quarta-feira, 4 de junho de 2014

Órgãos já tentam praticar a democracia direta: O Globo - Editorial

• Há vários casos de exorbitância de funções por conselhos e agências, para exercer papel do Congresso. Se o Decreto-lei 8.243 vingar, o cerco ao Legislativo se fechará

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi incisivo ao responder às críticas ao Decreto-lei 8.243, que institui a Política Nacional de Participação Social (PNPS), e, em particular, à iniciativa de partidos de oposição, DEM e PPS, de recorrer ao Congresso contra o ato da Presidência da República. Segundo “O Estado de S. Paulo”, o ministro, gerente-mor da PMPS, tachou de “hipócritas” as queixas da oposição. Disse, ainda, que só “ignorância e má-fé” explicam as críticas ao decreto-lei, pois ele se lastreia em dispositivo constitucional, garante Carvalho.

A irritação ministerial se deve ao entendimento — não apenas de políticos — de que, sob a enigmática sigla PMPS, esconde-se um monumento à democracia direta, portanto um instrumento inconstitucional, por ter como finalidade colocar o Congresso à margem de decisões na administração direta e também estatais, objeto clássico de qualquer projeto autoritário. Outro argumento do ministro é que o governo nada inventa, porque há muitos conselhos em funcionamento. É fato, mas por isso mesmo preocupa a nova rede de comissões, fóruns conselhos e similares que o governo deseja montar.

No domingo, a “Folha de S.Paulo” revelou a existência, já por dois meses, a serem completados hoje, de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) que veta qualquer publicidade para crianças, inclusive embalagens. Ninguém até agora cumpre, e deve haver mais uma batalha judicial em torno do tema, porque o Conanda não tem o poder de estabelecer regras para propaganda, apenas o Congresso.

Eis, na prática, como agem esses “organismos da sociedade civil", sempre tentando ocupar espaços institucionais do Legislativo. Se o Conanda, ligado à Presidência da República, é um bunker de militantes de causas politicamente corretas, contaminadas de autoritarismo, há a Anvisa, agência do Ministério da Saúde, de perfil semelhante. Também a agência tenta usurpar poderes do Congresso para legislar sobre publicidade, embora o setor, por meio do Conar, seja um bom exemplo de como pode agir um sistema de autorregulamentação, em benefício de produtores, consumidores e veículos de imprensa, cuja independência depende em boa parte das verbas da publicidade privada.

Não é de hoje que frações do PT agem para contornar o Congresso. São ainda do primeiro governo Lula conselhos para empresários e sindicalistas decidirem a reforma sindical, bem como para empresários e governo se entenderem. As duas instâncias formulariam propostas para o Congresso aprovar. Terminaram dando em nada, mas denunciaram a visão de sociedade que está por trás do PNPS. Neste universo institucional, o Legislativo seria um carimbador de decisões tomadas em fóruns sob o controle do partido e de “movimentos sociais" aliados. Extingue-se, então, a democracia representativa.

Mais desempregados

• Pesquisa do IBGE que o próprio governo tentou suspender mostra forte elevação no total de trabalhadores sem ocupação no país no primeiro trimestre de 2014 ante os últimos três meses de 2013. Na comparação anual, houve queda

Bárbara Nascimento – Correio Braziliense

Após a polêmica de que ficaria suspensa até 2015, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) voltou a ser divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desocupação no país ficou em 7,1% no primeiro trimestre, ante os 6,2% registrados nos últimos três meses de 2013. Em relação a igual período de 2013, quando marcou 8%, o indicador apresentou, contudo, uma melhora.

A possibilidade de suspensão da Pnad Contínua gerou uma crise institucional no IBGE e levou à paralisação de boa parte dos servidores. À época, uma das suspeitas era de que o governo estaria receoso de um resultado negativo, tendo em vista a desaceleração da economia. O resultado da pesquisa vai na contramão dos indicadores macroeconômicos — o consumo das famílias recuou no primeiro trimestre, e setores da indústria estão dando férias coletivas — e das expectativas de especialistas.

A própria Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também divulgada pelo IBGE e que leva em conta apenas seis regiões metropolitanas, sinalizava desaceleração. As taxas mensais de desemprego para janeiro, fevereiro e março foram de 4,8%, 5,1% e 5%, respectivamente. "A atividade econômica tem desacelerado e não seria anormal se as taxas de desemprego piorassem. Se as expectativas continuarem iguais, a tendência é de que esse indicador piore. E isso pode pesar nas eleições", observou Newton Marques, conselheiro do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal.

Para o ministro Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, os dados são positivos e representam uma surpresa diante das estimativas. "Acho que 2014, olhando para o espelho retrovisor, foi uma cena melhor do que as contas nacionais e a própria PME sugeriam. Para frente, temos grandes desafios, mas esses dados da Pnad mostram que os desequilíbrios do mercado de trabalho foram relativizados", afirmou. "Vejo um menor gargalo do que as informações anteriores sugeriam: empregos e formalidade crescendo, estamos gerando mais e melhores empregos."

Nos três primeiros meses deste ano, 91,2 milhões de pessoas tinham alguma ocupação. De janeiro a março de 2013, esse dado foi de 89,4 milhões. O resultado piorou em relação ao último trimestre do ano passado, quando a população ocupada foi de 91,8 milhões. O total de trabalhadores com carteira assinada cresceu 1,6 ponto percentual sobre igual trimestre do ano passado, de 76,1% para 77,7%.

Excluídos
Fora desse grupo, está a estudante Amanda Assis de Andrade, 18 anos. Há dois meses, ela distribui currículo e comparece duas vezes por semana a uma agência de empregos, à espera de uma vaga. "Trabalhei com atendimento numa lanchonete no ano passado e imaginei que a experiência fosse ajudar, mas está demorando mais a aparecer outro trabalho que no ano passado", revelou.

O mesmo ocorre com Marcos Antônio Sousa e Silva, 23, que costumava trabalhar com vendas. "Está muito difícil conseguir algo, já tem três meses que não trabalho. Das outras vezes em que fiquei sem emprego, as oportunidades surgiram mais rapidamente. Deixei meu currículo em muitos lugares e nem cheguei a ser entrevistado. Não vou desistir", relatou.

Na opinião do especialista em mercado de trabalho Jorge Pinho, da Universidade de Brasília (UnB), a expectativa é de que o indicador desacelere nos próximos meses. "Se a Copa elevar a ocupação, será algo conjuntural e não estrutural. A situação não está boa. Estamos perdendo em competitividade. E o governo fica preocupado em tapar buracos, encontrar atalhos", sublinhou.

Os problemas enfrentados são de vários tipos. A piauiense Adriana de Melo Gusmão, 37, por exemplo, veio de Teresina para Brasília há quatro meses, na tentativa de encontrar emprego. "Lá, a situação está muito ruim, mas aqui também não é das melhores", avaliou. O índice de desempregados no Nordeste é o maior do país, 9,3%, enquanto no Centro-Oeste é de 5,8%. Adriana, que quer trabalhar como assistente de cozinha, até conseguir emprego no Plano Piloto, teve que recusar porque não havia ônibus que a trouxesse todo dia do Jardim ABC, na Cidade Ocidental, para o serviço.

O desemprego e a presidente: O Estado de S. Paulo - Editorial

O desemprego é bem maior do que o governo tem alardeado e mais uma vez dados oficiais desmentem as bravatas da presidente Dilma Rousseff e de seus ministros econômicos. A desocupação ficou em 7,1% no primeiro trimestre, bem acima da taxa estimada para os três meses finais do ano passado, de 6,2%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), publicada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário mostrado por este levantamento é bem pior que aquele apontado tradicionalmente pela pesquisa mensal do IBGE, realizada nas seis maiores regiões metropolitanas com visitas a cerca de 44 mil domicílios e entrevistas com 120 mil pessoas. A Pnad Contínua cobre 211.344 domicílios em 3.464 municípios.

As primeiras informações sobre a Pnad Contínua indicaram resultados bem piores que aqueles habitualmente divulgados e sempre usados como trunfos políticos pelo governo. O IBGE anunciou há meses a intenção de regularizar a publicação dos novos dados, muito mais amplos e mais compatíveis com os padrões internacionais.

A ideia foi mal recebida em Brasília e tentou-se frear a publicação, em manobra defendida no Congresso pela senadora Gleisi Hoffmann, ex-ministra da Casa Civil da Presidência da República. Técnicos do IBGE protestaram com greve e o relatório foi publicado. A ideia é manter as duas pesquisas durante algum tempo até a substituição da tradicional pela nova.

A taxa de 7,1% supera os números estimados para o terceiro e o quarto trimestres do ano passado (6,9% e 6,2%), mas é mais baixa que a dos primeiros três meses de 2013, quando o desemprego chegou a 8%. Toda a série dos últimos dois anos mostra números mais altos que aqueles apontados pela pesquisa mensal nas seis maiores regiões metropolitanas. As maiores taxas de desemprego, segundo a Pnad Contínua, foram encontradas no Nordeste (9,3%) e no Norte (7,7%). As menores, no Sul (4,3%) e no Centro-Oeste (5,8%). A do Sudeste ficou em 7% no primeiro trimestre - número menor que o de um ano antes (7,6%), mas igual à média dos quatro trimestres de 2013.

