sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Fernando Abrucio* - História não perdoará omissão

Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Que futuro será reservado ao país cujas elites não recusam um projeto declaradamente autocrático?

Muitos políticos disseram que se arrependeram de terem anulado o voto ou escolhido Bolsonaro no segundo turno de 2018. Estavam impactados pela negligência do bolsonarismo em relação às quase 700 mil mortes por covid-19, aos milhões de alunos que ficaram dois anos sem aula na pandemia, à destruição da Floresta Amazônica, à situação de abandono da cultura e da ciência brasileiras. Pior: houve uma reação de vários dos arrependidos quando o presidente atacou a democracia e a enfraqueceu. A História volta ao mesmo ponto em 2022 e boa parcela dos não bolsonaristas adere novamente ao canto da sereia do poder ou se omite. Que futuro será reservado ao país cujas elites não recusam um projeto declaradamente autocrático?

Trata-se de uma nova encruzilhada histórica, cuja repetição provavelmente não dará uma segunda chance à democracia, pelo menos nos moldes liberais que a conhecemos. O bolsonarismo não esconde que pretende reduzir os controles institucionais e sociais sobre o presidente, de modo a aumentar sua força para fazer grandes mudanças legais, que vão do impeachment de ministros do STF até a alteração de sua composição, passando talvez por uma transformação mais ousada e profunda: a revisão da Constituição de 1988, especialmente de sua alma democrática.

O projeto de poder da família Bolsonaro e seus aliados é de longo prazo, não apenas no plano das eleições, mas na construção de uma nova institucionalidade autoritária. O caminho bolsonarista rumo a um modelo similar ao da Hungria ou da Venezuela é irreversível? Ainda há chances para evitar essa tragédia, mas antes é preciso entender sua natureza.

Vera Magalhães - Os acenos de cada um

O Globo

Que tipo de compromissos, ou acenos, exigem os que correm para apoiar Bolsonaro? Nada, nem na esfera da economia

Muito se cobrou desde domingo que Lula fizesse acenos ao centro e explicitasse mais de que forma e com quem pretende governar caso vença a eleição. Neste espaço, essa cobrança esteve presente na coluna extra na segunda-feira após o primeiro turno.

Está correto. O PT foi propositalmente vago quanto a seu programa econômico ao longo da primeira etapa da campanha e apostou num time puro-sangue do partido no entorno mais próximo de Lula, exceção para a chegada e a acolhida “orgânica” de Geraldo Alckmin.

Foi só na onda do vira-voto da reta final que o palanque ganhou reforços como Marina Silva, que chegou trazendo propostas na mala, e Henrique Meirelles, que foi chamado mais para sair na foto, embora não esconda que suas pretensões são outras.

O susto de ver Jair Bolsonaro mais perto no retrovisor na corrida e o fato de o presidente ter começado a primeira semana do segundo turno pisando no acelerador parecem ter feito Lula e o partido entenderem que esse mapa para a eleição era arriscado.

César Felício - O custo fiscal no Congresso de Bolsonaro ou Lula

Valor Econômico

Os sonhos do bolsonarismo podem custar caro

Um dirigente de um grande partido, que hoje transita no bolsonarismo, disse há muitos meses que seria capaz de apostar qual seria um dos principais objetivos do presidente Jair Bolsonaro caso se reelegesse: eliminar o limite para reeleições. Outro influente parlamentar que terminou aderindo a Bolsonaro apostou: a agenda do presidente é controlar o Judiciário, pela força, se preciso.

A tradicional classe política conservadora e de direita em Brasília, que não se mistura com campeões de voto como Nikolas Ferreira ou Carla Zambelli, mas que controla os cordéis do poder, parte da premissa de que a agenda de Bolsonaro é muito ambiciosa. Vai muito além do que pôde ser visto no primeiro mandato. Não há autoengano, nem cegueira deliberada: há consciência, ou a palavra certa talvez seja cumplicidade, do real caráter do projeto bolsonarista.

Nesta agenda ambiciosa há tópicos que vão exigir mais do que a robusta maioria parlamentar já garantida ao presidente. Circulam ideias como nova assembleia constituinte, retirada de direitos sociais, impeachment de ministros do Supremo, aumento do número de integrantes da Suprema Corte, reeleição indefinida, criminalização de partidos de esquerda, de movimentos sociais, desmonte ainda maior de legislação ambiental e por aí vai. É um projeto grandioso de poder, com apostas altas a serem feitas.

Luiz Carlos Azedo - Os Brasis que vão às urnas com Lula e Bolsonaro no segundo turno

Correio Braziliense

Há muitas leituras para essa divisão entre os Brasis meridional e o setentrional, principalmente o Nordeste. Uma delas é a de que o Brasil moderno apoiaria Bolsonaro, enquanto o atraso está com Lula 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputarão o segundo turno das eleições no dia 30 de outubro, alcançaram 48,43% e 43,20% dos votos no primeiro turno, respectivamente. Lula venceu em 14 estados; e Bolsonaro, em 12, além do Distrito Federal. Esse resultado revela uma profunda divisão do país, que também ocorreu em eleições anteriores.

