Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Renan: antissistema, ‘pero no mucho’, por Vera Magalhães
O Globo
Com retórica que se adequa ao palco,
candidato do Missão se diferencia de outros políticos do gênero ao investir em
eleger bancada de seu novo partido
Renan Santos não tem chance de ser presidente
da República. Mas seria um erro tomar sua candidatura apenas como
excentricidade de uma eleição novamente polarizada, desta vez entre Lula e
Flávio Bolsonaro. O candidato do Missão apareceu de verdade ao país nesta
semana, na entrevista à TV Globo, e se mostrou com figurino mais sóbrio do que
o usado no debate da Band. O tom mudou, mas o programa não.
Na Globo e na sabatina da CBN, do GLOBO e do Valor, Renan trocou parte da agressividade performática por explicações mais longas e um tom de quem pretende demonstrar preparo. Continuou, no entanto, a defender que a polícia “atire para matar”, a elogiar o regime de exceção de Nayib Bukele em El Salvador, a propor a sério ( !?) uma bomba atômica brasileira e a dizer que descumpriria decisões do Supremo que considerasse ilegais.
Bomba atômica, banho de sangue e regime de exceção: as ideias de Renan Santos, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Candidato, que já exaltava Bukele,
surpreendeu ao revelar admiração por Kim Jong-un
Na semana das entrevistas à TV Globo, Renan
Santos se destacou entre os candidatos que disputam o terceiro lugar na corrida
ao Planalto. O candidato do Missão pôs no bolso os rivais Romeu Zema e Ronaldo
Caiado. A constatação diz mais sobre o mau desempenho dos ex-governadores do que
sobre o pensamento vivo do líder do MBL.
Zema insistiu no papel de linha auxiliar do bolsonarismo. Defendeu anistia a golpistas, fim da vacinação obrigatória e presídios inspirados na ditadura de El Salvador. Tentou se vender como self-made man, mas omitiu o fato de ser herdeiro de um conglomerado familiar. Cobrado sobre a alta dos feminicídios em Minas Gerais, prometeu “uma série de programas contra as mulheres”. O ato falho foi o momento mais memorável da entrevista.
O mundo de ponta-cabeça, por Pablo Ortellado
O Globo
Professores e estudantes passam a endossar e
a celebrar a justiça popular
Na última terça-feira, um estudante foi espancado por colegas na UFRJ. Os agressores lincharam um rapaz que usava camiseta com simbologia associada ao nazismo. O vídeo da agressão, reproduzido pela imprensa, mostra o estudante caído no chão, chutado por dez colegas. O rapaz consegue então se levantar e escapar do prédio, mas é alcançado pela turba e agredido novamente na calçada. Por que esse linchamento violento e covarde num campus universitário não é amplamente condenado? Por que, ao contrário, é endossado e aplaudido?
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Sanções contra plataformas digitais merecem aplausos
Por O Globo
Enquanto Meta fecha acordo de US$ 17 bilhões
nos EUA, TikTok leva multa de R$ 154 milhões no Brasil
Foi acertada a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de multar a ByteDance, controladora do TikTok, por falhar na proteção de dados de crianças e adolescentes. O valor da multa — R$ 153,7 milhões, maior sanção aplicada a uma empresa do setor no Brasil — comprova a seriedade com que a agência começa a tratar o tema, num momento em que o cerco contra as plataformas digitais se fecha no mundo todo. Nos Estados Unidos, a Justiça anunciou ontem um acordo pelo qual a Meta (dona de Instagram, Facebook e WhatsApp) comprometeu-se a pagar US$ 17 bilhões e a realizar modificações na arquitetura de suas redes — como acabar com a rolagem infinita — para escapar de um processo, movido por 47 estados, em que era acusada de tê-las projetado com a intenção de viciar crianças e adolescentes. Se perdesse, o prejuízo poderia chegar a US$ 1,4 trilhão.
A direita envergonhada de Caiado e Zema, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Candidatos do PSD e do Novo recusam compromissos fiscais impopulares
A direita saiu do armário com a ascensão do
bolsonarismo e ganhou um eleitor pra chamar de seu. Oito anos depois, as
candidaturas dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo)
desfilam com um figurino envergonhado tamanha é a profusão de recuos e
titubeios do seu discurso. As sabatinas de que têm participado não poderiam
escancarar mais este movimento - do Orçamento à segurança pública.
