- O Estado de S. Paulo
Cairemos na escuridão permanente ou estamos
chegando ao fim do túnel?
Para o jornal inglês The Guardian, a manifestação de
motos comandada por Bolsonaro foi obscena. Para quem observa o cenário
nacional, ele foi também um marco que vai definir expectativas para os próximos
meses.
Com Bolsonaro, no palanque da manifestação,
estava um general da ativa, Eduardo Pazuello. A reação do Exército a essa
violação de suas regras ainda é uma incógnita. O Ministério da Defesa ia se
pronunciar, mas foi proibido de fazê-lo por Bolsonaro. Tanto Bolsonaro como
Pazuello são perfeitamente conscientes da provocação que lançaram.
Bolsonaro costuma se referir ao Exército
como “o meu Exército”. Todos sabemos que o Exército é uma instituição que
pertence ao País. Bolsonaro quer demonstrar que ele manda e pode até romper com
o regulamento militar.
Se o Exército responder como se espera que
responda, Bolsonaro terá de aceitar a punição de Pazuello e reconhecer mais uma
vez que não consegue impor sua vontade pessoal. Se o Exército não responder,
Bolsonaro sentirá que deu mais um passo no controle do poder. O que seus
aliados nas ruas pedem, um avanço sobre instituições democráticas, seria mais
viável nesse cenário.
Não só nos próximos meses, como na própria eleição de 2022, Bolsonaro vai se sentir à vontade para contestar o resultado das urnas e impor sua vitória, com movimentos parecidos com o ataque ao Capitólio, nos EUA. Não é um cenário fácil. Uma ruptura com a democracia nesse momento radicalizaria o isolamento internacional do Brasil.





























