sexta-feira, 18 de julho de 2014

Eduardo Giannetti: A idolatria do PIB

- Folha de S. Paulo

O PIB é uma invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entreguerras, mas foi só nos anos 50 que os órgãos oficiais passaram a publicar dados de PIB para os diferentes países. Adam Smith, Ricardo, Marx e Mill jamais foram instados a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes.

De lá para cá, o culto do PIB como métrica de sucesso ou fracasso das nações virou uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é o objetivo supremo em nome do qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas e um antropólogo marciano poderia até imaginar que a sigla PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública enquanto o consumo dá sentido à existência na esfera privada.

Além do passivo ambiental, a idolatria do PIB tem causado graves prejuízos ao bem-estar humano. Dois exemplos recentes ilustram isso.

Uma pesquisa pioneira, publicada no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" em 2013, comparou populações sujeitas a diferentes níveis de poluição do ar nas regiões norte e sul da China e avaliou o seu impacto de longo prazo (décadas) sobre a saúde (doenças cardiovasculares e câncer de pulmão).

O estudo mostra que uma elevação de 100 microgramas de matéria particulada por metro cúbico de ar corresponde a uma redução de três anos na expectativa média de vida ao nascer. Como a diferença entre o norte e o sul da China é de 185 microgramas por metro cúbico, isso significou uma perda de cinco anos e meio de vida per capita para os habitantes do norte em relação ao sul.

Some-se a isso o fato de que 10% da terra cultivável na China está contaminada por poluentes químicos e metais pesados, e que metade da água suprida nas cidades é imprópria para banho, e se verá que o espetáculo do PIB chinês, como um Otelo sem Iago, oculta um elemento crucial da trama.

No Brasil, o afã de acelerar o crescimento no curto prazo levou o governo a tomar um atalho. Em vez de concentrar esforços na melhoria do transporte coletivo, optou-se por medidas de estímulo à venda de automóveis: isenções tributárias, crédito farto e gasolina subsidiada. Entre 2003 e 2013, a frota de carros particulares passou de 23,6 milhões para 43,4 milhões de veículos.

O resultado do erro pode ser medido em tempo de vida. Um cidadão que gaste três horas por dia em média para ir e vir do seu local de trabalho ou estudo passará cerca de quatro anos e meio da sua vida encalacrado no inferno urbano das nossas metrópoles. O PIB silencia, mas o bem-estar acusa.

Pior que crescer pouco ou crescer mal, só mesmo uma combinação judiciosa das duas coisas. E não é que o Brasil tem conseguido!

Eduardo Giannetti é economista

Rogério Furquim Werneck: Escapismo, estádio e voto

• O vexame da seleção brasileira na Copa do Mundo poderá afetar as avaliações do eleitor

-O Globo

Em que medida o desastroso desempenho da seleção na Copa poderá afetar a eleição presidencial? O que se pode dizer sobre essa questão complexa que vem dividindo analistas do quadro eleitoral?

O governo sempre sonhou com a possibilidade de extrair fartos benefícios eleitorais da Copa. É claro que muitos dos seus devaneios iniciais foram superados pela realidade dos fatos. E, há alguns meses, diante das dificuldades encontradas na complexa organização do evento e do risco de que os jogos pudessem ser empanados por distúrbios violentos, o governo chegou a cruzar os dedos e simplesmente rezar para que as coisas dessem certo.

Receando que não dessem, o Planalto, de início, procurou guardar distância prudente do evento, especialmente após os lamentáveis insultos à presidente Dilma na cerimônia de abertura. Mas, aos poucos, ao constatar que, apesar dos temores, a organização do evento vinha sendo bem avaliada e que a seleção avançara até as semifinais, o Planalto decidiu voltar a se envolver mais de perto com o evento.

Ganhara força a esperança de que uma vitória do Brasil na Copa pudesse, afinal, dissipar o clima de desalento que tanto vem preocupando o governo. Ao discutir como reverter o “mau humor” de segmentos importantes do eleitorado em relação à presidente Dilma, no fim de junho, o ex-presidente Lula foi muito claro sobre a importância que vinha atribuindo a uma vitória da seleção na Copa. “Nós vamos ganhar esse caneco porque o Brasil está precisando.” (“O Estado de S. Paulo”, 25 de junho)

Tivesse a seleção sido simplesmente desclassificada, a frustração dessa expectativa de reversão do “mau humor” teria tido pouco impacto sobre o projeto da reeleição. Mas o que se viu no fatídico jogo de 8 de julho, no Mineirão, não foi uma mera desclassificação e, sim, uma traumática e humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Que diferença isso pode ter feito?

Os mais propensos ao cartesianismo clamam pelo bom senso. Gente, foi só um jogo... Mas a verdade é que foi bem mais do que isso. Respaldado por longa reflexão sobre a antropologia do futebol, Roberto DaMatta nos lembra (“O Estado de S. Paulo”, 12 de julho) que, “numa Copa do Mundo, os times não são clubes, mas símbolos vivos de estados nacionais que, obviamente, vão além do futebol”.

País afora, o 7 a 1 deflagrou um processo generalizado do que os anglo-saxões chamam de soul searching. Cada um à sua maneira, perplexos, indignados e revoltados, estamos todos remoendo o desastre na Copa, em busca das razões profundas para desempenho tão lamentável, compelidos a aceitar fatos que nos recusávamos a enxergar. É um processo que promete ser prolongado e penoso. E que, longe de estar restrito à introspecção, deverá ser marcado por muita interação, troca de ideias e desabafos.

É bem possível que esse turbilhão de reflexão coletiva redunde em sério agravamento do que o governo rotula de “mau humor”. E que esse estado de espírito deixe o eleitorado bem mais refratário à campanha eleitoral etérea e escapista que o Planalto vem ensaiando, para tentar passar ao largo do outro espinhoso 7 a 1 com que o governo terá de lidar neste fim de mandato.

Não bastasse o risco de que a inflação ultrapasse 7% em 2015, quando o represamento eleitoreiro de preços administrados for afinal rompido, o PIB mal deverá crescer 1% em 2014. Por absurdo que possa parecer, a intenção do governo era passar batido por esse desastre, acenar com a vaga promessa marqueteira de “um novo ciclo histórico de prosperidade” e só falar da política econômica de 2015 depois das eleições.

Esse discurso escapista ficou agora bem mais difícil. Com o país inteiro engajado em intensa troca de impressões sobre os resultados desastrosos que podem advir da improvisação, do voluntarismo e da arrogância, as inevitáveis analogias entre o futebol e a economia vão se tornar cada vez mais frequentes.

O Planalto tem boas razões para estar preocupado. E não pode reclamar das analogias fáceis. Foi a presidente quem primeiro sugeriu que seu governo era “padrão Felipão”.

Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio

Brasília-DF :: Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Renan versus Mercadante
Ao aprovar apenas um dos três diretores indicados para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), os senadores do PMDB mandaram recados ao governo, além da justificativa oficial de que as indicações chegaram em cima da hora, com menos de uma semana para votar, e é preciso respeito ao Senado. A ordem mesmo é dizer ao Planalto que, quando o partido desarruma, as coisas não acontecem. Portanto, é bom o PT cuidar muito bem do aliado na eleição. Sob pena de ver ruir algumas ações governamentais.
* * *
O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, não gostou de saber que o Senado não pretendia votar agora a indicação do novo diretor da Aneel, Tiago e Barros Correia, ex-secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria de Portos, indicado para a agência pelo PT. Tampouco engoliu o fato de os senadores se recusarem a votar em plenário mais um mandato para o diretor-geral, Romeu Rufino, que está na Aneel desde 2006. Na dura conversa que teve com Renan, chegou a sugerir que ou se votavam todos ou nenhum. Renan foi firme e disse que a Casa só votaria a recondução de André Pepitone da Nóbrega, que está lá desde 2010. E foi exatamente o que foi feito. Essa briga volta à cena em agosto, no próximo esforço concentrado.

