terça-feira, 24 de maio de 2016

PSDB vê ação deliberada de ex-tucano para viabilizar delação premiada

Por Fernando Taquari e Thiago Resende – Valor Econômico

SÃO PAULO E BRASÍLIA - Tucanos avaliaram que houve uma ação deliberada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado para prejudicar o PSDB e viabilizar sua delação premiada junto à força-tarefa da Operação Lava-Jato. O diálogo entre Machado e o ministro do Planejamento, Romero Jucá, sugere que os senadores tucanos Aloysio Nunes (SP), Aécio Neves (MG), Tasso Jereissati (CE) e José Serra (SP, licenciado por ser ministro das Relações Exteriores) estavam cientes da necessidade de deter a Lava-Jato.

"Vejo como um ato deliberado. Trata-se de uma conversa privada e gravada entre os dois em que ele [Machado] por seis vezes tenta, sem sucesso, envolver o PSDB", disse o líder da legenda na Câmara, Antonio Imbassahy (BA). O partido, contudo, não pretende tomar nenhuma medida.

"A saída [de Jucá] atenua uma situação desagradável. A decisão foi acertada", afirmou Imbassahy. Ao longo do dia, tucanos fizeram questão de defender a continuidade das investigações e de negar qualquer acordo contra a Lava-Jato. "Não há força no planeta capaz de barrar essa operação", acrescentou o líder do PSDB. Evitaram, porém, comentar a situação do pemedebista. Nos bastidores, esperavam que Jucá tomasse a dianteira e pedisse para sair ou que o presidente interino, Michel Temer, o demitisse.

Lewandowski vai comandar julgamento de Dilma no Senado

Por Thiago Resende e Vandson Lima - Valor Econômico

BRASÍLIA - O julgamento final da presidente afastada Dilma Rousseff pelo Senado Federal deve ocorrer até 10 de setembro. O cronograma foi acordado pelo presidente da comissão especial do impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB) e pelo relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG) em reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que comandará a sessão decisiva para o futuro da petista.

O prazo final tem uma explicação: é quando termina o mandato de Lewandowski à frente da Suprema Corte. Ainda não está fechada a data exata da votação. Mas a estimativa, que varia entre o fim de agosto e os primeiros dias de setembro, será apresentada amanhã ao colegiado instalado especificamente para analisar as acusações contra Dilma.

‘Interinidade não significa que o país deve parar’, diz Temer

• Presidente nega que seu governo quer eliminar investigações e afirma que não pode ‘invadir’ competência de outro poder

Por Martha Beck, Bárbara Nascimento, Eduardo Barretto e Simone Iglesias – O Globo

BRASÍLIA - Em discurso de apresentação de medidas econômicas no Palácio do Planalto nesta terça-feira, o presidente interino Michel Temer afirmou que, apesar de estar em situação de interinidade, isso não significa que o país deve parar. Ele refutou que haja qualquer ruptura com a Constituição em seu governo e disse que o cargo de vice-presidente e a possibilidade de que este assuma a chefia de Estado em caso de afastamento do titular é uma consequência do próprio texto da Constituição.

Recuo como gesto de boa cultura - Paulo Fábio Dantas Neto[1]

A Tarde (BA)

O recuo do governo da decisão de extinguir o Ministério da Cultura deve ter naturalmente alegrado os defensores genuínos da causa “fica Minc”. Após o conflito rumoroso que se deu em torno da questão, o tema da cultura pode até vir a ter um lugar melhor na agenda política. Se bem que isso não se deveria tanto à extinção ou à recriação do ministério. A qualidade e a sustentabilidade do lugar político da cultura dependem de mobilização lúcida e prudente de recursos materiais e de diálogo entre diversas experiências de vida civil autônoma, não de convivência tensa (e belicosa) de grupos de interesse no interior de espaços estatais. Vê­se, aliás, que o recuo ainda não encerrou os protestos. Por que?

O simbolismo da cultura tem sido usado, no contexto político do impeachment, para tentar desconstruir o simbolismo da democracia. Do aparelhamento político da área, que já deformava a instituição, passou­se a uma ação antidemocrática aberta. Pela leviandade com que a falácia do golpe foi e está sendo difundida no Brasil e mundo afora, esse ativismo faccioso do grupo político da Presidente afastada torna­se reacionário. Busca desmoralizar o valor central que o controle institucional e constitucional do exercício do poder político e administrativo passou a ter na nossa
democracia, a partir da consolidação da ordem da Constituição de 1988.

Todos contra a Lava-Jato - Merval Pereira

O Globo

Temer talvez não tenha entendido ainda, ou não possa entender por circunstâncias de sua vida política passada, que a principal tarefa à frente do país nos próximos anos não é restabelecer as bases de economia minimamente organizada, mas é, sobretudo, restabelecer a confiança da sociedade no governo. Sem essa credibilidade, não há medida econômica que dê certo, nem haverá facilidades para aprovar medidas impopulares, mas necessárias, no Congresso.

