábado a candidatura própria ao governo do Rio e a indicação, por unanimidade, do nome do senador Lindbergh Farias. Após pressões do PMDB para que o partido desistisse do voo solo no estado e a ameaça dos peemedebistas de oferecerem, como retaliação, o palanque fluminense ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Campos, Lindbergh procurou mostrar força e respaldo da Executiva Nacional à sua candidatura durante o evento. Com discurso de campanha, o senador fez duras críticas aos adversários, mirando principalmente no governador Sérgio Cabral e no prefeito do Rio, Eduardo Paes, ambos do PMDB.

O encontro foi promovido na quadra da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, na Tijuca, Zona Norte do Rio, e teve a presença do presidente nacional do PT, Rui Falcão; o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro; a filha do ex-presidente Lula, Lurian da Silva; e de líderes de movimentos sociais, como João Pedro Stédile, que já esteve à frente dos sem-terra.

Lindbergh ainda reuniu toda a bancada fluminense de deputados estaduais e federais petistas - apenas Alessandro Molon não compareceu por integrar a comitiva que acompanha a presidente Dilma Rousseff em viagem à Itália -, além do vice-prefeito do Rio, Adilson Pires.

Sobre as ameaças do PMDB, que podem prejudicar a aliança nacional com PT, Lindbergh afirmou que falta ao partido adversário confiança em seu projeto e em seu candidato, o vice-governador Luiz Fernando Pezão:

— O PMDB tem que confiar no projeto deles. Isso (que eles fazem) não é demonstração de força.

Essa insistência para (o PT) retirar a candidatura parece demonstração de fraqueza. Eles que construam a candidatura deles e nós, vamos com a nossa — afirmou Lindbergh. — A gente teve um encontro estadual legal que aprovou por unanimidade o lançamento da minha candidatura. A presença do presidente do partido, Rui Falcão, serve para legitimar esse momento. Encerra-se o período de especulações, o PT tem candidato ao governo do Estado do Rio.

Lindbergh criticou o sistema de transporte do estado, a crise no abastecimento de água na Região Metropolitana e a política de Segurança Pública do governo Cabral. Também houve críticas às obras e ao custo do projeto Porto Maravilha. Para o senador petista, o governo Paes não pensou na rotina da cidade, dificultando a vida dos moradores da capital e da Região Metropolitana.

Durante o encontro, foi anunciado que o partido negocia alianças com o PCdoB, PSC e com uma dissidência do PDT liderada pelo ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto, presente no evento.

— Hoje (sábado), o Partido dos Trabalhadores, durante o seu encontro, que é soberano, consagra, por unanimidade, a pré-candidatura de Lindbergh Farias. O seu slogan expressa que o Rio de Janeiro é para todos os habitantes do Estado — disse Rui Falcão, que defende a união de partidos de esquerda em torno da candidatura do petista e ressalta que a pré-candidatura de Lindbergh foi cercada de "muitas pressões, fofocas, intrigas e ameaça".

O encontro do PT lotou a quadra do Salgueiro com militantes e cabos eleitorais trazidos por pré-candidatos a deputado de municípios da Baixada Fluminense e do interior do estado. Os 350 delegados participantes aprovaram a lista de pré-candidatos à Assembleia Legislativa do Estado do Rio e à Câmara dos Deputados.

Fonte: O Globo

Ferreira Gullar: Me engana que eu gosto

A tentativa de desmoralizar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que condenou os responsáveis pelo mensalão, começou com uma falsa indignação e está se tornando molecagem. Não pode ser qualificada de outro modo a atitude do vice-presidente da Câmara, que na sessão solene de abertura do ano legislativo fazia ostensivamente gestos de provocação contra o presidente da suprema corte de Justiça do país.

Sentado ao lado do ministro Joaquim Barbosa, repetia o gesto de José Dirceu e Genoino, quando, ao serem presos, fizeram-se de vítimas de uma discriminação política. Se tais gestos, naquele momento, eram apenas uma descarada farsa, repetidos agora não passam de um desrespeito ao Supremo e ao próprio Congresso Nacional.

Esse desespero dos petistas é compreensível, ainda que inaceitável. É compreensível porque o mensalão pôs a nu o que efetivamente é agora o PT, partido criado para supostamente restaurar a ética na política brasileira. A verdade é que esse partido nunca foi isso. Fingiu ser, e desse modo ganhou a adesão de algumas personalidades destacadas da vida intelectual brasileira.

Essas personalidades deram respaldo à jovem agremiação, cujo principal líder era um operário. Ninguém imaginaria que esse mesmo líder viria, mais tarde, chegado ao poder, aliar-se ao que há de pior na política nacional. Em consequência disso, aquelas personalidades, decepcionadas, deixaram o partido, sendo que algumas delas chegaram a denunciar o logro de que foram vítimas. Mas Lula e sua turma seguiram em frente, porque seu objetivo, após chegar ao poder, é nunca mais sair dele. E daí, entre falcatruas, o mensalão.

Como já disse aqui, o mensalão foi o modo encontrado por Lula de conseguir o apoio dos pequenos partidos sem lhes dar ministérios e empresas estatais, que reservou, na quase totalidade, para o próprio PT, onde empregou seus partidários aos milhares e usou das verbas como quis. Nesse projeto, estava implícito o uso do dinheiro público em função dos interesses do governo.

Logo ficou evidente que partido era aquele e quais seus reais objetivos. Já a vitória de Lula à Presidência da República deveu-se à mudança drástica em sua pregação de candidato. No governo, abriu os cofres do BNDES a grandes empresas privadas, ao mesmo tempo que se apropriava dos programas sociais, criados por Fernando Henrique.

