quinta-feira, 5 de junho de 2014

Plano de Aécio defende programas do PT

• Em estratégia para anular discurso de adversários, diretrizes elaboradas pela equipe do tucano preveem expansão do Pronatec e do ProUni

Julia Duailibi - O Estado de S. Paulo

O programa de governo do pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, fará a defesa dos principais projetos sociais das gestões dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, que tentará reeleição.

Documento elaborado por colaboradores de Aécio para a educação, que será lançado hoje à noite no Portal Social, site ligado ao PSDB e abastecido pelos integrantes da campanha, mostra que os tucanos defenderão a "expansão" e o "aprimoramento" de programas implementados pelo PT, como o Pronatec, criado em 2011, no governo Dilma, e o ProUni, criado em 2004, no governo Lula.

A inclusão de bandeiras petistas no programa de governo de Aécio segue a estratégia dos tucanos de tentar conquistar os eleitores com menor nível de renda e beneficiários dos programas sociais, que nas últimas eleições se alinharam ao PT.

Também é uma tentativa de se defender do discurso dos adversários segundo o qual a vitória do PSDB levaria ao término das conquistas sociais alcançadas nos governos petistas.

Lógica parecida já tem sido usada pelo pré-candidato do PSDB ao apresentar um projeto no Congresso que torna o Bolsa Família uma política de Estado e apoiar iniciativas parlamentares sobre o aumento do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda.

Nomes. Intitulado "Princípios Gerais para o Debate de Educação", o documento contém as 30 diretrizes que irão balizar o programa de Aécio, que está sendo coordenado por Antonio Anastasia, ex-governador de Minas e pré-candidato ao Senado pelo PSDB. A área social conta ainda com a participação da ex-deputada Rita Camata (PSDB-ES) e do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que atuam como coordenadores setoriais.

"Defendemos que ninguém deixe de cursar o ensino superior por falta de recursos. Os mecanismos de financiamento do ProUni e do Fies serão expandidos e aprimorados de modo que revertam em valorização e estímulo da qualidade das IES (Instituições de Ensino Superior) particulares", diz o documento numa referência ao fundo criado em 1999 pelo governo do tucano Fernando Henrique Cardoso e expandido por Dilma.

Ao abordar o ensino médio, o documento fala na melhoria do Pronatec, sem especificar pontos. "O aprimoramento do Pronatec e a maior articulação dos cursos profissionalizantes e técnicos com as cadeias produtivas locais e regionais. Uma escola pública que venha a auxiliar o jovem na transição escola-trabalho ou na transição ensino médio-universidade, a seu critério."

O PT vai usar na campanha a abrangência do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego), do ProUni (Universidade para Todos) e do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) como um dos motores da propagada - já tem falado deles em pronunciamentos públicos.

Segundo dados oficiais, em dois anos, o Pronatec propiciou mais de 6,8 milhões de matrículas em cursos técnicos e de qualificação profissional. Já o ProUni, desde a sua criação, concedeu bolsas, parciais ou integrais, a mais de 1,2 milhão de estudantes. Outro dado que será explorado é a ampliação do Fies, cujo número de empréstimos, segundo o governo, chegou a 1,1 milhão na gestão Dilma.

Para Campos, governo não fez política ‘mais limpa e decente’

• Pré-candidato do PSB diz que chegou a hora de julgar a gestão da presidente

Flávio Ilha – O Globo

PORTO ALEGRE- O pré-candidato do PSB à Presidência e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, acusou ontem a presidente Dilma Rousseff de não ter melhorado a qualidade da política brasileira e nem garantido uma gestão “limpa e decente” à
frente do governo.

— Foi ela que assumiu o compromisso de melhorar a qualidade da política. E foi ela que não conseguiu fazer. Lamento, sinceramente, que não tenha conseguido ter uma gestão mais própria, uma política mais limpa e mais decente, com gente comprometida com os princípios republicanos. Lamento, mas o fato é que não conseguiu e chegou a hora de julgar, feito um aluno em uma sala de aula.

Tem que ter a coragem de botar a nota dela — afirmou, em entrevista coletiva.

Na crítica à presidente, Campos se referiu também a supostos boatos de que irá acabar com o programa Bolsa Família se for eleito:

— Setores do governo ficam difundindo que esses programas serão extintos se (a presidente Dilma) não ganhar a eleição. É um terrorismo eleitoral que tem sido feito ao disseminar medo entre os beneficiários do programa.

Campos criticou também a polarização da disputa eleitoral entre Dilma e o pré-candidato do PSDB, Aécio Neves:

— A polarização já cansou o Brasil, estamos vendo a expressão disso em vários estados.

Para vencer a agenda do Brasil, é preciso superar a polarização imposta nesses 20 anos por duas forças que já nos governaram e deixaram de realizar muitas coisas.

Em Porto Alegre, Campos se encontrou com a cúpula do PMDB do Rio Grande do Sul, o que não estava previsto. O encontro teve representantes do PPS, do PSD e de siglas menores que o apoiarão no estado.

Temer garante a Dilma reedição da aliança

• Dissidentes do PMDB ainda acham possível implodir apoio à reeleição

Fernanda Krakovics – O Globo

BRASÍLIA- O vice-presidente Michel Temer acertou ontem a participação da presidente Dilma Rousseff na convenção nacional do PMDB, na próxima terça-feira, e assegurou a ela que terá mais de 70% dos votos para aprovar a reedição da aliança com o PT nas eleições deste ano.

Dissidentes peemedebistas moderados reconhecem, reservadamente, que hoje os governistas são maioria, mas contestam os números exibidos por Temer, afirmando que a votação será mais apertada. Os descontentes mais radicais, por sua vez, acreditam ainda ser possível implodir o apoio à reeleição e apostam nas traições propiciadas pela votação secreta.

Na convenção, a direção do PMDB apresentará proposta de programa de governo no qual defenderá a liberdade de imprensa, em contraposição à regulação dos meios de comunicação defendida pelo PT. Também devem constar do documento tópicos como a defesa do controle fiscal e do agronegócio.

Segundo aliados de Temer, devem votar majoritariamente contra o apoio à reeleição de Dilma os diretórios do Rio, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Acre e Piauí. Também há problemas no Mato Grosso do Sul, no Paraná e em Goiás.

O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), da ala que apoia o pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), afirma que pelo menos 60 dos 74 votos do Rio serão contra a aliança com o PT, o que corresponde a quase 10% da convenção.

— O governo (Dilma) não tem dado conta do recado. A economia vai mal. No voto secreto, a maioria possivelmente vai deliberar pelo rompimento — disse Picciani.

Da turma dos dissidentes, o ex-vice-presidente Corporativo da Caixa Econômica Geddel Vieira Lima se reuniu ontem com Temer. Apesar de estar disposto a fazer campanha na Bahia para Aécio, ele estaria prometendo votar a favor da aliança com o PT na convenção nacional. O mesmo deve acontecer com o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), que cobra, sem sucesso, o apoio do PT à sua candidatura ao governo do estado.

Queixas crescentes
Temer tem ligado para os descontentes pedindo apoio. O deputado Danilo Forte (PMDB-CE), um dos mais estridentes, reclama do tratamento recebido do governo:

— Passamos quatro anos assim.

Por que acreditar que agora vai ser diferente? Você não vai duas vezes a um restaurante onde a comida é ruim.

Em reunião da bancada do PMDB da Câmara, os dissidentes pediram ontem que o nome de Temer seja retirado da cédula de votação, para evitar constrangimentos. A pergunta atualmente é: Você é a favor da aliança com o PT com Michel Temer na chapa de vice?

Os peemedebistas contrários à reedição da aliança também cobraram, na reunião da bancada, o direito à palavra na convenção. Dos 37 deputados presentes, pelo menos oito fizeram discurso contra a reeleição de Dilma e apenas quatro defenderam. A bancada da Câmara é um foco de insatisfação com o Palácio do Planalto.

Um dos principais motivos de insatisfação no PMDB é com a falta de apoio do PT a seus candidatos a governador.

Outro é com o tamanho da participação no governo. Na reforma ministerial feita por Dilma neste ano eles tinham a expectativa de assumir o Ministério da Integração Nacional, o que não aconteceu.

Pesquisa aponta disputa de Pezão e Lindbergh pelo 3º lugar

• Garotinho e Crivella lideram empatados a corrida pelo governo

O Dia

RIO - Pesquisa do Instituto GPP aponta o ex-governador Anthony Garotinho (PR) e o senador Marcelo Crivella (PRB) empatados em primeiro lugar na corrida pelo Palácio da Guanabara. Encomendado pelo PMDB do Rio, o levantamento mostra o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e o senador Lindbergh Farias (PT) embolados na terceira posição na disputa pelo governo do Rio.