Ele já deu muitos passos em falso na formação de seu Ministério, entre eles nomear políticos que estão sob a mira de investigações. Alguns, consertou a tempo, mas o que incomoda é que muitos se referem ao modo de tratar a Lava-Jato. Quando escolheu o advogado Antonio Mariz para ministro da Justiça, sabia, até mesmo porque Mariz assinou manifesto contra as delações premiadas, e por ser seu amigo, que ele tinha críticas à atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do próprio Sérgio Moro.

De Delcídios e Romeros - Eliane Cantanhêde

- O Estado de S. Paulo

O presidente em exercício Michel Temer sabia que não seria fácil, mas não sabia que seria tão difícil. Cada dia, sua agonia – ou, cada dia, o seu amigo ou ministro problemático. Se Eduardo Cunha é um peso enorme, Romero Jucá não fica atrás. Os dois, juntos, já puxam Temer e seu projeto para um limbo de interrogações. Mas eles não são os únicos.

Na fita revelada ontem pelo repórter Rubens Valente, Jucá discute com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado um “pacto” para garantir o impeachment de Dilma Rousseff, a posse de Michel Temer e a interrupção pelo meio da Operação Lava Jato. No caso da Lava Jato, era inexequível, pouco mais que um devaneio, mas virou um imenso constrangimento para o governo interino e um explosivo combustível para o discurso da nova oposição e os movimentos que acossam Temer.

A fila anda - Hélio Schwartsman

- Folha de S. Paulo

Quando um ministro precisa dar mais explicações sobre seu prontuário policial do que sobre os planos que tem para a pasta, é porque já perdeu as condições políticas de exercer o cargo. A permanência de Romero Jucá à frente do Planejamento ficou insustentável após a divulgação da fita de áudio em que ele, um investigado na Lava Jato, aparece mantendo diálogos suspeitos sobre a operação.

Michel Temer precisava livrar-se de Jucá rapidamente, a fim de tentar transmitir a imagem de que seu governo não tem o propósito de deter as investigações policiais. Não fazê-lo ou demorar muito daria a impressão de que sua gestão veio exatamente para parar a Lava Jato -o que seria um desastre de relações públicas.

Esperando o quê? - Luiz Carlos Azedo

• A nomeação de Jucá comprovou-se um erro, como muitos advertiram. Amizade e gratidão são valores da política, mas não podem estar acima do interesse público e dos valores da sociedade

- Correio Braziliense

O ministro licenciado do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-RR), não durou duas semanas no cargo. Era pedra cantada que as suspeitas do seu envolvimento no escândalo da Petrobras, sob investigação da Operação Lava-Jato, poderiam se tornar um grande problema para o presidente interino, Michel Temer. O que ninguém sabia é que uma conversa comprometedora sobre as investigações com o ex-presidente da Transpetro, o ex-senador Sérgio Machado, que negocia sua delação premiada com o Ministério Público Federal, havia sido gravada pelo próprio. Supõe-se que outras conversas com líderes do PMDB, entre os quais o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da República José Sarney, também tenham sido gravadas. Nitroglicerina pura.

Temer ouve muito e decide rápido - Raymundo Costa

• Saída de Jucá é primeiro teste efetivo do governo

- Valor Econômico

O presidente interino Michel Temer abriu um amplo leque de consultas sobre a conveniência de manter ou não o senador Romero Jucá no Planejamento, gravado em áudio em supostas articulação para abafar a Operação Lava-Jato. Um duro golpe para Temer, que levou Jucá para o centro nervoso do governo contra indicações de auxiliares e amigos próximos, pela reconhecida capacidade de articulação política e de trabalho do senador pelo PMDB de Roraima. A forma Temer de governar surpreende, sobretudo, se comparada ao centralismo que vigorou no Palácio do Planalto, até recentemente, contra a opinião geral e até o senso comum. Temer ouviu muito e decidiu rápido. Estabeleceu um critério para ministros apanhados na Lava-Jato.

Em uma semana de governo, Jucá deixou Temer ainda mais impressionado por seu conhecimento e trânsito na área econômica. Diz tudo sobre a capacidade de articulação política de Jucá o fato de ele ter sido líder dos presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Sempre com uma solução pronta para os mais complicados impasses em torno de emendas constitucionais, projetos de lei ou medidas provisórias. A novidade, para Temer, foi a desenvoltura do senador na economia.

A crise previsível - Míriam Leitão

- O Globo

Era previsível que a primeira crise do governo Temer seria com Romero Jucá. O senador tem qualidades para assumir o cargo, entende de orçamento, afinou o discurso com o ministro da Fazenda, mas ele tinha, desde o começo, um calcanhar de Aquiles. Mais do que citado na Lava-Jato, ele é um investigado. O presidente interino assumiu um risco ao nomeá-lo e ontem pagou o preço.

Não demorou 15 dias para que a crise estourasse com a divulgação das conversas de gravação oculta que teve com outro encrencado da Lava-Jato. O curioso é como pessoas inteligentes não veem o óbvio: não há como interferir na Operação. O Ministério Público é independente, a Justiça Federal é independente, se tentarem amordaçar a Polícia Federal a opinião pública saberá. Se tentarem pressionar ministros do Supremo podem ser presos. De onde é que tiram a ideia de que podem estabelecer um freio na Lava-Jato?