Conforme afirmou recentemente um economista, o dinheiro dado aos empresários foi muitas vezes superior ao destinado ao Bolsa Família, isso sem contar que os empréstimos eram feitos a juros abaixo do mercado, o que permitiu aos empresários aplicar o capital que não investiram em suas empresas e assim ampliá-lo, graças aos altos juros do mercado financeiro.

Tudo isso mostra que do PT surgido em 1980 não restou quase nada. O mensalão não foi inventado por ninguém e, sim, atestado e comprovado por documentos, depoimentos e investigações, levados a cabo pelos órgãos policiais e judiciais. O julgamento desse processo foi feito publicamente, transmitido pela televisão. Cada ministro manifestou sua opinião, suas concordâncias e discordâncias, do que resultou a condenação da maioria dos acusados.

Entende-se que, para um partido, que está no poder há 11 anos e nele pretende se perpetuar, tais condenações pegam muito mal, já que os condenados são gente de sua cúpula. Como explicar, num ano de eleições, que altas figuras do partido tenham sido condenadas pelo Supremo Tribunal Federal?

Como explicar que Henrique Pizzolato, nomeado por Lula diretor do Banco do Brasil, tenha falsificado o passaporte do irmão morto para fugir do país? Ele era membro destacado do PT, tendo sido até candidato do partido ao governo do Paraná.

Impossível explicar aos eleitores tanto vexame e tantas falcatruas. E, sobretudo, impossível negá-las se foram comprovadas e punidas pela mais alta corte de Justiça do país.

Não há outra saída para os petistas senão afirmar que se trata de uma farsa, montada pelos ministros do Supremo. Mas como admitir isso se, dos 11 ministros, oito foram nomeados por Lula e Dilma? O PT só engana mesmo quem quer ser enganado.

E o valerioduto mineiro? É esperar para ver.

Ferreira Gullar, poeta, ensaísta e crítico de arte

Fonte: Folha Ilustrada

Elio Gaspari: O Planalto caiu na arapuca do PMDB

A ideia era simples: um ministro cuidaria da base de apoio e outro lidaria com os movimentos sociais. Primeiro, ferveu Gilberto Carvalho, quando os protestos de rua saíram do nada, de fora do cadastro de convênios do palácio.

Depois, confundiu-se o que seria um desprestígio palaciano da ministra Ideli Salvatti com uma barafunda na qual as lideranças parlamentares não se entendem entre si nem com o Planalto.

O resultado está aí. Numa reforma ministerial de quinta categoria, sem ideia nem projeto, a doutora Dilma vê-se obrigada a cortejar o PMDB indo a jantares inúteis (se não arriscados) na casa do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP).

Enquanto isso, representantes de grandes empresas (Gerdau, Ambev, Andrade Gutierrez, OAS e até a Souza Cruz) foram a outro jantar, pluripartidário, na casa do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN).

Ano eleitoral é assim mesmo. Empresário que gosta de jantar no Planalto vai à casa de deputado para botar medo num governo assustado. O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, queixa-se dos empresários que ficam “fazendo beicinho” e propõe que se discuta “a relação”. Essa é a armadilha em que caiu a doutora.

A infantaria do PMDB e a intendência do empresariado entram nessas discussões seguindo o conselho de Ivana, a primeira mulher do folclórico milionário americano Donald Trump. Ela ensinou: “Não fique com raiva, fique com tudo”.

Elio Gaspari é jornalista.

Fonte: O Globo

Dora Kramer: Defesa de territórios

Em tempo de campanha eleitoral antecipada, os partidos de oposição resolveram se adiantar no lançamento dos respectivos candidatos à Presidência da República.

Pela lei, esses atos deveriam acontecer nas convenções que se realizam a partir de 12 de junho (dia do início da Copa do Mundo). Mas, o PSB já quer anunciar a chapa Eduardo Campos e Marina Silva em alguma data logo após o carnaval e o PSDB em princípio escolheu o dia 29 de março para lançar a candidatura de Aécio Neves.

O nome do vice ainda está em discussão, mas há por ora quase unanimidade em torno do nome do senador por São Paulo Aloysio Nunes Ferreira, também tucano.

Uma decisão está tomada: o ato de lançamento será em São Paulo, pelo mesmo motivo que a composição da chapa deixa de adotar como regra a aliança com outro partido e opta pelo critério regional.

Sendo São Paulo o maior colégio eleitoral do País (32 milhões dos 140 milhões de eleitores), a avaliação dos tucanos é que nesse caso uma chapa puro-sangue agrega mais eleitores que uma aliança partidária.

Minas Gerais, palco do lançamento da candidatura do paulista Geraldo Alckmin em 2006, é território dado como ocupado por Aécio, que precisa conquistar a Pauliceia, onde já é bem conhecido do empresariado, mas praticamente um anônimo entre o grande público.

Nos encontros com lideranças regionais do partido o mineiro tem dito uma frase (de efeito, claro) que passará a repetir com frequência: "Me deem São Paulo que eu lhes entrego a Presidência da República".

Pelo raciocínio da densidade eleitoral seria de se imaginar que Eduardo Campos faria seu ato também em terras paulistanas, mas nesse caso a equação é outra.

Leva em conta o peso de Marina Silva no Rio de Janeiro e por isso será lá o anúncio oficial. Em 2010 a então candidata a presidente pelo PV teve 31% dos votos no Rio, a segunda maior votação do País. A primeira obteve em Brasília, onde foi a campeã, com 41, 96%.

