sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Constituição de 1988 já não serve à segurança pública - Raul Jungmann*

Correio Braziliense

A União não tem mandato constitucional para cuidar, investir e responder pela segurança pública. Também não dispõe de uma fonte de recursos para, ainda que quisesse, arcar com esse mandato

Não há perspectiva de saída para a crise da segurança pública — que há muito já se configura uma emergência — sem dotar a União de meios para dividir com os estados a responsabilidade pela formulação e aplicação de uma política nacional capaz de reverter a supremacia do crime organizado.

Daí porque, já concluído o debate e refeito o texto da PEC proposta pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que reorganiza e fortalece o sistema de segurança por meio da integração entre os entes federados, é dever do Congresso Nacional priorizar sua tramitação para que, ainda este ano, possamos começar o resgate de décadas perdidas.

A PEC é apenas o começo de um longo e complexo trabalho, sempre adiado com medidas paliativas, geralmente às vésperas de eleições, quando o clamor público encontra ressonância política. Esse círculo vicioso se esgotou, porque não há mais repertório de medidas cosméticas diante do avassalador avanço do crime, já infiltrado no Estado de forma assustadora.

Poesia | Joaquim Cardozo - Poesia em Pedra

 

Música | Paulinho da Viola - Eu canto samba / Quando bate uma saudade

 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

Negar gravidade da atual crise fiscal é inadmissível

O Globo

Brasil tem segundo pior rombo nas contas públicas entre 23 países emergentes e desenvolvidos

Num grupo de 23 economias emergentes e desenvolvidas, o Brasil aparece com o segundo pior resultado nas contas públicas. No levantamento que considera receitas, gastos e também despesas com os juros da dívida, apenas Bolívia tem desempenho pior, segundo análise do banco BTG Pactual. Esse foi o quadro registrado nos dois últimos anos e deve se repetir em 2025.

A previsão para os próximos 12 meses é que os bolivianos continuarão em primeiro lugar no ranking dos piores, mas conseguirão reduzir o tamanho do déficit. Por aqui, o cenário é de elevação. Há metodologias diferentes para determinar o quadro fiscal de um país. A que determina a trajetória da dívida pública é justamente a que leva em conta o pagamento de juros. Quanto maior o rombo a cada ano, mais alto o endividamento. É essa a métrica acompanhada pelos investidores. Deveria ser também o principal ponto de atenção do governo federal e dos congressistas.

Tentativas de ilusionismo ou negação não mudaram nem nunca mudarão a realidade. O desempenho brasileiro é ruim sob qualquer ângulo. O resultado é pior que a média dos emergentes, dos desenvolvidos e da América Latina. A previsão do BTG Pactual para este ano é de um déficit de 8,6% do Produto Interno Bruto (PIB). No México, Colômbia, Peru e Chile, o percentual deverá ser inferior a 4%.

Fator Trump pesará na eleição de 2026 - Matias Spektor

Republicano constitui um fator de risco tanto para a situação quanto para a oposição no Brasil

O retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025 projeta uma sombra inquietante sobre o cenário político brasileiro, que se organiza para as eleições presidenciais de 2026. O risco principal não reside no antagonismo direto com Trump, mas em como sua Presidência pode afetar o ambiente político interno às vésperas da corrida eleitoral. Sua posse constitui um fator de risco tanto para a situação quanto para a oposição.

O primeiro e mais imediato desafio vem da economia. As políticas anunciadas por Trump são uma combinação adversa para o governo Lula: pressão inflacionária, fortalecimento do dólar e desaceleração do crescimento chinês. Esse cenário pode comprometer os planos da nova diretoria do Banco Central e dificultar a cambaleante gestão macroeconômica de um governo que já se prepara para o pleito do ano que vem. A deterioração do ambiente externo pode afetar não apenas setores estratégicos da economia brasileira, mas também o humor do eleitor.

Novas frentes para isolar o fascismo - Tarso Genro e Aloysio Ferreira

O Globo

Novo mundo não seria mais uma comunidade de vizinhanças contraditórias, mas uma totalidade do globalismo

Impressiona a naturalidade com que as sociedades das grandes economias do mundo recebem o que pode ser o fim das democracias gestadas nas revoluções Francesa e Americana. A postura fracassada do “apaziguamento” do Acordo de Munique, como filosofia diplomática na década de 1930, desarmou os espíritos para a resistência ao nazismo, tornando os povos dóceis ao pragmatismo e à traição. A docilidade leniente custou milhões de mortos no Holocausto, nos campos de batalha do mundo inteiro, nas cidades incendiadas da União Soviética e de toda a Europa.