Primeira crise – Editorial / Folha de S. Paulo

Durou pouco a pretensão de Romero Jucá, presidente interino do PMDB e senador licenciado (RR), de se manter no cargo de ministro do Planejamento do governo Michel Temer (PMDB).

Na manhã desta segunda-feira (23), Jucá concedeu entrevistas nas quais dizia não ver motivos para se afastar do ministério. Menos de dez horas depois,rendeu-se ao óbvio: sua permanência no governo tornara-se insustentável.

Era impossível amenizar o conteúdo de suas conversas com Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras). Como esta Folharevelou, Jucá sugeriu ao aliado que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) possibilitaria um pacto com vistas a deter o avanço da Operação Lava Jato.

Saída de Jucá estabelece norma positiva no governo – Editorial / O Globo

• Temer sinaliza comprometimento com a Lava-Jato e o combate à corrupção em geral, mas fica a lição do risco dessas nomeações

Nas duas frentes em que o presidente interino, Michel Temer, precisa atuar na crise, a política e a econômica, nesta, apesar das enormes e conhecidas dificuldades, ele parece contar com melhores condições para enfrentar a situação do que no jogo político, sua especialidade.

Para começar, ele tem conseguido montar uma equipe competente, sob o comando do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e cujo diagnóstico é indiscutível — gastos descontrolados, prevenção contra o setor privado, descuido com a inflação etc.

Mas é certo que, por melhor que seja a equipe, se o governo não conseguir o necessário apoio no Congresso para aprovar medidas essenciais à superação da crise — inclusive, emendas constitucionais —, o Brasil será mantido na pasmaceira. Na melhor hipótese, passará uma longa estagnação.

Um pouco de luz nos cenários – Editorial / O Estado de S. Paulo

O otimismo deve continuar distante, mas há sinais de melhora das expectativas, um ingrediente essencial para o sucesso de qualquer plano de recuperação da economia. Dois sinais positivos, embora ainda fracos, foram detectados em sondagens da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Executivos da indústria estão mais confiantes em relação aos negócios e consumidores baixam suas previsões de inflação, embora ainda esperem uma forte alta de preços durante mais um ano.

No mercado, economistas do setor financeiro e de consultorias projetam inflação ainda alta neste ano e condições muito ruins de produção, mas com possibilidade de modesta expansão em 2017. Nada de grande entusiasmo, portanto, mas o governo poderá transformar essa pequena melhora de humor num importante reforço para sua política, se for capaz de avançar, em pouco tempo, na redefinição da política econômica.

Desemprego crescente pode dificultar reforma trabalhista – Editorial / Valor Econômico

O ministro da Fazenda do governo interino, Henrique Meirelles, disse que o desemprego pode chegar a 14% se nenhuma medida for tomada para deter o crescimento explosivo da dívida pública, de modo a restaurar a confiança e reativar a economia. No entanto, o desemprego já superou o nível temido pelo ministro em várias partes do país. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo IBGE, mostrou que o desemprego chegou a 10,9% no trimestre terminado em março, nada menos do que três pontos acima dos 7,9% do mesmo período de 2015. O percentual significa 11,1 milhões de desempregados no país para uma população ocupada de 90,6 milhões, com 23,1 milhões trabalhando por conta própria.

Em três Estados o desemprego já supera os 14% de Meirelles, provavelmente pela dependência dos investimentos e transferências federais e características econômicas. Na Bahia, a desocupação chegou a 15,5%, o que significa 3,2 milhões de desempregados, quase 30% do total do país. No Rio Grande do Norte e no Amapá é de 14,3%. Em São Paulo, o desemprego está acima da média nacional, em 12%, e o mesmo acontece em Minas Gerais, com 11,1%. Na outra ponta estão Estados do Sul, com desemprego de 6% em Santa Catarina e 7,5% no Rio Grande do Sul.

Mercosul-União Europeia - Rubens Barbosa*

- O Estado de S. Paulo

Depois de mais de 15 anos, no último dia 11, o dia em que o governo do PT foi afastado do poder pelo Senado, iniciou-se finalmente a negociação entre o Mercosul e a União Europeia (UE), com troca de oferta de bens, serviços e investimentos.

Do lado europeu, a decisão não foi sem percalços. Durante um bom tempo, alguns países conseguiram adiar a decisão. Em 29 novembro de 2015, em reunião da Comissão Europeia, três países, França, Irlanda e Hungria, com apoio discreto da Lituânia, da Polônia e da Estônia, manifestaram-se contra o início dos entendimentos com o Mercosul. O apoio da Alemanha e do Reino Unido foi o que propiciou a prevalência da maioria.

Nossa história em quadrinhos - Arnaldo Jabor

- O Globo

A mão de Marinho embolsa três mil reais. Lula e Dilma sujam as mãos de petróleo (em todos os sentidos). A mão de Marinho apontando para o mensalão. Jefferson cantando ópera. Jefferson e Dirceu em duelo no Congresso: “Sai, Dirceu”. Lula dá entrevista em Paris, sem saber de nada.

