Folha de S. Paulo
Programa teve êxito contra a inflação, mas
não garantiu a retomada do crescimento
O Plano Real teve
sucesso em acabar com a alta inflação, diminuindo o grau de indexação da
economia brasileira. A Unidade Real de Valor (URV) permitiu a saída de forma
criativa e organizada da alta inflação inercial, sem congelamento de preços.
Outro elemento crucial foi a renegociação e a securitização da dívida externa
pelo Plano Brady.
Na preparação do Real, o governo renegociou a
dívida externa velha, abriu a conta de capitais e elevou brutalmente o juro
real, para evitar fuga de capitais domésticos e atrair capital de curto prazo,
o que viabilizou a transição da URV para o Real.
A valorização inicial do câmbio foi essencial
para a rápida redução da inflação, mas trouxe um alto custo: o início da era de
elevados juros reais. De 1994 a 1999, a taxa básica média de juro real foi de
22% ao ano.
Para atrair recursos externos e promover o
ajuste fiscal, o governo liquidou ativos estatais por preços reduzidos, sem o
planejamento de uma política industrial e sem avaliação estratégica dos
desdobramentos.
Depois de 30 anos, a história mostra que o Plano Real teve êxito ao reduzir a inflação, mas não em garantir a estabilidade macroeconômica e a retomada do crescimento. Para reeleger FHC, a âncora cambial foi prorrogada, com a apreciação do câmbio e a deterioração das contas externas, empurrando o país para grave crise cambial, econômica e social.


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