O adiamento de reajustes é medida óbvia, dado o peso dos R$ 200 bilhões anuais da folha do funcionalismo
Um ciclo há muito tempo não experimentado pela sociedade brasileira, a persistência da inflação na faixa dos 3%, uma dádiva para a população, principalmente a menos favorecida, cria problemas para um Estrado cronicamente deficitário, como o brasileiro. Ele não pode se valer da perda de poder aquisitivo da moeda para reduzir sua dívida real.
Precisa fazer cortes e reformas. A principal delas, a da Previdência, uma conta fora de controle, impulsionada por fatores estruturais: um sistema de seguridade que permite que, no INSS, pessoas se aposentem com menos de 60 anos de idade, sem que a base de contribuintes do sistema se expanda como necessário, porque a população cada vez tem menos jovens. E ainda há a aposentadoria dos servidores públicos extremamente generosa, mais desequilibrada até que o INSS.
Segundo item que mais pesa no Orçamento, a folha do funcionalismo é outra fonte de preocupações. Dada a forte força política das corporações que transitam neste universo, o Congresso resiste a aprovar ajustes, e só agrava os problemas fiscais que estão à frente.
Um exemplo da força do funcionalismo é que o PT, partido nascido no ABC paulista, engendrado nas linhas de montagens da indústria automobilística e de outros segmentos produtivos da região, terminou sendo um partido fortemente influenciado pelos servidores. Trocou de alma. É a legenda do servidor público, a categoria mais privilegiada do país, principalmente o federal.