O petista ficou com a maioria dos votos em todos os estados do Nordeste, enquanto Bolsonaro teve maior adesão em todos os estados do Sul e Centro-Oeste. As regiões Sudeste e Norte ficaram divididas. No Sudeste, Lula venceu em Minas Gerais, mas perdeu nos outros três estados. No Norte, quatro estados ficaram com o ex-presidente; e três, com o atual, entre os quais o Pará.

José de Souza Martins* - Livros para compreender o Brasil confuso

Eu & Fim de Semana / Valor Econômico

Quando achamos que estamos chegando lá, descobrimos que os protagonistas da formação do país são as vítimas de contradições

Há algum tempo vi uma extensa e interessante lista de 100 livros recomendados para se compreender o Brasil. Resolvi fazer uma lista alternativa e menor de sugestões de leitura úteis para essa compreensão, especificamente, do Brasil confuso desta hora de incertezas.

A lista mostra que o Brasil se revela no seu avesso. Quando achamos que estamos chegando lá, descobrimos que os principais protagonistas da formação do Brasil são as vítimas das contradições historicamente constitutivas da nossa realidade. As que motivam a literatura do deciframento.

Países compreensíveis são os nascidos de uma história social e política convergente, de certa unidade de sentido e de direção. O Brasil não é assim. É um país que parece buscar uma identidade, mas nunca chega nela. Proclama-se um país de “Ordem e progresso”, mas não tem nem ordem nem progresso no tanto que pode e no tanto que carece.

Um dos melhores livros para entender o Brasil é “O alienista”, de Machado de Assis. Esse é o meio livro de minhas recomendações porque quando o leitor acha que a história está acabando, descobre que está recomeçando.

Claudia Safatle - O destino da lei do teto do gasto

Valor Econômico

Aumento de R$ 100 bilhões em 2023 é o limite da expansão para as despesas

Encerrado o segundo turno das eleições presidenciais, em 30 de outubro, começará a ser discutido qual o regime fiscal que o próximo governo vai seguir e qual será o destino da lei do teto de gastos. Pela lei, o gasto público só pode ser corrigido, ano a ano, pela inflação do período anterior. Sem aumento real, os governos ficam de mãos atadas para aumentar ou criar novas políticas públicas.

Se Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições, ele já avisou que não cumprirá o teto. Jair Bolsonaro, por seu turno, já manchou a credibilidade da lei do teto. Resta, portanto, dizerem o que pretendem colocar no lugar, dado que a política fiscal é uma das áreas em que o país tem maior vulnerabilidade.

Apesar de o governo atual estar apresentando superávits primários e a receita de impostos e contribuições estar batendo recordes sistemáticos, o patamar do endividamento público é muito alto para os padrões do país se comparado a seus pares emergentes.

Armando Castelar* - Juros, dívida e inflação

Valor Econômico

Inflação alta não vai embora sem que os juros nas economias avançadas subam bem mais do que já fizeram

A economia mundial pode estar passando por mudanças estruturais e entrando em uma nova realidade. A ênfase aqui vai no “pode”, visto que não é certo que isso ocorrerá, nem quando. Mas para entender a forma como enxergo essa nova realidade ajuda olhar a crise da dívida britânica da semana passada, um exemplo prático da reflexão que quero trazer.

A crise no Reino Unido começou com o anúncio do pacote fiscal do novo governo. Uma mistura de componentes ideológicos, como a redução de impostos para os mais ricos, e estímulos à demanda, como os subsídios ao gás, o pacote almeja, entre outras coisas, evitar a recessão prevista pelo Banco da Inglaterra (BoE) para 2023 e, imagina-se, elevar a popularidade do partido conservador.

Bernardo Mello Franco - Mercado exige de Lula o que não cobra de Bolsonaro

O Globo

Discurso do "cheque em branco" passa ideia de que ex-presidente nunca foi testado no poder

Os donos do dinheiro estão ansiosos. Querem que Lula diga quem assumirá o Ministério da Fazenda se ele voltar ao poder. O segundo turno está marcado para o dia 30, mas a turma exige que a resposta saia antes. Do contrário, o petista estaria atrás de um “cheque em branco” para se eleger.

As cobranças do mercado não se limitam ao nome do futuro ministro. O ex-presidente também precisaria aderir a medidas que sempre criticou, como o teto de gastos e a reforma trabalhista do governo Temer.