Candidato mais bem posicionado para capturar a direita democrática, a despeito da obsessão pela anistia ao golpismo, Caiado se recusa a assumir a racionalidade fiscal que uma candidatura centrista requer. Nega mudanças nos pisos da educação e da saúde ou no ganho real da aposentadoria.
O perigoso mar de lama, por William Waack
O Estado de S. Paulo
A expressão mar de lama é antiga na política brasileira, mas voltou com força na atual campanha eleitoral. Nos anos 50, quando foi criada, servia para definir crises de corrupção sistêmica. Na acepção atual, descreve o ambiente no qual se movem candidatos à Presidência.
Cada um no eixo Lula-Bolsonaro acredita ter
mais sujeira para jogar no outro e, assim, obter decisiva vantagem eleitoral.
Mas as pesquisas qualitativas sugerem um outro fenômeno: quando confrontados
com esse tipo de mar de lama, eleitores tendem a ver todos como iguais.
Especialmente os “de centro”, que, assume-se, vão decidir o pleito.
Pode-se argumentar que as acusações de corrupção que chegam à antessala de Lula têm outro quilate do que as suspeitas envolvendo qual a destinação final do dinheiro que o candidato Flávio Bolsonaro pediu para um ex-banqueiro que comandava um esquema criminoso. Mas aqui não é este o ponto.
Quem comanda o Supremo? Por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
A troca de comando no Supremo Tribunal
Federal (STF) está prevista para setembro de 2027 – mas, na prática, a
transição já começou. Alexandre de Moraes, o próximo presidente, tem representado
a Corte em encontros com chefes do Executivo e do Legislativo, além de promover
reuniões com lideranças do Judiciário.
Moraes abriu a semana conduzindo uma audiência pública com presidentes de tribunais de todo o País para discutir combate ao crime organizado. Também chamou integrantes do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República (PGR), da OAB e de prefeituras. O ministro convocou as reuniões por ser relator de ações que contestam a Lei Antifacção. Edson Fachin, o presidente do STF, compareceu como convidado.
A insensatez da chantagem nuclear entre Putin e Zelensky na guerra da Ucrânia, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Moscou advertiu que não aceita uma Ucrânia
nuclear e ameaça promover ataques preventivos, o que pode transformar o
conflito regional numa crise mundial
A Guerra do Peloponeso começou em 431 a.C. como uma disputa pela hegemonia do
mundo grego e terminou, 27 anos depois, com a derrota de Atenas, o esgotamento
de Esparta e o enfraquecimento de praticamente todas as cidades-estados
envolvidas. Segundo Tucídides, o crescimento do poder ateniense e o medo que
isso despertou nos espartanos tornaram o confronto inevitável. A guerra
resultou de decisões equivocadas, alianças automáticas e cálculos errados.
Os governantes foram incapazes de interromper a escalada. A desastrosa
expedição ateniense à Sicília selou o destino da guerra. Apesar dos riscos, os
dirigentes de Atenas enviaram uma grande força militar para conquistar
Siracusa. Foi uma catástrofe: a frota foi destruída, milhares de soldados
morreram ou foram escravizados e Atenas perdeu a capacidade de sustentar sua
hegemonia. Entretanto, a vitória final de Esparta também foi efêmera. Décadas
depois, a Grécia, fragmentada e exaurida, acabou submetida à Macedônia de
Felipe II.
A ultradireita pôs a política exterior na urna, por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
Interferência externa é possibilidade
considerada e divide a opinião pública
Metade dos eleitores vê chance de países
estrangeiros se intrometerem na disputa
Uma enorme bandeira dos EUA, estendida na
horizontal, cobria parte do minguado público presente no comício de lançamento
da candidatura de Flávio
Bolsonaro, no ensolarado domingo (16), na praia de Copacabana.
Impossível adivinhar os motivos de quem teve a iniciativa.
Nas atuais circunstâncias, não deixa de parecer um gesto de júbilo pelas manifestações explícitas de apoio do governo Trump ao candidato da extrema direita —e, talvez, do desejo de que elas prossigam sob outras formas, mais diretas e continuadas.
A interferência da Casa Branca nas eleições presidenciais brasileiras é uma possibilidade real. O uso político das tarifas, a tentativa de enviar funcionários para verificar a integridade do sistema eletrônico de votação e a crescente crispação nas relações diplomáticas parecem anunciar a intenção de influir no resultado das urnas e de criar um clima favorável à sua contestação, caso o PT leve a melhor.
