Valor Econômico
Apesar de evidências de influência sobre pleito seguinte, não é bom partidos contarem com isso
Eleições municipais são bons preditores do
resultado para as eleições federais dali a dois anos, revelam os estudos
empíricos. E é nessa máxima que se fiam deputados federais e senadores, a ponto
de suspenderem por meses o seu trabalho no Congresso Nacional para se dedicarem
a pedir voto para aliados que disputam prefeituras e vagas nas Câmaras
municipais de todo o país.
Existem muitos caminhos pelos quais a
política local afeta a nacional (e vice-versa). Carreiras políticas, alianças,
cabos eleitorais, estruturas partidárias, descentralização de recursos
orçamentários, execução de políticas e obras públicas, distribuição dos fundos
partidário e eleitoral, preferências do eleitorado - essas são apenas algumas
das armas do arsenal à disposição de partidos e candidatos para turbinar
campanhas no plano municipal, estadual e federal.
A visão de que eleições não são fatos isolados, mas se enquadram numa disputa contínua por poder, em rodadas sucessivas que se alternam com novos ou velhos jogadores a cada dois anos, é comprovada por diversas pesquisas acadêmicas aplicadas. Em 2012, por exemplo, George Avelino, Ciro Biderman e Leonardo Barone demonstraram que a eleição de prefeitos em 2008 teve um forte efeito sobre os resultados no pleito estadual de 2010, indicando que uma boa base municipal traz benefícios para seus partidos nas eleições posteriores.

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