Os mais desenvoltos ainda ordenam a Lula que se afaste de aliados próximos, incluindo a presidente de seu partido. “Ele vai ter de abandonar os ícones do petismo que o acompanharam recentemente”, decretou o banqueiro Ricardo Lacerda, em entrevista ao Estadão.

Flávia Oliveira - Política social do governo para mulheres fracassa

O Globo

É difícil se conectar com as supostas beneficiárias

Por ignorância, incompetência, má-fé — ou tudo isso junto —, o governo de Jair Bolsonaro tem imensa dificuldade de acertar na política social. Por isso, para o candidato à reeleição, seja no discurso, seja na prática, é tão difícil se conectar com as supostas beneficiárias. Desde o início da campanha, o time do presidente vem enfileirando estratégias para se aproximar das eleitoras, em particular, as de baixa renda. Sem sucesso. Todas as pesquisas apontaram preferência das mulheres pelo candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que bateu o adversário no primeiro turno por 6 milhões de votos, um Pará inteirinho de eleitores.

Na largada do segundo turno, Bolsonaro anunciou pagamento, em 2023, de uma 13ª parcela do Auxílio Brasil, sucessor mal elaborado do Bolsa Família. Inaugurou, com isso, a política social pré-datada, uma espécie de bolsa-fiado, pela qual a eleitora vota nele em outubro de 2022 e recebe R$ 600 em dezembro do ano seguinte. É promessa tão inédita quanto estúpida, porque carrega a evidência do erro de um programa elaborado somente para aumentar o capital político-eleitoral de um líder que jamais se preocupou com as mulheres. Nem com os pobres, os negros, os indígenas.

Eliane Cantanhêde - Barbas de molho

O Estado de S. Paulo

Ganhe quem ganhar, o Congresso será bolsonarista. STF e Pacheco que se cuidem!

O Planalto listou, um a um, os senadores antigos e novos que são alinhados ao governo, ou ao bolsonarismo, e avisa a quem interessar possa que não se sabe quem será o futuro presidente do Senado, mas não será Rodrigo Pacheco (PSD-MG). E avança: é melhor os 11 ministros do Supremo botarem as barbas de molho, porque qualquer pedido de impeachment de um deles irá adiante. Uma espada de Dâmocles sobre a cabeça deles.

Se o presidente Jair Bolsonaro já era majoritário e fazia o que queria na Câmara, ele deixará de enfrentar o anteparo do Senado e terá o controle total do Congresso, caso reeleito. Mas isso vale também para a vitória do ex-presidente Lula (que mantém a dianteira no segundo turno), que enfrentará um Congresso hostil se vitorioso. Ou seja, o início de 2023 e do novo governo será tenso, agitado.

Laura Karpuska* - Pesquisas

O Estado de S. Paulo

A ideia de punir os institutos de pesquisa deveria arrepiar qualquer democrata

“Agente não consegue ver outra coisa a não ser as eleições serem decididas amanhã e com uma margem superior a 60%”, disse Bolsonaro no sábado que antecedeu o primeiro turno das eleições. O resultado de 48% dos votos para Lula e 43% para Bolsonaro foi tomado como surpresa para muitos, que viam nas últimas pesquisas uma ascendente para Lula. Houve empolgação dos aliados do petista, que reservaram a Avenida Paulista caso a vitória ocorresse já no domingo.

Não é claro que as pesquisas tenham errado mais por dificuldade em selecionar uma amostra mais representativa do eleitorado ou se os bolsonaristas estavam envergonhados para declararem verdadeiramente seu voto para os pesquisadores. Independentemente disso, após o erro das pesquisas no 1.º turno houve aumento da procura por institutos que menos erram. É a mentalidade do livre mercado funcionando ativamente no jogo sequencial do mercado de pesquisas: ganha clientes quem acerta, perde quem erra.

Pedro Doria – O que sobrou da democracia

O Estado de S. Paulo

Incapacidade de políticos de dominar meios digitais ajudou a nos levar ao pior

Uma das hipóteses levantadas com frequência por cientistas políticos é a de que após uma derrota eleitoral Jair Bolsonaro não conseguiria manter vivo o movimento reacionário que encabeçou. O resultado que saiu das urnas mostra o contrário. Em 2018, descobrimos que as redes poderiam mudar radicalmente o cenário político. Aí parece que esquecemos a lição. Pois elas seguem transformando o Brasil. Para pior.

Os partidos de Centro e Centro-Direita foram dizimados no Congresso. PSDB, Novo, MBL, mesmo MDB, reduzidos a uma fração do que já foram. No último pleito, Bolsonaro trouxe consigo uma penca de parlamentares. Os que entregaram o nível de lealdade e extremismo exigidos pelo presidente se elegeram.