Erenice Guerra ri com todos os dentes na Casa Civil. Carlos Lupi, ex-faxinado, beija a mão de Dilma: “Eu te amo, Dilma!”. O olho roxo de Jefferson. Mantega sorrindo: “Temos uma nova matriz econômica”. Flash para a frente: 11 milhões de desempregados marcham pelas caatingas e pelos pampas. A refinaria de Pasadena, lata velha enferrujada com dístico: O Petróleo É Nosso (i.e. do PT). A folha de papel que Dilma não leu – preço: 1 bilhão e 200 milhões de dólares.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Opinião do dia – José Serra


  • E se o governo Michel Temer naufragar?

"Os desafios são imensos, mas não temos a opção de dar certo ou fracassar. Tem de dar certo, pelo País. O impeachment é doloroso e traumático, mas é uma questão de salvação do Brasil."

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José Serra, ministro das relações exteriores, em entrevista ao O Estado de S. Paulo, 22/5/2016

Governo vai lançar pacote para reduzir despesas

• Após prever déficit recorde de R$ 170,5 bi, equipe econômica anuncia medidas amanhã

Objetivo é limitar gastos públicos, mas proposta deve incluir também ações para estimular o crescimento. Aumento de impostos ficará para uma segunda etapa

O presidente interino, Michel Temer, deve anunciar amanhã um conjunto de medidas para cortar gastos e estimular o crescimento da economia. O anúncio virá após o governo ter elevado, na sexta-feira, a previsão de déficit deste ano para R$ 170,5 bilhões, incluindo a liberação de R$ 21,2 bilhões que estavam contingenciados. A nova meta fiscal será apresentada hoje e deve ser votada no Congresso amanhã. A equipe econômica decidiu não propor aumento de impostos neste primeiro momento, por entender que o tamanho da elevação de tributos dependerá da aprovação, pelo Congresso, das medidas de controle das despesas. Temer vai argumentar que as ações são necessárias porque herdou do governo anterior um quadro de descontrole nas contas.

Gastos na mira

• Após prever déficit recorde, governo anuncia amanhã medidas para controlar despesas

Gabriela Valente, Isabel Braga - O Globo

-BRASÍLIA- Após liberar recursos para evitar um “apagão” nos serviços do governo federal nos próximos meses, o governo concentrará os próximos esforços em medidas de controle de gastos e de estímulo ao crescimento, que serão apresentadas amanhã. A equipe econômica optou por não anunciar — neste primeiro momento — um aumento de impostos. E pressionar o Congresso Nacional a votar tudo rapidamente para amenizar a necessidade de elevar a carga de tributos. As medidas serão fechadas numa reunião hoje à tarde entre técnicos dos ministérios da Fazenda e do Planejamento. A urgência de frear os gastos é cada dia maior. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, a preocupação dos técnicos aumentou depois que constataram um quadro pior do que o previsto deixado pela equipe econômica anterior.

Mônica Moura diz que recebeu dinheiro de Eike

Ao tentar fechar acordo de delação, Mônica Moura, mulher do marqueteiro do PT João Santana, disse aos investigadores da Lava-Jato que o casal recebeu pagamentos do empresário Eike Batista no exterior, por serviços em campanhas políticas.

Mulher de João Santana diz que Eike fez pagamentos no exterior

• Revelação foi feita por Mônica Moura em tentativa de acordo de delação

Thiago Herdy - O Globo

-SÃO PAULO- O empresário Eike Batista fez pagamentos para o casal João Santana e Mônica Moura, em contas do casal no exterior, segundo relato da mulher do marqueteiro do PT a procuradores, durante tentativa de fechar acordo de delação premiada. Os pagamentos estariam vinculados a campanhas políticas realizadas pelo casal, mas ela não esclareceu se os pagamentos são referentes a trabalhos realizados no Brasil ou no exterior.

Crise e incerteza no PAC paralisam 14,3 mil obras de prefeituras

A crise econômica, que já vinha afetando a execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ameaça paralisar pelo menos 14,3 mil obras que dependem apenas de verbas públicas, informa Alessandra Duarte. Sem dinheiro, o governo Temer já decidiu priorizar obras que têm participação privada, através do programa Crescer. Projetos de urbanização e de prevenção em áreas de risco, além de construções de UPAs, “dificilmente sairão do papel”, segundo integrante do governo.

Crise ameaça obras do PAC pelo Brasil

• Falta de verbas e foco em parceria privada põem em risco 14,3 mil projetos em ano de eleição

Alessandra Duarte - O Globo

Na Vila Ideal, choveu forte, alagou.

— Aqui na (avenida) Manoel Teles, enche tanto às vezes que fica difícil até pra ônibus passar — conta Pedro Cézar Oliveira, estudante de 24 anos morador da comunidade, localizada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

A obra para desassorear o Rio Meriti na região da Vila Ideal, que combateria os alagamentos, começou em 2009, parou e voltou. É uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que, ao contrário de projetos em áreas como transportes e energia, não incluem participação privada por concessões ou parcerias públicoprivadas (PPPs) — instrumentos que serão priorizados pelo governo interino de Michel Temer para o setor de infraestrutura, pelo recém-criado programa Crescer.