Umberto Eco, em 1998, viu a emergência de um novo projeto fascista, presente nas fragmentações da pós-modernidade, que poderia transferir para os Estados dos países ricos o monopólio político das redes, para a construção de um novo mundo. Este não seria mais uma comunidade de vizinhanças contraditórias, mas uma totalidade — esta sim — do globalismo perfeito. Por meio dela, o modo de vida, a cultura e a política seriam uniformizados pela mentira, construções falsas da “verdade” perfeita e inquestionável.

Uma data que Lula não deveria esquecer - Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O colégio eleitoral deu 480 votos a Tancredo e 180 a Maluf, apesar do boicote da bancada do PT — apenas três deputados participaram e votaram no político mineiro. A eleição representou o fim do regime militar

Após o golpe militar de 1964, que destituiu o presidente João Goulart, a esquerda brasileira se dividiu: uma cobrara mais radicalidade do governo Jango, outra recomendara moderação. A primeira avaliava que o golpe poderia ser evitado se houvesse uma reação armada; a outra, que isso seria inútil e provocaria um banho de sangue.

Na mesma linha de raciocínio, a primeira partiu para a luta armada, acreditava que derrubaria a ditadura com uma revolução. A segunda, considerava essa opção uma aventura fadada ao fracasso. A melhor alternativa seria unir as forças democráticas contra o regime, em defesa das eleições diretas e da convocação de uma Constituinte. Havia liberais que se opuseram ao golpe, entre eles os pessedistas Tancredo Neves (MG) e Amaral Peixoto (RJ).

Foi um longo caminho, que somente se concretizaria em 15 de janeiro de 1985, por uma via que ninguém tinha previsto: a eleição indireta de Tancredo Neves, no colégio eleitoral criado pelo próprio regime para institucionalizar a ditadura.

O velho político mineiro, liberal e conciliador, surfou a onda da campanha das Diretas Já, que mobilizou a opinião pública e promoveu grandes manifestações de protesto. O ponto de partida foi a apresentação de um projeto de emenda constitucional restabelecendo as eleições diretas para presidente da República, em fins de 1983, pelo deputado Dante de Oliveira (MDB-MT).

O que as tarifas podem ou não fazer - Dani Rodrik*

Valor Econômico

Se Trump insistir em seu ponto de vista, a boa notícia, pelo menos para o resto do mundo, é que os custos econômicos serão suportados principalmente pelos americanos

A economia mundial aguarda com pavor a chegada das tarifas comerciais de Donald Trump. Trump claramente adora taxas de importação e prometeu aumentá-las para produtos da China, Europa, México e até mesmo do Canadá. O tamanho do estrago que isso causará depende não só do escopo e da magnitude das tarifas, mas também da finalidade para a qual serão aplicadas.

Economistas não gostam de tarifas por vários motivos. Como toda barreira às trocas de mercado, elas criam ineficiência: impedem que você me venda algo que eu valorizo mais do que você, deixando-nos, a princípio, em pior situação. A teoria econômica reconhece que essa ineficiência pode ser compensada por ganhos noutras áreas. Por exemplo, as tarifas podem ser benéficas na presença de indústrias nascentes, transferência de conhecimento, poder de monopólio ou preocupações com a segurança nacional.

Mesmo assim, os economistas argumentam que as tarifas são um instrumento muito contundente. Afinal de contas, uma tarifa de importação é uma combinação específica de duas políticas diferentes: um imposto sobre o consumo do bem importado e um subsídio à produção para seu fornecimento interno, com taxas iguais. Qualquer objetivo econômico ou não econômico pode ser alcançado de forma mais eficaz com a implementação dessas políticas separadamente e com taxas personalizadas, direcionando-as de forma mais direta aos resultados desejados. Para os economistas, as tarifas são um revólver apontado para o próprio pé.

Um redesenho do mundo - Assis Moreira

Valor Econômico

Brasil precisa gerar outros méritos para se posicionar bem na nova ordem global que se desenha

Mais economistas dão ênfase à centralidade da geopolítica e impactos da fragmentação, em meio a inovação tecnológica, evolução demográfica e mudança climática.

Marcos Troyjo, ex-presidente do banco do Brics e, após um tempo como acadêmico-visitante em Oxford, é agora fellow do Insead, escola de negócios na França, e constata nova ordem que reorienta os investimentos globalmente.

Ele nota que até o advento dos trabalhos de John Maynard Keynes não havia distinção entre micro e macroeconomia. Só a partir de 1936, com a complexidade que ele estava observando e a necessidade de respostas sofisticadas, é que houve uma segmentação que gerou diferentes escolas de pensamento.