O dilema de Lula
O ex-presidente combinou com o PT pernambucano uma visita ao estado no fim de agosto. Deve ser a única que fará ao longo de toda a campanha. Ocorre que o próprio Lula tem dúvidas sobre essa viagem. A ordem é não melindrar o candidato do PSB, Eduardo Campos, considerado fundamental na estratégia do PT, caso o segundo turno seja entre Dilma Rousseff e Aécio Neves.

Retrato falado
Os partidos das mais diversas matizes identificam em pesquisas qualitativas um certo movimento do eleitor para a direita do espectro político. E, por isso, olham meio de soslaio para ver como está o candidato do PSC, pastor Everaldo. Há quem aposte nele como o principal beneficiário dessa onda. Vamos ver.

Tempo de cobrança I
Os coordenadores estaduais da campanha de Dilma Rousseff prometem transformar a reunião do próximo dia 28 em um muro de lamentações. A maioria reclama que não há estrutura nos estados, tais como material, gente para distribuir panfletos e levar a mensagem de Dilma às ruas, ou seja, dar a tal ideia de movimento eleitoral.

Tempo de cobrança II
Apesar disso, a direção nacional tem cobrado resultados, leia-se a melhora dos índices de Dilma nas pesquisas. A resposta dos governistas tem sido direta: dizem que, antes de mais nada, é preciso que a presidente tire de cena o semblante carrancudo que exibiu durante a entrega da taça da Fifa ao capitão da Alemanha, Phillip Lahm. Alertam os petistas que aquele ar de "pega logo essa coisa" — para ficar na expressão mais branda — não emplaca nem aqui, nem na China.

Plateia pouca/ Renan Calheiros apresentou o balanço do semestre para menos de uma dúzia de senadores. E, para completar, o senador Douglas Cintra passou parte do discurso de costas para a Mesa Diretora, tirando fotos com familiares. Cintra assumiu ontem a vaga aberta com a licença de Armando Monteiro, do PTB, que deixou o Senado para se dedicar integralmente à campanha para o governo de Pernambuco.

Valha-me, meu Padre Cícero!/ O líder do PMDB, Eunício Oliveira (foto), está numa saia justa. Domingo, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, abre sua campanha no Ceará em Juazeiro do Norte, na missa pelos 80 anos da morte de Padre Cícero. Estará acompanhado do candidato ao Senado, Tasso Jereissati. Eunício é o candidato a governador em dobradinha com Tasso. Não tem como faltar à missa em seu estado. Seria desfeita. Entretanto, se desfilar ao lado de Aécio, perde Dilma.

E agora, Eunício?/ Enquanto candidato a governador, Eunício não tem o que reclamar da presidente até agora. Foi o único convidado para a reunião do Brics. E ele não esconderá sua preferência: "Sou eleitor de Dilma. Meu compromisso com ela está válido. E o deles (dos petistas) espero que também esteja", diz o senador. Dia desses, ele encontrou Eduardo Campos no Ceará e o cumprimentou normalmente. Pretende fazer o mesmo se encontrar Aécio em Juazeiro. "Cada um fará campanha para o seu candidato a presidente, Tasso para Aécio e eu para Dilma."

E a pesquisa, hein?/ O resultado da consulta do Datafolha sobre intenção de voto mostrou que a Copa não mexeu no cenário. E, para o governo, o que fez soar o sinal de alarme foi o resultado da corrida paulista. Em São Paulo, os números de Geraldo Alckmin (54%), Paulo Skaf (16%) e Alexandre Padilha (4%) deixaram no PT a certeza de que Dilma estará em dificuldades por lá.

Painel :: Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Aécio avança em SP
Com liderança folgada na corrida eleitoral de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) finalmente começou a transferir votos para Aécio Neves (PSDB) no Estado. Em junho, só 24% dos eleitores do governador também escolhiam o presidenciável tucano. Agora, 33% fazem o voto casado, diz o Datafolha. Aécio foi o único candidato ao Planalto a crescer acima da margem de erro em São Paulo, de 20% para 25%. Ele empatou com Dilma Rousseff (PT), que oscilou de 23% para 25%.

Por fora Apesar de ter se mudado para São Paulo em abril, Eduardo Campos (PSB) ainda engatinha no Estado. Oscilou de 6% para 8%.

Lavada Nas simulações de segundo turno, Dilma perde feio para os dois adversários no front paulista. Aécio venceria no Estado por 50% a 31%. Campos, por 48% a 32%.

Alerta vermelho A avaliação do governo Dilma caiu nas grandes cidades brasileiras. O percentual de eleitores que consideram a gestão ótima ou boa recuou de 30% para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. A classificação ruim ou péssima subiu de 31% para 37%.

Nuvem carregada Para estrategistas do PT, as grandes cidades são polos com capacidade de transmitir "carga negativa" ao resto do eleitorado. Por enquanto, a avaliação positiva da presidente nos municípios pequenos permanece estável, em 42%.

Gosta e não leva De cada quatro eleitores que consideram o governo bom ou ótimo, um afirma que não pretende votar em Dilma.

Adeus, PIB Paulo Skaf, o candidato do PMDB ao governo paulista, despencou no andar de cima. Entre eleitores com ensino superior, recuou de 34% para 25%. Entre os mais ricos, de 36% para 23%.

Companhias Pode ser apenas coincidência, mas a queda ocorreu depois de Skaf selar aliança com os ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Gilberto Kassab (PSD), ambos com altos índices de rejeição.

Ponta-esquerda O petista Alexandre Padilha começa a ganhar votos entre eleitores que consideram o governo Alckmin ruim ou péssimo. Neste grupo, avançou de 8% em junho para 11%.

Poxa, bispo No Rio, onde é apoiada no papel pelos quatro principais candidatos, Dilma tem em Marcelo Crivella (PRB) o pior cabo eleitoral. Entre os eleitores do bispo da Igreja Universal, 36% dizem votar na petista. Lindberg Farias (PT) é quem mais transfere votos: 48%.

Contra burguês? Lindberg, o candidato mais à esquerda, vai melhor entre os ricos. Ele chega a 19% das intenções de voto no eleitorado com renda superior a 10 salários mínimos. Entre os mais pobres, tem apenas 10%.

Me dê motivo Faz sucesso nas redes sociais um panfleto com quatro razões para o eleitor do Rio votar no desconhecido Tarcísio Motta (PSOL) para governador.

Pra ir embora Os argumentos da peça são simples: "Ele não é o Garotinho. Ele não é o Crivella. Ele não é o Lindberg. Ele não é o Pezão". Motta é professor do colégio federal Pedro 2º e tem apenas 2% das intenções de voto.

Capitanias Edison Lobão (Minas e Energia) sai de férias a partir da próxima segunda-feira, por 15 dias. O ministro vai usar parte do tempo para ajudar a campanha do herdeiro Lobão Filho ao governo do Maranhão.

Estranho no ninho Um curioso encontrou José Serra em fotos da arquibancada do Maracanã na final da Copa. O palmeirense usava a habitual camisa azul e estava cercado por torcedores do Flamengo.
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Tiroteio
"Campos soa arrogante ao não reconhecer o papel de Dilma no avanço de Pernambuco. O povo perceberá que ele mudou de lado."
DE HENRIQUE FONTANA (PT-RS), líder do governo na Câmara, sobre a fala do pessebista de que não há obra iniciada e concluída por Dilma no Nordeste.
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Contraponto

Cama de solteira, por favor

Em caminhada ontem em Santo André, no ABC paulista, Marina Silva foi reconhecida por muitos transeuntes, mas poucos sabiam que ela era a candidata a vice de Eduardo Campos (PSB). Um dos poucos bem informados, o comerciante Geová Rodrigues abordou a ex-verde:

--Por que não é você a candidata a presidente?

--Não deixaram --lamentou Marina, em referência à negação de registro para a Rede Sustentabilidade.

--Mas vai ser vice do Eduardo Campos? --insistiu.

--Ele já estava lá. Ninguém chega na casa dos outros e já vai dormindo na cama de casal... --disse ela, sorrindo.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Temer e Renan apaziguam Braga após traição do PT
O vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), entraram em campo para apaziguar os ânimos do líder do governo, Eduardo Braga (AM), que não se conforma com a ordem da presidenta Dilma para retirar Francisco Praciano da disputa ao Senado em sua chapa. A intervenção do PT favorece o adversário Omar Aziz (PSD), que é candidato a senador na chapa de José Melo (PROS).