Qual a ideia do PSB? Óbvia. Começar a jornada testando o potencial de transferência de votos de Marina para Campos num Estado em que o capital eleitoral dela é forte.

Lançar a candidatura em Pernambuco ou em outro Estado do Nordeste seria chover no molhado; a mesma lógica adotada por Aécio ao não fazer em Minas. Muito embora nenhum dos dois pretenda deixar os respectivos Estados de lado, obedecendo à regra segundo a qual se começa a ganhar uma eleição "em casa".

Os "tiros" iniciais refletem apenas os alvos escolhidos como pontos de partida. E note-se que os dois continuam a atuar numa espécie de parceria não escrita. Embora ambos precisem do Rio e de São Paulo, nem Aécio nem Campos "invadiram" as arenas escolhidas por um e por outro para oficializar as candidaturas.

Até quando vai durar o pacto de não agressão é uma pergunta que no mundo político todos fazem. Mas os candidatos não parecem afobados. Sabem que a hora chegará, mas que não é para já. Por enquanto precisam conquistar terreno.

Isso quer dizer se tornar conhecidos do eleitorado. Espaço há. A presidente Dilma Rousseff, conhecida por 99,6% das pessoas consultadas nas pesquisas, tem 43,7% das intenções de votos.

Na última consulta divulgada pela CNT, na semana passada, 12,1% diziam preferir que o próximo eleito (ou eleita) continue "totalmente" a governar da forma atual. Só que 37,2% afirmaram o contrário: querem que o governo seguinte mude completamente a maneira de atuar.

De onde parece evidente que o favoritismo decorre da exposição da presidente em contraste com menor número de canais de comunicação à disposição dos oponentes.

Se realidade ou mera impressão, poderemos conferir a partir do meio do ano, quando a lei proíbe propaganda de governo e, apesar de Dilma contar com 70% do horário eleitoral, nos programas de TV - notadamente o Jornal Nacional -, todos têm espaço igual garantido. Foi o que, em 2010, fez a fama de Marina.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Eliane Cantanhêde: Como dantes

Lamento informar que o Brasil não é mais o queridinho das reuniões multilaterais. Perdeu a graça, está voltando ao velho patamar.

A economia bombando, Lula encantando plateias mundo afora e Amorim se metendo até no Oriente Médio são coisas do passado.

Hoje, a política econômica é sem brilho e errática, e a externa, pouco ambiciosa. O resultado são índices macroeconômicos medíocres e falta de presença internacional, que deságuam em desconfiança. Amorim deve estar insone com a desconstrução do seu legado. Como Lula...

Parte da culpa é das estrelas e do momento. Lula perdeu três eleições para ganhar justamente quando as condições internas e externas eram favoráveis. FHC deixou as bases, o dinheiro corria farto no mundo, e o carisma de Lula fazia o resto.

Na América do Sul, Lula à esquerda, Michele Bachelet (Chile) ao centro, Álvaro Uribe (Colômbia) à direita saíram, todos, com alta popularidade. Por quê? Entre os principais motivos, condições de tempo e temperatura muito favoráveis. Dilma não teve a mesma sorte nem a visão estratégica. Primeiro, veio a crise financeira mundial irradiada dos EUA. Agora, os EUA e a Europa se recuperam, há interrogações sobre a China, e o Brasil volta ao seu lugar secundário sem ter aproveitado o mar de oportunidades da crise dos países ricos.

Parte da culpa é da teimosia de Dilma, que --como diz um adversário-- não só acha que sabe tudo como acha que só ela sabe tudo. Teimosia gera centralização, que inibe o embate de ideias e a criatividade.

No G20 financeiro, em Sydney, fica claro que se encerrou um ciclo: só se fala de EUA e Ásia. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Depois de longas análises sobre o fim da crise e as perspectivas da Ásia, os conferencistas lançam alertas para os emergentes e concedem umas poucas palavras para um bloco diferente: a África e a América do Sul. É o balaio do rebaixamento.

Fonte: Folha Online

Tereza Cruvinel: Marina de vice e outros movimentos

"Depois do carnaval, Marina Silva será oficializada como candidata a vice, permitindo aferir a capacidade de transferir votos para Eduardo Campos"

Os blocos já estão na rua, a vida institucional abre alas para o carnaval passar. Logo depois, devem ocorrer alguns movimentos político-eleitorais que precisam acontecer antes que tudo comece a ser dominado pelo clima de Copa. Um deles será a oficialização da ex-senadora Marina Silva como candidata a vice na chapa de Campos. Na semana passada, ela confidenciou a alguns companheiros da Rede já ter "batido o martelo mental" nesse sentido. Como é sabido, essa possibilidade foi aberta por Eduardo lá atrás, em outubro, quando Marina e seu grupo ingressaram no PSB, no limiar do prazo legal para a filiação partidária de candidatos. O que estava pendente era apenas a decisão pessoal dela, agora já tomada, a não ser que surja algum imponderável, ela ressalvou.

O anúncio não tem data marcada, mas é para breve. A partir dele e das pesquisas, será possível conferir a capacidade de Marina de transferir para Campos as intenções de voto que faziam dela a segunda candidata mais votada. Em setembro, na pesquisa CNT-MDA, por exemplo, Dilma Rousseff era preferida por 36,4% e ela, por 22,4%. Em alguns momentos e cenários, Marina chegou ao empate técnico com a presidente no segundo turno. Com a decisão, diz um articulador da Rede, Marina e seu grupo buscam equilibrar as forças dentro da coalizão informal com o PSB para evitar alianças com setores que consideram nefastos à pregação da "nova política" e conter a aproximação entre Eduardo e o tucano Aécio Neves, que voltaram a se encontrar na sexta-feira, no Recife, quando esboçaram promessas de apoio recíproco no segundo turno. 