Com esses dados, a presidente Dilma Rousseff e seus ministros terão maior dificuldade para esnobar os países desenvolvidos e parte dos emergentes. Não poderão, por exemplo, contar bravatas em relação aos Estados Unidos, onde o desemprego chegou a 6,3% em abril. Desde o fim do ano passado a desocupação na economia americana já era menor que a brasileira, pelo menos segundo os números da Pnad Contínua.

A presidente ainda poderá confrontar vantajosamente os dados brasileiros com os da União Europeia, onde o desemprego, segundo os últimos dados, ainda estava em 10,4%, apesar dos sinais de reativação econômica. Na zona do euro a taxa era de 11,7% em abril.

Mas esses números são compostos e em boa parte refletem o quadro muito ruim de alguns países, como a Espanha, onde a proporção dos desocupados ainda passava de 25% nos últimos meses. A comparação fica menos vantajosa para o lado brasileiro, quando se examinam as porcentagens de vários outros países desenvolvidos.

A Holanda, com uma taxa de 7,2%, praticamente empata com o Brasil. Mas o cenário do desemprego é sensivelmente menos grave na Dinamarca (6,5%), na República Checa (6,5%), na Alemanha (5,25%) e na Áustria (4,9%). No Japão, onde o desemprego é tradicionalmente menor que no Ocidente, a última pesquisa indicou 3,6% - embora a economia apenas tenha começado, muito lentamente, a sair da longa recessão.

Também na América Latina, onde muitas economias têm crescido mais que a brasileira com inflação bem menor, o Brasil fica mal na comparação. Em outubro, sete países tinham desocupação inferior a 6% - Peru, Honduras, Chile, México, Panamá, Equador e Guatemala. O Uruguai praticamente empatava com o Brasil. Além do discurso triunfalista, todos esses dados destroem também o argumento petista sobre a inflação elevada: um combate mais sério à alta de preços, segundo a presidente, causaria desemprego. Os dados internacionais, como os do IBGE, a desmentem.

Painel – Vera Magalhães

Bernardo Mello Franco (interino) – Folha de S. Paulo

Nuvens negras
O publicitário João Santana traçou um cenário sombrio na reunião da campanha de Dilma Rousseff à reeleição, anteontem, no Palácio da Alvorada. Diante de Lula e da presidente, ele apresentou pesquisas mostrando que caiu a confiança do eleitor na capacidade do governo para promover mudanças. Até quem melhorou de vida nos últimos anos desconfia que sua renda pode parar de aumentar. A análise preocupou os petistas e deve exigir uma guinada na estratégia eleitoral.

Consolo Para os petistas, a boa notícia da sondagem é que Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) não despontam como herdeiros da confiança perdida do eleitor. Ao menos por enquanto.

Tem culpa eu? Os dilmistas já ensaiam uma tática para tentar combater o sentimento de desânimo: repetir que o país é vítima da crise internacional. Segundo a pesquisa, o eleitor está "consciente" de que a coisa também anda ruim no exterior.

Marcha, soldado Governadores dos 12 Estados que receberão jogos da Copa indicaram ao Planalto que aceitarão a oferta de Dilma para que tropas do Exército reforcem a segurança nas ruas.

Quase lá O acordo só foi fechado em São Paulo, mas "já está acertado" com as outras sedes, diz um ministro. A ordem é garantir que não haverá contratempos para delegações e autoridades estrangeiras que vêm ao país.

Me dê motivo... De volta após um período na sombra, o ex-governador Sérgio Cabral deixou Dilma "no vácuo" domingo passado, no Rio. Após discursar, ele quebrou o protocolo e cumprimentou primeiro o sucessor, Luiz Fernando Pezão.

... pra ir embora Abandonada pela cúpula do PMDB fluminense, que lança amanhã a chapa "Aezão", Dilma fez cara de quem não gostou. Cabral percebeu e tascou um beijo no rosto da presidente.

Sozinho no altar Apesar de ter dito o contrário no "Roda Viva", Aécio já trabalha com a hipótese de só anunciar seu vice depois da convenção do PSDB, dia 14.

Casa comigo? A ideia é tentar usar a vaga para negociar uma adesão de última hora. O tucano ainda sonha com o apoio de dois partidos que, em tese, estarão na coligação de Dilma: PR e PSD.

Linha direta No almoço de ontem, Aécio combinou com o governador Geraldo Alckmin que os dois se falarão diariamente por telefone até a definição das alianças no país e em São Paulo.

Bandeira branca Em visita a Pernambuco, na próxima segunda, o tucano sinalizará que pretende manter o apoio a Paulo Câmara (PSB), candidato de Campos ao governo. O gesto indicaria que ele não dará o troco pela ruptura em Minas Gerais.

Bolsa DJ Campos e Marina Silva brincaram ontem com aparelhos de mixagem do AfroReggae, no Rio. A ex-senadora se arriscou no scratch, que simula um disco arranhado. O som saiu ruim, e ela se desculpou: "Precisamos de pelo menos um ano para aprender isso..."

Vem me pegar Em entrevista a Luciana Gimenez na RedeTV!, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) debochou do fato de estar na lista da Interpol. "Dizem que eu sou procurado, mas estou aqui, no programa da Luciana..."

Eu me amo Maluf fez pegadinha com a apresentadora, que demonstrou pouca memória ao falar da corrida presidencial de 1989. "E no primeiro turno, você sabe em quem eu votei?", ele perguntou. Luciana fez cara de ponto de interrogação. "No Paulo Maluf, que foi candidato..."

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Tiroteio

"Os petistas devem achar que estão no Velho Oeste. Fizeram uma caravana para vender Alexandre Padilha como se não existisse lei."
DO EX-GOVERNADOR ALBERTO GOLDMAN (PSDB-SP) sobre a suspensão de atos de pré-campanha do petista, considerados propaganda antecipada pela Justiça.
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Contraponto
Mais uma chance

Na reunião de ontem do Conselho de Ética da Assembleia paulista, que discutiu as acusações contra o deputado Luiz Moura (PT), Antonio Mentor (PT) iniciou sua fala saudando o presidente do colegiado:

--Com a generosidade que marca a condução do deputado Hélio Nishimoto...

O microfone estava desligado. Avisado, recomeçou:

--Com a generosidade...

O microfone seguia desligado. O petista insistiu:

--Sem a generosidade do microfone, mas com a generosidade do presidente Hélio Nishimoto...

Brasília-DF - Denise Rothenburg

- Correio Braziliense

Alta-tensão
Representantes da Força Sindical prometem parar a maior capital do país às vésperas da abertura da Copa. Para esta sexta-feira, data da chegada de várias delegações estrangeiras a São Paulo, trabalhadores metalúrgicos, da construção civil e, ainda, da construção pesada, combinaram várias passeatas ao Aeroporto de Congonhas. A movimentação foi tanta que o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, chamou representantes da Força Sindical e pediu encarecidamente que deixem o caminho do aeroporto livre.
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A ideia dos sindicalistas, conta o deputado Paulinho da Força (SDD), é transferir o movimento para a Praça da Sé, centro da capital paulista e seguir até o estádio. O motivo da manifestação é o risco de demissões. "A indústria está parada e as demissões virão. Agora, vieram as férias coletivas, que são preocupantes. Vamos chamar a atenção para esse problema", diz Paulinho. Entre os tucanos, o parlamentar tem sido chamado de "mui amigo".

A crença de Argôlo
Apesar da licença médica a que se submeteu, o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) fez questão de vir a Brasília para assinar a notificação do Conselho de Ética. Ele quer falar e acha que, por ser novinho, pode escapar da guilhotina no plenário da Câmara.

O andar da carruagem
Os parlamentares experientes não acreditam que Argôlo se livrará facilmente do processo. A tradição da Casa é assar aqueles do chamado "baixo clero". A aposta é a de que, quanto mais perto da eleição o caso for votado, pior para o deputado baiano. Embora não seja certo de que o processo de perda de mandato chegue ao plenário antes do recesso.

Um homem, dois ritmos
Como presidente da CPI da Petrobras no Senado, o senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) marcou logo o depoimento do ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa para a semana que vem. Já no papel de presidente da CPI Mista, continuou tudo parado, nem nova data de reunião foi marcada.

Conselhos de Lula
O ex-presidente mandou um recado a todo o PT, inclusive à presidente Dilma Rousseff: é preciso desde já reduzir os ataques a Eduardo Campos, do PSB. O PT calcula que Aécio Neves estará no segundo turno e, quem levar o apoio do PSB, terá a vantagem. A operação agora será toda no sentido de evitar que o PR feche o apoio a Eduardo, dando ao socialista mais tempo de tevê. As conversas entre o Partido da República e o pernambucano começaram há alguns dias, via Anthony Garotinho.

CURTIDAS
Primeiro, o Mickey!/ Michel Saliba, advogado do deputado André Vargas (foto), sem partido-PR, que cuida do processo no Conselho de Ética, telefonou ao presidente do colegiado pedindo que adiasse a sessão de ontem porque ele estava em Orlando com a família. Não conseguiu. Teve sessão e elenco de testemunhas.