Pela pesquisa, realizada com dois mil eleitores, nos dias 31 de maio e 1º de junho, o ex-governador Garotinho lidera com 19,5% das intenções de voto contra 19% de Crivella. Pezão aparece na frente de Lindbergh com uma pequena vantagem: o peemedebista detém 11,7% da preferência do eleitorado fluminense, enquanto o petista aparece com 10,6% .

Em seguida, vem Cesar Maia (DEM) com 7,2%. Miro Teixeira, do Pros, aparece na última posição com 3%. Menos de 30% dos eleitores pretendem votar em branco ou anular o voto ou não sabem ainda em quem votar. Entre os quatro primeiros colocados na disputa pelo governo do Rio, Pezão aparece como o mais desconhecido do eleitorado fluminense, segundo a pesquisa do Instituto GPP. Garotinho é o mais conhecido do eleitor, mas também o que apresenta o maior índice de rejeição.

“Na medida em que o governador Pezão vai se tornando mais conhecido, melhora a sua intenção de voto. Entre todos os candidatos, ele ainda é o mais desconhecido e, por isso mesmo, o candidato com maior potencial de crescimento. Ele já deu um salto desde abril, quando assumiu o Governo. Não tenho dúvidas de que chegaremos na frente no segundo turno”, afirmou presidente do PMDB do Rio, Jorge Picciani, mentor do movimento ‘Aezão’, que será lançado hoje no Rio e prega o voto para presidente o senador Aécio Neves (PSDB) e em Pezão para governador.

A candidata à reeleição e presidenta Dilma Rousseff (PT) lidera a pesquisa do GPP no Estado do Rio de Janeiro, com 32,9%. O tucano Aécio Neves está com 16%. O ex-governador Eduardo Campos (PSB) tem 7,1% das intenções de voto, seguido de perto do pastor Everaldo (PSC), com 6,1%. O senador Randolfe Rodrigues, do Psol, tem 1,1% dos votos. Segundo a pesquisa do GPP, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) aparece em primeiro lugar na disputa por uma vaga no Senado, com 26,3% das intenções de voto. Depois, vêm os deputados Jandira Feghalli (PC do B), com 22,7%, e Romário (PSB), com 21,6%.

Exército nas ruas durante o Mundial

• Brasília, São Paulo, Rio, Cuiabá, Curitiba e Natal já aceitaram a proposta do governo federal de que militares atuem na segurança do evento. Anistia Internacional pede respeito ao direito de manifestação

Diego Abreu, André Shalders – Correio Braziliense

Mais da metade das 12 cidades sedes da Copa do Mundo contarão com o reforço de tropas militares durante o torneio internacional. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, enfatizou ontem que os governadores da maioria dos estados que receberão partidas aceitaram a oferta do governo federal de envio de um contingente adicional das Forças Armadas para auxiliar as polícias na segurança do evento.

Homens do Exército, no entanto, não atuarão diretamente nas manifestações, mas terão um papel "dissuasório" em relação a eventuais protestos, pois estarão espalhados por pontos estratégicos das cidades sedes. Já a Anistia Internacional preparou um relatório, que será entregue hoje no Palácio do Planalto, em que cobra o respeito à liberdade de expressão e de manifestação durante a Copa.

Cardozo alertou, em entrevista, que as pessoas têm liberdade para se manifestar, mas frisou que os abusos por parte de manifestantes que se aproveitam dos protestos "para praticar ilícitos" serão coibidos, assim como os excessos de autoridades que se excederem. "Estamos recebendo as respostas dos governadores. Até o momento, parece claro que a maioria dos governadores está aceitando, sim, a oferta de termos um contingente adicional das Forças Armadas auxiliando as polícias. São Paulo e Rio já aceitaram. Acredito que a grande maioria dos governadores deve aceitar", afirmou o ministro da Justiça.

O governo ofereceu o envio das tropas para todas as 12 cidades que sediarão jogos da Copa. O Correio apurou que seis governadores já aceitaram a oferta e os militares estarão nas ruas de Brasília, São Paulo, Rio, Cuiabá, Curitiba e Natal na semana que vem. Outros três estados ainda não deram resposta, mas tendem a aceitar o reforço militar: Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os governadores do Ceará, do Amazonas e de Minas Gerais já teriam dispensado o aumento do efetivo para a segurança. "Não estamos em condições de negar ajuda", destacou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. "É uma força complementar, e nós, obviamente, aceitamos. Não se nega esse tipo de apoio. Temos 15 delegações em São Paulo", destacou o secretário de Segurança de São Paulo, Fernando Grella.

Os militares armados ficarão em pontos específicos das cidades, mas não terão o papel de atuar na repressão a possíveis atos violentos praticados durante protestos. Tal papel é atribuição das polícias. As forças do Exército só serão acionadas em caso de manifestações que saírem do controle e, para isso, é necessário que haja uma autorização da presidente Dilma Rousseff.

Legislação
A fim de garantir os direitos de haver protestos durante a Copa, integrantes da Anistia Internacional estarão hoje em Brasília para cobrar dos poderes Executivo e Legislativo o respeito às leis. Com o lema "Eles usam uma estratégia de medo: proteção do direito ao protesto no Brasil", o relatório que será entregue pela entidade reúne 90 mil assinaturas contrárias à aprovação de leis que coíbem protestos. O grupo pediu uma audiência com a presidente Dilma Rousseff, mas não será atendido hoje. A ideia é protocolar o documento, de 24 páginas, na Secretaria-Geral da Presidência. O relatório reúne exemplos de abusos cometidos pelas polícias, em manifestações recentes, e recomendações sobre o uso das forças de segurança.

A assessora de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, Renata Neder, diz que as 90 mil assinaturas coletadas pela internet serão entregues de forma simbólica, depois de ato previsto para a manhã de hoje em frente ao Congresso. "Queremos prevenir eventuais abusos da polícia durante a Copa do Mundo. Já estávamos com material impresso pronto para entregar, mas fomos surpreendidos pela negativa do governo federal em nos receber. De qualquer forma, vamos fazer o ato e protocolar o relatório na Secretaria-Geral da Presidência e no Senado", disse Renata. "O principal objetivo é evitar que eventuais abusos ocorram durante os protestos e também impedir que nova legislação que restrinja a liberdade de expressão e manifestação seja aprovada", acrescentou.

Em outra frente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu um "cartão vermelho" para o que classificou de "inversão de prioridades" em relação ao uso de recursos públicos na Copa do Mundo. A entidade imprimiu folhetos que serão distribuídos em três línguas e trarão oito itens que causam "a preocupação das igrejas". Um deles é a exclusão de milhões de cidadãos ao direito à informação e à participação nos processos decisórios sobre as obras da Copa. A CNBB critica ainda a delegação de responsabilidades públicas a corporações privadas que "se apropriam do esporte".

Dilma e Gabrielli tiveram 3 reuniões antes de Pasadena

• Encontros ocorreram entre entrada da refinaria no foco da Petrobrás e decisão pela compra; Secom diz que razões de audiências foram outras

Rafael Moraes Moura e Andreza Matais - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - À frente da Casa Civil, a então ministra Dilma Rousseff se reuniu a portas fechadas pelo menos três vezes com o então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, após a refinaria de Pasadena entrar no foco da estatal, em março de 2005, e antes de a compra de 50% da unidade dos EUA ser aprovada, em fevereiro de 2006.

Dilma era a presidente do conselho da estatal e comandou a reunião de 3 de fevereiro de 2006 em que o negócio foi aprovado. Menos de 20 dias após o aval do conselho, Dilma se reuniu de novo com Gabrielli, conforme agenda da Casa Civil, obtida via Lei de Acesso à Informação. Trata-se, portanto, de encontros que não estavam disponíveis na internet. Houve, porém, vários outros encontros públicos, para discussões específicas ou anúncios de negócios da estatal, como o da foto desta página.

Em março, após o Estado revelar sua posição favorável ao negócio que custou U$ 1,2 bilhão aos cofres públicos, a presidente afirmou, em nota ao jornal, que autorizou a compra com base num relatório "técnica e juridicamente falho" elaborado pela diretoria internacional da empresa. As cláusulas do contrato obrigaram a estatal brasileira a ficar com 100% da refinaria após longo litígio com a sócia belga Astra Oil. A Petrobrás admite prejuízos de cerca de US$ 500 milhões na compra da refinaria de Pasadena.

Investigações. O Congresso já instaurou duas CPIs para investigar o negócio, além de outras suspeitas relacionadas à estatal, em especial aos negócios envolvendo o ex-diretor de Abastecimento da companhia petrolífera Paulo Roberto Costa.

O Tribunal de Contas da União (TCU) também apura a compra da refinaria. O Ministério Público no TCU recomenda que a presidente Dilma e os demais membros do conselho sejam responsabilizados.