• Segura e amarra
Caciques do PMDB dizem que Renan agiu feito malabarista para impedir Braga de sair da liderança. Ele nega: “quem diz isso não gosta de mim”.

• Prioridade sou eu
A presidenta Dilma mandou intervir de última hora no PT-AM após fechar acordo com o governador Cid Gomes (PROS) e Gilberto Kassab (PSD).

• Jogo duplo
Responsável por costurar a vaga a Praciano, o ex-presidente Lula tem se mostrado indignado com intervenção do PT nacional, o qual ele comanda

• Agora é tarde
O deputado Francisco Praciano afirmou que sua candidatura foi decidida em convenção, e que vai lutar até o fim na Justiça eleitoral para mantê-la.

• Entidades médicas abrem guerra contra Dilma
A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e a Associação Médica Brasileira (AMB) comunicaram ao presidenciável Aécio Neves (PSDB-MG) que apoiarão a oposição na disputa pela Presidência contra Dilma Rousseff. Em reunião na quarta (16), o presidente da Fenam, Geraldo Ferreira, garantiu ao tucano que a maior parte dos médicos trabalhará por sua eleição. Outra parcela menor apoiará Eduardo Campos (PSB-PE).

• Contrapartida
Segundo Ferreira, o programa de Aécio para saúde ‘ainda é vago’, mas cria carreira nacional e refuta cubanos em situação análoga à escravidão

• Bandeira antiga
As entidades médicas consideraram “ousada” a proposta de Aécio de destinar 10% da Receita Corrente Bruta da União para a Saúde.

• Eis a questão
O conselho deliberativo da AMB se reúne hoje em Fortaleza para decidir sobre apoiar Aécio ou, de forma mais ampla, os candidatos de oposição.

• Olho no Nordeste
Aspirante ao Planalto, Aécio Neves (PSDB-MG) combinou com o governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin presença em ato, no sábado (19), no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo.

• Bateu a cabeça
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, surpreendeu a todos que ouviram a explicação para a queda de 33% na meta de criação de empregos no Brasil em 2014. Segundo ele, não há “trabalhadores para empregar”.

• Missão impossível
Criado pelos Brics para financiar projetos de infraestrutura na América do Sul, o Novo Banco de Desenvolvimento vai suar para fiscalizar o uso da grana no Peru, onde 92% dos prefeitos são investigados por corrupção.

• Precavidos
O aparato de segurança e de imprensa que acompanhou o presidente da China, Xi Jinping, em visita ao Congresso impressionou parlamentares. O grupo trouxe até gerador de energia para se prevenir de incidentes.

• Torre de babel
Descendente de japonês, Akira Otsubo (PMDB-MS) ouviu o discurso de Xi Jinping sem fone pra tradução. Surpreso com palmas, perguntou o que chinês tinha dito: “Que o Brasil mereceu levar sete gols”, brincou colega.

• Cirurgia de Roriz…
O ex-governador do DF Joaquim Roriz (PRTB) será submetido a um transplante de rim na semana que vem. A doadora será sua filha mais velha, Jaqueline Roriz, que descobriu a compatibilidade na quarta (16).

• … é de urgência
Fontes próximas dizem que o ex-governador “está bem, com toda estrutura hospitalar”, mas ainda precisa de sessões diárias de hemodiálise e se desloca com cadeira de rodas para evitar cansaço.

• Noite feliz
Bem mais relaxado após fim da Copa, o ministro Aldo Rebelo (Esportes) comemorou o sucesso do Mundial em jantar nesta terça (15) com a bancada do PCdoB, na residência da senadora Vanessa Grazziotin (AM).

• Pensando bem
… a vasta cabeleira, recém-adquirida, de Renan fez inveja até ao mais capilarizado chefe de estado dos Brics, o chinês Xi Jinping.

Panorama político:: Ilimar Franco

- O Globo

Puxão de orelhas
Eduardo Campos cobrou do comando de sua campanha, em reunião anteontem, agilidade na montagem de comitês. A cobrança foi dirigida ao secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, e a Bazileu Margarido, da Rede. Para ficar mais conhecido, Campos montará uma agenda de visitas a cidades-polo. A prioridade são as com emissoras de TV locais, que registrem sua visita e onde ele possa dar entrevistas.

Na ponta do lápis
Os petistas acreditam na reeleição da presidente Dilma, mas não creem que a diferença será de 14,5 milhões de votos como no primeiro turno de 2010, contra José Serra (PSDB). Eles reconhecem que a oposição cresceu em estados-chave. ACM Neto (DEM) cravou os pés em Salvador. Eduardo Campos (PSB) terá grande votação para presidente em Pernambuco. E se perguntam: É possível repetir os 2,7 milhões de votos de diferença na Bahia? Ou manter o 1,9 milhão de frente em Pernambuco? Ou, ainda, os 2 milhões no Ceará? Lembram as vantagens contra o PSDB de 1,7 milhão em Minas e de 1,8 milhão no Rio. Eles trabalham com uma disputa mais apertada.

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“O que tenho a meu favor nestas eleições é a unidade do time e a confiança na vitória”
Aécio Neves
Candidato do PSDB ao Planalto e presidente do partido
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Cada um no seu quadrado
A candidata ao governo gaúcho pelo PP, a senadora Ana Amélia, optou por não incluir
nenhum candidato à Presidência em seu material de campanha. O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, terá um panfleto separado

Promoção
Menos de uma semana após o fim da Copa, o general Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), foi promovido pelo Exército. Ele agora é general 4 estrelas, a mais alta patente da Força. Atualmente, somente 15 generais possuem essa patente. Isso contribui para sua permanência no cargo.

As Olimpíadas vêm aí
A Matriz de Responsabilidade Olímpica será atualizada até o final deste mês. O Complexo Esportivo Deodoro passará a ter valores e prazos definidos. A obra foi licitada em maio e deve ser concluída no primeiro semestre de 2016.

O próximo da fila
A qualquer momento será demitido o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos. Ele foi nomeado por indicação do PTB em março de 2012. Há problemas de gestão, mas ele vai deixar o cargo porque o PTB decidiu se coligar com o PSDB e apoiar Aécio Neves. A mudança será feita tão logo o governo defina o nome do substituto.

Marcando de cima
O Tribunal de Contas do Piauí mandou exonerar 680 funcionários comissionados e 60 efetivos para o estado cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parte das contratações foi feita depois que o TCE notificou o governo sobre os excessos.

Sempre cabe mais um
O governador Luiz Fernando Pezão (Rio) fez uma coligação tão ampla para se reeleger, que seus aliados brincam, dizendo que: a campanha é uma prateleira onde cada grupo pode pegar seu candidato ao Planalto: Dilma, Aécio ou Everaldo.

A DERRUBADA do avião na Ucrânia pode levar ao boicote da Copa na Rússia. As Olimpíadas de Moscou, em 1980, foram boicotadas devido a invasão do Afeganistão pela URSS.

Morre João Ubaldo Ribeiro, aos 73 anos

• Escritor sofreu uma embolia pulmonar no apartamento em que morava com a mulher, na zona sul

Sérgio Torres - O Estado de S. Paulo

RIO - O escritor João Ubaldo Ribeiro morreu esta madrugada aos 73 anos. Informações do noticiário Bom Dia, Rio, da TV Globo, indicam que Ribeiro, autor consagrado de obras como "Viva o Povo Brasileiro", sofreu uma embolia pulmonar no apartamento em que morava com a mulher, na zona sul do Rio.

Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), em que ocupava a cadeira 34, Ribeiro era colunista do Estado e de "O Globo". Além de "Viva o Povo Brasileiro", o escritor se notabilizou por clássicos como "Sargento Getúlio" e "O Sorriso do Lagarto".

Ainda não há informações sobre local e horário do sepultamento. Baiano que passou a infância e adolescência na Ilha de Itaparica, cenário de alguns de seus principais trabalhos e tema constante em suas colunas dominicais, Ribeiro vivia no Rio, entre idas e vindas, desde os anos 70 do século passado. Ele deixa quatro filhos.