Governo oferecerá 100 concessões de infraestrutura

Concessões podem render R$ 110,4 bilhões

• Novo governo tenta remodelar planos de Dilma para tornar projetos mais atrativos

Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O governo do presidente em exercício Michel Temer tem em mãos um levantamento preliminar de uma centena de novas concessões e 40 renovações de contratos da área de transportes que estão maturados para serem deslanchados nos próximos dois anos, caso o afastamento definitivo de Dilma Rousseff seja aprovado pelo Senado. O panorama feito pelas agências reguladoras aponta investimentos da ordem de R$ 110,4 bilhões em aeroportos, rodovias, portos e ferrovias.

Essas concessões que estão na gaveta vão ser embaladas pelo programa Crescer, que deve ser lançado pela secretaria do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), comandado por Moreira Franco. Vão ser incluídos também projetos da área de energia e de petróleo. A meta da secretaria é fazer ajustes nos projetos que já estavam sendo estruturados pela equipe da presidente afastada Dilma Rousseff – que chegou a divulgar boa parte deles dentro do Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado no meio de 2015 – para torná-los mais atraentes a investidores.

Renan vira a página e adota discurso do governo Temer

• Presidente do Senado respalda interino do Planalto e até palpita sobre a volta do MinC e inclusão de mulheres

Isabela Bonfim - O Estado de S. Paulo

/ BRASÍLIA - Bastou uma semana de governo interino para que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), virasse a página do impeachment e abandonasse o seu apoio à presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Armado de um discurso institucional, como presidente do Senado e do Congresso, o peemedebista já deu clara sinalização de que vai fazer andar as propostas do presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

“Não podemos desfazer o capital político acumulado pelo novo governo, mas precisamos tocar rapidamente uma agenda de mudanças para que o Brasil saia dessa situação”, disse Renan após reunião na quinta-feira passada com o novo ministro do Planejamento, Romero Jucá.

Em gravação, Jucá sugere pacto para deter Lava Jato

Em diálogos gravados, Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato

Rubens Valente – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.

Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente "jamais pensaria em fazer qualquer interferência" na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

Machado passou a procurar líderes do PMDB porque temia que as apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, onde tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR).

Em um dos trechos, Machado disse a Jucá: "O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. [...] Ele acha que eu sou o caixa de vocês".

Na visão de Machado, o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB.

Machado fez uma ameaça velada e pediu que fosse montada uma "estrutura" para protegê-lo: "Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu 'desça'? Se eu 'descer'...".

Mais adiante, ele voltou a dizer: "Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída".

Machado disse que novas delações na Lava Jato não deixariam "pedra sobre pedra". Jucá concordou que o caso de Machado "não pode ficar na mão desse [Moro]".

O atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro. "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", diz Jucá, um dos articuladores do impeachment de Dilma. Machado respondeu que era necessária "uma coisa política e rápida".

"Eu acho que a gente precisa articular uma ação política", concordou Jucá, que orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Machado quis saber se não poderia ser feita reunião conjunta. "Não pode", disse Jucá, acrescentando que a ideia poderia ser mal interpretada.

O atual ministro concordou que o envio do processo para o juiz Moro não seria uma boa opção. "Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade."

E chamou Moro de "uma 'Torre de Londres'", em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá "para o cara confessar".

Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo". Machado disse: "aí parava tudo". "É. Delimitava onde está, pronto", respondeu Jucá, a respeito das investigações.

O senador relatou ainda que havia mantido conversas com "ministros do Supremo", os quais não nominou. Na versão de Jucá ao aliado, eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato.

Jucá afirmou que tem "poucos caras ali [no STF]" ao quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de "um cara fechado".

Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por mais de dez anos (2003-2014), e foi indicado "pelo PMDB nacional", como admitiu em depoimento à Polícia Federal. No STF, é alvo de inquérito ao lado de Renan Calheiros.

Dois delatores relacionaram Machado a um esquema de pagamentos que teria Renan "remotamente, como destinatário" dos valores, segundo a PF. Um dos colaboradores, Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil das mãos de Machado.

Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que o peemedebista o procurou para ajudar na campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima, e que por isso doou R$ 1,5 milhão.

O valor foi considerado contrapartida à obtenção da obra de Angra 3. Jucá diz que os repasses foram legais.
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Data das conversas não foi especificada

Ricupero rebate críticas de Amorim a 1º discurso de Serra como chanceler

Patrícia Campos Mello – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO - O embaixador Rubens Ricupero, principal conselheiro do chanceler José Serra, contestou artigo publicado pelo ex-chanceler Celso Amorim (1993-95 e 2003-11) na Folha neste domingo (22). No texto, Amorim critica "o afã em aderir a mega-acordos regionais como o TPP (Tratado Transpacífico )", que tem 12 países.

Segundo o diplomata, Serra não diz que pretende negociar a entrada do Brasil no TPP. "A ideia é apenas se aproximar desses países", diz Ricupero, que foi secretário-geral da Unctad (Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento), ministro da Fazenda e do Meio Ambiente.