Bruno Boghossian – A volta dos que já foram

Folha de S. Paulo

Petista busca evangélico de baixa renda, e presidente vai atrás de conservador no Nordeste

Em mais uma etapa com poucos indecisos em jogo, Lula e Jair Bolsonaro devem fazer um esforço para tentar virar votos neste segundo turno. Cada lado admite que o rival tem um núcleo sólido de apoiadores, mas também acredita que fatias do eleitorado não estabeleceram uma ligação firme com o candidato escolhido no primeiro turno.

A equipe de Lula diz que é possível enfraquecer o vínculo de alguns evangélicos com Bolsonaro. Aliados do ex-presidente afirmam que parte dos fiéis mais pobres votou no PT em eleições passadas e pode repetir a dose caso a plataforma social se sobreponha à pauta moral.

Hélio Schwartsman – Plus ça change...

Folha de S. Paulo

Se eleito, não parece que Lula enfrentará obstáculos intransponíveis

Na próxima legislatura, o Congresso irá um pouco mais para a direita e deve se tornar mais radical. A esquerda emagreceu e legendas tidas como mais ao centro perderam assentos para siglas próximas ao presidente. Nomes fortemente identificados a ele triunfaram nas disputas pelo Senado. Até o general Pazuello, o símbolo mesmo dos desatinos cometidos na pandemia, assegurou uma cadeira na Câmara, tendo sido o segundo mais votado no Rio de Janeiro. Isso significa que Lula estará em maus lençóis, caso seja eleito?

Um dos paradoxos do sistema político brasileiro é que temos uma elevada taxa de renovação parlamentar, variando em torno dos 40%, e, entretanto, o Congresso é sempre muito parecido. O conjunto de legisladores tende a ser conservador nos costumes, corporativista, fisiológico, adepto da economia de mercado (mas com puxadinhos) e avesso a grandes aventuras.

Vinicius Torres Freire - Um Congresso como nunca se viu na democracia

Folha de S. Paulo

Ascensão da direita e morte do centro é assunto velho, mas novidade se consolidou só agora

A discussão política quase toda se afoga no mar de ansiedade quanto ao resultado da eleição presidencial. É compreensível. Podemos estar pela hora da morte da democracia. Conviria, porém, prestar atenção ao Congresso, assunto em parte obliterado pelo excesso de discussão de "apoios" para o segundo turno, muita vez apenas fofoca politiqueira.

O Congresso é assunto de interesse prático e quase imediato. Embora pareça já história velha, ainda não se deu devida atenção ao fato de que a maioria do Congresso e as presidências de Câmara e Senado devem ser dominadas por uma coalizão de direita, fisiológica e/ou extremista, que jamais se viu na redemocratização.

Reinaldo Azevedo – Os pais do Real recusam carne humana

Folha de S. Paulo

Confronto se dá entre vegetarianos e carnívoros diante da carne humana

Os economistas Edmar Bacha e Pedro Malan divulgaram uma nota conjunta em apoio a Lula. Juntam-se, assim, a André Lara Resende, Pérsio Arida e Armínio Fraga, que já o haviam feito. Esses nomes estão na origem e na sustentação do Real, o mais ousado, criativo e bem-sucedido plano de estabilização da economia, em tempos democráticos, de que o mundo tem notícia. Arrumar as contas é até fácil caso se ignore o sangue derramado. Paulo Guedes, admirador do "ajuste" pinochetiano, sabe disso. Não fez parte da geração que conseguiu vencer a desordem econômica em tempos de paz.

Os "economistas do Real" evidenciam estar atentos à era do horror e à fome dos canibais diletantes e profissionais. Dão, ainda, uma aula importante a alguns noviços da responsabilidade fiscal como um fundamentalismo, que cobram que Lula apresente um plano detalhado de governo. Fundamentos são importantes, mas sua derivação viciosa, traduzida naquele "ismo", perverte a substância.

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Ação da PF mostra onde vai parar o orçamento secreto

O Globo

Suspeita de corrupção na Codevasf é mais uma prova de que STF tem o dever de eliminar emendas do relator

O afastamento, por ordem da Justiça, de um gerente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), suspeito de receber propina para desviar recursos públicos, expõe os tentáculos da corrupção na estatal, controlada pelo Centrão e considerada uma espécie de paraíso do orçamento secreto. Era previsível que a transferência de verbas das emendas do relator para a Codevasf acabasse em roubalheira. Não deu outra.

A decisão da Justiça ocorre na esteira da Operação Odoacro, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em julho. Na época, a PF prendeu o empresário Eduardo José Costa, conhecido como Imperador e apontado como sócio oculto da empreiteira Construservice, uma das maiores beneficiadas pelas licitações da Codevasf. O servidor afastado é acusado de receber R$ 250 mil de empresas investigadas por fraudes em concorrências.