Os socialistas, por sua vez, não escondem o esforço para evitar atritos na montagem dos acordos regionais. Afora o veto à aliança com Geraldo Alckmin em São Paulo, a Rede vem se opondo ao apoio do PSB à candidatura da senadora Ana Amélia Lemos (PP) ao governo do Rio Grande do Sul, por conta das ligações dela com o agronegócio. A Rede insiste na candidatura do deputado socialista Beto Albuquerque, que Campos escalou para concorrer à Câmara como puxador de votos para a bancada. Desdobramentos, depois do carnaval.

Dilma e os aliados
Outro que se encontrou com Eduardo Campos na semana passada foi o presidente do PDT, Carlos Lupi. Segundo disse aos pedetistas, apenas para discutir alianças regionais, pois sua disposição, condicionada à aprovação do partido, é de apoiar Dilma. Entretanto, o PDT ressente-se do pouco valor que ela e o PT deram ao apoio pedetista em 2010, e alguns grupos inclinam-se pelo apoio a Campos.

 Em uma coligação todos são importantes, mas, para Dilma, o PMDB é fundamental: é o partido do vice, é hegemônico no Congresso, tem capilaridade nacional e caciques que ainda controlam verdadeiros colégios eleitorais. O bloco "anti-Dilma" de nove partidos governistas que está sendo criado sob a liderança do PMDB é uma contradição nos próprios termos. Como são todos aliados, só podem estar tentando arrancar da presidente concessões fisiológicas a que ela resiste, numa expressão de suas melhores virtudes. Falta-lhe, entretanto, a habilidade de Lula para dizer "não" falando "sim". 

Ainda que o objetivo de tal bloco seja arrancar nacos de poder, ele pode ter desdobramentos eleitorais, com os quais Dilma não deveria brincar. As pesquisas estão mostrando oscilação negativa, ainda que ligeira, na avaliação de seu governo, há trepidações na economia e esse clima de revolta odiosa e difusa, com focos variados, que vão da Copa ao ônibus atrasado.

O topo e a base
Muitas das viagens internas que Dilma tem feito são para participar de formaturas do Pronatec, o programa de capacitação e ensino técnico executado para o governo pelas escolas do Sistema S (Sesi, Senac, Senat) e escolas federais. Pouco se fala, e a oposição presta pouca atenção, ao público alcançado por ele. O alvo principal são jovens que cursam o segundo grau e adultos que já trabalham, mas Dilma reservou 1 milhão de vagas para os beneficiários do Brasil sem Miséria, incluídos aí os do Bolsa Família. A meta devia ser cumprida até o fim deste ano, mas, neste mês de fevereiro, inscritos e formados já somam 950 mil. A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, que anteontem estava em Eunápolis (BA) para novas formaturas na cidade, vai requisitar mais vagas para os cursos, que vão de costura, eletricista ou auxiliar de cozinha a inglês básico e informática. As mulheres representam 76% de inscritos ou formados.

O programa responde à cobrança por uma porta de saída para os beneficiários do Bolsa Família, mas a ministra destaca outro aspectos. "A alta demanda pelos cursos é uma indiscutível resposta ao preconceito contra os pobres, especialmente os do Bolsa Família. Desmonta mitologias, como a de que são preguiçosos e não querem trabalhar. Todos esses que buscam se capacitar estão nos dizendo que querem ser incluídos num país cada vez mais produtivo, porém mais justo", diz ela.

As políticas sociais, que incluem ações menos visíveis como essa, é que estão garantindo a Dilma a condição de favorita na disputa presidencial, como demonstrou a pesquisa Ibope/Estadão: ela perde no topo da pirâmide, mas ganha, de longe, entre os de menor renda e escolaridade. A classe média faz mais barulho, mas os pobres são mais numerosos.

A desconfiança sobre favorecimento aos estados e municípios governados pelo PT é óbvia, mas a ministra rebate com dados: o estado com maior número de inscritos é o Rio Grande do Sul, de Tarso Genro, seguido por Minas, governada pelo PSDB. O município campeão é Salvador, governado pelo demista ACM Neto, seguido por Maceió, governado pelo PSDB. Mas seja qual for a cor da terra, a semeadura dá voto. Dilma continuará indo a formaturas.

Fonte: Correio Braziliense

Merval Pereira: Terrorismo tupiniquim

O combate à violência nas manifestações populares é o cento da discussão sobre uma nova legislação a ser aprovada pelo Congresso, agravando as penas e, no limite, enquadrando atos de vandalismo e explosões – como a que gerou a morte do cinegrafista Santiago Andrade – na categoria de terrorismo urbano. Será necessária mesmo uma nova legislação para combater essas ações dos black-blocs e afins, ou bastaria que a lei existente fosse aplicada com rigor? É correto tratar os atos de vandalismo como terrorismo, ou é preciso separar as ações para que eventos internacionais como a Copa do Mundo possam ser protegidos de possíveis atos terroristas?

Eu mesmo escrevi uma coluna classificando de terrorismo o ato de atirar um rojão em
meio às manifestações. E disse, logo depois das primeiras badernas, em junho, que
os vândalos deveriam ser tratados com todo o rigor e colocados na cadeia. Aceito, as
reações contrárias à tese do terrorismo e acho que o tema merece mais debate. Continuo,
no entanto, defendendo rigor na repressão a esses atos de vandalismo que, mesmo
se não podem ser classificados como terrorismo, são antidemocráticos. O jurista Aurélio Wander 

Bastos, professor Titular da Unirio e do Iuperj da Universidade Candido Mendes, considera que, antes de tudo, é preciso incluir a definição de terrorismo na Constituição. Ele cita o artigo 9º da Constituição Política da República do Chile, de 1980, que define o terrorismo como um crime contra os direitos humanos e diz que os delitos “serão considerados sempre comuns e não políticos para todos os efeitos legais e não se concederá a esses casos indulto particular, salvo para comutar a pena de morte pela de prisão perpétua”.