De junho de 2005 a março de 2010, época em que chefiou a Casa Civil, Dilma manteve pelo menos 24 audiências no Palácio do Planalto com Gabrielli - o recorde ocorreu no ano de 2007, quando também foi verificado o maior número de reuniões (cinco) com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Gabrielli para tratar da empresa.

As audiências com Gabrielli, um interlocutor frequente da então ministra, geralmente ocorreram antes das reuniões do Conselho de Administração da Petrobrás, das quais Dilma chegou a participar até por teleconferência (como em 10 de novembro de 2006) e videoconferência (30 de julho de 2009). No dia 10 de agosto de 2005, a agenda da Casa Civil registra uma "reunião interna" para tratar da Petrobrás, mas não detalha os participantes nem o assunto.

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) informou que, durante as reuniões com Gabrielli, Dilma tratou de "questões referentes à cadeia produtiva de petróleo", como a reconstrução da indústria naval, a exigência de conteúdo local no fornecimento de plataformas, sondas e demais equipamentos, a retomada da produção de fertilizantes, a ampliação do fornecimento de asfalto e o monitoramento e execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A Secom não informou à reportagem se Dilma tratou com Gabrielli especificamente da compra de Pasadena antes de o conselho da Petrobrás chancelar o negócio. Tampouco respondeu se Lula foi consultado antes da aprovação da transação.

"No tocante à refinaria de Pasadena, esclarece-se que os posicionamentos da então ministra-chefe da Casa Civil foram feitos no Conselho de Administração da Petrobrás e estão registrados nas atas do referido conselho", informou a Secom.

Gabrielli, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Planejamento da Bahia, limitou-se a informar, via assessoria, que as reuniões "foram sobre assuntos gerais da cadeia de gás e petróleo na qual a empresa tem um papel de destaque".

Abastecimento. Segundo a agenda da Casa Civil, houve apenas uma audiência de Dilma com o então diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, realizada no dia 5 de setembro de 2007. Interrompida pelo lançamento de um programa voltado para a juventude, a audiência foi retomada no mesmo dia, após solenidade no Museu da República.

Costa é investigado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, deflagrada em março para apurar suposto esquema de desvio de recursos e lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef. A dupla teria desviado recursos de contratos da Petrobrás com fornecedores.

De acordo com a Secom, o encontro de Dilma com Costa em 2007 foi para tratar do abastecimento e distribuição de biodiesel. A então presidente da Petrobrás Distribuidora, Maria das Graças Foster, também teria participado da audiência.

Para decolar 3ª via, ex-governador vai ao ataque

• Campos rompe pacto de não agressão com Aécio e aumenta tom de críticas ao governo da ex-aliada Dilma

Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

PORTO ALEGRE - Enquanto PT e PSDB já projetam uma polarização entre seus futuros candidatos na eleição presidencial deste ano, o presidenciável do PSB, Eduardo Campos, adotou uma estratégia mais agressiva para tentar ganhar visibilidade.

O primeiro ato de Campos foi romper o pacto de não agressão com o pré-candidato tucano Aécio Neves e tentar se diferenciar da pauta do senador mineiro. O distanciamento entre os dois nas pesquisas de intenção de voto determinou uma reorientação nos rumos da pré-campanha do ex-governador pernambucano - que entrou na disputa presidencial disposto a se apresentar como uma terceira via.

Nos últimos dias, Campos também intensificou a bateria de críticas à presidente Dilma Rousseff e ao governo da petista. Ontem, em Porto Alegre, ele acusou o governo de fazer "chantagem política" com o programa Bolsa Família.

Campos voltou a dizer que "setores da base de sustentação da presidente" fazem "terrorismo eleitoral" e estão disseminando o medo entre os beneficiários do principal programa social do governo federal.

"Tenho dito e reiterado que esse programa (Bolsa Família) não pode servir de base para a chantagem política que há em curso no Brasil", afirmou. "Nos Estados em que o Bolsa Família é mais expressivo, setores da base de sustentação da presidente ficam boatando, difundindo nos sindicatos, na porta dos bancos em dias de pagamento, que os programas serão extintos se ela (Dilma) não ganhar."

O pré-candidato do PSB reiterou que vai manter e ampliar o Bolsa Família e complementar o programa com políticas para creches, educação, moradia e saneamento. "Acima do Bolsa Família as pessoas querem cidadania", disse. Segundo ele, os programas sociais estão na história do PSB.

Campos também repetiu que vai avaliar o desempenho do programa Mais Médicos, outra vitrine do governo federal, mas admitiu que tem ouvido das comunidades que elas querem a permanência dos profissionais estrangeiros. "Temos que deixar os médicos lá, respeitar leis trabalhistas e formar médicos brasileiros para em dez anos não precisarmos mais passar por essa situação."

Julgamento. Questionado sobre o fato de centralizar suas críticas que faz em Dilma Rousseff, sem incluir nelas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Campos lembrou que a discussão é da sucessão da atual chefe do Executivo e não dos anteriores. "Chegou a hora de a gente julgar ela", propôs, para comparar a presidente a um estudante que não se preparou para a prova. "Você tem que ter coragem de dar a nota (baixa) a ele (o estudante), para o bem dele, para que talvez ele entenda que, repetindo aquela matéria, pode aprender."

Conforme Campos, foi Dilma que "assumiu o compromisso de melhorar a qualidade da política e não conseguiu fazer". "Lamento profundamente que não tenha conseguido entregar aquilo que se comprometeu a fazer, uma gestão mais própria, política limpa e mais decente, com gente comprometida com os princípios republicanos", afirmou.

'Engano'. Para o secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, um dos mais próximos aliados de Campos, a tese ventilada por tucanos e petistas é "um tremendo engano". Na avaliação do dirigente, a hipótese de uma terceira via eleitoral na disputa presidencial ganhará força quando a campanha começar oficialmente. "Não estamos disputando o terceiro lugar. As diferenças em relação a Dilma e a Aécio se tornarão visíveis quando a campanha começar." / Colaborou Pedro Venceslau.

Oposição tenta enfraquecer união de Dilma com PMDB

• Aécio e Campos exploram divisões no partido e buscam apoio nos Estados

• No dia 10, a maior legenda da coalizão governista decide se permanece ou não na aliança com a petista

Natuza Nery, Marina Dias, Italo Nogueira e Felipe Bächtold – Folha de S. Paulo

BRASÍLIA, SÃO PAULO, RIO, PORTO ALEGRE - Interessados em implodir a estratégica união do PMDB com Dilma Rousseff, os presidenciáveis oposicionistas Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) iniciaram nas últimas semanas uma silenciosa ofensiva para levar o partido a derrotar a aliança com a presidente da República.

Em 10 de junho, a maior legenda da coalizão governista vai decidir se aprova a permanência na chapa pela reeleição da petista e a continuidade de Michel Temer na vice.
Nos bastidores, adversários de Dilma passaram a estimular traições e aprofundar dissidências no território peemedebista. Mais do que conquistar aprovação às suas próprias candidaturas, Campos e Aécio querem minar um casamento político, vital à hegemonia de Dilma no tempo de TV da propaganda eleitoral.

Segundo a Folha apurou, Aécio atacou dois dos três Estados com maior peso na convenção, Rio e Minas, obtendo promessa de levar a maioria dos votos contra a aliança com Dilma no dia 10.

Campos investiu sobre o Ceará e buscou alimentar rachas em redutos onde a convivência entre PT e PMDB já é problemática, aproveitando-se dessa fragilidade.

Em boa parte das apostas sobre o resultado da votação, Dilma é apontada como vitoriosa, apesar dos altos riscos de traição --o voto é secreto e o PMDB é conhecido por seu alto grau de infidelidade.

Mesmo com a insatisfação geral no PMDB em relação ao tratamento dado pela presidente da República nos últimos anos, Michel Temer ainda é tratado como garantia de manutenção da aliança.

Presidente da sigla por muitos anos, sua influência caiu desde que assumiu a cadeira de vice no Planalto, mas não a ponto de uma derrota ser dada como certa. Por outro lado, ninguém é capaz de descartar com absoluta certeza a hipótese de um revés, nem mesmo no governo.

Revés
Eduardo Campos conversou longamente com o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), pré-candidato ao goverdo Ceará e incomodado com a falta de apoio de Dilma Rousseff à sua campanha. No Estado, a presidente está com os irmãos Gomes, Cid e Ciro, ambos oponentes de Eunício.

No diálogo, o presidenciável fez uma análise pessimista sobre a situação da economia e se declarou convicto de que irá para um eventual segundo turno. Para contar com os votos dos rebeldes cearenses no encontro do PMDB, pediu apenas o chamado "palanque aberto".

Ou seja: Eunício poderia receber para eventos eleitorais tanto Aécio quanto Campos. O movimento, porém, não foi combinado entre os dois oposicionistas, embora a operação para atrair dissidentes sirva a ambos.