Para Troyjo, algo semelhante está acontecendo agora com a geopolítica. O fator geopolítico tornou-se -se de tal forma crucial para as decisões econômicas que cabe falar em eventos “microgeopolíticos” (de enorme impacto, mas ocorrendo em tempos mais curtos), e eventos “macrogeopolíticos” (os que transcorrem num arco cronológico mais amplo).

Perspectivas para o regime de metas de inflação - Benito Salomão

Correio Braziliense

A principal missão da nova composição do Copom é restaurar a confiança no RMI após quase meia década de descumprimento da meta de inflação

Há poucos dias, tomou posse o novo presidente do Banco Central do Brasil (BCB). O economista Gabriel Galípolo assume o lugar de Roberto Campos Neto em um momento bastante desafiador para a sequência do regime de metas de inflação (RMI). Isso porque a inflação brasileira vem performando acima do teto da meta desde a saída da pandemia em 2021 e, ao se concretizarem as estimativas mais recentes do Boletim Focus, o IPCA fechará em dezembro de 2025 em patamares superiores a 5%.

A dimensão do desafio pode ser notada quando o supracitado descolamento da inflação relativa à sua meta ocorre em meio a um dos mais agressivos ciclos monetários observados no país desde a implementação do RMI há 26 anos, em janeiro de 1999. Isso porque o mesmo Boletim Focus projeta Selic acima dos 15% no fim do ano. Esse patamar projetado não acontece há quase duas décadas. Nem nos momentos recentes mais críticos — como a saída da pandemia ou a debacle da Nova Matriz Macroeconômica em 2015, cujos efeitos inflacionários foram agravados por choques de oferta oriundos de um intenso período de estiagem —, a Selic chegou a 15%.

Os números do Orçamento de 2025 - Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

O ajuste fiscal precisa ser permanente e, do lado do mercado, espera-se maior boa vontade com aquilo que de positivo acontecer

Os dados do Siga Brasil, sistema do Senado que reproduz a execução orçamentária do governo, apontam um déficit primário (sem juros da dívida pública) de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) ou R$ 44,6 bilhões em 2024. É uma cifra bem melhor do que a obtida em 2023, quando o rombo fora de cerca de 1,6% do PIB, já descontados os precatórios pagos extraordinariamente a partir do comando do Supremo Tribunal Federal (STF).

A meta fiscal de 2024 foi cumprida. Apesar de o compromisso legal ser o resultado zero, há uma banda inferior de déficit de R$ 28,8 bilhões (ou 0,25% do PIB). Como os gastos realizados para o Rio Grande do Sul são abatidos do resultado oficial, o déficit para fins de verificação da meta terminou 2024 em algo como 0,13% do PIB.

Meta de variação do PIB, além da de inflação - Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

Meta inicial de 4% para crescimento sustentável do PIB levaria à discussão dos fatores que hoje conduzem a taxas menores

A inflação brasileira ultrapassou o teto da sua meta em 2024, com o Índic e Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice de preços que pauta a meta da política monetária, subindo 4,83% no ano. A meta é de 3% ao ano, mas com margem de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo, que considero alta. Ou seja, 4,5% é o limite superior que em 2024 foi ultrapassado pelos 4,83% citados.

Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Lula da Silva e que recentemente assumiu a presidência do Banco Central (BC), precisou escrever uma carta explicando o porquê dessa ultrapassagem indesejada. Citou o crescimento da atividade econômica, o dólar em alta e o clima, este prejudicando a oferta de alimentos. Por trás do crescimento da atividade econômica esteve também a política fiscal federal expansionista, que não mencionou explicitamente.

O poder digital - Merval Pereira

O Globo

Falta sensibilidade política à administração pública na divulgação de medidas burocráticas que podem afetar o dia a dia das pessoas

O governo tomou a decisão certa ao cancelar a resolução da Receita Federal sobre o Pix que resultou numa boataria desenfreada sobre a possibilidade de taxação dessa transação financeira que caiu no gosto popular. Isso quer dizer que a criação do Pix não deu votos a Bolsonaro na recente disputa presidencial, mas tirou de Lula, devido a uma mentira deliberada. Esse é um doloroso exemplo para o governo de que sua comunicação está falha, e numa área fundamental, que é a economia popular.

Falta sensibilidade política à administração pública na divulgação de medidas burocráticas que podem afetar o dia a dia das pessoas. Sobra malícia política à oposição para atacar os flancos abertos do governo. É evidente que a comunicação do governo era um setor falho, pois colocar num posto como a Secretaria de Comunicação, num momento em que a tecnologia avançou terrivelmente, um político que nunca fez esse tipo de trabalho foi uma demonstração de que o governo não dava importância para o cargo, para a força que tem hoje a comunicação, especialmente a digital.