A piora das finanças de SP sob a gestão de Tarcísio, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Contas pioram, e os números oficiais do
próprio estado apontam para essa realidade
Candidatos vendem números a torto e a direito
sem o mesmo escrutínio que se faz dos resultados do governo federal
As contas do governo Tarcísio pioram, e os números
oficiais do próprio estado apontam para essa realidade.
O filme da evolução do desempenho das
finanças paulistas ao longo do mandato do governador mostra uma deterioração
gradativa que culminou com um déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões no ano
passado, o pior resultado desde 1995.
Para 2026, a projeção oficial aponta para um déficit de R$ 9 bilhões. Detalhe: o governador recebeu o estado com um superávit de R$ 11,1 bilhões em valores atualizados pela inflação.
Pelo fim das candidaturas policiais, por Thiago Amparo
Folha de S. Paulo
Sendo carreiras de Estado, policiais e
militares não cabem nas urnas
Candidatos são em sua maioria de partidos de
direita
Ao menos 1.229 candidaturas no pleito de 2026
possuem relação com as polícias, Civil ou Militar, ou com as Forças Armadas —6%
do total de mais de 20 mil candidatos. Os dados são de um levantamento da Agência Pública com base na Justiça
Eleitoral.
Embora tenha havido uma redução significativa em números absolutos das candidaturas de policiais e militares —37,4% em relação ao pleito de 2022—, o montante ainda é relativamente expressivo —queda proporcional de apenas 0,71% em comparação a quatro anos atrás— e os números continuam a preocupar pelo uso da farda e das instituições como alavanca eleitoral.
Renan Santos repete Enéas com ideia de bomba atômica, por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Candidato do Missão retoma posição de
presidenciável do Prona, que fazia campanha na década de 1990
Proposta insensata causaria terremoto de
reações, embora arma nuclear possa funcionar como dissuasão
A ideia de construir uma bomba nuclear no Brasil circulou durante a ditadura e alimentou um programa sigiloso. Em 1986, já no governo Sarney, a repórter Elvira Lobato revelou, na Folha, que a Aeronáutica havia construído na serra do Cachimbo, no Pará, um poço de 320 metros cujas características eram compatíveis com testes nucleares subterrâneos.
Casas Bahia e Habib's fazem país acordar para problema faz meia década no forno, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Dívida alta das famílias é problema pelo
menos desde 2021; juros pioraram situação
Número de pedidos de recuperação judicial já
era problema visível desde 2023
A recuperação extrajudicial de Casas Bahia e
Habib’s, marcas "pop", acabou por dar rosto para uma situação que
anda ruim faz tempo, não apenas por causa de juros e
dívidas. O enrosco, porém, não é bem compreendido ou é manipulado a depender do
gosto político do freguês.
Parece ficar mais forte a sensação de "crise no ar", de que o "Brasil vai mal". Até pessoas que deveriam estar mais informadas do problema não se deram conta de que o novo rolo começou faz meia década, tanto em empresas avariadas como na situação do crédito de firmas e famílias.
O passado não perdoa, por Merval Pereira
O Globo
Não há mais o favoritismo do presidente Lula,
e o representante do ex-presidente Jair Bolsonaro resiste, tudo devido aos
escândalos que cercam as duas candidaturas.
A campanha eleitoral mais desanimada dos últimos tempos segue seu ritmo sem que se possa antever o que sairá das urnas. Não há mais o favoritismo do presidente Lula, e o representante do ex-presidente Jair Bolsonaro resiste, tudo devido aos escândalos que cercam as duas candidaturas. A cada dia fica mais evidente que não existe uma terceira via com capacidade de competir com os dois favoritos. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, que era considerado a melhor alternativa, a cada aparição em debates ou entrevistas vai se tornando menor, revelando que os muitos anos de política o desgastaram mais que ao presidente Lula.
Tarcísio enrola Flávio em ‘relação tóxica’, por Julia Duailibi
O Globo
A campanha do governador de São Paulo empurra
com a barriga as agendas públicas com o presidenciável
Flávio Bolsonaro está num “relacionamento
tóxico” com Tarcísio de Freitas. O candidato a presidente pelo PL depende do
governador de São Paulo para ampliar sua margem de votos no maior colégio
eleitoral do país e compensar, pelo menos em parte, a liderança de Lula no
Nordeste. Tarcísio, no entanto, faz ghosting nas tentativas de encontros
públicos com Flávio. E faz de caso pensado.