Paulinho da Viola - Coração Leviano

Ferreira Gullar: Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Opinião do dia: Aécio Neves

“Mais quatro anos do PT e nós veríamos o quadro atual de inflação alta, crescimento baixo, ausência de credibilidade do país ainda mais agravado. Portanto, o PSDB tem a responsabilidade, tem a obrigação de apresentar ao país um projeto alternativo a esse que está aí.”

Aécio Neves, senador (MG) e candidato a presidente pela coligação Muda Brasil

Economia brasileira encolheu 0,18% em maio, segundo o Banco Central

• No ano, IBC-Br acumulado é de 0,7%

Gabriela Valente – O Globo

BRASÍLIA - A economia brasileira encolheu 0,18% em maio, nos cálculos do Banco Central, mesmo com a recuperação do comércio — que voltou a crescer naquele mês. O resultado ficou acima das expectativas dos analistas do mercado financeiro para o IBC-Br (índice que mede a atividade no Brasil), que projetavam queda de cerca de 0,3% no mês por causa do desempenho da indústria. O índice foi divulgado nesta quinta-feira pelo BC. Em 12 meses, a variação acumulada é de 1,95% e, no ano, de 0,70%.

O “PIB (Produto Interno Bruto) do BC” poderia ser pior ainda se não fossem as vendas impulsionadas pela Copa do Mundo. A venda de televisores é um exemplo de como o comércio foi afetado pelo mundial.

Esse índice foi criado pelo BC para balizar a condução da política de juros para controlar a inflação. Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do BC, o Copom, decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 11% ao ano, em decisão já esperada por analistas.

Isso porque, apesar de o IPCA ter estourado o teto da meta do governo em junho, ao atingir 6,52%, o BC acredita que não adianta apertar ainda mais a política de juros para conter a inflação e sacrificar o crescimento do país.

Em análise enviada a clientes, Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, diz que a queda apontada pelo IBC-Br em maio é compatível com desaceleração da economia no segundo trimestre:

"Levando em conta a queda do indicador na comparação interanual e considerando-se outros indicadores coincidentes referentes a junho, continuamos acreditando que o PIB do segundo trimestre apresentará desaceleração ante o período anterior", afirma o economista.

O IBC-Br não pode ser considerado uma simples “prévia do PIB”. O dado oficial, divulgado pelo IBGE, é muito mais complexo. O índice do Banco Central é o que os economistas chamam de proxy, ou seja, uma aproximação. Ele incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.

Pesquisa feita semanalmente com analistas pelo próprio BC mostra que a perspectiva para o crescimento do PIB em 2014 está em 1,05% neste ano. Para o IPCA, a projeção é de 6,48%. A meta do governo é de 4,5% com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. A perspectiva para a produção industrial no país é de contração de 0,90% este ano.

Apesar da inflação elevada, BC mantém juros em 11%

• Decisão de comitê monetário reflete aposta de que preços vão desacelerar diante de economia fraca

• Pela 2ª vez seguida, BC mantém juro em 11%

• Para especialistas, diante de um quadro que contrapõe baixo crescimento e inflação alta, é natural a opção pela manutenção

Victor Martins - O Estado de S. Paulo

Apesar da expectativa do Banco Central de mais inflação, a diretoria da instituição decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) em 11% ao ano. A decisão ocorreu mesmo depois de ter elevado a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2014 de 6,1% para 6,4%, previsão que mudou entre o Relatório Trimestral de Inflação de março e de junho.


O resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) era esperado pelo mercado. Segundo pesquisa da AE Projeções finalizada na última quinta-feira ,10, de 80 instituições consultadas, todas apostavam na manutenção da taxa.

O comunicado pós-reunião foi idêntico ao do encontro anterior. O texto, inclusive, manteve o termo "neste momento". "Avaliando a evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, manter a taxa Selic em 11,00% a.a., sem viés", disse o comunicado.

Para especialistas ouvidos antes do fim da reunião, diante de um quadro que contrapõe baixo crescimento e inflação elevada e acima do limite de tolerância no acumulado de 12 meses, definido em 6,5%, é natural a opção do BC pela manutenção da taxa. A proximidade das eleições de outubro também pode ter tido impacto na decisão.

Mauro Schneider, economista-chefe da CGD Securities, disse que a situação atual da economia não pode ser classificada como confortável. Na visão dele, o País sofre com duas forças opostas. "Tem uma inflação em nível alto e que vai continuar assim por um bom tempo. Por outro lado, tem uma economia que vem perdendo força trimestre a trimestre", observou.

"Tendo já encerrado o último ciclo de aperto e dado que temos pela frente uma eleição que é bastante importante para clarear o cenário. Acho natural a manutenção enquanto se aguarda a definição do resultado da eleição", ponderou Schneider. "Essa espera é natural", observou.
A comunicação da autoridade monetária, até então, também apontava para esse caminho, sobretudo quando frisou em documentos e discursos que os efeitos da política monetária se manifestam com defasagem sobre os preços.

Essa afirmação, na visão de especialistas, deixa clara a intenção do BC de esperar sinais mais nítidos de arrefecimento da inflação ou de melhora da atividade econômica antes de promover uma mudança na taxa de juros, seja para baixo ou para cima.

Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, avalia que o BC está limitado. "Não pode subir juros porque empurra a economia para uma recessão. Por outro lado, ele não pode cortar, porque a inflação está praticamente no teto da meta e, além do que, as expectativas estão desancoradas", argumentou.

No boletim Focus, pesquisa semanal na qual o BC reúne as projeções de 100 analistas, as expectativas são de que a Selic permaneça no nível atual até o fim do ano. Apenas em janeiro ocorreria um novo ajuste, uma alta de 0,25 ponto porcentual, correção que daria início a um novo ciclo de alta de juros que pode leva a Selic para 12% ao ano até o fim de 2015.

Aécio Neves analisa decisão do Copom

• O candidato da Coligação Muda Brasil, senador Aécio Neves, analisa a decisão do Copom em nota divulgada nesta quarta-feira (16/07).

A seguir, a íntegra da nota.

O Brasil está preso numa armadilha de baixo crescimento e inflação elevada. Mas não apenas: também nos tornamos reféns da mais alta taxa de juros do mundo, como confirmado hoje pela decisão do Copom que manteve a Selic em 11% ao ano.

Trata-se de mistura indigesta, que impede o país de voltar a crescer e gerar melhores condições de vida para sua população.

A taxa básica de juros continua mais alta do que quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o cargo, em janeiro de 2011. Pior: desde fins do ano passado, voltamos a liderar o nada honroso ranking mundial de juros reais. Desde então, a cada decisão do Copom nos distanciamos das demais economias.

A política monetária atual revela os estreitos limites do voluntarismo inerente a várias medidas tomadas pela atual gestão. Em 30 de abril de 2012, a presidente foi à TV prometer a redução dos juros. Baixá-los a 2% ao ano em termos reais era um de seus principais compromissos desde a campanha eleitoral.

Hoje, em quaisquer linhas de crédito que se observe, as taxas já retornaram aos patamares vigentes no início do atual governo.

É mais uma demonstração de que, ao contrário do que parece crer a presidente da República, problemas não são resolvidos no improviso. Foi a alta da inflação, estimulada pelo governo, que obrigou o Banco Central a subir os juros. Enquanto for assim, difícil será reduzi-los.

Baixar os juros abusivos praticados no Brasil é obrigação de um governo responsável e realmente comprometido com a melhoria das condições de vida no país. Mas não é algo que se obtenha na marra.

A única maneira de fazê-lo de maneira permanente é: (i) ser transparente e cuidar das contas públicas sem truques; (ii) economizar o suficiente para reduzir tanto a dívida bruta quanto a líquida de forma consistente; e (iii) cumprir rigorosamente a meta para a inflação, sem manipulações.

É tudo que o governo do PT não faz. O preço, pagamos na forma de crescimento medíocre, inflação persistentemente alta e juros nas alturas.