O governo a reboque das redes sociais - Bruno Carazza

Valor Econômico

Recuo no caso da fiscalização das transações de pix gera dúvidas se agora a popularidade digital vai nortear a economia

A primeira polêmica econômica do ano é um indicativo de como pode ser a tônica do governo Lula na segunda metade de seu terceiro mandato: uma administração extremamente focada nas repercussões de suas ações nas redes sociais e, consequentemente, com uma alta tendência ao populismo.

A determinação de Lula para que se revogasse o ato normativo da Receita Federal sobre a fiscalização das transações realizadas por Pix, após as reações negativas nas redes e a onda de fake news que se formou, é mais um episódio de como a condução da política econômica parece estar a reboque dos objetivos políticos.

A regulamentação da Receita, em si, fazia todo o sentido econômico: apertava o cerco contra sonegadores, estendendo às operações via pagamentos instantâneos a mesma atenção dada a outras transações bancárias, imobiliárias, de moeda estrangeira, entre outras.

Pix e credibilidade - William Waack

O Estado de S. Paulo

Episódio que levou o governo federal a uma derrota é muito mais significativo do que a força de uma fake news

A derrota do governo na questão do monitoramento do Pix é grave não só pelo estrago causado por uma clara fake news. Mas, sim, pelo grau de desconfiança que ela revela no público em geral, especialmente em relação a autoridades e seu comportamento. O poder de fogo de uma fake news está associado a dois fatores. O primeiro é que seu conteúdo possa parecer verossímil. As pessoas acreditam num conteúdo falso pois consideram alto seu grau de plausibilidade.

O segundo é a ausência de referências – as instâncias tidas como guardiãs da veracidade objetiva dos fatos. Esse papel já foi representado por instituições (como a Receita Federal) ou mesmo a imprensa profissional.

O Pix e a revolta contra impostos - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Inimigos do governo exploram medos e a mudança econômica e ideológica contra o Estado

Inimigos e adversários do governo fizeram campanha contra a medida que permitiria à Receita Federal saber de transferências de valor superior a R$ 5.000 —apenas se ampliava o acesso do fisco a dados de movimentações de dinheiro. Venceram.

Por ora, a providência foi para a gaveta, outra derrota da "comunicação política" do governo, não importa a justeza da tentativa.

Alguns desafetos do governo cometeram crimes de informação, outros fizeram política mais ou menos baixa. Conseguiram disseminar o medo. O sucesso não se deve apenas à capacidade da direita e de desafetos do Estado de fazer política pelas redes sociais. Viu-se coisa assim na campanha contra o "imposto das blusinhas". Não são casos isolados.

Lula inicia 2025 tomando surra nas redes - Ranier Bragon

Folha de S. Paulo

Governo tentou aplicar a tática do avestruz ao tentar reduzir a crise do pix a uma mera onda de fake news

A segunda metade de Lula 3 não começou bem. Para quem no Palácio do Planalto vislumbrava um difícil fevereiro com o possível troco do Congresso à tentativa de revisão do modelo de emendas parlamentares, o caso do pix chegou para mostrar que a maré pode piorar.

O ano virou com as manchetes retratando as decisões de Flávio Dino sobre as emendas, o que em tese pode até ser bom para o Executivo ao lhe devolver a gerência de parte da bilionária verba.

O poder pelo poder - Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Trump se reforçará nas instituições que o eternizem no cargo, mesmo sem saber o que fazer com ele

Que cansaço. Em 2025, Donald Trump, às vésperas do segundo mandato, lembra o Jair Bolsonaro de 2019, que, por sua vez, era a versão jeca do Trump de 2017. Mesmas mentiras, mesmas ameaças, mesmas frases para espantar, mesmas bazófias para otários. Uma coisa é a campanha que engabela os pascácios, outra é transportá-la para a administração. Talvez seja esta a estratégia: enquanto os factoides são discutidos com indignação, as medidas realmente importantes de seu projeto político vão sendo tomadas sem serem percebidas.

O que virá com Donald Trump - Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

A volta ao governo do populista de extrema direita marca o início de um novo e longo ciclo político

Os professores estrangeiros contratados por Harvard receberam carta da administração sugerindo que, se tivessem passado os feriados de fim do ano no exterior, tratassem de voltar antes de 20 de janeiro. A influente universidade, considerada a melhor do mundo, teme as medidas anti-imigração prometidas por Donald Trump que, nessa data, assumirá a Casa Branca.

Nos Estados Unidos —e não só ali—, os especialistas especulam como será o segundo mandato que as urnas entregaram ao republicano. Em especial, o que se pergunta é se ele terá musculatura política suficiente para levar a cabo suas extremadas promessas de campanha depois de uma acachapante vitória eleitoral que lhe deu de uma só tacada a Presidência e o controle das duas Casas Legislativas.