As chances de Flávio na eleição presidencial passam por uma margem de votos favorável no Sudeste. Em 2022, Jair Bolsonaro levou quase 4 milhões de votos a mais que Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nos dois estados, no entanto, Bolsonaro filho está hoje empatado com Lula. Precisa de uma mãozinha local e, para isso, aposta no conservadorismo do interior paulista e na máquina que está nas mãos do governador. Os caminhos levam a Tarcísio. Mas, como se diz por aí, o governador faz a egípcia.
A batalha decisiva, por Malu Gaspar
O Globo
A guerra mais sangrenta e decisiva para o
resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes
sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal (STF),
onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações
produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória
numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do
tribunal.
À primeira vista, tudo se resume a uma disputa de poder. Se der Lula, a ala de que fazem parte Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes tende a emplacar aliados nas três vagas que se abrem até o fim do próximo mandato com as aposentadorias de ministros, mais a de Luís Roberto Barroso, que continua indefinida com a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado Federal. A vitória de Flávio Bolsonaro faria o Supremo pender à direita e empurraria o centro de gravidade na direção do ministro André Mendonça, que detém ao mesmo tempo a relatoria dos casos do Banco Master e do INSS.
Razões da deflação de agosto e o futuro próximo, por Míriam Leitão
O Globo
A deflação de agosto é uma boa notícia, mas pode não se repetir nos próximos meses. O fato é que não há sombra de descontrole inflacionário
A inflação deu ontem um refresco num país
premido por urgências e números preocupantes. O IPCA-15 registrou uma deflação
de 0,4%. Os preços caíram em quase todos os segmentos, inclusive o de
alimentação, com vários preços encolhendo, mas o mais importante para os
economistas é que a inflação de serviços está cedendo. Há uma razão específica
que ajudou a levar para a deflação: o bônus de Itaipu. Mesmo assim, o efeito
baixista foi geral.
O bônus de Itaipu é um recurso proveniente da sobra dos resultados da hidrelétrica binacional, dividido meio a meio entre o Brasil e o Paraguai. Aqui, ele se transforma num desconto na conta de luz. Não explica toda a deflação, mas em parte sim. Só que isso acontece uma vez e, no mês de setembro, a tendência é subir, exatamente pela comparação do preço de um mês com o do mês anterior.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Medir eficácia deve ser condição para incentivo tributário
Por O Globo
Governo não pode abrir mão de 7% do PIB em
impostos sem ter garantia de que não há desperdício de recursos
As isenções e os incentivos tributários somaram R$ 96 bilhões no primeiro trimestre. A previsão é o governo perder R$ 400 bilhões em arrecadação até dezembro, de acordo com dados da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi). Esse termômetro da Receita Federal leva em conta apenas os incentivos concedidos ao setor produtivo e mede os benefícios que as empresas dizem ter usufruído. O custo total é muito maior.
Perigos do “Triângulo das Bermudas” (SP, MG e RJ) desafiam campanhas de Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Os três estados concentram parcela decisiva do
eleitorado e podem engolir qualquer vantagem construída no restante do país. O
equilíbrio nacional está assentado em grandes assimetrias
“Um dia de cada vez”, máxima consagrada pelos Alcoólicos Anônimos, aplica-se
sob medida às campanhas dos dois candidatos que polarizam a eleição
presidencial: Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, e Flávio
Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sucessão de
fatos negativos produz oscilações nas pesquisas e obriga os marqueteiros das
duas campanhas a ter menos ansiedade com o futuro e mais atenção aos problemas
do presente, sobretudo àqueles aparentemente pequenos, mas capazes de assumir
grandes proporções.
Candidatos no olimpo, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Candidatos fogem de confronto e encerram
entrevistas ao ouvir questões incômodas
Flávio Bolsonaro estava à vontade. Escoltado
por Paulo Skaf, desfilou pelos salões da Fiesp como novo escolhido do
empresariado paulista. O senador esbanjou bom humor até se deparar com um grupo
de repórteres. Mudou de semblante ao ouvir uma pergunta sobre o caso “Dark
horse”, que revelou suas relações com Daniel Vorcaro.
“Gente, olha só... vocês vão parar no tempo?”, reagiu, sem disfarçar a irritação. “Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página desse cara. Hoje o governo Lula é que deve explicações. Vão cobrar explicações dele”, ordenou, antes que uma assessora encerrasse a entrevista.