Em relação às críticas que Amorim fez às notas do Itamaraty que rechaçavam comentários dos países da aliança bolivariana, Ricupero afirma: "É inacreditável um [ex-]ministro que aplaude um ataque estrangeiro ao Brasil". Países como Bolívia e Venezuela questionaram a legitimidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

‘Governo não tem a opção de fracassar’, diz José Serra

• Com promessa de ‘turbinar’ o Itamaraty, Serra prepara viagem à Argentina para começar ‘atualização’ do Mercosul

Eliane Cantanhêde - O Estado de S. Paulo, 22/05/2016

BRASÍLIA - O novo chanceler, José Serra, enumera os erros da política externa dos 13 anos de governo do PT, anuncia que vai discutir uma “atualização” do Mercosul em sua primeira viagem internacional, hoje, à Argentina, e assume um compromisso com a opinião pública e os diplomatas: “Vamos turbinar o Itamaraty”.

Serra disse estar acertando com o ministro do Planejamento, Romero Jucá, como cobrir a carência de R$ 800 milhões do Itamaraty, que tem até atrasado salários e aluguéis e imóveis no exterior. Fora isso, há dívidas de R$ 6,7 bilhões do Brasil a organismos e bancos internacionais, tema também em discussão.

Ele também prometeu abrir o País ao mundo e uma relação melhor com os Estados Unidos. “Nossa relação comercial com os EUA deve com certeza se tornar mais próxima e o grande investimento aí é a remoção de barreiras não tarifárias”, disse na noite de sexta-feira, em entrevista ao Estado na qual resumiu os desafios do governo Michel Temer: “Não temos a opção de fracassar. Tem que dar certo”.

• O que é uma política externa “regida pelos valores do Estado e da Nação”?

A política externa lida com os interesses nacionais num contexto mundial e vamos ter uma política de Estado, numa nova modalidade de política externa independente. Além de não se alinhar às potências, será independente de partidos e de aliados desses partidos no exterior, diferentemente do que havia nos governos do PT.

• O sr. não vê diferenças entre a política externa de Lula e a de Dilma? O sr. chegou a ficar bem próximo do chanceler de Lula, Celso Amorim, quando o sr. era ministro da Saúde e ele embaixador em Genebra e atuaram juntos para a quebra de patentes de medicamentos contra a Aids.

Trabalhamos muito bem e de forma produtiva. Aliás, o Celso deixou de fumar cachimbo por minha causa. Eu disse que ele não podia fumar cachimbo e ir a reuniões antitabagismo e ele jurou que tinha deixado de fumar. Minha relação com o Celso foi muito boa. Depois, no Itamaraty, prefiro não analisar.

Sobrou pouco para Maduro na região, diz líder de Parlamento venezuelano

Samy Adghirni – Folha de S. Paulo

CARACAS - Um dos ícones da oposição na Venezuela, Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, afirma que o chavismo sabe que o presidente Nicolás Maduro não tem "a menor chance" de sobreviver a eventual referendo revogatório e que governos aliados como os de Equador e Bolívia "já perceberam que Maduro está à deriva".

Por isso, diz ele à Folha, governistas tentam ganhar tempo para que o referendo, dado como certo por Ramos Allup, ocorra em 2017, quando o presidente seria substituído pelo vice, Aristóbulo Istúriz, sem necessidade de nova eleição presidencial.

O risco, porém, diz o deputado, é que o chavismo use um novo referendo em 2017 para levar ao poder a atual primeira-dama, Cília Flores.

Em sua primeira entrevista a um veículo de imprensa brasileiro desde que assumiu o comando do Parlamento, após a histórica vitória da oposição na eleição de dezembro passado, Ramos Allup negou manter diálogo com o chavismo e elogiou a maneira como, a seu ver, o Brasil está "resolvendo" sua crise política.

MTST acampa perto da casa de Temer em São Paulo

Por Camila Souza Ramos - Valor Econômico

SÃO PAULO - O MTST anunciou ontem que vai acampar "por tempo indeterminado" perto da casa do presidente interino Michel Temer (PMDB), no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Ontem, militantes do movimento dos sem-teto fizeram um protesto no bairro em que Temer vive em São Paulo contra os cortes anunciados no programa "Minha Casa, Minha, Vida".

Os manifestantes se reuniram no Largo da Batata, na zona oeste, e fizeram uma caminhada de cerca de quatro quilômetros até o local. Os organizadores afirmaram que cerca de 20 mil pessoas participaram do ato e disseram que foi o maior protesto contra o governo interino desde que o pemedebista desde que assumiu. A Polícia Militar não divulgou estimativa.

Temer evitou a manifestação e saiu de sua casa rumo a Brasília antes de os manifestantes chegarem ao bairro. A saída ocorreu sob forte esquema de segurança e um destacamento da PM bloqueou o quarteirão, com barreiras de metal. Apenas moradores podem acessar a área isolada.

Rede tenta reinventar prática política

• A ventilação vem de um colegiado. A Rede não funciona - ou tenta não funcionar - pelo conceito de hierarquia

• Foram analisados vários estatutos de partidos no mundo, do espanhol "Podemos" ao alemão "Piraten"

Por Daniela Chiaretti – Valor Econômico

SÃO PAULO - Há uma semana, um jantar na casa de uma família de banqueiros reuniu um grupo de CEOs e executivos ao redor de Marina Silva e integrantes da Rede Sustentabilidade. A ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora expôs suas posições, já conhecidas, sobre o impeachment de Dilma Rousseff, o governo Temer, sua visão de futuro calcada na esperança de novas eleições. Mas o que surpreendeu os presentes foi saber algo da dinâmica da Rede. De um lado, trata-se de um partido de oito meses de vida, 15.600 filiados, pouco tempo de TV e parcos recursos, além de trajetória nova e de difícil tradução. Do outro, os históricos 22 milhões de votos da ex-seringueira que lidera as pesquisas de intenção para eleições presidenciais.