O Destino da Conciliação - Vagner Gomes de Souza*

Fui instigado a escrever sobre os 40 anos da vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Aos leitores que agora estão se dando conta que a Ditadura Militar (1964 – 1985) não foi branda nem com aqueles que lhe faziam uma oposição pelas vias institucionais por conta do merecido sucesso do filme Ainda estou aqui, recomendo a leitura do breve artigo de Pablo Spinelli, “1974: a derrota vitoriosa”¹ para que se contextualize melhor um cenário que vai da abertura democrática até a Constituinte (1987/1988).

Muitas pessoas bem intencionadas ou desconhecedoras da história política brasileira assumem posturas que renegam a importância do centro político nas conquistas democráticas. Atribuem os atalhos como o melhor caminho, mas, em política, muitas das vezes seria a forma de abreviar a queda num precipício. O Brasil atravessava uma forte recessão econômica com taxas elevadas de inflação em 1983 (164,01%), 1984 (215,26%) e 1985 (242,23%). Essa era uma das heranças do autoritarismo brasileiro que nos permitiu modernizar com uma espiral de desigualdade social e a estabilidade econômica conciliada a um Estado de Bem Estar Social no arcabouço da Carta de 1988 é fruto dessa “engenharia política” conciliadora.

O trem já passou? - Alfredo Maciel da Silveira

Expressão popular, difundida em prosa e verso, “esse trem já passou” diz bem do que seja uma perda de oportunidade. Por ocasião do belo discurso de posse da Ministra Simone Tebet no Planejamento, escrevi um artigo esperançoso que trazia no título “Planejamento - o último trem para o Brasil”. Eu então parodiava título de livro do ex-Ministro do Planejamento Reis Velloso, numa de suas alegorias cinéfilas sobre a economia brasileira dos anos 70, “O último trem para Paris”.

Passados dois anos de Lula 3, enredados que estamos na economia e na política, um grande amigo economista me disse há pouco: “O trem já passou”...

Não discordo não.

Mas o mundo não para. As transformações globais estão à vista de todos. Gramsci, que viveu os horrores do Sec XX, já dizia em seu pensar dicotômico: “Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade”.

E por que não lembrar também da nordestinidade teimosa, persistente, cantada por Sérgio Ricardo na saga alegórica de Corisco?

 _ “Se entrega, Corisco!

_ Eu não me entrego não!

Não me entrego ao tenente

Não me entrego ao capitão

Eu me entrego só na morte

De parabelo na mão”

Vizinhança incômoda, parceiro indigesto - Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

A Amazônia tem sido uma das vítimas da descontinuidade das atividades dos Governos brasileiros na região Norte. É bom ficar atento. Na medida em que se trata de uma área declarada “patrimônio da humanidade” corre o risco de ter sua gestão considerada insatisfatória para proteção de um bioma tido como fundamental para o equilíbrio climático no Planeta. O ano de 2025 será marcado no espaço do meio ambiente pela realização da   30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, novembro, em Belém, no Pará. Pode surpreender.

Parceira do Brasil na região, a Venezuela parece não se incomodar com o problema. Seu presidente, Nícolas Maduro, age no sentido de agitar a fronteira Norte, empurrando populações para a área, reclamando territórios da Guiana, e até do Brasil, e posicionando tropas na divisas. Para completar aderiu à "Rota da Seda" dos chineses. 

Poesia | Amor em paz, de Vinicius de Moraes

 

Música | Portela 2025 - Homenagem Milton Nascimento

 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sem novo ensino médio, avanço do Enem seguirá fraco

O Globo

Governadores devem acompanhar implementação das mudanças para que tenham chance maior de sucesso

É boa notícia o aumento de 3 pontos na média do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 em relação ao ano anterior. Melhor ainda é a constatação de que as notas em todas as áreas foram superiores às registradas em 2019, antes da pandemia do novo coronavírus. Outro ponto positivo foi o aumento no número de participantes. No ano passado, mais de 4,3 milhões se inscreveram para fazer o Enem, e a presença foi de 73,5%. Em 2023, foram 3,99 milhões de inscritos, com presença de 71,9%. “É ótimo que a nota do Enem tenha aumentado mesmo com a ampliação do número de estudantes”, diz a presidente executiva da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz. “Muitos são jovens que não tinham no horizonte fazer o Enem ou entrar para uma universidade. Isso só reforça a importância do aumento da nota”.