Ex-diretor da Petrobras é denunciado por violar processo de licitação em favor da Odebrecht

• Se condenados, Jorge Luiz Zelada e outros seis funcionários podem pegar até quatro anos

Verônica Raner – O Globo

RIO — O Ministério Público do Rio de Janeiro ofereceu denúncia à Justiça nesta quarta-feira contra o ex-diretor internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada, por alterar processo de licitação da empresa com relação a um projeto na área de SMS – segurança, meio-ambiente e saúde -, com objetivos claros de favorecer a Construtora Norberto Odebrecht. A denúncia, à qual O GLOBO teve acesso, se baseia em auditoria interna da própria estatal, instaurada no ano passado, para apurar as supostas irregularidades.

Além de Zelada, que renunciou em 2012 após suceder Nestor Cerveró na diretoria internacional, também foram denunciados outros seis funcionários da companhia. Além deles, um ex-funcionário da empresa e um diretor Odebrecht completam a lista de acusados.

Com exceção do funcionário da Odebrecht, todos são acusados pela violação da lei de licitações. A pena é de dois a quatro anos de detenção, além de multa especificada pela promotoria em 2% do valor do contrato. Caso a Justiça aceite a denúncia, o funcionário da empreiteira deverá ser julgado em separado, uma vez que a promotoria considerou não ter ocorrido crime por parte do acusado, mas somente tentativa. A pena prevista pode variar de dois a quatro anos de reclusão, com possível redução de um a dois terços do tempo.

Os indícios do esquema foram revelados no ano passado pela revista Época, que, na ocasião, entrevistou o lobista João Augusto Rezende Henriques. A auditoria interna da estatal veio em seguida.

De acordo com a promotoria, no começo de 2009, o setor técnico da área internacional da Petrobras levou à diretoria internacional a necessidade de se fazer uma adequação na área de SMS da empresa. Durante a fase interna do processo de licitação, foi sugerida pelo setor uma contratação descentralizada, com duas empresas, ao custo estimado em R$ 6 milhões. O parecer com a recomendação técnica foi apresentado à diretoria internacional, mas foi ignorado por Zelada, que determinou que a contratação dos serviços se desse de forma centralizada, por intermédio de apenas uma empresa.

Oito empresas foram convidadas para processo licitatório. Apenas três apresentaram propostas. A escolhida, sem surpresa, foi a Odebrecht. Os promotores Alexandre Themistocles de Vasconcelos e Cláudia Condack, da I Central de Inquéritos do Rio de Janeiro, chamam de “substancialmente viciada” a comissão de licitação, que optou pela contratação da Odebrecht pelo valor aproximado de US$ 826 milhões. A auditoria constatou que membros do colegiado, apesar de assinarem ata e relatório da comissão, não participaram efetivamente das reuniões. De acordo com a denúncia, isso viria “de forma a conferir vantagens financeiras à Odebrecht”.

A comissão de contratação foi coordenada por Aluísio Teles Ferreira Filho, por indicação de Zelada, e só se reuniu uma vez, em fevereiro de 2010. A denúncia descreve que Ferreira Filho já dispunha da minuta contratual com a Odebrecht antes mesmo da instauração da comissão de licitação e que, ainda nesse mesmo período, já havia recebido a visita de um representante da construtora seis vezes. Quem apresentou o projeto da Odebrecht à diretoria executiva foi Ulisses Sobral Calile. Ele havia sido transferido da Transpetro para a Petrobras, a pedido de Zelada, exclusivamente para tomar parte na licitação.

Em sabatina, Aécio fala em discutir sistema de partilha da Petrobras

Gabriela Terenzi, José Marques – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O candidato à Presidência da República e senador Aécio Neves (PSDB) disse nesta quarta-feira (16) que irá rediscutir o atual sistema de partilha da Petrobras caso seja eleito.

Atualmente, o petróleo produzido pela estatal é de propriedade do Estado, regra estabelecida em 2009. Para Aécio, o modelo anterior, de concessões, "foi benéfico ao Brasil" e que é preciso "fazer essa discussão à luz do dia".

Pelo sistema de concessão, empresas são donas do óleo produzido e pagam remuneração ao Estado como royalties, participação especial e bônus de assinatura.

Aécio havia sido questionado se via espaço para mais privatizações no país.

"O que precisava ser privatizado foi privatizado", respondeu o senador mineiro. "O que eu vou fazer é reestatizar empresas públicas que hoje foram privatizadas por interesses escusos."

O tucano foi sabatinado em evento realizado pela Folha, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan em São Paulo.

A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Ricardo Balthazar (Folha), Josias de Souza (UOL), Kennedy Alencar (SBT) e Patrick Santos (Jovem Pan).

Mais médicos
No evento, Aécio afirmou que manterá o programa federal Mais Médicos, mas que promoverá mudanças.

"Nós vamos manter os Mais Médicos, vamos fazer com que eles se qualifiquem e estabelecer novas regras para os médicos. Não vamos aceitar as regras do governo cubano", disse o senador.

Atualmente, as bolsas pagas aos médicos brasileiros e estrangeiros é de R$10 mil. Porém, diferentemente dos outros países, a remuneração dos profissionais cubanos é paga ao governo do país e apenas R$3.000 chegam ao bolso dos médicos.

Aécio disse que esse acordo terá que ser refeito, mas não explicou como garantirá que o atual número de profissionais será mantido caso Cuba não aceite nova proposta.

Hoje, cerca de 80% dos médicos do programa federal no Brasil é proveniente de Cuba.

'Medidas impopulares'
O candidato, que afirmou em jantar para empresários que teria coragem de tomar "medidas impopulares" para retomar o crescimento do país, disse que aprova "novas regras para aqueles que entrem no setor público", como no caso das pensões por morte.

Questionado se tinha propostas para uma reforma previdenciária que incluísse a revisão desse benefício, Aécio disse que "discutirá com a sociedade" a possibilidade de rever a legislação.

Segundo ele, se a regra for modificada, não afetará quem tem direitos adquiridos. "Não terá que ser imposto", afirmou.

Atualmente, o benefício é concedido aos dependentes de contribuintes da Previdência Social que morreram.

Aécio também disse que, se eleito, não governaria "com olhos na curva da popularidade".

Apesar da afirmação, o governador costuma usar a taxa de aprovação de sua gestão como governador de Minas Gerais (2003-2010) como um ativo de sua campanha.

"O mal, as medidas impopulares, estão sendo feitas por esse governo. O Brasil vive um processo de estagflação, de crescimento pífio, com inflação ultrapassando o teto da meta sem que o governo acene de forma absolutamente clara sobre medidas que tomaria no futuro para reverter esse quadro perverso", disse.

Alianças partidárias
O tucano disse que sua fala para os partidos dissidentes da base de apoio do governo federal que "suguem um pouco mais" da gestão petista e, então, o apoiem, foi "uma brincadeira".

"Nós temos que ter cuidado com essas ironias. Foi no dia em que eu recebi a notícia que o governo estava demitindo um ministro para entregar ao PR", afirmou o candidato.

No fim de junho, a pedido da legenda, a presidente substituiu o ministro dos Transportes César Borges pelo atual titular Paulo Sérgio Passos.

Apesar de filiado à legenda, o PR estava insatisfeito com a manutenção de Borges no cargo. O ministro, no entanto, era elogiado pela presidente.

"A presidente Dilma demitiu um ministro por excesso de honestidade. Demitiu o ministro do Transporte para acomodar alguns segundos a mais na televisão", disse Aécio.

Ele também foi questionado sobre a adesão do PTB, três dias antes do fim do período de convenções, à sua candidatura. Sob protestos de dissidentes, o partido, da base do governo, apoiará o tucano nas eleições.

Em 2010, o PSDB repassou R$ 1,5 milhão para partidos que apoiaram sua coligação.

Aécio, porém, diz que "não tem o que dar a não ser o futuro". "Em São Paulo, o PTB do deputado Campos Machado está conosco a vida inteira. Em Minas, segundo estado mais populoso, o PTB está em nosso governo desde o primeiro dia", afirmou.

"Que venham conosco porque somos perspectiva de poder, mas não foi feita troca nem com eles nem com ninguém", acrescentou.