Para o professor, este texto mostra “exatamente e pioneiramente na América Latina uma forma de regulamentação dos atos de terrorismo, pressupondo que qualquer lei deve ter embasamento constitucional, o que significa que no Brasil antes de se elaborar projeto de lei, deve-se editar emenda constitucional”.

O deputado federal do PSB Alfredo Sirkis considera um erro confundir a franja violenta das manifestações, das quais o Black Bloc é uma das etiquetas com o terrorismo propriamente dito. Ele compara os Black-blocs com as torcidas violentas nos estádios, dos hooligans ou dos skinheads. 

“Para enfrentá-los, antes que inviabilizem e desmobilizem preventivamente toda e qualquer manifestação de protesto massiva, bastam alguns ajustes na legislação comum proibindo uso de máscaras, objetos de agressão e criando a figura do delito de ação e organização coletiva aplicável da mesma forma às torcidas violentas nos estádios”.

Para ele, a tipificação do terrorismo no projeto em discussão no Senado é “totalmente equivocada”: “A rigor, defesa da legalização do aborto poderia ser enquadrada como “ofensa à vida”? Um programa de rádio como aquele famoso de Orson Wells narrando o fantasioso desembarque dos marcianos na Terra poderia ser considerado terrorismo por “difundir o pânico generalizado” ?.

O consultor de assuntos internacionais Nelson Franco Jobim, embora concorde que “não se pode graduar a pena de Black Blocs comparando-os a Al Qaeda”, diz que “não dá para ignorar as possíveis consequências de explodir uma bomba no meio de uma manifestação”.

A outra questão importante para ele é o compromisso da esquerda com a democracia no mundo pós-Muro de Berlim: “a democracia é um fim em si ou apenas uma etapa ou instrumento na construção do socialismo? No segundo caso, a "democracia burguesa" seria ilegítima para os oprimidos e explorados, que teriam o direito de combatê-la usando a força”.

Também o deputado Alfredo Sirkis considera que, com relação ao vandalismo, é preciso destacar a responsabilidade “por um lado da leniência da extrema-esquerda e, sem dúvida alguma, a manipulação por parte de políticos "locais" com contas a ajustar com o governo do estado”.

O criminalista Cosmo Ferreira diz que “o terrorismo tem tanto a ver com as manifestações violentas quanto o Pilatos no Credo. É uma absurdidade tratar os vândalos, conhecidos como Black blocks, como terroristas”. Para ele, são criminosos comuns, e suas condutas não se enquadram nas molduras dos instrumentos internacionais sobre terrorismo assinados pelo Brasil. “O nosso arsenal jurídico é mais do que suficiente para puni-los. O que quer o nosso Parlamento, criar um terrorismo tupiniquim?”.

Fonte: O Globo

Sergio Fausto* : É tempo de acertar contas com o 'curto século 20'

Em 2014 completam-se cem anos do início da 1.ª Guerra Mundial. O conflito foi um divisor de épocas. Eric Hobsbawm, historiador inglês marxista, assinala-o como marco inaugural do "curto século 20". François Furet, historiador francês liberal, escreve que o mundo até ali existente morreu junto com os 15 milhões de pessoas vitimadas pela maior carnificina humana vista até então.

A 1.ª Guerra pôs fim ao "longo século 19", iniciado com a derrota de Napoleão, a formação da Santa Aliança, o fortalecimento da coalizão entre a burguesia industrial nascente e as aristocracias recicladas dos velhos regimes anteriores à Revolução Francesa. Na esteira da guerra, abriu-se a "Era dos Extremos", como Hobsbawm chamou o "curto século 20", marcado pela novidade histórica do aparecimento de sistemas totalitários, de signo oposto, o comunismo e o fascismo (não por acaso, o historiador inglês identifica no colapso da União Soviética o ato final do século passado).

É inegável que a Revolução Russa é filha da guerra de 1914-1918. Sem a ruína do Exército czarista e as privações provocadas pelo conflito os bolcheviques não teriam tomado o Palácio de Inverno em outubro de 1917. O filósofo e historiador francês Élie Halévy foi profético ao escrever, em meio à guerra: "Desfavorável provavelmente às formas liberais do socialismo, ela fortalece, consideravelmente, o socialismo de Estado".

Também a ascensão do nazi-fascismo é indissociável da devastação que a guerra provocou na Europa e do surgimento da "ameaça comunista", representada pela consolidação da União Soviética e pelo seu prestígio entre a esquerda europeia. Prestígio crescente nos anos 20 e 30, apesar das críticas que logo surgiram, na própria esquerda, à ditadura do partido único implantada por Lenin e levada às suas últimas consequências por Stalin.

No Brasil a guerra deu impulso ao primeiro ensaio espontâneo de industrialização por substituição de importações, devido à virtual interrupção do comércio com a Europa. Mais significativos e prolongados, porém, foram os seus efeitos políticos.