A comunicação enquanto política - Vera Magalhães

O Globo

Governo precisa é de uma mudança mais ampla, que aumente sua base social para além dos convertidos 

De que forma o anúncio da guinada de política de moderação de conteúdo feita por um gigante como a Meta e a troca da guarda no comando da comunicação do governo Lula se conectam neste tenso início de ano, e o que a prevalência desses assuntos demonstra?

A resposta parece ser que, de qualquer ângulo que se olhe, as mudanças vertiginosas na comunicação e seu impacto imediato na vida de pessoas, sociedades e países são a grande moeda política e econômica dos tempos que vivemos.

A mudança feita por Lula na Secom parece até pueril diante do potencial de estrago causado pela demonstração, a partir do anúncio feito por Mark Zuckerberg, de que agora vale tudo para que as chamadas big techs se alinhem ao Zeitgeist da volta de Donald Trump ao poder, apesar de tudo o que perpetrou em seu primeiro mandato e depois que foi derrotado.

O verdadeiro desafio de Trump – Elio Gaspari

O Globo

Na segunda-feira Donald Trump assumirá pela segunda vez a Presidência dos Estados Unidos, na crista de uma espetacular vitória eleitoral. Desde novembro, no seu estilo teatral, ameaçou anexar o Canadá, ocupar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá. Tudo fumaça. Trump tem uma queda por fantasias. Ora assusta os americanos dizendo que os imigrantes comerão seus cachorrinhos, ora tenta assustar o mundo, insinuando que usará a força militar para respaldar seus delírios expansionistas.

Faz tempo, aconselhando Bill Clinton, o marqueteiro James Carville fulminou:

— É a economia, estúpido.

Trump assumirá uma semana depois de a China ter revelado que fechou 2024 com um superávit comercial de US$ 990 bilhões. Esse resultado surpreendeu o mundo.

As indústrias chinesas conseguiram uma coisa parecida com o desempenho dos Estados Unidos nos anos seguintes à Segunda Guerra, quando a Europa estava arruinada. Panamá? Groenlândia? Canadá? Imigrantes? Nada disso, é a China, bobão.

A ameaça de Trump à democracia dos EUA - Martin Wolf

Valor Econômico

Devemos esperar que o povo americano não abandone levianamente as tradições iluministas de seu país

A democracia dos Estados Unidos sobreviverá à segunda presidência de Donald Trump? Esta não é uma questão teórica. É evidente que Trump está seguindo um roteiro conhecido para transformar uma democracia liberal em uma não liberal. Este último, é um eufemismo para uma ditadura - um regime em que as decisões se baseiam na vontade de uma pessoa, amplamente livre de prestação de contas a qualquer outra.

Em “The Spirit of Democracy”, Larry Diamond, da Universidade Stanford, afirma que uma democracia liberal consiste em eleições livres e justas, proteção dos direitos civis e humanos de todos os cidadãos igualmente, e um Estado de Direito que une todos os cidadãos igualmente. Essas, então, são as “regras do jogo”. Mas a eficácia dessas regras depende de restrições sobre aqueles que controlam temporariamente o Estado. As restrições mais importantes são o Judiciário, os partidos políticos, as burocracias e a imprensa. A questão é se elas se manterão, primeiro enquanto Trump for presidente e depois no longo prazo.

Êxito – Roberto DaMatta

O Globo

Em ‘Ainda estou aqui’, agentes da ditadura absurdamente promovem insegurança e desarmonia um lar

Numa aldeia, todo mundo é famoso

(Erving Goffman)

É um desfecho venturoso de um ato ou obra. O êxito assegura a existência da felicidade e produz momento de gratidão pela existência.

— A vida presta — ponderou sabiamente uma exitosa Fernanda Torres.

As lágrimas do êxito vão para o céu e são o avesso dos pranto amargo das injustiças e dos infortúnios que obrigam a engoli-las.

Uma explosão de êxito foi o que vi no agradecimento de Fernanda Torres ao receber o Globo de Ouro de melhor atriz no filme “Ainda estou aqui” — um drama revelador de eventos morais e políticos marcados pela coragem e determinação de Eunice Paiva, uma mulher que teve a vida contada num livro comovente do filho, Marcelo Rubens Paiva, cujo talento como autor eu admiro.

A explosão exprime uma vitória patente e — como diria Nélson Rodrigues — insofismável da cinematografia do Brasil como uma arte fundamental de universalização de fábulas e estórias que constituem o coração e a alma da cultura do país. São essas articulações — com início, meio e fim — da ficção que traduzem para o outro, e para cada um de nós, a sociedade com seus dilemas e singularidades.