Dupla-face/ O doleiro Alberto Youssef consta como testemunha tanto da acusação quanto da defesa.

Olho na tabela I/ Os partidos que deixaram suas convenções para os últimos dias correm o risco de aparecer candidato e o eleitor nem ligar. O PSB de Eduardo Campos, por exemplo, marcou o congresso para o dia 28 deste mês e a tem convenção para 29, dia de São Pedro. Num dos dias, haverá jogo do Brasil.

Olho na tabela II/ Se o Brasil for o primeiro colocado da sua chave, estará em campo em 28 de junho, data do Congresso do PSB. Se a Seleção Brasileira for a segunda, estará em campo no dia 29. Que São Pedro nos proteja!

Panorama político – Ilimar Franco

- O Globo

Quem tem medo de protestos?
O governador Geraldo Alckmin e o secretário Fernando Grella (Segurança) entraram em campo ontem para impedir que a Força Sindical realize manifestação no Aeroporto de Guarulhos. Essa ocorreria na sexta-feira, na chegada de quatro delegações internacionais para a Copa. Alckmin teme pagar a conta de conflitos. Seu aliado, o deputado Paulo Pereira da Silva (SDD), desmobilizou o povo. E transferiu o ato para a Praça da Sé.

Os tucanos e o social
O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, apresentou projeto para colocar o Bolsa Família na lei. Sua intenção é desfazer a desconfiança dos eleitores com o compromisso social dos tucanos. O cientista político Antônio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), diz que isto não basta. “O Aécio faz discurso numa direção e o economista Armínio Fraga, que será seu ministro da Fazenda, fala no sentido contrário. Não há confiança”, avalia. Ele considera que mais produtivo seria o candidato tucano assumir compromisso com o reajuste automático do Bolsa Família (e do salário mínimo) para corrigir as perdas com a inflação.

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“Agora, exatamente, estamos numa audiência pública com o Neymar. O quórum está todo aqui. Ele está matando a pau”
Marcus Pestana
Presidente do PSDB de Minas e deputado federal, ontem, assistindo o jogo do Brasil na sala do cafezinho do Plenário da Câmara
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É tarde para voltar atrás
No PR, seu presidente, o senador Alfredo Nascimento (AM), sustenta que a insatisfação com o ministro Cesar Borges (Transportes) não justifica romper com o governo Dilma. Diz que o erro do partido foi voltar após sua demissão.

Realismo
O comando da campanha da presidente Dilma concluiu, que há “uma estagnação do sentimento de esperança" no país. Reunido anteontem à noite, no Alvorada, a conclusão é a de que isso decorre da falta de crescimento da economia. E que a tarefa no pleito é mostrar que a presidente tem condições de enfrentar os riscos e garantir novos avanços.

Depois da flechada, um ministério
A oposição prega a redução da máquina pública. Mas o senador Wellington Dias (PT-PI) acha que 39 ministérios ainda é pouco. Ontem, no Senado, ele propôs a criação de uma nova pasta na Esplanada: o Ministério da Questão Indígena.

O desejo do governo
A avaliação dos líderes do governo é que as CPIs da Petrobras vão se esvaziar. A Copa, o recesso e a campanha devem tirá-las da agenda. Os aliados dizem que a oposição perdeu o entusiasmo. O clima só muda caso surjam fatos novos, pois não creem que ex-diretores queiram se expor.

Sobre a carga tributária
Levantamento da Ernest & Young revela que, no Brasil, o imposto médio sobre herança é de 3,86%. Na Inglaterra, é de 40%; na França, 32,5%; nos EUA, 29%; e, na Alemanha, 28,5%. A EY diz que o país taxa o consumo em detrimento da propriedade.

Povo de Santo Ocupa Brasília
Seguidores do Candomblé e da Umbanda, promovem despacho coletivo na Praça dos Três Poderes, dia 10. Protestam contra a intolerância religiosa das emissoras de rádio evangélicas e o tratamento preconceituoso do Poder Judiciário.
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A cúpula do PMDB fez as contas. O vice Michel Temer terá mais de 70% dos votos na Convenção. Os contrários à aliança com o PT tem cerca de 15%.

Diário do Poder – Cláudio Humberto

Jornal do Commercio (PE)

• Para blindar Padilha, PT ameaça atingir Campos
O PT ameaça convocar na CPI da Petrobras dirigentes do Porto de Suape (PE) para atingir Eduardo Campos (PSB), aos quais eles são ligados, caso Júlio Delgado (MG), do PSB do ex-governador, indique o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha como testemunha, no Conselho de Ética, sobre o esquema do doleiro Alberto Youssef. O deputado mineiro é o relator da cassação de André Vargas (ex-PT-PR).

• Depoentes
Julio Delgado convocou o presidente e o líder, Rui Falcão e Vicentinho, e o deputado Cândido Vaccarezza (SP), todos do PT de São Paulo.

• Representante
Pré-candidato pelo PT ao governo paulista, Padilha é acusado de indicar um ex-assessor para atuar em laboratório do doleiro.

• Contratos milionários
Também vão depor no conselho de Ética um secretário do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, que se reuniu com André Vargas e o doleiro.

• Gesto
José Serra, quem diria, sabe ser gentil: enviou torpedo ao desafeto Aécio Neves (MG), ontem, parabenizando-o por uma entrevista na TV.

• Arruda lidera e Agnelo cresce para governador
Pesquisa do Instituto Dados mostra o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR) à frente com 23,1% das intenções de voto. O atual governador Agnelo Queiroz (PT) cresceu mais de 5% em relação a abril e está em segundo, com 16,4% do total. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) aparece em terceiro com 10,5%, seguido por Toninho do Psol (5,2%) e o candidato tucano Luiz Pitiman (3,3%).

• Registro
O Instituto Dados entrevistou 3 mil eleitores no DF entre os dias 24 e 30 de maio. A pesquisa está registrada no TSE sob o nº BR 138/2014.

• Vai de jegue
A queda da produção levou a alemã Daimler-Mercedes-Benz a dar férias coletivas para reduzir a fabricação de caminhões no Brasil.

• Fogo do inferno
Dilma e Lula prometeram “fazer o diabo” para ganhar, mas exageraram pedindo apoio a Paulo Maluf para o ex-ministro Alexandre Padilha.

• Pra frente, Brasil
A presidenta Dilma Rousseff contou ontem, em entrevista a jornalistas da Band, que torceu pela seleção brasileira até na Copa do Mundo de 1970, quando era presa política torturada nos porões da ditadura.

• Dito e feito
O “blocão”, liderado pelo PMDB, decidiu priorizar na CPI Mista da Petrobras a obtenção de cópias dos contratos envolvendo as refinarias de Pasadena (EUA), Abreu e Lima (PE) e a empresa SBM Offshore.

• O alegre fim
Livre da cadeia por indulto de Dilma e sem devolver grande parte dos R$175 milhões afanados, o ex-juiz Lalau, 85, será acometido do mal de notórios e longevos larápios brasileiros: morrerá de rir do contribuinte.

• Raquetada
O que carta tem a ver com tênis, desconhece-se, mas três altos aspones dos Correios, compõem a comitiva da estatal no torneio de Roland Garros, em Paris. Por nossa conta, claro. Embarcam amanhã.

• Festa muito doida
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, diz o jornal El Deber, vai ganhar torta de folha de coca nos 70 anos que festeja dia 12 na Bolívia, ao lado do cocaleiro Evo Morales. Sabe-se lá o que Lula já comeu…

• A coisa está preta
O site Caixa Preta da Saúde – da Associação Médica Brasileira – já cravou quase 3 mil cruzes pretas na versão oficial de que a saúde pública está melhorando. São as denúncias acumuladas em menos de três meses, de todos os estados, vítimas da ineficiência do SUS.

• Bola da vez
Puxador de votos, o deputado Romário (PSB-RJ) joga em três frentes para sair candidato ao Senado. Mantém conversas tanto com Anthony Garotinho (PR) quanto com Lindbergh (PT) e Marcelo Crivella (PRB).

• Traições
Com o PMDB rachado em estados como Rio, Ceará, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, dirigentes do partido já contabilizam pelo menos 20% de traições na convenção nacional.

• Pensando bem…
…com black-block, “PCC” e Exército nas ruas, a Copa não terá contagem regressiva, mas repressiva.

Marisa Monte - Gentileza

Graziela Melo: Reflexão

No vazio
destes dias
silentes,

entremeados
de algum
torpor,

que
sorrateiro,
me invade
a mente

me transformando
em pálida,
esquálida,
apática
e antipática,

carente
de afeto,

com medo
do amor!!!

Me escondo
no silêncio
da minha
própria
alma,

aguardo
ansiosa o porvir
da noite

que seja
límpida
tépida

e calma!!!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Opinião do dia: Eduardo Campos

“Nosso desafio é buscar a participação do povo indignado com tanta coisa errada. Vamos ganhar as ruas, o campo, as pequenas cidades do Brasil. Vamos buscar os descrentes que querem votar em branco e nulo. Estamos vivendo o tempo de mais baixo crescimento da economia, não há desenvolvimento no Brasil real. Estão em risco as conquistas dos últimos ciclos, que fazem parte do cotidiano muito duro do brasileiro que trabalha. O brasileiro não tem uma vida fácil e tranquila.”

Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, no Seminário Temático em Goiânia

Com consumo em queda, indústria dá férias coletivas

• Férias coletivas chegam às fábricas de eletrodomésticos e eletrônicos

• Após montadoras, setor é afetado pelo desaquecimento da economia

• Estoques altos e feriados da Copa do Mundo afetam empresas de diferentes setores

Lino Rodrigues / Ronaldo D’Ercole – O Globo

SÃO PAULO - O ritmo morno da economia levou indústrias de diferentes áreas, especialmente dos setores de eletrodomésticos e de motocicletas, a dar férias coletivas aos empregados a partir deste mês. Além disso, os feriados previstos para a Copa também têm efeito na indústria. Desde segunda-feira, a Electrolux colocou em férias coletivas cerca de 4.600 dos 8.600 funcionários de suas três fábricas no país — localizadas em Curitiba, São Carlos (SP) e Manaus. As paralisações vão variar de 10 a 30 dias. De acordo com a empresa, a decisão de reduzir a produção se deve à “economia desacelerada e à Copa do Mundo”. A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, também colocou funcionários em férias coletivas, como informou Míriam Leitão, na edição de sábado do GLOBO.

Levantamento junto a 550 empresas do setor feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) constatou que 58% delas preveem perdas na produção por causa dos horários diferenciados dos jogos da Copa. E que um terço delas programou “jornada especial” para os dias das partidas a fim de “amenizar as perdas”.

Na Whirlpool, todo o pessoal do setor administrativo das quatro fábricas da empresa no país — localizadas em Manaus, Joinville, Rio Claro e São Paulo — ficará parado entre os dias 12 e 25 deste mês. Na fábrica da Whirlpool da Zona Franca de Manaus, as férias coletivas, que sazonalmente ocorrem em julho, foram antecipadas para o dia 9, com volta prevista só para 8 julho. Em Rio Claro, a parada vai de de 16 a 25, e em Joinville, de 12 a 25. Ao todo, um terço dos cerca de cinco mil empregados da empresa terá férias neste mês.

Nas montadoras, 20 mil afetados
As paralisações na produção de eletrodomésticos ocorrem menos de dois meses depois de as principais montadoras do país darem um freio de arrumação para ajustar a produção ao ritmo fraco das vendas. O desempenho do setor foi afetado pelo desaquecimento do mercado interno e pelos problemas econômicos da Argentina, o principal destino das exportações brasileiras de veículos.

Com estoques em alta, as empresas passaram a alternar medidas para adequar a produção: antecipação de férias coletivas, suspensão temporária de contratos de trabalho (o chamado lay off) e antecipação de folgas foram medidas adotadas para evitar demissões. Ao todo, mais de 20 mil trabalhadores foram afetados.

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) no primeiro trimestre mostrou forte acúmulo de estoques, com impacto de 1,1 ponto percentual na taxa de crescimento da economia, que foi de 0,2%. Ou seja, se não fosse o acúmulo de estoques, o PIB teria recuado 0,9%.

Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), informa que, com exceção dos televisores (aparelhos da chamada linha marrom), cujas vendas nos primeiros cinco meses do ano superavam em 45% as do mesmo período de 2013, o setor vive um momento de vendas mais lentas.

— As famílias só têm um dinheiro e optam por comprar uma TV nova. A Copa, naturalmente, tira atração dos outros itens, como fogões, geladeiras e lavadoras de roupas — disse Kiçula.

Na LG, que também produz televisores, não haverá expediente entre os dias 12 e 15 nas áreas administrativas. E nos outros dias de jogos do Brasil o pessoal do turno da manhã sai uma hora e meia mais cedo, enquanto os trabalhadores da tarde entram uma hora e meia mais tarde.

Em Manaus, o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) confirmou que boa parte das grandes fabricantes de eletroeletrônicos (Semp Toshiba, Panasonic, Samsung, Sony) e de motocicletas (Honda e Yamaha) está antecipando o início das férias coletivas para junho.

— Certamente, alguns segmentos esperavam vendas melhores nos últimos meses. Não foi uma calamidade, mas muitas empresas não atingiram as metas de vendas esperadas — disse Ronaldo Motta, diretor-executivo do Cieam, lembrando que as empresas também estão aproveitando a alta dos estoques para liberar os funcionários na Copa.

Aposta em recuperação após Copa
Para Valdemir Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindimetal), as paralisações no segmento de eletroeletrônicos foram uma surpresa, diferente do que acontece com as motos, cujo mercado já não vai bem há algum tempo. Ele calcula que entre 30% e 40% dos trabalhadores nas principais fabricantes vão ficar em casa durante os primeiros dez dias da Copa:

— No total, serão cerca de 25 mil trabalhadores que ficarão em casa por 10 dias a partir da semana que vem.

Segundo o sindicalista, até os fabricantes de televisores estariam com problemas de estoque excessivo, já que a produção foi acelerada a partir de dezembro, quando as empresas reduziram a tradicional folga de fim de ano em 10 dias.

— As empresas produziram muita TV, e os boatos de que a Copa seria ruim acabaram prejudicando as vendas.

Kiçula, da Eletros, informou que a expectativa dos fabricantes de televisores é superar as 16 milhões de unidades vendidas este ano, mais de 10% mais que os 14,6 milhões de 2013. As TVs de tela grande e as novas tecnologias, como as Smart TVs com Wi-Fi integrado são o chamariz. No Extra, do grupo Pão de Açúcar, por exemplo, no primeiro bimestre o volume de vendas desses aparelhos com mais tecnologia cresceu 150% em relação ao mesmo período de 2013.

A Eletros não dispõe de dados sobre as vendas da linha branca ( geladeiras, e máquinas de lavar), mas aposta numa recuperação após a Copa, a partir de agosto até o fim do ano, impulsionada por itens que continuam com as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menores do que tinham no início de 2013.

— Claro que, quando foi anunciado o corte do IPI, muitas vendas foram antecipadas. Mas a expectativa é que as vendas da linha branca cresçam de 3% a 5% este ano, em volume — disse Kiçula.

Dilma oferece militares nas ruas para vigiar cidades-sede

• Governo muda estratégia e escala Exército para aumentar sensação de segurança

• São Paulo fecha acordo e terá reforço de 4.500 homens; tendência é as demais cidades da Copa aceitarem ajuda militar

Marco Antônio Martins, André Monteiro – Folha de S. Paulo

SÃO PAULO, RIO - O governo Dilma Rousseff ofereceu homens do Exército para atuar nas ruas e ajudar no patrulhamento das 12 cidades-sede da Copa.

A capital paulista, onde será realizada a abertura do evento, no próximo dia 12, já aceitou a oferta. Serão 4.000 homens, que também irão atuar nas cidades do interior que vão abrigar seleções.

O Rio ainda não aceitou, mas o tema está sendo discutido pela cúpula da Segurança e a tendência é que o reforço seja confirmado.

As Forças Armadas acreditam que os outros Estados também aceitarão a ajuda. Analistas entendem que nenhum deles irá recusar e correr o risco de ser responsabilizado por algum problema que venha a acontecer.

Dilma destacou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general José Carlos De Nardi, para percorrer as outras cidades e apresentar a proposta.

O plano é diferente da ideia inicial, em que a presença militar seria restrita à segurança de estruturas estratégicas.

Agora, os militares estarão espalhados em pontes, viadutos e vias de acesso às cidades-sede. As tropas também ficarão ao longo de rotas e ao redor de hotéis usados por autoridades e chefes de Estado, em aeroportos e outros pontos estratégicos.

Os militares, porém, não irão trabalhar diretamente no combate ao crime ou nas manifestações --sua presença nas ruas será para aumentar a sensação de segurança.

As tropas federais ficarão subordinadas aos centros de comando regionais da Copa, coordenados pelos secretários estaduais de Segurança, mas que contam com representantes da PF e Exército.

O governo usará os 21 mil militares que, inicialmente, ficariam aquartelados como equipe de contingência para atuar durante o Mundial.

Eles repetirão em escala nacional o plano das Forças Armadas desenvolvido na segurança de chefes de Estado, durante a Rio+20, em 2012.

Na ocasião, os militares foram vistos de prontidão por toda a cidade do Rio. Não serão usados tanques nas ruas.

Nesta segunda (2), o secretário da Segurança de São Paulo, Fernando Grella, reuniu-se com Cardozo e De Nardi para acertar detalhes. O acordo foi noticiado pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

"Que fique claro: o Exército não vai ter atuação operacional, é simplesmente presença ostensiva para mostrar, estar presente, apoiando as atividades que continuarão sendo da PM", disse Grella.

Ele também afirmou que os militares não irão atuar em manifestações e que eventual ação "depende de pedido do governador".

O general De Nardi disse se tratar de ação preventiva, mas que, "no caso de eles serem atacados, irão se defender".

Desde março, Dilma já discutia com assessores a possibilidade de que os militares tivessem maior atuação na Copa, mas a ideia vinha desagradando a alguns setores.