Ao lado de Marina, no jantar de cerca de 30 pessoas entre economistas e presidentes de indústrias, donos de redes de restaurantes, de grupos varejistas e do mercado financeiro, estava José Gustavo Fávaro Barbosa Silva, 27 anos, paulista de São Carlos, formado em administração pública. Os empresários entenderam que o rapaz ruivo era o porta-voz de Marina. Entenderam errado. No registro legal do partido, Zé Gustavo, como é conhecido, é o presidente - Marina é vice. Nesta tentativa de se fazer política de outro jeito, o jovem é um dos porta-vozes da Rede Sustentabilidade e Marina Silva, a outra. O conceito é diferente: são porta-vozes para o mundo exterior e coordenadores-gerais para as ações internas do partido.

Mudança de rumo – Aécio Neves

- Folha de S. Paulo

Qual é o lugar que queremos para o Brasil no mundo?

Depois de 13 anos de uma política externa subordinada a uma plataforma partidária, sem conexão real com os interesses do país e com a integração econômica no mercado global, finalmente se anuncia uma mudança nos rumos do Itamaraty.

O discurso de posse do ministro José Serra sinaliza com clareza um novo posicionamento: sai de cena a diplomacia alimentada por afinidades ideológicas, cujo maior feito foi nos isolar, restaurando-se a consciência de que a política externa deve servir ao Estado e aos interesses legítimos do conjunto da sociedade.

Houston, temos um problema! - Ricardo Noblat

- O Globo

• Dilma saiu, as Organizações Tabajara, não. Sua proeza recente foi a extinção do Ministério da Cultura, agora recriado

O Comitê Olímpico Internacional guarda em segredo o número de autoridades de países que virão ao Rio de Janeiro para a cerimônia de abertura, no próximo dia 5 de agosto, das Olimpíadas 2016, a ser assistida pela televisão por algo como 4,5 bilhões de pessoas no mundo todo. Sabe-se, porém, que será um mínimo de 70 chefes de Estado e um máximo de 170. A depender... A depender do quê mesmo?

Ibope: sem vento a favor - José Roberto de Toledo

- O Estado de S. Paulo

Depois de tomar a caneta da mão de Dilma Rousseff, o PMDB e Michel Temer esperavam que uma onda de otimismo os resgatasse do turbilhão econômico e os levasse ao Planalto em segurança. Não veio nem uma marolinha. A população, em geral, está desconfiada e reticente - mostra pesquisa inédita do Ibope. E os agentes econômicos, embora adotem discurso de boa vontade, por ora só realizaram lucro, derrubando a Bolsa desde a votação no Senado.

No grito – Valdo Cruz

Folha de S. Paulo

O governo Temer tem pouco mais de uma semana, mas sua equipe diz que parece já ter dois anos. Exagero, mas a coleção de recuos e concessões em tão pouco tempo lembra de fato uma administração com mais horas de cadeira.

Não fossem a situação de emergência em que o país se encontra e a expectativa de que tire o país do buraco, Temer estaria namorando cedo demais com um forte desgaste com as idas e vindas de seu governo.

Entre os sempre-governo e os neo-governo - Marcos Nobre

• Temer não tem saída senão tirar Eduardo Cunha do ringue

- Valor Econômico

O presidente do PMDB é um árbitro de luta profissional. Dá os pontos e a vitória a quem bate mais e melhor. Está sempre atento para não virar ele mesmo alvo dos golpes. Não há projeto, rumo ou direção previamente estabelecidos em suas decisões. Apenas acompanha a correlação de forças de cada momento: quem pode mais, leva; quem pode menos, aguarda uma próxima oportunidade. A única preocupação do árbitro é evitar o nocaute. No PMDB, a regra são as decisões por pontos.

A sociedade, às vezes, não se reconhece no espelho - Marcus Pestana

- O Tempo (MG)

A votação do impeachment na Câmara dos Deputados foi acompanhada pela população em clima de final de Copa do Mundo. A longa sessão alcançou índices de audiência inéditos. A maioria dos cidadãos acompanha pouco o funcionamento do Poder Legislativo. Em geral, as pessoas só percebem a centralidade do Parlamento na democracia quando algum interesse direto ou corporativo é envolvido em alguma discussão legislativa. Foram grandes a repercussão e o mal-estar coletivo com as declarações que acompanharam os votos que levaram à admissão do processo de afastamento da presidente Dilma. De um lado, o samba de uma nota só da minoritária bancada governista sobre o suposto golpe inexistente e a quebra da democracia, que definitivamente não está ocorrendo, ao contrário. De outro, centenas de declarações envolvendo motivações paroquiais, familiares ou religiosas. Poucos, como eu, falaram sobre os crimes e as transgressões cometidas.