'Velha política'
Em suas falas públicas, Campos tem se apresentado como um crítico da "velha política", citando nominalmente caciques do PMDB como expoentes do fisiologismo.

Ele chegou a prometer mandar o senador José Sarney (PMDB-AP) "para casa". Não há relatos de que Campos tenha procurado nenhum daqueles que tem criticado.

Nesta quarta (4), em Porto Alegre (RS), onde apoiará o peemedebista José Ivo Sartori na disputa para o governo, Campos elogiou o passado do PMDB ao justificar o acordo com o partido em palanques regionais. Disse que o apoio ao PSB de figuras como Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) estimula os peemedebistas a "reencontrarem" a sua linha histórica.

"A unidade do PMDB daqui está animando o PMDB autêntico do Brasil afora. O PMDB do Rio Grande do Sul e o de Pernambuco sempre foram referência", disse.

Ele citou ainda Mato Grosso do Sul, onde vai se aliar ao peemedebista Nelson Trad.

Já Aécio Neves está se movimentando no Estado com maior números de votos da convenção, o Rio de Janeiro. A operação surtiu efeito. Nesta quinta-feira (5), o PMDB realiza encontro para defender a chapa "Aezão", uma combinação do nome do tucano com o do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Apesar de declararem apoio a Dilma, Pezão e o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) não tentaram evitar o encontro. A rebelião começou após o PT decidir lançar a candidatura do senador do partido Lindbergh Farias.

Anistia lança campanha pelo direito à manifestação durante a Copa

• Organização vai protocolar nesta quinta no Palácio do Planalto e no Congresso, um abaixo-assinado

Demétrio Weber – O Globo

BRASÍLIA - A Anistia Internacional vai protocolar nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto e no Congresso, um abaixo-assinado em defesa do direito de manifestação pacífica durante a Copa, cobrando das autoridades brasileiras que as polícias não façam uso indevido da força durante os protestos. Com o slogan "Dê a eles o cartão amarelo", a campanha foi lançada em 8 de maio e já coletou mais de 91,5 mil assinaturas pela internet. O próximo passo será levar o documento aos respectivos governos estaduais nas 12 cidades-sede da Copa.

"Todas as pessoas têm o direito de protestar de maneira pacífica – exercer seu direito humano a liberdade de expressão e manifestação pacífica – e o governo brasileiro tem a obrigação de garantir que possam exercê-lo. Por isso estamos dando o cartão amarelo ao governo brasileiro!", diz o texto da petição pública na internet (www.cartaoamarelo.net).

O diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil, Atila Roque, enfatiza que a campanha não é contra o governo brasileiro nem contra a Copa. Segundo ele, a entidade quer assegurar o direito a manifestações pacíficas, já que condena qualquer ato de violência.

- Sabemos que democracia é um aprendizado constante e o Brasil precisa, portanto, saber lidar com o dissenso, não importa em que circunstância. Embora a Copa seja um momento de muito visibilidade, não se deve abrir exceção em relação aos direitos das pessoas.

Uma das reivindicações é a definição de protocolos para orientar a atuação das Polícias Militares, com regras claras para uso progressivo da força e regulamentação do uso das chamadas armas não-letais, como balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Para a Anistia Internacional, porém, essas armas são "menos letais", na medida em que seu uso abusivo pode provocar mortes.

A Anistia Internacional produziu um relatório com fotos de manifestações que foram alvo de forte repressão policial, no ano passado. O título é: "'Eles usam uma estratégia de medo' - Proteção do direito ao protesto no Brasil."

O texto cita o caso do fotógrafo Sérgio Andrade da Silva, que ficou cego de um olho ao ser atingido por bala de borracha, numa manifestação em São Paulo, em 13 de junho de 2013. Na mesma data, a repórter Giuliana Vallone também foi ferida no olho por uma bala de borracha disparada por policial militar, num momento em que não havia confronto com a polícia. Os dois estavam trabalhando quando foram atacados. Ela, no entanto, não perdeu a visão.

A Anistia alerta para o despreparo das polícias brasileiras ao lidar com manifestações: "Centenas de manifestantes saíram feridos das manifestações que ocorreram no Rio de Janeiro e em São Paulo desde junho de 2013, em geral pelas mãos da Polícia Militar. A falta de treinamento para o policiamento de protestos e a ausência de regulamentação específica para o uso das chamadas armas menos letais contribuíram para o uso excessivo da força pelas polícias em diversas manifestações", diz o texto.

Segundo o relatório, outro problema é o uso de legislação inadequada para punir manifestantes, além de movimentos no Congresso para aprovar leis mais duras. A Anistia informa que há um único condenado pelos protestos até o momento, o morador de rua Rafael Braga, no Rio: "(...) o morador de rua da cidade do Rio de Janeiro cumpre pena de cinco anos em Bangu 2. Ele foi acusado de portar materiais para fazer explosivos, apesar do relatório da perícia ter afirmado que os líquidos que ele carregava quando foi preso não serviriam para este fim."

O diretor-executivo observa que a violência ocorrida em manifestações no ano passado, seja por parte de policiais ou de manifestantes, acabou afastando a população das ruas em 2014:

- O sentimento geral de repúdio à violência, tanto da polícia quanto de alguns manifestantes, é o que a população expressou ao se afastar das ruas.

Atila diz que as assinaturas serão protocoladas hoje de forma simbólica, uma vez que as adesões se deram pela internet, com origem em 108 países, e não há um documento impresso com os nomes de todos os apoiadores. Ele conta que a entidade pediu audiência com a presidente Dilma Rousseff ou com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, mas ambas solicitações foram recusadas. No caso do pedido de encontro feito ao presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a entidade não tinha sequer recebido resposta até ontem à tarde.

- É frustrante, a gente lamenta. Vamos ao protocolo - disse Atila.

Jarbas de Holanda: O duplo objetivo do PT: reeleição de Dilma e preparo da guerra contra outro governo

Regulação da mídia. Na verdade, mecanismos institucionais para controle da imprensa, esta qualificada pelo próprio Lula como “partido de oposição”. Tema já definido como relevante para os candidatos do partido nos pleitos estaduais, bem como para a campanha reeleitoral da presidente, mas neste caso sofrendo restrições da direção do PMDB. E a criação de “conselhos populares” por decreto de Dilma Rousseff, cujo texto institui um “Sistema de Participação Social” em que tais conselhos cumprirão o papel de representar os “setores organizados” nas decisões do governo federal. Na verdade, um passo político-institucional para progressiva troca da democracia representativa, consagrada na Constituição, pela “democracia direta e plebiscitária da receita bolivariana”. Passo articulado com a desenvoltura do secretário geral da presidência, Gilberto Carvalho, na negociação pessoal com grupos responsáveis por atos ilegais e violentos, como os praticados recentemente por por índios em Brasília e ações de invasões de terra desdobradas em paralisações sucessivas de artérias vitais nas grandes cidades.

Tais iniciativas – da que alveja a liberdade de imprensa às que ameaçam a institucionalidade democrática – têm em vista, imediatamente, favorecer a campanha reeleitoral de Dilma e a preservação ou aumento do peso do PT nos estados e no Congresso Nacional. A primeira, de resultados incertos em face da avaliação predominantemente negativa do governo pelo conjunto da sociedade e, adicionalmente, pela persistência dos partidários do “volta Lula”, que pode reemergir no caso de tropeços da candidata em pesquisas à frente. E as campanhas próprias dos petistas afetadas pelo grande desgaste do partido nas camadas médias e mais bem informadas da população. Problemas, uns e outros, que, induzem o pragmático Lula e os marqueteiros instalados no Palácio do Planalto a optarem por uma radicalização das campanhas em torno do apelo “pobres contra ricos”, da denúncia de que uma vitória da oposição implicará o desmonte das políticas sociais, em particular do “bolsa família”, e da adoção das bandeiras esquerdistas de regulação da mídia e da “democracia direta”.

Mas essa radicalização serve também a outro objetivo já definido e esquematizado pelo lulopetismo, além dos de manutenção do governo central e de conquista de hegemonia partidária no próximo Congresso. Trata-se do preparo de agressiva oposição ao Executivo para a alternativa de derrota na disputa maior em 26 de outubro. A “virada” oposicionista articularia, ou articulará, uma atuação radical das bancadas legislativas com ruidosos protestos de rua da CUT, do MST e de novos movimentos como os dos sem teto, contra toda e qualquer medida político-administrativa de enfrentamento dos graves problemas e distorções macro e micro-econômicas, que serão legados pelo governo Dilma, e igualmente de bloqueio a qualquer proposta de reforma estrutural. Protestos que terão a forma de uma “verdadeira guerra social”, como foi antecipado dias atrás em Porto Alegre pelo líder do MST, João Pedro Stédile. Num contexto em que as entidades promotoras seriam integrantes dos “conselhos populares” que estão sendo criados, em parte já com a perspectiva de tal “virada”, para um retorno de Lula na sucessão de 2018.