A possibilidade de greves de policiais em alguns Estados e o temor de delegações estrangeiras no quesito segurança levaram a presidente a levar o plano adiante

Trunfos de Dilma em 2010 viram revezes

Fernando Exman e Andrea Jubé – Valor Econômico

BRASÍLIA - A cerca de quatro meses da eleição de outubro, a presidente Dilma Rousseff mantém a dianteira nas pesquisas de intenção de voto e caminha para ter um tempo de propaganda de rádio e TV muito superior ao dos seus adversários. Mas, para desassossego de alguns integrantes do comitê da campanha governista e proveito de aliados que buscam argumentos para pressionar o PT a fechar alianças que contrariam a sigla, Dilma enfrenta problemas nos Estados que mais lhe garantiram vantagem na disputa de 2010. Dirigentes petistas relativizam esses números, e ponderam que a conjuntura eleitoral é favorável à presidente.

Na última eleição, Dilma pavimentou sua vitória contra José Serra (PSDB) na Bahia, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Maranhão. Esses Estados garantiram a Dilma 12,6 milhões de votos a mais que o tucano no segundo turno. Na Bahia, por exemplo, a então candidata petista obteve a maior diferença no segundo turno contra o adversário tucano: 2,79 milhões de votos.

Hoje, contudo, esses são justamente os locais onde a presidente e o PT se deparam com as maiores dificuldades na acomodação de interesses dos aliados ou defendem governos estaduais reprovados pela maioria da população. No primeiro caso, Rio de Janeiro e Ceará são exemplos notórios. No segundo grupo, a Bahia, onde o governador Jaques Wagner apresenta baixos índices de aprovação.

São esses números de um cenário adverso que têm sido apresentados a Dilma em conversas reservadas com aliados nas últimas semanas. Assim, sob o argumento de que o resultado expressivo de 2010 tende a não se repetir em outubro, o PMDB pressionou, por exemplo, o PT a apoiar a candidatura de Renan Filho em Alagoas, enquanto os petistas preferiam Renan Calheiros "pai" ou, então, Benedito de Lira, do PP, que acabou fechando com Eduardo Campos.

Da mesma forma, o PMDB elevou a pressão para que o PT não se aliasse a Flávio Dino (PCdoB) no Maranhão, e para que os petistas da Paraíba confirmassem o apoio para o governo estadual a Veneziano do Rêgo, irmão do senador Vital do Rêgo. Na Paraíba, o PP do ex-ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro também pleiteava o apoio de Dilma ao governo estadual. Por fim, com base nesses números, o PMDB pressiona pelo apoio do PT ao senador Eunício Oliveira no Ceará, enquanto os petistas preferem marchar com o candidato do governador Cid Gomes (Pros), ainda indefinido.

Mas o vice-presidente do PT, deputado José Guimarães (CE), contesta essa adversidade eleitoral apontada por pemedebistas. Ele argumenta que Dilma deve ter a maior coligação na disputa presidencial desde a redemocratização. Além disso, o fato de o PT contar com candidatos competitivos em parcela relevante dos principais centros urbanos do país - em alguns pela primeira vez na história - compensa essa suposta fragilidade nesses Estados. Guimarães cita como exemplo as candidaturas no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. "O quadro esboçado até agora é amplamente favorável à presidente Dilma. Qualquer análise fora disso não condiz com os fatos", sublinha.

Em 2010, quando obteve ampla vantagem de votos sobre Serra na Bahia, Dilma aproveitou-se da força do governo local, comandado pelo petista Jaques Wagner, que tentava se reeleger. Neste ano, porém, ela pode ser prejudicada pelos baixos índices de aprovação do governador. Não bastasse, a oposição e o PMDB local estão unidos ao prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), cuja gestão é bem vista pela população.

Pré-candidato a vice na chapa que será encabeçada pelo petista Rui Costa, o deputado federal João Leão (PP-BA) minimiza a ascensão de ACM Neto e o rompimento com o PMDB do ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima. Para Leão, a liderança de ACM Neto é limitada. Ele pondera que o prefeito capitalizou simpatia em cima de obras que, na verdade, seriam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Urbana. E ressalta que, embora nesta eleição o PMDB e o PSB do presidenciável Eduardo Campos estejam em times adversários, outros partidos aderiram à chapa encabeçada pelo PT, como o PSD do vice-governador Otto Alencar - pré-candidato ao Senado - e a sua própria sigla, o PP.

Leão acrescenta que a coligação de apoio a Jaques Wagner arregimenta mais de 70% dos prefeitos baianos e tem votos até no PMDB, que oficialmente migrou para a oposição no Estado. Segundo o pré-candidato a vice governador, para evitar que a oposição se beneficie das obras federais, o governo intensificou a veiculação de propagandas para mostrar as realizações do governo estadual com o governo Dilma, como reformas na principal avenida de Salvador, a Avenida Paralela. Ele diz apostar no início oficial da campanha, quando Dilma, Lula e Wagner subirem juntos no palanque para pedir votos para a chapa governista.

Pernambuco e Minas Gerais são outros Estados onde Dilma corre o risco de não repetir o seu desempenho de 2010, quando obteve um saldo de 2,34 milhões e 1,79 milhão de votos, respectivamente, em relação a José Serra. Agora, as duas unidades da federação são redutos eleitorais dos principais adversários da petista: Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB).

Pré-candidato ao Senado, o deputado João Paulo Lima (PT-PE) diz que, embora Eduardo Campos jogue nestas eleições em casa e contra Dilma, o PT avalia que a presidente tem condições de vencê-lo no Estado. Lima cita sondagens internas do partido em que Dilma aparece na dianteira, embora Campos tenha deixado o governo local como um dos governadores mais bem avaliados do país. "Nem o ex-presidente Lula nem a militância em peso do PT" entraram pra valer na campanha, ressalta o deputado, também argumentando que o antigo aliado beneficiou-se de obras feitas pelo governo federal no Estado e a partir de agora a campanha governista se esforçará para demonstrar a origem dos investimentos. "Temos um potencial amplo de crescimento."

Em Minas, onde o senador Aécio Neves é favorito, Dilma conta com o apoio do PMDB e a candidatura do ex-ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel. O mesmo não ocorre no Rio e no Ceará, onde a presidente enfrenta dificuldades na articulação com o seu principal aliado no plano nacional. No primeiro caso, embora o governador Luiz Fernando Pezão tenha garantido que pedirá votos para Dilma, a direção do PMDB fluminense se aliará ao pré-candidato tucano. Lá, Dilma registrou uma vantagem de 1,71 milhão contra o candidato do PSDB na última eleição. Já no Ceará, PT, PMDB e o grupo político do governador Cid Gomes (Pros) podem marchar divididos, se Gomes não ceder e apoiar o pemedebista.

Outro Estado que garantiu margem confortável de votos para Dilma em 2010 foi o Maranhão, onde a petista ficou 1,69 milhão de votos à frente de José Serra. Nesta eleição, a presidente deve ficar novamente ao lado da candidatura da família Sarney, que hoje amarga maiores índices de rejeição. Ironicamente, a oposição estará no palanque de Flávio Dino, cujo partido é um aliado histórico do PT.

Aécio afirma ser candidato da 'confiança'

• Para pré-candidato tucano, vitória pode ter 'efeito inverso' ao de 2002, quando Lula assustava mercado e precisou fazer carta aos brasileiros

Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira, 2, que sua vitória na eleição de outubro vai significar o resgate da confiança na economia e a criação de um ambiente propício às reformas tributária e política. “Expectativa é um componente importante. Tenho expectativa de que poderemos ter um efeito inverso ao ocorrido em 2002 (na eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva), quando era uma imprevisibilidade e ele foi obrigado a fazer uma carta aos brasileiros”, afirmou.

A uma plateia formada por cerca de 300 empresários de vários setores que participaram de um debate promovido pelo Estado e a agência Corpora Reputação Corporativa, o senador ironizou a afirmação da presidente Dilma Rousseff feita a empresários de que em novembro as coisas vão melhorar. “Mas, para melhorar, é preciso um detalhe: ela perder as eleições e nós vencermos.”

O tucano voltou a defender a reforma política e disse que, se eleito, pretende usar seu capital político para adotar uma agenda de reformas que reduza o número de partidos - para oito-, que propicie o voto distrital misto, que acabe com o direito à reeleição e estabeleça um mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos.

Segundo Aécio, uma vitória do PSDB pode “melhorar o clima de confiança” e dar segurança jurídica” para as reformas.

Preços dos combustíveis. Durante o evento, o senador mineiro foi questionado por representantes do setor sucroalcooleiro sobre quando ele reajustará, caso eleito, o preço da gasolina, que foi represado pelo governo para evitar o aumento da inflação. “Eu vou dizer uma palavra que eu acho que resume aquilo que nós vamos fazer: previsibilidade. Regras claras”, afirmou.

O tucano disse ainda que seria “irresponsável” antecipar qualquer anúncio sobre o aumento do preço do combustível sem efetivamente estar no governo. “Eu não posso anunciar nada sobre isso sem saber efetivamente os números do governo e da própria Petrobrás”, afirmou o pré-candidato.