Novos hábitos – Vinicius Mota

- Folha de S. Paulo

Ao menos desde 2013, técnicos da Fazenda alertavam o chefe do Tesouro sobre o despautério dos subsídios injetados, na lei e na marra, para evitar um recuo na economia que teria dificultado a reeleição de Dilma Rousseff.

A reação aos alertas era autoritária: quem tem voto define a política econômica. Levadas ao estresse, as instituições restauraram a resposta democrática: a interação dinâmica, competitiva e cooperativa entre agentes públicos eleitos e não eleitos estabelece os limites da política econômica.

É alentador, a esse respeito, que Otávio Ladeira, técnico que vocalizou os alertas desprezados no primeiro mandato da petista, tenha sido nomeado secretário do Tesouro na segunda gestão. Ladeira foi mantido no cargo por Henrique Meirelles.

Outro sinal dos tempos é o respeito do Executivo à liturgia orçamentária. Anuncia a meta mais realista de despesas e receitas e aguarda a avaliação do Congresso antes de qualquer iniciativa. Ganham poder os legisladores, pois sua indefinição pode paralisar os fluxos de pagamento em contratos da União. Talvez surja daí um estímulo aos parlamentares para confeccionar orçamentos menos extravagantes.

Não é que os seres humanos alçados a posições de comando sejam melhores. O temor do impeachment por violações ao Orçamento, fator incontornável daqui para a frente, induz a ajustes nas condutas.

O medo da cassação, entretanto, não é capaz de desencadear sozinho todo o constrangimento para evitar a repetição dos descalabros que produziram, em época de paz, uma depressão típica de nações atingidas pela guerra ou pela peste.

O presidente brasileiro continua com poder excessivo na definição dos preços da energia, dos juros e da infraestrutura, além dos de vários outros contratos menos abrangentes, mas em conjunto importantes, no domínio econômico. É hora de discutir essa relação desequilibrada.

Demora para anunciar medidas é tiro no pé - Angela Bittencourt

• Investidor quer ver rumo e velocidade das reformas no país

- Valor Econômico

O governo interino de Michel Temer corre o sério risco de dar um tiro no pé, se anunciar as medidas de ajuste fiscal a prestação depois de apresentar - à vista - a nova meta fiscal para este ano, um déficit de R$ 170,5 bilhões para o governo central. A probabilidade de ocorrer um anúncio parcelado tornou-se crescente sobretudo com o adiamento da divulgação das decisões fiscais de hoje para amanhã, terça-feira, às 11 horas, como informou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles ao final da reunião, sábado, em São Paulo, com o presidente interino e o ministro do Planejamento, Romero Jucá.

Dever de esclarecer – Editorial / O Estado de S. Paulo

No Brasil e no exterior têm sido promovidas algumas manifestações contra o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Em claro desrespeito aos fatos, elas denunciam a existência de um golpe contra a democracia no País. A divulgação no exterior de inverdades sobre o que ocorre internamente traz inegáveis prejuízos à imagem do Brasil, com consequências diretas sobre a economia nacional. É dever, portanto, do novo governo esclarecer os fatos, com uma diligente campanha de neutralização desses irresponsáveis protestos.

Dificuldades da defesa – Editorial / O Globo

• Não há golpe num processo transparente, com direito de defesa e supervisão do Supremo

Entre as várias diferenças do processo de impeachment que afastou Fernando Collor do Planalto em 1992 e o que visa a fazer o mesmo com a presidente Dilma está a motivação do pedido de afastamento. No caso de Collor, corrupção — embora condenado no julgamento pelo Senado, ele terminou absolvido no Supremo, o que não lhe trouxe o cargo de volta, nem poderia trazê-lo —; no caso de Dilma, crime de responsabilidade por descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e regras orçamentárias.

Trata-se de um assunto bem mais difícil de entender do que as traficâncias feitas em Brasília pelo tesoureiro de Collor na campanha, PC Farias, e as transferências de dinheiro de contas fantasmas administradas por PC para bancar despesas pessoais do então presidente. Inclusive a compra do famoso Fiat Elba.

Serra no Itamaraty – Editorial / Folha de S. Paulo

Além da economia, submetida a autêntica devastação por efeito dos erros e abusos do governo Dilma Rousseff (PT), outro núcleo estratégico em que a mudança da gestão federal se mostra bem-vinda é o das relações exteriores.

Nos 13 anos de administração petista, o governo declarou-se empenhado numa diplomacia ativa e independente. Houve momentos em que de fato se aproximou desse objetivo, o que foi reconhecido nestas colunas.

Quase sempre, porém, aquela orientação tinha muito de seletivo, de forma que a uma hostilidade automática em face de parceiros relevantes e aliados tradicionais, como os EUA, correspondia uma tolerância que raiava a subserviência perante autocracias como as do Irã, de Cuba e da Venezuela.

Sonho – Graziela Melo

E assim
a vida vai
mutilando
meus
desejos,

torpedeia
passo
a passo
aquele sonho
que sempre
espero

e nunca
vejo!

a vida
vai indo
embora

já vislumbro
ao fim
do dia

que está
chegando
a hora

daquela
ultima
alegria!!!

Espero
que ao fim
da tarde,
à hora doce
da poesia!!!