Perspectiva que poderá não resistir a um possível malogro da reeleição de Dilma, combinado com a perda pelo PT, já configurada como provável, de dois governos estaduais importantes, os do Rio Grande do Sul e da Bahia. E que distanciaria o partido de um desejável recomeço – pós-mensalão e da prática de abusivo e sufocante aparelhamento do Estado – que lhe propiciaria o exercício de um papel de oposição institucional combativa e forte, correspondente ao seu peso político, necessário à consolidação e ao desenvolvimento do pluralismo democrático brasileiro.

Jarbas de Holanda é jornalista

Merval Pereira: Não sabe

- O Globo

Ao ser perguntada por jornalistas estrangeiros recentemente por que o país cresce tão pouco em seu governo, a presidente Dilma deu uma resposta espantosa, mas coerente com a atual situação: “Não sei”. É preocupante que ela não saiba, mas a resposta confirma a impressão generalizada de que temos à frente do governo uma pessoa incapaz de dar resposta à crise em que o país está instalado.

O governo da presidente Dilma, com a previsão de que o crescimento do PIB este ano será em torno de 1%, terá o pior desempenho econômico da história republicana, com exceção de dois que tiveram crescimento negativo. O professor Reinaldo Gonçalves, da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez um ranking dos governos brasileiros com base apenas na avaliação econômica desde Deodoro da Fonseca.

Ele classifica os que tiveram crescimento do PIB abaixo de 2,3% como os piores: além dos governos com queda do PIB durante os mandatos, Collor (- 1,3%) e Floriano Peixoto (-7,5%), compõem a lista Venceslau Brás (2,1%) e Dilma Rousseff (2,0%), isso quando a previsão de crescimento era de 2,1%-2,2% em 2013-14.

Em termos de comparação, governos "medíocres" foram aqueles que tiveram crescimento do PIB entre 2,3% (Fernando Henrique) e 3,1% (Campos Salles). Entre eles estão Afonso Pena (2,5%) e João Figueiredo (2,4%). A taxa média anual de crescimento do PIB brasileiro é de 4,5% no período republicano, a taxa de crescimento médio anual do PIB mundial é 3,5%.

Para o governo Dilma chegar à classe “medíocre”, seria necessário que as taxas de crescimento médio anual do PIB fossem maiores do que 2,8% em 2013-14, impossível de se concretizar diante do crescimento pífio de 2,5% ano passado e previsão pior ainda este ano.

É por isso que os candidatos de oposição estão comparando a performance do governo Dilma às piores da República. Ontem o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos disse que o crescimento econômico do país é o pior “desde Deodoro da Fonseca”, o que, sendo uma quase-verdade, já basta para a luta política pela presidência da República.

A pesquisa do Pew Research Center dos Estado Unidos que mostra que 86% dos brasileiros consideram que a inflação é a principal causa do mau-humor generalizado no país, que resiste até mesmo a uma Copa do Mundo, toca no ponto fulcral de nossa situação.

O governo, em busca de melhorar o crescimento a qualquer custo, aceitou um pouco mais de inflação e acabou sendo atingido por sua negligência. Se a presidente Dilma não está convencida ainda de que uma das principais razões para o país não crescer é a inflação estabilizada em níveis altos que deveriam ser inadmissíveis, estamos bem parados.

A resiliência da popularidade da presidente Dilma, que ainda é vista com bons olhos pela maioria da população, é um ponto fora da curva nesse cenário brasileiro atual, mas é muito difícil afirmar-se que esse ponto se manterá até a eleição como uma exceção, enquanto os níveis das demais facetas da administração federal permanecem no negativo.

Não sendo uma política carismática, a presidente Dilma dificilmente conseguirá manter essa distância da realidade, e necessariamente será tragada pelo ambiente negativo que domina o país. O fato de não poder ir a um estádio de futebol com temor de ser vaiada é significativo de clima, mesmo numa festa como a Copa do Mundo.

O perigo de despertar na multidão um sentimento negativo é tão grande que nem o ex-presidente Lula se arrisca a colocar a cabeça fora d´água, ele que gosta tanto de futebol e foi o maior responsável pela existência do Itaquerão.

Nem mesmo a torcida do seu Corinthians pode garantir que passe imune às críticas sobre a organização do mundial de futebol, cuja desorganização começou em seu governo, responsável ao mesmo tempo pela glória de ter trazido o campeonato para o Brasil, e ter conseguido transformá-la em um ônus para os governos petistas, sem o bônus que tanto buscaram.

Dora Kramer: Ficha que cai

• Cenário adverso dá um choque de realidade na onipotência do PT

- O Estado de S. Paulo

Não é só a presidente Dilma Rousseff que deu um banho de loja no temperamento quando percebeu que, irritação por irritação, a do País era bem maior que a dela em seu modo irascível de governar e com potencial de prejuízo bem maior sobre o projeto de poder de seu grupo político.

Dilma amenizou, mas o PT também deu uma boa reduzida no tamanho do salto do sapato nos últimos tempos. Fruto do cenário adverso retratado sem retoques em reunião do alto comando da campanha da reeleição na última segunda-feira, no Palácio da Alvorada.

Segundo relatos, João Santana, o marqueteiro, informou que diminuiu a confiança do eleitor na capacidade de o governo representar o desejo de mudanças.

Significa o enterro definitivo da previsão feita por ele de que Dilma venceria no primeiro turno e iria pairar "sobranceira" sobre os "anões" da oposição. O equívoco não tem nada demais. Ninguém é obrigado a adivinhar. O exercício da arrogância, porém, dá ao vaticínio um toque de vergonha alheia.

O importante a notar é que a ficha caiu. Ou parece ter caído. Não se fala mais em vitória no primeiro turno, não se tratam mais os aliados como subalternos (é de se ver até quando), praticamente sumiram de cena as ironias dirigidas aos críticos do governo como integrantes de um ínfimo porcentual de insatisfeitos dados a intenções golpistas e já há algum tempo que não se ouvem acusações às elites. Ao contrário, o esforço é de sôfrega reconquista.

Mas, há um sinal mais eloquente. Traduzido em atitudes que, se adotadas antes, talvez tivessem evitado muitos desgastes ao partido: o PT, outrora complacente com transgressões dos seus, agora já não os protege.

Forçou a desfiliação do deputado André Vargas em decorrência de seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef e suspendeu por 60 dias o deputado estadual Luiz Moura por suspeita de participar de reunião com integrantes de organização criminosa.

É pouco, diante de tudo o que já foi acobertado, quando o governo estava no auge, o partido tinha gordura para queimar e a popularidade de Lula funcionava como uma blindagem que transformava o inaceitável em perfeitamente aceitável?

Sem dúvida. Nenhum dos dois era parte da cúpula nem privava, como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino, da intimidade do poder? De fato.

Ainda que pragmática, já é alguma coisa a prática de alguma ética.

É sério? O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribui o diminuto índice de crescimento (0,2%) do PIB no primeiro trimestre do ano à inflação, como se a alta de preços não guardasse relação alguma com a política econômica sob sua responsabilidade.

E a presidente Dilma cala, consentindo na escolha do vilão que por reiteradas vezes garantiu não ser motivo de preocupação.

Muito sério. À primeira vista soou esquisita declaração da presidente da Petrobrás, Graça Foster, recusando-se a comentar a entrevista em que o ex-diretor Paulo Roberto Costa disse que a construção da refinaria Abreu e Lima foi decidida na base da "conta de padeiro". Ou seja, no tapa, sem planejamento nem embasamento técnico.

Mas, a afirmação da presidente da estatal - "Não é que não queira, é que não posso falar" - passa a fazer sentido quando a gente lembra o entusiasmo com que na época do lançamento do projeto da refinaria, um empreendimento em parceria com o governo Hugo Chávez que o Brasil acabou pagando sozinho, o então presidente Lula se orgulhava de ter feito a "vontade política" prevalecer sobre as conclusões técnicas e as análises de mercado nas decisões da Petrobrás.

Eliane Cantanhêde: Perguntas sem resposta

- Folha de S. Paulo

Além da exposição acachapante na mídia, a presidente Dilma está dando entrevistas exclusivas para a Band, o SBT e a Record só para falar (bem) da Copa.

Aécio Neves e Eduardo Campos, quando conseguem algum espaço, têm de prestar contas sobre suas gestões em Minas e em Pernambuco, e o tucano tem de responder até a perguntas (legítimas, diga-se) sobre acusações anônimas de uso de cocaína.

Enquanto isso, Dilma mantém-se numa zona de conforto, só sacudida pela imprensa independente, e repete coisas assim para ótimos repórteres de TV: o Neymar é fantástico, a Copa será um sucesso e o mundo ficará encantado com o Brasil.