Passe livre
Ao contrário do candidato do PSB, o ex-governador pernambucano Eduardo Campo, Aécio diz que a defesa do passe livre no transporte público não está em sua "lista de prioridades".

Na terça (15), também em sabatina, Campos disse que ele e sua vice, Marina Silva, levantarão a bandeira em campanha. O pessebista afirma que está "buscando fontes e formas de como isso vai acontecer".

Para Aécio, essa é uma responsabilidade municipal e se o governo federal quiser subsidiar a medida, "terá de mostrar de onde tem que tirar isso [o dinheiro]".

"Não dá para subsidiar transporte para estudante de escola particular que paga R$ 3.000 de mensalidade", completou.

Não vamos aceitar regras do governo cubano, diz Aécio sobre Mais Médicos

Gabriela Terenzi, José Marques – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - Em sabatina realizada pela Folha, pelo portal UOL, pelo SBT e pela rádio Jovem Pan, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) afirmou que não aceitará as regras do governo cubano para pagamento de profissionais do programa Mais Médicos, instituído pelo governo federal em 2013.

Atualmente, as bolsas pagas aos médicos brasileiros e estrangeiros é de R$10 mil. Porém, diferentemente dos outros países, a remuneração dos profissionais cubanos é paga ao governo do país e apenas R$3.000 chegam ao bolso dos médicos.

O ex-governador de Minas Gerais (2003-2010) disse que esse acordo terá que ser refeito, mas não explicou como garantirá que o atual número de profissionais será mantido caso Cuba não aceite um novo acordo.

Hoje, cerca de 80% dos médicos do programa federal no Brasil são provenientes de Cuba.

"Nós vamos manter os Mais Médicos, vamos fazer com que eles se qualifiquem e estabelecer novas regras para os médicos. Não vamos aceitar as regras do governo cubano", disse o senador no evento que acontece nesta quarta-feira (16) no Teatro Folha, em São Paulo.

O senador também afirmou que o atual governo "financia" Cuba com parte da remuneração dos médicos.

Para o tucano, os profissionais estrangeiros devem ser qualificados no Brasil e passar pelo exame Revalida, que "nacionaliza" os diplomas.

Aécio também disse que a saúde não pode ser "circunscrita" ao programa Mais Médicos. A política é uma das principais vitrines da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT) para a eleição deste ano.

O presidenciável também falou de outro programa implementado em governo petista, o Bolsa Família. Ele promete que o programa será aprimorado, não extinto. Uma de suas propostas é de aumentar o valor do repasse para pais de alunos que obtêm notas mais altas.

Aécio diz que não se submeterá a regras de Cuba para o Mais Médicos

• Candidato também sinalizou que, se eleito, fará mudanças na Previdência

Silvia Amorim – O Globo

SÃO PAULO - Candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves disse nesta quarta-feira que, se eleito, fará uma revisão no programa Mais Médicos e que em um eventual governo dele não se submeterá a regras impostas por Cuba para a contratação de profissionais estrangeiros. Nesta tarde, em Brasília, o tucano terá um encontro com lideranças de entidades médicas, entre elas a Associação Brasileira dos Médicos, que tem feito oposição ao programa federal.

- Temos que rever esse acordo. Por que nós é que temos que concordar com o governo cubano? - afirmou Aécio, durante sabatina organizada pelo jornal “Folha de S.Paulo” na capital paulista.

Perguntado se essa revisão poderia inviabilizar a contratação de médicos cubanos, que são a grande maioria dos profissionais estrangeiros trabalhando hoje na rede pública de saúde, Aécio atacou a posição do atual governo.

- O governo brasileiro financia o governo cubano com parte da remuneração dos médicos. Vamos estabelecer novas partes de negociação. Não vamos aceitar as regras impostas por Cuba. Não vamos cometer o equívoco de circunscrever o problema da saúde ao Mais Médicos.

O candidato do PSDB também sinalizou mudanças na previdência social, ao fazer o diagnóstico de que há exageros no pagamento de pensões por morte no país.

- O que não se pode fazer é cortar direitos adquiridos. Mas novas regras para o futuro deverão ser discutidas à luz do dia. Pensões por morte, há um certo exagero nisso. Terá que ser discutido com a sociedade.

Aécio compareceu à entrevista acompanhado de diversas lideranças do PSDB paulista. O ex-governador José Serra, candidato ao Senado por São Paulo, ocupou a primeira fileira da plateia.

Aécio Neves: ‘Eu não vou brigar com o Eduardo’

• Vamos rever regras com governo cubano, diz Aécio sobre Mais Médicos

• Em sabatina realizada na capital paulista, candidato do PSDB à Presidência afirmou que se for eleito vai mudar programa

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, admitiu nesta quarta-feira, 16, pela primeira vez, desde que começou sua caminhada rumo ao Palácio do Planalto, que pretende rever o acordo que o Brasil fez com Cuba no Programa Mais Médicos. Em sabatina promovida pelo jornal "Folha de S. Paulo" na capital paulista, ele criticou a gestão do PT, principalmente a da adversária neste pleito, Dilma Rousseff, dizendo que o governo brasileiro financia o governo cubano através do Mais Médicos. "Vamos financiar os médicos cubanos e não o governo cubano."

Apesar do argumento, reconheceu a importância do Programa Mais Médicos, ressalvando que, além do problema dos salários dos médicos cubanos, é preciso avançar mais no setor da saúde. Durante a sabatina, ele foi aplaudido pela plateia em vários momentos, entre eles quando disse que é preciso rever o acordo feito com Cuba. Questionado se o governo cubano toparia rever o acordo, afirmou que é Cuba que deveria se enquadrar às regras impostas pelo Brasil.

Ele classificou de "absurdo" os médicos cubanos receberem cerca de 20% do que o governo brasileiro repassa para o governo cubano. "Os médicos estrangeiros são bem-vindos em nosso País, mas é preciso que os médicos cubanos recebam a mesma remuneração dos outros profissionais", disse, evitando responder como arcaria com os possíveis gastos extras com essa medida.

Campos. Aécio foi indagado sobre a declaração do candidato do PSB, Eduardo Campos, nesta terça-feira, 15, também na sabatina da Folha. Campos disse que os tucanos estão nesta campanha com a ala conservadora do País, numa referência ao apoio do PMDB, e que Aécio, portanto, representa a 'mudança conservadora'. O candidato do PSDB disse que não iria brigar com o socialista. "Eu não vou brigar com o Eduardo", dizendo que eles são amigos há muito tempo, muito antes desta campanha eleitoral.

Aécio citou que chegou a receber a equipe de governo de Campos, quando estava no comando de Minas Gerais, para a troca de experiências. O tucano disse que ele é um candidato competitivo e que vem fazendo a campanha de forma adequada, mas, rebateu os conceitos de direita e esquerda, alegando que hoje eles são muito abstratos. Aécio aproveitou ainda para devolver a crítica de Campos, dizendo que ele acha o PSDB conservador, mas apoia os dois principais governadores do partido (em São Paulo o PSB de Campos integra a chapa do tucano Geraldo Alckmin como vice e no Paraná apoia o tucano Beto Richa).

"Vamos pegar um governo (PT) que propiciou os maiores lucros da história ao sistema financeiro e vamos pegar outro governo (PSDB) que colocou 97% das crianças na escola, me diz qual é de esquerda e qual é de direita, provavelmente a maioria vai dizer que o governo do presidente Fernando Henrique seria de esquerda e o do PT e Lula e Dilma seria de direita". E voltou a falar de sua plataforma de campanha: "O que eu quero é um governo efetivo e eficiente."

Aécio diz que País não merece mais quatro anos de PT

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau - Agência Estado

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse nesta quarta-feira que o País não merece mais quatro anos de governo petista. "A grande verdade é que sob todos os aspectos que se olhe, na economia, nos indicadores sociais e na infraestrutura, o PT foi reprovado e não merece governar o País por mais quatro anos, porque em mais quatro anos do PT teríamos um quadro de inflação alta, crescimento baixo, ausência de credibilidade do País, num cenário ainda mais agravado", afirmou em rápida entrevista concedida após participar de sabatina, na capital paulista.