Começou a campanha para o Lula 4 - Nilson Teixeira

Valor Econômico

Ambiente exigirá a construção pelo governo de uma agenda com apelo não apenas para os eleitores de esquerda, mas também para aqueles que se associam ao centro e, no limite, à centro-direita

Políticos dificilmente se satisfazem com um único mandato, buscando quase sempre ampliar sua influência e alcançar cargos mais altos. Mesmo quando eleitos com o discurso de busca de apenas um exercício, a maioria dos ocupantes de cargos eletivos muda de ideia e termina por pleitear a reeleição. As justificativas são variadas, sendo a mais frequente o desejo de completar o trabalho ainda não concluído. O presidente Lula é um exemplo. A menos que haja contratempos de saúde, Lula buscará a reeleição, mesmo tendo sugerido que o seu terceiro mandato poderia ser o último.

Uma das razões da vitória de Lula sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022 foi a crença de que sua escolha afastaria o risco de instalação de um regime autoritário de direita. Apesar de possivelmente fazer parte da campanha de 2026, essa plataforma não parece capaz de ser o fio condutor da reeleição, mesmo com a alegação de que alguns membros do governo passado agiram de forma incompatível com o regime democrático.

O benefício para Lula de ser o candidato incumbente não parece mais tão determinante, dada a marcante divisão da sociedade entre esquerda, centro e direita a partir da eleição de Bolsonaro em 2018. O ex-presidente foi capaz de agregar politicamente a pauta conservadora, já disseminada com a proliferação de igrejas evangélicas. A campanha eleitoral no município de São Paulo em 2024 também comprovou que um candidato com perfil mais à direita tem um percentual elevado de eleitores, o que dificulta o sucesso de um postulante de esquerda, mesmo com Lula sendo o incumbente.

Entre ruídos, os sinais da equipe econômica - Fernando Exman

Valor Econômico

Equipe econômica quer deixar claro que cumprimento do arcabouço fiscal está sendo trabalhado

Têm sido frequentes, como de costume, os contatos de integrantes da equipe econômica e da cúpula do PT com agentes do mercado neste início de janeiro. Parte considerável do esforço deles nessas conversas é assegurar que decantem algumas mensagens sobre os rumos da política fiscal, em meio a um volume relevante de questionamentos sobre a solidez das contas públicas.

Nas entrelinhas, capta-se a preocupação de interlocutores do mercado com um eventual arroubo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outras palavras, que ele possa adotar medidas populistas para acelerar a atividade de uma economia já considerada sobreaquecida, se estiver insatisfeito com sua taxa de popularidade. O ano de 2025 é estratégico para a permanência do partido na Presidência.

Maduro expõe fissuras na esquerda - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Lula percebeu o quanto sua defesa de ditadores esquerdistas favorecia os seus adversários

Em algum momento do semestre passado, Lula percebeu o quanto sua constante defesa de ditadores de esquerda, seu negacionismo diante do desmonte acelerado de instituições democráticas liderado por aliados de esquerda e sua complacência com violações de direitos humanos em países "resistentes ao imperialismo" favoreciam seus adversários.

Adotou, então, uma postura mais cautelosa: distanciou-se de Daniel Ortega, evitou ungir Nicolás Maduro em sua autoproclamada vitória e até endossou a pressão internacional para que fossem apresentadas as atas eleitorais venezuelanas. Pelo que se conhece de Lula, esse esforço de autocontenção não deve ter sido fácil.

Importa se Lula é sincero sobre à Venezuela? - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Mesmo que distanciamento tenha motivação populista, nova posição é melhor que a anterior

Minha coluna desta segunda-feira (13), sobre o afastamento de Lula em relação a ditaduras de esquerda, dividiu os leitores. Parte deles acha que o presidente, movido pelo populismo, apenas finge distanciar-se de Maduro. Em seu íntimo, ele continuaria tão bolivariano quanto antes.

É decerto possível analisar motivações. Mas, neste caso, como veremos mais adiante, não penso que faça tanta diferença. Comecemos, porém, pelo começo. Um pensador que dava grande ênfase a motivações era Kant.

O Congresso e os R$ 80 milhões por dia - Ranier Bragon

Folha de S. Paulo

Congresso troca o comando no dia 1º, mas sem sinal de rever a fantástica fábrica de imprimir dinheiro

Em 1º de fevereiro o comando do Congresso será trocado e muito provavelmente Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) vão assumir as cadeiras de presidente da Câmara e do Senado, respectivamente.

Toda renovação pressupõe alguma esperança de mudança, mas sempre há exceções.

