Valor Econômico / Eu & Fim de Semana
Fragilidade de políticas sociais condena o
Brasil a ter um futuro pior, mas que talvez garanta o presidente no segundo
turno
A covid-19 fez o bolsonarismo descobrir a
importância da pobreza e da desigualdade no Brasil, temas praticamente
negligenciados no começo do mandato. O governo ganhou de presente do Congresso
Nacional o Auxílio Emergencial e viu a popularidade presidencial crescer
fortemente. Mesmo assim, o Executivo federal não foi capaz de manter no início
de 2021 uma transferência de renda digna aos mais pobres que sofriam com a
pandemia. Agora, o presidente Bolsonaro e o Centrão perceberam que sua
sobrevivência eleitoral depende de um novo programa de ajuda, que querem
turbinar no curto prazo. Em poucas palavras, essa proposta revela a pobreza do
projeto bolsonarista de políticas sociais.
Cinco aspectos realçam a fragilidade da política social defendida pela dupla Bolsonaro-Centrão. O primeiro deles refere-se à precariedade institucional da visão bolsonarista. O modelo apresentado ao Congresso supõe um financiamento por apenas um ano dos gastos com a população mais pobre. O governo acabou com o Bolsa Família, programa consolidado por 18 anos de implementação bem-sucedida e aprovado por gente das mais diversas colorações ideológicas e partidárias. Colocou no lugar o Auxílio Brasil, que poderá ser apenas um esparadrapo para tapar a crise social (ou uma parte dela) em 2022. Há a hipótese de o país ficar sem nenhum programa de transferência de renda de combate à pobreza em 2023.