Segundo Aécio, seu partido tem a obrigação de apresentar um projeto alternativo ao País. "Um projeto consistente, com clareza com relação à economia, eficiência na busca de parcerias com o setor privado para superar os gargalos de infraestrutura que atentam contra a competitividade do produto nacional e para a melhoria dos nossos indicadores sociais." No seu entender, o Brasil está vivendo o fim de um ciclo e o PSDB é o que tem condições de iniciar outro ciclo, com mais ética e eficiência, voltando a gerar esperança nas pessoas com relação ao futuro.

"Farei esta campanha com três companhias essenciais, que estarão na base de tudo que faremos daqui por diante. Vou mostrar quem sou, aquilo que fiz - citando sua gestão em Minas Gerais - e o que pretendo fazer pelo Brasil", afirmou. Aécio elogiou o ex-governador José Serra, candidato ao Senado na chapa do tucano Geraldo Alckmin, que estava ao seu lado: "É a demonstração de que temos os candidatos mais experimentados para mudar de verdade o Brasil."

PT incorpora parte da agenda de adversários

• Dilma absorve parte da agenda adversária em diretrizes de seu programa de governo

• Temas como meio ambiente, combate à inflação e reforma federativa, constantes nos discursos dos candidatos da oposição, ganham mais destaque no plano petista deste ano

Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - As diretrizes do programa de governo da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff entregues no início do mês ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incorporaram parte da agenda dos adversários na disputa pelo Palácio do Planalto. As adaptações têm o objetivo de responder ao discurso que Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) pretendem levar ao centro do debate eleitoral.

Em comparação às propostas lançadas para a disputa de 2010, as diretrizes do programa deste ano ampliam o espaço dedicado à agenda ambiental - ponto forte da vice de Campos, Marina Silva -, reforçam o discurso de combate à inflação - questão explorada exaustivamente pelos opositores - e lançam uma nova bandeira: a reforma federativa, outro tema recorrente no discurso de Aécio e Campos.

A relação entre União, Estados e municípios - principalmente no que se refere à distribuição dos tributos entre eles - foi citada superficialmente no programa de Dilma em 2010. Já o programa desta eleição defende “enfrentar o desafio” de uma reforma federativa que defina melhor as “atribuições dos entes federados”. “Essa reforma é necessária para conferir maior agilidade e qualidade aos serviços públicos, em especial para aqueles sob responsabilidade de mais de um dos entes federados”, afirma o texto petista destas eleições.

No período pré-eleitoral, entre o fim do ano passado e o início deste ano, Aécio e Campos se aproximam de prefeitos e governadores com discurso crítico ao impacto que as desonerações de impostos federais geram nos cofres municipais.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski diz ver com ceticismo a discussão de uma reforma federativa. “Falar na palavra (sobre reforma federativa) é bonito, mas eu gostaria que houvesse debate durante a campanha para esclarecer como eles vão fazer efetivamente isso”, afirmou o dirigente da entidade.

A agenda ambiental também foi ampliada na versão 2014 do programa petista. Entre as promessas estão o aprofundamento do processo de modernização do licenciamento ambiental, a redução de emissões, o compromisso com a segurança hídrica e a “reestruturação produtiva em direção à economia de baixo carbono”. Em 2010, a campanha limitava-se a prometer que a “política industrial levará em conta critérios ambientais” e a enfatizar o combate ao desmatamento.

A inflação é citada sete vezes no programa de 2014, mais que o dobro de menções no documento de 2010. O programa deste ano propõe o “fortalecimento de uma política macroeconômica sólida, intransigente no combate à inflação”. “Entendemos o poder devastador da inflação sobre as rendas das famílias, os salários e os lucros das empresas e por isso jamais transigiríamos ou transigiremos com um elemento da política econômica com esse potencial desorganizador”, afirma o documento entregue à Justiça Eleitoral.

As diretrizes já tornadas públicas ainda não são o programa final da campanha de Dilma. Os petistas prometem um plano de governo mais completo no desenrolar da campanha.

Vacinas

- Inflação: "Entendemos o poder devastador da inflação sobre as rendas das famílias, os salários e os lucros das empresas e por isso jamais transigiríamos ou transigiremos com um elemento da política econômica com esse potencial desorganizador da vida das pessoas e da economia."

- Agenda ambiental: "Fortaleceremos a reestruturação produtiva em direção à economia de baixo carbono e a aposta no uso de recursos naturais como a melhor forma de sua preservação, em especial pelas populações tradicionais que ocupam regiões importantes do ponto de vista da biodiversidade."

- Reforma federativa: "Propomos enfrentar o desafio da realização de uma reforma federativa que defina melhor as atribuições dos entes federados - União, Estados e municípios. Essa reforma é necessária para conferir maior qualidade aos serviços públicos, em especial aqueles sob responsabilidade de mais um dos entes federados. A reforma federativa e a reforma dos serviços públicos são complementares."

Campos prepara plano para mudar impostos


  • Candidato do PSB promete detalhar proposta de reforma tributária em agosto e aprová-la em três meses no Congresso

• Projeto é um aceno ao setor empresarial, que está insatisfeito com a política econômica do governo Dilma Rousseff

Marina Dias - Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, disse a empresários nesta quarta (16) que divulgará em agosto a proposta de emenda constitucional com mudanças nos impostos do país que ele promete apresentar no início de seu mandato, se for eleito.

Elaborado pelo ex-deputado Maurício Rands, responsável pelo programa de governo de Campos, o texto oferecerá detalhes da reforma tributária que o presidenciável anunciou como parte de sua plataforma de campanha.

Campos disse que apresentará a proposta ao Congresso nos primeiros dias do seu governo, se vencer a eleição, e um de seus colaboradores afirmou que ele acha possível aprová-la em três meses.

Uma versão preliminar do documento que começou a circular na campanha enumera sete diretrizes para o projeto: evitar aumentos da carga tributária, simplificação do sistema, eliminação do seu caráter regressivo, que pune os mais pobres, redução da taxação dos investimentos, justiça tributária, transparência e melhor repartição de receitas entre o governo federal, os Estados e os municípios.

Economistas discutirão com Campos como detalhar essas diretrizes na proposta a ser apresentada em agosto. A ideia é que as mudanças sejam implementadas gradualmente até 2018, último ano do mandato presidencial disputado nesta eleição.

"Nossa coligação assume o compromisso de encaminhar ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional que reformule profundamente o sistema tributário", diz um trecho do documento, obtido pela Folha.

Em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, o candidato do PSB quer usar a discussão da reforma tributária para fazer acenos aos setores do empresariado insatisfeitos com a política econômica da presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição.

Cobrança
Nesta quarta, Campos participou de um debate a portas fechadas com empresários em São Paulo e ouviu cobranças sobre o assunto. Na saída, disse que se comprometeu a levar ao Congresso sua proposta "logo nos primeiros dias de governo".

Participaram do encontro o banqueiro Roberto Setúbal, do Itaú, o presidente do Conselho de Administração da Cosan, Rubens Ometto, e o presidente do Grupo Ultra, Thilo Mannhardt, entre outros.

O governo Dilma desonerou vários setores da indústria nos últimos anos, permitindo que as contribuições previdenciárias sejam calculadas sobre o faturamento e não mais sobre a folha salarial, aliviando a carga tributária para muitas empresas.

Campos afirmou nesta quarta ser contrário a "medidas pontuais" como essa. "Agora é hora de medidas transversais em vez de medidas por setores", disse.

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentaram promover reformas no sistema tributário durante seus mandatos, mas nunca conseguiram chegar a um projeto capaz de alcançar consenso dentro do Congresso.

Os dois ex-presidentes tiveram dificuldades para conciliar interesses do governo federal com os dos empresários, dos Estados e dos municípios, que tinham medo de perder receitas com as mudanças.

Campanha de Campos já fala em propor fim do fator previdenciário

• Com candidato empacado nas pesquisas, comitê recorre a promessas de apelo popular; apoio ao passe livre integra tática

Isadora Peron - O Estado de S. Paulo

Depois de prometer o passe livre para estudantes, o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, estuda incluir em seu programa de governo outra proposta de apelo popular: o fim do fator previdenciário.