Há controvérsias. A Folha já mostrou que os aeroportos de 11 das 12 sedes da Copa funcionam com falhas e o único em que as obras para a Copa foram concluídas foi o de Brasília --mas bastou chover na terça-feira (3) para inundar a área antiga. E os "selfies" e torpedos durante os jogos? Em seis dos estádios, esquece!

O desequilíbrio vai continuar na campanha oficial. Aécio vai ter metade do tempo, e Campos, em torno de um décimo do tempo de Dilma na TV. E ela não vai a debates na internet?

Presidente, o que a sociedade brasileira quer perguntar é:

1) Por que o crescimento econômico no seu governo só foi melhor do que nos de Collor e Floriano Peixoto?

2) O crédito enxugou no primeiro trimestre por causa dos juros, que foi um dos motivos do pibinho de 0,2%?

3) O consumo das famílias caiu no primeiro trimestre por causa da inflação alta? E agora?

4) Por que a inflação ficou sempre fora do centro da meta, próxima ao teto? Um pouquinho de inflação não faz mal a ninguém?

5) Para que tentar adiar os dados de emprego com a nova metodologia do IBGE?

6) A sra. vai deixar uma "herança maldita" para o futuro governo?

Bem, o espaço acabou, mas as perguntas, não. E as respostas, quando a sociedade brasileira vai ter?

Cristian Klein: A patrulha contra a corrente pra frente


  • Copa é mais o catalisador do que o alvo prioritário

- Valor Econômico

Falta exatamente uma semana para o início da Copa do Mundo. Uma Copa que, desta vez, tem um sabor diferente para os brasileiros. Por enquanto, um sabor agridoce. Organizar o Mundial trouxe para o país um elemento novo, um choque de realidade, que contrasta com a fantasia, a sensação de tempo suspenso que os brasileiros reservam ao período.

Copa para o Brasil é como um Carnaval de quatro em quatro anos, porém regido ainda mais pelo signo da imprevisibilidade, que tanto marca a cultura nacional. A esperança de final apoteótico depois de quatro semanas e sete jogos convive com a ameaça de uma quarta-feira de cinzas que pode chegar a qualquer dia num mata-mata.

Mas enquanto a festa dura, é a época em que o brasileiro se olha no espelho e se vê mais bonito do que é no concerto das nações. No futebol, somos os melhores, os maiores vencedores, os mais criativos, que improvisam com a bola nos pés. Organizar o Mundial pôs o país diante do desafio contrário: planejar, executar e gastar com a objetividade e precisão de uma seleção alemã.

A reta final dos preparativos empurra para o espelho todos os defeitos que o brasileiro busca esquecer na Copa do Mundo: aeroportos que são péssimos cartões de visita, como o Galeão, no Rio, estádios inacabados, como o Itaquerão, em São Paulo, e investimentos em mobilidade urbana que ficaram no papel ou só funcionarão na Copa da Rússia de 2018 - e olhe lá.

O resultado era previsível. Em 1950 não foi diferente. O Maracanã serviu à Copa mas ficou pronto, mesmo, 15 anos depois. Recentemente, os Jogos Pan-Americanos de 2007 foram outro exemplo da incapacidade atávica de respeitar prazos e cumprir cronogramas. Coisa chata.

A Copa do Mundo em casa tem sabor agridoce porque trouxe para o torcedor brasileiro a mistura desconfortável de política e futebol. Trouxe uma organização internacional - a Fifa, com mais associados do que a ONU - que impõe regras e padrões exógenos e invade a soberania. Provocou intervenções urbanas lideradas pela coalizão entre gestores municipais, estaduais e federais e grandes empreiteiras - os maiores financiadores de campanha eleitoral - sob os quais sempre pairam suspeitas de superfaturamento de obras públicas.

A Copa encareceu o custo de vida. Injetou bilhões na economia e mostrou que dinheiro há. Mas por que não se faz o mesmo investimento em saúde e educação? A Copa deixou evidente um elemento básico da política. Governar é priorizar. Políticos de esquerda e de direita são - ou deveriam ser - diferentes porque atendem a demandas de setores distintos da sociedade. Mas que grande controvérsia haveria em sediar o Mundial logo aqui, no "país do futebol"? Já o fizemos há 64 anos, com um PIB comparativamente mais modesto que o atual. Copa e Seleção brasileira são fatores de união nacional.

Mas desde junho do ano passado, a Copa virou o bode expiatório para todos os males do país. Manifestantes saíram às ruas para protestar contra os gastos na organização do campeonato, e também contra tantas outras coisas, como a corrupção, a classe política e a PEC 37. Não havia foco até se sintetizar o movimento como a busca da população por melhores serviços públicos. E contra a Copa.

O Mundial, no entanto, é mais o catalisador de todas as insatisfações do que o alvo prioritário. É o ponto de encontro, o momento mais oportuno de se reivindicar - dada a atenção internacional ao país e o temor dos governantes de que algo dê errado. Foi assim na África do Sul, em 2010. É assim agora, quando sindicatos e movimentos sociais organizados tomam a frente dos protestos e aproveitam a melhor hora para serem ouvidos. A "luta continua" - e a Copa dá carona às manifestações. A Copa é um meio e não um fim.

A mistura de política e futebol causou uma confusão na opinião pública, parte dela assustada com o caráter violento das manifestações. O tradicional clima de Copa do Mundo, com ruas pintadas e enfeitadas, está represado. Lojistas evitam decorar vitrines com motivos em verde e amarelo com medo de depredação. O morador ainda tímido teme demonstrar patriotismo para que os vizinhos não lhe recriminem por falta de consciência político-social. A patrulha ideológica - "Não vai ter Copa" - está entre os efeitos mais interessantes - e possivelmente ingênuos - dos protestos de junho.

Uma maioria envergonhada espera a hora de torcer como sempre - ou como nunca, já que ninguém gosta de perder em casa. A manifestação - tão legítima e incontrolável quanto as que tomaram as ruas no ano passado - é inevitável. O resultado será o mesmo do conhecido fenômeno de psicologia das massas, descrito pela filósofa política alemã Elisabeth Noelle-Neumann na chamada teoria da espiral do silêncio.

O fenômeno nada mais é do que a tendência de as pessoas não expressarem o que realmente pensam quando acreditam que suas opiniões são minoritárias em um determinado grupo social - mesmo quando estas opiniões podem ser majoritárias.

Quanto mais os indivíduos se calam, mais pessoas que pensam da mesma forma se sentem intimidadas e provocam a tal espiral de silêncio. No campo eleitoral, o comportamento pode levar a distorções entre as previsões de pesquisas de intenção de voto e resultados surpreendentes colhidos nas urnas. Foi essa repentina mudança de opinião em processos eleitorais na virada dos anos 1960 para os 1970 que levou a alemã a pesquisar o assunto em seu país.

Mas não é preciso ser um analista eleitoral ou da cultura brasileira para prever que o silêncio tem hora para acabar. A espiral, na Copa do Mundo, será, de repente, aquela corrente pra frente. Como sempre.

O 'mistério' desfeito: O Estado de S. Paulo - Editorial

Não conseguindo tapar o sol com peneira, mas tentando achar uma sombra para se proteger dos seus raios, nos últimos tempos a presidente Dilma Rousseff e o seu padrinho, Luiz Inácio Lula da Silva, deram de tratar como um mistério insondável a "difusa inquietação" dos brasileiros com tudo e mais alguma coisa. É bem verdade, concedem, que o País não está no melhor dos mundos. Mas, apressam-se a reparar, o mundo lá fora também não está uma maravilha, principalmente o chamado Primeiro Mundo, cujos problemas econômicos, aliás, são a causa de nossa menos que perfeita situação.

Fechando o círculo, alegam que, ainda assim, as coisas estão de longe melhores do que eram antes de serem eleitos e de resgatarem da pobreza milhões de brasileiros. Em suma, o pessimismo que paira sobre o País como uma nuvem disforme não tem causas reais, objetivas, mensuráveis. Vai ver, acusa Lula, é coisa insuflada pela mídia, no seu papel de partido de oposição e no afã de ver o relógio da história andar para trás, com a tomada do poder pelas forças que pregam abertamente a adoção de "medidas impopulares". Pena que os descontentes os desmintam quando se lhes pede para dizer o que pensam, sem lhes perguntar como votariam se a eleição fosse hoje.

Foi o que fez o respeitado Pew Research Center, um dos principais institutos de pesquisa dos Estados Unidos, que a partir de 2010 tem tomado o pulso das populações de 82 países, entre eles o Brasil. A mais recente sondagem que a entidade realizou no País ouviu 1.003 pessoas entre 10 e 30 de abril. O resultado espantou os próprios patrocinadores do levantamento. "O nível de frustração expressado pelos brasileiros em relação à direção de seu país, sua economia e seus líderes não tem paralelo em anos recentes", afirma o Pew. Foi como se o Brasil tivesse passado por uma crise ou ruptura institucional, a exemplo do Egito, comenta Juliana Horowitz, a responsável pelo trabalho.

