O Globo
Pequim ouvia todo mundo, inclusive Delfim
Netto
Está nas livrarias “Como a China escapou da
terapia de choque”, da economista alemã Isabella M. Weber. O livro vai além,
mostra por que e como a China deu certo. Ele é produto da qualidade de sua
formação intelectual e do vigor da academia chinesa. A professora serviu-se de
uma bibliografia rica e, sobretudo, de entrevistas, em chinês, com 44
economistas e burocratas.
Quem quiser cortar caminho poderá começar
assistindo à entrevista de Weber ao repórter Mario Sergio Conti no programa
Diálogos, da GloboNews,
que irá ao ar nesta sexta-feira. Nele, virá a revelação das conversas de
chineses com o então ministro Delfim Netto nos anos 1980, durante o ocaso
inflacionário do Milagre Brasileiro.
Weber faz um estudo erudito da economia
chinesa e chega ao momento das reformas que acordaram o gigante:
— A mão invisível [do mercado] foi
introduzida sob a orientação da mão visível [do Estado].
Muitos países em muitas épocas tentaram
isso e deram com os burros n’água. A China conseguiu porque suas decisões foram
tomadas por meio de um sutil processo de consultas.
Na cúpula, a política chinesa é feroz. O presidente Liu Shaoqi morreu em 1969 numa enxovia, e a poderosa mulher de Mao Tsé-Tung matou-se na cadeia. (Pelo menos 16 milhões de chineses, possivelmente 40 milhões, morreram de fome.) Depois da morte de Mao, a sutileza operou no meio de campo.








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