A alteração do atual modelo do é uma reivindicação antiga das centrais sindicais e atende diretamente aos interesses de aposentados e pensionistas, mas especialistas temem que ela possa causar um desequilíbrio nas contas da Previdência.

Integrantes da equipe de Campos têm debatido internamente como viabilizar a proposta, que deve ser incluída na nova versão do programa de governo do candidato prevista para ser apresentada até o fim do mês.

Em dezembro do ano passado, em encontro com representantes sindicais, Campos defendeu a viabilidade econômica do fim do fator previdenciário. Na época, o presidenciável argumentou que o governo federal resistiu em promover a mudança no sistema previdenciário, que segundo ele traria um impacto de R$ 9 bilhões aos cofres públicos, mas não poupou recursos para financiar as desonerações fiscais com o intuito de aumentar o consumo no País.

Criado em 1998, durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o mecanismo tem como objetivo desestimular aposentadorias precoces, mas chega a reduzir o valor do benefício em até 30%. Em 2009, o Congresso aprovou a sua extinção, mas a medida provisória foi vetada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No ano passado, depois da onda de manifestações de junho, o governo da presidente Dilma Rousseff acenou com a possibilidade de rever o fator previdenciário para acalmar os ânimos das centrais sindicais, mas as negociações não avançaram.

Dilma e o tucano Aécio Neves, adversários de Campos na corrida presidencial, ainda não se pronunciaram sobre o assunto nesta campanha.

Ao núcleo sindicalista que o apoia, ligado ao deputado Paulo Pereira da Silva (SDD), da Força Sindical, Aécio tem dito que a sua equipe técnica está analisando a viabilidade do tema.

Populares. Em terceiro lugar nas pesquisas, estacionado no patamar dos 10% das intenções de voto, Campos vai apostar em propostas populares para ganhar visibilidade e conquistar o voto do eleitor.

Na terça-feira, o candidato do PSB anunciou que iria defender a bandeira do passe livre estudantil, uma das reivindicações dos milhares de jovens que foram às ruas nas manifestações do ano passado.
Campos não detalhou de onde sairiam os recursos para custear o transporte gratuito, mas sinalizou que a União poderia adotar medidas como a desoneração de setores e a diminuição do preço do combustível.

Propostas

- Passe livre estudantil: De olho nos milhares de jovens que foram às ruas nos protestos de junho do ano passado, Eduardo Campos (PSB) estuda como oferecer transporte gratuito para estudantes em todo o Brasil.

- Fim do fator previdenciário: A alteração do atual modelo é uma reivindicação antiga das centrais sindicais e atende aos interesses dos aposentados. Mudança pode causar um desequilíbrio nas contas da Previdência.

Em palestra a investidores, Campos defende mandato para diretores do Banco Central

• Candidato do PSB disse que palavras não são suficientes para recuperar credibilidade da economia

Sérgio Roxo – O Globo

SÃO PAULO — O candidato do PSB à Presidência Eduardo Campos se comprometeu, nesta quarta-feira, em debate com grandes investidores do Banco Itaú, a priorizar as reformas política e tributária no início do seu governo. O presidenciável também destacou a necessidade de passar confiança ao mercado para atrair investimentos para o país e defendeu a formalização da autonomia do Banco Central.

O evento, que reuniu cerca de 200 executivos de grandes empresas, foi fechado. O candidato do PSB disse ainda que vai se valer do apoio da sociedade civil para garantir a governabilidade caso seja eleito, já que provavelmente não contará com maioria no Congresso Nacional. De acordo com convidados do encontro, Campos acredita que o respaldo da população será suficiente para possibilitar a aprovação das reformas.

O candidato disse aos investidores que pretende aprovar a autonomia do Banco Central num modelo em que os dirigentes da instituição tenham mandato fixo. Campos já havia defendido essa proposta em abril, mas havia dúvida se o tema seria levado adiante pela campanha porque a candidata a vice, a ex-senadora Marina Silva, se posicionou contra a proposta na época. Ela é favorável à independência da instituição, mas sem necessidade de institucionalização.

Na saída da palestra, o presidenciável disse que um “Banco Central independente” faz parte do seu repertório de medidas para recuperar a credibilidade da economia e atrair investidores.

O candidato do PSB também se comprometeu a ser rápido na elaboração de sua proposta de reforma tributária.

- Falei para eles que nós vamos enviar logo nos primeiros dias ao Congresso Nacional (uma proposta de reforma tributária) - disse o presidenciável, na saída do evento.

De acordo com Campos, a sua proposta de reforma tributária vai priorizar "a justiça tributária, a transparência, um novo pacto federativo, a desoneração dos investimentos e a formalização do emprego".

Campos defendeu ainda uma nova postura do governo para atrair investimentos que possibilitem a retomada do crescimento da economia.

- Você não incentiva empresários, nem do Brasil nem de fora, a investir com palavras. Tem que ter atitudes coerentes. Criar um ambiente seguro, trazer a inflação para o centro da meta e fazer com que o Brasil tenha uma taxa de juros de classe mundial.

Para o presidenciável, a eleição pode retomar a confiança.

- A confiança foi quebrada. Será retomada pela força das urnas.

Os investidores saíram divididos da palestra de Campos.

- Concordo com as propostas dele, mas acho muito pouco provável que consiga implementá-las porque não terá maioria no Congresso - afirmou Nelson Nabhan, diretor da Nacon Empreendimentos e Participações.

- Aprovo o que ele falou. Acho que as mudanças que ele defende, tanto na política como na economia, são necessárias - disse a investidora Claudia Ferrari.

Para Serra, má-fase de Dilma beneficia tucano

André Guilherme Vieira - Valor Econômico

SÃO PAULO - A candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência da República é beneficiada pelo momento de baixa popularidade vivido pelo governo Dilma Roussef (PT). A avaliação é do candidato do PSDB ao Senado, José Serra. Ao ser perguntado sobre o que a campanha de Aécio tem que a candidatura de 2010 à Presidência não conseguiu, o ex-governador de São Paulo e candidato derrotado na última disputa presidencial respondeu: "Na época não havia rejeição para o governo Lula, era muito baixa, de 20%. Ele tinha 80% de ótimo e bom na s pesquisas. Hoje a situação inverteu e 70% do Brasil quer mudar. Essa é uma diferença essencial", analisou, ao deixar o Teatro Folha, onde Aécio foi sabatinado ontem.

Questionado por uma jornalista se então não seria um mérito de Aécio, mas um demérito de Dilma, Serra discordou: "Não. Isso está na sua boca. Não. Eu acho que o candidato tem muito mérito, porque não basta a população querer mudar. Precisa encarnar a mudança. O nosso desafio é que o Aécio encarne essa mudança e eu acho que vem vindo muito bem nessa direção", justificou.

Para Serra, o ano de 2015 será "complicado" do ponto de vista econômico: "No ano que vem a situação [econômica] vai ser complicada, mas há fatores positivos. Você ter um governo que desperte mais confiança nos agentes econômicos vai provocar uma queda da taxa de juros de longo prazo", estimou. "Qual o problema hoje da contração de investimentos? É o receio sobre o que pode acontecer no futuro. E o maior receio é que a Dilma continue. No momento em que isso tiver saído da pauta e tivermos outro presidente, no caso o Aécio, o investimento privado vai ser retomado. E isso gera atividade econômica e empregos", previu o tucano.

Ao ser indagado se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria ocupado pouco espaço na campanha presidencial em que foi derrotado por Dilma, em 2010, Serra negou que a figura de FHC tenha sido pouco utilizada.

Sobre a possibilidade de ser nomeado para um ministério, no caso de vitória de Aécio, o tucano desconversou: "Estou empenhado na minha candidatura."

Sobre a nota que daria ao agora ex-técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, preferiu não avaliá-lo: "Na minha vida pública, a declaração mais controvertida foi sobre um jogo do Palmeiras [então treinado por Scolari]. E o Felipão foi campeão do mundo com a seleção pouco depois disso [em 2002]."