Além de desmentirem o discurso do presidente Jair Bolsonaro de que não há corrupção no atual governo, as fraudes na Codevasf são um exemplo eloquente dos descaminhos do orçamento secreto, a destinação de recursos orçamentários sem transparência nem critérios técnicos por meio das emendas do relator, identificadas pela sigla RP9. Em 2022, havia previsão de R$ 610 milhões em emendas para a Codevasf, mas elas chegaram a R$ 2,7 bilhões. Na lei orçamentária de 2023, as emendas do relator somam R$ 19,4 bilhões, R$ 3 bilhões a mais que em 2022.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Merval Pereira - As manhas do eleitor

O Globo

Eleitor pode ter dado um voto de advertência a Lula, para não deixá-lo ganhar no primeiro turno

Se a pesquisa do Ipec estiver certa, sobraram eleitores de Simone Tebet e Ciro Gomes que não fizeram voto útil em Bolsonaro no primeiro turno e votarão em Lula no final, ampliando a diferença a favor do ex-presidente, embora Bolsonaro tenha também aumentado sua votação. Não colocar os que se abstiveram no primeiro turno na soma de votos que ainda podem ser alcançados é um erro de cálculo. Existem mais que os 6,2 milhões de votos de diferença do primeiro turno. E a turbinada da disputa religiosa na campanha terá consequências no futuro da democracia no país.

Como o comportamento do eleitor está um tanto fora da curva, dificultando as pesquisas, há ainda outra possibilidade, além do voto útil no primeiro turno. O presidente teria sido beneficiado por um “voto advertência”. Alguns eleitores teriam votado nele apenas para evitar que a eleição terminasse no primeiro turno, para não dar a Lula um cheque em branco.

Malu Gaspar – Quem liga para a democracia?

O Globo

Votação expressiva de candidatos que exaltam a ditadura ou defendem o fechamento do STF frustrou centro político e a esquerda

Os resultados do primeiro turno causaram perplexidade pelas discrepâncias entre os números das pesquisas e o resultado final, pelo tamanho da votação de Bolsonaro e pelo crescimento da direita bolsonarista no Congresso. Esses temas vêm sendo discutidos à exaustão, mas uma pergunta ainda paira aqui e ali. Afinal, o brasileiro não dá importância à democracia?

A votação estrondosa de candidatos que exaltam a ditadura militar ou defendem o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) — além, é claro, do próprio Jair Bolsonaro — causou frustração nos intelectuais, na esquerda e no centro.

Parte dos apoiadores de Lula concluiu que faltou ao petista gritar mais alto para “mostrar ao povo” o risco autoritário que o Brasil corre com uma hipotética vitória de Bolsonaro. Outra ala, mais pragmática, chegou à conclusão de que grande parte do eleitorado, no fundo, não está nem aí para a democracia. Quer saber é de comer, trabalhar, pagar as contas.

Vera Magalhães - Pesquisa não reflete ímpeto político de Bolsonaro na largada do 2º turno

O Globo

Ipec mostra Lula à frente após reorganização de seu time e também dá notícias positivas ao candidato à reeleição

O resultado do primeiro levantamento do Ipec no segundo turno não capta um efeito claro do ímpeto político da campanha de Jair Bolsonaro na largada do segundo turno. Impulsionado pelo resultado obtido nas urnas para si e para os aliados, o presidente obteve nos primeiros dias da nova etapa da disputa apoios relevantes do ponto de vista político.

Os pouco mais de 43% dos votos válidos, acima da margem de erro do que mostravam as sondagens da véspera do pleito, também deram corda ao discurso do presidente e de seus aliados de ataque aos institutos de pesquisa, inclusive com a tentativa de instrumentalizar a Polícia Federal para criminalizar os levantamentos.

Míriam Leitão - Dúvida eleitoral mudou em 2022

O Globo

Em 2002, a grande dúvida era o que aconteceria com a economia. Agora, a primeira pergunta é o futuro da democracia, e deve ser feita a Bolsonaro

A pergunta de 2022 é diferente da de 2002. Naquele ano, Lula precisava responder se manteria o Plano Real que havia derrotado a hiperinflação. Agora, a pergunta central recai sobre Bolsonaro. Que garantia o país pode ter de que a democracia será respeitada? Em 2002, Lula escreveu a Carta aos Brasileiros e manteve as bases do plano de estabilização. E agora, mesmo se Bolsonaro escrevesse uma carta, que confiança poderíamos ter na sua palavra, dado que ele sempre elogiou a ditadura que houve no Brasil e hoje se identifica com os mais emblemáticos autocratas?

Nesta largada do segundo turno, há uma corrida por apoios em que os dois lados podem cantar vitória. Bolsonaro recolheu o apoio de governadores como Zema e Garcia e, como já tinha o do Rio, pode dizer que tem os administradores dos três maiores colégios eleitorais. Lula recebeu apoios do PDT, da ex-candidata Simone Tebet, que recolheu 5 milhões de votos, e reuniu governadores e senadores do Nordeste em evento que demonstrou força em São Paulo.