O núcleo da mudança, que dá origem à comparação, foi a multiplicação dos insatisfeitos com a situação do Brasil. No ano passado, eram 55% dos entrevistados, praticamente o mesmo índice de 2012 (nos primeiros meses do governo Dilma, eram 46%). São agora 72%, grosso modo 3 em 4 brasileiros. De "difuso", o descontentamento não tem nada. As pessoas estão zangadas - e sabem perfeitamente com o que. Com o estado "ruim" da economia, para começar, responderam 67% (ante 36% em abril de 2013). Ou, trocando em miúdos, com a inflação. A carestia foi citada como o maior problema do País por 85% dos ouvidos - superando a criminalidade e o atendimento médico (83%). E surpreendentes 72% destacaram a falta de empregos.

Como seria de esperar, o desempenho da presidente em relação aos problemas econômicos do País foi reprovado por 63% dos entrevistados. Mas, como talvez não fosse de esperar, ainda pior é a avaliação de seus atos diante de oito outros problemas-chave. Em face da corrupção, por exemplo, Dilma foi criticada por 86% da amostra. Ela também foi reprovada no quesito "preparação para a Copa do Mundo", por 2 em cada 3 entrevistados. O público condena a própria "Copa das Copas" que a presidente prevê com temerário otimismo. O torneio é "ruim" para o Brasil, julgam 61% das pessoas, porque "tira dinheiro dos serviços públicos". Metade desse contingente (32%) discorda, porque a Copa "cria empregos". No "país do futebol" é pouco torcedor.

Chama ainda a atenção a queda muito acima da média da instituição "governo nacional", em comparação com outras oito. A parcela dos que o reprovam disparou de 47% em 2011 para 75% agora. Não está claro se essa variação foi alimentada pelos protestos do ano passado, mas a pesquisa mostra uma nítida divisão de opiniões sobre as manifestações (48% contra, 47% a favor). Divididos também estão os brasileiros em relação à presidente: 51% disseram ter uma opinião favorável sobre ela; 49%, o contrário. (A margem de erro do levantamento é de 3,8 pontos.) Diante das razões da insatisfação dos brasileiros, é um alento para a candidata. Aécio Neves é bem visto só por 27% e Eduardo Campos, por 24%. Eles vão ter de tornar mais conhecidos os seus presumíveis atributos.

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Curto-circuito
Os aliados do governo e o próprio PT identificaram mais um problema capaz de tirar votos da presidente Dilma Rousseff entre o empresariado que atua no Nordeste. É que está para vencer o contrato entre a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e as empresas, que permite às indústrias ditas eletrointensivas (que consomem muita energia) pagarem US$ 40 o megawatt em vez de comprarem diretamente no mercado distribuidor. Se o benefício não for prorrogado, muitas podem sair da região ou reduzir a atividade por lá, o que representa benefício eleitoral direto para Dilma. Estão nesse barco Salgema, Vale, Gerdau e outras.
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O PMDB e o PT tentam fazer essa renovação dentro da MP 641, que regulamenta o setor elétrico. A área de energia do governo, representada pelo Ministério de Minas e Energia e pela Aneel, resiste a essa prorrogação para conseguir ampliar a arrecadação da Chesf no mercado. O governador da Bahia, Jaques Wagner, tenta reverter os estragos eleitorais. A proposta de renovação está nas mãos da presidente, que ainda não bateu o martelo.

Gatos escaldados...
É bom a população das 12 cidades sedes da Copa ir se acostumando a ver policiais do Exército nas ruas, cuidando da segurança. A ordem da presidente Dilma é usar tudo o que estiver ao alcance para evitar problemas e oferecer esses serviços aos governadores e prefeitos.
Não dá para arriscar e ver repetir o que houve no passado em São Paulo, com os ataques do PCC.

Leitura de alguns aliados
A pequena diferença de intenção de voto entre Dilma e Lula registrada nas últimas pesquisas deixou nos políticos a sensação de que o PT está perdendo parte do cheque especial. Isso quer dizer que a ajuda de Lula pode não somar muito mais em caso de desgaste de material.

Enquanto isso, no PMDB...
Em reunião da bancada de deputados ontem, dos 37 presentes, 20 falaram. Três defenderam a aliança com o PT. Nos bastidores, entretanto, todos dizem que prevalece a vontade de dar um voto de confiança ao vice-presidente Michel Temer aprovando a aliança.

Cadê os tubarões?!!!
O deputado baiano Luiz Argôlo (SDD) tem repetido em telefonemas aos colegas que quer falar o mais rápido possível. A todos tem dito que é "bagrinho": "Estou aqui no primeiro mandato. Você acha que sou eu que mando na Petrobras?" Faz sentido.

Área Vip/ A presidente Dilma Rousseff planeja oferecer um almoço em São Paulo aos chefes de Estado presentes à abertura da Copa da Fifa. O local e o número de convidados ainda não foram fechados. A ideia é evitar aqueles que adoram uma boca livre.

Olho na tabela/ O PDT antecipou a data da convenção nacional para 10 de junho. Finalmente! Afinal, no dia da abertura da Copa, ninguém quer saber de discurso.

Momento celebridade I/ Chamou a atenção o caloroso abraço que a rainha dos baixinhos, Xuxa Meneghel, deu no senador Aécio Neves quando estava no plenário do Senado. Depois, quando se sentou à Mesa Diretora, só se levantou para cumprimentar o ex-presidente e senador José Sarney, de quem é amiga.

Momento celebridade II/ O ator Marcos Palmeira organiza para breve um jantar de representantes da classe com Eduardo Campos e Marina Silva. Palmeira, entretanto, dispensou a participação na campanha como candidato por causa de contratos assumidos anteriormente.

Painel - Bernardo Mello Franco (interino)

- Folha de S. Paulo

Montando a retranca
Preocupado com a CPI mista que investigará o cartel do metrô, o governo de São Paulo começou a treinar os parlamentares do PSDB escalados para defendê-lo. Ontem foram ao Congresso Marcio Aith, subsecretário de Comunicação, e Roberto Pfeiffer, representante da Corregedoria do Estado. Uma das propostas foi vincular o delator do esquema, Everton Rheinheimer, ao deputado estadual Simão Pedro (PT). A ordem é reduzir os danos à campanha de Geraldo Alckmin à reeleição.

O calo aperta O presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, defendeu atenção redobrada à CPI. "Sabemos que o PT tentará usá-la para atacar nosso governo." O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), também foi à reunião.

Desfalque Os tucanos lamentam não poder contar com o deputado Carlos Sampaio (SP) na defesa do governo paulista. Ele já estava escalado para a fustigar o Planalto na CPMI da Petrobras.

Venda casada Alckmin combinou o programa semanal de rádio do governo às inserções partidárias do PSDB. Nos dois espaços, anunciou um programa contra o crack.

Já ganhei Um empresário espanhol perguntou ontem ao candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, se deveria tratá-lo por "ministro". "Pode me chamar de governador", respondeu o petista, que marcou 4% no último Datafolha.

Esqueci Antes de dar palestra a convidados da agência EFE,Padilha foi instado pelo mediador a abordar a aliança com Paulo Maluf (PP) e a menção a seu nome na Operação Lava Jato da PF. O petista falou por mais de meia hora, mas não deu uma palavra sobre os dois temas.

Pito O presidente do PT paulista, Emidio de Souza, enquadrou deputados estaduais dispostos a aliviar com o colega Luiz Moura, que se reuniu com integrantes do PCC. Avisou que o partido precisa mostrar rigor no caso.

Com que roupa Os tucanos do Rio vão hoje à festa do PMDB local para Aécio Neves sem saber quem terão que apoiar na disputa estadual. Caberá ao mineiro escolher entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Cesar Maia (DEM).

Feirão Apesar do avanço nas alianças, a campanha de Dilma acha que PP, PSD e PR negociarão com seus adversários até a véspera do registro das candidaturas. Para valorizar os passes, é claro.

Ingresso na mão O governo federal determinou reforço de segurança no acesso às arenas da Copa. A meta é evitar que manifestantes se misturem aos torcedores.

Bolsa Cimento Líderes da base e da oposição comemoraram, no salão azul do Senado, uma manobra que deve poupar grandes empreiteiras na CPMI da Petrobras.

Quase lá Marina Silva, que queria lançar um ambientalista da Rede ao governo de Minas, ainda não formalizou apoio a Julio Delgado (PSB). Mas já gravou uma mensagem ao lado dele e de Eduardo Campos para o programa do partido na TV.

Esotérica A ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) adotou um ritual curioso: só apresenta projetos de lei no Senado em períodos de lua crescente. "Se influencia as marés, também pode influenciar a política...", justifica.

