Revista Cult
Bloco histórico
O conceito, inspirado na obra de Georges
Sorel (1847-1922), foi utilizado por Gramsci para
repensar as relações entre estrutura-superestrutura em uma chave
anti-economicista. Expressa a unidade entre estrutura e superestrutura,
natureza e espírito. No bloco histórico, as forças materiais são o conteúdo e
as ideologias, as formas. Mas essa distinção entre forma e conteúdo é apenas
didática, uma vez que na realidade histórica as forças materiais não seriam
concebidas sem suas formas e as ideologias não teriam eficácia sem essas forças
materiais. O conceito de bloco histórico não designa uma aliança de classes ou
partidos políticos.
Cultura
Tema persistente nos escritos de Antonio Gramsci, cultura adquiria sentido amplo e uma série de desdobramentos em seu pensamento. Nos artigos de juventude, a cultura aparecia associada à atividade intelectual necessária para o fortalecimento “interior” do ambiente socialista, capaz de superar tanto as reduções neopositivistas do marxismo como o neoidealismo que avançava sobre as ideias de Karl Marx, revisando-as e incorporando-as em um paradigma liberal. Nos cadernos redigidos da prisão encontramos essa concepção ampliada e complexificada, resultado do interesse e contato de Gramsci com a experiência soviética desde 1917, além dos demais desdobramentos da crise aberta com a I Guerra Mundial na Europa, especialmente na Itália sob o fascismo. A cultura passava a ser pensada, ainda, como reforma intelectual e moral, ou seja, como o coração de uma estratégia de organização política. Também era investigada como parte de uma nova historiografia que reconhecia na formação do Estado moderno a unidade contraditória entre as formas da vida e atividade de governados e governantes.







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