Bruno Boghossian - Um atalho para o eleitor nem-nem

Folha de S. Paulo

Ao dizer que supera divergências, senadora deixa claro que 2º turno não tem duas opções equivalentes

Ao anunciar apoio a Lula no segundo turno, Simone Tebet fez questão de destacar que mantém críticas ao petista. A senadora disse acreditar, porém, que a eleição deste ano é maior do que essas divergências. Na véspera, Ciro Gomes havia feito algo parecido: afirmou que as duas candidaturas eram insatisfatórias, mas deixou clara sua escolha.

Declarações de voto crítico podem não ser tão confortáveis quanto manifestações de "apoio incondicional", mas carregam um valor extra nesta etapa da disputa. As mensagens de Simone e Ciro criam um atalho para o eleitor que recusou Lula e Jair Bolsonaro no primeiro turno.

Thiago Amparo - Bolsonaro, adepto do satanismo?

Folha de S. Paulo

Presidente se aproxima de figura mitológica ao pregar vingança em seu discurso

No purgatório que separa o primeiro do segundo turno, poucos imaginariam que o Satanás, ele próprio, seria tema de debate eleitoral, como se não houvesse mais coisas entre o céu e a terra para se debater. Poderíamos, ao invés, falar sobre alguns dos efeitos do primeiro turno: a interiorização do bolsonarismo em SP e Nordeste; ou o triste fim do PSDB, morto pelo bolsonarismo com o qual algumas de suas figuras flertam vs. a postura digna da outra parte do centro e da direita em apoiar Lula pela democracia (Tebet, FHC e outros).

Conrado Hübner Mendes* - Como autocracias nascem

Folha de S. Paulo

Eventual reeleição de Bolsonaro pode lhe dar a carta branca que faltava

Bolsonaro ensina muitas lições sobre democracia e constituição. Ensina, por exemplo, que presidente engajado na supressão de limites jurídicos, se não enfrentado à altura, vai levar instituições à fadiga e esgotamento. O regime de irresponsabilidade, corrupção e anomia. Com a complacência de juristas da corte.

Valores imateriais como liberdades civis e políticas deixam de ter lastro real e passam a depender apenas da boa vontade e das boas relações. E da sua condição social. Deixam de ser liberdades, portanto. Já a promoção de valores materiais como desenvolvimento econômico e redução da pobreza, na ausência de regras estáveis, coordenação institucional e confiança, torna-se inviável e ineficiente.

Neutralizadas as instituições, a Constituição vai se tornando literatura de ficção, cartilha de legalismo fantástico. Essas não são lições novas, mas lições mal aprendidas pela análise política hegemônica. A sacralização das instituições e o apagamento dos indivíduos que as operam promovem miopia cognitiva.

William Waack - O irreversível

O Estado de S. Paulo

País fica inviável se não for superado o profundo choque Lula-Bolsonaro

Confirmou-se no domingo que Lula é maior que a esquerda e Bolsonaro, menor que a direita. Tanto nas eleições proporcionais quanto nas diretas o avanço de nomes ligados à “esquerda” foi menor do que Lula conseguiu para si mesmo. Da mesma maneira, Bolsonaro ficou menor no primeiro turno do que a projeção alcançada pela “centro-direita”.

Claro que isso tem a ver diretamente com os dois personagens. Lula continua sendo para uma expressiva camada do eleitorado o “pai dos pobres” – algo só comparável ao que foi o getulismo, e igualmente irreversível como fenômeno de massas.

Bolsonaro é considerado um “mito” por outro fenômeno também irreversível, o bolsonarismo. Ocorre que dentro da demanda geral do eleitorado, que é claramente de centro-direita, Bolsonaro não é unanimidade e angariou forte rejeição mesmo entre os que detestam Lula.

Eugênio Bucci* - Não, o resto não é silêncio

O Estado de S. Paulo

As palavras dóceis do governador de São Paulo comprometem a honradez de seus correligionários e vandalizam a história do PSDB.

O resto é o “apoio incondicional” pronunciado em volume ultrajante pelo governador paulista, Rodrigo Garcia, do PSDB, diante de um presidente da República de cara fechada e seu séquito enfezado. Não, aquilo não foi um apoio, foi uma rendição completa e sobrenatural. Ao fim da tragédia, a cena continua, provando que existem palavras depois da morte política. Eis o resto do resto.

Assim estrebuchou o cadáver do tucanato paulista, estraçalhado, desfeito – e tagarela. Sua máscara mortuária saiu matraqueando para microfones, fotógrafos e cinegrafistas, seguindo um roteiro de humilhação prolongada. Não, o clima não era de campanha. Nada daqueles figurantes se amontoando em volta dos protagonistas de braços erguidos e de mãos dadas, em euforias suprapartidárias, nada disso. O clima era de velório, quer dizer, de velório militar. Homens fascistas não choram, mas também não riem – quando se permitem mostrar os dentes, parecem prestes a latir.