Motta deve ser o mais jovem presidente da Câmara da história —ele tem 35 anos—, mas já está em seu quarto mandato na Câmara e chega ao cargo pelas mãos de Arthur Lira (PP-AL), o atual ocupante do posto. Alcolumbre volta ao cargo que ocupou de 2019 a 2021 e após emplacar em seu lugar o hoje presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Há 40 anos Tancredo Neves vencia o regime de exceção - Aécio Neves

Folha de S. Paulo

Hoje, com o ódio e a violência dominando a política, é impossível não pensar em passagem da vida do estadista que se confundem com a história do país

Em um 15 de janeiro como este, há exatos 40 anos, encerrava-se o ciclo de 21 anos de ditadura militar com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral.

Ao lado de outros companheiros e de milhões de brasileiros, Tancredo venceu o regime de exceção usando as armas da democracia, cerzindo com sabedoria e paciência as oportunidades de avanço pelas frestas da ditadura imposta ao país.

"Acabou o ciclo autoritário; Tancredo é o 1º presidente civil e de oposição desde 64", foi a manchete da Folha no dia seguinte.

Nas ruas, a emoção explodia de todas as formas. O Brasil parecia acordar de um longo pesadelo e se reconciliava consigo mesmo. Trago ainda viva na minha memória a imagem de Cazuza no primeiro Rock in Rio cantando "Pro dia nascer feliz" com a bandeira do Brasil nas costas.

Missão de Sidônio é alavancar a liderança moral – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Essa foi a primeira troca da reforma ministerial que está sendo maturada no Palácio do Planalto. Lula depende de uma imagem positiva para não se tornar refém do Congresso

O publicitário Sidônio Palmeira, marqueiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto com a tarefa não apenas de gerenciar a imagem presidencial sem intermediários, mas, também, de alavancar a popularidade governo. Não será fácil. Mas, agora, o desafio está nas mãos de um profissional bem-sucedido do marketing político e não de um político profissional, o ex-ministro Paulo Pimenta, que volta à Câmara para exercer seu mandato de deputado federal.

Publicitário, Sidônio tomou posse, nesta terça-feira, em solenidade das mais concorridas do Palácio do Planalto, porém sem a presença expressiva da bancada do PT na Câmara, que perdeu uma posição importante no governo. A fala de despedida de Pimenta contrastou com o discurso de posse de Sidônio. Enquanto o ex-ministro fez um longo discurso falando de sua trajetória de "petista raiz" e aliado incondicional de Lula, Sidônio — como é chamado no meio publicitário — deixou claro que não tem filiação partidária e que vai cuidar de todo o governo, cujo "bom trabalho" não estaria sendo devidamente percebido pela população.

Eles continuam aqui - Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Militares ainda têm sintonia com aqueles que sequestraram Rubens Paiva. Mais ameaçador que isso, a maioria dos parlamentares não parece ter sintonia com os líderes que lutaram contra a ditadura

No evento para lembrar o 8 de janeiro, o presidente Lula disse "nós, democratas, ainda estamos aqui", mas depois de 40 anos de democracia, eles, os golpistas, também estão aqui: tanto militares que ameaçam de fora, quanto civis que enfraquecem a democracia por dentro. Apesar de nada ter a ver com os crimes do passado, a atual geração de militares ainda tem sintonia com aqueles que sequestraram Rubens Paiva. Mais ameaçador que isso, a maioria dos parlamentares não parece ter sintonia com os líderes que lutaram contra a ditadura desejando construir um futuro democrático para o país, os parlamentares de hoje apodrecem a democracia.

40 anos de redemocratização: A vida numa conversa - André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Tancredo Neves, depois de eleito, deu uma volta ao mundo para se mostrar como o novo presidente do Brasil. Parou em Washington. Conversei com ele longamente na Embaixada do Brasil

Quarenta anos passaram muito rapidamente e, neste período, o país mudou bastante. Na época, não havia internet nem telefone celular. Os jornalistas eram obrigados a conversar pessoalmente com suas fontes, frequentar almoços, jantares e, não raro, café da manhã para saber das novidades, que ocorriam com velocidade alucinante. O regime militar estava desmoronando, com inflação elevadíssima, o presidente João Figueiredo fora de combate, depois que operou o coração, e o poder estava nas mãos do chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu. O equilíbrio político era muito precário.

A política estava nas ruas desde 1984, quando a campanha em favor das eleições Diretas Já incendiou o país. A emenda do deputado Dante de Oliveira pretendia que as eleições para presidente da República fossem realizadas, de maneira direta, naquele ano. O Congresso não aprovou a medida. Mas a mobilização continuou em todo o país. A resposta do governo foi convocar o Colégio Eleitoral, que era constituído por membros do Congresso Nacional mais representantes dos estados. Foi a maneira imaginada para controlar a eleição. Não deu certo.

Poesia | Testamento do homem sensato, de Carlos Pena Filho

 

Música | Marisa Monte - Segue o seco