A 1.ª Guerra marcou a ascensão definitiva dos Estados Unidos à posição de maior economia, em condições de se tornar igualmente a maior potência militar do planeta, duplo status que a 2.ª Guerra viria confirmar e reforçar, com a União Soviética no polo oposto. A hegemonia americana no Hemisfério Ocidental, de Norte a Sul, tornou-se incontestável. Por outro lado, ao mesmo tempo as ideologias europeias de contestação frontal ao liberalismo encontraram receptividade no Brasil (e na América Latina). Não ganharam adeptos numerosos como em seus locais de origem (o Partido Comunista Brasileiro - PCB -, fundado em 1922, e a Ação Integralista Brasileira, criada dez anos depois, jamais chegaram a ser partidos de massa). A despeito disso, comunistas e integralistas (a versão nativista do fascismo europeu) passaram a ter presença em grupos sociais influentes: profissionais e intelectuais de classe média urbana, em sua maioria, e operários fabris sindicalizados, em menor grau.

Suas ideias antiliberais encontraram pontos de contato e afinidade com o pensamento nacionalista autoritário dominante nos anos 30. Ambos tinham no "artificialismo da democracia liberal-burguesa" um alvo comum. Por esse caminho o fascismo deixou suas marcas no Estado Novo (1937-1945) e, mais tarde, na ditadura militar (1964-1985). Mais distante do poder, o comunismo não imprimiu marcas institucionais tão claras, mas o DNA autoritário do leninismo continuou a se reproduzir ao longo do século 20 no Brasil, mesmo depois de parcialmente expurgado do seu componente totalitário puro e duro, a partir da segunda metade dos anos 50, quando os crimes de Stalin foram revelados e o stalinismo perdeu vigor. Veio então a revolução cubana a dar-lhe novo alento.

A esquerda brasileira paga até hoje um tributo caro à sua incapacidade de se livrar desse DNA antiliberal. Sobram restos mal digeridos de uma herança histórica que parte significativa da esquerda prefere não enfrentar com transparência e honestidade intelectual. Em lugar de um diálogo aberto sobre as contribuições, conflituosamente complementares, do liberalismo e do socialismo democrático às conquistas civilizatórias da humanidade, grande parte da esquerda prefere refugiar-se na pantomima dos punhos erguidos e no ataque robótico ao "neoliberalismo" - como se o liberalismo econômico fosse um só e o liberalismo político, o seu apêndice - e ao "imperialismo americano", como se ainda vivêssemos sob a guerra fria. Ao mesmo tempo, silencia diante de regimes autoritários "de esquerda" e não hesita em agir para enfraquecer processos e instituições que, pertencendo ao liberalismo político clássico em sua origem, se tornaram, pelas lutas sociais, patrimônio das democracias dignas desse nome em qualquer lugar do mundo.

Justiça seja feita a intelectuais eurocomunistas ligados ao antigo PCB que promoveram o debate sobre o liberalismo e o socialismo na primeira metade dos anos 80, ainda na etapa formativa da nova democracia brasileira. No âmbito do PT, principal partido da esquerda brasileira no pós-64, intelectuais como Francisco Weffort fizeram esforço na mesma direção. O debate, porém, foi posto à margem, substituído pelo empenho na organização da máquina partidária e pelo pragmatismo da luta pelo poder. Tampouco o PSDB colaborou para dar densidade a essa discussão, em que pese a contribuição individual de algumas de suas lideranças.

Se queremos construir um pensamento social e político à altura dos desafios deste século, que mal começa e já coloca novas exigências, precisamos retomar o debate apenas ensaiado sobre o liberalismo e o socialismo, com sensibilidade para as suas manifestações especificamente brasileiras, e acertar as nossas contas com "o curto século 20".

*Sergio Fausto é superintendente executivo do iFHC, colaborador do Latin American Program do Baker Institute of Public Policy da Rice University e é membro do Gacint-USP.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Gustavo H. B. Franco : 20 anos do Plano Real

Na próxima sexta feira, dia 28 de fevereiro de 2014, quando começarem os trabalhos de carnaval, vamos festejar também os 20 anos da publicação da Medida Provisória nº 434, que introduziu a URV (Unidade Real de Valor), uma formidável inovação que assumiu a forma de segunda moeda nacional, porém apenas "virtual", ou "para servir exclusivamente como padrão de valor monetário" (art. 1).

A URV era o real, desde o início. Em seu artigo 2º, a MP 434 já determinava que, quando a URV fosse emitida em forma de cédulas - e assim passasse a servir para pagamentos -, o cruzeiro real seria extinto e a URV teria seu nome mudado para real.

A inflação beirava os 40% mensais, mas, em vista do modo como foi construída, a URV (que Saulo Ramos, com verve e má vontade chamou de "feto de moeda") era uma "moeda estável", ou uma unidade de conta protegida da inflação, portanto, superior às outras em circulação ou em uso para indexar contratos, e por isso as substituiu de modo espontâneo e surpreendentemente rápido.

Na partida, em 1º de março de 1994, a cotação da URV em cruzeiros reais, a moeda de pagamentos, era CR$ 647,50, valor que o BC usava para fixar a taxa de câmbio (e não o contrário). No dia seguinte a URV mudou para CR$ 657,50, conforme a variação da inflação corrente, e depois para CR$ 667,65 assim fomos.

Em poucas semanas a URV se alastrou de forma viral, pois era um convite irresistível: migrar espontaneamente para uma moeda de conta que andava junto com o dólar. Por que o Brasil não poderia ter uma moeda tão boa quanto a de qualquer outro país? Por que a moeda estável, a indexada, era privilégio apenas do rico que usava o "overnight"?

Em 1º de julho, quatro meses depois (e bem poderia ter sido antes!), as novas cédulas e moedas do real foram colocadas em circulação em lugar do cruzeiro real na razão de R$ 1,00 para CR$ 2.750,00. A reforma monetária estava completa e o real em plena circulação. Quem disse que o brasileiro não sabe fazer conta e não é capaz de entender e agir inteligentemente diante de questões econômicas aparentemente complexas?