Maria Hermínia Tavares* - A nova cara das direitas

Folha de S. Paulo

O antipetismo eleitoral deixou de ter a sua personificação na direita tucana, democrática, civilizada

Logo depois da vitória de Donald Trump sobre Hillary Clinton, em 2016, Ezra Klein, colunista do New York Times, perguntou ao cientista político Larry Bartels, da Universidade Vanderbilt, o que ocorrera de incomum, capaz de explicar por que o improvável candidato republicano tivesse levado a melhor.

Respeitado especialista em estudos eleitorais e autor, com Christopher Achen, do instigante livro "Democracy for realists"(Democracia para realistas), Bartels respondeu que não acontecera nada de anormal: a distribuição de votos daquele ano se parecia muito com a das disputas de 2012, 2008 e 2004 —Trump era, sim, um candidato bizarro; os resultados das urnas, não.

Maria Cristina Fernandes - O novo vírus do eleitor

Valor Econômico

Vitória de Lula no 2º turno passa por entender por que Bolsonaro ganhou onde a pandemia mais matou

Fica difícil juntar lé com cré ante a notícia de que Jair Bolsonaro venceu a eleição em Manaus. Mas o desnorteio não para por aí. Levantamento do Valor Data mostra que, das 40 cidades com maior mortalidade por Covid (Manaus é a 40ª), o presidente ganhou em 38. Dos 1.498 municípios que registraram uma mortalidade por Covid-19 acima da média nacional, o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva ganhou em menos de um terço. Some-se ainda a eleição avassaladora do ex-ministro Eduardo Pazuello (PL) para a Câmara e a reeleição do deputado Osmar Terra (MDB), apóstolo da cloroquina.

Que país é esse? A frente ampla que, finalmente, começa a se formar em torno de Lula neste 2ª turno não deveria adiar as respostas. É um país que já não aguentava as máscaras, diz um, e já esqueceu a mortandade, diz outro. Certamente não é aquele previsto até por governistas onde cada morto produziria 100 enlutados de oposição, entre amigos e parentes. Fosse assim, Lula teria tido 68,6 milhões de votos e estaria eleito, com folga, no 1ºturno.

Cristiano Romero - Bolsonarismo: uma história longe de acabar

Valor Econômico

FHC alertou para chance de vitória de Bolsonaro em dezembro de 2017

Em novembro de 2017, durante jantar com empresários em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso levantou hipótese que deixou a maioria dos convivas boquiaberta. “Olha, o deputado [Jair] Bolsonaro está chegando e, na minha opinião, pode surpreender e vencer a eleição presidencial do ano que vem”, profetizou FHC.

Naquele momento, para a maioria absoluta dos observadores da cena política nacional, Bolsonaro não figurava nem como azarão para a disputa de 2018. Como um deputado federal desconhecido fora do Rio de Janeiro e de Brasília, cujo discurso, ao longo de sete mandatos (quase três décadas), sempre foi uma espécie de samba de uma nota só - a defesa intransigente dos salários e vantagens da corporação militar e dos funcionários públicos em geral - poderia aspirar ao cargo de presidente da República?

Luiz Carlos Azedo - Adesismo e derrota na federação PSDB-Cidadania

Correio Braziliense

Com todos os seus defeitos, Doria tinha uma proposta programática social-liberal. Já o grupo liderado por Garcia não tem proposta alguma. O PSDB declara neutralidade, o Cidadania apoia Lula

A coligação PSDB-Cidadania elegeu 18 deputados, de uma bancada de 29 parlamentares. Os tucanos eram 22, agora são 13. Os “cidadânios”, digamos assim, eram sete, e agora são cinco. A coligação foi feita para consolidar a hegemonia interna dos deputados paulistas de ambas as legendas, em torno da candidatura à reeleição do governador Rodrigo Garcia, que não chegou ao segundo turno. À época, o candidato do PSDB era o governador João Doria, candidato à Presidência, mas havia uma conspiração armada para defenestrá-lo tão logo se desincompatibilizasse do cargo para disputar a eleição.

No começo, Doria não acreditou que isso poderia ocorrer, mas levou um xeque-mate tão logo Garcia assumiu controle pleno do Palácio dos Bandeirantes. O vice que assumira o governo fazia a política municipalista, enquanto Doria se digladiava com o presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia, diga-se de passagem, em defesa da causa mais justa naquele momento: a política de distanciamento social e a corrida para produção de vacinas.