Agronegócio. Depois de ouvir o presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Gustavo Lins Junqueira, defender a unificação em um mesmo ministério as pasta da Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário, o senador tucano evitou se comprometer com a proposta, mas criticou a utilização do Ministério da Agricultura como moeda de troca política. A pasta é atualmente comandada pelo PMDB, que apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

De acordo com Aécio, nos últimos anos a troca de cargos dentro da pasta tem sido feita mais como manobra política do que para a entrada de técnicos e especialistas do segmento. “É comum ver indicações que são feitas sem qualquer sintonia com o setor”, declarou.

O pré-candidato ao Palácio do Planalto comentou que, na Agrishow deste ano, tradicional feira do setor agropecuário realizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, encontrou-se com técnicos da Embrapa que pediram o “salvamento” da empresa de pesquisa do agronegócio nacional.

Segurança pública. Quando o debate entrou no tema da segurança, o senador afirmou que há hoje uma “omissão criminosa” na política do setor. Segundo ele, do total de recursos que são investidos em segurança, 87% vêm dos Estados. “Só 13% vêm do governo federal, que apropria de 60% dos impostos arrecadados no País”, disse.

Aécio defendeu que a política de segurança seja passada para a responsabilidade dos Estados. Ele criticou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que disse que as cadeias no Brasil são masmorras medievais. “Ele está à frente do ministério há três anos e só aplicou 10,5% de todo o recurso contingenciado para a segurança”, afirmou o pré-candidato tucano.

Regulação da mídia. O senador criticou a proposta defendida pelo PT de revisar a legislação que trata da regulamentação da mídia no Brasil. “A democracia é um patrimônio que não temos o direito de permitir que seja ameaçado. A liberdade de imprensa é vital em qualquer sociedade democrática.”
O tucano alertou que isso poderá ocorrer em outras áreas e ficar ainda mais grave se o atual grupo político (de Dilma) vencer essas eleições, em razão do que classificou de “ausência de limites do atual governo”.

Ele citou que negociações políticas sempre ocorreram no Brasil, mas “hoje isso é vergonhoso, pois um partido que dá cinco segundos (no horário de TV) para a presidente da República recebe uma diretoria de banco ou uma diretoria da Caixa e por aí vai”.

Aparelhamento. O senador tucano aproveitou o evento desta segunda para retomar uma de suas críticas mais recorrentes ao governo do PT - o “aparelhamento” do Estado.
Essa prática, segundo o pré-candidato tucano à Presidência, alcançou instituições como Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As críticas se estenderam ao Itamaraty, que, no seu entender, vive atualmente um alinhamento ideológico anacrônico.

O tucano insinuou, ainda, que uma eventual reeleição da presidente Dilma Rousseff poderia comprometer a independência do Supremo Tribunal Federal. “Depois da saída precoce do ministro Joaquim Barbosa (que anunciou sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal na semana passada), no próximo governo serão abertas cinco novas vagas na Corte. Eu não preciso falar mais nada.”

Alckmin prestes a fechar apoio do PSD e PSB; Kassab é o vitorioso

• O ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) estão a um passo de anunciar a aliança para a reeleição do tucano em outubro. Kassab deve ser vice de Alckmin e já mira o Palácio dos Bandeirantes em 2018. O anúncio, porém, ainda depende da chancela do PSB paulista, que pleiteia a vaga [...]

Julia Duailibi – O Estado de S. Paulo

O ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) estão a um passo de anunciar a aliança para a reeleição do tucano em outubro. Kassab deve ser vice de Alckmin e já mira o Palácio dos Bandeirantes em 2018. O anúncio, porém, ainda depende da chancela do PSB paulista, que pleiteia a vaga e que terá uma reunião na sexta-feira para definir se aceita a coligação com os tucanos.

A expectativa no Palácio dos Bandeirantes é a de que o partido de Eduardo Campos aceite a fechar a aliança, mas que jogue a definição sobre o cargo que ocupará na chapa para o dia 21 de junho, data da convenção estadual do partido. O PSB paulista, comandado pelo deputado Marcio França, prefere a vice, mas o mais provável é que fique com a vaga para o Senado.

Os tucanos avaliam que, com o acerto, vão asfixiar a candidatura de Paulo Skaf (PMDB), maior temor entre os aliados de Alckmin. Para eles, o adversário preferencial no segundo turno é o PT, de Alexandre Padilha. Apostam que a rejeição ao PT no Estado inviabiliza a vitória do ex-ministro da Saúde.

Vitória - O maior vitorioso dessa costura é Kassab, que quer ser governador e sabe que a melhor forma de chegar à cadeira é usando o atalho de vice. Em 2018, Alckmin renunciaria para se candidatar à Presidência, e Kassab se tornaria governador, disputando a reeleição daquele ano com o apoio do PSDB – os tucanos dizem que não há nenhuma negociação desse tipo em jogo, mas os aliados de Kassab já falam, sim, em “retribuição” do PSDB em 2018.

Para quem não lembra, foi a mesma estratégia usada em 2004, quando Kassab moveu mundos e fundos para se tornar candidato a vice-prefeito de José Serra (PSDB). Assim como Alckmin hoje, Serra também não morria de amores por Kassab. Ameaçou até não se candidatar, caso tivesse que ceder a vice para o então presidente estadual do PFL.

O ex-prefeito é hábil nas articulações políticas. Se movimenta nos bastidores de maneira que se torna quase indispensável. Criou um partido com uma bancada que lhe dá tempo de TV, um ativo cobiçado por quem vai disputar uma candidatura majoritária. Na eleição deste ano, seus minutos na TV passaram a valer ainda mais para os tucanos, quando surgiram os boatos de que Kassab se tornaria aliado dos adversários de Alckmin. Kassab foi o beneficiário direto desses vazamentos seletivos.

Kassab sempre quis ser candidato a vice, de preferência na chapa do PSDB – Alckmin aparece como favorito na disputa eleitoral deste ano. Texto publicado noEstado em 2013 já falava das reais pretensões do ex-prefeito. Ele se lançou pré-candidato ao governo do Estado, se valorizou na disputa, mas, como era esperado, desistiu. Em 2004, o roteiro foi parecido. Disse “um dia quero ser vice”, mas afirmou que aquele ainda não era o momento de ocupar o cargo. Três dias depois estava ele anunciando a participação na chapa de Serra.

Alckmin e Kassab já falaram coisas impublicáveis um sobre o outro. O primeiro enfrentamento dos dois foi em 2008, quando Kassab, prefeito, era candidato à reeleição com o apoio dos tucanos serristas. O distanciamento se aprofundou em 2011, quando Kassab criou o seu PSD e levou aliados de Alckmin para a sigla. O governador viu na ação uma tentativa de enfraquecê-lo politicamente no Estado e retaliou Kassab, demitindo o vice-governador Guilherme Afif Domingos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico – Afif e Kassab são amigos e parceiros políticos.

Mas como os profissionais não agem com o fígado, a aliança entre Alckmin e Kassab está para sair do forno. Mesmo assim um tradicional aliado do ex-prefeito vê com ressalvas a parceria. “Essa aliança é o triunfo da esperança sobre a experiência. Será o terceiro casamento entre Alckmin e Kassab. Os dois anteriores não deram certo”, disse.

Os “dois casamentos anteriores” terminaram em litígio. Além de Afif, vice de Alckmin em 2010, Cláudio Lembo, que foi vice de Alckmin em 2002 por indicação de Kassab, é rompido com o governador até hoje.

PS: Com a cadeira do Senado com o PSB, o ex-governador José Serra deve disputar mesmo uma vaga na Câmara dos Deputados.

Para Aécio, PT quer censura com regulação dos meios de comunição

• O programa promete ainda "tolerância zero" contra a inflação

• "Precisamos restabelecer um ambiente de serenidade e tranquilidade para que os investimentos voltem ao Brasil e nós possamos voltar a crescer", Aécio Neves (PSDB), senador e candidato à Presidência da República

Alessandra Mello – Correio Braziliense

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador Aécio Neves, classificou de censura a regulação dos meios de comunicação. O discurso do candidato é uma crítica direta ao PT, que, no fim de maio, incluiu o tema em seu programa de governo. A proposta já havia sido defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro nacional do partido.

“O controle dos meios de comunicação é censura. Liberdade de imprensa é o maior valor numa sociedade democrática”, disse Aécio ontem, em encontro com empresários. Ele afirmou ainda que a agenda, “antes tratada” nos bastidores pelos petistas, agora é defendida abertamente pelos principais líderes do partido. “Eles não estão tendo mais nenhum constrangimento de colocar essa agenda, e esse é um patrimônio que não temos sequer o direito de deixar ser ameaçado”, concluiu.

O senador mineiro também prometeu criar uma secretaria para “simplificar a questão tributária” caso seja eleito presidente em outubro. E “tolerância zero” para a inflação. Para ele, falta previsibilidade no Brasil. “As regras têm que ser claras, transparentes, e é isso que ajuda a criar um clima de estabilidade na economia, de serenidade, favorável, inclusive, à retomada de investimento.”

Ele ainda criticou o que chamou de “intervencionismo exagerado” e “quebra de regras e de contratos”. Segundo ele, falta vontade política do governo do PT para enfrentar questões essenciais. Na sua opinião, “o Brasil tem jeito, sim. “O problema é o governo.”