Depois de 20 anos, a adoção generalizada da URV ainda está cercada de uma aura de mistério e fascinação, e entre os especialistas, é lembrada como uma das experiências de estabilização mais engenhosas e bem-sucedidas que a humanidade já conheceu. O fim da hiperinflação alemã em 1923, que fez uso de um expediente semelhante - o rentenmark - é frequentemente descrito como um "milagre", e desafia explicações, tal como a URV.

O fato é que a introdução da moeda de conta indexada deu início a uma reação química em cadeia, uma espécie de redescoberta do "valor das coisas", que estendia seus efeitos para todo o espectro de simbolismos associados ao dinheiro, sugerindo, inclusive, a identificação entre inflação e imoralidade. Havia muita coisa em jogo no plano simbólico: a moeda, como a bandeira e o hino, está entre os mais importantes símbolos nacionais, de tal sorte que sua degradação, quando levada ao extremo de uma hiperinflação, espalhava suas consequências para muito além da órbita econômica.

Elias Canetti, numa passagem famosa sobre a hiperinflação alemã, observou mais genericamente que uma inflação desse tipo "pode ser tomada como uma orgia satânica de desvalorização no qual os homens e as unidades de seu dinheiro exercem os mais estranhos efeitos sobre si mesmos. Um se projeta no outro, o homem sentindo-se tão 'ruim' quanto o seu dinheiro". Nada a estranhar, portanto, no torpor e na dissolução de valores, entendida de forma mais ampla, em vigor durante aqueles anos e que, infelizmente, deixou sequelas.

O "caminho de volta" enunciado pelo Plano Real compreendia a recomposição e reunificação das funções da moeda em sequência: primeiro a de servir como unidade de conta com a URV, substituindo outros indexadores e unidades de conta usadas em contratos e orçamentos familiares, segundo a de servir como meio de pagamento de curso legal, com a emissão de cédulas e moedas denominadas em real, e por último, e mais difícil, a de funcionar como reserva de valor, teste realizado quando a nova moeda deixou de ser indexada ao dólar e flutuou com relação à moeda norte-americana. E diante do veredicto dos mercados, quando o real apreciou com relação ao dólar, e assim se manteve, o circuito estava completo.

Era apenas o começo, é claro, e o programa prosseguiu, inclusive porque havia clareza que o Plano Real, diferentemente dos outros planos econômicos, compreendia uma extensa agenda de ações contemplando os chamados fundamentos econômicos da estabilização e do desenvolvimento. Era uma linguagem inovadora para uma época em que as pessoas ainda acreditavam em Papai Noel e inflação inercial. Essa agenda era o cerne do programa. A passagem do tempo e a alternância no poder só tornaram mais claro que estávamos adotando paradigmas já bem assentados no tocante à disciplina monetária, à responsabilidade fiscal e à sustentabilidade financeira do Estado.

A URV, depois transformada em real, trouxe a inflação no Brasil para níveis internacionais no início de 1997 sem sustos, confiscos, caneladas e recessão. No ano calendário de 1998 a inflação medida pelo IPCA foi de 1,6%, a menor da série histórica. Foi a menor inflação anual desde que o IPC da Fipe começou a ser calculado em 1940.

Pois assim, a estabilização nos retirou de um estado de torpor e depressão para outro de euforia e ansiedade; a agenda de estabilização rapidamente se converteu na discussão das reformas necessárias para o crescimento, onde estacionamos já faz alguns anos.

O problema do crescimento é semelhante ao da estabilização de muitas formas: ambos dependem de coordenação, persuasão, segurança quanto à consistência macroeconômica e, sobretudo, incentivos corretos. O sucesso da URV e do Plano Real é sempre associado ao estilo da coisa, à transparência no fazer e à ideia de um "convite a aderir" a um mecanismo que os agentes econômicos percebem como superior. Não é um "Pacto Social" negociado por sindicatos e associações patronais, nem um mecanismo compulsório e invasivo como foram os congelamentos. Essas coisas não funcionam: as pessoas, inclusive as jurídicas, preferem exercer suas próprias escolhas orientadas por suas próprias percepções sobre os seus melhores interesses. Assim funcionam as economias de mercado como a nossa. Quando o governo organiza políticas públicas que atentam para esse detalhe crucial sobre o modo com a economia funciona, as coisas costumam dar certo.

Fonte: O Globo

Diário do Poder - Cláudio Humberto

Dilma, Temer e o "blocão"
Temendo a dor de cabeça que o "blocão" pode causar ao governo nas votações na Câmara, a presidente Dilma escalou o vice Michel Temer para enquadrar o PMDB, que encabeça a rebelião, e colocar panos quentes na insatisfação da base aliada. O vice, que alega ter sido pego de surpresa pela articulação, convocou os líderes governistas para reunião de emergência nesta segunda-feira (24), no Palácio do Jaburu. O clima no Planalto com a ameaça do "blocão" é dos piores. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) admite que não sabe o que fazer. O "blocão" foi articulado em jantar com presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), na quarta-feira (19). Só PT e PCdoB não foram convidados. Tomada por insatisfação generalizada, sobretudo com cargos, a base ameaça montar uma pauta de projetos e peitar Dilma nas votações.