Ânimo! Apesar de alertar para dificuldades na campanha, João Santana disse a aliados de Dilma que o nível de confiança do eleitorado na presidente ainda é forte.

Visita à Folha Aldo Rebelo, ministro do Esporte, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Paulo Rossi, assessor de imprensa.

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Tiroteio
"O governo tucano não trata transporte como prioridade. Queremos ver no Metrô a mesma vontade que ele tem para gastar com a Copa."
DO PRESIDENTE DO SINDICATO DOS METROVIÁRIOS, ALTINO PRAZERES, sobre os motivos que levaram à falta de acordo entre a categoria e a estatal paulista.
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Contraponto
Fazendo a cuia roncar

No frio de ontem em Porto Alegre, os repórteres gaúchos queriam saber o que o pernambucano Eduardo Campos (PSB), que visitava a cidade, fará para se aproximar do eleitor do Estado. O candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, se adiantou:

--Ele já tomou chimarrão! E a cuia até roncou!

Antes que fosse acusado de usar o mate como arma de marketing, o presidenciável brincou com os jornalistas:

--Eu acho muito bonito quando vocês chegam na minha terra e tomam água de coco. Então não me reprimam com o meu chimarrão!

Diário do Poder – Cláudio Humberto

- Jornal do Commercio (PE)

• Empreiteiras negociam blindagem nas CPIs
Grandes empreiteiras brasileiras, enroladas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, estão negociando a blindagem dos seus respectivos presidentes, para que não venham a ser convocados para depor na CPI Mista da Petrobras. Pela rigorosa nova Lei Anticorrupção, em vigor desde janeiro, os presidentes respondem pelos atos de corrupção de suas empresas, em razão do princípio do “domínio do fato”.

• Negociantes
Indóceis com a escassez de dinheiro para campanha, em razão de investigações recentes da PF, políticos negociam o alcance das CPIs.

• Nervosismo
Donos de empreiteiras como Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão estão à beira de um ataque de nervos, com o caso Lava Jato.

• Fundo do poço
Projeto do deputado Vicentinho (PT-SP), de inspiração equina, quer proibir a importação de livros para coibir a “evasão de divisas”.

• Disco arranhado
Na reunião de ontem, a bancada do PMDB na Câmara se dedicou ao hobby predileto: falar mal do presidente do Senado, Renan Calheiros.

• Dilma suaviza e Merkel endurece com os EUA
A presidenta Dilma, por recomendação do Itamaraty, decidiu amaciar as relações do Brasil com os Estados Unidos. Em entrevista ao New York Times, ela insinuou que o mal-estar gerado pela espionagem da NSA já foi “superado”. Ao contrário, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, inflexível em questões de princípio, acha que a espionagem americana, da qual também foi vítima, não pode ser esquecida.

• Inquérito aberto
O jornal Der Spiegel confirmou que a Alemanha quer investigar a fundo a espionagem. O procurador federal Harald Range já abriu inquérito.

• Paz e amor
Dilma confirmou a Simon Romero, do NYT, que encontrará Joseph Biden, vice de Obama, que vem ao Brasil para o jogo EUA x Gana.

• Preocupação
A constatação de rejeição de metade do eleitorado à presidenta Dilma, no Sudeste, instalou o pânico no comando de campanha do PT.

• Exigência do PPS
O presidente do PPS, Roberto Freire, avisou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que o partido só aceitará Gilberto Kassab (PSD) na chapa caso ele rompa com Dilma para apoiar Aécio Neves (PSDB-MG) ou Eduardo Campos (PSB-PE).

• Ninguém merece
Quem estiver interessado, é só conferir no cupom fiscal da padaria, onde a referência é obrigatória por lei: o governo “morde” 15,73% de cada pão francês que vai à mesa dos brasileiro, a título de impostos.

• Fadiga de material
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) ganhou confiança maior para disputar o governo do Rio de Janeiro após receber pesquisas indicando que os adversários representam o que o eleitor rejeita: a política velha.

• Viajando na maionese
O líder da minoria, Domingos Sávio (PSDB-MG), ironiza as declarações do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) de que nação indígena não tem fronteiras: “Deve estar se baseando no Tratado de Tordesilhas…”.

• Senador Geddel
Em campanha para senador, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) repete o mantra, sempre que encontra um eleitor: “Você terá em Brasília um senador para chamar de seu!”

• O veterano e o novato
No dia 25, o ministro Joaquim Barbosa completa 11 anos no Supremo Tribunal Federal. No dia seguinte, o mais novo integrante do STF, Luís Roberto Barroso, completará seu primeiro ano na Corte.

• Cada um por si
Centenas de colecionadores e esportistas podem ser presos a qualquer momento por porte de armas, com a bagunça do setor do Exército, em Brasília, que há meses dificulta o registro legal. Já os bandidos…

• Chega de sacrifício
Contrariando a vontade do PV, a vice-prefeita de Salvador, Célia Sacramento, sinalizou ao partido que prefere sair candidata a deputada federal a ser vice de Eduardo Jorge na disputa pela Presidência.

• Flor de lótus
Dilma confessou que não sabe por que a economia não cresce. Deve ser influência da teoria do guru japonês Akimiko Nunsei.

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

‘Carta ao Mercado’
Embalado pela estagnação da economia, o presidenciável Aécio Neves (PSDB) lançará uma “Carta ao Mercado”, propondo “um choque de mudança”, como definiu um tucano. Aécio quer sinalizar aos empresários que é contra o intervencionismo e que cumprirá as metas de crescimento. A carta está sendo elaborada por Antonio Anastasia e pelo time de economistas do PSDB.

Vai e volta
O PSDB reabriu conversas com o PSD pela indicação de Henrique Meirelles a vice de Aécio Neves. As negociações passam pela chapa de Geraldo Alckmin ( PSDB) e Gilberto Kassab (PSD), em São Paulo, estimulada por Aécio

Uma folga da política
A cidade-sede que mais receberá turistas brasileiros para os jogos da Copa do Mundo será Brasília: 17% dos torcedores, seguida por São Paulo, para onde viajarão 14% dos turistas; Belo Horizonte, 13%; Rio, 11%; e Fortaleza, 10%. Os dados são de pesquisa concluída ontem pelo Ministério do Esporte, que ouviu 6.842 brasileirosde 26 de maio a 3 de junho. Dos torcedores, 38% conseguiram comprar ingressos para um jogo; 21%, para dois; e 11%, para três ou quatro partidas. Deles, 42% viajarão de carro, e 35%, de avião. A maioria se hospedará em hotéis: 42%, em econômicos; 33%, de primeira classe; e 5%, de luxo. Outros 18% reservaram pousadas e hostels.

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“O Congresso tem de parar de acreditar que há conflito entre a democracia representativa e a direta. Propor a extinção dos conselhos, porque eles poderiam ser aparelhados, é absurdo”
Henrique Fontana (PT-RS)
Líder do governo na Câmara
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Dia de deputado
O medalhista olímpico Fernando Scherer, o Xuxa, passará o dia hoje em imersão na Câmara dos Deputados. Candidato pelo PSB de São Paulo, terá aulas sobre o processo legislativo, o trabalho das comissões e as votações. Quer fugir do perfil da campanha de Tiririca (PR), campeão de votos em 2010, que dizia não saber o que faz um deputado.

Cenário no Rio
Pesquisa encomendada pelo PMDB ao GPP Instituto mostra a presidente Dilma com 32,9% no Rio, o dobro de Aécio Neves (PSDB), 16%. Eduardo Campos (PSB), 7,1%, está empatado tecnicamente com Pastor Everaldo (PSC), 6,1%.

Vai feder
A uma semana da Copa, o governo do Distrito Federal está preocupado com a repercussão sobre o maior lixão em funcionamento no país. Ele já deveria ter sido fechado, mas o governo teve problemas com a licitação do aterro sanitário, suspensa pelo Tribunal de Contas. O ganhador ofereceu preço maior do que o segundo colocado.

Torcida ou discurso
Eduardo Campos foi aconselhado por integrantes do PSB a mudar a data da convenção que oficializará sua candidatura a presidente e de Marina Silva a vice. Será dia 28, quando, possivelmente, o Brasil disputará as oitavas.

No DNA
A Câmara aprovaria ontem a troca do nome da Ponte Rio-Niterói de Costa e Silva para Betinho. O deputado Alexandre Leite (DEM-SP) pediu vista. Jandira Feghali (PCdoB) se irritou com o colega: “Está no DNA do DEM a defesa da ditadura”.

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PAULO SKAF (PMDB), candidato ao governo de São Paulo, recebeu apoio do PDT, que indicará o vice, e do PROS. Ambos negociados por Michel Temer

Ana Moura - 'Os Búzios'

Fernando Pessoa: Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.