Compromisso com democracia é destaque nos 34 anos da Constituição

Gilmar Mendes afirmou que os ataques às eleições brasileiras só “chegaram a esse ponto” em razão da “omissão conivente” de órgãos e agentes públicos

Por Isadora Peron e Luísa Martins | Valor Econômico

Em um discurso em homenagem aos 34 anos da Constituição Federal, celebrados nesta quarta-feira, o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou que os ataques às eleições brasileiras só “chegaram a esse ponto” em razão da “omissão conivente” de órgãos e agentes públicos.

Sem citar o presidente Jair Bolsonaro, que costuma lançar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas, Gilmar elogiou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, pela “altivez” com que tem desempenhado sua função.

“Estamos irmanados no mesmo propósito do ministro Alexandre de Moraes, que com altivez tem defendido o processo eleitoral brasileiro de sério ataque antidemocrático, jamais presenciado, e que só chegou a esse ponto em razão da omissão conivente de diversos órgãos e agentes públicos”, disse Gilmar.

O decano afirmou que, em apoio ao TSE, o Supremo continuará a exercer a função de guarda da Constituição. “Assim o faremos de forma resoluta, sem titubear e com unidade. Simplesmente não dispomos, quanto ao ponto, de alternativas.”

Entrevista | Simone Tebet: 'Não estou pensando em 2026, nem em cargos'

O GLOBO 

Em entrevista ao podcast "Dois+Um", emedebista também afirmou que eleitores estavam esperando o 'mínimo de propostas' do petista, por isso o segundo turno

Horas depois de declarar apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, a senadora Simone Tebet (MDB-MS), terceira colocada na disputa, afirmou, no podcast "Dois+Um", do GLOBO, que o petista não entendeu que o eleitor estava esperando dele o "mínimo de propostas" para "temas básicos" como fome, miséria, desemprego, pauta econômica e social e segurança pública, e por isso "decidiu levar a eleição para o segundo turno". Tebet também foi bem direta sobre a decisão: "Não estou pensando em 2026, nem em cargos."

Na entrevista à CBN, a emedebista disse que a equipe da campanha de Lula presente no almoço de hoje na casa da ex-prefeita Marta Suplicy reconheceu que é preciso dar um sinal mais claro em relação à pauta econômica e se "posicionar mais ao centro". A senadora disse ainda que não deseja cargos ou ministérios e que sua entrada na campanha depende do quanto Lula está disposto a incorporar o projeto de país que ela afirma sonhar.

Por quais razões a senhora tomou a decisão de apoiar Lula?

Leia a íntegra do discurso de Simone Tebet em apoio a Lula para o segundo turno

Senadora, candidata do MDB à presidência da República, ficou em terceiro lugar no primeiro turno

Por O GLOBO 

Simone Tebet, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais, declarou voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Lula terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 48,4% dos votos. O presidente Jair Bolsonaro (PL) está atrás dele, com 43,2%.

Ao anunciar seu apoio ao petista, Tebet afirmou que lançou sua candidatura à Presidência em meio a um clima de ódio, destacou seus mais de 4,9 milhões de votos na terceira colocação ao Planalto e disse "não estar autorizada a abandonar as ruas e as praças enquanto a decisão soberana, do eleitor, lhe autorizar".

Leia a íntegra do discurso no qual Simone Tebet manifesta seu apoio a Lula:

O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões

Editoriais / Opiniões

Números não favorecem Bolsonaro no 2º turno

Valor Econômico

Mágicas eleitoreiras podem dar algum resultado, a melhora da economia faz o tempo correr a favor do presidente

O jogo político mudou para o segundo turno das eleições. A votação maior do que a prevista do presidente Jair Bolsonaro colocou o PT sob enorme pressão e de imediato trouxe a impressão de que Lula, o candidato petista, é o rejeitado pelos eleitores, quando o governo atual é que foi reprovado em um pleito com fortes características plebiscitárias. A força eleitoral revivida de Bolsonaro “normalizou” por um momento uma disputa que nada tem de normal. O presidente fechou a boca sobre as urnas na hora em que viu que seu apoio popular não declinou tanto quanto seus índices de rejeição fariam supor, de forma que o argumento de defesa da democracia sob ataque parece ter se esvaído na contenda. No entanto, um segundo mandato de Bolsonaro gera temor de enfraquecimento democrático no Brasil.

Os primeiros lances dos candidatos para o segundo turno foram rápidos. O presidente amarrou um apoio de peso com os governadores do Sudeste, maior colégio eleitoral do país (43% do eleitorado), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (Rio) e Rodrigo Garcia (SP). Lula arrematou o apoio do PDT de Ciro Gomes e de Simone Tebet - ambos obtiveram 8,5 milhões de votos no primeiro turno. Nenhum desses apoios significa que os votos se transferirão automaticamente ou sequer que haverá de fato transferência.

Poesia | O pão do povo | Bertolt Brecht

 

Música | Amanhã - Caetano Veloso