Lula tenta mudar de assunto, por Vera Magalhães
O Globo
Os conselheiros da campanha petista sabem que
o presidente não tem muito de onde buscar votos na segunda etapa da corrida
O vento virou, e o favoritismo que vinha sendo atribuído a Lula desde o escândalo “Dark Horse” e os entreveros na família Bolsonaro se esvaiu diante das revelações das andanças de Lulinha por gabinetes estrelados de Brasília. Levado de volta ao incômodo tema da corrupção às vésperas do início da campanha na TV, e sem ter mais como se esquivar de debates e sabatinas como fez até aqui, o petista busca desesperadamente mudar de assunto. O irônico é ter de contar com o Congresso, que já está em ritmo de letargia eleitoral, para ter alguma boa notícia para apresentar ao eleitor.
Lula ignora sinais de uma economia doente, por Elio Gaspari
O Globo
Grandes empresas estão na chuva
Num espaço de duas semanas, a grande rede
varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão
em recuperação judicial ou extrajudicial. Querem repactuar suas dívidas com
bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto
em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente.
Antes delas, foi a vez da varejista Marabraz.
Noutro grupo, ficaram a Raízen, produtora de açúcar e distribuidora de
combustíveis, mais o grupo Pão de Açúcar. Em outros tempos, ele teve 800 lojas
e mostrava-se como modelo de expansão e vitalidade do empresariado brasileiro.
Até em Angola se meteu.
Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital. As Casas Bahia, como a Braskem, foram vítimas de encrencas com que conviveram, julgando-se onipotentes.
Eleição pode terminar no primeiro turno em 19 dos 27 Estados, por César Felício
Valor Econômico
Cenário de poucas disputas regionais pode
impactar eventual segundo turno entre Lula e Flávio
É grande a chance de as eleições para
governadores terminarem no primeiro turno na maioria dos Estados. Caso este
cenário se concretize, é um potencial complicador tanto para o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva quanto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um
eventual segundo turno.
Em uma vista panorâmica das últimas pesquisas e do mapa de alianças Estado por Estado, há 14 casos em que o desfecho no primeiro turno é altamente provável. Em seis deles, porque existe um franco favorito.
Incertezas geradas no campo da Justiça Eleitoral, por Fernando Exman
Valor Econômico
Há críticas ao ritmo da análise das regras
para o uso de inteligência artificial
Fundamental na construção e consolidação da
democracia, a Justiça Eleitoral pode ser levada a realizar uma autocrítica para
viabilizar aprimoramentos em normas e prazos que hoje geram incertezas entre
eleitores, partidos e candidatos. O Supremo Tribunal Federal (STF) precisará
ser sensibilizado. O Congresso pode ser chamado a aprimorar a legislação.
O que não deveria ocorrer, no entanto, é a repetição de alguns episódios que colocam o sistema como um fator de instabilidades.
Polêmica, Ferrogrão é prioridade para candidatos, por Lu Aiko Otta
Valor Econômico
Conflito entre a preservação ambiental e a expansão da fronteira agrícola remete ao debate sobre qual país o Brasil quer ser nos próximos anos
Quatro dos cinco principais candidatos à Presidência da República citam explicitamente a Ferrogrão como prioridade em seus programas de governo. Concebida por tradings do agronegócio, é uma linha de 933 km que ligará Mato Grosso aos portos do Norte do país, barateando o frete. É, porém, um projeto cercado por polêmicas que têm origem numa questão bem mais ampla: o avanço da fronteira agrícola sobre a Amazônia, que provoca resistência dos ambientalistas.
Caiado e os bons modos, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Único a mostrar no debate o respeito e a civilidade que a política exige em vez da estética de coach
Plutarco conta em sua Vida de Demóstenes que o orador grego atribuía uma importância capital à entonação e à atitude das pessoas que falam para persuadir. Certa vez, quando um homem que fora espancado pediu-lhe que o defendesse em juízo, Demóstenes disse: “Ora, não recebeste um só dos golpes de que falas!”. O homem, levantando a voz, gritou: “Eu, Demóstenes, não recebi os golpes?!”. “Agora, sim, ouço a voz de um homem maltratado”, respondeu.
Hannah Arendt viu na ratio et oratio de Cícero, o outro orador tratado por Plutarco no quinto livro de suas Vidas Paralelas, um último vestígio dessa antiga conexão entre a fala e o pensamento, “ausente de nossa noção de exprimir o pensamento por meio de palavras”.