Aécio diz que Dilma faz Pimentel cair

André Guilherme Vieira – Valor Econômico

SÃO PAULO - O pré-candidato tucano à Presidência da República, senador Aécio Neves, disse ontem que as visitas da presidente Dilma Rousseff a Minas Gerais têm provocado a queda do candidato petista ao governo mineiro, Fernando Pimentel: "A Dilma cada vez que ela vai a Minas, o Pimentel cai cinco pontos nas pesquisas. Veja as de hoje. Ela tem de continuar nos visitando", disse Aécio ao chegar ao evento Top Etanol, em São Paulo, que também contou com a presença de seu adversário na corrida presidencial, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB).

Pesquisa encomendada à CP2 Consultoria e divulgada pelo jornal "O Tempo" mostra Pimentel com 30,6% das preferências, contra 19,4% do ex-ministro Pimenta da Veiga (PSDB). A margem de erro da pesquisa é de 1,98%. O levantamento ouviu 2.062 pessoas entre os dias 23 e 27 de maio

Em sua palestra a empresários do setor sucroalcooleiro, o tucano voltou a ironizar a adversária ao afirmar que concordava com Dilma: "Em novembro as coisas vão melhorar. Mas para isso é preciso que ela perca a eleição." Foi aplaudido pela plateia de cerca de 200 pessoas.

Campos, em seu discurso, disse que é preciso alterar o critério de tributação para o setor sucroalcooleiro: "É preciso deixar claro o diferencial entre o que é combustível fóssil e o que é renovável. É o que se espera no mundo inteiro. E vamos fazer isso sem aumento de carga tributária", afirmou.

Indagado sobre qual será a decisão do PSB para a eleição a governador em São Paulo, Campos deu menos peso ao apoio à reeleição de Geraldo Alckmin: "O que a direção nacional sempre desejou foi pela candidatura própria aqui".

Pela manhã, seu futuro oponente Aécio Neves atacou uma das propostas tratadas como prioridade pelo PT: a regulamentação da mídia. "Vamos usar o termo correto: controle social da mídia é censura", afirmou o senador, durante evento promovido pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e a Corpora. Aécio usou o tema para insinuar ainda que a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) pode comprometer a independência do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Depois da saída precoce do ministro Joaquim Barbosa, no próximo governo serão cinco novas vagas abertas no STF. Não preciso falar mais nada", disse. Questionado sobre quando faria o reajuste do preço da gasolina em sua eventual eleição, tergiversou: "Não posso falar sobre isso sem estar no governo e conhecer os números". (Com agências noticiosas)

Estratégia de Campos para o Rio irrita Sirkis e abre crise no PSB

• Deputado chama de bizarra a tentativa de herdar votos de Marina no Estado

Alexandre Rodrigues e Cássio Bruno – O Globo

RIO — Pré-candidato do PSB à Presidência, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos desembarca hoje no Rio no meio de uma crise na construção do palanque estadual, com o deputado federal Miro Teixeira (PROS) candidato ao Palácio Guanabara. O deputado federal Alfredo Sirkis (PSB-RJ), que já foi um dos principais articuladores da ex-senadora Marina Silva, vice na chapa de Campos, disparou ontem uma série de críticas à condução da pré-campanha de Campos no Rio. Para ele, Campos é negligente e conduz no Rio uma estratégia bizarra.

Segundo Sirkis, Campos não dá a atenção necessária ao Rio, apesar de, nas eleições de 2010, Marina ter ficado em segundo lugar no estado, com 2,6 milhões de votos. A então candidata do PT, Dilma Roussef, teve 3,7 milhões; José Serra, do PSDB, conquistou 1,9 milhão.

— O Rio é um estado chave. A Marina teve grande votação. Mas isso não é automaticamente transferível. Ele (Campos) está sendo negligente — disparou o deputado, ex-PV, que disse ter sido obrigado a “congelar” sua pré-candidatura ao governo fluminense por pressão do ex-governador e da própria Marina.

‘Tarde demais para outra alternativa’
Para ele, foi um erro dos dois apoiar a pré-candidatura de Miro:

— Não vejo a pré-campanha do Miro se desenvolvendo. Mas, agora, ficou tarde demais para tentar uma outra alternativa de palanque. É uma situação bizarra.

Em 2010, Marina teve como interlocutor da campanha presidencial no Rio o ex-deputado federal Fernando Gabeira. Para as eleições deste ano, esse papel caberia a Sirkis. No entanto, a relação entre ele e Marina não é a mesma desde que eles discordaram sobre as opções da senadora, após o fracasso do registro da Rede como partido, ano passado. Sirkis não fala sobre isso, mas se queixa do descaso de Campos:

— Desde quando eu me filiei ao PSB, nunca tivemos uma conversa.

O deputado federal Glauber Braga (PSB-RJ), um dos coordenadores da campanha de Campos no Rio, não quis polemizar:

— Campos vai intensificar a pré-campanha no Rio porque o estado tem a vocação para o novo e o Sirkis, na hora certa, terá um papel fundamental.

A aliança do PSB com Miro é baseada na relação pessoal dele com Marina. Eles se aproximaram na coleta de assinaturas para a Rede. Miro pretendia aderir à Rede, mas acabou no PROS. Ontem, ele evitou um embate com Sirkis:

— Essa é uma discussão do PSB, cuja executiva regional deliberou (apoio ao PROS). Acho o Sirkis uma boa pessoa.

Campos e Marina visitam hoje à tarde o projeto do AfroReggae, em Vigário Geral, na Zona Norte. À noite, jantam com artistas no Jockey Club Brasileiro. O deputado federal Romário, pré-candidato do PSB ao Senado, e Miro não comparecerão por causa das sessões do Congresso em Brasília.

A viagem de Campos ao Rio é uma tentativa de resposta ao movimento “Aezão”, dissidência de políticos (de PMDB, PSD, PP, PSL, PEN e Solidariedade) que anunciará quinta-feira apoio ao pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG). O grupo vai se reunir num restaurante na Barra da Tijuca,

— O “Aezão” é a representação clássica do que há de velho na política. Trata-se de um apoio daquilo que estamos buscando quebrar: aliança com o PMDB, que atrasou o Rio e o Brasil — disse Glauber Braga.

No Rio, Marina foi a segunda colocada em 2010
As últimas quatro eleições mostram que nenhum estado reúne tantos eleitores interessados na chamada terceira via como o Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral do país. PT e PSDB, que rivalizam na cena nacional, são fracos no Rio.

Se dependesse do Rio, Marina teria ido ao segundo turno contra Dilma em 2010. Além do segundo lugar na capital, com os mesmos 32% que obteve no estado, ela venceu em colégios eleitorais importantes do interior e da Região Metropolitana, como Volta Redonda e Niterói.

No pleito presidencial de 2006, outra dissidente do PT, a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), experimentou no Rio uma votação bem mais expressiva do que em outros estados: ela conquistou pouco mais de 20% do eleitorado da capital fluminense, quase o triplo dos 7% que obteve no resultado nacional.

Em 2008, nas eleições municipais da capital fluminense, Gabeira teve mais de um quarto do eleitorado e perdeu a prefeitura para Eduardo Paes (PMDB) no segundo turno por apenas 2% dos votos. Em 2012, Marcelo Freixo (PSOL) perdeu no primeiro turno para Paes, candidato à reeleição, mas conquistou 28% dos votos. Nada mau para quem não tinha estrutura ou alianças.

Romário deve ser o principal cabo eleitoral
Os candidatos de terceira via costumam ter seus votos concentrados em áreas de classe média, como a Zona Sul do Rio. Uma análise do mapa eleitoral de Marina em 2010, feita por pesquisadores da PUC-Rio, mostrou que ela foi bem votada tanto em bairros de classe média como nas áreas mais populares. É uma votação bem mais distribuída pela cidade do que a de Gabeira, em 2008, concentrada nas áreas mais nobres.

Apesar de Campos precisar se tornar conhecido na Região Sudeste, ainda não priorizou o Rio. O problema da estratégia de Campos no Rio é ter pouco em comum com a campanha de Marina em 2010. Em maio, o deputado federal Romário (PSB-RJ) anunciou sua candidatura ao Senado na chapa de Miro, revelando uma conversa com Campos. O ex-jogador de futebol deverá ser o principal cabo eleitoral de Campos no Rio, já que Miro, ex-PDT, provavelmente terá seu partido coligado nacionalmente com o PT de Dilma Rousseff.

Aécio diz que diferença entre ele e Campos é nunca ter apoiado o governo PT


  •  Em entrevista ao programa “Roda Viva”, pré-candidato tucano disse que primeiras medidas no governo seriam a redução dos ministérios e secretaria para simplificar sistema tributário

Juliana Granjeia – O Globo

SÃO PAULO — O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que a diferença entre ele e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) é que ele nunca participou de um governo do PT.

Em entrevista ao programa "Roda Viva", na TV Cultura, o tucano disse que não vai mudar suas estratégias de acordo com pesquisas eleitorais. Com as disputas por palanques estaduais acirradas, o pacto de não agressão entre Aécio e Campos ficou fragilizado.