Itamaraty ignora segurança
Diplomatas e contratados locais da embaixada brasileira em Caracas estão em pânico com a escalada de violência na capital da Venezuela (foto): o Itamaraty não tem plano de contingência ou esquema de segurança diante do caos nas ruas, e ainda os obriga à jornada de oito horas. Servidores se "viram" para chegar e sair a salvo da embaixada, muito embora saibam que a natureza do serviço impõe esse tipo de risco.

Incerteza
Servidora diz que chegou à embaixada do Brasil em Caracas "em meio a corpos na rua" e aguarda declaração de "conflito social" do Itamaraty.

Pensando bem...
...cantou para subir o passarinho de Chávez que Maduro viu.

Rompimento
Apesar da pressão de Eduardo Campos (PSB), o PSDB decidiu romper com o governador Ricardo Coutinho na Paraíba. Na sexta, senadores Aécio Neves (MG) e Cássio Cunha Lima (PB), do PSDB, avisaram ao governador de Pernambuco que será "muito difícil" manter a aliança.

O troco
Preterido para ministério no governo Dilma, o senador Vital do Rêgo (PMDB) ameaça apoiar a candidatura de Cassio Cunha Lima (PSDB) ao governo da Paraíba, reforçando palanque do tucano Aécio Neves.

Pergunta
Onde está o bravo Lula que se ofereceu para mediar a paz no Oriente Médio e ainda não propôs conversar com os revoltosos da Ucrânia?

?? (Tudo bem?)
Na embaixada brasileira em Kiev, Ucrânia, um funcionário que não fala inglês ou português atende o telefone. Ignora-se o que acontece lá.

Duas medidas
Do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), sobre manobra do governo que esvaziou o Plenário para adiar a votação do veto à criação de municípios: "Senado deixou de ser revisor para virar arrependedor".

Avisa lá
Laudo da junta médica da Câmara dos Deputados provou que o mensaleiro condenado José Genoino não é inválido para ganhar aposentadoria. Agora ele vai tentar provar que tem validade vencida.

Frase
"Não há perigo de fuga"
Lorenzo Bergami, advogado do fugitivo Pizzolato, sobre o pedido de prisão domiciliar

Bola da vez
Partidos da base aliada de Dilma têm sido pressionados por dirigentes estaduais e candidatos a acelerar conversas pela filiação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, relator do mensalão.

Rombo histórico
O exuberante "pit-stop" da presidente Dilma em Lisboa contribuiu para o rombo histórico de US$ 11,5 bilhões nas contas externas em janeiro. Gastos de brasileiros lá fora somaram US$ 2,1 bilhões no primeiro mês do ano.

Fonte: Diário do Poder

Panorama político - Ilimar Franco

Aliados travessos
A presidente Dilma está muito irritada com a conduta do PMDB na reforma ministerial. Sua maior queixa se refere às conversas com o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), para que ele assumisse a Integração. Ela está convencida que quem implodiu a costura foi o próprio PMDB. Quem era contra esta alternativa, vazou os entendimentos com o objetivo de envenenar o ambiente.

A origem da pauta-bomba
A guerra de posições entre os governistas da Câmara e do Senado está longe de um desfecho. Os deputados aliados avaliam que seus parceiros do Senado estão se redimindo, ao impedir a aprovação de PECs e de projetos de lei que aumentam as despesas públicas. Eles dizem que a verdadeira pauta-bomba nasceu no Senado. E citam três exemplos: a aprovação de um piso salarial para os agentes comunitários de saúde, o fim do Fator Previdenciário e a PEC 300, que reajusta os salários de policiais civis, militares e bombeiros dos 26 estados e do DF. Nesse caso, citam que a proposta conta com o aval do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

“A presidente Dilma trata alguns deputados como filhos de DNA próprio e os demais como filhos ilegítimos.”
Givaldo Carimbão
Deputado (AL), líder do PROS na Câmara

Ele tem a força
Contando com o apoio do PMDB da Câmara e do Senado, os articuladores políticos do governo garantem que não há como a presidente Dilma deixar de nomear o senador Vital do Rego (PB) para um dos ministérios. Ele á é chamado de “Vitalzinho” no governo. Depois de seis meses ao relento, dizem que seu caso é considerado grave e sério.

A peitada
O blocão decidiu que vai se reunir todas as terças-feiras. A intenção é fechar uma lista de projetos para ir à votação na Câmara. O prato feito será depois apresentado na reunião com o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Agora vai
A chapa ao governo do deputado Márcio França ganha corpo. A Rede da região do ABC registrou no PSB a candidatura de Mateus Prado ao Senado. Ele é de Mauá, educador, alinhado com Marina Silva, e já foi do PT, do PSOL e do PSTU.

Maratona pré-Carnaval
O governo faz intensivo esta semana para resolver a reforma ministerial. O vice Michel Temer receberá amanhã, no Jaburu, os ministros Aloizio Mercadante e Ideli Salvatti. A presidente Dilma voltará ao Brasil na madrugada de terça-feira e deve conversar com Temer. No dia seguinte, despacha em São Paulo com o ex-presidente Lula.

#bebeu, perdeu
O governo lança segunda-feira campanha alertando comerciantes e pais sobre a venda de bebidas alcóolicas para jovens com menos de 18 anos durante o Carnaval. Ela será direcionada ao Rio, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Ouro Preto.

Caiu na rede
A Polícia Federal passou a postar no Twitter e no Facebook fotos de foragidos. Ao lado da foto, a mensagem: "Proteja sua família, seu país e sua comunidade ajudando a Polícia Federal e a Interpol Brasil a prender criminosos foragidos".

Um dos tucanos mais próximos do presidente do PSDB, Aécio Neves, o senador Cássio Cunha Lima decidiu concorrer ao governo da Paraíba.

Fonte: O Globo