A degradação do dólar, Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
Trump agrava a situação fiscal dos EUA a ponto de deflagrar uma crise nos mercados globais
Um número assombrou os investidores na semana passada: a dívida pública federal dos Estados Unidos acabou de ultrapassar a barreira dos US$ 40 trilhões. Esse deveria ser um problema só dos americanos, mas a repercussão de seus efeitos será sentida em todo o mundo, incluindo o Brasil. A má notícia é que o presidente Donald Trump está agravando a situação fiscal do país a ponto de deflagrar uma séria crise nos mercados globais.
Trump barbariza o Canadá, Brasil está na fila da agressão, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Além de termos relevância econômica menor,
EUA têm outros interesses por aqui
Ataques americanos devem continuar mesmo
depois do fim do governo Trump
O Canadá é o
destino de 14% do valor total das exportações americanas de bens, uns US$ 350
bilhões por ano. Fica apenas atrás do México, que compra US$ 380 bilhões
dos Estados
Unidos. Para começar, pois o assunto vai além disso, trata-se de muito
dinheiro. Mas Donald Trump e
cia. barbarizam o Canadá.
O Brasil é o destino de 2,3% do valor das exportações de bens americanas. Para começar, é pouco dinheiro, é impacto pequeno em quantidade e qualidade na cadeia de produção e na segurança econômica dos Estados Unidos. Além disso, grande parte do governo Trump, do establishment e megaempresas têm outros interesses no ataque ao Brasil.
Cargos de que não precisamos, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Suplente de senador é posição que passa quase
totalmente despercebida pelo eleitor
Isso dá margem a arranjos familiares ou para
recompensar doadores de campanha
Michelle
Bolsonaro designou o irmão para ocupar o posto de primeiro
suplente na chapa que ela encabeça para uma das vagas de senador pelo Distrito
Federal. Bia Kicis, que concorrerá à segunda vaga pelo mesmo PL da
ex-primeira-dama, pôs o filho. Helder Barbalho, que pretende tornar-se senador
pelo Pará, escolheu o pai, o eterno Jader Barbalho.
Arranjos familiares desse tipo são corriqueiros em eleições para o Senado. Também é comum ver financiadores de campanha galgados à posição de suplente. É um investimento que pode "se pagar", quando se considera que, na atual legislatura, 20 suplentes já chegaram a exercer, ainda que momentaneamente, o mandato. O suplente substitui o titular em caso de morte, afastamento, renúncia ou cassação.
Duas campanhas com as almas enfiadas na lama, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Quem é vidraça reclama das investigações, mas
celebra quando os vazamentos atingem o adversário
Na corda bamba sobre o lodo, Lula e Flávio
fogem da cobrança e fazem de conta que não é com eles
A autorização para que a Polícia
Federal tenha acesso aos
dados colhidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a
produtora do filme "Dark Horse"
provocou tremores de regozijo entre militantes indignados com notícias que
transpiram das investigações sobre tráfico de
influência envolvendo um filho, uma amiga lobista e o ex-chefe de gabinete do
presidente Luiz Inácio da Silva (PT).
Estaria aí pavimentado o terreno para uma paridade de vazamentos com potencial mútuo de constrangimentos. No caso do filme, a suposição é a de que, a partir da PF, comecem a ser conhecidas as informações que Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, mas não forneceu, sobre as andanças dos milhões de Daniel Vorcaro de um fundo no Texas (EUA) até o caixa da Go Up Entertainment —e dali sabe-se lá para onde.
Por que candidatos de direita buscam confronto no campus? Por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Denúncia, provocação, reação e vídeo compõem
um método político moldado pelas redes
A guerra cultural encontrou nos campi um
cenário ideal para gerar indignação e engajamento
Na quinta-feira, dia 20, o deputado
estadual Diego Castro,
do PL, entrou na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal
da Bahia com o kit básico desse tipo de ação política: seguranças, alguém
encarregado de filmar e um roteiro na cabeça.
Filmou, retirou adesivos eleitorais, fez discursos, encenou sua revolta diante da câmera e de estudantes que correram para o espetáculo. E, como se diz no futebol, "esperou o contato, o contato veio", na sequência prevista: berros, dedos na cara, empurrões, boletins de ocorrência, notas de repúdio, reportagens e vídeos para as redes. No dia seguinte, um influenciador que se apresenta como Heitor Bolsonaro voltou ao local, também com o celular ligado, à procura de adesivos, placas de banheiro e reação.












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