- Eu não vou mudar minha estratégia em função de uma outra pesquisa de opinião - afirmou o senador referindo-se implicitamente ao pernambucano que já fez parte da base da presidente Dilma Rousseff.

- O grande desafio da oposição é apresentar uma mudança (...) O governo é tão ruim que até o PT quer mudar - afirmou o senador em uma referência indireta ao movimento "Volta, Lula".

O senador tucano voltou a afirmar que as duas primeiras medidas em seu eventual governo seria o corte de metade dos atuais 39 ministérios e criar uma secretaria extraordinária para simplificar o sistema tributário e avançar em três pontos da reforma política: o retorno da cláusula de desempenho, para reduzir o número de partidos, o voto distrital misto e o fim da reeleição.

No programa, Aécio reafirmou sua posição contra a descriminalização da maconha.

- Não acho que o Brasil deva ser laboratório para descriminalização de qualquer droga, vamos observar o que está acontecendo no mundo. O que precisa é ter uma política nacional de segurança. Bandeira petista, o programa Bolsa Família não vai acabar em uma eventual gestão tucana, de acordo com o senador.

- Nossa proposta transforma o Bolsa Família em política de Estado, tira da órbita de uma secretaria subordinada a um ministério regulada por decreto, para não ser usado como instrumento eleitoral. Para nós, o Bolsa Família é o ponto de partida, para o PT é o ponto de chegada.

Questionado sobre políticas de alianças, tema incômodo ao PT, o tucano prometeu fazer acordos de acordoo com seu plano de governo.

- Apoio você não nega, mas isso não quer dizer que essas pessoas precisam estar no governo.

Sobre política externa, o senador fez críticas ao "alinhamento ideológico" do governo petista com o bloco bolivariano.

- Temos que flexibilizar as amarras do Mercosul, fugir desse alinhamento ideológico e procurar parcerias com o mundo desenvolvido.

Ao deixar o estúdio, Aécio disse não ter se incomodado com as questões abordadas.

- Quem tem uma disputa como essa, com o PT, não pode esperar facilidades.

Com festa, PMDB do Rio lança ‘Aezão’

• Picciani, que apoia Aécio Neves, diz que movimento irá surpreender aliados de Dilma Rousseff

Aurélio Gimenez – O DIA

RIO - Se a previsão do presidente do PMDB, Jorge Picciani, se confirmar, a presidenta Dilma Rousseff levará um susto e tanto depois de amanhã. Picciani aposta na adesão maciça de peemedebistas fluminenses no churrasco de lançamento do movimento conhecido como ‘Aezão’, neologismo que junta o senador Aécio Neves (candidato a presidente pelo PSDB) e o governador Luiz Fernando Pezão, candidato à reeleição pelo PMDB.

Na festa que dará largada ao ‘Aezão’, Picciani conta não apenas com os peemedebistas mas também com políticos de outros partidos, como o PP do senador Francisco Dornelles, o PSD do ex-deputado Indio da Costa e o novíssimo Solidariedade. “Vejo com empolgação e, com certeza, haverá uma grande adesão no estado em torno de Aécio”, diz Picciani. Ele afirma que faltou reciprocidade, por parte do PT fluminense, para manter a aliança com o PMDB em torno da candidatura de Dilma.

Na avaliação de Picciani, a dissidência em prol de Aécio no Rio não se trata de revanchismo ou oportunismo. Segundo ele, o PT priorizou um projeto estadual — o lançamento da candidatura do senador Lindbergh Farias —, em detrimento do projeto nacional. Em 2010, Picciani, Lindbergh e Marcelo Crivella disputaram as duas vagas ao Senado pelo Rio. Picciani ficou de fora.

Para o presidente do PMDB, não há divergência dentro do partido, mesmo com uma ala apoiando Dilma e outra se voltando para Aécio. Segundo ele, o partido é maduro suficiente para discutir os seus caminhos. “O arco de alianças em torno de Pezão é muito grande. Certamente teremos quatro vezes mais tempo de TV do que o adversário mais próximo”, observa.

Deputado federal do PSDB, Otávio Leite acrescenta que a adesão à candidatura de Aécio no Rio é espontânea e vem ganhando musculatura. “Teremos a presença de prefeitos e vice-prefeitos da Baixada e do interior, deputados estaduais e federais”, garante. Os organizadores da festa de lançamento do ‘Aezão’ esperam a participação de mais de 400 políticos fluminenses.

Segundo Leite, o apoio a Aécio será bastante representativo em todo o estado, o que poderá levar o tucano a chegar na frente de Dilma no Rio. Os candidatos petistas, com o apoio do PMDB, venceram os tucanos nas últimas eleições presidenciais. Foi assim em 2010, quando Dilma ganhou do tucano, nos dois turnos eleitorais. No segundo, a candidata do PT ficou com 60,99% dos votos, contra 39,01%, do PSDB. Uma diferença de mais de 1,7 milhão de votos.

PP apoia tucano e Pros fecha com PSB
Apesar de no âmbito nacional o Partido Progressista (PP) ter declarado apoio à reeleição de Dilma Rousseff, aqui no Rio a sigla, cujo o presidente é o senador Francisco Dornelles, vai de Aécio. Os dois senadores são primos. Dornelles também mantém o apoio a Luiz Fernando Pezão.

Já Pros e PSB decidiram aderir à candidatura ao governo do Rio do deputado federal Miro Teixeira. Os dois partidos vinham conversando para selar a coligação majoritária, mas Miro insistiu em fechar também acordo para a formação da chapa proporcional a fim de dar “envergadura” a sua candidatura. “Agora está tudo acertado, tanto na majoritária quanto na proporcional. Acredito que teremos pouco mais de três minutos na TV para apresentar nossas propostas”, disse o deputado federal do Pros.

Segundo Miro, o deputado federal Romário é o nome que ele defende para concorrer ao Senado pelo PSB. “Mas isso é uma questão interna do partido”, afirmou o deputado, acrescentando que mantém conversas com alguns partidos, como o PPS, para a aliança regional. Quanto ao nome do vice, Miro disse que ainda está sendo discutido de acordo com o perfil da coligação.

Campos: brasileiro não tem vida fácil

- Portal do PSB

Pré-candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos convocou dirigentes, militantes e simpatizantes dos partidos que compõem a aliança com a Rede Sustentabilidade, PPS, PPL, PRP e PHS, a estimular a participação popular nas eleições desse ano. “Nosso desafio é buscar a participação do povo indignado com tanta coisa errada”, avisou. “Vamos ganhar as ruas, o campo, as pequenas cidades do Brasil. Vamos buscar os descrentes que querem votar em branco e nulo”. Segundo ele, apenas a alternância de poder mudará o rumo do país. “Estamos vivendo o tempo de mais baixo crescimento da economia, não há desenvolvimento no Brasil real”, afirmou. “Estão em risco as conquistas dos últimos ciclos, que fazem parte do cotidiano muito duro do brasileiro que trabalha. O brasileiro não tem uma vida fácil e tranquila”, emendou, referindo-se à volta da inflação.

De passagem por Goiânia, onde participaram do último encontro programático regional da aliança para a formulação do programa de governo, Campos e Marina Silva, sua candidata a vice, foram enfáticos ao pontuar que tanto o PT quanto o PSDB tiveram a oportunidade de avançar nas mudanças, mas não o fizeram. “O governo não teve humildade para reconhecer a necessidade de mudar o rumo”, disse o socialista, comentando o fraco desempenho da economia. “"O PSDB já teve uma chance de dizer e fazer pelo Brasil. Não disse o que precisava e não fez. O PT já teve a sua chance. E não disse tudo o que precisava, porque nunca priorizou o desenvolvimento sustentável. É a vez de reconhecer as coisas boas que os dois governos fizeram, nos comprometermos com sua manutenção, mas também com a correção dos erros", disse Marina.

O evento aconteceu no auditório do Centro de Convenções de Goiânia, que recebeu centenas de militantes e dirigentes dos partidos da aliança para mais um dia de trabalho. Eduardo Campos defendeu a importância do programa de governo não apenas para o debate eleitoral, mas principalmente para a governabilidade de sua futura gestão – ele reafirmou que as parcerias serão sustentadas por um projeto. “Queremos um programa de governo que fale com o Brasil real”, avisou. “Não vamos tirar o Brasil do rumo errado sem aposentar a velha política. Na oposição, o fisiologismo padece, perece e morre”, garantiu. “Essa eleição não será ganha pela estrutura, mas pela postura”, endossou Marina Silva.

Candidata a vice, a ex-senadora exortou os partidos da alianças a quebrarem paradigmas e aprofundarem o debate dos problemas do país, de modo a aproximar o projeto liderado por Campos da população. “Não existem salvadores da pátria. Nós não vanos fazer para vocês, nós vamos fazer com vocês. Nós queremos um Brasil capaz de manter as conquistas, mas não vamos parar por aí”. Segundo ela, mais que criticar e apontar os problemas é preciso clareza para apontar soluções novas. “Esse não é o momento de desistir, mas de persistir pelo Brasil que queremos”.

O evento, realizado em Goiânia, foi o último da série de seminários realizados em todas as regiões do país. Encontro promovido e organizado pela Fundação João Mangabeira (FJM).